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Um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Florida no periódico Frontiers in Psychology mostrou mais uma vez que meninas são tão boas em matemática quanto os meninos. A novidade é que eles se auto-avaliam melhor. Os meninos acreditam que têm mais habilidade, 27% a mais do que as meninas. Efeito cultural? Sabemos que as mulheres têm mais tendência ao perfeccionismo enquanto os homens são incitados desde cedo a enfrentar desafios.

Os alunos estudados nessa pesquisa estavam no fim do ensino médio, época decisiva na escolha do curso superior. Essa menor confiança das meninas pode explicar em parte o menor numero de mulheres em profissões como engenharia, ciência e tecnologia.

Em 2015, outra pesquisa publicada pela revista Science avaliou 1800 pesquisadores e estudantes de graduação, de 30 diferentes disciplinas. Entre outras perguntas, eles tinham que responder quais qualidades julgavam importantes para alcançar o sucesso em seus ramos.  As áreas em que os entrevistados julgavam que o brilhantismo era fundamental foram também as menos representadas por mulheres. Essa crença leva as mulheres a inconscientemente se afastar desses campos do conhecimento.  Pode também levar à discriminação em exames de seleção.

É bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaapontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

Woman Wearing Yellow Dress Beside Woman Wearing Red Dress
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Estamos familiarizados com a ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder. Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.
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As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança.  Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.
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Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.
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Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.
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Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

Woman Wearing Gray Scarf and Gray Coat Near Group of People

Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres

As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.

 

Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.

 

Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.

 

A doença é mais agressiva no caso delas

As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.

 

Além disso, mulheres cuidam de parentes com a doença de Alzheimer 2.5 vezes mais que os homens, e em 20% dos casos têm que abandonar o trabalho.

Woman Wearing Black Hijab Behind Bare Tree during Day Time

 

Mulheres têm um melhor desempenho de memória verbal e faz com que testes cognitivos para o diagnóstico de Alzheimer sejam menos sensíveis para elas. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

 

A pesquisa foi conduzida pela Universidade da Califórnia nos EUA e demonstrou que o desempenho delas era melhor que o dos homens em testes de memória verbal, mesmo em condições que o exame PET scan demonstrava redução do metabolismo cerebral, condição encontrada na Doença de Alzheimer. Na verdade, o desempenho das mulheres foi melhor em situações em que o metabolismo era normal ou com redução leve ou moderada. Quando a queda do metabolismo já era severa, não havia diferenças entre os gêneros nos testes de memoria.

 

Esses resultados sugerem que as mulheres têm maior capacidade de compensar perdas da função cerebral por conta de sua maior reserva cerebral nas fases iniciais da doença. Novos estudos deverão ser realizados, e se os achados  forem confirmados, os testes cognitivos para o diagnostico da Doença de Alzheimer deverão ser ajustados de acordo com o sexo do paciente.

Um estudo recém-publicado pelo periódico Current Biology mostrou que os homens são mais amigáveis após o término de um conflito do que as mulheres. Isso parece soar meio desafinado, pois é fato que os homens são mais agressivos e competitivos. Que história é essa de amigáveis?

Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram centenas de vídeos de “guerras do dia a dia moderno” de 44 diferentes países. Estamos falando de competições esportivas. Eles demonstraram que ao final de uma partida os homens têm uma maior proximidade com o “inimigo” do que as mulheres. Isso foi identificado como abraços, apertos de mãos e tapinhas nas costas.

A explicação evolutiva para esse comportamento é que os homens, após terminado o conflito, têm a tendência em se aproximar do “inimigo” para garantir alianças para uma futura guerra. Eles garantem a perpetuação da espécie não só vencendo disputas para conseguir gerar mais filhos, mas também por preservarem a comunidade como um todo em conflitos entre grupos. Isso seria algo que os homens herdam dos seus ancestrais.

Estudos com chimpanzés evidenciam essa mesma tendência: os machos depois de um quebra-pau dão mais abracinhos que as fêmeas. Quanto às fêmeas, sabemos muito bem que no universo família elas são mais cooperativas. Porém, as mulheres sentem-se mais abaladas após um conflito de trabalho com outra mulher quando comparamos com a mesma situação em que os personagens são dois homens.

Muitos concordam que uma decisão longe dos extremos, na maioria das vezes, é o melhor caminho. Individualmente não há muita diferença de gênero quanto a essa questão, mas quando duplas têm que tomar uma decisão, é bom que  uma mulher participe. Duas mulheres tomam decisões ponderadas. Uma mulher e um homem também. Agora quando você junta dois homens…

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Consumer Research  mostrou que quando você junta dois homens para tomar uma decisão eles têm uma tendência maior de não querer muita negociação. Quando dois homens estão escolhendo um carro, se um está interessado em um modelo muito seguro e o outro em um modelo que economiza combustível, é mais difícil eles saírem dos extremos e partir para um terceiro modelo que oferece um meio termo de segurança e economia. É como se inconscientemente eles quisessem “marcar território”.

 

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Escola de Business de Pittsburgh – EUA e envolveu quase dois mil estudantes universitários. Pares homem-homem, mulher-mulher-mulher e homem-mulher tinham que tomar decisões de compras de itens diversos como impressoras, pasta de dente, reserva em hotel e algumas situações em que a dupla tinha que escolher entre baixo e alto grau chance de retorno. Independentemente do produto, as duplas homem-homem foram mais extremos. As duplas mulher-mulher foram bem ponderadas, assim como as homem-mulher. Interessante é que houve críticas por parte dos homens quanto ao “caminho ponderado”, posição que as mulheres elogiavam.  

 

A pesquisa tem grande aplicação aos profissionais de marketing e aos vendedores. Se o produto é para ser decidido por dois homens (e.g., pai comprando carro para filho), o ideal é que se ofereça extremos e não produtos ponderados. Já no caso de produtos em que a escolha é feita em pares homem-mulher ou mulher-mulher, é mais indicado que se ofereça alternativas longe dos extremos. Isso também pode ser aplicado a organizações que têm interesse em decisões mais ponderadas. Em casos de tudo ou nada, pode ser que a ausência feminina faça algum sentido. Sei não.

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

 

Os pais estão sempre antenados em vigiar o conteúdo a que seus filhos estão expostos nas diferentes mídias e existe um senso comum que se é produção da Disney não precisa se preocupar. Uma pesquisa publicada nesta última semana pelo periódico Child Development mostra-nos que a inocência Disney é discutível em alguns casos.  O estudo chama a atenção para o fenômeno da cultura de princesas Disney e seu poder de potencializar estereótipos de gênero, especialmente na cabeça das meninas. Estereótipos não são necessariamente bichos papões, mas estudos anteriores já haviam demonstrado que estereótipos de gênero limitam os horizontes das meninas.

O presente estudo avaliou as repercussões da cultura das princesas Disney sobre o comportamento de crianças americanas pré-escolares. Os resultados mostraram que 96% das meninas e 87% dos meninos já haviam assistido a alguma princesa Disney na mídia. 61% das meninas brincavam com a boneca de uma das princesas pelo menos uma vez por semana, enquanto que com os meninos era só 4%. Após acompanhamento de um ano, as crianças que tinham mais interação com as princesas tinham maior comportamento estereotipado de gênero e as meninas com menor auto-estima eram as que mais se envolviam com as princesas.

Para as meninas o reforço desse estereótipo de gênero pode limitar o alcance de suas potencialidades, pois podem achar que muitas opções na vida não foram feitas para mulheres. Matemática? Ciência? Atividades que sujam o corpo? Isso é coisa de homem… Os meninos podem reforçar esse estereótipo, dificultando as oportunidades das meninas. Por outro lado, as princesas podem também contrabalancear o estereótipo hiper-masculino de super-herói.

As crianças não devem ser desencorajadas a viver as princesas, mas os pais podem ensaiar com bastante cuidado uma análise crítica com elas. Uma boa oportunidade é o caso da “princesa” Mérida da animação Valente. Era uma guerreira que foge do modelo das princesas, mas ao lançar a boneca no mercado, a Disney retirou o arco e flecha e criou a estética de uma legítima princesinha.

A autora principal do estudo lembra que os pais podem ajudar as meninas a terem certa consciência desses jogos de imagens. Diz também que fica entediada quando alguém encontra sua filha e diz: “Olá minha princesa”, mas nunca diz: “Olá menina esperta, inteligente”…

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Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.

A natureza dá uma forçinha para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem com que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.
A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.

Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Não é à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.

 
E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.

 

E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.

 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade bem mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, provedora, profissional realizada ou em busca de realização, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

 

 

 

Um estudo recente envolvendo cerca de dez mil americanos mostrou que as mulheres que têm cabelo loiro natura loiro natural têm uma pontuação um pouco maior no teste de QI. As loiras apresentaram em média um QI de 103.2, as de cabelo castanho 102.7, 101.2 as de cabelo ruivo e 100.5 as de cabelo preto. A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Ohio nos EUA e publicada no periódico Economics Bulletin. O estudo também fez a mesma avaliação entre homens e os resultados foram idênticos para todos os tipos de cabelo.

A piadinha de loira burra pode parecer inofensivo para muitos, mas pode ter implicações negativas no mudo real. Ela pode ter impacto na contratação de pessoas, promoções e na vida social. O presente estudo aponta que qualquer tipo de discriminação por conta da cor do cabelo deve desparecer dos nossos mapas mentais.

Não podemos dizer que as loiras são mais inteligentes, mas definitivamente podemos dizer que o cérebro delas não deixa nada a desejar. Uma das explicações para a discreta vantagem das loiras é terem sido criadas em lares com mais material de leitura. Calcula-se também que pelo menos 3% das mulheres que responderam que eram loiras naturais, na verdade, pintavam o cabelo.

Os homens modernos dão mais valor ao cérebro das mulheres do que à beleza quando têm que escolher uma parceira. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo periódico European Review of Social Psychology

O senso comum é o de que os homens dão importância, muitas exagerada, para a beleza da mulher, mas pesquisadores americanos e austríacos mostraram nessa pesquisa que isso está mudando, pelo menos em países mais desenvolvidos. Nos países com maior igualdade de oportunidades entre os gêneros, é menor a força do antigo modelo homem provedor e mulher jovem e bonita, algo que psicólogos evolucionistas não acreditam muito. Pensam que o homem e a mulher carregam modelos mentais dos ancestrais que não mudaram muito com as transformações sociais.

O estudo mostra que em países com maior desigualdade de gêneros como Coréia e Turquia, a preferência das mulheres por homens bons provedores é duas vezes maior do que em países como a Finlândia e Estados Unidos. Na Finlândia, por exemplo, os homens são mais interessados do que as mulheres por uma companhia com alto nível educacional e inteligente.

Há muito pouco tempo o nível educacional e salário de uma mulher faziam pouquíssima diferença na hora de um homem escolher uma parceira. Hoje em dia esses atributos fazem mais diferença. Não custa também dar um bom trato no visual.

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Estamos familiarizados com ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder.  Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.

As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança.  Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.

Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.

Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.

Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

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As mulheres não são mais preguiçosas que os homens. Também não são menos analíticas. Qual é a razão delas participarem menos em áreas acadêmicas como as ciências, engenharia, tecnologia e matemática? Uma pesquisa recém-publicada no prestigiado periódico Science mostra que as pessoas envolvidas nessas áreas acreditam de forma enfática que é preciso ser brilhante para estar dentro desse jogo, qualidade que muitos ainda acreditam que as mulheres são menos favorecidas. .Esse estereótipo das mulheres serem menos brilhantes é a melhor explicação para a menor representação delas nesses campos do conhecimento.

O estudo foi conduzido por pesquisadores das universidades de Illinois e Princetown nos EUA e avaliou 1800 pesquisadores e estudantes de graduação, de 30 diferentes disciplinas. Entre outras perguntas, eles tinham que responder quais qualidades julgavam importantes para alcançar o sucesso em seus ramos.  As áreas em que os entrevistados julgavam que o brilhantismo era fundamental foram também as menos representadas por mulheres. Essa crença leva as mulheres a inconscientemente se afastar desses campos do conhecimento.  Pode também levar à discriminação em exames de seleção.

É bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres.

A maior pesquisa sobre esse assunto foi publicada recentemente no periódico Archives of Sexual Behavior e incluiu a opinião de 64000 americanos com a maior parte deles nos seus trinta e pouco anos.

65% das mulheres ficam mais abaladas com a traição emocional do parceiro do que com a traição sexual – 46% no caso dos homens. 54% dos homens ficam mais abalados com a infidelidade sexual do que com a emocional – 35% no caso das mulheres. Com os bissexuais e gays não existem diferenças entre traição emocional e sexual.

Sob a perspectiva da evolução da espécie os homens ficariam mais balançados com a traição sexual porque vivem a incerteza da paternidade. As mulheres não vivem nunca a incerteza da maternidade. Já as mulheres ficam mais vulneráveis com a traição emocional, pois o parceiro pode desviar recursos que iriam para os filhos.

Do ponto de vista cultural, o homem sente o desmoronamento de sua masculinidade quando a mulher o trai sexualmente. Já a mulher, considerada o elemento que pensa mais a relação, sente-se mais frustrada quando o homem se envolve emocionalmente com outra mulher.

A diferença entre os gêneros ocorreu independente da idade, nível sócio-econômico, antecedentes de traição e duração da relação. Entretanto, os jovens se mostraram mais chateados com uma possível traição sexual.

O fato é que os dois tipos de infidelidade fazem mal a todo mundo, independente da orientação sexual. A infidelidade é a causa comum de dissolução de relacionamentos estáveis em diversas culturas. Uma meta-analise de 50 estudos mostra que 34% dos homens e 24% das mulheres já tiveram em algum momento uma relação extraconjugal.

Os homens fazem mesmo mais coisas estúpidas que as mulheres. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada na edição de natal do prestigiado Jornal Britânico de Medicina – BMJ. ´

É bem conhecido que os homens têm maior comportamento de risco, frequentam mais as emergências de hospitais por acidentes esportivos e de trânsito e morrem mais cedo. Pesquisadores da Universidade de Newcastle na Inglaterra foram além. Eles investigaram o quanto os homens fazem mais coisas idiotas que as mulheres.  Para isso eles analisaram os ganhadores do prêmio Darwin em um período de 20 anos. O prêmio é concedido desde a década de 1990 a indivíduos que “melhoraram a raça humana” ao cometer uma idiotice. Melhoraram por sumir do planeta usando métodos estúpidos e de forma absolutamente voluntária.

Um exemplo é o de um homem que engatou um carrinho de supermercado a um trem e morreu após ser arrastado por mais de cinco quilômetros. Isso para não pagar a passagem. Outro exemplo é o de um terrorista que enviou uma carta bomba com uma quantidade insuficiente de selos. A carta voltou e ele abriu a própria carta. Bum. Não são meros acidentes.

De um total de 318 prêmios, 282 (87%) foram concedidos a homens.  Os resultados corroboram a teoria de que os homens são mais idiotas, fazem mais coisas estúpidas, correm mais riscos sem necessidade.  Para alimentar a auto-estima?

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A resposta do cérebro a situações ameaçadoras é menor quando ele tem contato com imagens de pessoas amadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.

Pesquisadores da Universidade de Exeter na Inglaterra avaliaram a resposta da região do cérebro que monitora as ameaças que enfrentamos, melhor dizendo as amígdalas, através da ressonância magnética funcional. Quando os voluntários eram apresentados a palavras e expressões faciais com contexto ameaçador, a ativação das amígdalas era bem menor quando eles eram apreciavam previamente de forme rápida imagens de pessoas amadas. Isso aconteceu mesmo sem prestar atenção no contexto das imagens das pessoas queridas.

Estudos prévios já haviam mostrado que esse contato com imagens de pessoas amadas é capaz de reduzir a resposta cerebral à dor. É bem conhecido também que é mais fácil a recuperação de pessoas com trauma psicológico quando elas têm o suporte emocional de pessoas queridas.

Novos estudos serão realizados usando essa estratégia no tratamento de indivíduos com estresse pós-traumático e outros transtornos mentais que levam a uma hipervigilância a situações estressantes e que, por sua vez, provocam respostas emocionais negativas exageradas.

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As mães são mais altruístas que os pais. Do ponto de vista evolutivo, a explicação dessa diferença é a maior certeza que as mães têm de que os filhos são seus, certeza que é menor no caso dos pais.

 

Em situações de carestia, o conhecimento do perfil de altruísmo das pessoas pode ser relevante, como em programas de redistribuição de renda. Qual a melhor estratégia? Direcionar recursos para a família como um todo ou para um dos membros? No Brasil, mais de 90% dos depósitos do Bolsa Família são direcionados às mães. Realmente essa é uma decisão bem acertada.  

 

Uma cooperação entre pesquisadores da Tanzânia e da Holanda testaram o quanto os gêneros são diferentes no quesito altruísmo com os filhos em uma situação de carestia na área rural da Tanzânia.

 

Grupos de pais tinham que escolher entre uma sandália para os filhos ou um “regalo” para si mesmos, como dinheiro ou meio quilo de açúcar. As sandálias tinham alto valor relativo, já que as crianças tinham o hábito de andar longas distancias descalças. As sandálias também valiam mais.

 

Quando a decisão era tomada de forma independente, as mães foram mais altruístas que os homens. Em outro experimento, em que ambos faziam as escolhas sabendo que outro também participaria com a sua decisão, o comportamento não foi diferente entre os gêneros.

 

Será que as mães passaram a contar que os pais teriam um comportamento altruísta? É o famoso deixa que eu deixo do futebol? Outra possível explicação para os resultados é que as mães não quisessem ficar em desvantagem imaginando que os pais tomariam uma decisão egoísta. As mães poderiam também imaginar que a obrigação dos pais era de garantir o beneficio ao filho.

 

Anyway, dinheiro nas mãos da mãe aparece mais para os filhos.

 

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Ameaça de estereótipo é um fenômeno em que uma pessoa experimenta insegurança e ansiedade pelo receio de terem um pior desempenho por fazerem parte de um grupo com estereótipo de inferioridade. Estamos falando da raça negra e gênero feminino, por exemplo.

As pessoas que fazem parte desses grupos têm pior desempenho quando “lembradas” desses estereótipos. Esse é o caso de meninas em testes de matemática quando lembradas que os meninos são melhores em matemática. O mesmo ocorre se as meninas recebem algum “toque” de que meninos são superiores no xadrez. O estereótipo de um campeão de xadrez é ode um homem bem esquisito e não o de uma mulher de salto alto.

Negros também têm pior desempenho em um teste cognitivo quando são avisados que a resolução do problema depende de habilidade intelectual. Negros carregam o estereotipo que são menos inteligentes que os brancos. Pobres também carregam um estigma gigante.

A ameaça de estereótipos pode fazer com que mulheres não sigam uma série de carreiras que os homens são supostamente superiores. Pode fazer com que negros não desenvolvam plenamente suas habilidades cognitivas. Meninos também carregam seus estereótipos. Sá que eles têm mesmo menores dons artísticos?

É fundamental a conscientização desse fenômeno por parte de pais e professores. Dar pistas para que se lembre da igualdade entre os gêneros e entre as raças pode fazer que não existam diferenças entre os grupos.

Em tempo. Esta semana o presidente do São Paulo deu a infeliz declaração: “Gostaria muito de ter o Kaká. É alfabetizado, tem todos os dentes na boca, bonito, fala bem…”. Pelo que eu saiba estereótipos de superioridade não ajudam a marcar gol.

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CBN-RICARDO[1]

Esta última semana tivemos mais uma pista que ajuda a entender porque uma pessoa que sofre de enxaqueca com aura tem mais chance de sofrer um derrame cerebral.

Pesquisadores americanos demonstraram que essas pessoas têm a rede de vasos sanguíneos incompleta, especialmente nas regiões mais posteriores do cérebro. Foram estudados 170 voluntários com e sem enxaqueca através de angiografia e ressonância magnética. O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.

Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam também o fenômeno da aura, que é um aviso de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente apresenta-se como sintomas visuais – visão de pontinhos luminosos, flashes em ziguezague, falha no campo visual. Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e, mais raramente, como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura, o cérebro é acometido por uma breve onda de excitação, seguida imediatamente de uma onda de depressão de sua atividade elétrica de forma mais sustentada. Esse componente elétrico é acompanhado de breve dilatação dos vasos, seguida por constrição e, consequente, redução do fluxo sanguíneo. Esse fenômeno também é demonstrado em pessoas com enxaqueca que não experimentam sintomas da aura.

Existem outras explicações para a relação entre enxaqueca com aura e derrame cerebral:

Aterosclerose e sangue com maior tendência à coagulação

Alterações cardíacas

Redução do calibre dos vasos durante a crise de enxaqueca

  

 

Não é só na capacidade de lembrar da data do aniversário de casamento que as mulheres deixam os homens para trás. Mulheres têm mais facilidade que os homens em reconhecer o rosto de uma pessoa e isso se dá porque elas analisam as características do rosto por mais tempo. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Psychological Science, jornal da Associação de Ciência Psicológica.

Pesquisadores da Universidade McMaster no Canadá utilizaram a tecnologia de rastreamento visual para identificar o comportamento do olhar frente a uma tela de computador com diversos rostos e seus respectivos nomes. De forma inconsciente, as mulheres fixavam por mais tempo o olhar nos olhos, nariz e boca e em um segundo momento conseguiam associar melhor a fisionomia com o nome de cada figura. Os achados ajudam a entender por que algumas pessoas lembram-se mais facilmente da fisionomia de uma pessoa, mesmo após um único encontro.

Essa mesma tecnologia é utilizada por publicitários e designers para entender qual parte de uma imagem ou objeto tridimensional as pessoas fixam mais o olhar. Além disso, muitas pesquisas estão em andamento para identificar padrões dos movimentos oculares característicos em algumas condições neuropsiquiátricas como o autismo, déficit de atenção e Doença de Parkinson.

Mulheres e homens também apresentam algumas diferenças quando a tarefa é orientação espacial.  Temos dois sistemas neuronais que se complementam para esse fim. Um deles usa pistas visuais, como placas de trânsito, árvores, etc. O outro usa direção e distância. Os homens tendem a se guiar mais por direção e distância e as mulheres por pistas visuais. No mato, os homens têm menos chance de se perder, mas, em compensação, no shopping as mulheres são imbatíveis.

 

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