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Pesquisadores da Universidade Maryland nos EUA mostraram que dez dias de sedentarismo em atletas master acaba levando a uma significativa redução do fluxo sanguíneo cerebral. O estudo foi recém-publicado pelo periódico Frontiers in Aging Neuroscience.
 
Sabemos que perdemos nossa capacidade aeróbica quando interrompemos nossa atividade física por algumas semanas, mas os pesquisadores de Maryland demonstraram que o cérebro também não gosta dessa paradinha.
Após 10 dias de suspensão da rotina de exercícios físicos, eles demonstraram, através da ressonância magnética,uma redução do fluxo sanguíneo cerebral em áreas estratégicas da cognição, como os hipocampos. Vale lembrar que o hipocampo é uma das estruturas cerebrais mais nobres para a memória / aprendizado e também é uma das regiões mais precocemente afetada na Doença de Alzheimer. Além disso, é bem reconhecido que a atividade física entre roedores promove a criação de novos neurônios e vasos sanguíneos e, entre humanos, retarda o aparecimento da Doença de Alzheimer .  
  
No presente estudo, a média de idade dos participantes foi de 61 anos e todos eram atletas há pelo menos 15 anos com um ritmo de treino de alta intensidade de no mínimo 4 horas por semana. Todos eles eram corredores de longa distância e tinham participado de alguma competição nos últimos meses. Corriam uma média de 10 km por dia.
 

 

Pesquisadores da Universidade Cornell nos EUA demonstraram recentemente que músicas alegres são capazes de melhorar o ambiente de trabalho, com mais cooperação entre os colaboradores e melhor estado de humor. Eles compararam ambientes com músicas ritmadas (e.g. tema de Happy Days, Brown Eyed Girl  de Van Morrison, Yellow Submarine dos Beatles e Walking on Sunshine de Katrina and the Waves) com ambientes de trabalho com músicas de heavy metal desconhecidas e outro sem música. As turmas que trabalharam com heavy metal ou sem música tiveram índices de cooperação semelhantes, ambos menores que aqueles que trabalharam com músicas alegres. A pesquisa foi publicada no Journal of Organizational Behavior.

 

Em 2013, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico Current Biology mostrou que os homens são mais amigáveis após o término de um conflito do que as mulheres. Isso parece soar meio desafinado, pois é fato que os homens são mais agressivos e competitivos. Que história é essa de amigáveis?

Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram centenas de vídeos de “guerras do dia a dia moderno” de 44 diferentes países. Estamos falando de competições esportivas. Eles demonstraram que ao final de uma partida os homens têm uma maior proximidade com o “inimigo” do que as mulheres. Isso foi identificado como abraços, apertos de mãos e tapinhas nas costas.

A explicação evolutiva para esse comportamento é que os homens, após terminado o conflito, têm a tendência em se aproximar do “inimigo” para garantir alianças para uma futura guerra. Eles garantem a perpetuação da espécie não só vencendo disputas para conseguir gerar mais filhos, mas também por preservarem a comunidade como um todo em conflitos entre grupos. Isso seria algo que os homens herdam dos seus ancestrais.

Estudos com chimpanzés evidenciam essa mesma tendência: os machos depois de um quebra-pau dão mais abracinhos que as fêmeas. Quanto às fêmeas, sabemos muito bem que no universo família elas são mais cooperativas. Porém, as mulheres sentem-se mais abaladas após um conflito de trabalho com outra mulher quando comparamos com a mesma situação em que os personagens são dois homens.

 

Ciclistas de elite têm mais capacidade de aguentar por mais tempo um desafio mental do que ciclistas amadores. Isso foi o resultado de uma pesquisa publicada recentemente pelo periódico PLOS One e mostra que atletas de enduro têm realmente um equilíbrio mental avantajado.

Os voluntários foram submetidos a testes cognitivos no computador que foram desenhados com a intenção de levar à fadiga mental. Os ciclistas de elite demoraram mais tempo para ter essa fadiga, medida pelo início do declínio no desempenho cognitivo. Os ciclistas de elite também tiveram um melhor desempenho em testes que mediam a “força de vontade”. Os autores justificam esse resultado até como esperado, já que a vida de um ciclista profissional é acompanhada de extrema disciplina com treinamentos e hábitos de vida.

Essa resistência mental tem seu componente genético, mas não há dúvida de que ela pode ser treinada. E essa maior resistência pode ser o que faz a diferença entre subir ou não subir no pódio.

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Uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico Current Biology mostra uma estratégia bem-sucedida para não esquecermos aquilo que aprendemos. Fazer atividade física depois do aprendizado potencializa a memória, especialmente se realizada quatro horas depois de absorver um novo conteúdo.
 
Não temos dúvidas quanto ao poder da atividade física no incremento de nossas funções cognitivas, mas o presente estudo aponta que existe uma intrigante janela de tempo em que esse efeito é mais robusto. Quando fazemos atividade física quatro horas após o aprendizado somos capazes de reter melhor a informação dois dias depois – melhor do que antes dessas quatro horas ou quando não nos exercitamos.    
 
Pesquisadores holandeses da Universidade de Radboud recrutaram 72 voluntários para aprender a localização espacial de imagens na tela do computador por 40 minutos. Eles foram divididos em três diferentes grupos: os que faziam atividade física logo em seguida, os que faziam quatro horas depois e aqueles que não se exercitavam após o aprendizado. O exercício consistia de 35 minutos de bicicleta com intensidade de até 80% da freqüência cardíaca máxima de cada participante. Dois dias depois eles eram testados para analisar o quanto se lembravam da localização das imagens e também eram submetidos a exames de ressonância magnética funcional. Como já ressaltamos anteriormente, aqueles que se exercitaram quatro horas depois foram os que tiveram melhor retenção de memória. Eles também tiveram a melhor ativação da região hipocampal à ressonância magnética, área do cérebro fortemente ligada ao processo de memorização.
 
Estudos anteriores com animais de laboratório já mostraram que a atividade física libera componentes químicos no cérebro como a dopamina e noradrenalina que guardam estreita relação com a consolidação da memória. Parece que o melhor momento de ativar esses componentes para turbinar a memória é depois de algumas horas do aprendizado. Curioso, não?

O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.

Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Europeia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A ideia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.

A revista The Lancet publicou recentemente importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.

Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.

O Colégio Americano de cardiologia publicou esta semana uma análise do impacto da intervenção familiar na prevenção das doenças cardiovasculares e os resultados corroboram o Euroaction. A conclusão é que a abordagem da família como um todo faz a diferença e chama a atenção para a melhoria da comunicação entre os diferentes membros da família e a oportunidade de apreciação pelos profissionais de saúde das condições em que uma família vive.

Não é só a família que faz diferença

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo.

Ainda no ano de 2007 (NEJM 357;4), eles demonstraram que a rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo se tornou obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.

No ano de 2008 (NEJM 358;21), os pesquisadores demonstraram esse mesmo efeito de contágio social na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal para de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo para e 34% mais chance quando um colega de trabalho para. Ainda em 2008, os pesquisadores também demonstraram o efeito de contágio social na capacidade de uma pessoa se considerar feliz (BMJ) . Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho.

Em 2010, o contágio social também foi demonstrado no consumo de bebidas alcoólicas ( Ann Int Med). A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem. Os pesquisadores publicaram ainda em 2010 uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito foi mais marcante com amigas do sexo feminino (Mol Psychiatry).

Uma das pesquisas mais interessantes foi publicada em março de 2010 (PLoS One). Foi demonstrado entre adolescentes que o efeito do contágio social no perfil de uso de drogas chega a envolver quatro níveis da rede social. O estudo também mostrou o efeito de contágio social no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. O estudo também apontou que quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%. Esta foi a primeira vez que se evidenciou que o contágio social de um comportamento influencia o contágio de outro tipo de comportamento.

Em setembro de 2010 (PLoS One), os mesmos pesquisadores publicaram outro estudo que revelou que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

 

 

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Há poucos anos as evidências da participação do cérebro no mecanismo da exaustão muscular ainda eram apenas indiretas. Os estudos usavam truques psicológicos que enganam os voluntários de que suas medidas fisiológicas ainda estão dentro da normalidade, criavam adversários virtuais com um desempenho melhor do que o esperado numa competição, etc.
 
Em 2011, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um estudo que provocava a exaustão de ciclistas monitorizados por eletrencefalograma. Eles conseguiram demonstrar que pouquíssimo tempo antes da exaustão existia um aumento da comunicação elétrica entre duas regiões do cérebro. Essas duas regiões eram o córtex motor que planeja e controla o movimento e o córtex da ínsula, região que poderia ser considerada como um grande entroncamento de vias, incluindo as vias emocionais.  Podemos dizer que a ínsula dá um sinal para a região motora parar logo, já que o limite foi ultrapassado.
 
Prof. Alexandre Okano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e colaboradores de outras instituições (Unicamp, Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e de Londrina, Universidade de Cape Town – África do Sul, City College of New York – EUA) conduziram um experimento extraordinário que estava faltando para dar seguimento à evolução desse conhecimento. Os resultados indicaram que o cérebro parece mandar mais que o músculo quando atingimos a fadiga. O músculo até continuaria um pouco mais, mas o cérebro acaba com a festa.
 
Eles resolveram mudar a excitabilidade da ínsula e regiões vizinhas através de uma pequena estimulação elétrica não invasiva e ver o quanto isso poderia influenciar o desempenho de atletas. Essa estimulação poderia fazer com que a ínsula passasse a mandar menos recados ao sistema motor de que já estava na hora de descansar, deixando os músculos trabalharem mais. Dito e feito.
 
Dez ciclistas de competição participaram de um teste em que pedalavam “no limite”. Metade deles recebeu antes da prova a estimulação elétrica por 20 minutos sobre o córtex da ínsula à esquerda enquanto a outra foi submetida a um procedimento de mentira, placebo.  Aqueles que receberam a estimulação tiveram um desempenho de força 4% maior, menor percepção de cansaço e menor elevação da freqüência cardíaca.  
 
A modulação das conexões entre a ínsula e o sistema motor tem vários caminhos. Já é conhecido que a estimulação da ínsula promove modulação do sistema nervoso autônomo e também tem estreita relação com experiências prazerosas. Ativação da ínsula esquerda já foi demonstrada quando uma mãe vê fotos de seus filhos, quando uma pessoa sorri ou mesmo vê alguém sorrindo e ao ouvir músicas agradáveis. Por outro lado, a ínsula direita está mais associada às experiências negativas e desagradáveis, como é o caso da dor. 
 
Uau! Isso não é pouca coisa quando se pensa em atletas de elite e certamente é um achado que vai levantar muitos dilemas éticos. Ainda não existe como provar se o atleta foi estimulado ou não antes de uma competição… Os resultados da pesquisa foram publicados no Jornal Britânico de Medicina do Esporte.
 
Além desses efeitos na resistência física, melhor dizendo resistência cerebral, o “doping elétrico” tem mostrado efeitos preliminares positivos sobre a força e coordenação de atletas de esquiadores profissionais.  Um pequeno estudo mostrou que os atletas aumentaram a força do salto em 70% e a coordenação em 80% numa rampa instável quando recebiam a estimulação elétrica durante os treinamentos. 

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

O smartphone atrapalha seu exercício físico na esteira se você falar ao telefone ou digitar um texto. Entretanto, ele pode melhorar seu desempenho se você estiver o usando para ouvir música.  Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana por pesquisadores americanos na prestigiada revista PLoS ONE.

Eles estudaram 44 voluntários (média de 22 anos de idade) na esteira que fizeram testes em quatro dias diferentes em cada uma das seguintes modalidades: sem celular, com celular falando ao telefone, com celular digitando uma mensagem, com celular ouvindo música de uma playlist própria.  Durante os testes foram monitorados a velocidade alcançada, freqüência cardíaca e o prazer durante o teste, Aqueles que ouviram música tiveram mais prazer no teste e também foram os que tiveram o melhor desempenho cardiorrespiratório e de velocidade. Aqueles que falaram ao celular também tiveram mais prazer, mas perderam em velocidade e mantiveram a freqüência cardíaca.  Já digitar uma mensagem piorou tanto a velocidade como o desempenho cardiorrespiratório, sem influenciar o prazer.

Atividade física e música: uma dupla poderosa

Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho.

Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.

 

Qual é a melhor música?

A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.

. O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.

A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música. Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a frequência cardíaca.

Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Heart apontou que pessoas com pouca habilidade para enfrentar o estresse têm mais chance de desenvolver doença das artérias coronárias. O interessante é que a atividade física regular não consegue exercer seu efeito protetor nessa condição.

Já se conhecia o maior risco de doença cardíaca entre pessoas sedentárias e com pouca resiliência. Desta vez, pesquisadores ingleses e suecos mostraram que a atividade física não consegue contrabalancear o risco cardíaco de uma mente “ estressada”.

A resiliência ao estresse foi avaliada como exame compulsório para o serviço militar em quase 240 mil suecos adolescentes que depis tiveram um seguimento de até 50 anos.  Os adolescentes com baixa resiliência eram os que tinham menor preparo físico e ao longo  dos anos foram os que mais tiveram mais doença coronariana. Mesmo entre aqueles com alto desempenho físico , quando não sabiam enfrentar o estresse, estes também vieram a ter maiores índices de doença cardíaca.

Moral da história: programas de promoção da saúde do coração não devem deixar de lado o equilíbrio psíquico das pessoas.

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O desempenho de um atleta depende do tanto que seu relógio biológico está alinhado com o horário da competição. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no prestigiado periódico Current Biology. Os treinadores precisam pensar nisso.

A pesquisa mostrou que o desempenho de um atleta de competição varia em 26% de acordo com o horário do dia. Os atletas que têm a tendência em dormir tarde, mas nem por isso dormem tarde, terão melhores marcas mais tarde do que aqueles que realmente gostam de dormir cedo. Se 1% de diferença já faz diferença numa competição profissional, imagine só 26% de diferença nos 100 metros rasos.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham na Inglaterra avaliaram 120 atletas profissionais quanto à tendência em dormir cedo ou tarde e também o desempenho cardiovascular em seis diferentes momentos do dia. O desempenho foi significativamente variável nos diferentes horários e o fator que foi mais associado à melhor marca foi o tempo acordado entre o teste e a hora em que a pessoa teria acordado sem despertador. Enquanto o atleta que tem a tendência em acordar cedo tem sua melhor performance no começo da tarde, aquele que por natureza acorda mais tarde vai estar bom mesmo no período da noite. Esses resultados não devem ser muito diferentes no caso dos atletas amadores.

Como manter o condicionamento muscular sem mexer uma palha? Fácil É só deitar na rede ao som de Dorival Caymmi e imaginar que os seus músculos estão fazendo muita força. Nada mal, hein? Na verdade não precisa nem da rede e nem do Dorival.

No final do ano de 2014 pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA publicaram um experimento bastante instigante mostrando o poder da conexão mente-corpo. Eles engessaram o antebraço de 29 voluntários por um mês. Metade deles era instruída a fazer sessões de 11 minutos – 52 repetições de cinco segundos com outros cinco de relaxamento,  cinco vezes por semana em que eles tinham que imaginar que estavam fazendo a máxima força possível com os músculos de flexão do antebraço.  Eletrodos foram aplicados no antebraço para garantir que eles não contraiam os músculos.

Ao final de um mês os voluntários ficaram livres do gesso e aqueles que fizeram a malhação mental ficaram com a força do antebraço duas vezes mais forte que os que não fizeram nada.

Não é a primeira vez que se mostra essa relação entre o pensamento do esforço físico e o incremento da força muscular.  Porém, o efeito da atividade física real é muito mais efetivo para os músculos, pois estimulam ao mesmo tempo o corpo e a mente.

 

 

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Parece que a chave do sucesso dos kenianos nas corridas de longa distância pode estar no cérebro. Um estudo inédito foi publicado esta semana no periódico Journal of Appllied Physiology mostrou que a oxigenação do cérebro de corredores kenianos de elite é maior do que atletas de outros países testados em outros estudos.

Pesquisadores da Universidade do País Basco descreveram pela primeira vez que os kenianos da tribo Kalenjin têm oxigenação cerebral mais estável em períodos de máximo esforço físico.   Os Kalenjins reúnem cerca de 5 milhões de indivíduos e quase todos os maratonistas kenianos campeões são dessa tribo. Eles foram monitorados durante uma corrida de 5 km na esteira e instruídos a dar o melhor de si com recompensa financeira.

É conhecido que o cérebro reduz sua atividade quando há redução da oxigenação. No caso da região pré-frontal, essa baixa de oxigenação pode reduzir a eficácia do controle dos movimentos.  Mas por que os kenianos têm essa oxigenação mais estável? A genética com certeza tem seu papel.  A infância com muita atividade física e a altitude elevada do Kenia são outras possíveis explicações.  Outros estudos avaliaram a anatomia favorável para a corrida dos kenianos comparando-os com pássaros. Pernas finas, longas e eficientes e peso corporal relativamente baixo para a altura. O fato é que quase 80% dos vencedores de corridas de longa distância são africanos do Kenia.

 

Rafael Nadal is the Academy's 2013 Male Athlete of the Year.

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A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.        

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de vôo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

 

 

 CBN-RICARDO[1]

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Pedalar por belas paisagens. Correr num parque com muito verde. Isso pode ser melhor para a saúde do que malhar entre quatro paredes. Isso é o que sugere um estudo publicado esta última semana por pesquisadores da Universidade de Coventry na Inglaterra.

Eles avaliaram uma série de crianças com idades entre nove e dez anos numa sala com paredes brancas fazendo uma prova de 15 minutos na bicicleta ergométrica. No outro dia, as crianças fizeram a mesma atividade, mas desta vez olhando para um filme de uma bicicleta atravessando uma floresta. A monitoração da pressão arterial mostrou valores significativamente menores após a pedalada no “meio da floresta” quando comparado à atividade na sala branca. Esse efeito hipotensor do verde já tinha sido descrito há cerca de dez anos entre adultos.

A atividade física na natureza tem sido chamada de “Exercício Verde” e sua prática tem sido estimulada para os adultos por seus efeitos potencialmente superiores ao exercício sem a natureza. Cinco minutos de contemplação já são capazes de trazer efeitos positivos sobre o ritmo do coração. Já foi demonstrado que a simples contemplação de imagens da natureza tem efeito protetor contra o estresse, além de melhorar o humor e a atenção. O pessoal da corrida de aventura, mountain bike, surf, etc, têm muito a nos dizer.

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CBN-RICARDO[1]

Happy youths training outdoors

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Uma pesquisa publicada esta ultima semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o jovem pode chegar com o cérebro mais esperto aos 40-50 anos se praticar exercícios aeróbicos desde cedo. Estamos falando de corrida, natação, ciclismo, e outras atividades que fazem o coração suar a camisa.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Minneapolis nos EUA que recrutaram quase três mil voluntários com uma média de idade de 25 anos. Foram realizadas avaliações da capacidade cardiorrespiratória e perfil cognitivo no início do estudo e 25 anos depois. Aqueles que tinham um melhor desempenho cardiorrespiratório no início do estudo apresentavam também melhores notas nos testes cognitivos. Além disso, aqueles com menor declínio da capacidade cardiorrespiratória ao longo dos 25 anos eram os que tinham o melhor desempenho cognitivo. Esse efeito certamente deve fazer diferença no risco de uma pessoa desenvolver um quadro de demência.

O ineditismo da pesquisa está no fato de que desta vez foi demonstrado o efeito positivo do condicionamento físico sobre o cérebro mesmo entre os jovens. Pesquisas anteriores já haviam apontado esse efeito nos idosos.

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Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga.  Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.

Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.

A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).

Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de

bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.

Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.

CBN-RICARDO[1]

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Adolescentes que praticam exercícios físicos moderados e vigorosos têm melhores notas no colégio e os efeitos são mantidos no longo prazo. Essa é conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico British Journal of Sports Medicine.

Os resultados são baseados na análise de quase 5000 crianças inglesas quando tinham inicialmente 11 anos de idade e reavaliados aos 13 e depois aos 15-16 anos. O nível de atividade física foi medido por um aparelho chamado de acelerômetro que fica acoplado a um cinto elástico.

O acelerômetro mostrou que aos 11 anos de idade os meninos tinham 29 minutos por dia de atividade moderada ou vigorosa, enquanto as meninas tinham 18, tempos bem menores que a recomendação de 60 minutos. O desempenho acadêmico em inglês, matemática e ciências foi medido pelas notas de exames e os resultados foram impressionantes: quanto mais atividade física melhor o desempenho nas três matérias nos três períodos avaliados. As meninas foram relativamente mais beneficiadas em ciências. Os autores especulam que os efeitos podem ser maiores ainda entre adolescents com uma atividade media de 60 minutos por dia.

A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro faz com que algumas escolas reduzam e até extingam atividades de educação física e educação artística. A presente pesquisa ajuda a repensar esses tipos de atitude.

A associação Americana para o Esporte e Educação Física publicou um relatório ainda no ano de 2002 com as recomendações de atividade física para as crianças pré-escolares. É desejável que elas tenham pelo menos uma hora de atividade física livre, através de brincadeiras, e uma hora de atividade estruturada sob a orientação do adulto, como é o caso da educação física na escola. Entre as crianças maiores, pelo menos uma hora de atividade física moderada ou vigorosa por dia é o mais recomendado.

Mas por que as notas escola são melhores entre aqueles que se exercitam mais?  Um cérebro turbinado parece ser uma das melhores explicações. Os efeitos positivos da atividade física sobre o cérebro já foram demonstrados através de variáveis fisiológicas que vão desde o aumento da perfusão sanguínea, metabolismo e tamanho do cérebro em determinadas regiões, até a modulação de sua própria atividade elétrica. O exercício físico promove ainda a secreção de diversas substâncias no cérebro como endorfina, endocanabinóides e fator neurotrófico derivado do cérebro, que têm efeito positivo no seu funcionamento, incluindo um melhor equilíbrio psíquico.

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CBN-RICARDO[1]

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

O estudo foi publicado esta semana no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Science.

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CBN-RICARDO[1]

Há poucos anos as evidências da participação do cérebro no mecanismo da exaustão muscular ainda eram apenas indiretas. Os estudos usavam truques psicológicos que enganam os voluntários de que suas medidas fisiológicas ainda estão dentro da normalidade, criavam adversários virtuais com um desempenho melhor do que o esperado numa competição, etc.

 

Em 2011, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um estudo que provocava a exaustão de ciclistas monitorizados por eletrencefalograma. Eles conseguiram demonstrar que pouquíssimo tempo antes da exaustão existia um aumento da comunicação elétrica entre duas regiões do cérebro. Essas duas regiões eram o córtex motor que planeja e controla o movimento e o córtex da ínsula, região que poderia ser considerada como um grande entroncamento de vias, incluindo as vias emocionais.  Podemos dizer que a ínsula dá um sinal para a região motora parar logo, já que o limite foi ultrapassado.

 

Prof. Alexandre Okano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e colaboradores de outras instituições (Unicamp, Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e de Londrina, Universidade de Cape Town – África do Sul, City College of New York – EUA) conduziram um experimento extraordinário que estava faltando para dar seguimento à evolução desse conhecimento. Os resultados indicaram que o cérebro parece mandar mais que o músculo quando atingimos a fadiga. O músculo até continuaria um pouco mais, mas o cérebro acaba com a festa.

 

Eles resolveram mudar a excitabilidade da ínsula e regiões vizinhas através de uma pequena estimulação elétrica não invasiva e ver o quanto isso poderia influenciar o desempenho de atletas. Essa estimulação poderia fazer com que a ínsula passasse a mandar menos recados ao sistema motor de que já estava na hora de descansar, deixando os músculos trabalharem mais. Dito e feito.

 

Dez ciclistas de competição participaram de um teste em que pedalavam “no limite”. Metade deles recebeu antes da prova a estimulação elétrica por 20 minutos sobre o córtex da ínsula à esquerda enquanto a outra foi submetida a um procedimento de mentira, placebo.  Aqueles que receberam a estimulação tiveram um desempenho de força 4% maior, menor percepção de cansaço e menor elevação da freqüência cardíaca.  

 

A modulação das conexões entre a ínsula e o sistema motor tem vários caminhos. Já é conhecido que a estimulação da ínsula promove modulação do sistema nervoso autônomo e também tem estreita relação com experiências prazerosas. Ativação da ínsula esquerda já foi demonstrada quando uma mãe vê fotos de seus filhos, quando uma pessoa sorri ou mesmo vê alguém sorrindo e ao ouvir músicas agradáveis. Por outro lado, a ínsula direita está mais associada às experiências negativas e desagradáveis, como é o caso da dor. 

 

Uau! Isso não é pouca coisa quando se pensa em atletas de elite e certamente é um achado que vai levantar muitos dilemas éticos. Ainda não existe como provar se o atleta foi estimulado ou não antes de uma competição… Os resultados da pesquisa foram publicados no Jornal Britânico de Medicina do Esporte.

 

 

 

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