You are currently browsing the category archive for the ‘Envelhecimento Cerebral’ category.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

Anúncios

.

O periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia publicou hoje uma pesquisa que revelou que idosos com memores capacidades executivas têm um risco quase duas vezes maior de desenvolver um infarto do coração ou AVC.  O estudo acompanhou cerca de quatro mil indivíduos com uma média de idade de 75 anos por três anos.

Os resultados chamam a atenção para a influência que cada um desses órgãos exerce sobre o outro.  Apontam também a importância de uma avaliação cognitiva para se definir o risco cardiovascular de um indivíduo.  Deficiência das funções cerebrais executivas pode refletir doença dos seus vasos e redução de sua irrigação sanguínea e, como foi demonstrado, um maior risco de derrame cerebral. E essa menor vascularização cerebral é acompanhada de uma menor vascularização do coração e uma maior chance ataques cardíacos. Enquanto na Doença de Alzheimer a memória é a deficiência cognitiva mais encontrada, na disfunção cognitiva vascular o acometimento das funções executivas é o mais observado.

A meia-idade é um período de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande insegurança emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no máximo um quarto dos quarentões e cinqüentões. Ao tomarem consciência de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: começam a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e não fizeram.

As estatísticas vão de 10 a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a perda do emprego ou de um parente foi muito mais importante que a idade por si só. Nem todo mundo entra em depressão ou começa a abusar do álcool ou outras substâncias psicoativas.

Estudos populacionais nos mostram que ao logo da vida as pessoas sentem-se menos felizes nesta época da vida. Há um comportamento chamado de curva em formato de “U”. A base do “U” é o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do “U” representam a velhice e infância / adolescência. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que é os quarenta e poucos anos.

Fatores biológicos podem ter sua importância, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes. O cérebro já é menor aos 40 anos quando comparado à adolescência, mas a experiência e sabedoria da maturidade contornam facilmente essas questões morfológicas. Além disso, as doenças começam a ser mais comuns e elas certamente vão influenciar o equilíbrio psíquico.

.

Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências de esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses que foi criado para treino de foco no que interessa e para desprezar informações irrelevantes para uma tarefa melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências que esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses, que foi criado para treino de foco no que interessa e desprezar informações irrelevantes, melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

Atividades profissionais complexas, atividades que envolvem muitas interações sociais ou com informações, deixa o cérebro mais afiado em idades avançadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa apontou que esse efeito protetor do trabalho estimulante foi preservado mesmo anos depois da pessoa se aposentar.

Pesquisadores escoceses estudaram mais de mil voluntários com uma média de idade de 70 anos através de testes cognitivos seriados. Os pesquisadores contavam também com o teste de QI dos participantes quando eles tinham 11 anos de idade.

As profissões foram classificadas quanto ao nível de complexidade. Profissões complexas eram as que envolviam a coordenação ou necessidade de síntese de dados. Profissões pouco complexas eram as que eram mais baseadas em repetição e comparação de dados.  Do ponto de vista de interações sócias, os trabalhos mais complexos eram os que envolviam negociação ou instrução a outros enquanto os pouco complexos replicavam as instruções de outrem.

 

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos nas relações interpessoais foram advogado, professor, assistente social, médico. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram pintor, operário de uma fábrica.

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos no tratamento de dados engenheiro, músico, arquiteto.  Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram servente de construção civil, telefonista.

Os resultados da pesquisa mostraram que aqueles com profissões mais complexas chegavam à velhice com o cérebro mais afiado e independente do QI que tinham na infância sugerindo que a atividade profissional pode realmente fazer a diferença.

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência.  Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência.  Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.

Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro.   Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

.

Baixos níveis de vitamina D aumentam em duas vezes o risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

 

Os pesquisadores já suspeitavam da relação entre o risco de demência e baixos níveis de vitamina D, mas ficaram surpresos com uma relação tão robusta – o dobro do risco.

 

Participaram da pesquisa cerca de 1700 voluntários com idade superior a 65 anos. Após seis anos, 10% desenvolveram um quadro de demência, a maioria por Doença de Alzheimer. Aqueles com baixos níveis de vitamina D tinham 53% mais chance de desenvolver demência e o risco era 120% entre aqueles com níveis muito baixos dessa vitamina. Os resultados não eram influenciados por outros fatores que afetam o risco de demência como educação, tabagismo e consumo de álcool.

 

Já sabemos que o consumo de peixe reduz as chances de demência e da Doença de Alzheimer. Sabemos também que as pessoas têm uma dieta rica em vitamina D têm melhor desempenho cognitivo. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. E olha que a dieta só contribui com 10% dos níveis de vitamina D – 90% são dependentes de sua síntese na pele por exposição ao sol.

 

E os efeitos da vitamina D sobre o sistema nervoso não se restringem à nossa capacidade cognitiva. A suplementação de vitamina D aumenta a força muscular e o equilíbrio e, entre os idosos, é capaz de reduzir o risco de queda.

 

 

 

 

Pessoas muito desconfiadas, que acreditam que todos estão levando vantagem, têm maior chance de desenvolver um quadro de demência. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na última semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. Essa desconfiança exagerada já havia sido demonstrada como fator de risco para doenças cardiovasculares e mortalidade de uma forma geral. Os mecanismos propostos incluem fatores inflamatórios e disfunção do sistema autonômico.

 

Desta vez, pesquisadores finlandeses e suecos estudaram cerca de 1500 indivíduos com uma média de idade de 71 anos e aplicaram um questionário que mede o grau de desconfiança de um indivíduo. O questionário media o quanto os voluntários concordavam com ideias como “a maioria das pessoas mente para alcançar seus objetivos” e “é mais seguro não acreditar nas pessoas”. Aqueles com maior grau de desconfiança tiveram uma chance três vezes maior de apresentar um quadro de demência ao longo de oito anos quando comparados àqueles com pouca desconfiança. Esses resultados foram independentes da presença de sintomas depressivos e outros fatores de risco para demência como nível educacional, tabagismo, hipertensão arterial.

 

 

 

 

 

 

Rafael Nadal is the Academy's 2013 Male Athlete of the Year.

.

A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.        

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de vôo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

 

 

 CBN-RICARDO[1]

French for preschool, childcare, primary schools and secondary schools 

.

Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Brain apontou qu idosos com mais anos de educação demoram mais tempo para desenvolver a doença.

 

A pesquisa acompanhou quase 4 mil idosos franceses por 20 anos consecutivos fazendo avaliações cognitivas a cada cinco anos.  Um pouco mais de 400  idosos desenvolveram a Doença de Alzheimer e aqueles com maior nível educacional começaram a ter um leve declínio cognitivo 15 a 16 anos antes do diagnóstico de demência.  Já aqueles com menos anos de escola começaram a ter declínio sete anos antes do diagnóstico.  Os anos a mais de escola retardaram o aparecimento da doença em cerca de sete anos.

 

 

Já se conhece bastante sobre as alterações cerebrais morfológicas e fisiológicas associadas ao processo de envelhecimento normal. Há uma progressiva redução do número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral.

 

Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.

 

Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o conceito de Reserva Cerebral. Se o nosso cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de seu desempenho em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente.  Mais conexões permitem que o cérebro lance mão de vias alternativas para driblar a doença. E foi isso que a presente pesquisa sugere.

 

CBN-RICARDO[1]

 

.

.

Alguns pequenos estudos mostram que adesivos de nicotina podem ser promissores para melhorar a memória e atenção de pacientes com a Doença de Alzheimer.   Já temos evidências também que esses adesivos podem promover a melhora do desempenho cognitivo de idosos com problemas de memória, mas sem demência. Além da memória, a nicotina incrementa a atenção e a velocidade psicomotora. Entre jovens, já foi demonstrado que a nicotina pode incrementar de forma muito discreta a memória e a atenção.

A nicotina estimula receptores nicotínicos do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Esses mesmos receptores são cada vez mais deficientes à medida que a Doença de Alzheimer progride. E não é só isso. Ela modula outros sistemas de neurotransmissores. Se estivermos sonolentos, a nicotina acorda. Se estivermos ansiosos, a nicotina relaxa.

Nicotina do cigarro e até mesmo da pimenta protege o cérebro da Doença de Parkinson.   

Temos boas evidências de que o tabaco tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito se dá pela nicotina e parece que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, berinjela e batata, têm efeito semelhante. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

E os efeitos colaterais?

O uso da nicotina em adesivos não tem demonstrado efeitos colaterais sérios, mas costuma provocar perda de peso.  A suspensão do uso de adesivos não provoca abstinência e não existe tendência ao abuso.

.

CBN-RICARDO[1]

aaaaaaaaaaall

.

O consumo na meia idade de mais de duas doses diárias de álcool pode levar a perdas cognitivas. Mais tarde na vida o desempenho cerebral pode chegar a ser o de pessoas seis anos mais velhas. Aqueles que bebem de forma leve ou moderada têm a memória e funções executivas tão preservadas como os que não bebem. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

A preciosidade dessa pesquisa é a inclusão de indivíduos de meia idade, já que a maioria dos estudos sobre álcool e memória envolveu grupos de idosos.  Envolveu 5 mil homens e 2 mil mulheres que foram acompanhados por 10 anos. Testes cognitivos e questionários sobre o consumo de álcool foram realizados repetidas vezes.  O efeito negativo foi mais pronunciado entre os homens

 

.

Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

.

Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

.

CBN-RICARDO[1]

.

Por volta dos 15 anos de idade nosso encéfalo alcança seu maior peso (~ 1350g), com uma perda de cerca de 1,5% desse peso a cada década. Essa redução se dá muito mais por redução do tamanho dos neurônios do que por destruição dos mesmos. Paralelamente, há uma redução no número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral. Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.

Mas será que esse declínio cognitivo é inevitável? O fato é que alguns chegam a idades muito avançadas com memória comparável a de pessoas com seus 50-60 anos. O que será que esses supercérebros têm de diferentes?

Quando se compara esses supercérebros com outros da mesma idade, mas com o discreto declínio cognitivo esperado para a idade, observa-se que eles têm a substância cinzenta mais avantajada e comparável à de “jovens” de 50-65 anos. E não é só isso. Os superoctagenários apresentam uma região do cérebro até mais desenvolvida que aqueles 20 anos mais novos. Essa região é conhecida como cíngulo anterior, região fortemente associada à nossa capacidade de prestar atenção nas coisas e também faz parte do sistema de recompensa cerebral. Isso pode ser a chave do sucesso para a boa memória dos superoctagenários.

Entender melhor o que esses supercérebros têm de diferente pode ser tão promissor para a criação de terapias para a prevenção da doença de Alzheimer como conhecer os cérebros doentes.

.

.

CBN-RICARDO[1]

.

Não é raro as pessoas queixarem-se de que naquele tal dia o cérebro não estava ajudando muito enquanto em outros não deixou nada a desejar. Será que nosso desempenho cognitivo flutua mesmo? A idade pode fazer diferença?

 

Para tentar responder a essas questões, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha conduziram um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Psychological Science e que apontou que existe, mas é muito discreta, uma variabilidade do desempenho cognitivo num mesmo dia e também dia após dia. Essa variabilidade é menor ainda entre os idosos.

 

Os pesquisadores testaram mais de 200 voluntários separados em dois grupos com idades de 20 a 31 anos e de 65 a 80 anos. Os testes incluíam velocidade de percepção, memória episódica, memória de trabalho e foram repetidos em 101 diferentes sessões em média. O desempenho cognitivo dos idosos foi menor do que o dos jovens, mas foram mais regulares ao longo dos dias. Essa maior regularidade pode ser explicada por menos eventos estressantes, humor mais estável, maior aprendizado de estratégias para resolução de problemas e maior motivação.

 

Os resultados são importantes por reforçar o valor que indivíduos mais velhos têm na força de trabalho. Já é bem reconhecido que algumas qualidades estão fortemente associadas à experiência. Um estudo realizado numa fábrica de automóveis pelos mesmos autores da atual pesquisa mostrou que erros graves eram cometidos menos freqüentemente pelos mais velhos.

 

O envelhecimento cerebral normal provoca discretas perdas, muito pequenas se comparadas à riqueza de conexões neuronais que um indivíduo forma no decorrer da vida. O cérebro humano, ao envelhecer, compensa as pequenas perdas com a experiência adquirida. Tem mais repertórios para tomas decisões mais acertadas.

 

 

CBN RICARDO

.

Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.

Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.

Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.

A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.

.

Uma pesquisa publicada ontem pelo prestigiado periódico The Lancet mostrou que as pessoas que têm hoje 90 ou mais anos de idade têm melhor desempenho cognitivo do que aqueles da mesma idade nascidos há dez anos.

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e envolveu quase quatro mil voluntários divididos em dois grupos – nascidos em 1905 e nascidos em 1915. Todos eles foram submetidos a testes cognitivos e entrevistas para detecção de transtornos psiquiátricos e avaliação da saúde geral. O grupo nascido em 1915 tinha 32% mais chance de alcançar os 95 anos do que o nascido em 1905 e ainda apresentavam melhor desempenho cognitivo. Esses resultados são compatíveis com resultados de pesquisas semelhantes realizadas nos EUA, mas existem também estudos não concordantes, mas numa faixa etária menor.

Fatores que podem explicar os resultados: melhora no padrão nutricional e de assistência médica, menor incidência de doenças infecciosas, maior estímulo intelectual e melhores condições gerais de vida. O estudo desafia o pensamento de que o aumento da longevidade tem como frutos idosos com muito comprometimento em suas atividades de vida diárias. Isso é bastante encorajador. Se na Dinamarca dez anos já fazem diferença, imagine o impacto das melhorias das condições de vida em um país como o Brasil.

.

.

 

 

Solanaceae é uma família de plantas ricas em nicotina que têm um efeito protetor contra a Doença de Parkinson. Essa foi a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo periódico oficial da Associação Americana de Neurologia.

 

Já tínhamos boas evidências de que o tabaco, também da família Solanaceae, tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito parece que se dá pela nicotina e pode ser que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, beringela e batata, tenham efeito semelhante.

 

Foi exatamente o que pesquisadores da Universidade de Washington – EUA conseguiram demonstrar. Eles estudaram cerca de 500 pacientes com diagnóstico recente da Doença de Parkinson e mais de 600 indivíduos sem qualquer doença neurológica que serviram de grupo controle. Foram aplicados questionários que avaliavam a história de uso de tabaco ao longo da vida e hábitos alimentares.

 

O consumo de vegetais de forma geral não tinha associação com menor risco da doença, mas alimentos com conteúdo de nicotina faziam a diferença, especialmente a pimenta. Esse foi o primeiro estudo que investigou essa associação entre teor de nicotina na dieta e risco da Doença de Parkinson e abre novas perspectivas na prevenção da doença. Novas pesquisas deverão ser feitas para confirmar esses resultados. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

 

 

 

  

Apoio

Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas e sextas 11:05h

Também às segundas no Correio Braziliense

ConsCiência no Dia a Dia é acreditado pela Health on Net Foundation – Informação em saúde com credibilidade

ConsCiência no Dia a Dia – Vencedor Prêmio TopBlog 2009

VISITE O LABJOR

Siga no TWITTER

Twitter

CADASTRO

TWITTER

    follow me on Twitter

    Blog Stats

    • 2.832.888 hits
    Anúncios