Man and Woman Holding Wine Glasses

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Por Dr. Ricardo Teixeira

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É isso mesmo. Um casal ao longo do tempo substitui as briguinhas, mais presentes nos primeiros anos de convívio, por bom humor e compreensão.  Essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado pela Universidade da Califórnia nos EUA. Os pesquisadores estudaram, através de vídeos, as interações de 87 casais heterossexuais juntos há pelo menos 15 anos. Essa análise era feita por avaliação da expressão facial, conteúdo verbal e tom de voz. As emoções observadas eram então categorizadas em raiva, desprezo, comportamentos defensivos ou de dominação, medo, tensão, tristeza, manha, interesse, afeto, humor, entusiasmo e validação.

 

Os pesquisadores avaliaram por 13 anos o conteúdo emocional das interações desses casais e mostraram que aqueles que tinham mais tempo de estrada apresentavam menos comportamentos críticos e ficavam menos na defensiva. Foram também os que se comunicavam com mais ternura e humor. Os resultados são contrários à ideia de que com o tempo a relação de uma casal se desgasta e fica menos afetuosa. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a relação estável de longo prazo reduz o risco de ansiedade e depressão.

 

No atual estudo, comportamentos negativos foram menos expressivos em casamentos mais duradouros de uma forma geral, independente do grau de satisfação com o casamento, mas as mulheres tinham uma maior tendência em assumir posturas dominadoras.

 

Outras pesquisas revelam que um projeto de vida a dois bem sucedido tem repercussões positivas em diversas dimensões do equilíbrio psíquico, mas também da saúde física. Por outro lado, um casamento estressante pode ter o efeito oposto, especialmente entre as mulheres.

 
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Sleeping Woman in Front of Turned-on Table Lamp Beside Books

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Por Dr. Ricardo Teixeira

 

São muitos os fatores que levam a garotada a dormir menos e o mais lembrado é o mundo digital. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico da Academia Americana de Medicina do Sono mostra que crianças e adolescentes que dormem pouco realmente são mais expostas às telas de smartphones, tablets, TVs, etc. Porém, o que chama mais atenção no estudo é que elas também têm maior tendência à obesidade e têm uma dieta pouco saudável: comem mais doces e fast-foods e mais frequentemente ficam sem o café da manhã.

 

De um total de quase 200 mil crianças americanas estudadas, cerca de 40% dormiam menos que o recomendado que são 9-12 horas entre as crianças de 6-12 anos de idade e 10 horas entre os adolescentes de 13 a 18 anos. Além disso, adolescentes com privação de sono também tinham menos capacidade aeróbica.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que crianças e adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica, há também, entre os adolescentes, o consumo excessivo de cafeína e isso acaba virando um círculo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem contribuir para que eles durmam menos, como a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. Essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, e os efeitos vão muito além disso. Crianças e adolescentes que dormem pouco também têm maior risco de depressão, alergias e exacerbação de crises de asma

 

 

 

 

Woman Drinking Wine

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As mesmas regiões do cérebro estão envolvidas no processamento da orientação espacial e do olfato. Isso lhe parece lógico? Até o mês passado isso não passava de uma construção teórica de que uma das principais funções do olfato é a navegação, já que a maioria dos animais usam esse sentido para buscar alimento e fugir dos predadores.

Pesquisadores da Universidade de McGill no Canadá publicaram recentemente na revista Nature Communications  um estudo demonstrando essa relação pela primeira vez entre humanos e que as regiões cerebrais  envolvidas são o hipocampo e o córtex orbitofrontal medial. A pesquisa envolveu adultos jovens que passavam por testes de orientação espacial numa cidade virtual  e também um teste para identificar 40 tipos diferentes de odores. Aqueles que se saíram melhor nos testes de orientação também foram os que melhor identificavam os diferentes cheiros. O achado inédito de que essas duas funções são desempenhadas pelas mesmas áreas cerebrais sugerem que os dois sistemas evoluíram ao mesmo tempo no nosso cérebro.

This picture shows an american astronaut in his space and extravehicular activity suite working outside of a spacecraft. In the background parts of a space shuttle are visible. In the far background of the picture planet earth with it's blue color and white clouds is shown as well as a patch of black space.

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Por Ricardo Teixeira*

 

Você tinha um mundo paralelo quando era criança? Um amigo fictício? Pesquisadores americanos reconheceram recentemente que isso é mais comum dos que se imaginava. Esse outro mundo, também chamado de paracosmo, está presente em quase 20% das crianças com idades entre 8 e 12 anos. Essas crianças se mostraram mais criativas nos testes cognitivos e, curiosamente, não eram mais solitárias. Esse mundo paralelo frequentemente era vivenciado em grupo junto a outras crianças do círculo social.

 

Os brilhantes músicos americanos Herbie Hancock e Wayne Shorter escreveram recentemente uma carta às próximas gerações de artistas para acender as mentes criativas. Acho que isso deveria servir de inspiração a todos nós, independente de sermos ou não artistas. A vida pode ser uma obra de arte. Aliás, deve ser.  

 

Seleciono aqui um trecho da carta que acho um primor: “Finalmente, esperamos que você viva em um estado de constante deslumbramento. Com o acúmulo dos anos, partes da nossa imaginação podem se apagar. Ou por tristeza, dificuldades prolongadas, ou condicionamento social, em algum momento de suas vidas as pessoas se esquecem de como acessar esta mágica inerente que existe dentro de nossas mentes. Não deixe essa parte da sua imaginação desaparecer. Olhe para as estrelas e imagine como seria ser um astronauta ou um piloto. Imagine explorar as pirâmides ou o Machu Picchu. Imagine poder voar como um pássaro ou passar por uma parede como o Super-Homem. Imagine correr com os dinossauros ou nadar com criaturas do mar. Tudo o que existe é produto da imaginação de alguém; cuide bem e nutra sua imaginação e você sempre se encontrará à beira da descoberta.  Como cada um desses fatores levam à criação de uma sociedade pacífica? – você deve estar se perguntando. Tudo começa com uma causa. Suas causas criam os efeitos que moldam o seu futuro e o futuro de todos ao seu redor. Sejam os protagonistas no filme de suas vidas. Vocês são os diretores, os produtores e os atores. Sejam ousados e incansavelmente benevolentes enquanto dançam pela viagem que é esta vida”.

adult, arrival, beard

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Em países ricos, com menor diferença de oportunidades entre os gêneros, poderíamos esperar que as mulheres fizessem escolhas mais parecidas com as que tradicionalmente são associadas aos homens. Um estudo recém-publicado pela revista Science mostrou que as coisas não são bem assim.

Pesquisadores das Universidades de Bonn na Alemanha e da Califórnia nos EUA estudaram essa questão entre mais de 80 mil voluntários em 76 países e apontaram que as similaridades de escolhas entre os gêneros são menores em países ricos e com maior igualdade de gênero. Com mais oportunidades, homens e mulheres têm maior tendência em fazer “o que estão a fim”, com maior liberdade de escolha. As mulheres nesse cenário não se sentem pressionadas a tomar decisões que não condizem com suas crenças. O estudo investigou como os voluntários responderiam a cenários envolvendo seis diferentes questões: 1) comportamento de risco; 2) paciência; 3) altruísmo; 4) confiança; 5) reciprocidade positiva; 6) reciprocidade negativa. Os resultados mostraram que foram maiores as diferenças das repostas entre os gêneros em países mais ricos e com maior igualde de gênero.

Esse estudo me fez lembrar de uma pesquisa publicada pela Nature Human Behavior que mostrou que o processamento de comportamentos altruístas e egoístas é diferente entre os gêneros.  Ações altruístas estimulam nas mulheres os sistemas de recompensa cerebral de forma mais robusta. Já os homens têm esses sistemas fortemente ativos quando as ações são egoístas.

Essa pesquisa foi além desses achados. Quando as mulheres recebiam uma droga que deixava esses centros meio adormecidos, por inibirem a ação da dopamina, elas passavam a se comportar de forma mais egoísta. E, surpreendentemente, o contrário aconteceu com os homens. Após o bloqueio da ação da dopamina, eles se tornaram mais generosos.

É importante frisar que esses resultados não nos dizem que essas diferenças são inatas. Isso pode muito bem ser decorrente do aprendizado durante a vida, expectativas diferentes para homens e mulheres. As mulheres desde a infância podem receber mais feedbacks positivos quando agem de forma altruísta. Isso também pode ocorrer com ações egoístas no caso dos homens. E esse mesmo raciocínio é válido para os resultados da publicação da revista Science. Não é razoável reduzir o entendimento das diferenças somente por componentes biológicos. É difícil pensar que a cultura não exerça sua influência.

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Bebês de nove meses assimilam melhor conteúdos para aprimorar a linguagem passados por vídeo quando estão acompanhados por outro bebê. Essa foi a conclusão de um estudo publicado recentemente no respeitado periódico PNAS por pesquisadores das Universidades de Connecticut e Washington nos Estados Unidos.

Aprender de forma colaborativa faz com que os bebês fiquem mais alertas e essa é uma das explicações para os resultados. O curioso é que esse efeito positivo da parceria foi mais robusto quando os bebês não se conheciam previamente. É a novidade promovendo o aprendizado por aumentar a motivação. O vídeo no presente estudo era passado em uma tela sensível ao toque que permitia interação dos bebês. Além disso, a resposta neural dos bebês que foram estudados em pares, medida pelo comportamento e por potenciais elétricos do cérebro, indicou um padrão de maior maturidade no processamento dos sons.

Vários estudos demonstram a superioridade do aprendizado de linguagem por meio pessoas de carne e osso quando comparados às mídias. Entretanto, a atual pesquisa sugere que a falta de interatividade com um parceiro no momento do aprendizado pode fazer mais diferença do que os pixels das mídias. Essa interatividade pode ser chamada de estimulação social ou excitação social, tradução livre de social arousal.

 

 

Colorful Toothed Wheels

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As pessoas que têm transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) carregam consigo o estigma de ineficiência que muitas vezes limita a expressão de suas potencialidades. Podemos pensar que eles podem ter mais dificuldades em alguns tipos de tarefa, mas podem até ser mais eficazes em outros tipos de trabalho. E essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA.

Adolescentes com e sem diagnóstico de déficit de atenção passaram por testes que avaliavam a criatividade e aqueles que tinham déficit de atenção se saíram melhor. Eles se mostraram mais propensos a resistir à conformidade, a ignorar a informação já conhecida, o que permitia que a criatividade pudesse voar. Em um dos testes os voluntários tinham que desenhar uma fruta alienígena. O grupo com déficit de atenção desenhou frutas que guardavam menos semelhanças com as frutas do nosso planeta. Em outro teste eles tinham que criar rótulos sem copiar os exemplos apresentados.  Novamente os portadores de déficit de atenção foram mais criativos.

É claro que esses resultados nos mostram o enorme potencial que indivíduos com déficit de atenção têm em carreiras em que a demanda criativa é alta como o marketing, publicidade, artes, engenharia de computação entre outras. Pensando bem, em qualquer carreira!

O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e permanecem até a vida adulta em 30% dos casos. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.

No Brasil, uma pesquisa revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica.

Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que superdiagnosticados.

Por Ricardo Teixeira*

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Estudos de fluxo sanguíneo cerebral apontam que as artérias do cérebro se contraem nas fases iniciais de uma crise de enxaqueca sugerindo que essa redução de fluxo, e menor oferta de oxigênio ao cérebro, possam ser fatores que colaboram para o desenvolvimento de uma crise. Estudos experimentais realmente mostram que essa redução de oxigênio é capaz de provocar dor de cabeça em quem costuma ter enxaqueca e até mesmo entre as pessoas que não sofrem dessa condição.

 

Pesquisas também demonstram ainda na década de 1950 que a inalação de gás carbônico, que provoca dilatação das artérias, é capaz de abortar crises de enxaqueca. Entretanto, os dispositivos de inalação utilizados nos experimentos não são nada amigáveis para o uso fora do laboratório.

 

Pesquisadores dinamarqueses acabam de publicar no periódico Cephalalgia da Sociedade Internacional de Cefaléia os resultados preliminares do uso de um novo dispositivo para inalação de gás carbônico que as pessoas com enxaqueca poderiam utilizar facilmente em casa. O dispositivo mostrou-se seguro e aumentou o fluxo sanguíneo em 70% em pacientes no início de uma crise de enxaqueca. Cerca de 80% dos pacientes estudados tiveram boa resposta no controle das crises, sem efeitos colaterais significativos e com início de ação já nos primeiros segundos da inalação.

 

O equipamento já está sendo produzida pela empresa dinamarquesa BalancAir, mas antes de passar para o dia a dia da prescrição médica, novos estudos deverão ser realizados com maior número de pacientes para confirmar esses resultados iniciais.

 

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

Six Boys Standing Near Trees and Houses Photo Taken

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma epidemia neurológica escondida. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology mostra que mesmo as crianças que não desenvolvem retardo mental chegam em idades avançadas com menor desempenho cognitivo quando crescem em situação de pobreza. Assim como qualquer outro sistema do nosso corpo, o cérebro envelhece e os resultados da presente pesquisa evidenciam um envelhecimento mais rápido entre os pobres.

O estudo incluiu cerca de vinte mil adultos de 16 diferentes países europeus. Para avaliar o perfil socioeconômico na infância, eles usaram um método que incluía questões como o número de quartos e pessoas que viviam na casa e o número aproximado de livros. A análise apontou que 4% dos participantes viveram adversidade socioeconômica na infância. Estes tinham menor grau de educação formal, eram menos empregados, apresentavam mais sintomas de depressão e menos hábitos saudáveis. Mesmo após correção para esses fatores negativos, esses 4% tiveram uma perda mais acelerada da capacidade cognitiva com o envelhecimento. Outras pesquisas já haviam demonstrado que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta do cérebro.

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo e de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerado a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem. Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam, têm maior chance de evasão.

Pense nisso na hora de votar. Um país com cérebros que não atingem o pleno potencial não vai para frente.

adult, african american woman, business

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Cada click de curtida no Facebook faz com que seja disparado no cérebro um circuito de recompensa que é o mesmo ativado quando experimentamos um delicioso chocolate ou quando terminamos uma tarefa que estava pendente. Temos realmente uma máquina que nos faz sentir confortáveis e seguros com o pensamento daqueles que pensam como a gente.

 

O diferente dá mais trabalho. Ele ativa outro circuito, o da amígdala,  localizado no lobo temporal, que sinaliza medo e desconfiança daquilo que pode nos trazer perigo, do que é estranho, diferente.

 

Isso tudo é muito mais inconsciente do que podemos imaginar. Estudos mostram que brancos acham que os negros são mais violentos e propensos a provocar transtornos, simplesmente por serem negros. E essa “opinião” inconsciente acontece mesmo quando se fala em crianças negras de cinco anos de idade. Nessas situações, estudos de neuroimagem mostram que as amígdalas estão bem ativadas e essa ativação reflete o quanto as pessoas são relutantes em acreditar nas outras.

 

Por outro lado, o sistema de recompensa desempenha o seu papel de contrabalancear o efeito de desconfiança das amígdalas. Esses circuitos de recompensa são antigos na evolução dos vertebrados e estão presentes nos pássaros, répteis, anfíbios e nos mamíferos.  Uma pesquisa clássica conduzida por pesquisadores da Universidade de Stanford mostrou que o sistema de recompensa de camundongos era bastante ativado quando eles encontravam outro camundongo desconhecido, mas que era da sua própria linhagem genética.

 

Os cientistas desconhecem todos os segredos desses sistemas na promoção de interações sociais, mas a expansão dessa linha de pesquisa pode nos dar rumos de como fazer com que os “diferentes” cooperem entre si. Já sabemos que essa cooperação traz grandes resultados e é mais desafiador. Onde iremos parar com uma vida banhada de recompensa cerebral por aqueles que nos cercam, sem sermos desafiados por pontos de vista diversos?

 

Pessoas com diferentes expertises têm mais sucesso no desempenho de uma tarefa complexa que um time de pessoas com formação muito homogênea. E a diversidade social também traz vantagens. Juntar pessoas com diferentes convicções políticas, etnias, gêneros e orientações sexuais pode ser muito melhor que uma turma de homens branquinhos que apóia o mesmo partido político.

 

Essa diversidade é vista hoje como condição necessária para uma equipe alcançar a inovação.  Pesquisas mostram que empresas que têm mais mistura étnica e de gênero ganham mais dinheiro que as muito homogêneas. Grupos de cientistas multiétnicos têm mais sucesso.

 

A diversidade permite mais criatividade. Quando interagimos com uma pessoa diferente da gente, temos a tendência em nos preparar melhor para a tarefa, para a argumentação.  É mais comum anteciparmos alternativas de opinião e temos a expectativa de que o esforço será grande para um consenso. As pessoas acabam se esforçando mais.

 

E então, isso te fez refletir um pouco sobre o seu mundo de mídias sociais?

 

Por Dr. Ricardo Teixeira*

Four People Holding Mobile Phones

 

Alguns dizem que a vida digital está nos deixando mais espertos, especialmente aqueles que desenvolvem jogos e exercícios digitais para incrementar as funções cognitivas. Outros dizem o contrário. E então? Acho que podemos dizer que ambos os lados têm um pouquinho de razão.

Videogames, por exemplo, trazem benefícios cognitivos, como melhor atenção e menor tempo de reação, mas de uma forma muito discreta. Não se sabe muito bem o quanto esses ganhos são realmente transferidos para a vida real. Por outro lado, o uso de videogames tem sido associado a comportamento agressivo, efeito que também é discreto e não necessariamente de causa e efeito. Os videogames violentos deixam as pessoas com um comportamento mais violento ou pessoas que já têm uma natureza violenta são mais atraídos por jogos com conteúdo violento?

A internet deixa-nos distraído durante um trabalho e afeta negativamente o desempenho cognitivo, mas não muda radicalmente o funcionamento do cérebro. O cérebro não é tão craque assim para multitarefas. Os resultados são melhores quando fazemos uma tarefa de cada vez, mesmo estre aqueles que nasceram com um dispositivo nas mãos.

Os riscos da exposição aos dispositivos digitais podem ser minimizados educando as pessoas a manterem o autocontrole e usá-los nos momentos certos. É a criação de estratégias de defesa, para ficarmos menos vulneráveis às tentações, como abrir a caixa de email, facebook, twitter a cada cinco minutos durante uma tarefa.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

Five Bulb Lights

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As pessoas criativas não são necessariamente experts em uma determinada atividade. Ao invés de praticar exaustivamente um caminho já conhecido, elas criam sua própria rota. Picasso tinha habilidades de desenhista de dez mil horas antes de fazer suas obras desencontradas e geniais.  A prática ajuda muito, mas não é tudo.

 

Existem atividades mais dependentes da prática do que outras. São atividades em que as regras para ser um “virtuose” já são bem estabelecidas. Podemos citar o xadrez, o esporte e a performance musical. De qualquer forma, sempre existirá o espaço mágico da criatividade. De um lado temos o criador que rompe com o já conhecido e do outro o incrível intérprete. De um lado temos um Garrincha e do outro Carlos Alberto Torres.

 

Obras e produtos criativos não são meros resultados de expertise. Eles precisam ser originais, surpreendentes e fazerem diferença por serem úteis. Originais porque os criadores transcendem o virtuosismo e vão além do repertório padrão. Fazer diferença é fundamental, pois o criador deve satisfazer necessidades. O iPhone não seria um sucesso se não resolvesse problemas. Ser surpreendente não só para uma ou outra pessoa, mas para quase todo mundo. As descobertas de Galileu são um bom exemplo.

 

Elenco abaixo dez evidências que mostram que a prática e experiência não garantem a criatividade.

  • a criatividade é frequentemente cega. O criador não tem certeza se sua ideia será aceita;

 

  • o processo criativo é errático. Shakespeare escreveu Hamlet aos 38 anos de idade e logo depois escreveu obras que não foram tão agraciadas. Entretanto, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature mostra que entre cientistas e artistas existe uma onda de produtividade acima da média que dura uns cinco anos. Estamos falando de qualidade e não de quantidade, e essa onda pode acontecer em diferentes fases da vida;

 

  • a regra dos dez anos de prática nem sempre é verdadeira. Um estudo destrinchou o percurso de 120 compositores clássicos e mostrou que uma década de prática é uma condição frequentemente necessária para as primeiras grandes criações. Entretanto, alguns compositores demoraram menos, enquanto outros muito mais;

 

  • talento ajuda muito. Se definirmos talento como a velocidade com que uma pessoa adquire expertise, podemos dizer que as pessoas criativas são mais talentosas. Precisam de menos tempo para alcançar esse nível de expertise e logo em seguida já viram o disco e passam a sobrevoar o desconhecido;

 

  • o tipo de personalidade também ajuda. Pessoas criativas não se conformam com o arroz e feijão, não costumam ser convencionais, gostam de correr riscos e não raramente têm alguma psicopatologia;

 

  • os genes também influenciam. Calcula-se que um terço a um quarto do desempenho depende da carga genética do indivíduo e isso repercutirá no poder criativo. É claro que os fatores ambientais influenciam e muito;

 

  • os criativos costumam ter interesses amplos. Cientistas bem-sucedidos e criativos têm vários hobbies e interesses. Galileu era fascinado pelas artes, especialmente a música e literatura;

 

  • excesso de expertise pode inibir a criatividade. Mais nem sempre é melhor;

 

  • o olhar de fora tem suas vantagens criativas. Um querido professor me dizia que, quando suas ideias no laboratório estavam pouco criativas, ele ia para a biblioteca folhear periódicos de áreas radicalmente distantes e muitas vezes saía dizendo eureca;

 

  • os criativos são bons não só para resolver problemas. São bons também para encontrar problemas. Nem sempre são os mais eficazes, mas seus olhos conseguem enxergar o que ninguém ainda se deu conta.

 

*Por Dr. Ricardo Teixeira

 

1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

5- As crianças que cresceram com a internet  nas mãos e suas gratificações instantâneas são mais impulsivas.

Fato: Estudos que comparam o tempo que as crianças são capazes de aguardar por uma recompensa mostram que no século 21 elas são capazes de aguardar mais do que nas décadas de 1980 e 1960.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 Colourful Capsules
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Já conhecemos uma série de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem deixar nosso cérebro mais esperto. Estamos falando de atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm sido cada vez mais consumidas por pessoas sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. A última pesquisa que avaliou o consumo dessas drogas entre dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo mostra um crescimento nada discreto. Em 2017, 14% das pessoas utilizaram essas medicações pelo uma vez no último ano, comparado a 5% no último estudo de 2015. Nos EUA, esse consumo é de 30% da população geral.
 
O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm-se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica. 
Elenco a seguir algumas questões sobre esse fenômeno que têm sido discutidas nos últimos anos por pesquisadores da área.   
 
– Existe atualmente um forte mercado negro dessas medicações voltado para indivíduos saudáveis, com transações de compra e venda que podem ser punidas até mesmo com prisão em países como os Estados Unidos.
 
– O uso de medicações dessa natureza para melhorar o desempenho cerebral poderia ser visto como “trapaça” ao pensarmos que outras pessoas podem não estar usufruindo dos mesmos benefícios. Não dispomos ainda de regras que regulem se as pessoas podem ou não fazer uso dessas medicações (ou boas doses de café) para a realização de um concurso público, por exemplo. Outra situação: uma pessoa tem o hábito de investir no seu equilíbrio psíquico, como por exemplo através da meditação e atividade física regular, e outra pessoa não o faz. Esse equilíbrio psíquico tem grandes chances de aumentar o desempenho cognitivo, mas culturamente isso não costuma ser visto como trapaça, já que a pessoa “investiu seus esforços” para alcançar sua vantagem. Por que a vantagem alcançada por pílulas deveria ser vista de outra forma? E será que essas drogas realmente oferecem vantagens no aprendizado ou só melhoram o desempenho a curto prazo em dias de maiores desafios? Será justo para aqueles que não usam as drogas concorrer com outros cérebros “turbinados”? Seria a mesma coisa se parte dos concorrentes num teste de matemática estivessem usando calculadora e outra parte não?
– Medicações dessa natureza poderiam provocar dependência e efeitos colaterais. Não se dispõe desse conhecimento quando se fala em consumo por indivíduos saudáveis. Por outro lado, até a cafeína é passível de desenvolver dependência e efeitos colaterais, apesar do seu risco de fazer mal à saúde ser infinitamente menor do que de outras drogas. Com base na atual experiência, talvez os riscos de dependência / efeitos colaterais das medicações estimulantes não sejam muito diferentes do que os da cafeína e por isso não há razões para tanto receio. É preciso avançar nas pesquisas sobre o assunto.
 
– Em crianças, as questões éticas são muito mais complexas. A primeira questão é em relação à segurança dessas medicações em indivíduos que ainda têm o cérebro em franco desenvolvimento. Além disso, a criança não tem o poder de fazer suas próprias escolhas. Entre os adultos, há de se considerar no futuro questões éticas ligadas à obrigatoriedade em se usar tais medicações em algumas situações ocupacionais. Nos EUA, o modafinil é hoie uma droga aprovada pelo FDA para trabalhadores em turno invertido. Será que o empregador poderá um dia obrigar o trabalhador a usar a medicação para evitar acidentes ou para melhorar o desempenho?
– Como qualquer tecnologia, drogas para turbinar o cérebro poderão um dia ser bem ou mal-usadas. Há muito trabalho pela frente para se avaliar seus custos e benefícios, para se educar a população sobre o assunto e para ajustar a legislação vigente caso se consiga demonstrar que elas são realmente seguras e eficazes para as pessoas que querem turbinar seus cérebros.   
Em entrevista concedida à Scientific American e publicada há alguns anos na revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, um dos neurocientistas mais renomados do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

Group of People Holding Hands Forming Teamwork

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Pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA demonstraram recentemente que uma equipe de trabalho é mais eficiente quando sob o efeito do café cafeinado. As pessoas interagem mais, dão mais avaliações positivas sobre a participação dos colegas e perdem menos o foco. O estudo foi publicado pela revista Journal of Psychopharmacology.

O maior nível de alerta é uma das explicações mais plausíveis para os resultados e talvez outras intervenções que aumentem esse nível de alerta, como exercício físico, tenham o mesmo efeito. Além disso, ao final do estudo, aqueles que tomaram o café cafeinado responderam mais frequentemente que gostariam de voltar a trabalhar com a equipe. São muitos os estudos que já avaliaram os resultados positivos do café sobre o desempenho cognitivo individual, mas esse é o primeiro que estudou os resultados em uma equipe de trabalho.

A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A substância tem uma ação inibitória nesses receptores de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante.  Quando soltamos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.

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Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o de Reserva Cerebral. Se o cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de sua performance em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente. Ou seja, quanto maior a reserva, mais tempo o cérebro mantém seu funcionamento normal, mesmo que ele esteja doente.
 
O status sócio-econômico e educacional é sem sombra de dúvidas um dos pilares mais fortes de nossa Reserva Cerebral, sendo que quanto maior esse status, maior reserva temos. Até mesmo a época em que nascemos faz diferença, sendo que indivíduos que nasceram e cresceram em épocas mais recentes apresentam melhor desempenho cognitivo do que suas gerações anteriores. Um dos estudos que bem ilustra esse efeito é o Nun Study que analisou o repertório lingüístico do diário de freiras quando jovens. Os diários que receberam maior pontuação foram de freiras que apresentaram melhor performance em testes cognitivos quando idosas e eram também  mais longevas e com menor risco de demência.
 
Estudos recentes demonstram que o cérebro do idoso ao ser treinado responde com melhora de desempenho nas habilidades treinadas. Tais treinamentos foram realizados com exercícios para estimulação da memória, resolução de problemas, velocidade de processamento, alguns deles por meio de sofisticados softwares. Entretanto, parece que atitudes mais instintivas e artesanais podem ter efeito também bastante significativo: a atividade de lazer é um exemplo.
 
Repetidos estudos vêm demonstrando que lazer é coisa séria, e que sua presença está associada a um menor risco do indivíduo em desenvolver demência. A explicação reside no fato de que o lazer também é capaz de treinar nossos cérebros, aumentando nossa Reserva Cerebral. O interessante é que algumas atividades de lazer parecem ser mais positivas do que outras. Estudos realizados na cidade de Nova York revelaram que as atividades mais “protetoras” foram leitura, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, passeios turísticos, visitas a amigos e parentes, idas ao cinema, restaurante ou a evento esportivo, tocar instrumento musical. Talvez isso tudo tenha mais efeito do que treinamentos no computador através de jogos que são comercializados com a promessa de promover a atividade cognitiva. Uma pesquisa publicada este mês pela Universidade de Western Ontário mostrou que o treinamento nesse tipo de jogo melhora o desempenho no jogo em que a pessoa foi treinada, mas os resultados não são estendidos para outros jogos que usam estratégias cerebrais semelhantes.  
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Bastante provocador foi o resultado de um estudo realizado na China confirmando que leitura e jogos de tabuleiro estavam associados a menor declínio cerebral após os 55 anos de idade. Entretanto, indivíduos com mais horas dedicadas à televisão apresentaram mais chance de declínio cognitivo e menor dedicação a outras atividades de lazer. Discute-se o fato de que muito daquilo que o indivíduo vê na TV demanda pouco da atividade cognitiva. Isso não quer dizer que um maior tempo de TV causa declínio cognitivo, mas pode ser a conseqüência de um estado pré-clínico de déficit cognitivo com redução do interesse por outras atividades. 
 
De qualquer forma, precisamos estar atentos em estimular os nossos jovens a desenvolver um repertório amplo de atividades de lazer “inteligentes”, pois os hábitos são mais fáceis de serem adquiridos quando iniciados em fases mais precoces da vida. Quanto aos nossos idosos, atenção redobrada. Podemos começar por melhor conhecer e demandar aquilo que está escrito no Estatuto do Idoso, em vigor em nosso país desde 2003:
 
Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do
Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
 
Art. 21º . O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à
educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.
 
Art. 24º . Os meios de comunicação manterão espaços ou horários
especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e
cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento.
 
Os Titãs não estavam falando em luxo com: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

background, blur, chat

 

Será que a obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que o receio de conseqüências negativas é algo parecido com o medo dos antigos na época do surgimento da imprensa, do rádio ou da TV?

Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas eram dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e, além disso, vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” – pais inanimados na frente das telas.

Neste mês de julho tivemos uma publicação no JAMA, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo, mostrando que o excesso de exposição às plataformas digitais faz o cérebro do adolescente manifestar mais sintomas de déficit de atenção e hiperatividade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e Califórnia do Sul acompanharam 2600 adolescentes assintomáticos de 15 e 16 anos de idade e apontaram que aqueles que usavam de forma muito freqüente uma lista de 14 plataformas digitais populares como WhatsApp, Facebook e Youtube, estes tinham o dobro de chances de passarem a apresentar sintomas de déficit de atenção após um seguimento de dois anos. O ineditismo dos resultados foi por conta da avaliação do impacto das plataformas mais modernas, um estudo que não foi só baseado em TV e videogames.

 

 

 

People Wearing White Clothes

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Pessoas que pensam ter menos anos do que consta na certidão de nascimento têm um cérebro que envelhece mais lentamente. Essa é a conclusão de uma pesquisaconduzida por pesquisadores da Universidade de Seoul na Coréia do Sul e recém-publicada no Frontiers of Neuroscience.

 

O sentimento do quanto nos sentimos jovens ou velhos é também chamado de idade subjetiva e está associado a vários marcadores de saúde, como desempenho cognitivo. Idosos com queixas de memória simples, por exemplo, têm mais chances de no futuro apresentar um quadro demencial. É como se fosse uma percepção subjetiva daquilo que os médicos e exames não conseguem ainda mostrar naquele momento.  

 

O presente estudo mostrou que idosos que se sentem mais jovens têm melhores pontuações em testes de memória, menos sintomas depressivos e consideravam ter um melhor estado de saúde. Além disso, estudos de neuroimagem mostraram que o cérebro desses idosos que se acham mais jovens tem um maior volume da substância cinzenta. Essa relação foi independente de outros fatores como a presença de sintomas depressivos.

 

Os pesquisadores levantam a questão de que a experiência subjetiva de se sentir mais velho do que realmente é pode acelerar o processo de envelhecimento cerebral com redução do volume da substância cinzenta. Por outro lado, aqueles que se sentem mais jovens têm uma rotina mais ativa, mais atividade física e mental, supervitaminas para o cérebro.

   

Trees in Park

 

Já havíamos discutido o quanto a natureza pode trazer benefícios ao nosso estado mental, com incrementos no nosso equilíbrio psíquico, melhora da atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa.

 

Um novo estudo publicado pelo periódico Environmental Research e conduzido por pesquisadores ingleses aponta que o contato com a natureza pode ainda reduzir o risco diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular e morte prematura.

 

A pesquisa avaliou os resultados de cerca de 140 estudos envolvendo mais de 290 milhões de pessoas em diferentes continentes e concluiu que as pessoas que têm mais acesso ao espaço verde, além desses benefícios à saúde do corpo, apresentam também menos estresse e uma melhor qualidade do sono. Alguns países como a Finlândia, Japão e Coréia do Sul já entenderam bem o recado e tem programas de “banhos de floresta” como forma de promoção da saúde.

 

Vários fatores podem fazer a ligação entre o verde e nossa saúde. Cidades mais verdes são mais convidativas à atividade física e socialização, mas discute-se até mesmo a exposição a microrganismos “do bem” que podem reduzir o estado inflamatório do corpo e melhorar o equilíbrio imunológico.

 

Natureza selvagem é tudo de bom, mas esses benefícios já são reais em cidades com urbanismo bem pensado.

cheering, crowd, event

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Estima-se que a final da última copa do mundo no Brasil tenha sido assistida por um bilhão de pessoas ao redor do mundo e um quarto dos brasileiros parou para assistir à abertura.  Poucas coisas no mundo têm esse alcance global e elenco aqui alguns candidatos que podem explicar o sucesso desse esporte.

 

 

1-Futebol é coisa muito mais antiga que os ingleses.

 

Os ingleses colocaram ordem na casa em 1863, botando no papel as regras, especialmente para diferenciar o futebol de outros esportes parecidos como o Rugby. Nessa época, cerca de um quarto do mundo pertencia à Coroa Britânica e é claro que ela foi a garota propaganda perfeita para exportar o esporte para os quatro cantos do mundo.

 

Entretanto, temos evidências de que algo muito parecido já acontecia na China nos 3000 a.C. Com traves de 10m de altura, esse futebol arcaico também era usado como treinamento militar. A obra mais antiga da civilização Maia, o Popol Vuh, depois de falar que no início era só água e o céu, logo em seguida a terra e as montanhas, depois vieram os animais, os homens… e a “pelota” já estava lá.  Chutar é algo muito instintivo e acredita-se que a coisa pode ter começado ainda na idade da pedra.

 

2- A simplicidade do futebol facilita muito.

Fácil para qualquer um assistir e entender as regras, fácil de disseminar, fácil de angariar novos adeptos. É um esporte de inclusão, não precisa ser rico, na grama ou na terra.

 

3- Improvisação e presença de espírito são ingredientes que fazem o futebol ser mais atraente que tantos outros esportes.

Balãozinho, meia lua, bicicleta, e como diz o velho ditado, a vida é como o futebol: cada lance é diferente do outro. Carrinho, canelada, trombadas, gol roubado, evocam nossos sentimentos de raiva e, quando acompanhados de milhares de companheiros torcedores do mesmo time, pode ter efeitos bem amplificados.

 

4- Publicidade hoje ajuda muito, mas ela é só uma das peças de um círculo virtuoso.

É mais atraente e popular e por isso recebe mais investimentos publicitários que aumentam ainda mais a popularidade.

 

5- A atmosfera das torcidas dá todo o tempero.

Se você já torceu por seu time do coração em um estádio lotado, não preciso nem falar nada. A experiência de sentir um pertencimento a algo maior faz com que nosso cérebro vibre em outra freqüência. Viver a mesma emoção de forma sincrônica com 50 mil pessoas não é qualquer coisa!

 

Apoio

Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas e sextas 11:05h

Também às segundas no Correio Braziliense

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