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Um estudo publicado esta semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia evidencia entre indivíduos com função cardíaca reduzida um menor fluxo cerebral em regiões do cérebro que processam a memória. Os voluntários da pesquisa não apresentavam insuficiência cardíaca com manifestações clínicas, mas, mesmo assim, aqueles com corações que bombeavam menores quantidades de sangue chegavam a ter o padrão de circulação cerebral nos lobos temporais de uma pessoa 15 a 20 anos mais velha.   

Outras pesquisas já haviam mostrado que as pessoas com insuficiência cardíaca, mesmo nas suas formas leves, apresentam também certa “insuficiência cerebral”, e a dificuldade de memória é o problema mais comum. Nesses estudos, até 50% dos pacientes com insuficiência cardíaca apresentam déficit cognitivo.

A principal explicação para esses achados é a de que com a falência da bomba cardíaca o fluxo sanguíneo cerebral é reduzido e perde-se também sua capacidade de auto-regulação. Outra hipótese é a frequente ocorrência de derrames cerebrais entre pacientes com insuficiência cardíaca. Um coração fraco aumenta a chance de formação de pequenos coágulos de sangue que podem “escapar” para as artérias cerebrais, causando um derrame cerebral. Estudos evidenciam uma prevalência de derrame cerebral de até 35% entre pacientes com insuficiência cardíaca.  

Um importante recado desses estudos é o de que uma boa parte dos pacientes com insuficiência cardíaca pode não ser mais capaz de seguir as recomendações feitas pelo médico, como é o caso de tomar corretamente diferentes medicações em seus diferentes horários. No caso de pacientes com dificuldades cognitivas, um cuidado especial na comunicação deve ser tomado, muitas vezes com a necessidade de se garantir o apoio de alguém que possa auxiliá-lo no seguimento do tratamento.

 

 

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Parece que nosso bem-estar na terceira-idade depende mais da saúde da nossa mente que do nosso corpo. É claro que é difícil viver plenamente a velhice com uma doença do corpo como, por exemplo, um enfisema pulmonar ou insuficiência cardíaca, mas as doenças da mente podem ser ainda mais limitadoras. Essa foi a conclusão de uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico BMC Geriatrics  que avaliou a sensação de bem-estar entre mais de 3500 alemães com uma média de idade de 73 anos.
 
Os autores demonstraram que ansiedade e depressão foram os fatores mais associados a baixos índices na escala de bem-estar da Organização Mundial de Saúde. Um baixo poder aquisitivo e dificuldade para dormir também tiveram influência significativa. Doenças do corpo tiveram um impacto menor, até em situações de múltiplas doenças. Entre as mulheres, viver sem uma companhia também influenciou negativamente essa percepção de bem-estar.
 
Já é bem reconhecido que o bem-estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida. Os hormônios e o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita.
 
Outro lado da moeda é a sensação de ter sentido na vida. Muitas das coisas que fazemos não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido.  Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar essa percepção que já teve inequívocas demonstrações que também é capaz de aumentar a longevidade.

 

Roger Federer troféu Wimbledon (Foto: Glyn KIRK / AFP)

 

Na semana em que o tenista Roger Federer, 35 anos, ganhou seu oitavo título de Wimbledon e foi o atleta mais velho a faturá-lo, vale a pena refletir sobre esse monstro do tênis.  Isso não tem nada de trivial.

 

A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada recentemente pelo prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de voo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

Woman Wearing Gray Scarf and Gray Coat Near Group of People

Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres

As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.

 

Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.

 

Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.

 

A doença é mais agressiva no caso delas

As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.

 

Além disso, mulheres cuidam de parentes com a doença de Alzheimer 2.5 vezes mais que os homens, e em 20% dos casos têm que abandonar o trabalho.

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Pela primeira vez tivemos um estudo que demonstrou que os probióticos, como os Lactobacillus, podem melhorar o desempenho cognitivo de pacientes com a Doença de Alzheimer. Além disso, os probióticos melhoraram os níveis de colesterol e triglicérides e reduziram marcadores inflamatórios e resistência à insulina. Os resultados foram publicados pelo conceituado periódico Frontiers in Aging Neuroscience.  
 
Muitas companhias de alimentos probióticos vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.
 
A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.
 
Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.
 
As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando e o presente estudo confirma em humanos o que já se sabia em ratinhos. Será que crianças e adultos sem doença cerebral podem ter o mesmo beneficio?

Woman Wearing Black Hijab Behind Bare Tree during Day Time

 

Mulheres têm um melhor desempenho de memória verbal e faz com que testes cognitivos para o diagnóstico de Alzheimer sejam menos sensíveis para elas. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

 

A pesquisa foi conduzida pela Universidade da Califórnia nos EUA e demonstrou que o desempenho delas era melhor que o dos homens em testes de memória verbal, mesmo em condições que o exame PET scan demonstrava redução do metabolismo cerebral, condição encontrada na Doença de Alzheimer. Na verdade, o desempenho das mulheres foi melhor em situações em que o metabolismo era normal ou com redução leve ou moderada. Quando a queda do metabolismo já era severa, não havia diferenças entre os gêneros nos testes de memoria.

 

Esses resultados sugerem que as mulheres têm maior capacidade de compensar perdas da função cerebral por conta de sua maior reserva cerebral nas fases iniciais da doença. Novos estudos deverão ser realizados, e se os achados  forem confirmados, os testes cognitivos para o diagnostico da Doença de Alzheimer deverão ser ajustados de acordo com o sexo do paciente.

 

Comparison of grey matter (brown) and white matter (yellow) in sex-matched subjects A (56 years, BMI 19.5) and B (50 years, BMI 43.4). Credit: Lisa Ronan

 

 

O volume da substancia branca cerebral de pessoas obesas é menos volumoso do que de pessoas da mesma idade que estão com o peso em dia. Essa é a conclusão de um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge da Inglaterra. Eles calcularam que a estrutura cerebral dos obesos é comparável à de indivíduos magros 10 anos mais novos. Um individuo de 60 anos magro tem um volume da substancia branca comparável ao de pessoas obesas com 50 anos de idade.

Nosso cérebro encolhe naturalmente com o passar dos anos e um corpo crescente de pesquisas tem mostrado que a obesidade com suas condições associadas, como ó caso do diabetes e doença cardíaca, está associada a um encolhimento de forma mais acelerada. É importante salientar que não houve correlação do volume da substancia branca com o desempenho cognitivo dos voluntários estudados.

A pesquisa envolveu quase 500 voluntários com idades entre 20 e 87 anos e foi publicada no periódico Neurobiology of Aging.  Novos estudos precisam ser realizados para investigar os mecanismos que ligam a obesidade à redução de volume cerebral (componentes hormonais e inflamatórios são grandes candidatos) e se a perda ponderal tem o poder de reduzir essas diferenças.

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

A relação entre os níveis de vitamina D e a doença de Alzheimer parece ser muito maior do que se imaginava há dez anos. Para se ter uma ideia, um estudo publicado em 2014 envolvendo quase dois mil idosos mostrou que aqueles com baixos níveis de vitamina D tinham 53% mais chance de desenvolver demência, especialmente a doença de Alzheimer, e o risco era 120% maior entre aqueles com níveis muito baixos dessa vitamina.

A vitamina D também pode ajudar no tratamento do Alzheimer?

Sabe-se que a vitamina D está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para a função cerebral e seu efeito de proteção cerebral pode ser explicado também pelo seu papel no metabolismo do cálcio e pela sua capacidade de inibir depósitos de substâncias que estão associadas à doença de Alzheimer. Ótimos níveis de vitamina D podem ter importante papel na redução da velocidade de progressão da doença, mas estudos mais conclusivos precisam ser realizados.

A vitamina D ajuda na memória de pessoas saudáveis?

Temos evidências que, até entre indivíduos na meia idade, há uma associação entre o desempenho cognitivo e os níveis de vitamina D. As pessoas com melhor desempenho são as que têm maiores concentrações da vitamina no sangue. Isso não quer dizer que suplementos de vitamina D sejam capazes de turbinar o cérebro. Ainda esperamos novos estudos para chegar a essa conclusão.

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Sabemos que o hábito de consumir uma dieta rica em peixes é capaz de reduzir o risco de problemas no cérebro como o acidente vascular, depressão e Doença de Alzheimer. Na última semana, pesquisadores da Universidade de Columbia – EUA mostraram que esse hábito pode fazer também com que o cérebro resista à tendência de redução de volume em idades mais avançadas. O estudo foi publicado pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Após avaliarem o hábito alimentar e estudos de ressonância magnética de quase 700 idosos com uma média de idade de 80 anos, os pesquisadores demonstraram que aqueles que eram adeptos da dieta mediterrânea tinham um volume cerebral comparado ao de pessoas cinco anos mais novas. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

 

As doenças degenerativas do cérebro trazem grande impacto no funcionamento mental, mas enquanto não afetam as características morais, não mudam a forma como as pessoas reconhecem a identidade de quem sofre com essas doenças. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science.

A importância desses resultados reside no fato de que pacientes com a Doença de Alzheimer são vistos pelos seus entes queridos como a “mesma pessoa” por grande parte da evolução da doença. Apenas nas fases mais avançadas da doença é que identificamos alterações nas características morais como altruísmo e generosidade. No momento em que as pessoas enxergam o doente como se fosse “outra pessoa”, os laços afetivos podem ser quebrados.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA aplicaram questionários a familiares de pacientes de três tipos de doença degenerativa: Doença de Alzheimer, Demência Fronto-Temporal e Esclerose Lateral Amiotrófica. Eles avaliaram não só o perfil cognitivo dos pacientes, mas também a forma como os parentes reconheciam o doente com perguntas como “O paciente já lhe pareceu ser um estranho?”

Aqueles que apresentavam Demência Fronto-Temporal foram os que tinham mais mudanças no reconhecimento da identidade pelos parentes, já que é uma condição que altera muito o comportamento, capacidade de julgamento e autocensura.

Os que apresentavam Esclerose Lateral Amiotrófica foram os que tinham menos alterações dessa identidade, já que é uma doença que afeta apenas de forma discreta o funcionamento mental e características morais.

Os pacientes com Doença de Alzheimer apresentaram uma situação intermediária, já que nas fases iniciais da doença, a memória é a alteração que mais chama a atenção, com poucas mudanças comportamentais.

De uma forma geral, os familiares referiam mudanças significativas na percepção da identidade dos pacientes quando existiam alterações nas características morais. As capacidades cognitivas, como a memória, não foram determinantes.

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Todo mundo pode sentir uma pequena tontura quando se levanta subitamente, mas em algumas pessoas isso acontece muito freqüentemente e com intensidade muito maior. A isso chamamos de hipotensão postural.

Hipotensão postural é uma queda da pressão arterial quando a pessoa assume a posição ortostática (em pé) e é definida como a queda da pressão sistólica maior ou igual a 20mmHg ou da pressão diastólica em 10mmHg ou mais. Geralmente espera-se três minutos em pé para se chegar a alguma conclusão, mas têm sido demonstrado que existe uma forma mais leve do problema que demora mais do que três minutos para aparecer.

Os mesmos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard que demonstraram essa hipotensão postural tardia acompanharam uma série de quase cem pacientes e publicaram os resultados nesta última semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia. Eles mostraram que aqueles que apresentavam a forma tardia freqüentemente evoluíam para a forma mais severa, ou seja, com sintomas que têm inicio mais rápido e que incluem tontura e perda de consciência.

Com o passar dos anos foi identificado também que eles passaram a apresentar mais doenças degenerativas do cérebro como o Parkinson o demência por corpúsculos de Lewy, além de morreram mais precocemente. Aqueles que tinham também o diagnóstico de diabetes tiveram uma evolução pior.

O recado principal desse estudo é de que quando o médico se depara com uma queixa de tontura ao se levantar, vale a pena medir a pressão arterial deitado e depois em pé por um pouco mais de três minutos, pois muitas vezes a hipotensão é tardia. E essa hipotensão tardia também precisa de tratamento.

 

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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

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O periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia publicou hoje uma pesquisa que revelou que idosos com memores capacidades executivas têm um risco quase duas vezes maior de desenvolver um infarto do coração ou AVC.  O estudo acompanhou cerca de quatro mil indivíduos com uma média de idade de 75 anos por três anos.

Os resultados chamam a atenção para a influência que cada um desses órgãos exerce sobre o outro.  Apontam também a importância de uma avaliação cognitiva para se definir o risco cardiovascular de um indivíduo.  Deficiência das funções cerebrais executivas pode refletir doença dos seus vasos e redução de sua irrigação sanguínea e, como foi demonstrado, um maior risco de derrame cerebral. E essa menor vascularização cerebral é acompanhada de uma menor vascularização do coração e uma maior chance ataques cardíacos. Enquanto na Doença de Alzheimer a memória é a deficiência cognitiva mais encontrada, na disfunção cognitiva vascular o acometimento das funções executivas é o mais observado.

A meia-idade é um período de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande insegurança emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no máximo um quarto dos quarentões e cinqüentões. Ao tomarem consciência de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: começam a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e não fizeram.

As estatísticas vão de 10 a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a perda do emprego ou de um parente foi muito mais importante que a idade por si só. Nem todo mundo entra em depressão ou começa a abusar do álcool ou outras substâncias psicoativas.

Estudos populacionais nos mostram que ao logo da vida as pessoas sentem-se menos felizes nesta época da vida. Há um comportamento chamado de curva em formato de “U”. A base do “U” é o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do “U” representam a velhice e infância / adolescência. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que é os quarenta e poucos anos.

Fatores biológicos podem ter sua importância, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes. O cérebro já é menor aos 40 anos quando comparado à adolescência, mas a experiência e sabedoria da maturidade contornam facilmente essas questões morfológicas. Além disso, as doenças começam a ser mais comuns e elas certamente vão influenciar o equilíbrio psíquico.

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Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências de esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses que foi criado para treino de foco no que interessa e para desprezar informações irrelevantes para uma tarefa melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências que esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses, que foi criado para treino de foco no que interessa e desprezar informações irrelevantes, melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

Atividades profissionais complexas, atividades que envolvem muitas interações sociais ou com informações, deixa o cérebro mais afiado em idades avançadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa apontou que esse efeito protetor do trabalho estimulante foi preservado mesmo anos depois da pessoa se aposentar.

Pesquisadores escoceses estudaram mais de mil voluntários com uma média de idade de 70 anos através de testes cognitivos seriados. Os pesquisadores contavam também com o teste de QI dos participantes quando eles tinham 11 anos de idade.

As profissões foram classificadas quanto ao nível de complexidade. Profissões complexas eram as que envolviam a coordenação ou necessidade de síntese de dados. Profissões pouco complexas eram as que eram mais baseadas em repetição e comparação de dados.  Do ponto de vista de interações sócias, os trabalhos mais complexos eram os que envolviam negociação ou instrução a outros enquanto os pouco complexos replicavam as instruções de outrem.

 

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos nas relações interpessoais foram advogado, professor, assistente social, médico. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram pintor, operário de uma fábrica.

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos no tratamento de dados engenheiro, músico, arquiteto.  Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram servente de construção civil, telefonista.

Os resultados da pesquisa mostraram que aqueles com profissões mais complexas chegavam à velhice com o cérebro mais afiado e independente do QI que tinham na infância sugerindo que a atividade profissional pode realmente fazer a diferença.

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência.  Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência.  Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.

Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro.   Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

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