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Dividir uma história imaginária pode fazer com que um casal fique mais próximo e isso pode acontecer até mesmo em relacionamentos a distância.

Uma série de pesquisas tem demonstrado que os efeitos desse hábito vão muito além de um passatempo ou diversão quando se pensa na vida de casal. Os casais têm a tendência em transformar a identidade de “eu” e “você” para uma outra compartilhada de “nós”. Uma grande ferramenta para essa transformação é uma rede social em comum, como parentes, colegas de trabalho e amigos em comum. Os casais que têm a oportunidade desse compartilhamento costumam ser mais satisfeitos no relacionamento e têm menos chance de rompimento.

Entretanto, na correria do dia a dia, essa malha social, para muitos casais, torna-se difícil e vivenciar uma história de ficção juntos pode contrabalancear. É como se o casal sentisse inconscientemente que vive inúmeras conexões sociais em comum. Estudos mostram que quanto mais os casais dividem a experiência de filmes e séries mais próximos eles se sentem. Isso foi ainda mais relevante para os casais que dividiam poucos amigos no mudo real. E não é só isso. Os casais que relatam poucos amigos em comum são os que mais desejam vivenciar histórias de ficção juntos.

Psicólogos têm incentivado os casais a assistirem filmes/séries e uma pesquisa de Rochester nos EUA mostrou que aqueles que assistiam e discutiam filmes sobre relações de casais tinham menos chance de se separar após três anos de acompanhamento.

Não podemos dizer ainda que assistir a uma temática sobre relações de casais é mais eficiente do que outro tipo de assunto. Mesmo assim, paro para pensar na experiência da literatura e a capacidade de perceber as emoções dos outros. Obras de ficção literária, leia-se livros premiados, estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo. Na tela da TV não deve ser muito diferente.

 

 

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A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.

 

Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Um estudo publicado este mês apontou que adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas.

 

Os efeitos agudos da maconha no cérebro

O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.

 

Efeitos do uso crônico da maconha

No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.

No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associadas ao uso da droga. O consumo no início da adolescência está associado a menores QIs na idade adulta. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.

Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.

Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis. Para entender ainda mais os efeitos da maconha sobre o cérebro dos adolescentes, um grande estudo está em andamento nos EUA e acompanhará dez mil crianças a partir dos dez anos de idade (Adolescent Brain Cognitive Development Study). Esse estudo nos trará resultados sobre o efeito da maconha em um cérebro em desenvolvimento, reunindo análises genéticas, neuropsicológicas, de neuroimagem e rendimento acadêmico.

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Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Por isso, vale a pena colocar algumas cartas na mesa.

Esta última semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa inédita que reforça aquilo que já tínhamos boas evidencias: 3 a 4 doses de café por dia fazem bem à nossa saúde. Pesquisadores do Reino Unido reuniram os resultados de mais de 200 estudos sobre os efeitos do café sobre nossa saúde e concluíram que podemos tomar café sem medo. Os resultados mostraram que o café promove maior longevidade e menor incidência de inúmeras doenças que elenco a seguir:

– doenças cardiovasculares;

– alguns tipos de câncer, como o de próstata, endométrio, fígado e pele;

– diabetes, cálculos biliares e gota;

– depressão, Doenças de Alzheimer e Parkinson.

As evidências dos benefícios do café descafeinado são menos robustas, mas fizeram a diferença em algumas dessas patologias. A revisão também foi categórica em lembrar que as mulheres devem evitar o café na gravidez e em situações de risco de fratura óssea.

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Por Dr. Ricardo Teixeira*

 

Sabemos que adultos que têm um animal de estimação em casa costumam ser mais integrados à comunidade.  Quanto mais um adulto participa do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas ele tem na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.

 

Nesta última semana a prestigiada revista Scientific Reports do grupo Nature publicou os resultados de uma pesquisa que envolveu três milhões e meio de indivíduos na Suécia acompanhados desde o ano de 2001. Aqueles que tinham um cachorro como animal de estimação viveram mais! Tiveram menor incidência de doenças cardiovasculares, mas também de outras doenças. O interessante é que os que moravam sozinhos com o cachorro foram os que mais se beneficiaram. Além disso, esse efeito protetor foi maior entre os que tinham cães de caça.

 

 

As crianças também se beneficiam da presença do animal. Os cachorros são ótimos para o equilíbrio psíquico delas em situações estressantes. Durante uma prova de estresse em laboratório, a presença do cão de estimação conferiu uma resposta de estresse menor até mesmo quando comparada à presença dos pais.

 

Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais, e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer muito bem à nossa saúde do corpo e da mente.

Coffee & magazine

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Recentemente discutimos o quanto o contato com a natureza tem efeitos positivos sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa.

Há muito pouco tempo tivemos mais uma evidência de que a natureza joga no nosso time. Pesquisadores canadenses da Universidade de British Columbia mostraram que as pessoas que vivem em grandes cidades têm maior bem-estar e sentem-se mais felizes quando prestam atenção em detalhes da natureza no dia a dia.

Eles estudaram três grupos de voluntários que eram orientados a prestar atenção e fotografar coisas da natureza e escrever um breve comentário ou fazer o mesmo com coisas feitas pelo homem ou nenhuma das duas opções. Após duas semanas, o grupo que se voltou aos detalhes da natureza realmente relatava sentir-se melhor que os outros, com maior percepção de felicidade e também maior interação com as outras pessoas. E esses detalhes estão longe de ser uma experiência na natureza selvagem. Estamos falando de uma planta no vaso da sala de estar, uma árvore próxima ao ponto de ônibus, o sol entrando pela janela do quarto, etc.

Os resultados vão de encontro a estudos anteriores que ligam o contato com a natureza com maior saúde mental e longevidade. Há um mês um  estudo conduzido pelo Instituto Max Planck na Alemanha apoiou esses achados ao demonstrar que as pessoas que moram ao redor de muitas árvores têm maior integridade de regiões do cérebro associadas ao processamento do estresse e reações frente ao perigo.

É uma boa dica. Não encare a natureza ao seu redor como um inocente cenário.

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Um estudo publicado esta semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia evidencia entre indivíduos com função cardíaca reduzida um menor fluxo cerebral em regiões do cérebro que processam a memória. Os voluntários da pesquisa não apresentavam insuficiência cardíaca com manifestações clínicas, mas, mesmo assim, aqueles com corações que bombeavam menores quantidades de sangue chegavam a ter o padrão de circulação cerebral nos lobos temporais de uma pessoa 15 a 20 anos mais velha.   

Outras pesquisas já haviam mostrado que as pessoas com insuficiência cardíaca, mesmo nas suas formas leves, apresentam também certa “insuficiência cerebral”, e a dificuldade de memória é o problema mais comum. Nesses estudos, até 50% dos pacientes com insuficiência cardíaca apresentam déficit cognitivo.

A principal explicação para esses achados é a de que com a falência da bomba cardíaca o fluxo sanguíneo cerebral é reduzido e perde-se também sua capacidade de auto-regulação. Outra hipótese é a frequente ocorrência de derrames cerebrais entre pacientes com insuficiência cardíaca. Um coração fraco aumenta a chance de formação de pequenos coágulos de sangue que podem “escapar” para as artérias cerebrais, causando um derrame cerebral. Estudos evidenciam uma prevalência de derrame cerebral de até 35% entre pacientes com insuficiência cardíaca.  

Um importante recado desses estudos é o de que uma boa parte dos pacientes com insuficiência cardíaca pode não ser mais capaz de seguir as recomendações feitas pelo médico, como é o caso de tomar corretamente diferentes medicações em seus diferentes horários. No caso de pacientes com dificuldades cognitivas, um cuidado especial na comunicação deve ser tomado, muitas vezes com a necessidade de se garantir o apoio de alguém que possa auxiliá-lo no seguimento do tratamento.

 

 

Brown Grey Wooden House Near Lake at Daytime

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Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do efeito natureza sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Temos evidências de que uma experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.

Pesquisadores escoceses e ingleses têm demonstrado nos últimos anos que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado. O contrário aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados. Este ano pesquisadores das Universidades de York e Edimburgo mostraram que idosos que caminhavam em espaços da cidade em que o verde estava bem presente apresentaram uma atividade cerebral mais modulada e maiores manifestações de bem-estar quando se comparava a espaços com pouco verde.

Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse quando comparados aos moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada revista Nature. Os pesquisadores mostraram uma maior ativação das amígdalas entre os moradores de grandes cidades e foi curioso o fato de que isso estava presente mesmo nos adultos que viveram nas “selvas de concreto” somente na infância.

Este mês um novo estudo conduzido pelo Instituto Max Planck na Alemanha apoiou esses achados ao demonstrar que as pessoas que moram ao redor de muitas árvores têm maior integridade de uma das regiões do cérebro mais associadas ao processamento do estresse e reações frente ao perigo. E essas estruturas são as amígdalas.

O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar, e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.

Person Gather Hand and Foot in Center

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Elas processam comportamentos altruístas e egoístas de forma diferente. Ações altruístas estimulam nelas os sistemas de recompensa cerebral de forma mais robusta. Já os homens têm esses sistemas fortemente ativos quando as ações são egoístas. Essas são as conclusões de um estudo recém-publicado pela prestigiada revista Nature Human Behavior.

Pesquisadores alemães e suíços mostraram que as mulheres se mostram mais generosas em experimentos que envolvem compartilhamento de uma soma de dinheiro. E foi a primeira vez que foi demonstrado como é diferente a ativação dos centros de recompensa cerebral entre mulheres e homens estimulada por ações altruístas. A pesquisa foi além desses achados. Quando as mulheres recebiam uma droga que deixava esses centros meio adormecidos, por inibirem a ação da dopamina, elas passavam a se comportar de forma mais egoísta. E surpreendentemente o contrário aconteceu com os homens. Após o bloqueio da ação da dopamina, eles se tornaram mais generosos.

É importante frisar que os resultados não nos dizem que essas diferenças são inatas. Isso pode muito bem ser decorrente do aprendizado durante a vida, expectativas diferentes para homens e mulheres. As mulheres desde a infância podem receber mais feedbacks positivos quando agem de forma altruísta. Isso também pode ocorrer com ações egoístas no caso dos homens.

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Todo mundo sabe contar um caso de uma pessoa inteligente que dá seus tropeços inexplicáveis. Ficamos pensando: puxa mas é tão inteligente, como pode?

 

 A ferramenta mais usada para se medir a inteligência de uma pessoa é a medida de seu QI, que inclui testes visuoespaciais, conhecimento matemático e de vocabulário, entre outros testes. Mas o QI não diz tudo.

 

É claro que vale a pena ser inteligente e sabemos que isso tem um forte componente genético. Pessoas inteligentes têm mais sucesso acadêmico e no trabalho, além de terem menos chances de se meterem em encrenca. Apesar dessas vantagens, a inteligência não garante o sucesso em outras dimensões, como por exemplo o bem estar e longevidade.  

 

O pensamento crítico é algo diferente. Este sim está associado ao bem estar e à longevidade. Ele é um conjunto de habilidades cognitivas que nos ajuda a pensar racionalmente e de forma orientada.

 

Uma pessoa com alto grau de pensamento crítico precisa de evidências que apóiem suas crenças. Podem ser flexíveis, mas precisam de evidências para seguir um rumo ou outro e reconhece contradições nas argumentações.  

 

Estudos feitos em diferentes centros de pesquisa mostram que as pessoas com pensamento crítico experimentam menos eventos negativos na vida. As escalas que medem essa habilidade costumam incluir testes de raciocínio verbal, análise de argumentos, testagem de hipóteses, probabilidade e incerteza, resolução de problemas e tomada de decisões. Também é incluído nessa avaliação um questionário de eventos negativos que abrange a vida acadêmica (e.g., esquecer o dia da prova), saúde (e.g., contrair uma doença sexualmente transmissível por não ter usado camisinha), legal (e.g., ser preso por dirigir alcoolizado), interpessoal (e.g., traição), financeira (e.g., dívidas fora do controle), etc. O aprendizado de um pensamento crítico existe e isso pode ser exercitado desde a infância.

 

E então é melhor ter um pensamento crítico ou ser inteligente? Pesquisadores já testaram esse duelo e o desfecho foi o de que ter ambos é o melhor, mas quando se pensa em eventos negativos na vida, o pensamento crítico ganha.

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Encontrada na cevada e outros grãos e gramíneas, a hordenina teve seu momento de glória esta semana quando cientistas alemães identificaram que sua estrutura molecular é semelhante ao do neurotransmissor dopamina. A dopamina é o neurotransmissor mais associado ao sistema de recompensa cerebral que faz o cérebro sentir prazer com uma determinada experiência.

Os pesquisadores examinaram 13000 diferentes moléculas provenientes de alimentos e ficaram surpresos ao identificar que a estrutura molecular da hordenina se liga direitinho no receptor de dopamina. Além disso, a hordenina, teoricamente, tem uma ação ainda mais prolongada que a dopamina pela forma que estimula o receptor de dopamina.

E assim vamos entendendo um pouco mais do sucesso mundial e milenar da cerveja.

Facebook Application Icon

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Um estudo recém-publicado pelo prestigiado periódico Procedings of the National Academy of Sciences mostrou que quando um indivíduo tem contato com notícias falsas através das redes sociais, ele têm menor tendência de checar sua veracidade.

Pesquisadores da Columbia Business School conduziram oito diferentes experimentos em que os voluntários eram apresentados a uma sequência de notícias. Metade dos participantes tinham acesso às notícias na tela do computador que dava a dica que eles estavam julgando as notícias simultaneamente a várias outras pessoas, como se fosse uma simulação das plataformas de redes sociais. A outra metade recebia a dica que estava fazendo uma análise solitária. Eles poderiam responder falso, verdadeiro, ou uma terceira opção que era de que iriam fazer uma investigação rápida antes de responder. Aqueles que respondiam “em grupo” checavam menos a veracidade das notícias. É como se as pessoas se sentissem mais seguras na companhia de outras e reduzissem instintivamente o estado de vigilância. Boa parte dos animais tem um instinto de que ao andar em bandos estão mais seguros. Os humanos não parecem ser muito diferentes.

Isso numa época que as pessoas passam em média duas horas diárias nas redes sociais nos EUA. Pesquisas realizadas com usuários brasileiros apontam para cifras superiores a três horas diárias.

 

Blue and Orange Light Projeced on Left Hand of Person

 

Ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos que fazem com que um cérebro homossexual seja diferente de um outro heterossexual, mas as evidências científicas que temos até o momento apontam que componentes genéticos e até exposição a hormônios sexuais e anticorpos no útero da mãe têm muuuuuuito mais peso do que qualquer componente cultural.

 

Notícia G1 18/09

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença  

injeja

 

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico. Pesquisas recentes têm-nos provocado novas reflexões sobre o quanto esses sentimentos devem ser vistos como patológicos ou não.

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. A inveja pode ser definida como o desejo de possuir aquilo que é do outro (ex: sucesso, bens materiais) e/ou o desejo que o outro não possua aquilo que é invejado. A língua alemã usa a palavra schadenfreude, sem equivalente em português, para descrever algo diferente da inveja, mas que costuma andar lado a lado com ela: um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade do outro.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Um recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa revelou que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de perceber inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.Aqueles com lesão cerebral do lado direito do cérebro tiveram mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles com lesões do lado esquerdo entendiam com mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, na vida real, esses mesmos indivíduos teriam mais dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.

A revista Science publicou um estudo em que pesquisadores japoneses demonstraram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cacetadas” e também o porquê  dos meios de comuincação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.

O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.

Printed Musical Note Page

 

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Música pode ser uma ferramenta poderosa para enfrentar inúmeras condições clínicas. Digitei há alguns minutos o termo musicoterapia no Pubmed, site de referência para pesquisas na literatura médica, e encontrei seus efeitos benéficos como coadjuvante no tratamento da ansiedade em pacientes com câncer e naqueles internados numa Unidade de terapia Intensiva, também entre pacientes com diagnósticos como Doença de Alzheimer, Parkinson, autismo, e isso só na primeira página de busca dentre as 261.

Uma série de estudos também foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e os resultados são muito encorajadores.  Música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor.

E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. A música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada a um procedimento médico. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.

Uma experiência bem interessante publicada pela revista inglesa Brain chegou a mostrar que a música pode colaborar na reabilitação de pacientes com derrame cerebral na fase aguda. Cada paciente recebia um CD player portátil e CDs com músicas de sua preferência, qualquer que fosse o estilo musical, e tiveram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental.

Oliver Sachs, formidável neurologista e escritor, deixou-nos este recado: “… ela tem a capacidade de nos mover, de induzir diferentes sentimentos e estados mentais” (Brain 2006;129). E como toda forma de arte, ela não reproduz o conhecido, mas o desconhecido. Aquilo que nunca foi ouvido.

 

 

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Parece que nosso bem-estar na terceira-idade depende mais da saúde da nossa mente que do nosso corpo. É claro que é difícil viver plenamente a velhice com uma doença do corpo como, por exemplo, um enfisema pulmonar ou insuficiência cardíaca, mas as doenças da mente podem ser ainda mais limitadoras. Essa foi a conclusão de uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico BMC Geriatrics  que avaliou a sensação de bem-estar entre mais de 3500 alemães com uma média de idade de 73 anos.
 
Os autores demonstraram que ansiedade e depressão foram os fatores mais associados a baixos índices na escala de bem-estar da Organização Mundial de Saúde. Um baixo poder aquisitivo e dificuldade para dormir também tiveram influência significativa. Doenças do corpo tiveram um impacto menor, até em situações de múltiplas doenças. Entre as mulheres, viver sem uma companhia também influenciou negativamente essa percepção de bem-estar.
 
Já é bem reconhecido que o bem-estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida. Os hormônios e o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita.
 
Outro lado da moeda é a sensação de ter sentido na vida. Muitas das coisas que fazemos não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido.  Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar essa percepção que já teve inequívocas demonstrações que também é capaz de aumentar a longevidade.

 

Você trocaria seu atual trabalho por outro com maiores rendimentos, mas que lhe exigisse ficar menos tempo com a família? Se você pensou três vezes antes de responder, não se sinta culpado. Uma enquete nos EUA apontou que dois terços das pessoas certamente ou muito provavelmente topariam essa troca.

Mais dinheiro para quê?

Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.

Será que essas pessoas serão mais felizes ao subir um degrau na sua capacidade de consumo?  Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades básicas, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade para a cabeça. Outros autores têm contestado essa tese mostrando que não existe um ponto de saturação a partir do qual mais dinheiro não traz mais felicidade. Entretanto, esses estudos não avaliam o mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida financeira.

Padrões de consumo em nível subconsciente e até mesmo comparações conscientes com a “grama do vizinho” fazem com que as pessoas vivam a ilusão de que o dinheiro trará mais felicidade. Imagine um cenário em que as pessoas ao seu redor comecem a ganhar mais dinheiro e você continue no ritmo de sempre. Mesmo que o seu ganho seja superior às suas necessidades, essa desvantagem pode incomodar.

Dinheiro pode intoxicar?

Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, a coisas mais simples.  O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boca antes de engolir.  Os voluntários dessa pesquisa ainda relataram menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizaram imagens neutras.

Gastar direito pode ajudar

Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”.  Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.

 

E neste mês tivemos a publicação de um estudo muito interessante no prestigiado periódico PNAS mostrando que as pessoas que gastam dinheiro para ter mais tempo (e.g., serviços de casa) são mais felizes do que aquelas que gastam mais com coisas. O impressionante é que metade dos milionários estudados gasta tempo com atividades que não apreciam e que poderiam ser feitas por outros com remuneração. Outro achado importante da pesquisa foi que o estado de bem estar e felicidade esteve associado com essa opção de “comprar seu próprio tempo” em todo o espectro socioeconômico estudado, mesmo entre os que tinham as contas mais apertadas.

  

** vale sempre lembrar outro lado da moeda: felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro. 

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Hoje em dia ligamos o rádio ou a TV e ouvimos especialistas em marketing nos ensinando sobre como o Neuromarketing pode ser uma valiosa ferramenta para o sucesso das empresas. Nesse caso, a ideia é de que algumas estratégias de comunicação podem ser mais eficazes no processo de “pescar os cérebros dos consumidores” com base em sérios, porém poucos, experimentos neuropsicológicos e de imagem cerebral. Grandes empresas já começam a pedir assessoria de neurocientistas para compor o time que pensa as estratégias de marketing. Paralelamente ao crescimento do volume de conhecimento nessa área, podemos observar um crescimento muito mais veloz no número de consultores de marketing que parecem às vezes já deterem o segredo do “centro cerebral de compras”.

Profissionais da saúde que trabalham com a mente e o cérebro já vendem programas de estimulação e exercícios para o cérebro chamados de Neuróbica, Neurofitness. Temos evidências científicas sérias sobre efeitos de programas de exercícios cognitivos através de “ginásticas cerebrais padronizadas”’, especialmente entre idosos. Queixas de memória são muito frequentes entre adultos jovens e na maioria das vezes essas queixas são só a ponta do iceberg do estresse no dia-a-dia, quadros de ansiedade e depressão ou outras doenças. Buscar “consertar a vida”, dando mais chance ao lazer, à atividade física e ao bom sono, reduzindo o estresse e tratando o corpo e a mente quando preciso, provavelmente deixe o cérebro muito mais “sarado” do que cursos de criatividade, de memorização ou de como usar melhor os dois lados do cérebro.

Temos vivenciado discussões sobre a Neuroestética, uma forma de explicar a experiência estética através das neurociências. Alguns estudos têm demonstrado que a obra de um certo pintor ativa mais certas regiões do cérebro enquanto a obra de outro pintor ativa outras regiões. Outros nos mostram que a obra de um poeta estimula certas áreas do cérebro por conter um tipo específico de fórmula sintática. Não precisamos nos esforçar muito para defender a ideia de que a arte está longe de ser um fenômeno meramente estético, em que padrões de tipo A e tipo B estimulam áreas X e Y do cérebro. A apreciação da arte envolve não só a experiência sensorial, como também a experiência de vida de quem a aprecia, o contexto histórico da obra, etc. Chega a ser uma provocação patética tentar explicar o virtuosismo de um bailarino através do seu padrão de ativação neuromuscular.

E por aí vai. A cada dia somos surpreendidos com os mais originais e, às vezes duvidosos, “neuros”: neurofilosofia, neurocomunicação, neurofuturo, neuroética, neuronutrição, neuro-psicanálise, programação neurolinguística, neuroeconomia, etc. A impressão é que o prefixo neuro é muitas vezes usado para dar um ar de credibilidade e legitimidade científica ajudando a vender ideias que ainda estão saindo do ovo ou que não passam de meras neuroespeculações e neuroextrapolações.

 

Essas neuroespeculações também têm sido chamadas de neuromitos e uma pesquisa recente publicada pelo periódico Frontiers in Psychology mostrou que leigos que fizeram cursos de neurociência diminuem a prevalência desses mitos, mas eles ainda se mantêm fortemente presentes. Exemplos? Usamos só 10% do nosso cérebro, estimulação do hemisfério esquerdo e direito para um melhor aprendizado, etc.

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É sempre bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaa pontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

 

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

Semana passada tivemos a publicação de um grande estudo na revista Psychological Science envolvendo mulheres de 27 países mostrando que elas apresentam um desempenho de memória melhor que os homens em países que têm mais condições de igualdade entre os gêneros. O país em que as mulheres tiveram o melhor desempenho, maior que os homens, foi a Suécia enquanto Gana foi o país em que o desempenho delas foi pior. Além de oportunidade de estudo e trabalho, a tal almejada igualdade entre os gêneros inclui também valores e atitudes.

 

Presta atenção Temer!!

Woman Sitting on the Stairs While Taking Photo

 

Um novo estudo publicado este mês na revista científica Frontiers in Behavioral Neuroscience se propõe a mudar a forma como se pensa o ciclo menstrual. Embora se considere freqüentemente que quem está menstruando não esteja em suas melhores faculdades mentais, Brigitte Leeners e sua equipe de pesquisadores encontraram evidências que sugerem que não é bem assim. Ao examinarem três aspectos de cognição no decorrer de dois ciclos menstruais, eles descobriram que os níveis de estrogênio, progesterona e testosterona não têm impacto na memória, na cognição ou na habilidade de prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo. Embora alguns hormônios tenham sido associados a mudanças ocorridas ao longo de um ciclo em algumas das mulheres participantes do estudo, esses efeitos não se repetiram no ciclo seguinte. No geral, nenhum dos hormônios estudados pela equipe teve algum efeito consistente e replicável na cognição das participantes.

Leeners, a líder da equipe, declarou que “como especialista em medicina reprodutiva e psicoterapeuta, lido com várias mulheres que vivem a impressão de que o ciclo menstrual influencia seu bem-estar e desempenho cognitivo”. Imaginando se essa evidência anedótica poderia ser cientificamente provada – e questionando a metodologia de muitos dos estudos existentes sobre o assunto – a equipe se propôs a lançar alguma luz sobre esse tópico controverso.

O estudo publicado utiliza uma amostragem muito maior que a usual e, diferentemente da maioria dos estudos similares, acompanha mulheres ao longo de dois ciclos menstruais consecutivos. A equipe, trabalhando na Escola de Medicina de Hannover e no Hospital Universitário de Zurique, recrutou 68 mulheres para passar por um monitoramento detalhado, a fim de investigar mudanças em três processos cognitivos selecionados em diferentes estágios do ciclo menstrual. Embora análises dos resultados do primeiro ciclo sugerissem que o viés cognitivo e a atenção estivessem afetados, esses resultados não foram replicados no segundo ciclo. A equipe procurou por diferenças de desempenho entre indivíduos e mudanças nos desempenhos individuais no decorrer do tempo, e não encontrou nenhuma.

Para Leeners, “as mudanças hormonais relacionadas ao ciclo menstrual não mostram nenhuma associação com desempenho cognitivo. Embora talvez haja exceções individuais, o desempenho cognitivo das mulheres não é, no geral, perturbado por mudanças hormonais que ocorrem com o ciclo menstrual.”

Contudo, ela ressalta que ainda há mais trabalho a se fazer. Embora esse estudo represente um passo significativo à frente, amostras maiores, assim como subamostras maiores de mulheres com distúrbios hormonais e outros testes cognitivos proporcionariam uma imagem mais precisa da forma como o ciclo menstrual afeta o cérebro. Enquanto isso, Leeners espera que o trabalho de sua equipe inicie o longo processo de mudar a mentalidade sobre a menstruação.

 

 

Adaptação de matéria original fornecida pelo periódico Frontiers in Behavioral Neuroscience

 

 

Soldier Giving Red Fruit on 2 Children during Daytime

 

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A jornalista Emily Esfahani Smith, autora do recém-lançado livro Power of a Meaning, Editora Crown, New York, chama nossa atenção para que nossa vida seja cheia de sentido, e não simplesmente cheia de felicidade.

Ser feliz? Todo mundo quer, mas será que a missão de encontrar a felicidade, fortemente estimulada pela indústria da autoajuda, não tem deixado as pessoas mais vazias, infelizes? Ela propõe que desviemos o foco da felicidade para uma vida cheia de sentido, vida dedicada a algo maior do que o eu. Um dos passos fundamentais para a publicação do livro foi seu artigo escrito em 2013 na revista americana The Atlantic : Há muito mais para a vida do que ser feliz. Esfahani provoca a reflexão de que a empreitada de encontrar a felicidade traz consigo um modelo de retirada. Isso é diferente no caso da busca por uma vida que faça sentido em que o pilar mais forte é a doação, o altruísmo.

Existem falsos substitutos para esse sentido, criando uma sociedade com um vácuo existencial. A tecnologia nos ajuda e ajudará muito mais, mas ela também tem seu lado negro. Para termos uma vida com sentido precisamos ser conscientes e presentes. Difícil imaginar isso nutrindo a mente e o cérebro com estímulos a conta-gotas que prevalecem nas plataformas das redes sociais.

A felicidade é uma condição fluida, efêmera. A percepção de sentido na vida é duradoura.

A prestigiada revista Nature Communication publicou neste mês de julho um estudo que mostrou como ações altruístas estimulam regiões do nosso cérebro que conectam o efeito do altruísmo (região temporo-parietal) à nossa percepção de felicidade (estriado ventral).  Maiores ou menores doses de altruísmo não fizeram diferença no tanto que as pessoas ficavam felizes. Mais interessante foi que a simples intenção de se doar ao outro já foi capaz de ativar essa conexão. Altruísmo dá um barato que também é conhecido pelos neurocientistas como “warm glow”, ou brilho quente.

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