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Six Boys Standing Near Trees and Houses Photo Taken

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma epidemia neurológica escondida. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology mostra que mesmo as crianças que não desenvolvem retardo mental chegam em idades avançadas com menor desempenho cognitivo quando crescem em situação de pobreza. Assim como qualquer outro sistema do nosso corpo, o cérebro envelhece e os resultados da presente pesquisa evidenciam um envelhecimento mais rápido entre os pobres.

O estudo incluiu cerca de vinte mil adultos de 16 diferentes países europeus. Para avaliar o perfil socioeconômico na infância, eles usaram um método que incluía questões como o número de quartos e pessoas que viviam na casa e o número aproximado de livros. A análise apontou que 4% dos participantes viveram adversidade socioeconômica na infância. Estes tinham menor grau de educação formal, eram menos empregados, apresentavam mais sintomas de depressão e menos hábitos saudáveis. Mesmo após correção para esses fatores negativos, esses 4% tiveram uma perda mais acelerada da capacidade cognitiva com o envelhecimento. Outras pesquisas já haviam demonstrado que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta do cérebro.

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo e de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerado a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem. Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam, têm maior chance de evasão.

Pense nisso na hora de votar. Um país com cérebros que não atingem o pleno potencial não vai para frente.

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Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o de Reserva Cerebral. Se o cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de sua performance em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente. Ou seja, quanto maior a reserva, mais tempo o cérebro mantém seu funcionamento normal, mesmo que ele esteja doente.
 
O status sócio-econômico e educacional é sem sombra de dúvidas um dos pilares mais fortes de nossa Reserva Cerebral, sendo que quanto maior esse status, maior reserva temos. Até mesmo a época em que nascemos faz diferença, sendo que indivíduos que nasceram e cresceram em épocas mais recentes apresentam melhor desempenho cognitivo do que suas gerações anteriores. Um dos estudos que bem ilustra esse efeito é o Nun Study que analisou o repertório lingüístico do diário de freiras quando jovens. Os diários que receberam maior pontuação foram de freiras que apresentaram melhor performance em testes cognitivos quando idosas e eram também  mais longevas e com menor risco de demência.
 
Estudos recentes demonstram que o cérebro do idoso ao ser treinado responde com melhora de desempenho nas habilidades treinadas. Tais treinamentos foram realizados com exercícios para estimulação da memória, resolução de problemas, velocidade de processamento, alguns deles por meio de sofisticados softwares. Entretanto, parece que atitudes mais instintivas e artesanais podem ter efeito também bastante significativo: a atividade de lazer é um exemplo.
 
Repetidos estudos vêm demonstrando que lazer é coisa séria, e que sua presença está associada a um menor risco do indivíduo em desenvolver demência. A explicação reside no fato de que o lazer também é capaz de treinar nossos cérebros, aumentando nossa Reserva Cerebral. O interessante é que algumas atividades de lazer parecem ser mais positivas do que outras. Estudos realizados na cidade de Nova York revelaram que as atividades mais “protetoras” foram leitura, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, passeios turísticos, visitas a amigos e parentes, idas ao cinema, restaurante ou a evento esportivo, tocar instrumento musical. Talvez isso tudo tenha mais efeito do que treinamentos no computador através de jogos que são comercializados com a promessa de promover a atividade cognitiva. Uma pesquisa publicada este mês pela Universidade de Western Ontário mostrou que o treinamento nesse tipo de jogo melhora o desempenho no jogo em que a pessoa foi treinada, mas os resultados não são estendidos para outros jogos que usam estratégias cerebrais semelhantes.  
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Bastante provocador foi o resultado de um estudo realizado na China confirmando que leitura e jogos de tabuleiro estavam associados a menor declínio cerebral após os 55 anos de idade. Entretanto, indivíduos com mais horas dedicadas à televisão apresentaram mais chance de declínio cognitivo e menor dedicação a outras atividades de lazer. Discute-se o fato de que muito daquilo que o indivíduo vê na TV demanda pouco da atividade cognitiva. Isso não quer dizer que um maior tempo de TV causa declínio cognitivo, mas pode ser a conseqüência de um estado pré-clínico de déficit cognitivo com redução do interesse por outras atividades. 
 
De qualquer forma, precisamos estar atentos em estimular os nossos jovens a desenvolver um repertório amplo de atividades de lazer “inteligentes”, pois os hábitos são mais fáceis de serem adquiridos quando iniciados em fases mais precoces da vida. Quanto aos nossos idosos, atenção redobrada. Podemos começar por melhor conhecer e demandar aquilo que está escrito no Estatuto do Idoso, em vigor em nosso país desde 2003:
 
Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do
Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
 
Art. 21º . O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à
educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.
 
Art. 24º . Os meios de comunicação manterão espaços ou horários
especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e
cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento.
 
Os Titãs não estavam falando em luxo com: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

People Wearing White Clothes

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Pessoas que pensam ter menos anos do que consta na certidão de nascimento têm um cérebro que envelhece mais lentamente. Essa é a conclusão de uma pesquisaconduzida por pesquisadores da Universidade de Seoul na Coréia do Sul e recém-publicada no Frontiers of Neuroscience.

 

O sentimento do quanto nos sentimos jovens ou velhos é também chamado de idade subjetiva e está associado a vários marcadores de saúde, como desempenho cognitivo. Idosos com queixas de memória simples, por exemplo, têm mais chances de no futuro apresentar um quadro demencial. É como se fosse uma percepção subjetiva daquilo que os médicos e exames não conseguem ainda mostrar naquele momento.  

 

O presente estudo mostrou que idosos que se sentem mais jovens têm melhores pontuações em testes de memória, menos sintomas depressivos e consideravam ter um melhor estado de saúde. Além disso, estudos de neuroimagem mostraram que o cérebro desses idosos que se acham mais jovens tem um maior volume da substância cinzenta. Essa relação foi independente de outros fatores como a presença de sintomas depressivos.

 

Os pesquisadores levantam a questão de que a experiência subjetiva de se sentir mais velho do que realmente é pode acelerar o processo de envelhecimento cerebral com redução do volume da substância cinzenta. Por outro lado, aqueles que se sentem mais jovens têm uma rotina mais ativa, mais atividade física e mental, supervitaminas para o cérebro.

   

Close-Up Photography of Woman Wearing Red and Black Scarf

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Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio pode dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário. Temos até evidências que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode levar à perda do volume de substância cinzenta do cérebro e declínio cognitivo.

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Americana de Neurologia aponta também que, quanto mais tarde se dá o início da menopausa, melhores são os indicadores de desempenho cognitivo e o uso de reposição hormonal não teve qualquer influência. Esses resultados não foram válidos para os casos de menopausa cirúrgica, condição em que as mulheres têm os ovários removidos cirurgicamente.

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.

black pepper, bowl, clove

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Gosta de comida indiana? Sim? Pois não é que seu cérebro também gosta? Pesquisadores da UCLA nos EUA publicaram este mês os resultados de uma pesquisa mostrando que o suplemento de curcumina em cápsulas, duas vezes ao dia, melhora as funções cerebrais por até 18 meses. Os efeitos antioxidante e anti-inflamatório da substância são os principais candidatos a explicar esses resultados.

 

Os voluntários do estudo eram adultos com idades entre 50 e 90 anos que tinham leves queixas de memória. Além de demonstrar os efeitos clínicos benéficos do suplemento (90mg de curcumina duas vezes ao dia), os pesquisadores mostraram através da Tomografia por Emissão de Pósitrons que o contingente de marcadores patológicos da Doença de Alzheimer, placas beta-amilóides e proteína Tau, eram menores no grupo que recebeu suplemento após 18 meses. A curcumina promoveu melhora nos níveis de atenção, memória e humor somente entre aqueles que receberam o suplemento.

 

Nenhum dos voluntários apresentava depressão e futuros estudos deverão incluir pacientes deprimidos e testar se os efeitos também são positivos nesse grupo de pacientes. Além disso, esses estudos deverão contar com a análise da predisposição genética a desenvolver a Doença de Alzheimer em cada indivíduo. Efeitos colaterais? Raras foram as pessoas que tiveram leves sintomas de diarreia e náuseas, algo que os que receberam placebo também apresentaram.

aroma, aromatic, art

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Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Por isso, vale a pena colocar algumas cartas na mesa.

Esta última semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa inédita que reforça aquilo que já tínhamos boas evidencias: 3 a 4 doses de café por dia fazem bem à nossa saúde. Pesquisadores do Reino Unido reuniram os resultados de mais de 200 estudos sobre os efeitos do café sobre nossa saúde e concluíram que podemos tomar café sem medo. Os resultados mostraram que o café promove maior longevidade e menor incidência de inúmeras doenças que elenco a seguir:

– doenças cardiovasculares;

– alguns tipos de câncer, como o de próstata, endométrio, fígado e pele;

– diabetes, cálculos biliares e gota;

– depressão, Doenças de Alzheimer e Parkinson.

As evidências dos benefícios do café descafeinado são menos robustas, mas fizeram a diferença em algumas dessas patologias. A revisão também foi categórica em lembrar que as mulheres devem evitar o café na gravidez e em situações de risco de fratura óssea.

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Um estudo publicado esta semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia evidencia entre indivíduos com função cardíaca reduzida um menor fluxo cerebral em regiões do cérebro que processam a memória. Os voluntários da pesquisa não apresentavam insuficiência cardíaca com manifestações clínicas, mas, mesmo assim, aqueles com corações que bombeavam menores quantidades de sangue chegavam a ter o padrão de circulação cerebral nos lobos temporais de uma pessoa 15 a 20 anos mais velha.   

Outras pesquisas já haviam mostrado que as pessoas com insuficiência cardíaca, mesmo nas suas formas leves, apresentam também certa “insuficiência cerebral”, e a dificuldade de memória é o problema mais comum. Nesses estudos, até 50% dos pacientes com insuficiência cardíaca apresentam déficit cognitivo.

A principal explicação para esses achados é a de que com a falência da bomba cardíaca o fluxo sanguíneo cerebral é reduzido e perde-se também sua capacidade de auto-regulação. Outra hipótese é a frequente ocorrência de derrames cerebrais entre pacientes com insuficiência cardíaca. Um coração fraco aumenta a chance de formação de pequenos coágulos de sangue que podem “escapar” para as artérias cerebrais, causando um derrame cerebral. Estudos evidenciam uma prevalência de derrame cerebral de até 35% entre pacientes com insuficiência cardíaca.  

Um importante recado desses estudos é o de que uma boa parte dos pacientes com insuficiência cardíaca pode não ser mais capaz de seguir as recomendações feitas pelo médico, como é o caso de tomar corretamente diferentes medicações em seus diferentes horários. No caso de pacientes com dificuldades cognitivas, um cuidado especial na comunicação deve ser tomado, muitas vezes com a necessidade de se garantir o apoio de alguém que possa auxiliá-lo no seguimento do tratamento.

 

 

black-and-white, crinkles, elder
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Parece que nosso bem-estar na terceira-idade depende mais da saúde da nossa mente que do nosso corpo. É claro que é difícil viver plenamente a velhice com uma doença do corpo como, por exemplo, um enfisema pulmonar ou insuficiência cardíaca, mas as doenças da mente podem ser ainda mais limitadoras. Essa foi a conclusão de uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico BMC Geriatrics  que avaliou a sensação de bem-estar entre mais de 3500 alemães com uma média de idade de 73 anos.
 
Os autores demonstraram que ansiedade e depressão foram os fatores mais associados a baixos índices na escala de bem-estar da Organização Mundial de Saúde. Um baixo poder aquisitivo e dificuldade para dormir também tiveram influência significativa. Doenças do corpo tiveram um impacto menor, até em situações de múltiplas doenças. Entre as mulheres, viver sem uma companhia também influenciou negativamente essa percepção de bem-estar.
 
Já é bem reconhecido que o bem-estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida. Os hormônios e o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita.
 
Outro lado da moeda é a sensação de ter sentido na vida. Muitas das coisas que fazemos não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido.  Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar essa percepção que já teve inequívocas demonstrações que também é capaz de aumentar a longevidade.

 

Roger Federer troféu Wimbledon (Foto: Glyn KIRK / AFP)

 

Na semana em que o tenista Roger Federer, 35 anos, ganhou seu oitavo título de Wimbledon e foi o atleta mais velho a faturá-lo, vale a pena refletir sobre esse monstro do tênis.  Isso não tem nada de trivial.

 

A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada recentemente pelo prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de voo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

Woman Wearing Gray Scarf and Gray Coat Near Group of People

Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres

As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.

 

Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.

 

Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.

 

A doença é mais agressiva no caso delas

As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.

 

Além disso, mulheres cuidam de parentes com a doença de Alzheimer 2.5 vezes mais que os homens, e em 20% dos casos têm que abandonar o trabalho.

breakfast, cereal, dessert

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Pela primeira vez tivemos um estudo que demonstrou que os probióticos, como os Lactobacillus, podem melhorar o desempenho cognitivo de pacientes com a Doença de Alzheimer. Além disso, os probióticos melhoraram os níveis de colesterol e triglicérides e reduziram marcadores inflamatórios e resistência à insulina. Os resultados foram publicados pelo conceituado periódico Frontiers in Aging Neuroscience.  
 
Muitas companhias de alimentos probióticos vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.
 
A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.
 
Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.
 
As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando e o presente estudo confirma em humanos o que já se sabia em ratinhos. Será que crianças e adultos sem doença cerebral podem ter o mesmo beneficio?

Woman Wearing Black Hijab Behind Bare Tree during Day Time

 

Mulheres têm um melhor desempenho de memória verbal e faz com que testes cognitivos para o diagnóstico de Alzheimer sejam menos sensíveis para elas. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

 

A pesquisa foi conduzida pela Universidade da Califórnia nos EUA e demonstrou que o desempenho delas era melhor que o dos homens em testes de memória verbal, mesmo em condições que o exame PET scan demonstrava redução do metabolismo cerebral, condição encontrada na Doença de Alzheimer. Na verdade, o desempenho das mulheres foi melhor em situações em que o metabolismo era normal ou com redução leve ou moderada. Quando a queda do metabolismo já era severa, não havia diferenças entre os gêneros nos testes de memoria.

 

Esses resultados sugerem que as mulheres têm maior capacidade de compensar perdas da função cerebral por conta de sua maior reserva cerebral nas fases iniciais da doença. Novos estudos deverão ser realizados, e se os achados  forem confirmados, os testes cognitivos para o diagnostico da Doença de Alzheimer deverão ser ajustados de acordo com o sexo do paciente.

 

Comparison of grey matter (brown) and white matter (yellow) in sex-matched subjects A (56 years, BMI 19.5) and B (50 years, BMI 43.4). Credit: Lisa Ronan

 

 

O volume da substancia branca cerebral de pessoas obesas é menos volumoso do que de pessoas da mesma idade que estão com o peso em dia. Essa é a conclusão de um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge da Inglaterra. Eles calcularam que a estrutura cerebral dos obesos é comparável à de indivíduos magros 10 anos mais novos. Um individuo de 60 anos magro tem um volume da substancia branca comparável ao de pessoas obesas com 50 anos de idade.

Nosso cérebro encolhe naturalmente com o passar dos anos e um corpo crescente de pesquisas tem mostrado que a obesidade com suas condições associadas, como ó caso do diabetes e doença cardíaca, está associada a um encolhimento de forma mais acelerada. É importante salientar que não houve correlação do volume da substancia branca com o desempenho cognitivo dos voluntários estudados.

A pesquisa envolveu quase 500 voluntários com idades entre 20 e 87 anos e foi publicada no periódico Neurobiology of Aging.  Novos estudos precisam ser realizados para investigar os mecanismos que ligam a obesidade à redução de volume cerebral (componentes hormonais e inflamatórios são grandes candidatos) e se a perda ponderal tem o poder de reduzir essas diferenças.

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

A relação entre os níveis de vitamina D e a doença de Alzheimer parece ser muito maior do que se imaginava há dez anos. Para se ter uma ideia, um estudo publicado em 2014 envolvendo quase dois mil idosos mostrou que aqueles com baixos níveis de vitamina D tinham 53% mais chance de desenvolver demência, especialmente a doença de Alzheimer, e o risco era 120% maior entre aqueles com níveis muito baixos dessa vitamina.

A vitamina D também pode ajudar no tratamento do Alzheimer?

Sabe-se que a vitamina D está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para a função cerebral e seu efeito de proteção cerebral pode ser explicado também pelo seu papel no metabolismo do cálcio e pela sua capacidade de inibir depósitos de substâncias que estão associadas à doença de Alzheimer. Ótimos níveis de vitamina D podem ter importante papel na redução da velocidade de progressão da doença, mas estudos mais conclusivos precisam ser realizados.

A vitamina D ajuda na memória de pessoas saudáveis?

Temos evidências que, até entre indivíduos na meia idade, há uma associação entre o desempenho cognitivo e os níveis de vitamina D. As pessoas com melhor desempenho são as que têm maiores concentrações da vitamina no sangue. Isso não quer dizer que suplementos de vitamina D sejam capazes de turbinar o cérebro. Ainda esperamos novos estudos para chegar a essa conclusão.

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Sabemos que o hábito de consumir uma dieta rica em peixes é capaz de reduzir o risco de problemas no cérebro como o acidente vascular, depressão e Doença de Alzheimer. Na última semana, pesquisadores da Universidade de Columbia – EUA mostraram que esse hábito pode fazer também com que o cérebro resista à tendência de redução de volume em idades mais avançadas. O estudo foi publicado pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Após avaliarem o hábito alimentar e estudos de ressonância magnética de quase 700 idosos com uma média de idade de 80 anos, os pesquisadores demonstraram que aqueles que eram adeptos da dieta mediterrânea tinham um volume cerebral comparado ao de pessoas cinco anos mais novas. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

 

As doenças degenerativas do cérebro trazem grande impacto no funcionamento mental, mas enquanto não afetam as características morais, não mudam a forma como as pessoas reconhecem a identidade de quem sofre com essas doenças. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science.

A importância desses resultados reside no fato de que pacientes com a Doença de Alzheimer são vistos pelos seus entes queridos como a “mesma pessoa” por grande parte da evolução da doença. Apenas nas fases mais avançadas da doença é que identificamos alterações nas características morais como altruísmo e generosidade. No momento em que as pessoas enxergam o doente como se fosse “outra pessoa”, os laços afetivos podem ser quebrados.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA aplicaram questionários a familiares de pacientes de três tipos de doença degenerativa: Doença de Alzheimer, Demência Fronto-Temporal e Esclerose Lateral Amiotrófica. Eles avaliaram não só o perfil cognitivo dos pacientes, mas também a forma como os parentes reconheciam o doente com perguntas como “O paciente já lhe pareceu ser um estranho?”

Aqueles que apresentavam Demência Fronto-Temporal foram os que tinham mais mudanças no reconhecimento da identidade pelos parentes, já que é uma condição que altera muito o comportamento, capacidade de julgamento e autocensura.

Os que apresentavam Esclerose Lateral Amiotrófica foram os que tinham menos alterações dessa identidade, já que é uma doença que afeta apenas de forma discreta o funcionamento mental e características morais.

Os pacientes com Doença de Alzheimer apresentaram uma situação intermediária, já que nas fases iniciais da doença, a memória é a alteração que mais chama a atenção, com poucas mudanças comportamentais.

De uma forma geral, os familiares referiam mudanças significativas na percepção da identidade dos pacientes quando existiam alterações nas características morais. As capacidades cognitivas, como a memória, não foram determinantes.

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Todo mundo pode sentir uma pequena tontura quando se levanta subitamente, mas em algumas pessoas isso acontece muito freqüentemente e com intensidade muito maior. A isso chamamos de hipotensão postural.

Hipotensão postural é uma queda da pressão arterial quando a pessoa assume a posição ortostática (em pé) e é definida como a queda da pressão sistólica maior ou igual a 20mmHg ou da pressão diastólica em 10mmHg ou mais. Geralmente espera-se três minutos em pé para se chegar a alguma conclusão, mas têm sido demonstrado que existe uma forma mais leve do problema que demora mais do que três minutos para aparecer.

Os mesmos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard que demonstraram essa hipotensão postural tardia acompanharam uma série de quase cem pacientes e publicaram os resultados nesta última semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia. Eles mostraram que aqueles que apresentavam a forma tardia freqüentemente evoluíam para a forma mais severa, ou seja, com sintomas que têm inicio mais rápido e que incluem tontura e perda de consciência.

Com o passar dos anos foi identificado também que eles passaram a apresentar mais doenças degenerativas do cérebro como o Parkinson o demência por corpúsculos de Lewy, além de morreram mais precocemente. Aqueles que tinham também o diagnóstico de diabetes tiveram uma evolução pior.

O recado principal desse estudo é de que quando o médico se depara com uma queixa de tontura ao se levantar, vale a pena medir a pressão arterial deitado e depois em pé por um pouco mais de três minutos, pois muitas vezes a hipotensão é tardia. E essa hipotensão tardia também precisa de tratamento.

 

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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

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