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Por Dr. Ricardo Teixeira*

 

Nesta última semana tivemos a demonstração de que os cachorros são ótimos para o equilíbrio psíquico das crianças em situações estressantes.

 

Pesquisadores da Universidade da Florida submeteram crianças de 7 a 12 anos a uma prova de estresse no laboratório em que podiam contar com a presença do cão de estimação, de um dos pais ou sem nenhuma companhia. Os resultados mostraram que aqueles em companhia dos cães foram os que relataram menor estresse com o teste. Além disso, a menor concentração do hormônio do estresse cortisol na saliva ocorreu entre as crianças que tiveram mais interação com os cães.

 

Entre os adultos, sabemos que aqueles que têm um animal de estimação em casa costumam ser mais integrados à comunidade.  Quanto mais participam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles têm na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.

 

Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que têm cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que têm cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.

 

E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.

 

Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais, e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer muito bem à nossa saúde do corpo e da mente.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é médico neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

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Pensamos em ter uma mente produtiva, afiada, atenta, e a ideia de fugir da realidade, mesmo que por um pequeno espaço de tempo, pode parecer contraproducente.  Como será possível conciliar o vagar dos pensamentos com toda essas expectativas?
 
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Psychological Science joga uma boa luz nessa questão e faz a gente refletir que esse estado de sonhar acordado pode muitas vezes ser um aliado do nosso desempenho cognitivo, incrementando, por exemplo, nossa criatividade.  
  
Esse estudo acompanhou por uma semana quase 300 estudantes do ensino médio que eram interrogados 8 vezes ao dia se estavam ou não com pensamentos em outras coisas que não estivessem ligadas ao que estavam fazendo num determinado momento. Essa abordagem foi feita inicialmente em laboratório e em outro momento na vida real.
 
Os resultados mostraram que em em 30% das situações os estudantes estavam com a mente em “outras coisas” e isso foi mais frequente na vivência de laboratório, talvez por ser uma experiência pouco estimulante. A variação entre eles não foi pequena, sendo que em um dos voluntários, o pensamento estava em outro lugar em 97% das situações em que foi testado!
 
O principal conteúdo desses escapes mentais dizia respeito a fantasias, problemas e preocupações, tarefas a serem cumpridas e experiências visuais e sonoras do ambiente. Na maioria das vezes, os estudantes estavam com parte da mente conectada às atividades que estavam fazendo.  Nos testes de laboratório, aqueles que tinham melhor capacidade de atenção e os que eram menos ansiosos também sonhavam menos acordados. Parece óbvio? O mais interessante da pesquisa foi a demonstração que no mundo real as coisas foram diferentes.
 
No dia a dia fora do laboratório, os estudantes que tinham piores habilidades executivas e de atenção não apresentaram mais desses escapes. Quando estavam tentando se concentrar, aqueles com melhores desempenhos de atenção ficavam mais ligados na tarefa. Entretanto, quando não estavam forçando a concentração, estes com ótima atenção sonhavam acordados mais frequentemente que os outros. O fator que estava mais ligado à frequência com que os estudantes ficavam vagando com suas mentes foi a capacidade de estar aberto a novas experiências o que refletia uma maior tendência a conteúdos fantásticos. E isso pode ser um grande parceiro da criatividade.
 
Isso tudo nos faz pensar que um cérebro com boa atenção e processamento rápido é importante, mas as fugidinhas do pensamento podem também ser muito interessantes, especialmente para a criação e consolidação da memória. E o que seria do nosso equilíbrio mental sem boas doses de fantasia?
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Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Temos evidências de que uma experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
 
Pesquisadores escoceses e ingleses têm demonstrado nos últimos anos que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados. Nesta ultima semana, pesquisadores das Universidades de York e Edimburgo mostraram que idosos que caminhavam em espaços da cidade em que o verde estava bem presente, intercalado pela ‘floresta de concreto’, apresentaram uma atividade cerebral mais modulada e maiores manifestações de bem-estar quando se comparava a espaços com pouco verde.
 
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
 
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar, e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.
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A resposta é sim, só que mais nem sempre é melhor. Uma pesquisa publicada em 2015 pelo jornal Social Psychological and Personality Science apontou que a frequência de relações sexuais aumenta o quanto o indivíduo se sente feliz. Mas acima de uma vez por semana, mais sexo não traz mais felicidade. O estudo avaliou por três décadas cerca de 30 mil americanos heterossexuais com relações estáveis.
 
Este mês, tivemos os resultados de outra pesquisa liderada por pesquisadores da Universidade da Flórida nos EUA demonstrando que americanos recém-casados tinham relações sexuais a cada 3 dias, mas cada relação provocava um efeito de satisfação que durava até dois dias em média. Os voluntários que apresentavam mais esse efeito pós-relação eram os que mais se sentiam satisfeitos com o casamento após 4-6 meses do inicio do estudo. A pesquisa enfatiza que o sexo, além do prazer e da função reprodutiva, também é uma ferramenta valiosíssima para manter uma relação no longo prazo.  
 
 
Sexo faz bem à saúde
 
Nas últimas décadas, pesquisas científicas rigorosas têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde.  Alguns desses estudos acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos e têm sido quase unânimes em mostrar que a atividade sexual está associada a uma menor mortalidade, inclusive por doença isquêmica do coração. E sexo também promove nossa saúde mental.  Uma vida sexual ativa está associada a menos ansiedade, menos agressividade e menos depressão.

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Nas últimas décadas houve um declínio evidente na proporção de pessoas casadas. Já tivemos cifras em torno de 70% na década de 1970 e chegamos em 2014, no Brasil, com 38,6% das pessoas acima de 15 anos casadas e 49,2% solteiras. A região norte tem a maior proporção de solteiros (60,5%), seguida pelas regiões nordeste (56,7%), centro-oeste (48,6%), sudeste (44,3%) e a região sul (44,2%). Quando falamos de união conjugal, independente de papel no cartório, a média nacional é de 56.7%.

Muitos enxergam o casamento como uma decisão que concorrerá com a liberdade e isso ocorre especialmente entre os homens jovens. Entretanto, poucos têm consciência dos benefícios que uma parceria estável traz ao individuo. Pesquisas revelam que um projeto de vida a dois tem repercussões positivas em várias dimensões da vida e a seguir elenco alguns números entre os homens casados:

– melhores salários e mais estabilidade no emprego;

– vida sexual mais satisfatória. Um estudo americano mostrou que 51% dos homens casados dizem estar extremamente satisfeitos com suas vidas sexuais, comparados a 36% no caso dos solteiros;

– melhor saúde física e mental. Nos EUA, homens casados vivem em média 10 anos a mais que os solteiros e, quando se fala em felicidade, 43% reportam que estão muito felizes, enquanto apenas 24% dos que moram juntos dizem o mesmo.

Apesar desses números, quase metade dos casamentos acaba em divórcio, e na maioria das vezes, a mulher é quem toma a decisão. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos e a maior taxa de divórcio é a do Distrito Federal (DF). A menor, três vezes menor que no DF, é a do Amapá.

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Não só o povo brasileiro, mas toda a raça humana é otimista.  Essa é a conclusão de uma série de pesquisas que aponta que cerca de 80% das pessoas superestimam as chances de eventos positivos quando têm que predizer o futuro. Esse é um fenômeno inerente da natureza humana e é observado independente do gênero, da raça, idade e nacionalidade. Mesmo os experts são otimistas quando analisam prognósticos em suas áreas.

Pensamos que vamos viver acima da expectativa de vida do brasileiro, que teremos muito sucesso na carreira quando completamos um curso de formação e que nossos filhos serão brilhantes.  Também costumamos subestimar as chances de eventos negativos, pois achamos que essas coisas só acontecem com os outros – divórcio, acidentes de carro, doenças graves. Temos a tendência de incorporar ao nosso repertório as notícias que são ainda melhores que a nossa expectativa inicial. O contrário não acontece. Quando temos contato com previsões piores que nossa ideia inicial, não damos muita bola. A posição otimista é resistente a mudanças.

Pesquisas também mostram que as pessoas com quadros depressivos são as únicas que não apresentam essa expectativa otimista superestimada do futuro. Aqueles com um quadro de depressão leve não apresentam expectativas desviadas nem para o lado positivo, nem para o negativo. Já aqueles com depressão grave enxergam o futuro de uma forma negativa exagerada.

Os cientistas já localizaram as regiões do cérebro que orquestram esse otimismo. Quanto mais otimista for uma pessoa, menos importância seu lobo frontal direito (giro frontal inferior) dará para expectativas ruins. É como se a censura ficasse adormecida. Quando a previsão é ainda melhor do que o esperado, os lobos pré-frontais são ativados de forma similar, tanto nos pouco como nos muito otimistas. Além disso, quando pensamos no futuro com otimismo, duas regiões envolvidas no controle das emoções são ativadas (amígdala e giro do cíngulo anterior rostral), as mesmas regiões disfuncionais em indivíduos deprimidos.

Mas afinal, esse otimismo é um aliado de nossa saúde? Na maior parte das vezes sim. Os otimistas têm maior longevidade e melhores marcadores de saúde. Apresentam menores índices de doença cardiovascular, doenças infecciosas, ansiedade e depressão, e vivem mais quando acometidos por doenças como câncer e AIDS. Além disso, já foi demonstrado que pessoas mais otimistas têm maior tendência a assumir hábitos de vida saudáveis. Por outro lado, aqueles com excesso de otimismo podem ter uma saúde mais vulnerável, pois tem maior tendência em assumir comportamentos de risco.

E por que o ser humano é tão otimista? Uma explicação bem interessante é a de que, ao adquirirmos a consciência sobre o futuro, passamos a conviver de forma mais intensa com a idéia de nossa finitude e nossas fragilidades. Ilusões otimistas criam um equilíbrio para que toda nossa consciência não atrapalhe a dinâmica da vida.

 

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A jornalista Emily Esfahani Smith publicou recentemente o livro Power of a Meaning, Editora Crown, New York, a partir de onze dólares na Amazon. Ela oferece um guia de como esculpir nossas vidas para que elas façam a diferença.

 

Ser feliz? Todo mundo quer, mas será que a missão de encontrar a felicidade, fortemente estimulada pela indústria da autoajuda, não tem deixado as pessoas mais vazias, infelizes? Ela propõe que desviemos o foco da felicidade para uma vida cheia de sentido, vida dedicada a algo maior do que o eu. Um dos passos fundamentais para a publicação do livro foi seu artigo escrito em 2013 na revista americana The Atlantic : Há muito mais para a vida do que ser feliz. Esfahani provoca a reflexão de que a empreitada de encontrar a felicidade traz consigo um modelo de retirada. Isso é diferente no caso da busca por uma vida que faça sentido em que o pilar mais forte é a doação, o altruísmo.

 

Existem falsos substitutos para esse sentido, criando uma sociedade com um vácuo existencial. A tecnologia nos ajuda e ajudará muito mais, mas ela também tem seu lado negro. Para termos uma vida com sentido precisamos ser conscientes e presentes. Difícil imaginar isso com um headphone no ouvido e nutrindo a mente e o cérebro com estímulos a conta-gotas que prevalecem nas plataformas das redes sociais.

 

A felicidade é uma condição fluida, efêmera. A percepção de sentido na vida é duradoura.

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Sabemos há um bom tempo que experiências que têm conteúdo emocional são capazes de produzir memórias mais vívidas e duradouras. Mas será que a emoção também pode influenciar a memória de outros conteúdos sem componentes emocionais? Pesquisadores da Universidade Nova Iorque publicaram recentemente um estudo na revista Nature Neurosciencedemonstrando que a resposta é um sim.
 
Eles mostraram que as experiências emocionais em humanos são capazes de induzir estados de funcionamento cerebral que persistem por algum tempo após esse evento e favorecem a consolidação de memórias neutras, sem conteúdo emocional. É como se as emoções deixassem as outras memórias subsequentes mais coloridas.  
 
O experimento que eles conduziram pedia aos voluntários que eles apreciassem uma série de imagens que elicitavam emoção e, após 10-30 minutos, eles eram apresentados a imagens sem conteúdo emocional. Outro grupo de voluntários fazia o contrário: primeiro as imagens neutras e depois as com emoção.
 
Seis horas depois os voluntários eram submetidos a uma testagem de quanto eles se lembravam das imagens neutras. Os resultados mostraram que aqueles expostos ao conteúdo emocional primeiro tiveram melhor desempenho nos testes de memória. Além disso, exames de ressonância magnética funcional apontaram que o estado funcional do cérebro desencadeado pela experiência emocional persistiu por cerca de trinta minutos. Poderíamos chamar esse efeito de “ressaca emocional”.   

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O que é felicidade? São incontáveis as definições, mas uma que pode nortear bem nossa conversa é a seguinte: as pessoas são mais felizes quando têm um dia a dia com predomínio de emoções positivas e também estão satisfeitas com o curso da própria vida.

 

Pesquisas realizadas com gêmeos têm demonstrado que existe sim um componente genético da felicidade. Cada um tem um nível básico de felicidade, maior em alguns, menor em outros. Essa influência genética pode ser comparada à tendência que algumas pessoas têm em estar sempre com o peso corporal em dia, independente dos altos e baixos da vida.

 

Esse perfil genético pode corresponder a 50% do grau de felicidade de uma pessoa, outros 10% têm a ver com as circunstâncias da vida (ex: inserção profissional e estado de saúde), e ainda temos uma margem de 40% daquilo que podemos exercitar para termos percepção que estamos mais felizes.

 

Atividade física faz bem ao corpo e à mente e hoje as pessoas falam com muita naturalidade sobre força, resistência, exercícios para as pernas, braços, abdome, etc. Existe outro tipo de “malhação” que realmente incrementa nosso estado de felicidade de forma mais sustentada. Outros músculos, outras resistências, um FITNESS de FELICIDADE, com ou sem personal trainer. E isso funciona num círculo virtuoso – quanto maior a regularidade dos exercícios, maior a percepção de felicidade. E quanto maior o estado de felicidade, maior a disposição para os exercícios. Isso é fácil? É preciso MOTIVAÇÃO, ESFORÇO e COMPROMETIMENTO, da mesma forma que um treinamento para os músculos do corpo.

 

E qual é a melhor série de exercícios, qual o melhor treino? Boas doses de OTIMISMO, ALTRUÍSMO e a GRATIDÃO são reconhecidas como caminhos dos mais férteis para ficar “sarado” de felicidade. Além disso, para seguirmos a vida satisfeitos com seu curso, precisamos navegar. O filósofo Sêneca nos deixou o famoso pensamento: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.

 

Alguém poderia perguntar: mas qual é a vantagem de ser feliz?

 

O estado de felicidade traz repercussões positivas não só ao indivíduo, mas à sua família, comunidade e à sociedade de forma mais ampla.  Pessoas mais felizes têm melhor desempenho profissional e melhores oportunidades, têm mais sucesso nas relações interpessoais, mais energia e saúde, o que inclui um melhor perfil imunológico, menor nível de estresse e maior longevidade. Pessoas mais felizes são mais criativas, autoconfiantes, altruístas e generosas, têm o hábito de praticar atividade física e são mais espiritualizadas e religiosas. Pouca coisa, hein?

 

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A revista Scientific American trouxe esta semana dicas que podem fazer nossas mentes ficarem mais leves. Aqui falamos não só de perdão a uma pessoa, mas também a grupo de pessoas que cometeram injustiças e eventos traumáticos.

 

1- O maior interessado no ato de perdoar é você mesmo. Você tem a chance de tirar um peso pesado da sua mente, que costuma ficar reverberando com a experiência do rancor.

 

Em um estudo com mães que perderam seus filhos por crimes violentos, uma intervenção terapêutica chamando a atenção para o grande benefício próprio de se buscar apagar ou reduzir o rancor, trouxe resultados bem positivos. Após uma semana da intervenção, elas sentiram-se menos abaladas e com escores depressão 60 por cento menores. Outros estudos mostraram também que perdoar reduz o grau de ansiedade de quem perdoa.

 

2- Faça o exercício de se colocar do outro lado. Tente criar uma atmosfera de empatia, imaginando a situação que esse outro lado vivia quando cometeu a ação que você julga, de forma inequívoca, errada ou injusta.

 

3- Tente modular suas reações ao evento traumático como impulsos de revolta, ondas de raiva e ansiedade.

 

4- Lembre-se que o tempo é um grande remédio para cicatrizar feridas. Em um momento muito próximo ao evento traumático, o exercício de perdão é mais difícil. Deixar a poeira baixar, às vezes, é o caminho mais acertado.

 

E por último, insiro aqui um pensamento português que acredito que pode colaborar sobremaneira em muitas situações do dia a dia em que podemos cair na armadilha de guardar rancor em nossas mentes.

 

Não deveríamos nos martirizar por ficarmos exigindo dos outros aquilo que eles não podem nos oferecer. Com sotaque bem português: Cada qual dá o que tem conforme a sua pessoa.

 

Anos depois aprendi com uma senhora portuguesa que na verdade essa frase é parte de uma quadra popular bastante conhecida em Portugal:

 

Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.

 

Em Portugal há também um ditado muito popular que diz a mesma coisa:

 

Pilriteiro dá pilritos, a mais não é obrigado.

 

O pilriteiro é um arbusto espinhoso bastante comum em Portugal e dá uma frutinha muito ácida, o pilrito. Pela quadrinha popular, parece que o pilrito não deve mesmo ser uma fruta muito apreciada. Tenho uma teoria sobre frutas exóticas que se pilrito fosse bom mesmo, seu nome seria morango ou banana e seria exportado para todos os cantos do planeta.

 

Boa parte das situações do dia a dia que poderiam nos afastar do nosso equilíbrio mental tem a ver com a cobrança e às vezes com nossa indignação pelas atitudes dos outros que nos desagradam. É o prestador de serviço que não terminou o serviço direito, é o cara que passa à nossa frente pelo acostamento enquanto estamos parados direitinhos na fila do engarrafamento, é a moça do caixa do supermercado que é lenta no seu desempenho. Podemos começar a enxergar esse cotidiano através de uma outra ótica. O cara que fura fila não tem educação e princípios de cidadania. Vamos nos irritar? Brigar? A moça lenta no caixa do supermercado é lenta mesmo e nem foi treinada para ser mais rápida. O mau prestador de serviços é ruim de serviço mesmo e a gente que fez a escolha. Antes de reagirmos de forma a perdermos nosso dia, podemos pensar que pilriteiros dão pilritos  … E sempre que tivermos poder de escolha, não precisamos insistir em comer pilritos. Mudamos a página e seguimos em frente com morangos.

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É difícil pensar em alguém que não se sinta bem após uma sessão de gargalhadas. Mas será que além do bem-estar que o riso provoca, ele realmente faz bem à saúde? O velho ditado de que rir é o melhor remédio tem algum fundamento?

 

Um estudo publicado esta semana por pesquisadores noruegueses confirmou o ditado. Pessoas com um bom grau de humor no dia a dia têm menos riscos de doenças e vivem mais.

 

Foram acompanhados por 15 anos 53 mil voluntários e os resultados mostraram que aqueles que apresentavam melhor pontuação de humor numa escala bem validada tinham:

 

*no caso das mulheres, risco de morte 48% menor, 73% menos risco de morrer do coração e 83% menos risco de morrer de infecção

 

*no caso dos homens, 74% menos risco de morrer de infecção

 

As diferenças entre os gêneros podem ser explicadas pelo maior declínio nas pontuações de humor nos homens ao longo dos anos.

 

De acordo com o autor principal do estudo, um bom senso de humor é um traço da personalidade que garante um maior sentido às experiências do cotidiano. Ele ajuda a evitar o aumento dos hormônios do estresse e suas consequências como supressão do sistema imunológico e aumento do estado inflamatório do corpo. Além disso, o humor está diretamente ligado a uma maior socialização, e isso só faz bem à saúde.

 

Onde é que o riso se encontra no nosso cérebro?

As regiões mais frontais do nosso cérebro são consideradas as mais recentes no processo de evolução das espécies, e é aí que se concentram funções especializadas como a linguagem e o riso. O riso por sinal é exclusivo da espécie humana (a hiena não ri) e já foi demonstrado que a área cerebral que desencadeia o riso em última instância está nessa parte frontal. Já foi até demonstrado que sua estimulação elétrica durante procedimentos cirúrgicos é capaz de desencadear o riso. Temos evidências também que o hipotálamo e as regiões temporais também têm participação na geração do riso. É claro que no mundo real precisamos do cérebro como um todo para entender a piada.

 

 

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Nunca antes na história tivemos uma sociedade tão conectada e as plataformas de redes sociais têm contribuído muito para isso. Entretanto, identificamos excessos de “conexão”, especialmente entre os adolescentes. Essa hiperconectividade é um tema que os pais devem ficar muito atentos no dia a dia, pois ela não tem nada de inocente.

 

Vida social é uma ferramenta fundamental para nosso estado de felicidade e até mesmo de saúde. Mas será que os amigos virtuais têm esse mesmo poder? Parece que não. Pesquisas têm revelado uma associação entre o tempo gasto no Facebook e sintomas depressivos. Aí vem a velha pergunta de ovo ou galinha? A resposta mais provável é que o excesso de tempo nas redes sociais possa ser tanto a causa como conseqüência dessa maior freqüência de sintomas psiquiátricos.

 

Causa? Podemos pensar que uma pessoa exagerada e compulsiva tem problemas no controle de seus impulsos. E essa dificuldade em controlar os impulsos pode ter reflexos em varias dimensões da sua vida. E os adolescentes dão goleada quando se fala em impulsividade. Um estudo conduzido nos EUA mostrou que eles trocam uma média de 109 mensagens diárias pelo celular enquanto os adultos ficam com uma média de dez mensagens por dia.

 

Conseqüência? Redes sociais provocando mal estar psíquico? Uma forma de explicar essa ligação é o efeito comparativo com os outros “amigos” que só expõem os louros do cotidiano e isso pode fazer com que a pessoa sinta que tem um projeto de vida mal-sucedido. Além disso, a prática virtual exagerada pode reduzir os encontros em carne e osso, o que pode desestabilizar o equilíbrio psíquico.  

 

Se esses fatores são relevantes para um adulto, imagine só para o cérebro de um adolescente que ainda está em formação! Alguns deles têm sinais típicos de dependência quando afastados do seu vício eletrônico. Pesquisas mostram que meninos e meninas digitam com a mesma frequência nas redes sociais, mas os exageros acontecem mais com as meninas. E esse exagero está associado a um menor desempenho acadêmico, mais sintomas depressivos, maior exposição ao álcool e outras drogas e também experiência sexual mais precoce.

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A psicóloga social Emanuele Castano, junto ao seu aluno de PhD David Kidd, publicaram há três anos na revista Science os resultados de suas pesquisas que demonstram o quanto que uma boa leitura é capaz de estimular as habilidades sociais.

Voluntários eram solicitados a ler trechos de diferentes gêneros: não ficção, ficção popular (romance, aventura), ficção literária (premiados), Em seguida faziam testes que avaliavam a capacidade de entender o que o outro está sentindo.

Além de mostrar que histórias de ficção aumentam a percepção das emoções de outras pessoas, a pesquisa ainda evidenciou que a qualidade da literatura também faz diferença. Os textos literários produziram maior efeito, apesar dos textos populares terem sido os mais apreciados pelos voluntários.

Neste último mês os mesmos pesquisadores confirmaram esses resultados de uma forma diferente. O teste de empatia foi aplicado a cerca de dois mil voluntários, mas dessa vez associado a uma tarefa em que tinham que reconhecer autores de ficção literária de uma lista de 130 nomes. Aqueles que reconheciam mais autores foram os que tinham também maior pontuação nos testes de empatia.

Os pesquisadores acreditam que obras de ficção estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo.

É notório que os resultados dessas pesquisas devem ser levados em consideração na escolha da grade curricular dos estudantes. Já existem até ensaios para incrementar a empatia de médicos através da literatura assim como para melhorar o comportamento de detentos.

 

Pesquisadores da Escola de Business de Wisconsin nos EUA conduziram uma série de experimentos para avaliar se as pessoas quando têm um plano B na cabeça acabam tendo um desempenho mais acanhado no plano A original. Dito e feito. Foi isso que eles encontraram. Quem tem outros planos na cabeça tem menos chance de ter sucesso no plano original.

Os voluntários do estudo receberam uma tarefa cognitiva e parte deles foram avisados que se o rendimento fosse ótimo eles poderiam escolher entre um lanche ou a permissão de serem liberados do estudo mais precocemente. Outro grupo de voluntários foi instruído que se não tivessem um bom desempenho nos testes eles poderiam arrumar o lanche por outros meios e até conseguir dispensa do estudo mais cedo. E esse grupo com o plano B foi o que teve um pior desempenho e também o menor desejo de sucesso.

Os pesquisadores discutem que arquitetar um plano alternativo pode trazer um conforto psicológico durante um desafio, mas isso pode ter seus custos, especialmente em situações que demandam esforço.  Em casos que dependem apenas da sorte esse raciocínio não é aplicável. Eles ainda lembram que os resultados não devem encorajar as pessoas a abandonarem totalmente seus planos alternativos, mas sim estimular o planejamento de forma mais estratégica, talvez pensando no timing mais certeiro de começar a desenhar outros caminhos.

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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Nature Genetics isolou partes do genoma humano que podem explicar em parte porque as pessoas vivenciam a experiência de bem-estar psíquico. O estudo multicêntrico com a participação de 145 institutos de pesquisa foi liderado por pesquisadores Holandeses e envolveu 300 mil voluntários. Os pesquisadores encontraram variantes genéticas que foram fortemente associadas ao estado de felicidade, traços de neuroticismo e sintomas depressivos. Este foi o maior estudo realizado que abordou o componente genético desses componentes da mente humana. Entretanto, isso explica apenas uma pequena parcela do nosso estado de felicidade. Os fatores ambientais certamente mandam muito mais nessa história.

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Quando alguém nos fala: tenho duas notícias pra contar, uma boa e outra ruim. Qual você quer ouvir primeiro? A grande maioria responde que quer ouvir a ruim antes. Reconhece-se que o ser humano tem uma tendência a dar mais atenção a informações negativas do que às positivas. Ter consciência de informações negativas, e presumivelmente ameaçadoras, pode ser visto como um traço de adaptação da espécie.

E o que dizer do incerto? Numa situação em que alguém nos diz: Tenho uma coisa para lhe contar. Você quer ouvir? Poucos devem duvidar que a maioria nessa situação diria: conta logo!

A incerteza é vista pela psicologia como a antecipação de uma ameaça pouco definida. Se a exposição a um estímulo negativo representa uma ameaça, a exposição ao desconhecido pode ser ainda mais ameaçadora, já que não se sabe o tamanho do inimigo (ou do amigo). Alguns estudos nos mostram que o suspense da incerteza gera mais alterações fisiológicas associadas à ansiedade do que o confronto a estímulos negativos bem definidos. As pessoas preferem um capeta conhecido a um capeta que ainda não conhecem.

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Nature Communications confirma essa ideia. Voluntários mostravam mais sinais físicos de estresse quando estavam numa situação de expectativa do que quando já sabiam que o desfecho tinha grande chance de ser ruim. O estudo foi feito com um game em que os participantes tinham que atravessar um terreno pedregoso e ficar atentos a cobras. Caso encontrassem um cobra eles levariam um pequeno choque. Quando a chance de se deparar com uma cobra era de 50%, níveis máximos de estresse eram encontrados. Quando a chance era de zero ou 100%, os níveis de estresse caíam a níveis mínimos. Por outro lado, o estresse trouxe também seus efeitos benéficos. Quanto maiores os níveis de estresse maior foi a capacidade de fugir das cobras. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Londres.

Outra pesquisa publicada recentemente pela revista Nature Neuroscience revelou que os macacos também querem saber das coisas o mais rápido possível, e que do ponto de vista neuroquímico, esse acesso adiantado à informação é semelhante ao de outros tipos de recompensa cerebral. Neste caso, o experimento envolvia a recompensa de uma quantidade de água maior ou menor. Outras pesquisas têm mostrado que, quando o assunto em questão envolve uma experiência negativa, a preferência por acesso rápido à informação é ainda maior.

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Quando o negócio é tomar uma decisão, parece que no começo da manhã temos uma tendência em acertar mais. Uma recente pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Copenhagen na Dinamarca mostra que com o passar do dia nossas reservas mentais, assim como as de nossos interlocutores, vão ficando menos eficientes. Vamos ficando mais rudes e distraídos, menos motivados e com uma menor capacidade de processamento de informação.

O estudo analisou o desempenho em testes de estudantes com idades entre 8 e 15 anos. Quanto mais cedo os testes eram aplicados, melhor era o desempenho dos alunos. Por outro lado, um intervalo de 20 a 30 minutos antes dos testes era capaz de “recarregar a bateria” a um nível maior do que as perdas ao longo do dia. Além disso, os pesquisadores mostraram que esse cansaço mental era mais proeminente entre estudantes com menor desempenho escolar, mas eles também eram os que mais se beneficiavam dos breaks.

Outro estudo analisou mais de 1000 decisões judiciais ao longo do dia e apontou que com o avançar do dia os juízes tinham menos chances de dar um parecer favorável a um prisioneiro. Os juízes começavam o dia com 65% de pareceres favoráveis chegando a praticamente zero perto da pausa para o almoço. Quando voltavam do almoço, repetiam os altos índices favoráveis do início da manhã e chegavam a quase zero no fim desse segundo turno. Muito curioso é o fato de que nenhum dos juízes tinha consciência de alguma deterioração da energia mental ou do efeito revigorante da pausa para o almoço.

Resultados semelhantes já foram descritos em outras circunstâncias. Médicos, por conta dessa fadiga mental, prescrevem mais antibióticos sem necessidade para infecções respiratórias agudas. Em provas de admissão em MBAs os avaliadores dão melhores notas no começo de uma sequência de entrevistas.

Pense bem então no horário que você vai marcar aquele encontro importante. Se tiver escolha, o início da manhã pode ser uma boa ideia.

Em meio à multidão, pessoas comuns podem tornar-se extremamente boas ou más. A decisão de como se comportar dependerá do que pensam que se espera delas.

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O ano é 1971.  O psicólogo Philip G. Zimbardo da Universidade Stanford dividiu aleatoriamente um grupo de estudantes mentalmente sãos entre “guardas” e “prisioneiros”, que deveriam conviver por duas semanas em uma prisão simulada no campus. Zimbardo teve de interromper o estudo prematuramente depois de apenas seis dias, porque os guardas haviam se tornado sádicos, abusando física e psicologicamente dos prisioneiros.

Mas como jovens pacatos puderam se transformar de forma assustadora em tão pouco tempo? Naquela época, Zimbardo ofereceu uma resposta simplista: protegidas pelo anonimato da multidão, as pessoas perdem todos os limites e desprezam normas éticas. Tornam-se animais de um rebanho desenfreado, sem controle ou compaixão.

Pesquisas recentes indicam que, muito embora grupos levem seus integrantes a se comportar de uma forma que eles não fariam no dia a dia, essas ações podem ser tanto positivas quanto negativas. No final de 2001, quando os psicólogos britânicos Stephen D. Reicher e S. Alexander Haslam reproduziram a experiência do prisioneiro para o que viria a ser um reality show exibido pela rede BBC, os guardas agiram de forma um tanto cautelosa.

Em razão dos resultados contraditórios, Haslam e Reicher concluíram que o comportamento do grupo depende das expectativas de seus membros sobre os papéis sociais que eles deveriam desempenhar. Se acreditam que se espera deles uma conduta autoritária, é bem provável que ocorram abusos. Zimbardo, por exemplo, encorajava os guardas a portarem-se de modo ameaçador. A chave para entender como os indivíduos de um grupo irão proceder são suas crenças pré-condicionadas sobre o que devem fazer.
Um indivíduo em um grupo de voluntários arrisca a vida para salvar uma criança, evitando que ela caia nas águas de uma enchente, enquanto outro, em nome de uma causa coletiva “maior”, de bom grado se sacrifica como homem-bomba.

Em geral, o temor das pessoas em relação à mentalidade das massas cria nelas a expectativa de que grupos apresentem aspectos sinistros, apesar de a história mostrar, por exemplo, que mudanças sociais positivas são impossíveis sem movimentos de massa. O surgimento dos direitos humanos, a queda do Muro de Berlim, o ambientalismo – muitos avanços recentes resultaram do engajamento massivo de pessoas que lutaram por um bem comum, colocando seus interesses pessoais em segundo plano para atingi-lo.

Quanto mais a pessoa se envolve com o coletivo, maior a sua identificação com ele  e mais completa a sua aceitação de valores e normas do grupo (personalidade coletiva). Comportamentos agressivos têm mais probabilidade de irromper se a personalidade coletiva assume o controle sobre a percepção e as ações do indivíduo. Desse modo, a pessoa não mais distingue entre o “eu” e o “ele”, mas apenas entre o “nós” e “os outros”.

Essa dinâmica pode surgir de forma esporádica também entre pessoas que levam vidas normais, como o vizinho gentil que todos os sábados se transforma no barulhento torcedor de futebol, xingando em alto e bom som os torcedores do outro time. Para ele, essa atitude é o resultado lógico de sua profunda lealdade ao “nós” de seu amado clube. Se o primeiro a arremessar uma pedra é reconhecível, de forma inequívoca, como um membro do coletivo – por exemplo, por suas roupas ou palavras-de-ordem – sua ação acaba com qualquer dúvida que os demais tivessem sobre o papel que devem desempenhar. Eles rapidamente imitam o comportamento do “personagem exemplar”.

Adaptado de texto original de Bernd Simon 2005

 

 

Adultos jovens com atitudes hostis ou que não cooperam em situações de estresse tem mais dificuldades cognitivas décadas depois. Essa é conclusão de um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Não costumamos pensar em uma associação entre traços de personalidade e desempenho cognitivo, mas o atual estudo aponta que uma personalidade   hostil é comparável a uma década de envelhecimento no pensamento. A pesquisa envolveu mais de três mil americanos com uma média de 25 anos no início do estudo e foram seguidos por 25 anos. Para medir o perfil de hostilidade dos voluntários os pesquisadores aplicaram um questionário que investigava comportamento agressivo, desconfiança e sentimentos negativos no exercício social. Além disso, o questionário avaliava o “desperdício” de energia em situações de estresse que demandam contínua adaptação a desafios físicos e psicológicos. É mais ou menos o quanto a pessoa é teimosa e continua batendo a cabeça onde não há necessidade.

Aqueles com mais traços de hostilidade e os que tinham mais cabeça dura foram os que apresentavam pior desempenho cognitivo 25 anos depois. Os resultados foram independentes do estado de humor, eventos significativos na vida e discriminação. Outros estudos precisarão ser feitos para confirmar esses resultados. Se confirmados, será preciso entender a melhor estratégia para promover interações sociais positivas. Acho que a psicoterapia deve ser o melhor candidato.

 

 

A história está cheia de exemplos de burradas. Os troianos levaram o cavalo de Tróia para dentro das muralhas da cidade achando que seria um símbolo de vitória de algumas batalhas. Esqueceram de checar o recheio grego.  A torre de Pisa já era torta mesmo antes do término de sua construção. O governo francês investiu 15 bilhões de dólares em novos trens para descobrirem que eles eram muito grandes para cerca de 1300 estações ferroviárias. Etc, etc.

Um estudo publicado recentemente no periódico Intelligence divide as idiotices em três diferentes tipos. Os autores fizeram uma compilação de histórias envolvendo erros estúpidos. É o ladrão que rouba uma TV e é preso quando volta ao local do crime para pegar o controle remoto. É o homem que engatou um carrinho de supermercado a um trem e morreu após ser arrastado por mais de cinco quilômetros. Isso para não pagar a passagem. Outro exemplo é o de um terrorista que enviou uma carta bomba com uma quantidade insuficiente de selos. A carta voltou e ele abriu a própria carta. Bum. Não são meros acidentes.

O primeiro tipo de idiotice é explicado por excesso de confiança. Se achando.

Um bom exemplo é o de homem que assaltou um banco à luz do dia sem disfarce nem máscaras e achou que seu rosto ficaria invisível para as câmeras de segurança porque esfregou limão no rosto. Uma pesquisa mostra que depois de testes de lógica e gramática, voluntários que tiveram as piores notas eram frequentemente os que julgaram ter apresentado um bom desempenho nos testes.

O segundo tipo é decorrente de impulsividade, atos em que o comportamento está fora do seu controle habitual. É o caso das pessoas que publicam conteúdos nas redes sociais e logo se arrependem.

O terceiro tipo de erro é explicado pela falta de atenção. O cara dirige 200km de Brasília até Goiânia quando, na verdade, estava querendo ir a Paracatu.

Todos nós somos sujeitos a superestimar nossas capacidades, tomar decisões por impulso e falhar por falta de atenção. Algumas pessoas às vezes exageram na dose.

 

 

 

 

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