You are currently browsing the category archive for the ‘Medicações & Agentes Tóxicos’ category.

backlit, beach, beautiful

 

.

 

A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.

Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Um estudo publicado este mês apontou que adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas.

 

Os efeitos agudos da maconha no cérebro

O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.

Efeitos do uso crônico da maconha

No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.

No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associadas ao uso da droga. O consumo no inicio da adolescência está associado a menores QIs na idade adulta. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.

Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.

Para concluir

Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis.

 

 

Anúncios

Pile of White Pink and Brown Oblong and Round Medication Tablet

.

Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo.

Na última semana, um estudo publicado por pesquisadores de Chicago nos EUA evidencou pela primeira vez, através de um protocolo inédito que combinava ressonância magnética funcional e ensaio clínico, uma área do lobo frontal que define com boa confiabilidade quais pacientes são sensíveis ao efeito placebo. Os pacientes estudados sofriam de dor crônica por osteoartrite. Os achados podem ajudar no desenvolvimento de terapias mais personalizadas para o controle da dor crônica, além de auxiliar no desenho e interpretação de testes clínicos de medicações.

No dia a dia da prática clínica, os médicos, às vezes, lançam mão de vitaminas e analgésicos que não têm ação específica para a condição clinica específica do paciente e discute-se muito se essa prática é ética.  As diretrizes de ética médica nos EUA proíbem seu uso sem que o paciente tome conhecimento, com o argumento que a prática pode enfraquecer a relação médico-paciente. No Brasil, o código de ética médica não ampara o uso do placebo sem o conhecimento do paciente.

Uma pesquisa recente publicada pelo British Medical Journal revelou que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.

 

 

 

China tem 800 milhões de celulares

Nesta última semana tivemos a publicação de um estudo que mostra uma relação causa-efeito inequívoca entre a radiação emitida pelos aparelhos de telefonia celular e alguns tipos de câncer.

O estudo foi realizado com milhares de ratinhos que foram submetidos à radiação comparada à que recebemos do telefone celular por nove horas ao dia, começando no útero materno até o fim da vida. O aparecimento de tumores no cérebro e no coração foi mais comum entre os ratinhos expostos à radiação e de uma forma dose-dependente. Aliás, nenhum dos ratinhos do grupo controle apresentou tais tumores.

A extrapolação desses resultados para o mundo real dos humanos não é imediata, mas o estudo dá uma forte balançada nesse capítulo câncer X celular.

No ano de 2010, foi publicado o estudo multicêntrico INTERPHONE que envolveu mais de cinco mil pacientes com tumores cerebrais de treze diferentes países. Essa pesquisa demonstrou que não havia associação entre o uso do celular e a chance de apresentar tumores cerebrais. Entretanto, os resultados apontaram uma leve tendência de tumores do tipo glioma nos 10% dos indivíduos que mais usavam o celular. Esse foi o tipo de tumor cerebral encontrado no estudo dos ratinhos.

Em 2008, foi publicada uma metanálise, que é um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, evidenciando que o uso do celular no longo prazo aumenta o risco de tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008). No mesmo ano de 2008, uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Além disso, o jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em conjunto com outras sociedades de neurocirurgia de nível internacional, conclamou em 2008 a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.

Tanto se reconhece os potenciais riscos à saúde do telefone celular que vários países europeus recomendam restrições ao seu uso.  O último documento da Organização Mundial da Saúde sobre o tema foi emitido em 2011 e enfatiza que os estudos ainda estão sendo conduzidos para avaliar os reais riscos no longo prazo, mas vincularam o uso de celulares com um “possível” risco de câncer cerebral em seres humanos.

Se o telefone celular causa tumor cerebral ou não entre os humanos, isso ainda é uma pergunta em aberto. Porém, algumas dicas podem ser consideradas:

– não exagere na dose;

– deixar o celular longe do corpo sempre que possível;

– o uso de fone de ouvido com microfone que permite uma certa distância do aparelho do corpo não é uma má ideia.

** isto o mundo inteiro já sabe e não há qualquer polêmica: dirigir usando o celular é tão arriscado quanto dirigir embriagado. Pesquisas mostram que até 30% dos acidentes de carro são decorrentes do uso do celular.

O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.

Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Europeia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A ideia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.

A revista The Lancet publicou recentemente importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.

Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.

O Colégio Americano de cardiologia publicou esta semana uma análise do impacto da intervenção familiar na prevenção das doenças cardiovasculares e os resultados corroboram o Euroaction. A conclusão é que a abordagem da família como um todo faz a diferença e chama a atenção para a melhoria da comunicação entre os diferentes membros da família e a oportunidade de apreciação pelos profissionais de saúde das condições em que uma família vive.

Não é só a família que faz diferença

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo.

Ainda no ano de 2007 (NEJM 357;4), eles demonstraram que a rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo se tornou obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.

No ano de 2008 (NEJM 358;21), os pesquisadores demonstraram esse mesmo efeito de contágio social na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal para de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo para e 34% mais chance quando um colega de trabalho para. Ainda em 2008, os pesquisadores também demonstraram o efeito de contágio social na capacidade de uma pessoa se considerar feliz (BMJ) . Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho.

Em 2010, o contágio social também foi demonstrado no consumo de bebidas alcoólicas ( Ann Int Med). A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem. Os pesquisadores publicaram ainda em 2010 uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito foi mais marcante com amigas do sexo feminino (Mol Psychiatry).

Uma das pesquisas mais interessantes foi publicada em março de 2010 (PLoS One). Foi demonstrado entre adolescentes que o efeito do contágio social no perfil de uso de drogas chega a envolver quatro níveis da rede social. O estudo também mostrou o efeito de contágio social no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. O estudo também apontou que quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%. Esta foi a primeira vez que se evidenciou que o contágio social de um comportamento influencia o contágio de outro tipo de comportamento.

Em setembro de 2010 (PLoS One), os mesmos pesquisadores publicaram outro estudo que revelou que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

 

 

Canabidiol é um derivado da maconha que não apresenta efeitos psíquicos. Já contávamos com evidências fracas de sua utilidade no tratamento da epilepsia, mas, neste último mês, tivemos um estudo bem robusto publicado pelo periódico Lancet Neurology mostrando que sua eficácia existe, porém limitada.

O estudo mostrou boa tolerabilidade e capacidade de reduzir a freqüência de crises epilépticas em 214 pacientes com epilepsia de difícil controle com idades entre um e 30 anos.  As crises se tornaram em média 30% menos frequentes após o início do uso da droga. Apenas dois pacientes tornaram-se livres de crises no período, mas 20 pacientes apresentaram efeitos colaterais severos como piora das crises epilépticas. O estudo foi conduzido por um ano em onze centros americanos de tratamento de epilepsia.

Um estudo duplo-cego já está em andamento, metodologia considerada “gold standard” para demonstração da eficácia de um medicamento. Nesse caso, nem o paciente, nem o médico, sabem se está sendo administrada a medicação ou placebo. Precisamos aguardar esses novos resultados para começar a encorajar os pacientes a usar o canabidiol em quadros de epilepsia de difícil controle.

Desde 2015, a ANVISA deixou de considerar o canabidiol uma substância proibida no Brasil e hoje a classifica como medicamento especial como os outros antiepilépticos. O canabidiol não é produzido no Brasil e o link para as normas de importação pode ser encontrado aqui.

.

Para aqueles que ainda estão casados com o cigarro e para aqueles que estão só namorando, não custa lembrar que o cigarro também faz uma senhora bagunça no cérebro. Esta última semana a Universidade McGill no Canadá e de Edinburgh na Escócia encorparam ainda mais as evidências de que o hábito de fumar deixa o cérebro mais murcho.

Os pesquisadores mostraram que quanto mais tempo uma pessoa é exposta à fumaça do cigarro, mais fina será a espessura do seu córtex cerebral. O córtex é a camada mais superficial do cérebro e é uma área crítica onde se concentram boa parte de nossas funções cognitivas como memória, linguagem e funções executivas. Eles também demonstraram que ao parar de fumar a pessoa recupera parte do volume cerebral perdido.

Cerca de 500 voluntários foram avaliados na idade adulta com uma média de idade de 73 anos. Os não fumantes tinham maior volume cerebral medido pela ressonância magnética quando comparados aos fumantes. O volume cerebral daqueles que tinham parado de fumar tinham índices intermediários entre os fumantes e aqueles que nunca fumaram.

E olha que essa menor espessura do córtex cerebral pode estar associada a um menor desempenho cognitivo. Outro estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

Alcohol a head

Uma pesquisa publicada esta última semana pelo prestigiado British Medical Journal aponta que os efeitos benéficos do álcool estão limitados àqueles que já passaram dos 50 anos de idade.

Não existe dúvida que o consumo exagerado de álcool faz mal à saúde e está associado a mais de 200 doenças. Existe, entretanto, um robusto corpo de evidências de que seu uso moderado é melhor do que abstenção. Quem consome baixas doses de forma regular vive mais por apresentarem menos doenças que aqueles que nunca bebem. Será que é isso mesmo?

Pesquisadores ingleses e australianos investigaram o consumo de álcool entre mais de 30 mil ingleses e apontaram que a mortalidade é menor entre homens de 50-64 anos que bebem 15 a 20 unidades por semana e no caso das mulheres, menos de 10 unidades por semana.

Esse estudo é mais um motivo para os médicos pararem de ficar recomendando aos pacientes que consumam uma ou duas doses diárias como uma ação de promoção à saúde. Álcool não deve ser visto como suplemento alimentar para prevenir doenças.  Os médicos deveriam recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Isso está mudando. Além da presente pesquisa, outros estudos têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose diária não é segura.

 Ahh… Já estou quase chegando aos 50!

medicalmarijuanabrain

 

 .

Uma pesquisa publicada esta semana pelo Journal of Neuroscience aponta que fumar maconha, mesmo que seja uma vez por semana, mexe com a estrutura do cérebro.

 

Pesquisadores das Universidades de Northwestern e Harvard nos EUA estudaram através da ressonância magnética o cérebro de uma série de voluntários com idades entre 18 e 25 anos que tinham que registrar a freqüência do uso de maconha por um período de três meses. Aqueles que fumavam mais tinham uma estrutura cerebral, chamada de núcleo acumbente, com maior volume e com alteração em seu formato. O núcleo acumbente é uma região que faz parte do sistema de recompensa cerebral.

 

O resultado mais importante dessa pesquisa foi o fato dessa mudança estrutural ter sido demonstrada mesmo entre aqueles que fumavam um baseado por semana. Na verdade, a grande parte das pesquisas tem mostrado mudanças no cérebro em pessoas que consomem a maconha de forma mais freqüente. Além do núcleo acumbente, os pesquisadores também encontraram mudanças morfológicas na estrutura mais central no controle das emoções, a amígdala.

 

O uso da maconha tem sido fortemente relacionada a desmotivação, alterações nos domínios da atenção e memória. Será que isso também não acontece com pequenas doses?

 

CBN-RICARDO[1]

 

 

 

.

Menos enfisema pulmonar, menos câncer, menos doenças cardiovasculares. Parar de fumar traz todos esses benefícios, mas a saúde mental também melhora. O British Medical Journal publicou hoje uma metaanálise sobre o tema e conclui que ficar longe do cigarro tem o efeito comparável ao de um tratamento com medicações antidepressivas para transtornos de humor e ansiedade.

 

Muitos fumantes têm receio de parar de fumar, pois podem perder os supostos benefícios que o cigarro oferece ao equilíbrio psíquico. Médicos também têm receio de propor a interrupção do tabagismo e pacientes com transtornos mentais.

      
Pesquisadores das universidades de Birmingham, Oxford e King’s College London analisaram os resultados de 26 pesquisas que compararam a saúde mental antes e depois de parar de fumar.  Participantes tinham uma média de idade de 44 anos e  fumavam em torno de 20 cigarros por dia.

 

Os pesquisadores demonstraram que parar de fumar reduziu sintomas depressivos, ansiedade, estresse, e melhorou índices de satisfação com a vida e sentimentos positivos.  Esses efeitos foram observados tanto na população geral como em pacientes com doenças psiquiátricas. Os resultados podem ajudar a quebrar a crença dos médicos e familiares que não se deve mexer no cigarro de quem sofre de algum transtorno mental, Podem servir também como mais um incentivo para quem está pensando em parar de fumar.

 

 

 CBN-RICARDO[1]

 

aaaaaaaaaaall

.

O consumo na meia idade de mais de duas doses diárias de álcool pode levar a perdas cognitivas. Mais tarde na vida o desempenho cerebral pode chegar a ser o de pessoas seis anos mais velhas. Aqueles que bebem de forma leve ou moderada têm a memória e funções executivas tão preservadas como os que não bebem. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

A preciosidade dessa pesquisa é a inclusão de indivíduos de meia idade, já que a maioria dos estudos sobre álcool e memória envolveu grupos de idosos.  Envolveu 5 mil homens e 2 mil mulheres que foram acompanhados por 10 anos. Testes cognitivos e questionários sobre o consumo de álcool foram realizados repetidas vezes.  O efeito negativo foi mais pronunciado entre os homens

.

O cérebro tem dois tipos de receptores aos quais se ligam a substâncias semelhantes à maconha que recebem o nome de canabinóides. Saiba que uma dessas sustâncias é produzida pelo nosso corpo e se chama anandamida, que em sânscrito significa felicidade. É bem reconhecido que anandamida seja um dos grandes responsáveis pelo barato do maratonista.

Após a descoberta do sistema endocanabinóide no cérebro há 20 anos, uma série de substâncias sintéticas têm sido desenvolvidas na expectativa de se encontrar aplicações terapêuticas. Não demorou muito para que as maconhas sintéticas passassem a ter cosumo recreativo e têm recebido o nome de k2 ou spice, tempero em inglês. O termo tempero simboliza a mistura de uma ou mais maconhas sintéticas com outras ervas e extratos aromáticos. Essa mistura pode ser mais complexa, incluindo, por exemplo, drogas estimulantes do sistema nervoso simpático.

O spice tem rótulos que vendem a ideia de mistura de ervas, incenso, e nos EUA só perde para a maconha como droga ilícita mais consumida entre adolescentes. A impossibilidade de ser detectado pelos exames toxicológicos aumenta sua popularidade. Além disso, o spice é encontrado em lojas de conveniência, postos de gasolina, na internet, sempre com um lembrete que “não é para consumo humano”. Afinal é “só um purificados de ar, um incenso”. O governo define o canabinoide A, B e C como ilícitos, mas os fabricantes logo produzem o F, G, H.

Os canabimoides sintéticos têm uma potência de efeitos que chega a ser 10 vezes maior que o THC da planta de maconha. Efeitos adversos incluem agitação, alucinações, psicose, tentativa de suicídio, convulsões, infarto do miocárdio, arritmia cardíaca e sintomas de abstinência como tremores e dor de cabeça.

Recentemente o periódico da Academia Americana de Neurologia descreveu o caso de dois irmãos que apresentaram derrame cerebral, um deles minutos e o outro horas depois de consumir spice. Não parece coincidência.

 

Já é bem sabido que o hábito de fumar aumenta o risco de demência, mas os mecanismos para esse efeito nocivo do cigarro ainda não são bem conhecidos. Um maior contingente de lesões vasculares sempre foi o principal candidato para explicar essa associação, mas recentemente tivemos evidências de que a questão envolve não só os vasos sanguíneos.

 

Pesquisadores holandeses demonstraram que o tabagismo está associado a alterações da substância branca do cérebro através de análise por técnicas de ressonância magnética sensíveis a alterações microestruturais . Mais importante ainda foi o achado de que essas alterações já não estavam mais presentes entre indivíduos que já não fumavam há 20 anos ou mais. Alem disso, aqueles que ainda mantinham o vício apresentavam pior desempenho cognitivo do que os ex-fumantes.

 

Outro recente estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

 

Maço de cigarros sem logotipo pode ajudar a parar de fumar

Já é bem demonstrado o impacto positivo que têm as imagens associando o tabagismo a problemas da saúde, sejam nos maços de cigarro ou em peças publicitárias como cartazes. Cerca de um quarto dos ex-fumantes declara que essas imagens ajudaram na decisão de largar o vício e a não voltar a fumar. Além disso, as imagens ajudam a reduzir a incidência de novos fumantes.

 

 

A Austrália foi além. Foi o primeiro país a regulamentar que as diversas marcas de cigarro deveriam ser identificadas no maço por uma fonte padrão em um fundo escuro com 75% da frente do maço reservado a imagens de alerta. Esta semana o British Meidcal Journal publicou os primeiros resultados dessa experiência mostrando que a iniciativa fez com que os tabagistas passassem a achar que os cigarros não davam o mesmo prazer de antes e também passaram a pensar mais na decisão de parar de fumar.

 

Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e ainda representa a principal causa de morte evitável em muitos países. O que as pesquisas têm demonstrado é que os não fumantes e ex-fumantes, além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com maior qualidade de vida e com um cérebro mais afiado.

 

Calcula-se que, dos milhões de pessoas que morrem todo ano por causa do cigarro, 10% nunca colocaram um cigarro na boca – só respiraram a fumaça dos outros.

 

 

 

 

 

Álcool zero para as grávidas é a recomendação difundida na atualidade pelas autoridades sanitárias nos mais diferentes países. Entretanto, a segurança de um baixo consumo de álcool durante a gravidez ainda é uma questão controversa, já que as pesquisas apontam resultados variados e acredita-se que isso seja em parte devido à dificuldade em se estudar o tema controlando fatores sociais e de estilo de vida.

 

Uma alternativa para se evitar essas dificuldades metodológicas é um tipo de pesquisa recém-desenvolvida chamada de randomização mendeliana. E foi isso que pesquisadores das Universidades de Oxford e Bristol utilizaram para mostrar que álcool na gravidez, mesmo em baixas doses, tem influência negativa sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças.  Os resultados acabaram de ser publicados pelo periódico PLoS ONE.

 

O perfil genético do metabolismo de álcool foi estudado em mais de quatro mil crianças. A presença de quatro variantes de genes ligados a uma menor capacidade de metabolizar o álcool mostrou-se associada a menores escores de QI aos oito anos de idade, mas isso só existia entre as crianças cujas mães beberam de forma leve a moderada durante a gravidez (<1 a 6 doses/semana). Metabolismo mais lento teoricamente leva a um maior risco de toxicidade. Além disso, nas mães, uma variante de gene desse metabolismo também teve relação com a evolução cognitiva das crianças, mas também só entre aquelas que beberam na gravidez.  Mães com consumo de álcool exagerado não foram incluídas no estudo.

 

O estudo é complexo, mas o recado é simples: álcool durante a gravidez, mesmo em baixas doses, pode ser ruim para o desenvolvimento cerebral da criança.

 

smallicone

 

 

 

Qual é o estado presente e o futuro das novas tecnologias voltadas para o melhora do desempenho humano no trabalho? Essa foi a temática de um relatório que acaba de ser publicado pela Royal Society e Academia de Ciências Médicas e de Engenharia da Inglaterra e que é fruto de um workshop que envolveu especialistas das mais diversas áreas envolvidas.

 

Medicações que podem turbinar o cérebro, braços biônicos, implantes na retina, e tantos outros dispositivos que ainda parecem ficção científica deverão fazer parte da nossa vida num futuro não muito distante. Podemos dizer que as medicações já devem ser indicadas para quem quer melhorar o desempenho, apesar de não sofrer de nenhum transtorno neurológico?

 

Já conhecemos uma série de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem turbinar nosso cérebro:  atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, alguns estudos com as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm demonstrado que elas podem melhorar o desempenho intelectual até mesmo de indivíduos sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. As medicações mais usadas para esse fim são as anfetaminas e o metilfenidato, indicadas no tratamento de indivíduos com o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica.

 

O presente relatório é mais uma iniciativa para que se aprofunde a discussão, a regulação e as pesquisas pelo uso responsável dessas drogas por pessoas saudáveis. Em entrevista concedida à Scientific American e publicada recentemente na revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, o neurocientista mais renomado do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

 

smallicone

   

 

Temos a tendência em beber cerveja mais rapidamente quando o copo tem as paredes curvas. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Bristol na Inglaterra e publicada recentemente pelo periódico PLoS ONE.

 

Os pesquisadores realizaram um experimento com 160 voluntários com idades entre 18 e 40 anos que tinham o hábito de beber socialmente. Quando bebiam cerveja no copo de paredes curvas, a velocidade de consumo foi quase duas vezes maior do que no copo reto. No caso de uma bebida não alcoólica, o formato do copo não fez diferença.

 

Outro experimento com os mesmos voluntários demonstrou maior dificuldade em localizar a “metade” no copo curvo, onde ficava o nível em que metade do líquido já foi consumida. Isso pode influenciar o consumo, fazendo com que a pessoa ache que nem chegou ainda na metade do copo, mas na verdade já bebeu um pouco mais que isso. E o experimento sugere mesmo esse comportamento, já que aqueles que erravam mais ao apontar o nível foram os que beberam mais rapidamente a cerveja.  

 

Mas por que esse fator não influencia também a velocidade de consumo de bebidas não alcoólicas? Uma hipótese é um possível comportamento mais vigilante quando consumimos bebidas alcoólicas. De forma inconsciente, prestamos mais atenção no quanto já bebemos no caso de bebidas alcoólicas, e se o copo nos indica que nem chegamos à metade… bebemos um pouco mais rápido. Outra possível explicação é o fato do copo curvo estar associado ao consumo de cerveja, e isso pode ser um fator estimulante para o consumo.    

 

A velocidade de consumo pode fazer diferença na quantidade de doses consumidas e no risco de intoxicação aguda, mas também no que diz respeito a todos os efeitos adversos do excesso de álcool no longo prazo.O uso de copos com as paredes retas pode ser mais uma das táticas para a contenção do abuso de álcool. Nesses copos retos, a metade da altura corresponde à metade do volume.  

 

 

smallicone

File:Ginkgo Tree Ginkgo biloba Leaf Right 3008px.jpg

 

O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.

 

Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro. Um grande estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico Lancet, Neurology, mais uma vez com resultados negativos.

 

Pesquisadores de diversos centros de pesquisa franceses acompanharam quase três mil idosos sem demência, mas com queixas de memória. Após um seguimento de cinco anos em média, a metade dos voluntários que usou Gingko biloba teve o mesmo risco de receber o diagnóstico de Doença de Alzheimer que a outra metade que usou placebo. Esse foi o primeiro grande estudo conduzido fora dos EUA.  

 

São mais de duas décadas de estudos clínicos envolvendo milhares de pessoas com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e até mesmo de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba  não é canja de galinha.

 

 

smallicone

 

 

Esta semana, tivemos mais uma evidência do quanto que o uso crônico da maconha pode deixar o cérebro mais bobo e também da maior vulnerabilidade do cérebro adolescente à toxicidade da droga.

 

Mais de mil voluntários neozelandeses foram acompanhados desde o nascimento até os 38 anos de idade e durante esse período foram submetidos a testes psicológicos e a questionários que avaliavam o consumo de maconha. Os resultados apontaram que quanto maior o consumo, maior também o declínio nos testes cognitivos, chegando a perder em média 8 pontos nos testes de QI entre os 13 e 38 anos de idade e os que tiveram mais prejuízo foram os que iniciaram o uso da droga no início da adolescência. Além disso, o desempenho não foi recuperado totalmente entre aqueles que interromperam seu uso. A pesquisa foi publicada na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences.  

 

No mês passado, tivemos outra prova incontestável de que o cérebro adolescente é realmente mais sensível aos efeitos tóxicos da maconha (Brain julho 2012). Através de uma nova técnica de ressonância magnética, foram demonstradas alterações microestruturais que reduzem a eficiência das conexões cerebrais entre usuários crônicos de maconha. Mais uma vez, as perdas foram maiores naqueles que começaram a fumar já no início da adolescência.   

 

 

smallicone

 

Mensagens de texto pelo celular podem ajudar aqueles que sofrem de doenças crônicas a seguirem melhor as recomendações médicas. Essa é a conclusão de uma revisão sobre o tema publicada recentemente pelo periódico da Associação Americana de Informática Médica.

No tratamento de doenças crônicas, um dos maiores desafios do médico é fazer com que o paciente use de forma correta o esquema medicamentoso proposto. Uma das principais causas de um baixo grau de aderência ao tratamento é o fato de que os pacientes simplesmente esquecem-se de tomar a medicação.

 

Alguns estudos têm procurado avaliar a eficácia de lembretes através de dispositivos eletrônicos para contornar falhas no uso de medicações, como é o caso de mensagens pelo celular. No presente estudo, pesquisadores holandeses avaliaram os resultados de 13 diferentes pesquisas que investigaram essa questão entre pacientes em tratamento para diferentes condições clínicas como AIDS, hipertensão arterial, asma, glaucoma e uso de anticoncepcional oral.

 

A maioria das pesquisas demonstrou o benefício dos lembretes eletrônicos no curto prazo, mas esses resultados devem ser vistos com cautela, já que no longo prazo esse benefício pode se perder.  Dos três estudos que avaliaram a aderência por mais de seis meses, apenas um deles evidenciou resultados positivos.

 

O avanço da tecnologia promoverá o desenvolvimento de novas ferramentas de comunicação e os benefícios podem ser ainda maiores. Aplicativos de smartphones com essa finalidade parecem ser bem promissores.

 

 

 

Pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Brasileira de Neurologia aponta que os cuidadores de pacientes idosos com demência fazem mais uso de medicações psicotrópicas do que aqueles que cuidam de idosos com outros problemas.

 

O estudo foi conduzido no Distrito Federal, sob a liderança do geriatra Einstein Camargos da Universidade de Brasília, e avaliou por dois meses cuidadores de idosos que eram acompanhados em quatro diferentes unidades de atendimento geriátrico de Brasília: Hospital Universitário de Brasília, Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Regional do Guará e Hospital Regional de Taguatinga.

 

Questionários estruturados foram aplicados a 331 cuidadores de idosos, sendo que 63% destes eram cuidadores de pacientes com demência e os outros 37% formados por cuidadores de pacientes sem demência. O uso de psicotrópicos, incluindo benzodiazepínicos e antidepressivos, foi mais comum entre os que cuidavam de pacientes com demência quando comparado ao outro grupo (18.4% X 7%). Medicações para induzir o sono passaram a ser usadas após o início da função de cuidador mais frequentemente entre aqueles que cuidavam de pacientes com demência do que no outro grupo (11.4% X 4.3%). A maioria dos cuidadores era formada por filhos dos pacientes sem ocupação profissional, mulheres em 80% dos casos.

 

Pacientes com demência apresentam agitação durante a noite e habitualmente influenciam o sono da casa como um todo. A carga emocional de cuidar de um ente querido e até mesmo a restrição das atividades sociais também contribuem para esse maior uso de psicotrópicos. Estudos demonstram que os cuidadores de pacientes com demência têm hormônios do estresse mais elevados, respostas imunológicas a infecções menos eficientes, apresentam uma maior freqüência de transtornos psiquiátricos como a depressão e piores qualidade de vida e estado de saúde geral. 

 

A atual pesquisa provoca uma reflexão para que os médicos que assistem a pacientes com demência dêem atenção aos cuidadores e os orientem a ter apoio psicoterápico quando indicado.

 

 

 

Adolescentes que assistem a mais filmes com cenas de consumo de álcool têm duas vezes mais chance de começar a beber do que aqueles que vêem pouco desses filmes. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada esta semana pelo prestigiado periódico British Medical Journal. O estudo também revelou que os filmes cheios de álcool também facilitam o comportamento de consumo do tipo “binge”, que é o de beber cinco ou mais doses de álcool de uma vez só. Vamos chamar isso de porre.

 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram o padrão de consumo de álcool entre mais de 6500 adolescentes americanos com idades entre 10 e 14 anos. Fatores que podem influenciar esse consumo também foram investigados, como o comportamento dos pais e a exposição a filmes e propagandas.

 

Os voluntários tinham de apontar quais os filmes já haviam assistido de uma lista de filmes de sucesso. Os pesquisadores mediram o tempo de cenas de consumo de álcool em cada filme e, em média, cada adolescente foi exposto a quatro horas e meia e muitos chegaram a oito horas de exposição. Onze por cento dos adolescentes relataram possuir algum tipo de objeto pessoal com propaganda de bebida alcoólica (ex: camiseta) e 23% deles tinham pais que bebiam em casa pelo menos uma vez por semana.

 

Após dois anos de seguimento, dobrou a proporção de adolescentes que consumia álcool, passando de  11% para 25%, e triplicou o número dos que tinham o hábito de tomar porre,  de 4% para 13%. A presença do álcool em casa, exposição a marketing e filmes com bebidas, assim como comportamento rebelde, todos esses fatores tiveram associação com o consumo de álcool dos voluntários. No caso dos filmes, essa relação era independente do artista estar bebendo ou não. Bastava a presença do produto no cenário.

 

Os autores sugerem que Hollywood deveria adotar para o álcool as mesmas restrições de exposição que faz hoje com o tabaco.

 

 

Apoio

Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas e sextas 11:05h

Também às segundas no Correio Braziliense

ConsCiência no Dia a Dia é acreditado pela Health on Net Foundation – Informação em saúde com credibilidade

ConsCiência no Dia a Dia – Vencedor Prêmio TopBlog 2009

VISITE O LABJOR

Siga no TWITTER

Twitter

CADASTRO

TWITTER

    follow me on Twitter

    Blog Stats

    • 2,674,247 hits