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Teen on straight road between grass in summer

O psicanalista Contardo Calligaris na sua preciosa obra A Adolescência começa com uma provocação bastante inspiradora: imagine que você sobreviva a uma queda de avião no meio da floresta amazônica e é acolhido por uma tribo de índios que nunca tiveram contato com os ditos homens da civilização. Você é avisado que precisará de doze anos para incorporar a cultura local. Passaram esses doze anos, você já fala perfeitamente a língua deles, conhece suas regras, você já se sente um deles e sabe que nessa sociedade é importante se sobressair, e isso inclui a habilidade da pesca. Você já está bem treinado, mas os anciões da tribo lhe comunicam que ainda serão necessários dez anos para que você passe a ser realmente um integrante da tribo e que isso é inteiramente para o seu bem. Mais dez anos de treino sem grandes responsabilidades. Mais dez anos no limbo: esta é a adolescência. 

   
Calligaris fala em limbo, com muita propriedade, pois o cérebro de um adolescente gira em torno da palavra reconhecimento. Desejamos que um adolescente tenha uma dieta saudável e oferecemos a ele um conjunto de informações dizendo do que é feita essa boa dieta e por que alimentar-se de junk food faz mal à saúde. Isso já foi comprovado que dá resultados com crianças, mas com adolescentes o discurso tem que melhorar. Aos 13 anos, eles não querem mensagens paternalistas dos adultos.

 
Um estudo publicado em 2019 pela revista Nature Human Behaviour mostrou que em vez de informações nutricionais, apresente a eles uma série de reportagens de como os executivos da indústria de junk food usam a publicidade para manipular os adolescentes e seus relatos de que não permitem que seus próprios filhos consumam os alimentos que eles produzem. Nos três meses após essa intervenção, os adolescentes passaram a ter uma dieta mais saudável, como se fosse uma forma de protesto contra a manipulação a que foram submetidos. A resposta foi mais expressiva entre adolescentes do sexo masculino e com maiores níveis de testosterona no sangue.  


Há uma linha de pesquisa já robusta evidenciando novos métodos para melhorar os problemas de comportamento na adolescência que enfatiza o respeito e reconhecimento, o senso de pertencimento a algo maior e a necessidade que o adolescente tem de reconhecer um propósito de vida. 


Apesar de ser uma época em que o corpo é saudável como em nenhuma outra fase da vida, a adolescência carrega consigo índices alarmantes de acidentes, suicídio, homicídio, depressão, uso de álcool e substâncias ilícitas, violência, transtornos alimentares e obesidade. Tudo isso tem relação direta com as mudanças hormonais e seus efeitos sobre o cérebro, mas o cérebro por si mesmo passa por transformações só comparáveis às ocorridas nos três primeiros anos de vida. Outro detalhe que faz toda a diferença: regiões do cérebro que são ligadas às emoções, ao novo, recompensas, ameaças e às expectativas dos pares, essas regiões tem um surto de crescimento que não é acompanhado na mesma velocidade pelas áreas associadas à razão, julgamento e funções executivas. E esse descompasso de crescimento explica em parte o comportamento de risco e a “fome” por recompensas sociais dos adolescentes. O olhar evolutivo é de que que essas são ações que os afastam da segurança da família para explorar um mundo social maior.  


Finalizando, teremos mais sucesso na comunicação com um adolescente se incorporarmos um tom de respeito à sua autenticidade e independência. E mais do que isso, se acharmos um canal pelo qual possamos reforçar uma das principais razões de ser desse cérebro em franco desenvolvimento: contribuir para o mundo social. 

Black and White Mouse

Calcula-se hoje que mais de 4 bilhões de pessoas passam horas em plataformas de mídias sociais como Instagram, Facebook, Twitter, entre outras. E onde está o segredo desse fenômeno? Sabe aquele experimento clássico de ratinhos em que eles ganham o alimento toda vez que acionam uma alavanca? Pois é.

Pesquisadores de diversos centros na Europa e Estados Unidos demonstraram que o padrão de uso das redes sociais se assemelha muito a esse experimento do ratinho. Quanto mais suporte é dado pelos outros, mais frequentes as publicações. Após repetidas vezes que o ratinho aciona a alavanca e é premiado com o alimento, mais frequentemente ele repetirá a ação. O estudo foi recém-publicado pela prestigiada revista Nature Communications

Os pesquisadores analisaram mais de um milhão de posts entre 4000 usuários de redes sociais e identificaram que os posts passam a ser mais frequentes à medida que recebem feedbacks positivos. Eles usaram então modelos computacionais para demonstrar que esse comportamento é similar ao de maximização de recompensa, como no caso do experimento do ratinho. E eles foram além. Conduziram um experimento online em que os voluntários tinham que publicar memes engraçados e o mesmo padrão de recompensa foi encontrado. Quanto mais likes, maior foi frequência das publicações.

O estudo colabora para o melhor entendimento das razões que fazem com que o uso das redes sociais seja tão presente no cotidiano das pessoas, e não poucas vezes, de forma compulsiva concorrendo diretamente até com experiências básicas como comer e dormir.
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Blue and White Logo Guessing Game

Mesmo diante das restrições sociais que passamos durante a pandemia, não é incomum encontrarmos perfis nas redes sociais que beiram à perfeição. Mas se olharmos mais de perto, boa parte não corresponde ao mundo real de quem vende essa impressão.

Um estudo recém publicado pelo periódico Nature Communications aponta que mostrar-se nas redes sociais de uma forma que se aproxima da realidade, traz mais satisfação com a vida do que quando se apresenta uma versão idealizada, não verdadeira.  

Mais de 10 mil voluntários que faziam parte do aplicativo Facebook responderam a um questionário a respeito de suas características de personalidade que foi analisado em conjunto com suas publicações. Compara-se assim a forma como as pessoas se enxergam com a maneira como elas se mostram na rede social. Se Maria, por exemplo, se julga uma introvertida, e suas postagens têm um conteúdo direcionado a literatura e computadores, seu escore de autenticidade é alto. Mas se a mesma Maria tem posts voltados a festas, viagens com amigos, seu escore é baixo. O protótipo de postagens mais admiradas nas redes sociais é a de uma personalidade extrovertida, social, mas os resultados da pesquisa mostraram que escores de autenticidade altos estiveram mais associados à satisfação com a vida, independente da personalidade ser introvertida ou extrovertida.  

Mas o que veio primeiro, o ovo ou a galinha? Autenticidade leva a uma maior satisfação com a vida ou pessoas mais satisfeitas têm uma tendência em serem mais autênticas? Os pesquisadores conduziram um experimento com uma parte dessa população em que os voluntários eram instruídos a publicarem posts por uma semana que eram condizentes com suas personalidades, enquanto outro grupo deveria publicar aquilo que acreditava ser popular e bem visto aos olhos dos outros. Após essa semana, aqueles que publicaram conteúdos autênticos estavam com melhores indicadores psíquicos do que aqueles que tentaram ser populares.   

Então, se você usa regularmente as redes sociais, seja você mesmo.

Woman Wearing Red Dress Holding Turned-on String Lights

Um estudo recém-publicado no periódico Nonprofit and Voluntary Sector Quarterly aponta que as pessoas consideradas mais atraentes são mais generosas e o inverso também é verdadeiro:  pessoas mais generosas são vistas como mais atraentes. A pesquisa compilou os dados de três estudos que avaliaram a influência entre esses dois fatores com voluntários seguidos por várias décadas. Os resultados são válidos tanto para adolescentes como para idosos. E o ser humano já nasce altruísta?  

Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um outro estudo publicado pela revista Nature mostrou que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte.

Esse estudo da Nature demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. O altruísmo “extra-paroquial” é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.

Já sabemos há tempos que o altruísmo tem inúmeros efeitos positivos em nossas vidas como aumento de autoconfiança, felicidade, saúde de uma forma geral e sobrevida. E agora sabemos que nos deixa mais atraentes.

Brown Wooden Arrow Signed

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A comunicação de um alerta, seja para seu filho, ou mesmo em uma campanha de promoção de saúde, deve evitar a ideia de que muitas pessoas têm o hábito de fazer aquilo que você não quer que seja feito. Quando passa a impressão de que um mau comportamento é popular, seu interlocutor tem menos chance de seguir seu conselho de ir na direção oposta. Ele vai pensar, mesmo que de forma inconsciente, que o comportamento indesejado por você é a norma social.

A revista Scientific American trouxe recentemente uma série de exemplos reais que devem servir de alerta a pais, educadores, jornalistas, a quem trabalha com políticas públicas e a qualquer um que espera que seu conselho seja seguido. Veja alguns exemplos:

-Campanha antidrogas promoveu o aumento do consumo de drogas entre estudantes ao passar a ideia de que as drogas estão em todos os cantos da cidade

-Campanha para prevenção de suicídio entre adolescentes que enfatizava a alta  incidência do problema aumentou o número daqueles que passaram a pensar em terminar com a própria vida

-Sonegação fiscal aumentou após a campanha de que as multas seriam aumentadas em seus valores já que muitas pessoas tinham sonegado no último período

-A mensagem de um Parque Nacional “Muitos visitantes anteriores levaram pedras para casa. Não faça as coisas piorarem levando mais pedras” levou a mais roubos do que a frase dizendo “Por favor, não leve para casa pedras do parque.

-Numa eleição, chamar a atenção para a porcentagem dos que não compareceram às urnas pode aumentar o número de abstenções

-Ao dar orientações sobre a necessidade de fugir do sedentarismo, tabagismo ou sexting, por exemplo, o tiro pode sair pela culatra se a mensagem for carregada da realidade epidêmica desses problemas

Alguns exemplos de mensagens bem-sucedidas:

-Fotos de doenças nos maços de cigarro e campanhas que trazem o número de mortes por tabagismo ao invés de chamar a atenção para a grande frequência do hábito

-Enviar correspondência a médicos dizendo que eles estão prescrevendo mais antibióticos por paciente do que a maioria dos seus colegas de profissão

-Correspondência aos motoristas de uma cidade dizendo que a maioria paga suas multas dentro de 13 dias

-O hotel deixa uma mensagem dizendo que a maioria dos hóspedes reutilizam as toalhas

-Você terá mais chance de ir votar se receber uma mensagem lembrando que a maioria dos seus vizinhos estão votando

O uso do conhecimento das ciências sociais para influenciar o comportamento dos outros não é simples, mas se feito de forma correta, pode ser altamente eficaz em inúmeras dimensões do nosso dia a dia. Isso vai desde o conselho para o seu filho até campanhas publicitárias de promoção de saúde, engajamento cívico e ecológico, etc.

People Wearing Backpacks

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Tenho atendido no consultório, quase que semanalmente, estudantes do ensino médio de uma escola aqui de Brasília que prega o desempenho acima de tudo. Os pais dizem que no terceiro ano é esperado que se o aluno não tiver notas adequadas para contribuir ao final do ano para os índices de sucesso da escola na aprovação no ensino superior, este aluno é convidado a deixar a escola no meio do ano letivo. A escola ainda difunde bordões como “aqui você não tem colegas, você tem concorrentes”.

Muitos desses adolescentes não aguentam a barra e têm um desequilíbrio de uma das coisas que temos de mais precioso: a saúde mental. E sem esse equilíbrio o desempenho acadêmico fica bem afetado. Para refletir um pouco sobre esse assunto, veja o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico Proceedings of te National Academy of Sciences que mostrou o sucesso de uma intervenção de apoio psicológico de uma escola sobre o desempenho de seus estudantes.

Na transição do quinto para o sexto ano, estudantes americanos foram submetidos a uma dinâmica para facilitar a adaptação na passagem do quinto para sexto ano. Já no início do ano letivo, eles participavam de exercícios na sala de aula que trabalhavam a ideia de que qualquer tipo de angústia que eles poderiam estar passando era algo que acontecia com quase todos eles. Deixava claro que eles teriam todo suporte da escola do ponto de vista psicológico e social, e que era um momento em que eles fariam novos amigos e se adaptariam em pouco tempo com as demandas acadêmicas.

O resultado dessas intervenções, que foram apenas dois encontros na sala de aula, rendeu, comparado a um grupo que não as recebeu, 34% de redução de problemas disciplinares, aumento de 12% na frequência escolar e redução de reprovação de 18%. Os alunos passaram a confiar mais nos professores, solicitando mais ajuda para suas inquietações, e a ter menos preocupação com as provas. Passaram também a sentir que faziam mais parte da escola.

Essa intervenção teve um ótimo custo-benefício e pode ser replicada em qualquer escola, especialmente nos momentos de transição que são os mais críticos do ponto de vista psicológico.

Woman Sitting in Front of Macbook

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Por Dr. Ricardo Teixeira

 

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As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Mas será que o aprendizado de quem usa o laptop na sala de aula é melhor? Mais nem sempre é melhor.

 

Pesquisadores das universidades de Princeton e Los Angeles nos EUA têm demonstrado que os alunos aprendem mais quando anotam no papel. Eles testaram em centenas de alunos dessas duas universidades, após uma aula, a memória factual, compreensão do conteúdo e habilidade em sintetizar a informação. Metade anotava a aula no papel e a outra no laptop. Os que anotaram no papel realmente tiveram melhor desempenho.

 

Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.

 

Mas e se os alunos fossem instruídos a usar o laptop sem tentar copiar o que o professor fala? Não adianta. Os pesquisadores pediram que os alunos digitassem no laptop um conteúdo com as próprias palavras, mas não melhorou. Continuaram a escrever as palavras do professor e o desempenho foi o mesmo.

 

Mas será que por conseguirem digitar mais conteúdo, os usuários do laptop terão vantagens na hora de estudar para a prova uma semana depois? Também não. Mais uma vez a turma do papel se saiu melhor.

 

No caso das crianças, a importância do lápis e papel nas mãos ainda é mais crítica. Até o sexto ano, as crianças escrevem mais rápido com o lápis do que com o teclado e conseguem exprimir mais ideias em um determinado tempo. Especialistas defendem a ideia de que as crianças pensam melhor quando escrevem com lápis e isso é corroborado por estudos que mostram maior atividade cerebral com essa forma de escrita. E o que é melhor? Letra de forma ou cursiva? O Ministério da Educação no Brasil tinha uma postura em 2017 que quanto mais formas de escrita a criança dominar, melhor para ela, sem obrigatoriedade do ensino da cursiva. O ENEM aceita os dois tipos. Nos EUA, quatorze estados, hoje, incluem escrita com letra cursiva como matéria obrigatória.

 

Se ainda formos comparar o papel com um laptop com a internet ligada, aí a goleada deve ser muito maior. Estudos mostram que os alunos usam 40-60% do tempo do laptop na sala de aula com “outras coisinhas” na internet. Um estudo recente da Universidade de Michigan State com estudantes de graduação em psicologia descortinou alguns números importantes sobre o assunto. Eles mostraram que os estudantes passavam dois terços do tempo na sala de aula ligados a atividades não acadêmicas na web, como redes sociais, email, compras, jogos, etc – 40 minutos a cada 100 minutos de aula. Como previsto, o desempenho acadêmico foi inversamente proporcional ao tempo de uso do laptop para fins não acadêmicos. Por outro lado, o uso da web como ferramenta de apoio ao aprendizado era usado por apenas 5 minutos dentro dos 100 minutos de aula. Além disso, os estudantes ainda passavam em média 27 minutos dos 100 digitando mensagens no celular. Desse jeito aprender passa a ser um milagre!

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*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

2 Boy Sitting on Brown Floor While Using Their Smartphone Near Woman Siiting on Bench Using Smartphone during Daytime

Por Dr. Ricardo Teixeira

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Em outubro de 2018, o governo da Inglaterra advertiu a população de que os risco das mídias sociais sobre a saúde mental dos adolescentes deve ser encarado de forma muito séria, dizendo que ele é tão robusto quanto o do açúcar para a saúde física dessa população.

De fato, as pesquisas mostram que os adolescentes têm uma tendência em passar uma grande parte do tempo em que estão acordados conectados. E também  têm dormido menos porque estão hiperconectados. Mas qual será o real efeito desse fenômeno sobre a saúde mental?

Um estudo publicado este mês pela Nature Human Behaviour aponta que não há motivo para um estado de pânico entre os pais ou governantes. Os pesquisadores usaram um método de análise estatística mais rigorosa e mais crítica de três estudos de larga escala voltados à saúde mental dos adolescentes e mostraram que o impacto existe, mas é muito pequeno. Chega a ser responsável por no máximo 0.4% da variação do bem-estar psíquico de um adolescente.

Os pesquisadores compararam os efeitos do mundo digital com outros fatores que os adolescentes são confrontados, como exposição ao álcool, tabagismo, bullying, privação de sono, dieta saudável e hábito de tomar café da manhã, uso de óculos ou hábito de ir ao cinema, etc. Quase todos esses fatores tiveram efeitos mais significativos no bem-estar dos adolescentes que o tempo que passavam na frente dos dispositivos digitais. Em comparação aos 0.4% de impacto descrito acima, bullying tinha um impacto de  2.7% e uso da maconha era de 4.3%. O tamanho do efeito negativo das mídias digitais foi comparável ao hábito de comer batatas regularmente e menor do que o de usar óculos.

A pesquisa sugere que coloquemos as barbas de molho quando estamos diante de notícias alarmantes sobre esse assunto. E mais. Uma visão de 360 graus para o fenômeno da adolescência faz muito mais sentido.

Person Holding Space Gray Iphone 5

 

Por Dr. Ricardo Teixeira*

 

Você certamente já desconfiou que as emoções são contagiantes. E isso é verdade. Pessoas alegres, ou mesmo textos, te deixam mais para cima, e o inverso também é verdadeiro. Isso também ocorre com vídeos. Pesquisadores holandeses da Universidade de Tilburg publicaram recentemente uma análise de mais de 2 mil vídeos do YouTube mostrando que o conteúdo emocional de cada vídeo é vivenciado pelas pessoas que os assistem.

 

Isso é muito relevante quando pensamos que as emoções dos outros estão entrando cada vez mais facilmente nas nossas vidas, especialmente pela exposição ao conteúdo que nos chega pelo companheiro smartphone. E ainda há uma tendência de busca por conteúdos próximos ao que você é, ou de como você está, fenômeno conhecido como homofilia.

 

O estudo analisou palavras e emoções transmitidas pelos vídeos e também o conteúdo emocional dos comentários. Os resultados mostraram uma forte relação entre o conteúdo emocional dos vídeos e dos comentários feitos pela audiência, de forma imediata e sustentada. O mesmo já havia sido demonstrado em mídias sociais como Twitter e Facebook. O recado é simples: moderação com o mundo online.

 

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

Sleeping Woman in Front of Turned-on Table Lamp Beside Books

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Por Dr. Ricardo Teixeira

 

São muitos os fatores que levam a garotada a dormir menos e o mais lembrado é o mundo digital. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico da Academia Americana de Medicina do Sono mostra que crianças e adolescentes que dormem pouco realmente são mais expostas às telas de smartphones, tablets, TVs, etc. Porém, o que chama mais atenção no estudo é que elas também têm maior tendência à obesidade e têm uma dieta pouco saudável: comem mais doces e fast-foods e mais frequentemente ficam sem o café da manhã.

 

De um total de quase 200 mil crianças americanas estudadas, cerca de 40% dormiam menos que o recomendado que são 9-12 horas entre as crianças de 6-12 anos de idade e 10 horas entre os adolescentes de 13 a 18 anos. Além disso, adolescentes com privação de sono também tinham menos capacidade aeróbica.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que crianças e adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica, há também, entre os adolescentes, o consumo excessivo de cafeína e isso acaba virando um círculo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem contribuir para que eles durmam menos, como a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. Essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, e os efeitos vão muito além disso. Crianças e adolescentes que dormem pouco também têm maior risco de depressão, alergias e exacerbação de crises de asma

 

 

 

 

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Bebês de nove meses assimilam melhor conteúdos para aprimorar a linguagem passados por vídeo quando estão acompanhados por outro bebê. Essa foi a conclusão de um estudo publicado recentemente no respeitado periódico PNAS por pesquisadores das Universidades de Connecticut e Washington nos Estados Unidos.

Aprender de forma colaborativa faz com que os bebês fiquem mais alertas e essa é uma das explicações para os resultados. O curioso é que esse efeito positivo da parceria foi mais robusto quando os bebês não se conheciam previamente. É a novidade promovendo o aprendizado por aumentar a motivação. O vídeo no presente estudo era passado em uma tela sensível ao toque que permitia interação dos bebês. Além disso, a resposta neural dos bebês que foram estudados em pares, medida pelo comportamento e por potenciais elétricos do cérebro, indicou um padrão de maior maturidade no processamento dos sons.

Vários estudos demonstram a superioridade do aprendizado de linguagem por meio pessoas de carne e osso quando comparados às mídias. Entretanto, a atual pesquisa sugere que a falta de interatividade com um parceiro no momento do aprendizado pode fazer mais diferença do que os pixels das mídias. Essa interatividade pode ser chamada de estimulação social ou excitação social, tradução livre de social arousal.

 

 

Colorful Toothed Wheels

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As pessoas que têm transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) carregam consigo o estigma de ineficiência que muitas vezes limita a expressão de suas potencialidades. Podemos pensar que eles podem ter mais dificuldades em alguns tipos de tarefa, mas podem até ser mais eficazes em outros tipos de trabalho. E essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA.

Adolescentes com e sem diagnóstico de déficit de atenção passaram por testes que avaliavam a criatividade e aqueles que tinham déficit de atenção se saíram melhor. Eles se mostraram mais propensos a resistir à conformidade, a ignorar a informação já conhecida, o que permitia que a criatividade pudesse voar. Em um dos testes os voluntários tinham que desenhar uma fruta alienígena. O grupo com déficit de atenção desenhou frutas que guardavam menos semelhanças com as frutas do nosso planeta. Em outro teste eles tinham que criar rótulos sem copiar os exemplos apresentados.  Novamente os portadores de déficit de atenção foram mais criativos.

É claro que esses resultados nos mostram o enorme potencial que indivíduos com déficit de atenção têm em carreiras em que a demanda criativa é alta como o marketing, publicidade, artes, engenharia de computação entre outras. Pensando bem, em qualquer carreira!

O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e permanecem até a vida adulta em 30% dos casos. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.

No Brasil, uma pesquisa revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica.

Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que superdiagnosticados.

Six Boys Standing Near Trees and Houses Photo Taken

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma epidemia neurológica escondida. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology mostra que mesmo as crianças que não desenvolvem retardo mental chegam em idades avançadas com menor desempenho cognitivo quando crescem em situação de pobreza. Assim como qualquer outro sistema do nosso corpo, o cérebro envelhece e os resultados da presente pesquisa evidenciam um envelhecimento mais rápido entre os pobres.

O estudo incluiu cerca de vinte mil adultos de 16 diferentes países europeus. Para avaliar o perfil socioeconômico na infância, eles usaram um método que incluía questões como o número de quartos e pessoas que viviam na casa e o número aproximado de livros. A análise apontou que 4% dos participantes viveram adversidade socioeconômica na infância. Estes tinham menor grau de educação formal, eram menos empregados, apresentavam mais sintomas de depressão e menos hábitos saudáveis. Mesmo após correção para esses fatores negativos, esses 4% tiveram uma perda mais acelerada da capacidade cognitiva com o envelhecimento. Outras pesquisas já haviam demonstrado que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta do cérebro.

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo e de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerado a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem. Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam, têm maior chance de evasão.

Pense nisso na hora de votar. Um país com cérebros que não atingem o pleno potencial não vai para frente.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

Four People Holding Mobile Phones

 

Alguns dizem que a vida digital está nos deixando mais espertos, especialmente aqueles que desenvolvem jogos e exercícios digitais para incrementar as funções cognitivas. Outros dizem o contrário. E então? Acho que podemos dizer que ambos os lados têm um pouquinho de razão.

Videogames, por exemplo, trazem benefícios cognitivos, como melhor atenção e menor tempo de reação, mas de uma forma muito discreta. Não se sabe muito bem o quanto esses ganhos são realmente transferidos para a vida real. Por outro lado, o uso de videogames tem sido associado a comportamento agressivo, efeito que também é discreto e não necessariamente de causa e efeito. Os videogames violentos deixam as pessoas com um comportamento mais violento ou pessoas que já têm uma natureza violenta são mais atraídos por jogos com conteúdo violento?

A internet deixa-nos distraído durante um trabalho e afeta negativamente o desempenho cognitivo, mas não muda radicalmente o funcionamento do cérebro. O cérebro não é tão craque assim para multitarefas. Os resultados são melhores quando fazemos uma tarefa de cada vez, mesmo estre aqueles que nasceram com um dispositivo nas mãos.

Os riscos da exposição aos dispositivos digitais podem ser minimizados educando as pessoas a manterem o autocontrole e usá-los nos momentos certos. É a criação de estratégias de defesa, para ficarmos menos vulneráveis às tentações, como abrir a caixa de email, facebook, twitter a cada cinco minutos durante uma tarefa.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

*Por Dr. Ricardo Teixeira

 

1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

5- As crianças que cresceram com a internet  nas mãos e suas gratificações instantâneas são mais impulsivas.

Fato: Estudos que comparam o tempo que as crianças são capazes de aguardar por uma recompensa mostram que no século 21 elas são capazes de aguardar mais do que nas décadas de 1980 e 1960.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

background, blur, chat

 

Será que a obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que o receio de conseqüências negativas é algo parecido com o medo dos antigos na época do surgimento da imprensa, do rádio ou da TV?

Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas eram dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e, além disso, vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” – pais inanimados na frente das telas.

Neste mês de julho tivemos uma publicação no JAMA, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo, mostrando que o excesso de exposição às plataformas digitais faz o cérebro do adolescente manifestar mais sintomas de déficit de atenção e hiperatividade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e Califórnia do Sul acompanharam 2600 adolescentes assintomáticos de 15 e 16 anos de idade e apontaram que aqueles que usavam de forma muito freqüente uma lista de 14 plataformas digitais populares como WhatsApp, Facebook e Youtube, estes tinham o dobro de chances de passarem a apresentar sintomas de déficit de atenção após um seguimento de dois anos. O ineditismo dos resultados foi por conta da avaliação do impacto das plataformas mais modernas, um estudo que não foi só baseado em TV e videogames.

 

 

 

Cell phone in hands

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Quando pensamos em excesso de tecnologia no dia a dia, podemos instintivamente achar que isso tem gerado um estado de ansiedade. Mas realmente é verdade. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Emotion avaliou mais de um milhão de adolescentes americanos e apontou que era menor o bem estar psíquico entre aqueles que passavam mais tempo na frente das telas digitais. Compartilho abaixo quatro mecanismos que podem explicar esse fenômeno.

 

1-A tecnologia pode nos reduzir nossas pequenas incertezas, mas aumentar nossas grandes incertezas. E incerteza é um prato cheio para a ansiedade. Podemos nos sentir mais seguros com o Google Maps, com notícias fresquinhas do outro lado do mundo, etc. Mas essa mesma tecnologia tem trazido mais insegurança quando se pensa no futuro mercado de trabalho e até mesmo o encontro do parceiro ou parceira nos inúmeros sites de relacionamento.

2-O mundo digital tem-nos deixado menos sociáveis. A interação carne e osso entre as pessoas é uma poderosa ferramenta para nosso equilíbrio psíquico.

 

3-As redes sociais são uma arena de constantes julgamentos. É muita gente olhando e julgando. Poucos likes e compartilhamentos podem levar a um estado de insegurança, especialmente entre os jovens.

 

4-As redes sociais também são um grande palco para comparações. Somos bombardeados o tempo todo com viagens incríveis, famílias perfeitas, etc. Isso pode ser pura fonte de ansiedade para muitas pessoas.

 

adult, busy, chat

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Sabemos que o estado de abstinência acontece com drogas, mas também pode ocorrer com a internet. Pesquisadores das universidades de Swansea no Reino Unido e Milão na Itália mostraram que, para aqueles que exageram na internet, ficar um período sem navegar é capaz de mexer com parâmetros fisiológicos como a pressão arterial e frequência cardíaca.

O estudo envolveu cerca de 150 voluntários com idades entre 18 e 33 anos antes e depois de uma sessão de internet. Após o término da sessão, aqueles que tinham o hábito de usar a internet muitas horas por dia tinham um quadro de ansiedade acompanhado de aumento de 3 a 4% da pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os usuários leves e moderados, nenhum deles teve alterações fisiológicas.

Os participantes usavam a internet numa média de 5 horas por dia, 20% usavam mais de seis horas e 40% consideravam que estavam exagerando. Os principais motivos para o uso foram as redes sociais e compras. Homens e mulheres não se comportaram de forma diferente.

Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado que essa abstinência era capaz de piorar os quadros de depressão e sentimento de solidão e ainda diminuir a resistência a quadros infecciosos. Eles também discutem no artigo que deve haver uma atitude responsável no que diz respeito à publicidade dos telefones celulares e outros aparelhos que permitem a navegação na internet.

 

 

 

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Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas são dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e além disso vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” –  pais inanimados na frente das telas.

Que tal começar retirando as telinhas da mesa de refeições?

 

Gray Scale Image of Xbox Game Controller

A Academia Americana de Pediatria preconizava que crianças acima de seis anos deveriam ficar no máximo duas horas por dia em frente aos eletrônicos, e isso inclui o celular, tablet, a TV, videogames e computador sem fins de atividade acadêmica. Sabe-se que as crianças que passam dos limites nas telinhas têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, transtornos do sono, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.
 
No final do ano passado a mesma academia publicou um novo documento mostrando-se um pouco mais flexível e não deram mais um limite fixo de horas, mas incentivaram os pais a limitarem o uso dos eletrônicos visando não concorrer com o tempo destinado aos deveres de casa, sono, atividade física e sociabilidade. Para as crianças entre 2 e 5 anos recomendaram um limite de 1 hora por dia de eletrônicos e para as menores de dois anos, pequenos contatos de atividades inteligentes` sempre acompanhados dos pais.         
 
Um estudo recente joga mais luz sobre o assunto e dessa vez aborda os limites do uso de videogames. Os resultados foram publicados no periódico Annals of Neurology e demonstraram que até uma certa quantidade de horas semanais a brincadeira faz até bem para o cérebro das crianças. Como se esperava, quantidades maiores atrapalham.
 
Quase 2500 crianças com idades entre entre 7 e 11 anos de idade foram estudadas e os pesquisadores concluíram que até uma hora semanal de videogame teve influência positiva nas habilidades motoras e cognitivas das crianças. A partir de duas horas semanais o efeito não foi bom. Não houve qualquer incremento adicional nos testes motores e cognitivos (mais não é melhor), mas as crianças passavam a ter mais problemas de comportamento e menores habilidades sociais. Essa influência negativa foi mais robusta nas crianças que jogavam nove ou mais horas por semana.   
 
Uma parte das crianças também foi submetida a exames de ressonância magnética que mostrou uma maior conectividade funcional em circuitos críticos para o aprendizado entre o usuários de videogame.

 

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