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Jantar em um restaurante com iluminação discreta faz com que a gente tenha a tendência a comer menos. Só que essa penumbra também favorece a escolha de alimentos menos saudáveis. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada este mês pelo Journal of Marketing Research.

 

Pesquisadores da Universidade de Cornell e South Florida nos EUA mostraram que em um restaurante menos iluminado os pedidos eram 40% mais calóricos, enquanto que nos bem iluminados as pessoas têm uma tendência até 25% maior de escolher alimentos saudáveis (e.g.; carne branca, vegetais). Os autores explicam esses achados pelo nível de alerta das pessoas: no claro estamos mais atentos, inclusive para escolher as opções mais saudáveis do cardápio. Essas conclusões foram baseadas em um experimento complementar em que pílulas de cafeína placebo faziam com que as pessoas pedissem alimentos saudáveis em ambientes escuros na mesma proporção do que nos bem iluminados.

A luz cria o ambiente e a penumbra dá um “tchan” na experiência de uma refeição. Apesar dessa tendência de pedir alimentos calóricos, com menos luz comemos menores quantidades, mais devagar e com mais prazer.

 

 

O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.

Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Europeia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A ideia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.

A revista The Lancet publicou recentemente importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.

Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.

O Colégio Americano de cardiologia publicou esta semana uma análise do impacto da intervenção familiar na prevenção das doenças cardiovasculares e os resultados corroboram o Euroaction. A conclusão é que a abordagem da família como um todo faz a diferença e chama a atenção para a melhoria da comunicação entre os diferentes membros da família e a oportunidade de apreciação pelos profissionais de saúde das condições em que uma família vive.

Não é só a família que faz diferença

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo.

Ainda no ano de 2007 (NEJM 357;4), eles demonstraram que a rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo se tornou obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.

No ano de 2008 (NEJM 358;21), os pesquisadores demonstraram esse mesmo efeito de contágio social na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal para de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo para e 34% mais chance quando um colega de trabalho para. Ainda em 2008, os pesquisadores também demonstraram o efeito de contágio social na capacidade de uma pessoa se considerar feliz (BMJ) . Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho.

Em 2010, o contágio social também foi demonstrado no consumo de bebidas alcoólicas ( Ann Int Med). A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem. Os pesquisadores publicaram ainda em 2010 uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito foi mais marcante com amigas do sexo feminino (Mol Psychiatry).

Uma das pesquisas mais interessantes foi publicada em março de 2010 (PLoS One). Foi demonstrado entre adolescentes que o efeito do contágio social no perfil de uso de drogas chega a envolver quatro níveis da rede social. O estudo também mostrou o efeito de contágio social no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. O estudo também apontou que quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%. Esta foi a primeira vez que se evidenciou que o contágio social de um comportamento influencia o contágio de outro tipo de comportamento.

Em setembro de 2010 (PLoS One), os mesmos pesquisadores publicaram outro estudo que revelou que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

 

 

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Pesquisadores da Universidade do Alabama – EUA publicaram esta semana resultados de uma pesquisa que mostra que a privação de sono costuma vir acompanhada do hábito de comer ou beber fazendo outras coisas, como assistir TV comendo pipoca. A isso se chama alimentação secundária.

Dormir pouco faz com que a gente tenha comportamentos meio gulosos mesmo. Outra recente pesquisa publicada no periódico Obesity mostrou que se formos a um mercado após uma noite mal dormida, teremos uma tendência em comprar comida em maior quantidade e mais produtos calóricos do que se tivéssemos dormido bem.  Já foi até demonstrado que os centros de recompensa cerebral são mais ativados quando olhamos para imagens de alimentos quando estamos em dívida com o sono.

A associação entre privação de sono e maior risco de obesidade já é bem reconhecida. Já foi demonstrado que a privação de sono estimula a produção do hormônio grelina que está ligada ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo.

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Homens comem muito para impressionar. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada pelo periódico Evolutionary Psychological Science e que testou o comportamento de homens e mulheres americanos num rodízio de pizza.

Os resultados mostraram que os homens, quando em companhia de mulheres, comiam 92% mais pizza que quando numa mesa só de homens. Já entre as mulheres, a o gênero dos acompanhantes não trouxe diferença na quantidade que elas comiam. Elas não comeram mais quando estavam com homens à mesa, mas sentiam que que haviam comido mais.

Vários outros estudos já haviam mostrado o quanto os homens são “pavões” na frente das mulheres. Elas fazem com que eles tenham atitudes mais heroicas. Por exemplo, eles tomam mais decisões arriscadas envolvendo dinheiro quando tem mulheres olhando. Imagine Sean Connery como 007 no Cassino Royale.

O presente estudo foi conduzido pela respeitada Universidade de Cornell nos EUA.

A Society Of Coffee Drinkers

Agora não tem mais dúvida. A Associação Americana do Coração publicou na última semana os resultados de uma pesquisa que durou 30 anos e que mostrou que o consumo moderado de café reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares. O estudo também mostrou que a mortalidade por doenças neurológicas foi menor.

Já existem evidências que o café ajuda a prevenir o derrame cerebral e as doenças de Parkinson e Alzheimer. O presente estudo envolveu mais de 200 mil americanos e apontou que o efeito protetor do café acontecia com o consumo de até cinco doses por dia, tanto com o cafeinado como com o descafeinado. Moral da história? O café pode e deve fazer parte de uma dieta saudável.

Uma outra pesquisa recente encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Parece que podemos diminuir bastante esses medos e culpas.

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Quando for dar uma voltinha no shopping, faça uma boquinha antes. Assim, você gasta menos. Sem comida a gente fica com fome de outras coisas . Isso inclui até artigos de papelaria! Nosso juízo fica diferente.

Uma pesquisa recente publicada no disputadíssimo periódico PNAS demonstrou que voluntários famintos gostariam de ter mais para si até mesmo clipes de papel. Outro estudo mostrou também que homens, quando estão com fome, consideram fotos de mulheres obesas mais sensuais do que quando estão de barriga cheia. Quando se fala em alimentos, a fome dá mais fissura por alimentos com alto teor calórico. Essa é uma das razões pelas quais os nutricionistas nos orientam a não ficar mais de três horas sem fazer uma boquinha.

No caso dos clips, os famintos adquirem mais unidades durante o experimento sem achar que os clipes são mais legais. Com comida é diferente. A opinião sobre a qualidade interfere na quantidade “adquirida”. Gostar e querer podem ativar diferentes áreas do cérebro e uma coisa não necessariamente anda de mãos dadas com a outra. Viciados em jogo ou drogas querem, mas não gostam do que estão fazendo.

Os mesmos pesquisadores do estudo dos clips testaram voluntários no shopping center e demostraram que quem entrou com fome gastou mais.

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Sabemos que o hábito de consumir uma dieta rica em peixes é capaz de reduzir o risco de problemas no cérebro como o acidente vascular, depressão e Doença de Alzheimer. Na última semana, pesquisadores da Universidade de Columbia – EUA mostraram que esse hábito pode fazer também com que o cérebro resista à tendência de redução de volume em idades mais avançadas. O estudo foi publicado pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Após avaliarem o hábito alimentar e estudos de ressonância magnética de quase 700 idosos com uma média de idade de 80 anos, os pesquisadores demonstraram que aqueles que eram adeptos da dieta mediterrânea tinham um volume cerebral comparado ao de pessoas cinco anos mais novas. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

 

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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.

Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.

Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Este ano a prestigiada revista Neuron publicou os resultados de uma pesquisa bem interessante que mostrou que somos o que somos graças à abundância de gordura em nossos cérebros. Esse  conteúdo de gordura é de importância gigantesca, pois é a principal matéria-prima das membranas celulares e são essas membranas que permitem a sinalização elétrica entre os neurônios.

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha avaliaram o conteúdo de mais de cinco mil tipos de moléculas de gordura no cérebro de humanos, chimpanzés e roedores. Eles demonstraram que o cérebro dos humanos tem uma variedade de lipídios muito maior que o dos outros animais. Na história da evolução, homens e chimpanzés se originaram de um ancestral comum em uma época semelhante. Acreditava-se que esse conteúdo de gordura do cérebro não devesse ser muito diferente, mas a análise mostrou que somos três vezes mais avantajados. Já o conteúdo de gordura não foi diferente quando se comparou o cerebelo dos homens e chimpanzés. Essa é uma região do sistema nervoso mais arcaica e comum a todos os vertebrados e não é o que nos faz tão diferentes.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

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Solidão faz mal à nossa saúde e não sabemos muito bem ao certo quais os mecanismos envolvidos nesse “comportamento de risco”. Um estudo recém-publicado pelo periódico Hormones and Behavior testou a hipótese que uma das possíveis explicações para esse efeito adverso à saúde seria o aumento da ingestão calórica e suas bem conhecidas repercussões.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio nos Estados Unidos recrutaram 42 voluntárias (53 anos em média) que foram submetidas a um jejum de doze horas antes do inicio do estudo. Começaram a manhã com uma dieta de 930 calorias composta de ovos, salsicha de peru e biscoitos. No restante do dia elas tinham amostras de sangue para quantificação do hormônio grelina que está muito associado à fome e ao ato de comer. Elas também respondiam o quanto se sentiam famintas.

Os resultados mostraram que aquelas que se sentiam mais solitárias eram as que referiam mais fome e também as que tinham maiores níveis de grelina. Um estudo anterior publicado pelo mesmo grupo de pesquisadores havia revelado que mulheres que sofriam um estresse psicológico agudo tinham um aumento da grelina e redução do hormônio moderador de apetite – leptina.

Apenas hipóteses para explicar essa relação entre fome / grelina e solidão. A mais aventada é a de que do ponto de vista evolutivo a solidão provoca fome, já que comer é uma atividade de grupo e oportunidade de promover socialização.

Alcohol a head

Uma pesquisa publicada esta última semana pelo prestigiado British Medical Journal aponta que os efeitos benéficos do álcool estão limitados àqueles que já passaram dos 50 anos de idade.

Não existe dúvida que o consumo exagerado de álcool faz mal à saúde e está associado a mais de 200 doenças. Existe, entretanto, um robusto corpo de evidências de que seu uso moderado é melhor do que abstenção. Quem consome baixas doses de forma regular vive mais por apresentarem menos doenças que aqueles que nunca bebem. Será que é isso mesmo?

Pesquisadores ingleses e australianos investigaram o consumo de álcool entre mais de 30 mil ingleses e apontaram que a mortalidade é menor entre homens de 50-64 anos que bebem 15 a 20 unidades por semana e no caso das mulheres, menos de 10 unidades por semana.

Esse estudo é mais um motivo para os médicos pararem de ficar recomendando aos pacientes que consumam uma ou duas doses diárias como uma ação de promoção à saúde. Álcool não deve ser visto como suplemento alimentar para prevenir doenças.  Os médicos deveriam recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Isso está mudando. Além da presente pesquisa, outros estudos têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose diária não é segura.

 Ahh… Já estou quase chegando aos 50!

E não é que o som ambiente pode mudar o sabor da sua ceia? Se a ceia tiver muitas comidinhas doces ou azedas, ela ficará mais saborosa se a música for de tons mais agudos. A torta de limão terá mais presença ao som de violinos de Vivaldi. Se na ceia predominar gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores.  O café sem dúvida será muito bem acompanhado por uma ária com Plácido Domingo. Essa influência de uma experiência sensorial sobre outra é uma interessante linha de pesquisa da Universidade de Oxford na Inglaterra liderada pelo psicólogo Charles Spence.

O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos.  O mesmo vinho é considerado mais encorpados ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai. Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá deus pitacos em restaurantes. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.

** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido.  Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso.  Alimentos ricos em glutamato como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão em cima do molho bolonhesa.

Sabemos que alguns componentes nobres do cacau têm ações antioxidantes e antiinflamatórias que ajudama reduzir o risco de derrame cerebral. Mas será o cacau também tem o poder de melhorar nossas funções cognitivas como a memória? Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico Nature Neuroscience aponta que a resposta é sim.

Pesquisadores da Universidade de Columbia nos EUA mostraram que três meses de consumo diário de um superpreparado líquido das substâncias nobres do cacau, chamadas de flavanols, deixa a memória realmente mais afiada. O preparado fez com que voluntários com 60 anos de idade passassem a ter o desempenho de memória semelhante aos de 30-40 anos.  A pesquisa também mostrou que o giro denteado do hipocampo passava a receber maior fluxo sanguíneo após os três meses de flavanols. Esta é uma região do cérebro que está intimamente associada ao declínio cognitivo do envelhecimento normal. Essa ativação pelos flavanols já era conhecida entre roedores.

Não pense em encher a cara de chocolate, pois isso não deve ter o mesmo efeito. O preparado continha 900mg de fllavanols e foi produzido especialmente para a pesquisa. Essa concentração corresponderia a umas 25 barras de chocolate ou até mais, já que durante o processamento do cacau, perde-se muito desses componentes.

 A empresa de alimentos Mars que financiou parcialmente o estudo está sempre de olho na produção desses preparados em larga escala. Novos estudos serão realizados para testar se concentrações mais baixas de flavanols serão capazes de propiciar o mesmo efeito na memória.  Além disso, não se sabe ainda quanto tempo dura o efeito.

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Um estudo recentemente realizado no Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro apontou que o vinho de uvas Cabernet Sauvignon provoca menos enxaqueca que vinhos de outras uvas como Malbec ou Tannat.

 

Vinhos da uva Tannat provocaram crises de enxaqueca em 51,7% das vezes, Malbec em 48,2% enquanto Cabernet Sauvignon e Merlot empataram em 30%. Eles tinham que beber meia garrafa de diversos tipos de vinho com intervalos de pelo menos quatro dias.

 

Uma possível explicação para essa diferença é o fato da uva Cabernet ter menor teor de taninos, compostos da família dos flavonoides, substancias que conhecidamente trazem benefícios    para o coração.

 

Para confirmar a teoria de que os taninos estão associados à enxaqueca, os pesquisadores, num segundo momento, resolveram testar dois vinhos do mesmo tipo, sendo um deles produzido na América do Sul e o outro na França. O Cabernet francês é um vinho com mais concentração de taninos do que os da América do Sul, que tem uma maturação mais rápida. Os pesquisadores confirmaram a suspeita: a taxa de enxaqueca do vinho francês foi de 60,9%, enquanto que a do sul-americano, de 39,1%.

 

É bem reconhecido que o vinho branco e os espumantes são muito mais inocentes quando se pensa em enxaqueca. Eles possuem um teor muito menor de flavonoides que os tintos. Entretanto, os flavonoides não parecem ser os únicos vilões. As frutas coloridas são riquíssimas nessas substancias e nem por isso provocam enxaqueca. O álcool por si só tem seu poder de desencadear crises, mas outros componentes devem estar envolvidos.

 

 

 

A pesquisa foi publicada na revista “Headache”, publicação da Sociedade Americana de Cefaleia.

 

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Fast food é um dos maiores símbolos da vida corrida, impaciente. Pesquisadores da Universidade de Toronto no Canadá resolveram investigar o quanto esse jeito “moderno” de comer influencia a capacidade das pessoas em apreciar ouras coisas na vida que não combinam com impaciência.

 

Eles aplicaram a quase trezentos voluntários um questionário que investigava o prazer que tinham com experiências como encontrar uma cachoeira no meio de uma trilha. Os resultados mostraram que aqueles que moravam em regiões com maior número de estabelecimentos fast food eram os que tinham menos prazer com as experiências. Isso não consegue provar que existe uma relação causa e efeito. Foram além e realizaram mais dois experimentos.

 

Mediram o quanto as pessoas curtiam fotos de paisagens ou uma música erudita intercalados por fotos de sanduíches embalados com a marca McDonald ou de um prato de cerâmica com os mesmos alimentos: sanduíche e batatas fritas. Aqueles escolhidos com as imagens dos sanduíches embalados relataram menos prazer com ambos os estímulos.

 

Alguns podem pensar que o fast food traz economia de tempo que pode ser utilizado para coisas prazerosas da vida. Parece que não é bem assim.

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CBN-RICARDO[1]

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O periódico Nature Neuroscience publicou na última semana um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade John Hopkins que mostrou o poder positivo da cafeína sobre a memória.

 

Voluntários que não tinham o hábito de consumir alimentos ou bebidas cafeinadas foram apresentados a uma série de imagens. Após a análise das imagens eles recebiam uma pílula com 200mg de cafeína ou uma pílula placebo. No dia seguinte os participantes eram testados para avaliar novas imagens, como se fosse um jogo de sete erros. Eles precisavam dizer se a imagem era igual à do dia anterior, só parecida ou igual com algumas modificações. Quem tomou a pílula de cafeína teve mais sucesso no teste.

 

Estudos anteriores já tinham avaliado o potencial benefício da cafeína sobre a memória, mas a cafeína sempre era administrada antes da tarefa. Isso deixava sempre a duvida se os benefícios à memória eram decorrentes da melhora da atenção. Dessa vez não. Os voluntários tomaram a pílula depois do teste. Não foi o componente de atenção que fez a diferença.

 

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Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

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Imagine só pensar que você está comendo um alimento saboroso 33 vezes seguidas. Depois desse exercício esse alimento é oferecido ao vivo e em cores. Você tem a metade do apetite de uma pessoa que fez outro exercício de pensar que colocava moedas repetidas vezes numa máquina de lavar. Isso foi com confeitos M&M, mas o mesmo aconteceu quando os voluntários eram testados com pedacinhos de queijo. Entretanto, o aumento do apetite acontecia para os queijinhos, mas não para o chocolate. A saciedade não era transferível para outro tipo de alimento.

Essas experiências foram publicadas em 2010 pela revista Science e abriram discussões calorosas sobre o poder da mente no controle de peso. Ao invés de livros de dietas para emagrecer, quem sabe livros com fotos de pratos suculentos para serem saboreados na imaginação?

Essa saciedade mental pode ser explicada pelo efeito de habituação. Estímulos repetitivos passam a não ter mais o mesmo impacto depois de um tempo. A primeira mordida costuma ser a mais gostosa. Entretanto, a última mordida também tem seu valor. Se sobrarem dois biscoitos em uma lata, eles serão considerados mais gostosos do que quando a lata está lotada deles.

O banquete mental teve seus efeitos colaterais. A vontade de comer alimentos que combinam com o alimento aumentou. Quem imaginou a degustação de queijinhos comeu menos queijo depois, mas comeu muito mais pão.

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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

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CBN-RICARDO[1]

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Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.

Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.

Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.

A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.

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