Pesquisadores da Universidade Cornell nos EUA demonstraram recentemente que músicas alegres são capazes de melhorar o ambiente de trabalho, com mais cooperação entre os colaboradores e melhor estado de humor. Eles compararam ambientes com músicas ritmadas (e.g. tema de Happy Days, Brown Eyed Girl  de Van Morrison, Yellow Submarine dos Beatles e Walking on Sunshine de Katrina and the Waves) com ambientes de trabalho com músicas de heavy metal desconhecidas e outro sem música. As turmas que trabalharam com heavy metal ou sem música tiveram índices de cooperação semelhantes, ambos menores que aqueles que trabalharam com músicas alegres. A pesquisa foi publicada no Journal of Organizational Behavior.

 

Em 2013, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

 

 

Woman in Black Shirt Carrying His Son in the Seashore during Sunset

 

Parece que os divórcios têm mesmo um comportamento sazonal. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por sociólogos da Universidade de Washington nos EUA. Eles mostraram que, pelo menos no estado de Washington, existem picos de divórcio duas vezes ao ano: março e agosto, logo após as férias de inverno e verão.

 

Depois desse estudo eles passaram a analisar outros estados, e os resultados têm sido semelhantes. Já estudaram também os estados de Ohio, Minnesota, Florida e Arizona.

 

A explicação mais discutida pelos pesquisadores é que as férias em família são épocas culturalmente sagradas e protegidas. Muitos casais que passam por problemas de relacionamento enxergam as férias como uma ótima chance de reconciliação e criam expectativas altas de um novo começo, transição para algo diferente, uma nova fase de vida conjugal. Entretanto, as férias podem ser períodos difíceis, em parte pelo maior convívio com o cônjuge ou com familiares, o que pode expor fissuras do casamento. E expectativas altas seguidas por frustração é uma péssima combinação.

 

 

 

Cientistas têm buscado há tempos um marcador genético que diferencie os atletas de elite dos amadores. Pesquisadores da Universidade de Pádua na Itália demonstraram recentemente que esse marcador não está associado nem à capacidade aeróbica nem à eficiência muscular. A diferença foi encontrada em genes que controlam a capacidade de transporte de dopamina no cérebro. Esse é um neurotransmissor responsável pela experiência de recompensa e prazer, além da capacidade de lidar com o estresse e suportar a dor.

 

Eles analisaram o DNA de 50 atletas com alto desempenho em Jogos Olímpicos ou outras competições internacionais e outros 100 atletas não profissionais. A análise foi direcionada a quatro diferentes genes que já tinham alguma evidência de ter alguma associação com habilidade atlética.  E foi um gene associado ao transporte de dopamina no cérebro que foi diferente nos atletas de elite. Uma das variantes desse gene chegou a ser cinco vezes maior nesse grupo de atletas.

 

Estudos animais já haviam demonstrado que a presença desse gene está envolvida com atividade motora mais eficiente, melhor gasto energético e comportamento de busca de recompensas. Estudos conduzidos em 2012 evidenciaram que o mesmo gene está associado a comportamentos de risco entre esquiadores. E comportamentos de risco podem fazer diferença na chance de uma medalha de ouro.

 

Pesquisadores da Escola de Business de Wisconsin nos EUA conduziram uma série de experimentos para avaliar se as pessoas quando têm um plano B na cabeça acabam tendo um desempenho mais acanhado no plano A original. Dito e feito. Foi isso que eles encontraram. Quem tem outros planos na cabeça tem menos chance de ter sucesso no plano original.

Os voluntários do estudo receberam uma tarefa cognitiva e parte deles foram avisados que se o rendimento fosse ótimo eles poderiam escolher entre um lanche ou a permissão de serem liberados do estudo mais precocemente. Outro grupo de voluntários foi instruído que se não tivessem um bom desempenho nos testes eles poderiam arrumar o lanche por outros meios e até conseguir dispensa do estudo mais cedo. E esse grupo com o plano B foi o que teve um pior desempenho e também o menor desejo de sucesso.

Os pesquisadores discutem que arquitetar um plano alternativo pode trazer um conforto psicológico durante um desafio, mas isso pode ter seus custos, especialmente em situações que demandam esforço.  Em casos que dependem apenas da sorte esse raciocínio não é aplicável. Eles ainda lembram que os resultados não devem encorajar as pessoas a abandonarem totalmente seus planos alternativos, mas sim estimular o planejamento de forma mais estratégica, talvez pensando no timing mais certeiro de começar a desenhar outros caminhos.

Um estudo recém-publicado pelo periódico Current Biology mostrou que os homens são mais amigáveis após o término de um conflito do que as mulheres. Isso parece soar meio desafinado, pois é fato que os homens são mais agressivos e competitivos. Que história é essa de amigáveis?

Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram centenas de vídeos de “guerras do dia a dia moderno” de 44 diferentes países. Estamos falando de competições esportivas. Eles demonstraram que ao final de uma partida os homens têm uma maior proximidade com o “inimigo” do que as mulheres. Isso foi identificado como abraços, apertos de mãos e tapinhas nas costas.

A explicação evolutiva para esse comportamento é que os homens, após terminado o conflito, têm a tendência em se aproximar do “inimigo” para garantir alianças para uma futura guerra. Eles garantem a perpetuação da espécie não só vencendo disputas para conseguir gerar mais filhos, mas também por preservarem a comunidade como um todo em conflitos entre grupos. Isso seria algo que os homens herdam dos seus ancestrais.

Estudos com chimpanzés evidenciam essa mesma tendência: os machos depois de um quebra-pau dão mais abracinhos que as fêmeas. Quanto às fêmeas, sabemos muito bem que no universo família elas são mais cooperativas. Porém, as mulheres sentem-se mais abaladas após um conflito de trabalho com outra mulher quando comparamos com a mesma situação em que os personagens são dois homens.

 

Comparison of grey matter (brown) and white matter (yellow) in sex-matched subjects A (56 years, BMI 19.5) and B (50 years, BMI 43.4). Credit: Lisa Ronan

 

 

O volume da substancia branca cerebral de pessoas obesas é menos volumoso do que de pessoas da mesma idade que estão com o peso em dia. Essa é a conclusão de um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge da Inglaterra. Eles calcularam que a estrutura cerebral dos obesos é comparável à de indivíduos magros 10 anos mais novos. Um individuo de 60 anos magro tem um volume da substancia branca comparável ao de pessoas obesas com 50 anos de idade.

Nosso cérebro encolhe naturalmente com o passar dos anos e um corpo crescente de pesquisas tem mostrado que a obesidade com suas condições associadas, como ó caso do diabetes e doença cardíaca, está associada a um encolhimento de forma mais acelerada. É importante salientar que não houve correlação do volume da substancia branca com o desempenho cognitivo dos voluntários estudados.

A pesquisa envolveu quase 500 voluntários com idades entre 20 e 87 anos e foi publicada no periódico Neurobiology of Aging.  Novos estudos precisam ser realizados para investigar os mecanismos que ligam a obesidade à redução de volume cerebral (componentes hormonais e inflamatórios são grandes candidatos) e se a perda ponderal tem o poder de reduzir essas diferenças.

Às vezes eu tenho a impressão que meu filho de oito anos prefere seus games a qualquer outra coisa desse mundo. Silenciosamente fico com aquela preocupação de pai e sempre me pergunto: será que essa obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que estou vivendo algo parecido com o medo de nossos ancestrais às novas tecnologias como a imprensa, o rádio, TV….?

Já temos algumas pistas que mostram que no curtíssimo prazo a alta velocidade de alguns games e cartoons não são tão legais assim para o cérebro das crianças. Cientistas compararam o desempenho cerebral de crianças de quatro anos de idade após assistirem a uns dez minutos de um cartoon bem acelerado como Bob Esponja, em que a mudança completa da cena acontecia em média a cada onze segundos, com um outro mais lento com mudança de cena a cada 34 segundos. As crianças que assistiram ao vídeo acelerado tiveram um PIOR desempenho nos testes cognitivos logo após assistirem ao desenho. Com ratinhos acontece a mesma coisa. Eles ficam perdidos no labirinto e ficam mais predispostos a se viciarem em cocaína. Uma hipótese para explicar essa maior dificuldade executiva após uma experiência de rápida sucessão de eventos é que o cérebro disponibiliza muitos recursos para sua decodificação e fica relativamente desfalcado por um período.

Desde o ano de 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças menores de dois anos não devem assistir TV de forma alguma. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Washington chegou até a demonstrar que bebês que assistem a vídeos educativos como o Baby Einstein têm piores scores em testes cognitivos. E as empresas do entretenimento têm vendido cada vez mais vídeos e jogos com o apelo educativo, mas sem nenhuma base científica. Existem raras exceções que foram realmente testadas e com benefícios comprovados. É o caso do aplicativo BedTime Math com problemas de matemática para pais e filhos fazerem juntos.

Já no caso das crianças maiores de dois anos, o consenso é que elas não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares. Sabe-se que as crianças que passam desse limite têm mais chance de apresentar comportamento violento, início precoce da vida sexual, transtornos alimentares, obesidade, transtornos do sono, assim como maior risco de consumir álcool e cigarro.

Vale lembrar que os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas no vídeo e a interpretá-las criticamente, o que inclui também o material publicitário. Cabe também aos pais a identificação de conteúdos que sejam inadequados para a idade da criança. E dar o exemplo também…

Meu maior receio é de que a superestimulação do cérebro das crianças faça com que as outras coisas do mundo desconectado comecem a ficar cada vez mais sem graça nessa fase do desenvolvimento. Por enquanto suo a camisa para equilibrar com outras brincadeiras sem luzinhas.

 

Muitos concordam que uma decisão longe dos extremos, na maioria das vezes, é o melhor caminho. Individualmente não há muita diferença de gênero quanto a essa questão, mas quando duplas têm que tomar uma decisão, é bom que  uma mulher participe. Duas mulheres tomam decisões ponderadas. Uma mulher e um homem também. Agora quando você junta dois homens…

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Consumer Research  mostrou que quando você junta dois homens para tomar uma decisão eles têm uma tendência maior de não querer muita negociação. Quando dois homens estão escolhendo um carro, se um está interessado em um modelo muito seguro e o outro em um modelo que economiza combustível, é mais difícil eles saírem dos extremos e partir para um terceiro modelo que oferece um meio termo de segurança e economia. É como se inconscientemente eles quisessem “marcar território”.

 

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Escola de Business de Pittsburgh – EUA e envolveu quase dois mil estudantes universitários. Pares homem-homem, mulher-mulher-mulher e homem-mulher tinham que tomar decisões de compras de itens diversos como impressoras, pasta de dente, reserva em hotel e algumas situações em que a dupla tinha que escolher entre baixo e alto grau chance de retorno. Independentemente do produto, as duplas homem-homem foram mais extremos. As duplas mulher-mulher foram bem ponderadas, assim como as homem-mulher. Interessante é que houve críticas por parte dos homens quanto ao “caminho ponderado”, posição que as mulheres elogiavam.  

 

A pesquisa tem grande aplicação aos profissionais de marketing e aos vendedores. Se o produto é para ser decidido por dois homens (e.g., pai comprando carro para filho), o ideal é que se ofereça extremos e não produtos ponderados. Já no caso de produtos em que a escolha é feita em pares homem-mulher ou mulher-mulher, é mais indicado que se ofereça alternativas longe dos extremos. Isso também pode ser aplicado a organizações que têm interesse em decisões mais ponderadas. Em casos de tudo ou nada, pode ser que a ausência feminina faça algum sentido. Sei não.

 

Ciclistas de elite têm mais capacidade de aguentar por mais tempo um desafio mental do que ciclistas amadores. Isso foi o resultado de uma pesquisa publicada recentemente pelo periódico PLOS One e mostra que atletas de enduro têm realmente um equilíbrio mental avantajado.

Os voluntários foram submetidos a testes cognitivos no computador que foram desenhados com a intenção de levar à fadiga mental. Os ciclistas de elite demoraram mais tempo para ter essa fadiga, medida pelo início do declínio no desempenho cognitivo. Os ciclistas de elite também tiveram um melhor desempenho em testes que mediam a “força de vontade”. Os autores justificam esse resultado até como esperado, já que a vida de um ciclista profissional é acompanhada de extrema disciplina com treinamentos e hábitos de vida.

Essa resistência mental tem seu componente genético, mas não há dúvida de que ela pode ser treinada. E essa maior resistência pode ser o que faz a diferença entre subir ou não subir no pódio.

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

Muita gente tem a sensação de que os anos estão passando rápido demais. Muito provavelmente não tinham esse pensamento na adolescência.

Uma pesquisa realizada na Alemanha com 500 voluntários com idades entre 14 e 94 anos mostrou que jovens e idosos têm a mesma percepção da velocidade do tempo quando se avalia tempos curtos como uma semana, um mês e até mesmo um ano. Entretanto, para tempos mais longos, como uma década, os idosos tinham a percepção de que o tempo passava mais rápido. Aqueles com idade superior a 40 anos referiam mais frequentemente que o tempo passava mais devagar no período da infância e que passou a ficar mais acelerado quando se tornaram adultos.

Existe um bom corpo de conhecimento que ajuda a explicar esse fenômeno. Quando vivenciamos algo novo o tempo parece que passa mais rápido no momento, mas quando nos lembramos mais tarde da experiência, parece que ela durou mais tempo que algo que fazemos rotineiramente.  Isso explica?

Nosso cérebro dá preferência em codificar as experiências novas e as vivências familiares ficam em segundo plano. Por isso, nosso julgamento do tempo que já passou depende do número de novas experiências que vivemos nesse período. Quanto mais coisas fizemos em umas férias, por exemplo, mas longa ela vai parecer depois de um tempo.

Na infância e adolescência vivemos muito mais novidades e aprendizados que a rotina da idade adulta e por isso a gente pensa anos depois que nesse início da vida o tempo passava mais devagar. Para os adultos que mantêm um bom ritmo de coisas novas na vida, olhar para trás décadas depois trará a sensação de que o tempo nem passou tão rápido como muitos outros adultos gostam de dizer.

 

Nosso gosto musical realmente tem origem cultural e não há porque pensar que é algo do cérebro desde que nascemos. Essa é a conclusão de um estudo publicado na última semana pela revista Nature.

Pesquisadores do MIT e da Universidade de Brandeis nos EUA conduziram esse estudo que envolveu mais de 100 índios de uma tribo remota da Amazônia boliviana – Tsimane. Eles vivem bem isolados e não recebem influência da música que as pessoas da cidade são expostas mesmo inconscientemente.

Acordes dissonantes e consonantes eram apresentados e eles tinham que dar uma nota para o quanto cada um deles os agradava. Um exemplo de acorde consonante, para muitos considerado “agradável ao cérebro”, é formado por dó maior e sol maior, um intervalo de quinta. Esse é um intervalo utilizado pela esmagadora maioria da música ocidental. Já os acordes dissonantes, como por exemplo o formado por dó maior e fá sustenido são muito pouco usados e até já foram considerados pela igreja católica como elementos musicais do capeta.

E não é que para os índios os acordes consonantes ou dissonantes não faziam diferença. Eram igualmente agradáveis a eles. Isso desconstrói a tese defendida por muitos que o cérebro nasceu batendo palmas aos acordes consonantes. É interessante o fato que os índios conseguiam categorizar dissonantes e consonantes como dois tipos de som.

Os mesmos testes foram aplicados a moradores de uma pequena cidade nas proximidades da tribo Tsimane, a moradores de La Paz e americanos músicos e não músicos. Os bolivianos da cidade deram uma discreta preferência aos acordes consonantes. Entre os americanos a preferência foi maior, especialmente entre os músicos.

Onde está a chave do carro? O que eu ia pegar na geladeira? A dificuldade que algumas pessoas na meia-idade têm de se lembrar de detalhes, pode ser só um jeito diferente que o cérebro mais maduro tem para processar a memória e a atenção, e não uma disfunção cerebral global.

Neurocientistas da Universidade de McGill no Canadá demostraram que as áreas cerebrais ativadas durante uma tarefa de reconhecimento visual eram diferentes a depender da faixa etária do indivíduo.  Os voluntários na meia-idade tinham maior ativação da região do córtex pré-frontal mesial, considerada uma área associada ao pensamento auto referencial, que cruza a nova informação com o repertório próprio. Já as pessoas mais jovens tinham maior ativação de áreas envolvidas nos processos de atenção e memória.

Esses resultados jogam luz na preocupação de muitas pessoas que têm pequenos lapsos de memória e que pensam que podem estar sofrendo de uma fase inicial de doenças cerebrais degenerativas como a Doença de Alzheimer.

Os “muito” jovens tiveram melhor desempenho nesse teste que os “meia idade”, mas essa diferença pode ser entendida como uma forma diferente que o cérebro mais maduro tem de processar a informação, e não como uma disfunção.

  1. Ankudowich, S. Pasvanis, M.N. Rajah. Changes in the modulation of brain activity during context encoding vs. context retrieval across the adult lifespanNeuroImage, 2016; 139: 103 DOI:10.1016/j.neuroimage.2016.06.022

 

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O prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences USA publicou recentemente um estudo que mostrou que o nível de incômodo com o cheiro dos outros depende de quanto os consideramos parte do nosso grupo social.

Pesquisadores escoceses da Universidade de St Andrews fizeram um estudo com 135 universitários de ambos os sexos em que eles tinham que segurar e cheirar uma camiseta suada. Eles eram orientados a dar uma nota de 1 a 7 do quanto o cheiro era desagradável. Os voluntários eram despistados do real motivo do estudo com informações como “a intenção é medir a capacidade de se identificar feromônios”. Os resultados mostraram que os estudantes toleravam mais o cheiro das camisas que tinham a logomarca de suas universidades. Além de darem notas piores às camisetas dos rivais, os estudantes andavam com mais rapidez até o local de lavar as mãos após o experimento e também usavam mais sabão.

A explicação para essa diferença passa por questões evolutivas. A experiência de desgosto com o cheiro é um instinto que promove proteção contra exposição a patógenos. Cheiros de pessoas que não são do “mesmo time” teriam mais chance de estar associados a germes desconhecidos. O estudo confirma resultados anteriores de que somos mais tolerantes a cheiros desagradáveis de pessoas que julgamos serem do nosso universo. Mesmo experiências básicas como o olfato são reguladas por fatores sociais, mesmo inconscientemente. Os pais não costumam ter nojo, ou pelo menos muito nojo, ao trocar a fralda dos filhos.

 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico Current Biology mostra uma estratégia bem-sucedida para não esquecermos aquilo que aprendemos. Fazer atividade física depois do aprendizado potencializa a memória, especialmente se realizada quatro horas depois de absorver um novo conteúdo.
 
Não temos dúvidas quanto ao poder da atividade física no incremento de nossas funções cognitivas, mas o presente estudo aponta que existe uma intrigante janela de tempo em que esse efeito é mais robusto. Quando fazemos atividade física quatro horas após o aprendizado somos capazes de reter melhor a informação dois dias depois – melhor do que antes dessas quatro horas ou quando não nos exercitamos.    
 
Pesquisadores holandeses da Universidade de Radboud recrutaram 72 voluntários para aprender a localização espacial de imagens na tela do computador por 40 minutos. Eles foram divididos em três diferentes grupos: os que faziam atividade física logo em seguida, os que faziam quatro horas depois e aqueles que não se exercitavam após o aprendizado. O exercício consistia de 35 minutos de bicicleta com intensidade de até 80% da freqüência cardíaca máxima de cada participante. Dois dias depois eles eram testados para analisar o quanto se lembravam da localização das imagens e também eram submetidos a exames de ressonância magnética funcional. Como já ressaltamos anteriormente, aqueles que se exercitaram quatro horas depois foram os que tiveram melhor retenção de memória. Eles também tiveram a melhor ativação da região hipocampal à ressonância magnética, área do cérebro fortemente ligada ao processo de memorização.
 
Estudos anteriores com animais de laboratório já mostraram que a atividade física libera componentes químicos no cérebro como a dopamina e noradrenalina que guardam estreita relação com a consolidação da memória. Parece que o melhor momento de ativar esses componentes para turbinar a memória é depois de algumas horas do aprendizado. Curioso, não?

 

Os pais estão sempre antenados em vigiar o conteúdo a que seus filhos estão expostos nas diferentes mídias e existe um senso comum que se é produção da Disney não precisa se preocupar. Uma pesquisa publicada nesta última semana pelo periódico Child Development mostra-nos que a inocência Disney é discutível em alguns casos.  O estudo chama a atenção para o fenômeno da cultura de princesas Disney e seu poder de potencializar estereótipos de gênero, especialmente na cabeça das meninas. Estereótipos não são necessariamente bichos papões, mas estudos anteriores já haviam demonstrado que estereótipos de gênero limitam os horizontes das meninas.

O presente estudo avaliou as repercussões da cultura das princesas Disney sobre o comportamento de crianças americanas pré-escolares. Os resultados mostraram que 96% das meninas e 87% dos meninos já haviam assistido a alguma princesa Disney na mídia. 61% das meninas brincavam com a boneca de uma das princesas pelo menos uma vez por semana, enquanto que com os meninos era só 4%. Após acompanhamento de um ano, as crianças que tinham mais interação com as princesas tinham maior comportamento estereotipado de gênero e as meninas com menor auto-estima eram as que mais se envolviam com as princesas.

Para as meninas o reforço desse estereótipo de gênero pode limitar o alcance de suas potencialidades, pois podem achar que muitas opções na vida não foram feitas para mulheres. Matemática? Ciência? Atividades que sujam o corpo? Isso é coisa de homem… Os meninos podem reforçar esse estereótipo, dificultando as oportunidades das meninas. Por outro lado, as princesas podem também contrabalancear o estereótipo hiper-masculino de super-herói.

As crianças não devem ser desencorajadas a viver as princesas, mas os pais podem ensaiar com bastante cuidado uma análise crítica com elas. Uma boa oportunidade é o caso da “princesa” Mérida da animação Valente. Era uma guerreira que foge do modelo das princesas, mas ao lançar a boneca no mercado, a Disney retirou o arco e flecha e criou a estética de uma legítima princesinha.

A autora principal do estudo lembra que os pais podem ajudar as meninas a terem certa consciência desses jogos de imagens. Diz também que fica entediada quando alguém encontra sua filha e diz: “Olá minha princesa”, mas nunca diz: “Olá menina esperta, inteligente”…

The Magnificent Ocean (Japan) Editorial Stock Image

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico da Associação Americana de Psicologia apontou que tirar fotos pode fazer com que as pessoas curtam mais suas experiências.

É muito comum a opinião de que quem tira muita foto curte com menos intensidade a experiência, mas essa pesquisa de certa forma nos mostra que essa ideia é um mito. Pesquisadores americanos conduziram nove diferentes estudos com mais de dois mil voluntários que participaram de atividades como um city tour de ônibus, visita a um museu ou um jantar em um restaurante. Metade dos participantes foi instruída a fotografar a atividade e ao final se mostraram quase sempre mais satisfeitos do que aqueles que não fotografaram. Sentiram-se mais engajados na experiência. Por outro lado, as experiências pouco prazerosas ficavam ainda pior com o ato de tirar fotografias.

E os efeitos de potencialização da experiência com a fotografia aconteciam até sem uma máquina na mão. Em um dos experimentos, os voluntários eram orientados a tirar fotos mentalmente daquilo que tirariam com a máquina e, mais uma vez, o prazer foi maior do que entre aqueles que não fizeram as fotos mentais.

 

 

O que os feijões Harry Potter sabor cera de ouvido e vômito têm em comum com a Revista Caras e obsessão pelas redes sociais? Todos são exemplos de comportamentos que podem não trazer nenhum benefício, além do de matar a curiosidade. Muitas vezes trazem até resultados negativos, mas as pessoas pagam o preço para satisfazerem a agonia da curiosidade. A isso é dado o nome de fenômeno de Pandora, em alusão ao mito grego. Pandora foi advertida a não abrir a caixa, mas sua curiosidade liberou os demônios. Adão e Eva não fizeram diferente. A culpa sobrou para Eva.

Essa curiosidade faz com que as pessoas no mundo real passem a assumir comportamentos de risco como experimentar drogas ilícitas, jogos de azar, ler mensagens do smartphone enquanto dirigem, etc. Cientistas têm nos confirmado cada vez mais em estudos de laboratório que a incerteza ainda é pior que notícia ruim. Ficou curioso para experimentar a balinha de vômito?

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