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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha demonstraram resultados de experiências com passarinhos que têm parcerias parecidas com as dos humanos: costumam escolher um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes.

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida eram forçados a novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares espontâneos tinham 37% mais chances de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

Uma série de experimentos acaba de ser publicada por pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA em parceria com o centro Herzliya de Israel  e aponta que, entre os humanos, a relação é sexualmente mais forte quando o(a) candidato(a) parece ser mais viável para uma parceria romântica no longo prazo. Poderíamos dizer que o turbilhão da atração sexual é potencializado pelo amor romântico que sinaliza uma complementariedade e segurança. O mesmo fenômeno foi observado entre casais que já tinham uma relação estável. Os que demonstravam mais respeito mútuo, consideração e afeto eram os que tinham a maior atração sexual.

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Black and White Photo of Mother and Children
Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.
A natureza dá uma força para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.

A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.
Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Talvez não seja à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.
 

E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.
 
E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.
 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade até mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, profissional, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

Pile of Covered Books

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O hábito de colecionar coisas, mesmo as que não têm qualquer utilidade à primeira vista, é comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas quanto em primitivas. Tal costume também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em diversas famílias de pássaros, mamíferos e vários tipos de insetos. E o de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem coletar contas de vidro.

A estocagem de alimento faz todo o sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos e até mesmo pelo valor material, como é o caso de obras de arte.

O fato é que, em algumas situações, o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação, o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das quinquilharias. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos e, após a aquisição, são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa.

Várias doenças neuropsiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro, como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.

Em um extremo, podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu pelo menos uma parte dos livros que comprou. No outro extremo, está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que poderiam estar num ferro-velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável coleção de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando.

 

 

.adult, alone, black and white

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As redes sociais estão cheias de recados para ficarmos atentos com pessoas com grande nível de estresse e isso realmente parece ter bons fundamentos. No caso de pessoas queridas, acredito que ficar atento não quer dizer abandonar o barco, mas sim ajudar o outro a tentar enxergar o que pode ser mudado para minimizar essa condição.

Recentemente, uma preciosa peça foi colocada nesse quebra-cabeça. Pesquisadores da Universidade de Calgary no Canadá mostraram que camundongos estressados transmitem esse estado a outros que não receberam os estímulos estressantes. Isso já sabíamos. Dessa vez registraram que o cérebro daqueles não expostos ao estresse real apresentaram alterações celulares idênticas aos daqueles que foram expostos. Registraram mudanças nas sinapses de neurônios no núcleo paraventricular do hipotálamo que secretam o hormônio liberador de corticotropina, que por sua vez estimulam a liberação de outro hormônio na hipófise (ACTH) para finalmente provocar a produção do cortisol. O cortisol é considerado o hormônio do estresse e seus níveis elevados estão muito associados a quadros de ansiedade e depressão.

Os pesquisadores foram além. Demonstraram que o efeito negativo nas sinapses foi minimizado após interações sociais com camundongos que até então não tinham participado do experimento. Entretanto, só as fêmeas se beneficiaram. Resolveram também manipular a atividade desses neurônios, tipo ativar ou desativar. Quando esses neurônios eram desativados, toda a sequência de influência sobre os outros foi desativada, mesmo após o estímulo estressante. E quando eles ativaram, o contágio nos outros acontecia, mesmo sem o estresse real.  Essa ativação promovia a liberação de um sinal químico, como se fosse um feromônio de alarme, que é capaz de transmitir a informação para os outros membros do grupo. Isso serve para muitas espécies para comunicar situações de risco. Entre os humanos essa comunicação também parece acontecer, mas em épocas que não precisamos saber que um leão está se aproximando, isso talvez gere mais prejuízos do que benefícios.

A pesquisa foi publicada no prestigiado periódico Nature Neuroscience.

Sliced Tuna With Green Leaf Vegetables

Crianças por volta de seus dez anos de idade que consomem peixe pelo menos uma vez por semana dormem melhor e ainda têm uma maior pontuação em testes de QI. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo renomado periódico Scientific Reports. Os pesquisadores recomendam que os pais já poderiam criar esse hábito alimentar nas crianças desde os dois anos de idade para que elas se acostumem, já desde cedo, com esse alimento tão nobre para o cérebro.

Esses resultados foram interpretados pelos autores como tendo uma relação causa e efeito bem possível: melhorando a qualidade do sono, as crianças teriam melhores pontuações nos testes de Q.I. O mais provável é que o fator sono responda apenas parcialmente pelos resultados positivos do consumo de peixe na cognição.

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores, que em última instância, refletem o sucesso em se alimentar, como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

 

 

injeja

 

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico. Pesquisas recentes têm-nos provocado novas reflexões sobre o quanto esses sentimentos devem ser vistos como patológicos ou não.

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. A inveja pode ser definida como o desejo de possuir aquilo que é do outro (ex: sucesso, bens materiais) e/ou o desejo que o outro não possua aquilo que é invejado. A língua alemã usa a palavra schadenfreude, sem equivalente em português, para descrever algo diferente da inveja, mas que costuma andar lado a lado com ela: um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade do outro.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Um recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa revelou que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de perceber inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.Aqueles com lesão cerebral do lado direito do cérebro tiveram mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles com lesões do lado esquerdo entendiam com mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, na vida real, esses mesmos indivíduos teriam mais dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.

A revista Science publicou um estudo em que pesquisadores japoneses demonstraram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cacetadas” e também o porquê  dos meios de comuincação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.

O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.

 

Woman Wearing White Long Sleeve Dress Holding Pink Wedding Bouquet

 

Uma série de pesquisas aponta que não. Uma pessoa tem mais chance de escolher um(a) companheiro(a) quando essa outra pessoa tem o DNA parecido.

 

A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. E a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro.

 

Não faz muito tempo, o periódico Proceedings of the National Academy of Sciences publicou uma pesquisa mostrando que o uma pessoa tem o código genético mais parecido do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento.

 

A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres se sentem mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter comportamento diferente dos demais. Esse estudo foi o primeiro a analisar as semelhanças do código genético entre membros de um casal utilizando todo o genoma.

 

Em janeiro de 2017, outra pesquisa publicada pela revista Nature Human Behavior confirma a tese que DNAs parecidos se atraem. Pesquisadores australianos estudaram os genes de milhares de casais e mostraram uma inequívoca associação entre os genes vinculados a peso e altura de um indivíduo com o peso e altura do(a) parceiro(a). Do ponto de vista evolutivo, isso garante uma maior chance de perpetuação das características fenotípicas à prole.

 

Resumo da ópera. Pessoas com mais semelhanças que diferenças têm mais chance de se atrair para construírem uma relação de longo prazo. Entretanto, vale sempre a pena lembrar que respeitar e incentivar as diferenças pode ser uma das melhores receitas para que essa relação se sustente.

cooking, food, garlic

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Mulheres preferem o cheiro de homens que se alimentaram há pouco tempo de alguns tipos de alimento e entre eles está o ALHO!

 

Já existiam pistas de que fêmeas de algumas espécies dão preferência a machos que se alimentaram recentemente de dietas ricas em nutrientes. Esse é o caso das salamandras, por exemplo. Recentemente, pesquisadores da República Tcheca demonstraram que as mulheres têm mais prazer em sentir o cheiro do suor de homens que comeram alho. Elas relatavam que o cheiro era mais másculo e atraente do que o suor de um grupo controle. Pelo menos quatro dentes de alho ou uma cápsula com um grama de extrato de alho foram necessários para esse efeito. O alho tem poder bactericida e antioxidante e é capaz de mudar o cheiro do suor.  Uma das hipóteses para a maior atração das mulheres por esse suor é que ele pode disparar um aviso de que aquele macho é um potencial parceiro saudável.

 

Um outro estudo publicado este ano demonstrou que as mulheres dão preferência ao cheiro de camisetas de homens que consumiram mais alimentos ricos em carotenoides como cenoura e abóbora. Esses alimentos provavelmente disparam um mecanismo arcaico nas fêmeas de que aquele macho é mais saudável. Deficiência de carotenoides está associada a mais infecções e mortalidade. Além disso, homens brancos são considerados visualmente mais atraentes pelas mulheres quando têm na pele mais pigmentos amarelados dos carotenoides.

 

** O hálito de alho não costuma ser atraente. Portanto, não é uma boa ideia comer uma cabeça de alho logo antes de sair de casa para um jantar romântico.

 

 

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico Current Biology mostrou que os homens são mais amigáveis após o término de um conflito do que as mulheres. Isso parece soar meio desafinado, pois é fato que os homens são mais agressivos e competitivos. Que história é essa de amigáveis?

Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram centenas de vídeos de “guerras do dia a dia moderno” de 44 diferentes países. Estamos falando de competições esportivas. Eles demonstraram que ao final de uma partida os homens têm uma maior proximidade com o “inimigo” do que as mulheres. Isso foi identificado como abraços, apertos de mãos e tapinhas nas costas.

A explicação evolutiva para esse comportamento é que os homens, após terminado o conflito, têm a tendência em se aproximar do “inimigo” para garantir alianças para uma futura guerra. Eles garantem a perpetuação da espécie não só vencendo disputas para conseguir gerar mais filhos, mas também por preservarem a comunidade como um todo em conflitos entre grupos. Isso seria algo que os homens herdam dos seus ancestrais.

Estudos com chimpanzés evidenciam essa mesma tendência: os machos depois de um quebra-pau dão mais abracinhos que as fêmeas. Quanto às fêmeas, sabemos muito bem que no universo família elas são mais cooperativas. Porém, as mulheres sentem-se mais abaladas após um conflito de trabalho com outra mulher quando comparamos com a mesma situação em que os personagens são dois homens.

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Podemos dizer que um chimpanzé só olha para o próprio umbigo.  Por um lado, ele não tem a mínima tendência em oferecer alimento a parceiros do mesmo grupo, mesmo que a atitude não custe nada a ele. Por outro lado, ele também não costuma impedir que outro tenha acesso a alimento.

Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um estudo publicado pela revista Nature mostrou que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte. Nesse estudo, as crianças ainda apresentaram aversão a situações em que a divisão era feita com desigualdade. A metodologia usada permitiu inferir que os resultados observados são independentes do efeito reputação, ou seja, a atitude altruísta das crianças foi considerada independente do fato de se “fazer o bem” porque tem gente olhando e que por isso a ação poderia trazer benefícios futuros. No caso de adultos, é mais difícil isolar o efeito reputação, já que mesmo instruídos de que as respostas serão mantidas em sigilo, o comportamento pode ser influenciado pela sensação de que sempre alguém pode estar olhando.

Em contraste, no mesmo estudo crianças ente 3 e 4 anos não tinham muita tendência em dividir com seu grupo. É sabido que crianças, até com menos de dois anos de idade, são capazes de colaborar com outras na realização de tarefas motoras, fenômeno chamado de altruísmo instrumental, e essa é uma condição também observada entre nossos ancestrais chimpanzés. Porém, dar uma forcinha para abrir uma porta é uma coisa. Já dividir o alimento é outra bem diferente.

O estudo demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. O altruísmo “extra-paroquial” é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.

** Outro interessante estudo chama a atenção que excesso de empatia dificulta a compreensão do problema do outro. Empatia demais faz com que a pessoa não consiga ter aquela visão crítica “de fora” que os amigos tanto precisam. O estudo envolveu análise de ressonância magnética funcional e mostrou que as pessoas muito empáticas têm maior ativação de áreas cerebrais que dificultam entender as peculiaridades da situação.

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Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.

A natureza dá uma forçinha para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem com que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.
A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.

Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Não é à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.

 
E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.

 

E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.

 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade bem mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, provedora, profissional realizada ou em busca de realização, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

 

 

 

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Algumas pessoas são atraentes, inteligentes, mas não vão para frente nos relacionamentos amorosos. Uma nova pesquisa sugere que as pessoas, ao avaliarem um potencial parceiro, têm a uma tendência em enxergar mais os defeitos que as qualidades. O estudo foi publicado recentemente no periódicoPersonality and Social Psychology Bulletin.

 

Pesquisadores americanos examinaram os resultados de seis diferentes estudos que avaliaram as razões porque uma relação não levantou vôo. As razões mais identificadas foram:

– falta de atração física

– estilo de vida pouco saudável

– traços de personalidade

– diferenças de crenças religiosas

– status social limitado

– diferenças nas estratégias de paquera

– diferenças nas expectativas de uma relação

 

O estudo também mostrou que as mulheres são mais influenciadas por esses “defeitos”.

Pesquisadores da Universidade de Oxford na Inglaterra avaliaram o efeito que 55 diferentes piadas tiveram sobre alunos da London School of Economics e mostraram que alguns tipos de piada agradam mais que outros. O estudo foi publicado esta semana pelo periódico Human Nature.

As piadas foram extraídas de uma lista das 101 melhores piadas de todos os tempos e os resultados mostraram que os estudantes deram maiores notas às piadas que tinham um nível de complexidade médio. Nem tão simples e nem tão complicadas. Quando tinham um roteiro com muitos personagens, ou muitas idas e vindas na história, características estas que podem fazer com que o ouvinte perca o fio da meada, a pontuação era mais baixa. Piadas com dois personagens foram consideradas melhores do que com mais ou menos personagens.

O estudo concluiu que uma boa piada deve ser a mais direta possível e que deve nos fazer rir com pouco esforço, mas nem tão pouco esforço.

 

O ato de rir provoca mudanças fisiológicas no corpo e um estado emocional que podem ser positivos ao estado de saúde.

Estudos que avaliaram o impacto do humor sobre a saúde dedicaram-se principalmente aos temas dor, estado imunológico e saúde cardiovascular. Alguns experimentos apontaram que indivíduos são mais capazes de suportar estímulos dolorosos quando estão assistindo a vídeos com conteúdo de humor. Outros estudos avaliaram componentes do sistema imunológico antes e depois de uma sessão de vídeo com conteúdo de humor e os resultados revelaram respostas imunológicas positivas. Quanto ao sistema cardiovascular, pesquisadores demonstraram que pacientes com doença coronariana têm menores scores numa escala de senso de humor frente a situações do cotidiano. Na verdade, temos boas evidências de que a falta de senso de humor, ou uma vida acompanhada de impaciência, raiva e atitudes hostis, estão associados a um maior risco de desenvolver pressão alta, piorar o controle dos níveis de glicose e ainda aumentar o risco de doença isquêmica do coração e morte.

O humor pode modular os efeitos adversos do estresse.

 

Qualquer emoção intensa é capaz de ativar o sistema nervoso simpático, que por sua vez libera uma série de “combustíveis” no sangue, entre eles a adrenalina, para que estejamos prontos a enfrentar ou a fugir da situação que nos provocou emoção. Uma pesquisa que comparou os efeitos fisiológicos durante um filme triste e um filme de humor revelou que ambos eram capazes de estimular o sistema nervoso simpático, mas provocaram respostas diferentes no quesito pressão arterial. O filme triste aumentava a pressão arterial dos voluntários enquanto o filme de humor não. Um outro estudo comparou os níveis de hormônios de estresse antes e depois de assistir a um vídeo de humor e mostrou uma redução dos níveis de cortisol, hormônio do crescimento e de um metabólito da dopamina.

Há evidências de que o humor pode ser um bom remédio contra a ansiedade. Um interessante experimento propôs aos voluntários que eles receberiam um pequeno choque a qualquer momento.  Uma parte dos indivíduos estudados apenas esperou pelo choque, outra parte esperou ouvindo um áudio sem conteúdo humorístico e um terceiro grupo esperou pelo choque ouvindo um áudio com conteúdo de humor. O áudio de humor foi capaz de reduzir a ansiedade antecipatória ao choque e o efeito foi mais robusto entre os indivíduos com maior senso de humor.

O humor tem o potencial de incrementar a rede de relacionamentos de um indivíduo, promovendo maior apoio social.

Estudos revelam que o senso de humor de uma pessoa está associado a outras virtudes que facilitam as relações sociais, como é o caso da empatia, capacidade de se relacionar com intimidade e confiança interpessoal. Além disso, temos cada vez mais evidências de que existe certo contágio emocional entre as pessoas. Pessoas que mantém contato com um indivíduo deprimido têm maior tendência em ficar deprimidas. Sabemos também que nosso estado de felicidade é um fenômeno de rede social, ou seja, depende do grau de felicidade das pessoas com as quais estamos conectados.

Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nas pessoas, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.

Onde é que o riso se encontra no nosso cérebro?

As regiões mais frontais do nosso cérebro são consideradas as mais recentes no processo de evolução da espécie, e é aí que se concentram funções especializadas como a linguagem e o riso. O riso por sinal é exclusivo da espécie humana – a hiena não ri – e já foi demonstrado que a área cerebral que desencadeia o riso em última instância está nessa parte frontal. Já foi até comprovado que sua estimulação elétrica durante procedimentos cirúrgicos é capaz de desencadear o riso. Temos evidências também que o hipotálamo e as regiões temporais também têm participação na geração do riso. É claro que no mundo real precisamos do cérebro como um todo para entender a piada.

 

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Homens comem muito para impressionar. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada pelo periódico Evolutionary Psychological Science e que testou o comportamento de homens e mulheres americanos num rodízio de pizza.

Os resultados mostraram que os homens, quando em companhia de mulheres, comiam 92% mais pizza que quando numa mesa só de homens. Já entre as mulheres, a o gênero dos acompanhantes não trouxe diferença na quantidade que elas comiam. Elas não comeram mais quando estavam com homens à mesa, mas sentiam que que haviam comido mais.

Vários outros estudos já haviam mostrado o quanto os homens são “pavões” na frente das mulheres. Elas fazem com que eles tenham atitudes mais heroicas. Por exemplo, eles tomam mais decisões arriscadas envolvendo dinheiro quando tem mulheres olhando. Imagine Sean Connery como 007 no Cassino Royale.

O presente estudo foi conduzido pela respeitada Universidade de Cornell nos EUA.

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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.

Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.

Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha publicaram esta semana na PLOS Biology resultados de experiências com passarinhos que têm “parcerias” parecidas com as dos humanos: escolhem um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes (nem sempre..).

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida forçaram novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares tinham 37% mais chance de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

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Um dos estudos mais importantes sobre o tema avós e evolução humana foi publicado na respeitada revista científica Nature no ano de 2004. Os pesquisadores avaliaram dados históricos demográficos de populações canadenses e finlandesas do século XIX e evidenciaram que tanto mulheres como homens que tinham mães que viveram mais após os 50 anos de idade tiveram seus filhos mais precocemente, intervalos mais curtos entre o nascimento dos diferentes filhos e uma maior chance de que eles chegassem à idade adulta. Além disso, as mulheres que moravam longe das mães tinham menos filhos quando comparadas àquelas que moravam na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma vila. O efeito positivo da avó foi mais pronunciado ainda quando a avó tinha menos de 60 anos de idade quando do nascimento de seu neto. Um dos resultados mais importantes do estudo foi o de que a presença da avó foi relevante na sobrevida dos netos entre os três e cinco anos de idade, mas não nos primeiros dois anos de vida (período da amamentação), reforçando a idéia de que o “efeito avó” existe independentemente das peculiaridades genéticas dos netos ou do desempenho das mães. E os resultados não foram diferentes entre as duas populações estudadas: canadenses e finlandeses.

E parece que o poder do “efeito avó” chega a influenciar também a longevidade das relações de casal. Antropólogos liderados por Kristen Hawkes da Universidade de Utah – EUA publicaram esta semana uma simulação computacional de 30 a 300 mil anos do que seria dos casais sem as avós.

Na maior parte dos primatas, são os machos mais velhos que costumam ser inférteis e não as fêmeas como na espécie humana. Inclusive, os chimpanzés machos dão preferência às fêmeas mais velhas. O estudo de Hawkes mostra que com o passar dos anos temos mais homens do que mulheres férteis e isso cria uma concorrência mais forte entre eles. Nesse novo estado de concorrência é mais vantajoso fazer uma parceria estável, especialmente quando se tem uma avó cuidando das crianças que não precisam mais do peito materno e deixam a mãe “liberada” para gerar um novo filho. A simulação de Hawkes mostrou que as avós deixaram a concorrência masculina duas vezes mais difícil: sem as avós a concorrência é de 77 homens para 100 mulheres enquanto que com as avós isso sobe para 156 homens para cada 100 mulheres. A pesquisa foi publicada pela prestigiadíssima revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Este ano a prestigiada revista Neuron publicou os resultados de uma pesquisa bem interessante que mostrou que somos o que somos graças à abundância de gordura em nossos cérebros. Esse  conteúdo de gordura é de importância gigantesca, pois é a principal matéria-prima das membranas celulares e são essas membranas que permitem a sinalização elétrica entre os neurônios.

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha avaliaram o conteúdo de mais de cinco mil tipos de moléculas de gordura no cérebro de humanos, chimpanzés e roedores. Eles demonstraram que o cérebro dos humanos tem uma variedade de lipídios muito maior que o dos outros animais. Na história da evolução, homens e chimpanzés se originaram de um ancestral comum em uma época semelhante. Acreditava-se que esse conteúdo de gordura do cérebro não devesse ser muito diferente, mas a análise mostrou que somos três vezes mais avantajados. Já o conteúdo de gordura não foi diferente quando se comparou o cerebelo dos homens e chimpanzés. Essa é uma região do sistema nervoso mais arcaica e comum a todos os vertebrados e não é o que nos faz tão diferentes.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

O cheiro do suor pode transmitir a outra pessoa seu estado emocional. Se alguém está alegre, seu suor pode “contaminar” o outro com essa alegria e o mesmo acontece com o estado de medo. Essa transmissão se dá por sinais químicos presentes no suor. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Psychological Science.

Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que emoções negativas podem ser transmitidas a outras pessoas através do suor, mas não se sabia bem ao certo se o mesmo acontece com emoções positivas.

Pesquisadores holamdeses da Universidade de Utrecht colheram amostras de suor de 12 voluntários homens após assistirem a vídeos que induziam três diferentes estados emocionais: medo, alegria e neutralidade.  Trinta e seis mulheres cheiraram as amostras de suor dos doze homens e quando eram expostas ao suor de homens que assistiram ao vídeo alegre, passavam a demonstrar uma expressão facial de alegria. Quando sentiam o suor dos homens que assistiram ao vídeo que evocava medo, passavam a apresentar uma expressão facial apreensiva,  enrugando os músculos da testa.  O teste foi duplo cego – nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam que tipo de suor estava sendo testado.

Futuros estudos deverão explorar esse conhecimento para aplicação na indústria de perfumes.

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Uma pesquisa publicada na última semana no jornal eLife por pesquisadores Israelenses aponta que o aperto de mãos pode ser uma forma ancestral e socialmente aceitável das pessoas experimentarem o cheiro dos outros. O estudo mostrou que as pessoas cheiram inconscientemente a mão usada para um aperto de mãos duas vezes mais. O estudo conclui que as pessoas n/ao estariam apenas expostas passivamente aos odores, mas que também buscam de forma ativa.  Os animais cheiram seus semelhantes de forma muito menos “disfarçada”.

Os pesquisadores avaliaram 280 voluntários separados em dois grupos: uns foram filmados após um aperto de mão e outros que não receberam este cumprimento.  O aperto de mãos entre pessoas do mesmo gênero foi associado a um comportamento inconsciente de cheirar a própria mão duas vezes mais freqüente.  Já entre pessoas de gêneros opostos, essa mudança foi menor.

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