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Não é raro encontrar vários talentos musicais numa mesma família. Será que é por conta do ambiente que incentiva a música ou o DNA é que faz a diferença? Alguns músicos já demonstram na infância um talento excepcional, mesmo antes de ter qualquer aula. O matemático Galton foi o criador da famosa interrogação “Nature or nurture?” que podemos entender “É da sua natureza (genético) ou fruto da persistência (nurture)”.
No ano de 1993 tivemos o resultado de uma pesquisa que alimentou a ideia de que persistência seria o suficiente para ser um grande músico. Os autores do estudo mostraram que músicos de elite tinham uma média de dez mil horas de prática e concluíram que essa seria a “única” chave do sucesso. Um best-seller relativamente recente, Outliers de Malcolm Gladwell, defende essa ideia que pessoas brilhantes, em qualquer área, praticaram pelo menos dez mil horas. O livro inclui nessa regra das dez mil horas posições que vão desde músicos até figuras como Bill Gates. Entretanto, uma pesquisa recente dá um banho de água fria nessa regrinha.
Psicólogos da Universidade Estadual de Michigan e do Texas mostraram que os genes fazem a diferença na chance de uma pessoa se tornar um virtuose da música. Eles estudaram 850 gêmeos quanto ao desempenho musical e o número de horas de prática. O fator genético realmente fazia diferença, mas de forma muito mais intensa entre aqueles que praticavam mais. É o exercício, a repetição fazendo os genes se expressarem. É a prática moldando o DNA.
E genes certos fazem a pessoa praticar mais. Quando a pessoa tem a percepção de que é bom em alguma coisa, a motivação é maior. E essa motivação pode ser alimentada já nos primeiros anos pelo retorno de pais e professores que reconhecem o talento de uma criança para a música.
O que os bons genes para a música trazem de vantagem? Não sabemos responder, mas podemos especular que vantagens na coordenação motora, processamento do som são bons candidatos.
Outro estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science, e conduzido pelo Instituto Karolisnka na Suécia, confirma que a regra dos dez mil não faz verão sem os bons genes. Os pesquisadores analisaram as habilidades musicais como ritmo, melodia e discriminação de tons entre 2500 pares de gêmeos idênticos e não idênticos. Os resultados apontaram desempenho nos testes independente do tempo de prática. Um indivíduo com mais de 20 mil horas de prática de um instrumento musical não teve menos dificuldade que seu irmão gêmeo idêntico. Fazia diferença sim entre gêmeos não idênticos.
Essa influência dos genes, a principio, pode ser extrapolada a outras áreas de expertise. Os mesmos pesquisadores já demonstraram esse efeito entre jogadores de xadrez. Quando pensamos nos kids, o melhor é deixá-los experimentar um grande número de atividades. Uma hora ou outra eles encontram o que combina mais com seus genes e vão praticar pelo prazer de fazer bem a coisa.
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Os arquitetos precisam saber disso. Uma pesquisa publicada recentemente pela Universidade de Northwestern nos EUA aponta que trabalhar em um ambiente com luz natural melhor para a saúde que a luz artificial. O estudo mostrou que janelas na sala de trabalho permitem uma exposição à luz 173% maior do que ambientes só com luz artificial. Além disso, quem trabalha em ambientes com luz natural dorme à noite quase uma hora a mais e também praticam mais atividade física.
Os efeitos positivos da luz podem ser mediados por melhora dos estados de humor e de vigília e do metabolismo. Ambientes mais escuros estimulam a produção de melatonina, que tem seu pico à noite. A produção desse hormônio à noite pode ficar prejudicada se durante o dia ficamos sem ver a luz do dia. Imagine então o efeito de estímulos à noite de telas de TV, computador e tablet.
O estudo foi publicado em junho pelo Journal of Clinical Sleep Medicine.
No dia a dia, superar as expectativas traz mais bem estar do que o conjunto das boas notícias recentes. Essa é conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores ingleses e publicada nesta última semana no prestigiado periódico PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences.
O estudo foi realizado inicialmente com 26 voluntários na ressonancia magnética functional e depois expandido a 18 mil voluntários num jogo no smartphone. Após escolher entre duas opções que levavam a perdas ou ganhos financeiros, no primeiro experimento, e perda de pontos no game do celular, eles tinham que responder o quanto se sentiam felizes naquele exato momento. Um modelo matemático demonstrou que, a cada rodada de decisões, a superação das expectativas deixava as pessoas mais felizes do que os benefícios propriamente ditos. .Isso aconteceu no grupo de 26 voluntários, tendo confirmação na ressonância magnética funcional pela ativação do centro de recompensa cerebral, mas também foi demonstrado nas milhares de pessoas que participaram do game do celular.
É comum as pessoas pensarem que são mais felizes quando têm expectativas menores. Parece que isso é mesmo verdade.

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Há poucos anos um paciente procurou-me com a queixa de duas crises de dor de cabeça muito fortes durante uma viagem de avião. Quanto à intensidade das crises, sempre pergunto aos pacientes em que nível eles classificam a dor numa escala de 1 a 10. Nota 11 foi a que o paciente atribuiu a ambas as crises. As duas crises aconteceram quando o avião estava pousando, de um lado só da cabeça e com lacrimejamento e corrimento nasal do mesmo lado. Semana passada outro rapaz queixou-se de sintomas idênticos.
Esses casos têm sido pouco descritos na literatura médica, mas acredita-se que o fenômeno seja bem mais comum do que parece. A classificação internacional de cefaleias reconheceu na sua última edição a cefaleia da altitude, condição que define a dor de cabeça que algumas pessoas vivenciam quando atingem locais de grande altitude. Entretanto, os casos descritos até o momento sugerem que em breve deverá ser incluída uma nova entidade que é a dor de cabeça associada à MUDANÇA de altitude. Já foi descrito um caso em Portugal em que o paciente apresentava os sintomas durante a descida do avião, mas também toda vez que descia de carro uma montanha de dois mil metros de altitude.
Hoje se discute se um novo tipo de cefaleia, a cefaleia do avião, deve ser incorporado à classificação internacional das cefaleias. Há uma série de cerca de 70 pacientes descritos com dor na hora do pouso, duração menor que 30 minutos, de um lado só da cabeça, sem outros sinais característicos da enxaqueca, como náuseas, e predomínio nos homens.

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Baixos níveis de vitamina D aumentam em duas vezes o risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Os pesquisadores já suspeitavam da relação entre o risco de demência e baixos níveis de vitamina D, mas ficaram surpresos com uma relação tão robusta – o dobro do risco.
Participaram da pesquisa cerca de 1700 voluntários com idade superior a 65 anos. Após seis anos, 10% desenvolveram um quadro de demência, a maioria por Doença de Alzheimer. Aqueles com baixos níveis de vitamina D tinham 53% mais chance de desenvolver demência e o risco era 120% entre aqueles com níveis muito baixos dessa vitamina. Os resultados não eram influenciados por outros fatores que afetam o risco de demência como educação, tabagismo e consumo de álcool.
Já sabemos que o consumo de peixe reduz as chances de demência e da Doença de Alzheimer. Sabemos também que as pessoas têm uma dieta rica em vitamina D têm melhor desempenho cognitivo. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. E olha que a dieta só contribui com 10% dos níveis de vitamina D – 90% são dependentes de sua síntese na pele por exposição ao sol.
E os efeitos da vitamina D sobre o sistema nervoso não se restringem à nossa capacidade cognitiva. A suplementação de vitamina D aumenta a força muscular e o equilíbrio e, entre os idosos, é capaz de reduzir o risco de queda.

As mães são mais altruístas que os pais. Do ponto de vista evolutivo, a explicação dessa diferença é a maior certeza que as mães têm de que os filhos são seus, certeza que é menor no caso dos pais.
Em situações de carestia, o conhecimento do perfil de altruísmo das pessoas pode ser relevante, como em programas de redistribuição de renda. Qual a melhor estratégia? Direcionar recursos para a família como um todo ou para um dos membros? No Brasil, mais de 90% dos depósitos do Bolsa Família são direcionados às mães. Realmente essa é uma decisão bem acertada.
Uma cooperação entre pesquisadores da Tanzânia e da Holanda testaram o quanto os gêneros são diferentes no quesito altruísmo com os filhos em uma situação de carestia na área rural da Tanzânia.
Grupos de pais tinham que escolher entre uma sandália para os filhos ou um “regalo” para si mesmos, como dinheiro ou meio quilo de açúcar. As sandálias tinham alto valor relativo, já que as crianças tinham o hábito de andar longas distancias descalças. As sandálias também valiam mais.
Quando a decisão era tomada de forma independente, as mães foram mais altruístas que os homens. Em outro experimento, em que ambos faziam as escolhas sabendo que outro também participaria com a sua decisão, o comportamento não foi diferente entre os gêneros.
Será que as mães passaram a contar que os pais teriam um comportamento altruísta? É o famoso deixa que eu deixo do futebol? Outra possível explicação para os resultados é que as mães não quisessem ficar em desvantagem imaginando que os pais tomariam uma decisão egoísta. As mães poderiam também imaginar que a obrigação dos pais era de garantir o beneficio ao filho.
Anyway, dinheiro nas mãos da mãe aparece mais para os filhos.
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Sentenças com metáforas que evocam experiências sensoriais relacionadas ao paladar (ex: doces palavras) estimulam mais o cérebro do que com palavras equivalentes com sentido literal (ex: palavras gentis). Essa é a conclusão de um estudo recém publicado por pesquisadores americanos e alemães no periódico Journal of Cognitive Neuroscience.
Os voluntários do estudo tinham que ler uma série de sentenças enquanto faziam um exame de ressonância magnética Funcional. Sentenças que continham metáforas provocaram maior ativação de centros associados à emoção como a amígdala. As metáforas não tinham o mesmo poder quando eram lidas fora do contexto da sentença. Entretanto, isoladas ou no meio da sentença, as metáforas de conteúdo gustativo estiolavam da mesma forma as áreas cerebrais associados à experiência do paladar.
Será que podemos concluir que a linguagem figurada, como as metáforas, representa uma vantagem retórica ao envolver mais o cérebro emocional? Metáforas mexem mais com as emoções provavelmente por fazerem alusões a experiências físicas. “Doce” tem um componente físico muito maior que “gentil”. “Doce” é menos abstrato que “gentil”.
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Um estudo recentemente realizado no Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro apontou que o vinho de uvas Cabernet Sauvignon provoca menos enxaqueca que vinhos de outras uvas como Malbec ou Tannat.
Vinhos da uva Tannat provocaram crises de enxaqueca em 51,7% das vezes, Malbec em 48,2% enquanto Cabernet Sauvignon e Merlot empataram em 30%. Eles tinham que beber meia garrafa de diversos tipos de vinho com intervalos de pelo menos quatro dias.
Uma possível explicação para essa diferença é o fato da uva Cabernet ter menor teor de taninos, compostos da família dos flavonoides, substancias que conhecidamente trazem benefícios para o coração.
Para confirmar a teoria de que os taninos estão associados à enxaqueca, os pesquisadores, num segundo momento, resolveram testar dois vinhos do mesmo tipo, sendo um deles produzido na América do Sul e o outro na França. O Cabernet francês é um vinho com mais concentração de taninos do que os da América do Sul, que tem uma maturação mais rápida. Os pesquisadores confirmaram a suspeita: a taxa de enxaqueca do vinho francês foi de 60,9%, enquanto que a do sul-americano, de 39,1%.
É bem reconhecido que o vinho branco e os espumantes são muito mais inocentes quando se pensa em enxaqueca. Eles possuem um teor muito menor de flavonoides que os tintos. Entretanto, os flavonoides não parecem ser os únicos vilões. As frutas coloridas são riquíssimas nessas substancias e nem por isso provocam enxaqueca. O álcool por si só tem seu poder de desencadear crises, mas outros componentes devem estar envolvidos.
A pesquisa foi publicada na revista “Headache”, publicação da Sociedade Americana de Cefaleia.

A quantidade de posts positivos ou negativos que você lê no Facebook influencia o teor daquilo que você publica. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores do Facebook e da Universidade de Cornell publicado recentemente no prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences .
O Facebook manipulou as notícias de 690.000 usuários (o contrato de uso do Facebook prevê pesquisas…). Os posts eram analisados automaticamente por um software que quantifica palavras positivas e negativas e então os classificava como positivos ou negativos. Posts positivos eram duas vezes mais comuns que os negativos (47 X 22%).
Durante uma semana o Facebook retiirou uma parcela dos posts positivos do feed de notícias de um grupo de “voluntários” do estudo enquanto de outros eram retirados posts negativos. Quando notícias positivas eram retiradas do feed os usuários tinham uma tendência em escrever posts com conteúdo mais negativo. Quando notícias negativas eram retiradas, as pessoas postavam mais notícias positivas.
Os resultados mostram que um contágio emocional pode acontecer simplesmente pela linguagem escrita, independente da linguagem corporal. Os achados também colocam em xeque a ideia de que ler conteúdos positivos dos outros pode ter um impacto negativo por provocar comparações com os amigos. E mais, mensagens online possivelmente influenciam emoções offline.
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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro conseguiram mostrar que podemos treinar a ativação de áreas cerebrais envolvidas no sentimento de empatia. O estudo foi recentemente publicado pelo periódico PLoS ONE.
O estudo inédito usou a ressonância magnética funcional para atingir um estado de empatia em 25 voluntários jovens. Eles tinham o feedback da máquina em tempo real, permitindo que eles aumentassem a ativação das áreas associadas ao sentimento de ternura e afeto à medida que iam pensando em situações autobiográficas que evocavam esses sentimentos. Outro grupo de voluntários não tinha o feedback e não tiveram qualquer aumento da atividade.
Esse neurofeedback é uma promissora ferramenta para o tratamento de transtornos mentais com depressão pós-parto e transtornos de conduta e personalidade. Pode ser uma preciosa fonte de comportamento prossocial.
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As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Mas será que o aprendizado de quem usa o laptop na sala de aula é melhor? Mais nem sempre é melhor.
Pesquisadores das universidades de Princeton e Los Angeles nos EUA têm demonstrado que os alunos aprendem mais quando anotam no papel. Eles testaram em centenas de alunos dessas duas universidades, após uma aula, a memória factual, compreensão do conteúdo e habilidade em sintetizar a informação. Metade anotava a aula no papel e a outra no laptop. Os que anotaram no papel realmente tiveram melhor desempenho.
Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.
Mas e se os alunos fossem instruídos a usar o laptop sem tentar copiar o que o professor fala? Não adianta. Os pesquisadores pediram que os alunos digitassem no laptop um conteúdo com as próprias palavras, mas não melhorou. Continuaram a escrever as palavras do professor e o desempenho foi o mesmo.
Mas será que por conseguirem digitar mais conteúdo, os usuários do laptop terão vantagens na hora de estudar para a prova uma semana depois? Também não. Mais uma vez a turma do papel se saiu melhor.
Se ainda formos comparar o papel com um laptop com a internet ligada, aí a goleada deve ser muito maior. Estudos mostram que os alunos usam 40-60% do tempo do laptop na sala de aula com “outras coisinhas” na internet.

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Fast food é um dos maiores símbolos da vida corrida, impaciente. Pesquisadores da Universidade de Toronto no Canadá resolveram investigar o quanto esse jeito “moderno” de comer influencia a capacidade das pessoas em apreciar ouras coisas na vida que não combinam com impaciência.
Eles aplicaram a quase trezentos voluntários um questionário que investigava o prazer que tinham com experiências como encontrar uma cachoeira no meio de uma trilha. Os resultados mostraram que aqueles que moravam em regiões com maior número de estabelecimentos fast food eram os que tinham menos prazer com as experiências. Isso não consegue provar que existe uma relação causa e efeito. Foram além e realizaram mais dois experimentos.
Mediram o quanto as pessoas curtiam fotos de paisagens ou uma música erudita intercalados por fotos de sanduíches embalados com a marca McDonald ou de um prato de cerâmica com os mesmos alimentos: sanduíche e batatas fritas. Aqueles escolhidos com as imagens dos sanduíches embalados relataram menos prazer com ambos os estímulos.
Alguns podem pensar que o fast food traz economia de tempo que pode ser utilizado para coisas prazerosas da vida. Parece que não é bem assim.
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Todo mundo quer poder dizer que tem livre arbítrio, mas é inegável a influência que a opinião das outras pessoas exerce sobre nossos julgamentos. Entretanto, a opinião dos outros parece que tem prazo de validade. Uma pesquisa recém-publicada nas prestigiada revista Psychological Science mostra que as pessoas realmente tem uma tendência a alinhar as opiniões com a do grupo., mas isso não dura mais que três dias.
Pesquisadores chineses mostraram isso em laboratório. Eles recrutaram voluntários, homes e mulheres com média de idade de 22 anos, que tinham que avaliar 280 fotografias de chinesas jovens e pontuar o quanto eram atraentes. Após cada pontuação, eles recebiam a pontuação média de 200 outras pessoas, ora semelhante à própria pontuação, ora maior e ora menor.
Os voluntários voltavam ao laboratório para avaliar as fotografias após um dia, três dias, sete dias e três meses. A opinião do grupo levava a uma mudança de pontuação, mas só nos primeiros três dias. Depois a influencia do grupo não existiu mais.
Pessoas muito desconfiadas, que acreditam que todos estão levando vantagem, têm maior chance de desenvolver um quadro de demência. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na última semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. Essa desconfiança exagerada já havia sido demonstrada como fator de risco para doenças cardiovasculares e mortalidade de uma forma geral. Os mecanismos propostos incluem fatores inflamatórios e disfunção do sistema autonômico.
Desta vez, pesquisadores finlandeses e suecos estudaram cerca de 1500 indivíduos com uma média de idade de 71 anos e aplicaram um questionário que mede o grau de desconfiança de um indivíduo. O questionário media o quanto os voluntários concordavam com ideias como “a maioria das pessoas mente para alcançar seus objetivos” e “é mais seguro não acreditar nas pessoas”. Aqueles com maior grau de desconfiança tiveram uma chance três vezes maior de apresentar um quadro de demência ao longo de oito anos quando comparados àqueles com pouca desconfiança. Esses resultados foram independentes da presença de sintomas depressivos e outros fatores de risco para demência como nível educacional, tabagismo, hipertensão arterial.

Uma pessoa tem mais chance de escolher alguém para casar quando o DNA é parecido com o seu.
A tal história que os opostos se atraem é puro mito? Os psicólogos não têm muita dúvida disso. As pessoas costumam se casar com outras de nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. Mas será que a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro?
Uma pesquisa publicada esta semana pelo prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que o DNA faz diferença sim. Uma pessoa tem o código genético mais parecido do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento. Pesquisadores da Universidade do Colorado nos EUA analisaram o genoma de mais de 825 casais heterossexuais e compararam com o material genético de pessoas sem nenhum tipo de vínculo. Eles demonstram também que a genética influencia a escolha do parceiro, mas de forma bem menos expressiva que outros fatores como perfil educacional.
A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres sentem-se mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter comportamento diferente dos demais.
O presente estudo coloca em xeque uma série de outros que mostrou que as diferenças do código genético entre os membros de um casal são tão grandes quanto às que encontramos entre indivíduos sem parentesco ou laços afetivos. Entretanto, foi a primeira vez que se analisou as semelhanças do código genético entre membros de um casal utilizando todo o genoma.
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Para a maioria das pessoas, ser feliz e ter uma vida com significado são dois objetivos importantes e também correlacionados. Mas, às vezes, percepção de felicidade e de sentido na vida não andam juntas. A percepção de felicidade está associada a uma vida sem problemas, prazerosa e com boa saúde. Entretanto, esses fatores não tem relação com o senso de sentido na vida. Convívio com amigos e ter dinheiro para as necessidades e desejos guardam boa relação com a percepção de felicidade, mas também não fazem muita diferença na sensação de sentido na vida.
Muitas das coisas que fazemos no dia a dia não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido. Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar nossa percepção de sentido na vida.
Não é difícil imaginar que esse sentido na vida nos faz bem. E essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Psychological Science. Quanto maior a percepção de sentido na vida, maior a longevidade.
Pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA exploraram essa questão através de um banco de dados de mais de 6000 pessoas que fizeram parte de uma pesquisa com um seguimento médio de 14 anos. Após esse período, cerca de 10% dos voluntários morreram e estes relatavam ter menor percepção de sentido na vida do que os sobreviventes.
O estudo também apontou que esse efeito positivo existe independente da idade. Adultos jovens, de meia idade e idosos mostraram os mesmos benefícios. Os resultados deixaram os pesquisadores surpresos, pois o senso comum diria que os idosos seriam mais influenciados pela sensação de sentido na vida, já que estão afastados da rotina “anestésica” do trabalho que muitas vezes funciona com um piloto automático. Teoricamente, quanto mais precoce for esse encontro de sentido na vida, maiores os benefícios.
Os pesquisadores estão expandindo a análise com a pergunta: será que as pessoas que relatam perceber maior sentido na vida são as mesmas que têm hábitos mais saudáveis e por isso vivem mais? Os resultados ainda não foram publicados.

Você sacrificaria uma pessoa para salvar outras cinco? Escolhas morais podem ser mais voltadas ao bem comum quando usamos uma língua estrangeira. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico PLoS ONE por pesquisadores das universidades de Chicago nos EUA e Barcelona na Espanha.
O experimento testou o cenário de que para salvar cinco pessoas era preciso matar uma pessoa. Quando o experimento era feito em língua estrangeira, mais pessoas decidiam matar um para salvar cinco.
Os autores propõem que na língua estrangeira o envolvimento emocional é menor e as decisões podem ser mais racionais. Geralmente aprendemos uma língua estrangeira em um contexto menos emocional (e.g. sala de aula) quando comparado à língua nativa. A língua nativa evoca mais nosso cérebro emocional. Os mesmos pesquisadores já tinham demonstrado que decisões econômicas também seguem essa mesma tendência.
Os resultados podem ter conseqüências no mundo real globalizado. Pode fazer diferença quando se pensa em júris de organismos internacionais, por exemplo.
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Ameaça de estereótipo é um fenômeno em que uma pessoa experimenta insegurança e ansiedade pelo receio de terem um pior desempenho por fazerem parte de um grupo com estereótipo de inferioridade. Estamos falando da raça negra e gênero feminino, por exemplo.
As pessoas que fazem parte desses grupos têm pior desempenho quando “lembradas” desses estereótipos. Esse é o caso de meninas em testes de matemática quando lembradas que os meninos são melhores em matemática. O mesmo ocorre se as meninas recebem algum “toque” de que meninos são superiores no xadrez. O estereótipo de um campeão de xadrez é ode um homem bem esquisito e não o de uma mulher de salto alto.
Negros também têm pior desempenho em um teste cognitivo quando são avisados que a resolução do problema depende de habilidade intelectual. Negros carregam o estereotipo que são menos inteligentes que os brancos. Pobres também carregam um estigma gigante.
A ameaça de estereótipos pode fazer com que mulheres não sigam uma série de carreiras que os homens são supostamente superiores. Pode fazer com que negros não desenvolvam plenamente suas habilidades cognitivas. Meninos também carregam seus estereótipos. Sá que eles têm mesmo menores dons artísticos?
É fundamental a conscientização desse fenômeno por parte de pais e professores. Dar pistas para que se lembre da igualdade entre os gêneros e entre as raças pode fazer que não existam diferenças entre os grupos.
Em tempo. Esta semana o presidente do São Paulo deu a infeliz declaração: “Gostaria muito de ter o Kaká. É alfabetizado, tem todos os dentes na boca, bonito, fala bem…”. Pelo que eu saiba estereótipos de superioridade não ajudam a marcar gol.
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Uma pesquisa publicada esta semana pelo Journal of Neuroscience aponta que fumar maconha, mesmo que seja uma vez por semana, mexe com a estrutura do cérebro.
Pesquisadores das Universidades de Northwestern e Harvard nos EUA estudaram através da ressonância magnética o cérebro de uma série de voluntários com idades entre 18 e 25 anos que tinham que registrar a freqüência do uso de maconha por um período de três meses. Aqueles que fumavam mais tinham uma estrutura cerebral, chamada de núcleo acumbente, com maior volume e com alteração em seu formato. O núcleo acumbente é uma região que faz parte do sistema de recompensa cerebral.
O resultado mais importante dessa pesquisa foi o fato dessa mudança estrutural ter sido demonstrada mesmo entre aqueles que fumavam um baseado por semana. Na verdade, a grande parte das pesquisas tem mostrado mudanças no cérebro em pessoas que consomem a maconha de forma mais freqüente. Além do núcleo acumbente, os pesquisadores também encontraram mudanças morfológicas na estrutura mais central no controle das emoções, a amígdala.
O uso da maconha tem sido fortemente relacionada a desmotivação, alterações nos domínios da atenção e memória. Será que isso também não acontece com pequenas doses?

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A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no prestigiado periódico PLoS ONE.
Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.
A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.
Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de vôo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.












