Por Dr. Ricardo Teixeira*

Four People Holding Mobile Phones

 

Alguns dizem que a vida digital está nos deixando mais espertos, especialmente aqueles que desenvolvem jogos e exercícios digitais para incrementar as funções cognitivas. Outros dizem o contrário. E então? Acho que podemos dizer que ambos os lados têm um pouquinho de razão.

Videogames, por exemplo, trazem benefícios cognitivos, como melhor atenção e menor tempo de reação, mas de uma forma muito discreta. Não se sabe muito bem o quanto esses ganhos são realmente transferidos para a vida real. Por outro lado, o uso de videogames tem sido associado a comportamento agressivo, efeito que também é discreto e não necessariamente de causa e efeito. Os videogames violentos deixam as pessoas com um comportamento mais violento ou pessoas que já têm uma natureza violenta são mais atraídos por jogos com conteúdo violento?

A internet deixa-nos distraído durante um trabalho e afeta negativamente o desempenho cognitivo, mas não muda radicalmente o funcionamento do cérebro. O cérebro não é tão craque assim para multitarefas. Os resultados são melhores quando fazemos uma tarefa de cada vez, mesmo estre aqueles que nasceram com um dispositivo nas mãos.

Os riscos da exposição aos dispositivos digitais podem ser minimizados educando as pessoas a manterem o autocontrole e usá-los nos momentos certos. É a criação de estratégias de defesa, para ficarmos menos vulneráveis às tentações, como abrir a caixa de email, facebook, twitter a cada cinco minutos durante uma tarefa.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

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Five Bulb Lights

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As pessoas criativas não são necessariamente experts em uma determinada atividade. Ao invés de praticar exaustivamente um caminho já conhecido, elas criam sua própria rota. Picasso tinha habilidades de desenhista de dez mil horas antes de fazer suas obras desencontradas e geniais.  A prática ajuda muito, mas não é tudo.

 

Existem atividades mais dependentes da prática do que outras. São atividades em que as regras para ser um “virtuose” já são bem estabelecidas. Podemos citar o xadrez, o esporte e a performance musical. De qualquer forma, sempre existirá o espaço mágico da criatividade. De um lado temos o criador que rompe com o já conhecido e do outro o incrível intérprete. De um lado temos um Garrincha e do outro Carlos Alberto Torres.

 

Obras e produtos criativos não são meros resultados de expertise. Eles precisam ser originais, surpreendentes e fazerem diferença por serem úteis. Originais porque os criadores transcendem o virtuosismo e vão além do repertório padrão. Fazer diferença é fundamental, pois o criador deve satisfazer necessidades. O iPhone não seria um sucesso se não resolvesse problemas. Ser surpreendente não só para uma ou outra pessoa, mas para quase todo mundo. As descobertas de Galileu são um bom exemplo.

 

Elenco abaixo dez evidências que mostram que a prática e experiência não garantem a criatividade.

  • a criatividade é frequentemente cega. O criador não tem certeza se sua ideia será aceita;

 

  • o processo criativo é errático. Shakespeare escreveu Hamlet aos 38 anos de idade e logo depois escreveu obras que não foram tão agraciadas. Entretanto, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature mostra que entre cientistas e artistas existe uma onda de produtividade acima da média que dura uns cinco anos. Estamos falando de qualidade e não de quantidade, e essa onda pode acontecer em diferentes fases da vida;

 

  • a regra dos dez anos de prática nem sempre é verdadeira. Um estudo destrinchou o percurso de 120 compositores clássicos e mostrou que uma década de prática é uma condição frequentemente necessária para as primeiras grandes criações. Entretanto, alguns compositores demoraram menos, enquanto outros muito mais;

 

  • talento ajuda muito. Se definirmos talento como a velocidade com que uma pessoa adquire expertise, podemos dizer que as pessoas criativas são mais talentosas. Precisam de menos tempo para alcançar esse nível de expertise e logo em seguida já viram o disco e passam a sobrevoar o desconhecido;

 

  • o tipo de personalidade também ajuda. Pessoas criativas não se conformam com o arroz e feijão, não costumam ser convencionais, gostam de correr riscos e não raramente têm alguma psicopatologia;

 

  • os genes também influenciam. Calcula-se que um terço a um quarto do desempenho depende da carga genética do indivíduo e isso repercutirá no poder criativo. É claro que os fatores ambientais influenciam e muito;

 

  • os criativos costumam ter interesses amplos. Cientistas bem-sucedidos e criativos têm vários hobbies e interesses. Galileu era fascinado pelas artes, especialmente a música e literatura;

 

  • excesso de expertise pode inibir a criatividade. Mais nem sempre é melhor;

 

  • o olhar de fora tem suas vantagens criativas. Um querido professor me dizia que, quando suas ideias no laboratório estavam pouco criativas, ele ia para a biblioteca folhear periódicos de áreas radicalmente distantes e muitas vezes saía dizendo eureca;

 

  • os criativos são bons não só para resolver problemas. São bons também para encontrar problemas. Nem sempre são os mais eficazes, mas seus olhos conseguem enxergar o que ninguém ainda se deu conta.

 

*Por Dr. Ricardo Teixeira

 

1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

5- As crianças que cresceram com a internet  nas mãos e suas gratificações instantâneas são mais impulsivas.

Fato: Estudos que comparam o tempo que as crianças são capazes de aguardar por uma recompensa mostram que no século 21 elas são capazes de aguardar mais do que nas décadas de 1980 e 1960.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 Colourful Capsules
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Já conhecemos uma série de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem deixar nosso cérebro mais esperto. Estamos falando de atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm sido cada vez mais consumidas por pessoas sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. A última pesquisa que avaliou o consumo dessas drogas entre dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo mostra um crescimento nada discreto. Em 2017, 14% das pessoas utilizaram essas medicações pelo uma vez no último ano, comparado a 5% no último estudo de 2015. Nos EUA, esse consumo é de 30% da população geral.
 
O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm-se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica. 
Elenco a seguir algumas questões sobre esse fenômeno que têm sido discutidas nos últimos anos por pesquisadores da área.   
 
– Existe atualmente um forte mercado negro dessas medicações voltado para indivíduos saudáveis, com transações de compra e venda que podem ser punidas até mesmo com prisão em países como os Estados Unidos.
 
– O uso de medicações dessa natureza para melhorar o desempenho cerebral poderia ser visto como “trapaça” ao pensarmos que outras pessoas podem não estar usufruindo dos mesmos benefícios. Não dispomos ainda de regras que regulem se as pessoas podem ou não fazer uso dessas medicações (ou boas doses de café) para a realização de um concurso público, por exemplo. Outra situação: uma pessoa tem o hábito de investir no seu equilíbrio psíquico, como por exemplo através da meditação e atividade física regular, e outra pessoa não o faz. Esse equilíbrio psíquico tem grandes chances de aumentar o desempenho cognitivo, mas culturamente isso não costuma ser visto como trapaça, já que a pessoa “investiu seus esforços” para alcançar sua vantagem. Por que a vantagem alcançada por pílulas deveria ser vista de outra forma? E será que essas drogas realmente oferecem vantagens no aprendizado ou só melhoram o desempenho a curto prazo em dias de maiores desafios? Será justo para aqueles que não usam as drogas concorrer com outros cérebros “turbinados”? Seria a mesma coisa se parte dos concorrentes num teste de matemática estivessem usando calculadora e outra parte não?
– Medicações dessa natureza poderiam provocar dependência e efeitos colaterais. Não se dispõe desse conhecimento quando se fala em consumo por indivíduos saudáveis. Por outro lado, até a cafeína é passível de desenvolver dependência e efeitos colaterais, apesar do seu risco de fazer mal à saúde ser infinitamente menor do que de outras drogas. Com base na atual experiência, talvez os riscos de dependência / efeitos colaterais das medicações estimulantes não sejam muito diferentes do que os da cafeína e por isso não há razões para tanto receio. É preciso avançar nas pesquisas sobre o assunto.
 
– Em crianças, as questões éticas são muito mais complexas. A primeira questão é em relação à segurança dessas medicações em indivíduos que ainda têm o cérebro em franco desenvolvimento. Além disso, a criança não tem o poder de fazer suas próprias escolhas. Entre os adultos, há de se considerar no futuro questões éticas ligadas à obrigatoriedade em se usar tais medicações em algumas situações ocupacionais. Nos EUA, o modafinil é hoie uma droga aprovada pelo FDA para trabalhadores em turno invertido. Será que o empregador poderá um dia obrigar o trabalhador a usar a medicação para evitar acidentes ou para melhorar o desempenho?
– Como qualquer tecnologia, drogas para turbinar o cérebro poderão um dia ser bem ou mal-usadas. Há muito trabalho pela frente para se avaliar seus custos e benefícios, para se educar a população sobre o assunto e para ajustar a legislação vigente caso se consiga demonstrar que elas são realmente seguras e eficazes para as pessoas que querem turbinar seus cérebros.   
Em entrevista concedida à Scientific American e publicada há alguns anos na revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, um dos neurocientistas mais renomados do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

Group of People Holding Hands Forming Teamwork

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Pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA demonstraram recentemente que uma equipe de trabalho é mais eficiente quando sob o efeito do café cafeinado. As pessoas interagem mais, dão mais avaliações positivas sobre a participação dos colegas e perdem menos o foco. O estudo foi publicado pela revista Journal of Psychopharmacology.

O maior nível de alerta é uma das explicações mais plausíveis para os resultados e talvez outras intervenções que aumentem esse nível de alerta, como exercício físico, tenham o mesmo efeito. Além disso, ao final do estudo, aqueles que tomaram o café cafeinado responderam mais frequentemente que gostariam de voltar a trabalhar com a equipe. São muitos os estudos que já avaliaram os resultados positivos do café sobre o desempenho cognitivo individual, mas esse é o primeiro que estudou os resultados em uma equipe de trabalho.

A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A substância tem uma ação inibitória nesses receptores de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante.  Quando soltamos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.

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Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o de Reserva Cerebral. Se o cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de sua performance em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente. Ou seja, quanto maior a reserva, mais tempo o cérebro mantém seu funcionamento normal, mesmo que ele esteja doente.
 
O status sócio-econômico e educacional é sem sombra de dúvidas um dos pilares mais fortes de nossa Reserva Cerebral, sendo que quanto maior esse status, maior reserva temos. Até mesmo a época em que nascemos faz diferença, sendo que indivíduos que nasceram e cresceram em épocas mais recentes apresentam melhor desempenho cognitivo do que suas gerações anteriores. Um dos estudos que bem ilustra esse efeito é o Nun Study que analisou o repertório lingüístico do diário de freiras quando jovens. Os diários que receberam maior pontuação foram de freiras que apresentaram melhor performance em testes cognitivos quando idosas e eram também  mais longevas e com menor risco de demência.
 
Estudos recentes demonstram que o cérebro do idoso ao ser treinado responde com melhora de desempenho nas habilidades treinadas. Tais treinamentos foram realizados com exercícios para estimulação da memória, resolução de problemas, velocidade de processamento, alguns deles por meio de sofisticados softwares. Entretanto, parece que atitudes mais instintivas e artesanais podem ter efeito também bastante significativo: a atividade de lazer é um exemplo.
 
Repetidos estudos vêm demonstrando que lazer é coisa séria, e que sua presença está associada a um menor risco do indivíduo em desenvolver demência. A explicação reside no fato de que o lazer também é capaz de treinar nossos cérebros, aumentando nossa Reserva Cerebral. O interessante é que algumas atividades de lazer parecem ser mais positivas do que outras. Estudos realizados na cidade de Nova York revelaram que as atividades mais “protetoras” foram leitura, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, passeios turísticos, visitas a amigos e parentes, idas ao cinema, restaurante ou a evento esportivo, tocar instrumento musical. Talvez isso tudo tenha mais efeito do que treinamentos no computador através de jogos que são comercializados com a promessa de promover a atividade cognitiva. Uma pesquisa publicada este mês pela Universidade de Western Ontário mostrou que o treinamento nesse tipo de jogo melhora o desempenho no jogo em que a pessoa foi treinada, mas os resultados não são estendidos para outros jogos que usam estratégias cerebrais semelhantes.  
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Bastante provocador foi o resultado de um estudo realizado na China confirmando que leitura e jogos de tabuleiro estavam associados a menor declínio cerebral após os 55 anos de idade. Entretanto, indivíduos com mais horas dedicadas à televisão apresentaram mais chance de declínio cognitivo e menor dedicação a outras atividades de lazer. Discute-se o fato de que muito daquilo que o indivíduo vê na TV demanda pouco da atividade cognitiva. Isso não quer dizer que um maior tempo de TV causa declínio cognitivo, mas pode ser a conseqüência de um estado pré-clínico de déficit cognitivo com redução do interesse por outras atividades. 
 
De qualquer forma, precisamos estar atentos em estimular os nossos jovens a desenvolver um repertório amplo de atividades de lazer “inteligentes”, pois os hábitos são mais fáceis de serem adquiridos quando iniciados em fases mais precoces da vida. Quanto aos nossos idosos, atenção redobrada. Podemos começar por melhor conhecer e demandar aquilo que está escrito no Estatuto do Idoso, em vigor em nosso país desde 2003:
 
Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do
Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
 
Art. 21º . O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à
educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.
 
Art. 24º . Os meios de comunicação manterão espaços ou horários
especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e
cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento.
 
Os Titãs não estavam falando em luxo com: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

background, blur, chat

 

Será que a obsessão pelos eletrônicos está fazendo bem ao seu cérebro? Como será isso no longo prazo? Será que o receio de conseqüências negativas é algo parecido com o medo dos antigos na época do surgimento da imprensa, do rádio ou da TV?

Uma recente pesquisa conduzida nos EUA (Common Sense Media) mostrou que adultos de diversos estratos socioeconômicos ficam uma média de nove horas e 22 minutos na frente das telas, incluindo smartphone, tablet, TV e computador. Ah, mas a maioria desse tempo deve ser trabalhando! Negativo. Oito horas eram dedicadas a questões pessoais. Fala-se muito dos limites de tempo que as crianças devem respeitar, mas elas precisam de exemplo.

Outro resultado impressionante dessa pesquisa foi o fato de 78% dos voluntários acreditarem que eles são bons modelos de como seus filhos deveriam usar a tecnologia digital. Com os pais tão plugados as crianças podem se sentir ignoradas e, além disso, vão querer imitar o hábito dos pais. E essa história não acaba bem. Sabemos que o excesso de telinhas na vida das crianças e adolescentes está associada a um menor desempenho em funções cognitivas como a atenção, menor rendimento escolar, menos atividade física, mais obesidade… No caso dos nenéns de pais superconectados, já é descrito um atraso no aprendizado de reconhecimento de sinais não verbais na comunicação. Sofrem do fenômeno de ˜faces congeladas” – pais inanimados na frente das telas.

Neste mês de julho tivemos uma publicação no JAMA, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo, mostrando que o excesso de exposição às plataformas digitais faz o cérebro do adolescente manifestar mais sintomas de déficit de atenção e hiperatividade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia e Califórnia do Sul acompanharam 2600 adolescentes assintomáticos de 15 e 16 anos de idade e apontaram que aqueles que usavam de forma muito freqüente uma lista de 14 plataformas digitais populares como WhatsApp, Facebook e Youtube, estes tinham o dobro de chances de passarem a apresentar sintomas de déficit de atenção após um seguimento de dois anos. O ineditismo dos resultados foi por conta da avaliação do impacto das plataformas mais modernas, um estudo que não foi só baseado em TV e videogames.

 

 

 

People Wearing White Clothes

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Pessoas que pensam ter menos anos do que consta na certidão de nascimento têm um cérebro que envelhece mais lentamente. Essa é a conclusão de uma pesquisaconduzida por pesquisadores da Universidade de Seoul na Coréia do Sul e recém-publicada no Frontiers of Neuroscience.

 

O sentimento do quanto nos sentimos jovens ou velhos é também chamado de idade subjetiva e está associado a vários marcadores de saúde, como desempenho cognitivo. Idosos com queixas de memória simples, por exemplo, têm mais chances de no futuro apresentar um quadro demencial. É como se fosse uma percepção subjetiva daquilo que os médicos e exames não conseguem ainda mostrar naquele momento.  

 

O presente estudo mostrou que idosos que se sentem mais jovens têm melhores pontuações em testes de memória, menos sintomas depressivos e consideravam ter um melhor estado de saúde. Além disso, estudos de neuroimagem mostraram que o cérebro desses idosos que se acham mais jovens tem um maior volume da substância cinzenta. Essa relação foi independente de outros fatores como a presença de sintomas depressivos.

 

Os pesquisadores levantam a questão de que a experiência subjetiva de se sentir mais velho do que realmente é pode acelerar o processo de envelhecimento cerebral com redução do volume da substância cinzenta. Por outro lado, aqueles que se sentem mais jovens têm uma rotina mais ativa, mais atividade física e mental, supervitaminas para o cérebro.

   

Trees in Park

 

Já havíamos discutido o quanto a natureza pode trazer benefícios ao nosso estado mental, com incrementos no nosso equilíbrio psíquico, melhora da atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa.

 

Um novo estudo publicado pelo periódico Environmental Research e conduzido por pesquisadores ingleses aponta que o contato com a natureza pode ainda reduzir o risco diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular e morte prematura.

 

A pesquisa avaliou os resultados de cerca de 140 estudos envolvendo mais de 290 milhões de pessoas em diferentes continentes e concluiu que as pessoas que têm mais acesso ao espaço verde, além desses benefícios à saúde do corpo, apresentam também menos estresse e uma melhor qualidade do sono. Alguns países como a Finlândia, Japão e Coréia do Sul já entenderam bem o recado e tem programas de “banhos de floresta” como forma de promoção da saúde.

 

Vários fatores podem fazer a ligação entre o verde e nossa saúde. Cidades mais verdes são mais convidativas à atividade física e socialização, mas discute-se até mesmo a exposição a microrganismos “do bem” que podem reduzir o estado inflamatório do corpo e melhorar o equilíbrio imunológico.

 

Natureza selvagem é tudo de bom, mas esses benefícios já são reais em cidades com urbanismo bem pensado.

cheering, crowd, event

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Estima-se que a final da última copa do mundo no Brasil tenha sido assistida por um bilhão de pessoas ao redor do mundo e um quarto dos brasileiros parou para assistir à abertura.  Poucas coisas no mundo têm esse alcance global e elenco aqui alguns candidatos que podem explicar o sucesso desse esporte.

 

 

1-Futebol é coisa muito mais antiga que os ingleses.

 

Os ingleses colocaram ordem na casa em 1863, botando no papel as regras, especialmente para diferenciar o futebol de outros esportes parecidos como o Rugby. Nessa época, cerca de um quarto do mundo pertencia à Coroa Britânica e é claro que ela foi a garota propaganda perfeita para exportar o esporte para os quatro cantos do mundo.

 

Entretanto, temos evidências de que algo muito parecido já acontecia na China nos 3000 a.C. Com traves de 10m de altura, esse futebol arcaico também era usado como treinamento militar. A obra mais antiga da civilização Maia, o Popol Vuh, depois de falar que no início era só água e o céu, logo em seguida a terra e as montanhas, depois vieram os animais, os homens… e a “pelota” já estava lá.  Chutar é algo muito instintivo e acredita-se que a coisa pode ter começado ainda na idade da pedra.

 

2- A simplicidade do futebol facilita muito.

Fácil para qualquer um assistir e entender as regras, fácil de disseminar, fácil de angariar novos adeptos. É um esporte de inclusão, não precisa ser rico, na grama ou na terra.

 

3- Improvisação e presença de espírito são ingredientes que fazem o futebol ser mais atraente que tantos outros esportes.

Balãozinho, meia lua, bicicleta, e como diz o velho ditado, a vida é como o futebol: cada lance é diferente do outro. Carrinho, canelada, trombadas, gol roubado, evocam nossos sentimentos de raiva e, quando acompanhados de milhares de companheiros torcedores do mesmo time, pode ter efeitos bem amplificados.

 

4- Publicidade hoje ajuda muito, mas ela é só uma das peças de um círculo virtuoso.

É mais atraente e popular e por isso recebe mais investimentos publicitários que aumentam ainda mais a popularidade.

 

5- A atmosfera das torcidas dá todo o tempero.

Se você já torceu por seu time do coração em um estádio lotado, não preciso nem falar nada. A experiência de sentir um pertencimento a algo maior faz com que nosso cérebro vibre em outra freqüência. Viver a mesma emoção de forma sincrônica com 50 mil pessoas não é qualquer coisa!

 

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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha demonstraram resultados de experiências com passarinhos que têm parcerias parecidas com as dos humanos: costumam escolher um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes.

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida eram forçados a novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares espontâneos tinham 37% mais chances de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

Uma série de experimentos acaba de ser publicada por pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA em parceria com o centro Herzliya de Israel  e aponta que, entre os humanos, a relação é sexualmente mais forte quando o(a) candidato(a) parece ser mais viável para uma parceria romântica no longo prazo. Poderíamos dizer que o turbilhão da atração sexual é potencializado pelo amor romântico que sinaliza uma complementariedade e segurança. O mesmo fenômeno foi observado entre casais que já tinham uma relação estável. Os que demonstravam mais respeito mútuo, consideração e afeto eram os que tinham a maior atração sexual.

Cell phone in hands

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Quando pensamos em excesso de tecnologia no dia a dia, podemos instintivamente achar que isso tem gerado um estado de ansiedade. Mas realmente é verdade. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Emotion avaliou mais de um milhão de adolescentes americanos e apontou que era menor o bem estar psíquico entre aqueles que passavam mais tempo na frente das telas digitais. Compartilho abaixo quatro mecanismos que podem explicar esse fenômeno.

 

1-A tecnologia pode nos reduzir nossas pequenas incertezas, mas aumentar nossas grandes incertezas. E incerteza é um prato cheio para a ansiedade. Podemos nos sentir mais seguros com o Google Maps, com notícias fresquinhas do outro lado do mundo, etc. Mas essa mesma tecnologia tem trazido mais insegurança quando se pensa no futuro mercado de trabalho e até mesmo o encontro do parceiro ou parceira nos inúmeros sites de relacionamento.

2-O mundo digital tem-nos deixado menos sociáveis. A interação carne e osso entre as pessoas é uma poderosa ferramenta para nosso equilíbrio psíquico.

 

3-As redes sociais são uma arena de constantes julgamentos. É muita gente olhando e julgando. Poucos likes e compartilhamentos podem levar a um estado de insegurança, especialmente entre os jovens.

 

4-As redes sociais também são um grande palco para comparações. Somos bombardeados o tempo todo com viagens incríveis, famílias perfeitas, etc. Isso pode ser pura fonte de ansiedade para muitas pessoas.

Close-up of Hands

 

Alguns enxergam a religiosidade simplesmente como uma forma de controle social, algo maior vigiando o comportamento humano. Outra forma de entendê-la é pensar que a evolução da espécie humana favoreceu a experiência religiosa como um mecanismo que ajuda a manter comunidades unidas e também a promover um melhor autocontrole mental. A princípio, quando uma meta é encarada como sagrada, o indivíduo teria maior tendência em se esforçar para alcançá-la. Mais do que isso, o sagrado abastece a mente humana no desafio de pensar sobre a vida e a morte, e em tempos mais remotos, isso era fundamental para o entendimento dos sonhos e fenômenos da natureza.

Marx, Freud, Weber, entre tantos outros, defenderam a ideia de que a modernidade reduziria a influência das crenças religiosas na sociedade. No Brasil, nos últimos 20 anos, houve um discreto aumento na porcentagem de brasileiros que dizem não ter uma religião: em 1991 essa cifra era de 4.75% e em 2009 passou para 6.7%. Em 2015, uma pesquisa mostrou 2 em cada 10 brasileiros declaram que não são religiosos.

A religiosidade tem seu lugar no cérebro? A neurociência tem demonstrado que a experiência religiosa estimula circuitos cerebrais do neurotransmissor dopamina, os mesmos circuitos que são considerados disfuncionais em transtornos neuropsiquiátricos em que a hiperreligiosidade faz parte do quadro clínico, como é o caso da epilepsia do lobo temporal, esquizofrenia, mania e transtorno obsessivo-compulsivo. Sistemas cerebrais da serotonina também parecem estar implicados, já que drogas que têm influência sobre eles são facilitadoras da experiência religiosa. Entre essas drogas podemos citar o LSD, mescalina, ecstasy, e o chá de Ayahuasca utilizado pelo Santo Daime e União do Vegetal.

Cientistas das universidades americanas de Columbia e Yale demostraram recentemente que o estado de conexão com algo maior, seja pela experiência religiosa ou não, está associada a uma menor atividade da região parietal do cérebro. Ao alcançar esse estado de consciência, a pessoa apresenta um adormecimento de uma região fortemente vinculada à percepção de si mesmo e dos outros.

Quando pensamos na influência da fé na evolução de problemas de saúde, vale a pena refletir sobre o poder do efeito placebo. A origem do termo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI.  A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. Pessoas que apresentam boa resposta ao placebo apresentam circuitos cerebrais de dopamina com maiores concentrações desse neurotransmissor. Também há evidências de que as concentrações dos opioides endógenos e de serotonina são influenciadas pela expectativa positiva. Isso tudo pode ter repercussões sobre o sistema imunológico e favorecer a evolução de uma condição de saúde. Se uma pílula de farinha já é capaz de provocar esses efeitos, podemos tentar imaginar o que a prece ou um ritual religioso pode promover. Esse é um modelo que a ciência tem para explicar os efeitos da fé sobre a mente e o corpo. Isso não quer dizer que outros mecanismos ainda intangíveis não possam ser descritos no futuro.

A religiosidade faz bem mesmo à saúde? Já temos um razoável corpo de evidências que indivíduos com uma maior vivência religiosa / espiritual têm uma maior capacidade de lidar com o estresse emocional, uma melhor saúde mental de forma geral e, em situações de doença, cooperam mais com o tratamento. Além disso, o envolvimento com uma comunidade religiosa está associado a uma maior rede social, e há tempos sabemos que pessoas socialmente integradas têm menos chance de adoecer, e quando doentes, a rede social é uma das principais fontes de apoio. Esse pode ser um dos principais fatores que explicam resultados de maior longevidade entre as pessoas com maior religiosidade. Assume-se também que essas pessoas têm a tendência a apresentar hábitos de vida mais saudáveis.

Entretanto, as crenças religiosas nem sempre estão a favor da saúde do paciente, já que podem em alguns casos dificultar a aderência ao tratamento com ideias do tipo: esse é o desejo de Deus; Deus me abandonou; esse é o meu destino; esse é o meu castigo; etc. Em situações como essas, é bem razoável que a equipe de saúde esteja minimamente preparada para abordar dimensões religiosas / espirituais do paciente e assim aumentar a aderência e sucesso do tratamento.

 

 

 

Woman Drinking Wine

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Temos muitas evidências da influência de uma experiência sensorial sobre outras. Somos mais intolerantes ao barulho, por exemplo, em ambientes claros. Sabemos também que jantar com iluminação discreta faz com que a gente tenha tendência a comer menos. Por outro lado, essa penumbra favorece a escolha de alimentos menos saudáveis. Uma boa hipótese para explicar essa influência da luz é que no claro estamos mais atentos, inclusive para escolher as opções mais saudáveis do cardápio. Um experimento chegou a demonstrar que pílulas de cafeína placebo faziam com que as pessoas pedissem alimentos saudáveis em ambientes escuros na mesma proporção do que nos bem iluminados.

E quanto ao barulho? Um estudo recém-publicado pelo Journal of the Academy of Marketing Sciences demonstra que, quanto menor o volume da música no ambiente, mais escolhas saudáveis fazemos no restaurante. Uma possível explicação é que o volume alto do som promove um estresse que dificultaria escolhas mais conscientes. A pesquisa foi conduzida em um café na cidade de Estocolmo na Suécia por vários dias consecutivos.

 

Essa influência que uma experiência sensorial tem sobre a outra é uma linha de pesquisa fortemente desenvolvida pela Universidade de Oxford na Inglaterra e liderada pelo psicólogo Charles Spence. Ele demonstrou que uma refeição rica em alimentos doces ou azedos ficará mais saborosa se a música tiver tons mais agudos. Se tiver gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores.

 

O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos.  O mesmo vinho é considerado mais encorpado ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai.

 

Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá seus pitacos em restaurantes sofisticados. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.

 

** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido.  Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso.  Alimentos ricos em glutamato, como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão por cima do molho bolonhesa

 

Seven Photo of Person Wallmount

 

 

Recentemente, uma pesquisa envolvendo 156 países elegeu a Finlândia como o país mais feliz do mundo. A análise levou em conta seis valores para chegar a essa conclusão: remuneração, expectativa de vida, suporte social, liberdade e confiança. Nesses quesitos os países nórdicos realmente estão entre os Top 10, mas se você medir felicidade pelo quanto que as pessoas experimentam emoções positivas, países subdesenvolvidos como Paraguai, Guatemala e Costa Rica estão no podium e a Finlândia fica bem para trás.

 

Outro ângulo dessa discussão é o fato de que os Finlandeses serem a segunda população ocidental com maior prevalência de depressão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Paradoxal, não? E podemos deixar a discussão ainda mais complexa se analisarmos o quanto as pessoas veem sentido na vida. Nesse quesito, países africanos, como Senegal e Togo, estão muito à frente dos nórdicos, e isso pode ser explicado, em parte, pela maior vivência religiosa encontrada entre os países mais pobres.

 

Além disso, os Finlandeses assumem que não têm muito hábito de exteriorizar seus sentimentos. E isso no mundo das redes sociais pode ser um ponto positivo para o bem-estar psíquico e satisfação com a vida, já que eles são menos vítimas do ringue virtual de comparações com a grama do vizinho.

 

Podemos então concluir que a tal felicidade é bem mais complexa que uma meia dúzia de fatores como os levados em consideração para dar o título à Finlândia.

Printed Musical Note Page

 

 

Tenho pensado recentemente que uma das dietas mais nutritivas que podemos oferecer aos filhos é uma rica em vitamina T, T de tempo. E o efeito dessa vitamina não depende só de quantidade, mas também de qualidade. Nessa toada, a música pode ser uma ferramenta poderosa para incrementar essa qualidade.

 

Você deve concordar com o valor que um prato delicioso feito para todos tem na saúde das relações humanas. Foi-se o tempo que a cozinha era um palco exclusivo da mama. Hoje temos os masterchefs papas e kids também. Que espetáculo saborear uma sobremesa que o filho fez para toda a família.

 

A cena de uma família viajando, ou mesmo em casa, cada um com seu smartphone e seu fone de ouvido, não é nada incomum nos dias de hoje. Isso parece mais um almoço de domingo em que cada um discou para um ifood para entregar sua “ração” individual. Da mesma forma, um banquete de música compartilhada pode ser bem mais interessante que os fones individuais.

 

Pesquisadores da Universidade do Arizona nos EUA demostraram recentemente que as crianças e adolescentes que crescem vivenciando música junto aos pais chegam no início da idade adulta com um melhor relacionamento com eles.

 

E esse compartilhamento de vivências musicais deve acontecer nos dois sentidos. Não adianta você pensar que o importante é o filho aprender a ouvir Verdi, Beethoven, Miles Davis, Tom Jobim, etc. Pode até ser que seu filho goste de alguns desses personagens, mas você não deveria achar que é de segunda classe conhecer e ouvir junto aquele funk que está na playlist dele. E por que não fazer companhia em um show de música que só interessa ao público adolescente?

 

Que tal trocar os fones por sistemas bluetooth de compartilhamento da música no carro ou em casa? Deixe os filhos também serem os DJs. É claro que dá para combinar momentos de individualidade e silêncio, tão importantes para os pais como para os filhos. Ou quem sabe ainda aprender a tocar um instrumento musical junto com seu filho?

 

 

 

Black and White Photo of Mother and Children
Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.
A natureza dá uma força para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.

A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.
Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Talvez não seja à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.
 

E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.
 
E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.
 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade até mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, profissional, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

 

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Pequenos intervalos de atividade física podem potencializar o aprendizado na sala de aula. Essa foi a conclusão de um estudo realizado recentemente pela Universidade de McMaster no Canadá. Os pesquisadores estudaram, em adultos, o efeito de três intervalos de 5 minutos de atividade física durante aulas de 50 minutos online. Eles conseguiram demonstrar que esses intervalos aumentavam as capacidades de atenção, retenção de memória e do aprendizado de uma forma geral, imediatamente após a aula e 48h depois. Grupos controle nesse estudo incluíram ausência de intervalos ou intervalos em que os participantes jogavam videogame. Esses resultados já haviam sido demonstrados nas crianças, mas foi a primeira vez entre os adultos.

 

Se isso lhe parecer difícil de ser colocado em prática, lembre-se pelo menos de se levantar da cadeira por uns minutinhos a cada meia hora. Essa simples atitude pode ter um efeito benéfico na prevenção de doenças metabólicas e cardiovasculares e este ano tivemos uma pista que o cérebro também é contemplado com os efeitos benéficos desse hábito. Uma pesquisa da UCLA nos EUA mostrou que as pessoas que ficam longos períodos sentadas têm o volume do lobo temporal mesial reduzido, estrutura crítica para a formação da memória. Isso ocorria mesmo entre os indivíduos que praticavam atividade física de alta intensidade fora do trabalho. Então, se você trabalha sentado, e não der para fazer intervalos de exercício físico, pelo menos se levante para pegar uma água uma ou duas vezes por hora. Que tal?

Six 20 Pound Euro

 

Muitas teorias e poucas evidências empíricas, e o fato é que muito ainda se discute se o melhor negócio para uma relação de casal é a independência financeira de cada um ou o contrário. Alguns defendem a ideia de que a dependência financeira, especialmente entre as mulheres, faz com que o casal tenha uma relação mais estável com um maior senso de compromisso com o outro. Outros discutem que, quando os dois são independentes, os afazeres em prol da família ficam em segundo plano e a relação fica mais vulnerável. Mas não é bem isso que uma pesquisa realizada pela Universidade de Cornell nos EUA acaba de mostrar. Os casais que têm mais equilíbrio dos seus ganhos financeiros individuais têm mais tendência a construir uma relação de longo prazo e essas relações duram mais.

Esse é o primeiro estudo empírico que demonstra essa tendência com uma amostra populacional representativa dos EUA através da análise de um período de 17 anos. A pesquisa também revelou que os indivíduos têm mais tendência a passar para o time dos casados ou dos que moram juntos quando ultrapassam certo grau de independência financeira, e isso vale tanto para os homens como as mulheres.

No Brasil, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, apesar de estudarem mais. Entretanto, lentamente as coisas vão se transformando. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), houve pela primeira vez na história uma queda no número de lares em que o chefe de família era o homem. Mesmo com a queda, dos 69.2 milhões de lares brasileiros em 2016, 40.5 milhões tinha o homem como chefe de família. Porém, pode existir um fator cultural que interfere nesses dados, já que os pesquisadores do IBGE não deixam explícito no momento da entrevista que chefe de família quer dizer quem assume a maior parte dos gastos do lar.

 

Close-Up Photography of Woman Wearing Red and Black Scarf

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Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio pode dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário. Temos até evidências que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode levar à perda do volume de substância cinzenta do cérebro e declínio cognitivo.

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Americana de Neurologia aponta também que, quanto mais tarde se dá o início da menopausa, melhores são os indicadores de desempenho cognitivo e o uso de reposição hormonal não teve qualquer influência. Esses resultados não foram válidos para os casos de menopausa cirúrgica, condição em que as mulheres têm os ovários removidos cirurgicamente.

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.

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