Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

Muita gente tem a sensação de que os anos estão passando rápido demais. Muito provavelmente não tinham esse pensamento na adolescência.

Uma pesquisa realizada na Alemanha com 500 voluntários com idades entre 14 e 94 anos mostrou que jovens e idosos têm a mesma percepção da velocidade do tempo quando se avalia tempos curtos como uma semana, um mês e até mesmo um ano. Entretanto, para tempos mais longos, como uma década, os idosos tinham a percepção de que o tempo passava mais rápido. Aqueles com idade superior a 40 anos referiam mais frequentemente que o tempo passava mais devagar no período da infância e que passou a ficar mais acelerado quando se tornaram adultos.

Existe um bom corpo de conhecimento que ajuda a explicar esse fenômeno. Quando vivenciamos algo novo o tempo parece que passa mais rápido no momento, mas quando nos lembramos mais tarde da experiência, parece que ela durou mais tempo que algo que fazemos rotineiramente.  Isso explica?

Nosso cérebro dá preferência em codificar as experiências novas e as vivências familiares ficam em segundo plano. Por isso, nosso julgamento do tempo que já passou depende do número de novas experiências que vivemos nesse período. Quanto mais coisas fizemos em umas férias, por exemplo, mas longa ela vai parecer depois de um tempo.

Na infância e adolescência vivemos muito mais novidades e aprendizados que a rotina da idade adulta e por isso a gente pensa anos depois que nesse início da vida o tempo passava mais devagar. Para os adultos que mantêm um bom ritmo de coisas novas na vida, olhar para trás décadas depois trará a sensação de que o tempo nem passou tão rápido como muitos outros adultos gostam de dizer.

 

Nosso gosto musical realmente tem origem cultural e não há porque pensar que é algo do cérebro desde que nascemos. Essa é a conclusão de um estudo publicado na última semana pela revista Nature.

Pesquisadores do MIT e da Universidade de Brandeis nos EUA conduziram esse estudo que envolveu mais de 100 índios de uma tribo remota da Amazônia boliviana – Tsimane. Eles vivem bem isolados e não recebem influência da música que as pessoas da cidade são expostas mesmo inconscientemente.

Acordes dissonantes e consonantes eram apresentados e eles tinham que dar uma nota para o quanto cada um deles os agradava. Um exemplo de acorde consonante, para muitos considerado “agradável ao cérebro”, é formado por dó maior e sol maior, um intervalo de quinta. Esse é um intervalo utilizado pela esmagadora maioria da música ocidental. Já os acordes dissonantes, como por exemplo o formado por dó maior e fá sustenido são muito pouco usados e até já foram considerados pela igreja católica como elementos musicais do capeta.

E não é que para os índios os acordes consonantes ou dissonantes não faziam diferença. Eram igualmente agradáveis a eles. Isso desconstrói a tese defendida por muitos que o cérebro nasceu batendo palmas aos acordes consonantes. É interessante o fato que os índios conseguiam categorizar dissonantes e consonantes como dois tipos de som.

Os mesmos testes foram aplicados a moradores de uma pequena cidade nas proximidades da tribo Tsimane, a moradores de La Paz e americanos músicos e não músicos. Os bolivianos da cidade deram uma discreta preferência aos acordes consonantes. Entre os americanos a preferência foi maior, especialmente entre os músicos.

Onde está a chave do carro? O que eu ia pegar na geladeira? A dificuldade que algumas pessoas na meia-idade têm de se lembrar de detalhes, pode ser só um jeito diferente que o cérebro mais maduro tem para processar a memória e a atenção, e não uma disfunção cerebral global.

Neurocientistas da Universidade de McGill no Canadá demostraram que as áreas cerebrais ativadas durante uma tarefa de reconhecimento visual eram diferentes a depender da faixa etária do indivíduo.  Os voluntários na meia-idade tinham maior ativação da região do córtex pré-frontal mesial, considerada uma área associada ao pensamento auto referencial, que cruza a nova informação com o repertório próprio. Já as pessoas mais jovens tinham maior ativação de áreas envolvidas nos processos de atenção e memória.

Esses resultados jogam luz na preocupação de muitas pessoas que têm pequenos lapsos de memória e que pensam que podem estar sofrendo de uma fase inicial de doenças cerebrais degenerativas como a Doença de Alzheimer.

Os “muito” jovens tiveram melhor desempenho nesse teste que os “meia idade”, mas essa diferença pode ser entendida como uma forma diferente que o cérebro mais maduro tem de processar a informação, e não como uma disfunção.

  1. Ankudowich, S. Pasvanis, M.N. Rajah. Changes in the modulation of brain activity during context encoding vs. context retrieval across the adult lifespanNeuroImage, 2016; 139: 103 DOI:10.1016/j.neuroimage.2016.06.022

 

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O prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences USA publicou recentemente um estudo que mostrou que o nível de incômodo com o cheiro dos outros depende de quanto os consideramos parte do nosso grupo social.

Pesquisadores escoceses da Universidade de St Andrews fizeram um estudo com 135 universitários de ambos os sexos em que eles tinham que segurar e cheirar uma camiseta suada. Eles eram orientados a dar uma nota de 1 a 7 do quanto o cheiro era desagradável. Os voluntários eram despistados do real motivo do estudo com informações como “a intenção é medir a capacidade de se identificar feromônios”. Os resultados mostraram que os estudantes toleravam mais o cheiro das camisas que tinham a logomarca de suas universidades. Além de darem notas piores às camisetas dos rivais, os estudantes andavam com mais rapidez até o local de lavar as mãos após o experimento e também usavam mais sabão.

A explicação para essa diferença passa por questões evolutivas. A experiência de desgosto com o cheiro é um instinto que promove proteção contra exposição a patógenos. Cheiros de pessoas que não são do “mesmo time” teriam mais chance de estar associados a germes desconhecidos. O estudo confirma resultados anteriores de que somos mais tolerantes a cheiros desagradáveis de pessoas que julgamos serem do nosso universo. Mesmo experiências básicas como o olfato são reguladas por fatores sociais, mesmo inconscientemente. Os pais não costumam ter nojo, ou pelo menos muito nojo, ao trocar a fralda dos filhos.

 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico Current Biology mostra uma estratégia bem-sucedida para não esquecermos aquilo que aprendemos. Fazer atividade física depois do aprendizado potencializa a memória, especialmente se realizada quatro horas depois de absorver um novo conteúdo.
 
Não temos dúvidas quanto ao poder da atividade física no incremento de nossas funções cognitivas, mas o presente estudo aponta que existe uma intrigante janela de tempo em que esse efeito é mais robusto. Quando fazemos atividade física quatro horas após o aprendizado somos capazes de reter melhor a informação dois dias depois – melhor do que antes dessas quatro horas ou quando não nos exercitamos.    
 
Pesquisadores holandeses da Universidade de Radboud recrutaram 72 voluntários para aprender a localização espacial de imagens na tela do computador por 40 minutos. Eles foram divididos em três diferentes grupos: os que faziam atividade física logo em seguida, os que faziam quatro horas depois e aqueles que não se exercitavam após o aprendizado. O exercício consistia de 35 minutos de bicicleta com intensidade de até 80% da freqüência cardíaca máxima de cada participante. Dois dias depois eles eram testados para analisar o quanto se lembravam da localização das imagens e também eram submetidos a exames de ressonância magnética funcional. Como já ressaltamos anteriormente, aqueles que se exercitaram quatro horas depois foram os que tiveram melhor retenção de memória. Eles também tiveram a melhor ativação da região hipocampal à ressonância magnética, área do cérebro fortemente ligada ao processo de memorização.
 
Estudos anteriores com animais de laboratório já mostraram que a atividade física libera componentes químicos no cérebro como a dopamina e noradrenalina que guardam estreita relação com a consolidação da memória. Parece que o melhor momento de ativar esses componentes para turbinar a memória é depois de algumas horas do aprendizado. Curioso, não?

 

Os pais estão sempre antenados em vigiar o conteúdo a que seus filhos estão expostos nas diferentes mídias e existe um senso comum que se é produção da Disney não precisa se preocupar. Uma pesquisa publicada nesta última semana pelo periódico Child Development mostra-nos que a inocência Disney é discutível em alguns casos.  O estudo chama a atenção para o fenômeno da cultura de princesas Disney e seu poder de potencializar estereótipos de gênero, especialmente na cabeça das meninas. Estereótipos não são necessariamente bichos papões, mas estudos anteriores já haviam demonstrado que estereótipos de gênero limitam os horizontes das meninas.

O presente estudo avaliou as repercussões da cultura das princesas Disney sobre o comportamento de crianças americanas pré-escolares. Os resultados mostraram que 96% das meninas e 87% dos meninos já haviam assistido a alguma princesa Disney na mídia. 61% das meninas brincavam com a boneca de uma das princesas pelo menos uma vez por semana, enquanto que com os meninos era só 4%. Após acompanhamento de um ano, as crianças que tinham mais interação com as princesas tinham maior comportamento estereotipado de gênero e as meninas com menor auto-estima eram as que mais se envolviam com as princesas.

Para as meninas o reforço desse estereótipo de gênero pode limitar o alcance de suas potencialidades, pois podem achar que muitas opções na vida não foram feitas para mulheres. Matemática? Ciência? Atividades que sujam o corpo? Isso é coisa de homem… Os meninos podem reforçar esse estereótipo, dificultando as oportunidades das meninas. Por outro lado, as princesas podem também contrabalancear o estereótipo hiper-masculino de super-herói.

As crianças não devem ser desencorajadas a viver as princesas, mas os pais podem ensaiar com bastante cuidado uma análise crítica com elas. Uma boa oportunidade é o caso da “princesa” Mérida da animação Valente. Era uma guerreira que foge do modelo das princesas, mas ao lançar a boneca no mercado, a Disney retirou o arco e flecha e criou a estética de uma legítima princesinha.

A autora principal do estudo lembra que os pais podem ajudar as meninas a terem certa consciência desses jogos de imagens. Diz também que fica entediada quando alguém encontra sua filha e diz: “Olá minha princesa”, mas nunca diz: “Olá menina esperta, inteligente”…

The Magnificent Ocean (Japan) Editorial Stock Image

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico da Associação Americana de Psicologia apontou que tirar fotos pode fazer com que as pessoas curtam mais suas experiências.

É muito comum a opinião de que quem tira muita foto curte com menos intensidade a experiência, mas essa pesquisa de certa forma nos mostra que essa ideia é um mito. Pesquisadores americanos conduziram nove diferentes estudos com mais de dois mil voluntários que participaram de atividades como um city tour de ônibus, visita a um museu ou um jantar em um restaurante. Metade dos participantes foi instruída a fotografar a atividade e ao final se mostraram quase sempre mais satisfeitos do que aqueles que não fotografaram. Sentiram-se mais engajados na experiência. Por outro lado, as experiências pouco prazerosas ficavam ainda pior com o ato de tirar fotografias.

E os efeitos de potencialização da experiência com a fotografia aconteciam até sem uma máquina na mão. Em um dos experimentos, os voluntários eram orientados a tirar fotos mentalmente daquilo que tirariam com a máquina e, mais uma vez, o prazer foi maior do que entre aqueles que não fizeram as fotos mentais.

 

 

O que os feijões Harry Potter sabor cera de ouvido e vômito têm em comum com a Revista Caras e obsessão pelas redes sociais? Todos são exemplos de comportamentos que podem não trazer nenhum benefício, além do de matar a curiosidade. Muitas vezes trazem até resultados negativos, mas as pessoas pagam o preço para satisfazerem a agonia da curiosidade. A isso é dado o nome de fenômeno de Pandora, em alusão ao mito grego. Pandora foi advertida a não abrir a caixa, mas sua curiosidade liberou os demônios. Adão e Eva não fizeram diferente. A culpa sobrou para Eva.

Essa curiosidade faz com que as pessoas no mundo real passem a assumir comportamentos de risco como experimentar drogas ilícitas, jogos de azar, ler mensagens do smartphone enquanto dirigem, etc. Cientistas têm nos confirmado cada vez mais em estudos de laboratório que a incerteza ainda é pior que notícia ruim. Ficou curioso para experimentar a balinha de vômito?

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Jantar em um restaurante com iluminação discreta faz com que a gente tenha a tendência a comer menos. Só que essa penumbra também favorece a escolha de alimentos menos saudáveis. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada este mês pelo Journal of Marketing Research.

 

Pesquisadores da Universidade de Cornell e South Florida nos EUA mostraram que em um restaurante menos iluminado os pedidos eram 40% mais calóricos, enquanto que nos bem iluminados as pessoas têm uma tendência até 25% maior de escolher alimentos saudáveis (e.g.; carne branca, vegetais). Os autores explicam esses achados pelo nível de alerta das pessoas: no claro estamos mais atentos, inclusive para escolher as opções mais saudáveis do cardápio. Essas conclusões foram baseadas em um experimento complementar em que pílulas de cafeína placebo faziam com que as pessoas pedissem alimentos saudáveis em ambientes escuros na mesma proporção do que nos bem iluminados.

A luz cria o ambiente e a penumbra dá um “tchan” na experiência de uma refeição. Apesar dessa tendência de pedir alimentos calóricos, com menos luz comemos menores quantidades, mais devagar e com mais prazer.

 

 

China tem 800 milhões de celulares

Nesta última semana tivemos a publicação de um estudo que mostra uma relação causa-efeito inequívoca entre a radiação emitida pelos aparelhos de telefonia celular e alguns tipos de câncer.

O estudo foi realizado com milhares de ratinhos que foram submetidos à radiação comparada à que recebemos do telefone celular por nove horas ao dia, começando no útero materno até o fim da vida. O aparecimento de tumores no cérebro e no coração foi mais comum entre os ratinhos expostos à radiação e de uma forma dose-dependente. Aliás, nenhum dos ratinhos do grupo controle apresentou tais tumores.

A extrapolação desses resultados para o mundo real dos humanos não é imediata, mas o estudo dá uma forte balançada nesse capítulo câncer X celular.

No ano de 2010, foi publicado o estudo multicêntrico INTERPHONE que envolveu mais de cinco mil pacientes com tumores cerebrais de treze diferentes países. Essa pesquisa demonstrou que não havia associação entre o uso do celular e a chance de apresentar tumores cerebrais. Entretanto, os resultados apontaram uma leve tendência de tumores do tipo glioma nos 10% dos indivíduos que mais usavam o celular. Esse foi o tipo de tumor cerebral encontrado no estudo dos ratinhos.

Em 2008, foi publicada uma metanálise, que é um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, evidenciando que o uso do celular no longo prazo aumenta o risco de tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008). No mesmo ano de 2008, uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Além disso, o jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em conjunto com outras sociedades de neurocirurgia de nível internacional, conclamou em 2008 a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.

Tanto se reconhece os potenciais riscos à saúde do telefone celular que vários países europeus recomendam restrições ao seu uso.  O último documento da Organização Mundial da Saúde sobre o tema foi emitido em 2011 e enfatiza que os estudos ainda estão sendo conduzidos para avaliar os reais riscos no longo prazo, mas vincularam o uso de celulares com um “possível” risco de câncer cerebral em seres humanos.

Se o telefone celular causa tumor cerebral ou não entre os humanos, isso ainda é uma pergunta em aberto. Porém, algumas dicas podem ser consideradas:

– não exagere na dose;

– deixar o celular longe do corpo sempre que possível;

– o uso de fone de ouvido com microfone que permite uma certa distância do aparelho do corpo não é uma má ideia.

** isto o mundo inteiro já sabe e não há qualquer polêmica: dirigir usando o celular é tão arriscado quanto dirigir embriagado. Pesquisas mostram que até 30% dos acidentes de carro são decorrentes do uso do celular.

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O planejamento estratégico é uma das maiores armas que as empresas dispõem para garantir o crescimento e a viabilidade de seus negócios ao longo dos anos. É fato que existem muitas pessoas habilidosas que conduzem as decisões da empresa de forma instintiva, sem planejamento formal, e o negócio vai muito bem, obrigado. Isso hoje. E amanhã ? Um cientista não começa um experimento sem que o método esteja muito bem descrito, incluindo como os resultados serão analisados ao final do trabalho. É difícil imaginar que Amyr Klink teria conseguido fazer o que fez sem sua preciosa capacidade de planejamento.

Muitas pessoas atravessam os anos gastando semanas de reuniões para a formulação do planejamento de seu negócio ou dos outros, e não chegam a investir sequer minutos rabiscando idéias de seu próprio planejamento pessoal. Muitos certamente têm bastante simpatia com a música do talentoso Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”. Outros não concordam com isso e parece que esse devia ser o caso do filósofo Sêneca que nos deixou a famosa frase: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.

Podemos nos valer de algumas idéias do método de planejamento estratégico do mundo corporativo para nossa vida pessoal. São várias as dimensões essenciais de nossa vida que devem fazer parte dessa reflexão: saúde, família, amigos, carreira profissional, realização intelectual, lazer, sexualidade, espiritualidade, etc.

  

Planejamento pessoal

 

Vamos começar por nossa análise interna. Aqui devemos focar em nossas próprias forças e fraquezas. Esse não é um processo exato, mas é bem provável que o rumo de sucesso pessoal mais certeiro seja o de solidificar / aumentar nossas forças e corrigir nossas fraquezas.  Ao elencarmos nossas forças e fraquezas, podemos priorizá-las e definir quais são aquelas em que devemos mais investir. Entre forças e fraquezas, vale sempre trabalhar em equilíbrio, pois as pessoas têm uma tendência a enxergar mais as fraquezas do que as forças. Acham que as fraquezas podem ser “trabalhadas” e deixam as forças de escanteio.

Uma boa dica é começar investindo naquelas que sejam sustentáveis a longo prazo. Talvez não valha a pena gastar tanta energia para nos aprimorar em uma determinada carreira se ela está em extinção, mesmo que esse seja um forte talento pessoal. Da mesma forma, não vale a pena apostar em corrigir uma fraqueza em que o resultado da correção não vai nos trazer muita vantagem. Se ao digitar no computador você “cata milho” de forma rápida e eficiente, investir em um curso de digitação para atingir uma performance olímpica pode não ser sua maior prioridade.

Um segundo passo na priorização de ações é a identificação de forças e fraquezas que são  essenciais para nossa vida. Cada um tem sua própria análise, mas há algumas premissas que não deveriam ser muito diferentes entre as pessoas, como é o caso do investimento em nossa saúde. Sem saúde, todo o resto não sai do lugar. Vale repensar se faz sentido estar atrasado em um ano com os exames periódicos preventivos, mas ter tempo para criar um novo projeto profissional.

Um terceiro passo, e esse considero que seja mais relevante no âmbito da carreira profissional, é o de identificar o quanto suas forças e fraquezas são raras, difíceis de imitar, difíceis de consertar. Ao identificar uma força valorosa do ponto de vista profissional, dê mais prioridade ainda às que são raras no seu meio. Essas forças diferenciam-lhe dos outros e fazem-lhe “sair da pilha”, como dizia Jack Welch, grande personalidade do mundo corporativo. Quanto às fraquezas, uma boa sugestão é a de priorizar nossos reparos com foco em dois momentos. Primeiro resolver a curtíssimo prazo aquilo que é fácil de consertar. Um médico talentoso que tem seu consultório vazio, talvez por ter o cabelo pintado de roxo, poderia pelo menos tentar pintar o cabelo de outra cor, e para ontem. Pensando mais a médio e longo prazo, devemos depositar um grande contingente de energia no reparo de  fraquezas que são difíceis de corrigir e que nos trazem desvantagem. Difícil de corrigir significa que a deficiência não pode ser corrigida da noite pro dia, mas não quer dizer que seja a coisa mais difícil ou penosa do mundo. Pode ser a falta de proficiência em determinada língua, falta de ferramentas de gestão, um problema de saúde crônico, etc.  A análise interna pode ser vista como aquilo que poderíamos fazer para melhorar.

Após essa análise interna, podemos passar para a construção do cenário externo, que é a percepção das ameaças e oportunidades que nos rondam no presente e que nos aguardam no futuro. Se vivemos numa cidade em que o trânsito está ficando cada vez mais caótico, e só tende a piorar, esse fator que vem “de fora” deve fazer parte do planejamento de nossa vida, já que um dia pode vir a anular nossas forças. Parte desse cenário pode ser visto como aquilo que deveríamos fazer para melhorar.

Por fim, a decisão do que devemos fazer com nossas forças e fraquezas deve ser permeada também por aquilo que gostaríamos de fazer para melhorar, e para isso é necessário identificarmos com muita clareza qual é nossa missão nessa vida e quais são os nossos valores. As empresas costumam pendurar em suas paredes frases de efeito descrevendo suas missões e valores, mas poucas realmente se comprometem a seguir fielmente o que está ali escrito. Assim como as empresas, somos pressionados por todos os lados para não darmos conta de fazer aquilo que acreditamos e que faz parte do nosso discurso.

Planejar minimamente nossas escolhas e ações pode nos ajudar a integrar nossos ideais com o que realmente fazemos no nosso dia-a-dia: isso é viver com integridade, em busca de uma vida não fragmentada. É bom ter em mente que não são poucas as coisas que fogem do nosso controle, e nisso o Zeca Pagodinho tem razão em deixar rolar quando a coisa não sai do jeito planejado. Colocando o Zeca e o Sêneca trabalhando juntos, o pagode poderia sair assim: Se conheço bem para onde vou, vida leva eu, com vento bom, E PRO MELHOR LUGAR.

Algumas pessoas acusam a lua como culpada por uma má noite de sono e até por mudanças no estado mental. Será que isso não passa de um mito? Para entender melhor essa questão, pesquisadores de vários pontos do mundo estudaram o perfil de sono das crianças e sua relação com as fases da lua. Os resultados foram publicados recentemente pelo periódico Frontiers in Pediatrics.

O estudo foi realizado com crianças, já que elas são menos sujeitas a fatores que sabidamente influenciam o padrão do sono como o estresse. Quase seis mil crianças nos cinco continentes foram acompanhadas por 28 semanas e passaram por uma avaliação que incluía dados sociodemográficos, duração do sono noturno, índice de massa corporal e nível de atividade física.

As fases da lua foram categorizadas em três tipos: nova, cheia e “meia lua” que representava os quartos crescente e minguante. Os resultados mostraram que na lua cheia as crianças dormiam cinco minutos menos do que na lua nova. Não foi possível detectar outras mudanças de comportamento das crianças nas diferentes fases da lua. Cinco minutos a menos de sono não parece ser relevante para a saúde das crianças e muito menos para a dos adultos.

Outro estudo publicado em 2006 pelo prestigiado periódico Current Biology já apontava que temos uma tendência a dormir menos no período da lua cheia.

Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono. A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, numa mesa de bar e na lua cheia, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.

Dito e feito. A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos.  Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.

Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo conduzido entre quatro paredes. A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos.  Isso pode ter representado uma vantagem evolutiva ao fazer com que caçadores e coletores dormissem menos para aproveitar a luminosidade generosa da lua cheia.

Mas o efeito da lua cheia no comportamento humano ainda tem muitos mistérios. Quando eu fazia residência médica em neurologia eu não levava muito a sério quando alguns pacientes com epilepsia me falavam que na lua cheia as crises eram mais comuns. Alguns anos depois o periódico da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa apontando que as observações dos “supersticiosos” estavam certas.

 

 

 

 

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Podemos dizer que um chimpanzé só olha para o próprio umbigo.  Por um lado, ele não tem a mínima tendência em oferecer alimento a parceiros do mesmo grupo, mesmo que a atitude não custe nada a ele. Por outro lado, ele também não costuma impedir que outro tenha acesso a alimento.

Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um estudo publicado pela revista Nature mostrou que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte. Nesse estudo, as crianças ainda apresentaram aversão a situações em que a divisão era feita com desigualdade. A metodologia usada permitiu inferir que os resultados observados são independentes do efeito reputação, ou seja, a atitude altruísta das crianças foi considerada independente do fato de se “fazer o bem” porque tem gente olhando e que por isso a ação poderia trazer benefícios futuros. No caso de adultos, é mais difícil isolar o efeito reputação, já que mesmo instruídos de que as respostas serão mantidas em sigilo, o comportamento pode ser influenciado pela sensação de que sempre alguém pode estar olhando.

Em contraste, no mesmo estudo crianças ente 3 e 4 anos não tinham muita tendência em dividir com seu grupo. É sabido que crianças, até com menos de dois anos de idade, são capazes de colaborar com outras na realização de tarefas motoras, fenômeno chamado de altruísmo instrumental, e essa é uma condição também observada entre nossos ancestrais chimpanzés. Porém, dar uma forcinha para abrir uma porta é uma coisa. Já dividir o alimento é outra bem diferente.

O estudo demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. O altruísmo “extra-paroquial” é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.

** Outro interessante estudo chama a atenção que excesso de empatia dificulta a compreensão do problema do outro. Empatia demais faz com que a pessoa não consiga ter aquela visão crítica “de fora” que os amigos tanto precisam. O estudo envolveu análise de ressonância magnética funcional e mostrou que as pessoas muito empáticas têm maior ativação de áreas cerebrais que dificultam entender as peculiaridades da situação.

Um novo estudo aponta que a leitura em plataformas digitais favorece a percepção dos detalhes, mas é menos eficiente para a compreensão da perspectiva geral. As telinhas fazem a gente apreciar melhor as árvores individualmente, mas com menos noção da floresta como um todo.

 

Pesquisadores de Dartmouth College (EUA) conduziram diferentes estudos comparando a interpretação de conteúdos no papel e no laptop.

 

  • Após a leitura de uma pequena estória, voluntários com idades entre 20 e 24 anos realizaram um mini-teste de compreensão do texto. Nas questões mais abstratas, o grupo que leu no papel teve um desempenho melhor. Já nas questões mais concretas, os que leram no laptop foram melhor no teste.
 
  • Os voluntários leram também uma tabela com informações de quatro diferentes carros japoneses fictícios. Quando eram perguntados qual era o modelo superior, os que leram no papel acertaram mais.
 
  • Os pesquisadores também testaram se um exercício de abstração antes do teste dos carros não poderia facilitar o desempenho daqueles que usaram o laptop. Dito e feito. Eles melhoraram o desempenho.

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Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.

A natureza dá uma forçinha para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem com que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.
A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.

Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Não é à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.

 
E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.

 

E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.

 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade bem mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, provedora, profissional realizada ou em busca de realização, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

 

 

 

Percepção não acontece separada da emoção. Um estudo publicado recentemente pelo periódico PLOS ONE aponta que as pessoas julgam as pessoas sorridentes mais jovens que as que têm cara fechada.

Pesquisadores da Universidade de Missouri-Kansas (EUA) conduziram esse estudo em que jovens voluntários tinham que avaliar imagens pelo computador de homens que tinham expressões que eram categorizadas em três tipos: neutra, alegria e tristeza.  Não incluíram mulheres para evitar fatores que poderiam confundir a pesquisa como o uso de maquiagem.

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Os resultados mostraram uma inequívoca percepção de juventude nas expressões alegres. São os estereótipos do jovem alegre e a idade trazendo consigo sentimentos tristes. Talvez um sorriso no rosto tenha o mesmo efeito que boas aplicações de Botox.

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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Nature Genetics isolou partes do genoma humano que podem explicar em parte porque as pessoas vivenciam a experiência de bem-estar psíquico. O estudo multicêntrico com a participação de 145 institutos de pesquisa foi liderado por pesquisadores Holandeses e envolveu 300 mil voluntários. Os pesquisadores encontraram variantes genéticas que foram fortemente associadas ao estado de felicidade, traços de neuroticismo e sintomas depressivos. Este foi o maior estudo realizado que abordou o componente genético desses componentes da mente humana. Entretanto, isso explica apenas uma pequena parcela do nosso estado de felicidade. Os fatores ambientais certamente mandam muito mais nessa história.

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