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Bebês de nove meses assimilam melhor conteúdos para aprimorar a linguagem passados por vídeo quando estão acompanhados por outro bebê. Essa foi a conclusão de um estudo publicado recentemente no respeitado periódico PNAS por pesquisadores das Universidades de Connecticut e Washington nos Estados Unidos.

Aprender de forma colaborativa faz com que os bebês fiquem mais alertas e essa é uma das explicações para os resultados. O curioso é que esse efeito positivo da parceria foi mais robusto quando os bebês não se conheciam previamente. É a novidade promovendo o aprendizado por aumentar a motivação. O vídeo no presente estudo era passado em uma tela sensível ao toque que permitia interação dos bebês. Além disso, a resposta neural dos bebês que foram estudados em pares, medida pelo comportamento e por potenciais elétricos do cérebro, indicou um padrão de maior maturidade no processamento dos sons.

Vários estudos demonstram a superioridade do aprendizado de linguagem por meio pessoas de carne e osso quando comparados às mídias. Entretanto, a atual pesquisa sugere que a falta de interatividade com um parceiro no momento do aprendizado pode fazer mais diferença do que os pixels das mídias. Essa interatividade pode ser chamada de estimulação social ou excitação social, tradução livre de social arousal.

 

 

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Colorful Toothed Wheels

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As pessoas que têm transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) carregam consigo o estigma de ineficiência que muitas vezes limita a expressão de suas potencialidades. Podemos pensar que eles podem ter mais dificuldades em alguns tipos de tarefa, mas podem até ser mais eficazes em outros tipos de trabalho. E essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA.

Adolescentes com e sem diagnóstico de déficit de atenção passaram por testes que avaliavam a criatividade e aqueles que tinham déficit de atenção se saíram melhor. Eles se mostraram mais propensos a resistir à conformidade, a ignorar a informação já conhecida, o que permitia que a criatividade pudesse voar. Em um dos testes os voluntários tinham que desenhar uma fruta alienígena. O grupo com déficit de atenção desenhou frutas que guardavam menos semelhanças com as frutas do nosso planeta. Em outro teste eles tinham que criar rótulos sem copiar os exemplos apresentados.  Novamente os portadores de déficit de atenção foram mais criativos.

É claro que esses resultados nos mostram o enorme potencial que indivíduos com déficit de atenção têm em carreiras em que a demanda criativa é alta como o marketing, publicidade, artes, engenharia de computação entre outras. Pensando bem, em qualquer carreira!

O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e permanecem até a vida adulta em 30% dos casos. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.

No Brasil, uma pesquisa revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica.

Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que superdiagnosticados.

Six Boys Standing Near Trees and Houses Photo Taken

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma epidemia neurológica escondida. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology mostra que mesmo as crianças que não desenvolvem retardo mental chegam em idades avançadas com menor desempenho cognitivo quando crescem em situação de pobreza. Assim como qualquer outro sistema do nosso corpo, o cérebro envelhece e os resultados da presente pesquisa evidenciam um envelhecimento mais rápido entre os pobres.

O estudo incluiu cerca de vinte mil adultos de 16 diferentes países europeus. Para avaliar o perfil socioeconômico na infância, eles usaram um método que incluía questões como o número de quartos e pessoas que viviam na casa e o número aproximado de livros. A análise apontou que 4% dos participantes viveram adversidade socioeconômica na infância. Estes tinham menor grau de educação formal, eram menos empregados, apresentavam mais sintomas de depressão e menos hábitos saudáveis. Mesmo após correção para esses fatores negativos, esses 4% tiveram uma perda mais acelerada da capacidade cognitiva com o envelhecimento. Outras pesquisas já haviam demonstrado que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta do cérebro.

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo e de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerado a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem. Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam, têm maior chance de evasão.

Pense nisso na hora de votar. Um país com cérebros que não atingem o pleno potencial não vai para frente.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

Four People Holding Mobile Phones

 

Alguns dizem que a vida digital está nos deixando mais espertos, especialmente aqueles que desenvolvem jogos e exercícios digitais para incrementar as funções cognitivas. Outros dizem o contrário. E então? Acho que podemos dizer que ambos os lados têm um pouquinho de razão.

Videogames, por exemplo, trazem benefícios cognitivos, como melhor atenção e menor tempo de reação, mas de uma forma muito discreta. Não se sabe muito bem o quanto esses ganhos são realmente transferidos para a vida real. Por outro lado, o uso de videogames tem sido associado a comportamento agressivo, efeito que também é discreto e não necessariamente de causa e efeito. Os videogames violentos deixam as pessoas com um comportamento mais violento ou pessoas que já têm uma natureza violenta são mais atraídos por jogos com conteúdo violento?

A internet deixa-nos distraído durante um trabalho e afeta negativamente o desempenho cognitivo, mas não muda radicalmente o funcionamento do cérebro. O cérebro não é tão craque assim para multitarefas. Os resultados são melhores quando fazemos uma tarefa de cada vez, mesmo estre aqueles que nasceram com um dispositivo nas mãos.

Os riscos da exposição aos dispositivos digitais podem ser minimizados educando as pessoas a manterem o autocontrole e usá-los nos momentos certos. É a criação de estratégias de defesa, para ficarmos menos vulneráveis às tentações, como abrir a caixa de email, facebook, twitter a cada cinco minutos durante uma tarefa.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

*Por Dr. Ricardo Teixeira

 

1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

5- As crianças que cresceram com a internet  nas mãos e suas gratificações instantâneas são mais impulsivas.

Fato: Estudos que comparam o tempo que as crianças são capazes de aguardar por uma recompensa mostram que no século 21 elas são capazes de aguardar mais do que nas décadas de 1980 e 1960.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

background, blur, chat

 

Será que a obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que o receio de conseqüências negativas é algo parecido com o medo dos antigos na época do surgimento da imprensa, do rádio ou da TV?

Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas eram dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e, além disso, vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” – pais inanimados na frente das telas.

Neste mês de julho tivemos uma publicação no JAMA, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo, mostrando que o excesso de exposição às plataformas digitais faz o cérebro do adolescente manifestar mais sintomas de déficit de atenção e hiperatividade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e Califórnia do Sul acompanharam 2600 adolescentes assintomáticos de 15 e 16 anos de idade e apontaram que aqueles que usavam de forma muito freqüente uma lista de 14 plataformas digitais populares como WhatsApp, Facebook e Youtube, estes tinham o dobro de chances de passarem a apresentar sintomas de déficit de atenção após um seguimento de dois anos. O ineditismo dos resultados foi por conta da avaliação do impacto das plataformas mais modernas, um estudo que não foi só baseado em TV e videogames.

 

 

 

Cell phone in hands

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Quando pensamos em excesso de tecnologia no dia a dia, podemos instintivamente achar que isso tem gerado um estado de ansiedade. Mas realmente é verdade. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Emotion avaliou mais de um milhão de adolescentes americanos e apontou que era menor o bem estar psíquico entre aqueles que passavam mais tempo na frente das telas digitais. Compartilho abaixo quatro mecanismos que podem explicar esse fenômeno.

 

1-A tecnologia pode nos reduzir nossas pequenas incertezas, mas aumentar nossas grandes incertezas. E incerteza é um prato cheio para a ansiedade. Podemos nos sentir mais seguros com o Google Maps, com notícias fresquinhas do outro lado do mundo, etc. Mas essa mesma tecnologia tem trazido mais insegurança quando se pensa no futuro mercado de trabalho e até mesmo o encontro do parceiro ou parceira nos inúmeros sites de relacionamento.

2-O mundo digital tem-nos deixado menos sociáveis. A interação carne e osso entre as pessoas é uma poderosa ferramenta para nosso equilíbrio psíquico.

 

3-As redes sociais são uma arena de constantes julgamentos. É muita gente olhando e julgando. Poucos likes e compartilhamentos podem levar a um estado de insegurança, especialmente entre os jovens.

 

4-As redes sociais também são um grande palco para comparações. Somos bombardeados o tempo todo com viagens incríveis, famílias perfeitas, etc. Isso pode ser pura fonte de ansiedade para muitas pessoas.

 

adult, busy, chat

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Sabemos que o estado de abstinência acontece com drogas, mas também pode ocorrer com a internet. Pesquisadores das universidades de Swansea no Reino Unido e Milão na Itália mostraram que, para aqueles que exageram na internet, ficar um período sem navegar é capaz de mexer com parâmetros fisiológicos como a pressão arterial e frequência cardíaca.

O estudo envolveu cerca de 150 voluntários com idades entre 18 e 33 anos antes e depois de uma sessão de internet. Após o término da sessão, aqueles que tinham o hábito de usar a internet muitas horas por dia tinham um quadro de ansiedade acompanhado de aumento de 3 a 4% da pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os usuários leves e moderados, nenhum deles teve alterações fisiológicas.

Os participantes usavam a internet numa média de 5 horas por dia, 20% usavam mais de seis horas e 40% consideravam que estavam exagerando. Os principais motivos para o uso foram as redes sociais e compras. Homens e mulheres não se comportaram de forma diferente.

Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado que essa abstinência era capaz de piorar os quadros de depressão e sentimento de solidão e ainda diminuir a resistência a quadros infecciosos. Eles também discutem no artigo que deve haver uma atitude responsável no que diz respeito à publicidade dos telefones celulares e outros aparelhos que permitem a navegação na internet.

 

 

 

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Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas são dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e além disso vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” –  pais inanimados na frente das telas.

Que tal começar retirando as telinhas da mesa de refeições?

 

Gray Scale Image of Xbox Game Controller

A Academia Americana de Pediatria preconizava que crianças acima de seis anos deveriam ficar no máximo duas horas por dia em frente aos eletrônicos, e isso inclui o celular, tablet, a TV, videogames e computador sem fins de atividade acadêmica. Sabe-se que as crianças que passam dos limites nas telinhas têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, transtornos do sono, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.
 
No final do ano passado a mesma academia publicou um novo documento mostrando-se um pouco mais flexível e não deram mais um limite fixo de horas, mas incentivaram os pais a limitarem o uso dos eletrônicos visando não concorrer com o tempo destinado aos deveres de casa, sono, atividade física e sociabilidade. Para as crianças entre 2 e 5 anos recomendaram um limite de 1 hora por dia de eletrônicos e para as menores de dois anos, pequenos contatos de atividades inteligentes` sempre acompanhados dos pais.         
 
Um estudo recente joga mais luz sobre o assunto e dessa vez aborda os limites do uso de videogames. Os resultados foram publicados no periódico Annals of Neurology e demonstraram que até uma certa quantidade de horas semanais a brincadeira faz até bem para o cérebro das crianças. Como se esperava, quantidades maiores atrapalham.
 
Quase 2500 crianças com idades entre entre 7 e 11 anos de idade foram estudadas e os pesquisadores concluíram que até uma hora semanal de videogame teve influência positiva nas habilidades motoras e cognitivas das crianças. A partir de duas horas semanais o efeito não foi bom. Não houve qualquer incremento adicional nos testes motores e cognitivos (mais não é melhor), mas as crianças passavam a ter mais problemas de comportamento e menores habilidades sociais. Essa influência negativa foi mais robusta nas crianças que jogavam nove ou mais horas por semana.   
 
Uma parte das crianças também foi submetida a exames de ressonância magnética que mostrou uma maior conectividade funcional em circuitos críticos para o aprendizado entre o usuários de videogame.

 

Black Round Analog Wall Clock

 

Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.

 

Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.

 

Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro. Esta semana tivemos os resultados de um estudo conduzido pela Universidade McGill no Canadá. A pesquisa mostrou que entre os mais 30 mil estudantes estudados, aqueles que começavam as aulas mais tarde, nove e meia da manhã, dormiam melhor e sentiam-se menos cansados durante o dia do que aqueles que entravam na sala de aula às oito.

 

Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.

 

E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.

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Retrieval practice – este é o nome de uma técnica de memorização que tem sido repetidamente demonstrada como uma ótima estratégia para o aprendizado, superior a outras, como revisão e resumos. Podemos traduzir como “prática de recuperação”.
Funciona assim: após o aprendizado, o educador solicita ao aluno que tente resgatar o conteúdo da memória imediatamente, após uma semana ou após um mês, por exemplo.
 
Esta semana, a prestigiada revista Science publicou os resultados de uma pesquisa que demonstrou que o “retrieval practice” tem ainda outro beneficio: é capaz de servir como um antídoto para que o estresse não atrapalhe a consolidação da memória.
 
Pesquisadores da Universidade de Tufts nos EUA estudaram 120 voluntários e demonstraram que o “retrieval practice” teve efeito superior ao de revisão de conteúdo quando o negócio era proteger a memória após uma situação de estresse. O estresse nesse estudo eram testes cognitivos em que os voluntários eram filmados e tinham a presença de dois juízes e três outros voluntários.
 
O “retrieval practice” pode otimizar o tempo de estudo e estudos ainda mostram que os alunos ficam menos ansiosos, em parte, por ficarem mais auto-confiantes.

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Em conferência realizada nesta última semana em São Francisco – EUA, a Academia Americana de Pediatria alerta para os cuidados que os pais devem ter ao expor os filhos nas redes sociais

 

Os números estão aí: nos EUA, 92% das crianças menores de dois anos já têm presença nas redes sociais e um terço já aparecem nas primeiras 24 horas de vida. Os pais até que são bem intencionados, mas poderíamos dizer que não muito conscientes das consequências imprevisíveis do ato de dividir com o mundo as experiências dos seus filhos. Preocupam-se com o conteúdo a que os filhos são expostos na internet (e.g., violência, drogas), mas não pensam nos potenciais problemas associados à presença das crianças nas redes sociais.

 

Os pediatras podem alertar os pais o quanto é importante proteger a identidade das crianças no mudo virtual. Podemos falar dos riscos de imagens nas mãos de pedófilos, constrangimento junto aos amigos e cyberbullying, mas também que essas crianças vão querer controle e privacidade de suas imagens. Eles certamente terão o desejo de construir suas próprias identidades virtuais. As primeiras crianças que cresceram expostas nas redes sociais estão agora chegando à vida adulta, entrando na faculdade e no primeiro emprego.

 

Os pais precisam conhecer melhor as ferramentas online que usam, suas politicas de privacidade, e por que não, dar o direito às crianças de vetar uma publicação.  Publicações que `entregam` de bandeja onde a criança mora ou estuda, assim como fotos sem roupa, devem ser evitadas ao máximo.

Girl Sleeping With Her Brown Plush Toy

 
Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.
 
Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.
 
Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro – os americanos já dirigem aos 16 anos.
 
Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.
 
E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.
 
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Nunca antes na história tivemos uma sociedade tão conectada e as plataformas de redes sociais têm contribuído muito para isso. Entretanto, identificamos excessos de “conexão”, especialmente entre os adolescentes. Essa hiperconectividade é um tema que os pais devem ficar muito atentos no dia a dia, pois ela não tem nada de inocente.

 

Vida social é uma ferramenta fundamental para nosso estado de felicidade e até mesmo de saúde. Mas será que os amigos virtuais têm esse mesmo poder? Parece que não. Pesquisas têm revelado uma associação entre o tempo gasto no Facebook e sintomas depressivos. Aí vem a velha pergunta de ovo ou galinha? A resposta mais provável é que o excesso de tempo nas redes sociais possa ser tanto a causa como conseqüência dessa maior freqüência de sintomas psiquiátricos.

 

Causa? Podemos pensar que uma pessoa exagerada e compulsiva tem problemas no controle de seus impulsos. E essa dificuldade em controlar os impulsos pode ter reflexos em varias dimensões da sua vida. E os adolescentes dão goleada quando se fala em impulsividade. Um estudo conduzido nos EUA mostrou que eles trocam uma média de 109 mensagens diárias pelo celular enquanto os adultos ficam com uma média de dez mensagens por dia.

 

Conseqüência? Redes sociais provocando mal estar psíquico? Uma forma de explicar essa ligação é o efeito comparativo com os outros “amigos” que só expõem os louros do cotidiano e isso pode fazer com que a pessoa sinta que tem um projeto de vida mal-sucedido. Além disso, a prática virtual exagerada pode reduzir os encontros em carne e osso, o que pode desestabilizar o equilíbrio psíquico.  

 

Se esses fatores são relevantes para um adulto, imagine só para o cérebro de um adolescente que ainda está em formação! Alguns deles têm sinais típicos de dependência quando afastados do seu vício eletrônico. Pesquisas mostram que meninos e meninas digitam com a mesma frequência nas redes sociais, mas os exageros acontecem mais com as meninas. E esse exagero está associado a um menor desempenho acadêmico, mais sintomas depressivos, maior exposição ao álcool e outras drogas e também experiência sexual mais precoce.

Às vezes eu tenho a impressão que meu filho de oito anos prefere seus games a qualquer outra coisa desse mundo. Silenciosamente fico com aquela preocupação de pai e sempre me pergunto: será que essa obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que estou vivendo algo parecido com o medo de nossos ancestrais às novas tecnologias como a imprensa, o rádio, TV….?

Já temos algumas pistas que mostram que no curtíssimo prazo a alta velocidade de alguns games e cartoons não são tão legais assim para o cérebro das crianças. Cientistas compararam o desempenho cerebral de crianças de quatro anos de idade após assistirem a uns dez minutos de um cartoon bem acelerado como Bob Esponja, em que a mudança completa da cena acontecia em média a cada onze segundos, com um outro mais lento com mudança de cena a cada 34 segundos. As crianças que assistiram ao vídeo acelerado tiveram um PIOR desempenho nos testes cognitivos logo após assistirem ao desenho. Com ratinhos acontece a mesma coisa. Eles ficam perdidos no labirinto e ficam mais predispostos a se viciarem em cocaína. Uma hipótese para explicar essa maior dificuldade executiva após uma experiência de rápida sucessão de eventos é que o cérebro disponibiliza muitos recursos para sua decodificação e fica relativamente desfalcado por um período.

Desde o ano de 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças menores de dois anos não devem assistir TV de forma alguma. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Washington chegou até a demonstrar que bebês que assistem a vídeos educativos como o Baby Einstein têm piores scores em testes cognitivos. E as empresas do entretenimento têm vendido cada vez mais vídeos e jogos com o apelo educativo, mas sem nenhuma base científica. Existem raras exceções que foram realmente testadas e com benefícios comprovados. É o caso do aplicativo BedTime Math com problemas de matemática para pais e filhos fazerem juntos.

Já no caso das crianças maiores de dois anos, o consenso é que elas não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, transtornos do sono, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.

Vale lembrar que os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas no vídeo e a interpretá-las criticamente, o que inclui também o material publicitário. Cabe também aos pais a identificação de conteúdos que sejam inadequados para a idade da criança. E dar o exemplo também…

Meu maior receio é de que a superestimulação do cérebro das crianças faça com que as outras coisas do mundo desconectado comecem a ficar cada vez mais sem graça nessa fase do desenvolvimento. Por enquanto suo a camisa para equilibrar com outras brincadeiras sem luzinhas.

 

Uma pesquisa publicada na última semana por pesquisadores da Universidade de Queensland – Australia aponta pela primeira vez que o grau de luminosidade que as crianças são submetidas tem influencia sim nos seus índices de massa corporal.

Os pesquisadores avaliaram 48 crianças com idades entre três e cinco anos, e após 12 meses de acompanhamento mostraram que aquelas que foram mais expostas à luz, natural ou artificial, foram também as que ganharam mais peso no período. Esses resultados foram independentes da dieta e do nível de atividade física.

É estimado que quase 20% das crianças do Brasil estejam acima do peso. Dieta, atividade física, sono, todos são fatores que influenciam o peso das crianças. A presente pesquisa coloca em discussão o quanto a vida “superiluminada” das crianças com seus computadores, telefones, tablets e TVs e não podem também ter influência no peso independente do sedentarismo.

É muito bem conhecido que nosso relógio biológico é fortemente influenciado pela exposição à luz e exerce impacto no sono, taxas hormonais e até no humor. Experimentos com roedores submetidos a exposição contínua  de luz branca demonstra que os animais ganham peso e desenvolvem intolerância a glicose, efeitos que são revertidos eles voltam a experimentar o ciclo claro-escuro.

A influência do excesso de luz que as crianças modernas são expostas pode até ser pequena no curto prazo, mas pode ser bem mais expressiva quando se pensa nos seus efeitos cumulativos ano após ano.

O estudo foi publicado no periódico PLOS ONE.

 

Adultos jovens que assistem TV demais terão um pior desempenho cognitivo quando chegam na meia idade, 25 anos depois. Essa foi a conclusão de uma pesquisa publicada na ultima semana pelo periódico JAMA Psychiatry.
 
O estudo acompanhou mais de três mil americanos com idades entre 18 e 30 anos por um período de 25 anos. Assistir TV demais foi definido como um relato de um hábito de mais de três horas por dia em pelo menos 2/3 das visitas no acompanhamento. Aqueles que foram classificados como exagerados na TV (11%) tinham pior desempenho cognitivo 25 anos depois. Além disso, os que praticavam pouca atividade física (16%) durante esses 25 anos também tinham menor desempenho cognitivo ao final do estudo. A combinação de muita TV e pouca atividade física foi pior que cada um desses hábitos de forma isolada.    
 
Já sabemos muito sobre os efeitos nocivos do excesso de TV no desenvolvimento das crianças, mas poucos estudos analisaram o impacto sobre o cérebro de adultos jovens e, pelo jeito, o exagero nessa população adulta também não tem nada de inocente.

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Crianças se esquecem rápido, mas voltam a se lembrar depois de alguns dias. Um tipo de jogo da memória foi realizado com crianças de 4 a 5 anos por pesquisadores da Universidade de Ohio – USA e mostrou que as crianças esquecem rapidamente um primeiro conteúdo depois que são apresentadas a um segundo pouco tempo depois. Entretanto, elas voltam a se lembrar desse conteúdo “perdido” quando testadas dois dias depois.

Esse “esquecimento extremo” das crianças já era conhecido e ocorre quando elas aprendem dois conteúdos em rápida sucessão. Porém, essa é a primeira vez que se demonstrou que, após esse esquecimento, as crianças recuperam em poucos dias o que foi perdido.

A moral da história é que após uma ou duas noites de sono muita coisa pode brotar na memória das crianças. Isso não quer dizer que elas tenham a mesma capacidade de um adulto em absorver informação.

Pais superestimam a felicidade dos filhos quando eles têm 10 a 11 anos. Por outro lado, eles subestimam a felicidade quando eles chegam à idade de 15-16 anos. Esses são os achados de um estudo publicado recentemente no periódico especializado Journal of Experimental Child Psychology.

Os resultados sugerem que a percepção dos pais do quanto os filhos se sentem felizes têm um viés egocêntrico, ou seja, essa avaliação é baseada nos seus próprios sentimentos em relação à família. Para chegar a essa conclusão os pesquisadores aplicaram escalas que medem o bem-estar mental das crianças e também dos pais.

Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude que também promove o bem-estar.

Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental muito interessante que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.

Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.

Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.

A conclusão é fácil, não é? As escolas poderim incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

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