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Retrieval practice – este é o nome de uma técnica de memorização que tem sido repetidamente demonstrada como uma ótima estratégia para o aprendizado, superior a outras, como revisão e resumos. Podemos traduzir como “prática de recuperação”.
Funciona assim: após o aprendizado, o educador solicita ao aluno que tente resgatar o conteúdo da memória imediatamente, após uma semana ou após um mês, por exemplo.
 
Esta semana, a prestigiada revista Science publicou os resultados de uma pesquisa que demonstrou que o “retrieval practice” tem ainda outro beneficio: é capaz de servir como um antídoto para que o estresse não atrapalhe a consolidação da memória.
 
Pesquisadores da Universidade de Tufts nos EUA estudaram 120 voluntários e demonstraram que o “retrieval practice” teve efeito superior ao de revisão de conteúdo quando o negócio era proteger a memória após uma situação de estresse. O estresse nesse estudo eram testes cognitivos em que os voluntários eram filmados e tinham a presença de dois juízes e três outros voluntários.
 
O “retrieval practice” pode otimizar o tempo de estudo e estudos ainda mostram que os alunos ficam menos ansiosos, em parte, por ficarem mais auto-confiantes.

 

affair, apple, girl

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Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking mostrou algumas diferenças nos traços de personalidade entre usuários de Android e iPhone. A pesquisa apontou que, entre outras diferenças, o usuário de Android é mais honesto. Polêmico, não?

 

Os autores afirmam que a conexão do smartphone com a personalidade é tão grande que podemos até dizer que ele é uma extensão do indivíduo. Psicólogos britânicos aplicaram questionários a 500 usuários e avaliaram o perfil psicológico e atitudes ligadas ao uso do smartphone.  Veja os resultados:

 

Usuários de iPhone:

  • Eram mais jovens
  • Tinham duas vezes mais chances de serem mulheres
  • Associavam mais o smartphone ao status social do individuo
  • Eram mais extrovertidos

 

Usuários de Android:

  • Tinham mais chance de serem homens e mais velhos
  • Eram mais honestos com menos tendência de romper regras para alcançar ganhos pessoais
  • Mais agradáveis
  • Menos interessados em poder e status

 

O estudo foi feito na Inglaterra onde a proporção iPhone / Android é de aproximadamente 50/50. No Brasil a fatia de mercado do iPhone não chega a 3%. Acredito que se a pesquisa fosse feita aqui, os resultados seriam potencializados. Se menos gente tem um produto, maior ainda seria a associação de poder e status.

 

 

Entenda melhor o caso… http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/73/artigo265022-3.asp

breakfast, cereal, dessert

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Pela primeira vez tivemos um estudo que demonstrou que os probióticos, como os Lactobacillus, podem melhorar o desempenho cognitivo de pacientes com a Doença de Alzheimer. Além disso, os probióticos melhoraram os níveis de colesterol e triglicérides e reduziram marcadores inflamatórios e resistência à insulina. Os resultados foram publicados pelo conceituado periódico Frontiers in Aging Neuroscience.  
 
Muitas companhias de alimentos probióticos vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.
 
A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.
 
Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.
 
As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando e o presente estudo confirma em humanos o que já se sabia em ratinhos. Será que crianças e adultos sem doença cerebral podem ter o mesmo beneficio?

Brown Wooden Arrow Signed

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Temos que tomar decisões o tempo todo, algumas fáceis e outras mais  complicadas. Veja abaixo seis dicas que podem ajudar na melhor escolha na hora de decidir.

 

1-   O que você esperaria que outras pessoas decidissem se estivessem no seu lugar? Largar ou não uma missão em prol de uma causa nobre por dificuldades menores?

 

2-   Decida com um pouco de emoção. É um tempero que pode ajudar quando em doses moderadas. Não tome nenhuma decisão quando estiver com as emoções à flor da pele. As pessoas que têm lesões no lobo frontal têm um menor componente emocional e maior dificuldade de tomar decisões. Têm muita dificuldade em aprender com os erros.

 

3-   Faça uma lista de prós e contras da opção A e outra lista separada de prós e contras da opção B. Pode parecer um negativo e positivo do mesmo filme, mas você pode se surpreender.

 

 

4-   Você está justificando demais a escolha por uma das opções? Isso pode sugerir que você ainda não se convenceu de estar escolhendo a melhor opção.

 

5-   Assertividade é uma boa medida para tomada de decisões. Fica entre a passividade e a agressividade. A passividade falta com o respeito a você mesmo enquanto a agressividade desrespeita os outros. Assertividade respeita os dois lados. Lembre-se do jeito de convencer de um professor ou de um médico, por exemplo.

 

6-   Imagine as consequências da opção A como se não existisse opção B. Faça o contrário também.

 

Dica extra. Dê preferência a tomar decisões no começo da manhã, pois elas costumam ser mais acertadas nessa hora do dia.

Twitter Application

 

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Há pelo menos três décadas sabe-se que a vida social de um indivíduo tem impacto em sua longevidade. Essa sociabilidade hoje é vista hoje como um fator até mais protetor à nossa saúde que a atividade física e o peso em dia. Por outro lado, a baixa sociabilidade tem um efeito negativo comparável ao tabagismo.
 
Um estudo publicado este mês pelo prestigiado periódico PNAS mostrou que isso também vale para a sociabilidade virtual. Doze milhões de americanos usuários do Facebook, nascidos entre 1945 e 1989, foram acompanhados por seis meses. Os resultados mostraram que a interação online confere maior longevidade quando moderada e ainda mais quando complementada por interações off-line. O exagero das interações virtuais teve efeito negativo. 
 
A análise dos detalhes da vida virtual dos participantes mostrou que viviam mais aqueles que se encaixavam entre os 50% que tinham mais amigos no Facebook. O mesmo efeito positivo foi encontrado entre os que postavam mais fotos, o que pode estar associado a uma vida social em carne e osso mais movimentada. 
 
O número de amizades aceitas no período do estudo esteve associado a uma maior longevidade, o que nos faz pensar que a popularidade pode ser boa para saúde. Já o número de solicitações de amizade efetuadas pelo usuário não teve relação positiva ou negativa. Esse último resultado foi desapontador para os cientistas, pois o estímulo de busca de novas amizades virtuais poderia ser uma estratégia de promoção da saúde.
 
E não adianta ficar contando o número de “likes” de cada post, pois eles não tiveram efeito algum nessa pesquisa.

 

Pile of White Pink and Brown Oblong and Round Medication Tablet

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Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo.

Na última semana, um estudo publicado por pesquisadores de Chicago nos EUA evidencou pela primeira vez, através de um protocolo inédito que combinava ressonância magnética funcional e ensaio clínico, uma área do lobo frontal que define com boa confiabilidade quais pacientes são sensíveis ao efeito placebo. Os pacientes estudados sofriam de dor crônica por osteoartrite. Os achados podem ajudar no desenvolvimento de terapias mais personalizadas para o controle da dor crônica, além de auxiliar no desenho e interpretação de testes clínicos de medicações.

No dia a dia da prática clínica, os médicos, às vezes, lançam mão de vitaminas e analgésicos que não têm ação específica para a condição clinica específica do paciente e discute-se muito se essa prática é ética.  As diretrizes de ética médica nos EUA proíbem seu uso sem que o paciente tome conhecimento, com o argumento que a prática pode enfraquecer a relação médico-paciente. No Brasil, o código de ética médica não ampara o uso do placebo sem o conhecimento do paciente.

Uma pesquisa recente publicada pelo British Medical Journal revelou que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.

 

 

 

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Nosso cérebro tem um mecanismo de alarme que acende a `luz vermelha` quando fazemos algo de perigoso, errado ou imoral. Contar uma mentira tem o poder de disparar esse alarme, também conhecido como amígdalas das regiões temporais, e essa semana tivemos uma demonstração de como o cérebro colabora para o fenômeno `uma mentira leva a outra`.

Pesquisadores do University College of London estudou através de ressonância magnética funcional os cérebros de 80 voluntários durante um jogo que eles tinham a possibilidade de mentir para aumentar as chances de ganhar o jogo.

Uma pequena mentira era capaz de estimular as amígdalas, e à medida que novas mentiras iam sendo contadas, as amígdalas iam ficando menos estimuladas, iam adormecendo. Com as amígdalas adormecidas, o cérebro ficaria mais encorajado a contatar mentiras mais robustas. E foi exatamente isso que os cientistas encontraram: à medida que eles iam mentindo, as amígdalas iam se apagando e as mentiras ficavam cada vez mais `ousadas`. Boa parte dos políticos brasileiros parece não ter amígdalas adormecidas, mas em coma.

O presente estudo só testou o ato de desonestidade, mas o mesmo poderia ser aplicado à tomada de atitudes de risco e comportamento violento. Isso ainda precisa ser testado.

A pesquisa foi publicada no prestigiado periódico Nature Neuroscience.

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Em conferência realizada nesta última semana em São Francisco – EUA, a Academia Americana de Pediatria alerta para os cuidados que os pais devem ter ao expor os filhos nas redes sociais

 

Os números estão aí: nos EUA, 92% das crianças menores de dois anos já têm presença nas redes sociais e um terço já aparecem nas primeiras 24 horas de vida. Os pais até que são bem intencionados, mas poderíamos dizer que não muito conscientes das consequências imprevisíveis do ato de dividir com o mundo as experiências dos seus filhos. Preocupam-se com o conteúdo a que os filhos são expostos na internet (e.g., violência, drogas), mas não pensam nos potenciais problemas associados à presença das crianças nas redes sociais.

 

Os pediatras podem alertar os pais o quanto é importante proteger a identidade das crianças no mudo virtual. Podemos falar dos riscos de imagens nas mãos de pedófilos, constrangimento junto aos amigos e cyberbullying, mas também que essas crianças vão querer controle e privacidade de suas imagens. Eles certamente terão o desejo de construir suas próprias identidades virtuais. As primeiras crianças que cresceram expostas nas redes sociais estão agora chegando à vida adulta, entrando na faculdade e no primeiro emprego.

 

Os pais precisam conhecer melhor as ferramentas online que usam, suas politicas de privacidade, e por que não, dar o direito às crianças de vetar uma publicação.  Publicações que `entregam` de bandeja onde a criança mora ou estuda, assim como fotos sem roupa, devem ser evitadas ao máximo.

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A revista Scientific American trouxe esta semana dicas que podem fazer nossas mentes ficarem mais leves. Aqui falamos não só de perdão a uma pessoa, mas também a grupo de pessoas que cometeram injustiças e eventos traumáticos.

 

1- O maior interessado no ato de perdoar é você mesmo. Você tem a chance de tirar um peso pesado da sua mente, que costuma ficar reverberando com a experiência do rancor.

 

Em um estudo com mães que perderam seus filhos por crimes violentos, uma intervenção terapêutica chamando a atenção para o grande benefício próprio de se buscar apagar ou reduzir o rancor, trouxe resultados bem positivos. Após uma semana da intervenção, elas sentiram-se menos abaladas e com escores depressão 60 por cento menores. Outros estudos mostraram também que perdoar reduz o grau de ansiedade de quem perdoa.

 

2- Faça o exercício de se colocar do outro lado. Tente criar uma atmosfera de empatia, imaginando a situação que esse outro lado vivia quando cometeu a ação que você julga, de forma inequívoca, errada ou injusta.

 

3- Tente modular suas reações ao evento traumático como impulsos de revolta, ondas de raiva e ansiedade.

 

4- Lembre-se que o tempo é um grande remédio para cicatrizar feridas. Em um momento muito próximo ao evento traumático, o exercício de perdão é mais difícil. Deixar a poeira baixar, às vezes, é o caminho mais acertado.

 

E por último, insiro aqui um pensamento português que acredito que pode colaborar sobremaneira em muitas situações do dia a dia em que podemos cair na armadilha de guardar rancor em nossas mentes.

 

Não deveríamos nos martirizar por ficarmos exigindo dos outros aquilo que eles não podem nos oferecer. Com sotaque bem português: Cada qual dá o que tem conforme a sua pessoa.

 

Anos depois aprendi com uma senhora portuguesa que na verdade essa frase é parte de uma quadra popular bastante conhecida em Portugal:

 

Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.

 

Em Portugal há também um ditado muito popular que diz a mesma coisa:

 

Pilriteiro dá pilritos, a mais não é obrigado.

 

O pilriteiro é um arbusto espinhoso bastante comum em Portugal e dá uma frutinha muito ácida, o pilrito. Pela quadrinha popular, parece que o pilrito não deve mesmo ser uma fruta muito apreciada. Tenho uma teoria sobre frutas exóticas que se pilrito fosse bom mesmo, seu nome seria morango ou banana e seria exportado para todos os cantos do planeta.

 

Boa parte das situações do dia a dia que poderiam nos afastar do nosso equilíbrio mental tem a ver com a cobrança e às vezes com nossa indignação pelas atitudes dos outros que nos desagradam. É o prestador de serviço que não terminou o serviço direito, é o cara que passa à nossa frente pelo acostamento enquanto estamos parados direitinhos na fila do engarrafamento, é a moça do caixa do supermercado que é lenta no seu desempenho. Podemos começar a enxergar esse cotidiano através de uma outra ótica. O cara que fura fila não tem educação e princípios de cidadania. Vamos nos irritar? Brigar? A moça lenta no caixa do supermercado é lenta mesmo e nem foi treinada para ser mais rápida. O mau prestador de serviços é ruim de serviço mesmo e a gente que fez a escolha. Antes de reagirmos de forma a perdermos nosso dia, podemos pensar que pilriteiros dão pilritos  … E sempre que tivermos poder de escolha, não precisamos insistir em comer pilritos. Mudamos a página e seguimos em frente com morangos.

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Algumas pessoas acusam a lua como culpada por uma má noite de sono e até por mudanças no estado mental. Será que isso não passa de um mito? Para entender melhor essa questão, pesquisadores de vários pontos do mundo estudaram o perfil de sono das crianças e sua relação com as fases da lua. Os resultados foram publicados recentemente pelo periódico Frontiers in Pediatrics.
O estudo foi realizado com crianças, já que elas são menos sujeitas a fatores que sabidamente influenciam o padrão do sono como o estresse. Quase seis mil crianças nos cinco continentes foram acompanhadas por 28 semanas e passaram por uma avaliação que incluía dados sociodemográficos, duração do sono noturno, índice de massa corporal e nível de atividade física.
As fases da lua foram categorizadas em três tipos: nova, cheia e “meia lua” que representava os quartos crescente e minguante. Os resultados mostraram que na lua cheia as crianças dormiam cinco minutos menos do que na lua nova. Não foi possível detectar outras mudanças de comportamento das crianças nas diferentes fases da lua. Cinco minutos a menos de sono não parece ser relevante para a saúde das crianças e muito menos para a dos adultos.
Outro estudo publicado em 2006 pelo prestigiado periódico Current Biology já apontava que temos uma tendência a dormir menos no período da lua cheia.
Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono. A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, numa mesa de bar e na lua cheia, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.
Dito e feito. A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos.  Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.
Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo conduzido entre quatro paredes. A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos.  Isso pode ter representado uma vantagem evolutiva ao fazer com que caçadores e coletores dormissem menos para aproveitar a luminosidade generosa da lua cheia.
Mas o efeito da lua cheia no comportamento humano ainda tem muitos mistérios. Quando eu fazia residência médica em neurologia eu não levava muito a sério quando alguns pacientes com epilepsia me falavam que na lua cheia as crises eram mais comuns. Alguns anos depois o periódico da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa apontando que as observações dos “supersticiosos” estavam certas.

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Esquisitices… Nem tanto. Há uma explicação plausível para a observação de que quanto maior o cérebro, maior é o bocejo.

Pesquisadores da Universidade de Nova Iorque estudaram pelo youtube a duração do bocejo em 19 diferentes espécies que incluíam camundongos, coelhos, macacos, etc. Eles encontraram que o bocejo dos camundongos (0.8s), que têm cérebros bem menores, é mais curto do que o dos homens (6.5s), por exemplo. Os cachorros ficam com 2.4s, gatos com 1.97s. A explicação é a de que quanto maior o cérebro, mais prolongado tem que ser o bocejo, já que a princípio, ele tem a função de regular a temperatura cerebral. Hummm… Será que esse papo é sério mesmo?

O bocejo pode ser observado em todas as cinco classes de vertebrados, o que sugere que deva existir uma função adaptativa para esse fenômeno. Uma das formas de explicar o bocejo e seu caráter contagiante é a sua utilidade do ponto de vista social, com o potencial de sincronizar o conhecimento de um mau estado da mente ou do corpo num grupo de pessoas.

Apesar da existência de inúmeras outras teorias que tentam explicar a razão biológica do bocejo, pouquíssimos estudos experimentais foram realizados para avançar esse conhecimento. Recentemente, uma pesquisa publicada pelo periódico Frontiers in Evolutionary Neuroscience apontou que o bocejo é mais frequente em épocas do ano em que a temperatura do ambiente é menor que a do corpo, sugerindo que ele serve literalmente para esfriar a cabeça. A temperatura habitual do cérebro é de 37º C com flutuações de 0.5º C.

Os pesquisadores avaliaram a frequência de bocejo de 160 americanos do Arizona ao serem apresentados a imagens de gente bocejando, já que o bocejo tem o seu componente contagioso. Os resultados mostraram que no inverno as pessoas bocejam mais (inalam mais ar frio), e isso é independente de outros fatores como umidade e tempo de sono na noite anterior. Quase metade dos voluntários do estudo bocejou durante o teste no inverno (temperatura média: 22º C) enquanto no verão (temperatura média: 37º C) a freqüência foi de apenas um quarto. Além disso, no verão, a freqüência de bocejo foi menor à medida que se ficava mais tempo em ambiente externo. Esse efeito da temperatura ambiente já havia sido demonstrado entre pássaros e macacos.

Um dos pesquisadores da atual pesquisa já havia publicado em 2010 resultados revelando que o bocejo e o espreguiçar de um ratinho são desencadeados por aumento na temperatura do cérebro que por sua vez diminui logo após a realização de cada um dessas duas ações. O efeito de resfriamento do bocejo seria o resultado de uma maior troca de calor com o ambiente através das vias aéreas e até mesmo pelo ato de se espreguiçar. Essa troca de calor também é favorecida pela abertura da mandíbula e o consequente aumento do fluxo sanguíneo cerebral. Esses resultados apoiam a ideia de que uma disfunção da regulação térmica do corpo represente a principal explicação para os bocejos excessivos que podem acompanhar alguns transtornos neurológicos como a esclerose múltipla.

Há evidências também que o bocejo facilita a ativação do córtex cerebral em situações de transição de estado, como por exemplo, do sono para a vigília. Em animais, já foi demonstrado que o bocejo ocorre com maior frequência na antecipação de eventos estressantes e em mudanças súbitas de um estado de alto grau de atividade para a calmaria. Entretanto, o mais provável é que o resfriamento cerebral seja a forma pela qual o bocejo colabore para a modulação cerebral nessas situações.

Girl Sleeping With Her Brown Plush Toy

 
Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.
 
Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.
 
Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro – os americanos já dirigem aos 16 anos.
 
Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.
 
E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.
 

black-and-white, fashion, fun

 

É difícil pensar em alguém que não se sinta bem após uma sessão de gargalhadas. Mas será que além do bem-estar que o riso provoca, ele realmente faz bem à saúde? O velho ditado de que rir é o melhor remédio tem algum fundamento?

 

Um estudo publicado esta semana por pesquisadores noruegueses confirmou o ditado. Pessoas com um bom grau de humor no dia a dia têm menos riscos de doenças e vivem mais.

 

Foram acompanhados por 15 anos 53 mil voluntários e os resultados mostraram que aqueles que apresentavam melhor pontuação de humor numa escala bem validada tinham:

 

*no caso das mulheres, risco de morte 48% menor, 73% menos risco de morrer do coração e 83% menos risco de morrer de infecção

 

*no caso dos homens, 74% menos risco de morrer de infecção

 

As diferenças entre os gêneros podem ser explicadas pelo maior declínio nas pontuações de humor nos homens ao longo dos anos.

 

De acordo com o autor principal do estudo, um bom senso de humor é um traço da personalidade que garante um maior sentido às experiências do cotidiano. Ele ajuda a evitar o aumento dos hormônios do estresse e suas consequências como supressão do sistema imunológico e aumento do estado inflamatório do corpo. Além disso, o humor está diretamente ligado a uma maior socialização, e isso só faz bem à saúde.

 

Onde é que o riso se encontra no nosso cérebro?

As regiões mais frontais do nosso cérebro são consideradas as mais recentes no processo de evolução das espécies, e é aí que se concentram funções especializadas como a linguagem e o riso. O riso por sinal é exclusivo da espécie humana (a hiena não ri) e já foi demonstrado que a área cerebral que desencadeia o riso em última instância está nessa parte frontal. Já foi até demonstrado que sua estimulação elétrica durante procedimentos cirúrgicos é capaz de desencadear o riso. Temos evidências também que o hipotálamo e as regiões temporais também têm participação na geração do riso. É claro que no mundo real precisamos do cérebro como um todo para entender a piada.

 

 

Woman Wearing Black Hijab Behind Bare Tree during Day Time

 

Mulheres têm um melhor desempenho de memória verbal e faz com que testes cognitivos para o diagnóstico de Alzheimer sejam menos sensíveis para elas. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

 

A pesquisa foi conduzida pela Universidade da Califórnia nos EUA e demonstrou que o desempenho delas era melhor que o dos homens em testes de memória verbal, mesmo em condições que o exame PET scan demonstrava redução do metabolismo cerebral, condição encontrada na Doença de Alzheimer. Na verdade, o desempenho das mulheres foi melhor em situações em que o metabolismo era normal ou com redução leve ou moderada. Quando a queda do metabolismo já era severa, não havia diferenças entre os gêneros nos testes de memoria.

 

Esses resultados sugerem que as mulheres têm maior capacidade de compensar perdas da função cerebral por conta de sua maior reserva cerebral nas fases iniciais da doença. Novos estudos deverão ser realizados, e se os achados  forem confirmados, os testes cognitivos para o diagnostico da Doença de Alzheimer deverão ser ajustados de acordo com o sexo do paciente.

black-and-white, boy, man
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Nunca antes na história tivemos uma sociedade tão conectada e as plataformas de redes sociais têm contribuído muito para isso. Entretanto, identificamos excessos de “conexão”, especialmente entre os adolescentes. Essa hiperconectividade é um tema que os pais devem ficar muito atentos no dia a dia, pois ela não tem nada de inocente.

 

Vida social é uma ferramenta fundamental para nosso estado de felicidade e até mesmo de saúde. Mas será que os amigos virtuais têm esse mesmo poder? Parece que não. Pesquisas têm revelado uma associação entre o tempo gasto no Facebook e sintomas depressivos. Aí vem a velha pergunta de ovo ou galinha? A resposta mais provável é que o excesso de tempo nas redes sociais possa ser tanto a causa como conseqüência dessa maior freqüência de sintomas psiquiátricos.

 

Causa? Podemos pensar que uma pessoa exagerada e compulsiva tem problemas no controle de seus impulsos. E essa dificuldade em controlar os impulsos pode ter reflexos em varias dimensões da sua vida. E os adolescentes dão goleada quando se fala em impulsividade. Um estudo conduzido nos EUA mostrou que eles trocam uma média de 109 mensagens diárias pelo celular enquanto os adultos ficam com uma média de dez mensagens por dia.

 

Conseqüência? Redes sociais provocando mal estar psíquico? Uma forma de explicar essa ligação é o efeito comparativo com os outros “amigos” que só expõem os louros do cotidiano e isso pode fazer com que a pessoa sinta que tem um projeto de vida mal-sucedido. Além disso, a prática virtual exagerada pode reduzir os encontros em carne e osso, o que pode desestabilizar o equilíbrio psíquico.  

 

Se esses fatores são relevantes para um adulto, imagine só para o cérebro de um adolescente que ainda está em formação! Alguns deles têm sinais típicos de dependência quando afastados do seu vício eletrônico. Pesquisas mostram que meninos e meninas digitam com a mesma frequência nas redes sociais, mas os exageros acontecem mais com as meninas. E esse exagero está associado a um menor desempenho acadêmico, mais sintomas depressivos, maior exposição ao álcool e outras drogas e também experiência sexual mais precoce.

Woman Wearing Blue Tank Dress Under Blue Sky during Daytime

É bem reconhecido que a ocitocina, também conhecida como hormônio do amor, é capaz de promover a sociabilidade, empatia e o altruísmo. Este mês uma nova pesquisa conduzida pela Duke University nos EUA apontou que ela também facilita a experiência espiritual. Os resultados foram publicados no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.

Os pesquisadores mostraram que voluntários que usaram o hormônio por via intranasal minutos antes de meditar apresentaram mais emoções positivas, com a sensação de um estado de maior espiritualidade. Relatavam mais frequentemente que a espiritualidade era uma dimensão importante nas suas vidas e que a vida fazia sentido. Enxergavam-se mais conectados com os organismos vivos e com as outras pessoas e também reportavam mais serenidade, gratidão e esperança. Isso também acontecia uma semana após o experimento e independente da pessoa pertencer ou não a uma religião O spray de ocitocina foi comparado a um spray placebo em outro grupo de voluntários.

O hormônio é produzido pelo hipotálamo e é estimulado durante a atividade sexual, parto e amamentação. Além disso, o hormônio é um importante ingrediente para que aconteça a “liga” entre duas pessoas e tem esse poder, em parte, por facilitar a liberação de moléculas de anandamida, neurotransmissor que se liga aos mesmos receptores no cérebro que a maconha. A estimulação de neurônios produtores de ocitocina faz com que os níveis de anandamida aumentem. E mais importante: o bloqueio dos receptores de anandamida desmorona os efeitos pró-sociais da ocitocina. A anandamida “dá barato” por aumentar a motivação e promover um estado de felicidade. Ela é considerada a principal molécula responsável pelo barato do maratonista.

Man in Gray Sweater and Shorts With Nike Black Sneakers Beside Gray Metal Railings Under the Bright Sky during Daytime
 
 
Pesquisadores da Universidade Maryland nos EUA mostraram que dez dias de sedentarismo em atletas master acaba levando a uma significativa redução do fluxo sanguíneo cerebral. O estudo foi recém-publicado pelo periódico Frontiers in Aging Neuroscience.
 
Sabemos que perdemos nossa capacidade aeróbica quando interrompemos nossa atividade física por algumas semanas, mas os pesquisadores de Maryland demonstraram que o cérebro também não gosta dessa paradinha.
Após 10 dias de suspensão da rotina de exercícios físicos, eles demonstraram, através da ressonância magnética,uma redução do fluxo sanguíneo cerebral em áreas estratégicas da cognição, como os hipocampos. Vale lembrar que o hipocampo é uma das estruturas cerebrais mais nobres para a memória / aprendizado e também é uma das regiões mais precocemente afetada na Doença de Alzheimer. Além disso, é bem reconhecido que a atividade física entre roedores promove a criação de novos neurônios e vasos sanguíneos e, entre humanos, retarda o aparecimento da Doença de Alzheimer .  
  
No presente estudo, a média de idade dos participantes foi de 61 anos e todos eram atletas há pelo menos 15 anos com um ritmo de treino de alta intensidade de no mínimo 4 horas por semana. Todos eles eram corredores de longa distância e tinham participado de alguma competição nos últimos meses. Corriam uma média de 10 km por dia.
 

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A psicóloga social Emanuele Castano, junto ao seu aluno de PhD David Kidd, publicaram há três anos na revista Science os resultados de suas pesquisas que demonstram o quanto que uma boa leitura é capaz de estimular as habilidades sociais.

Voluntários eram solicitados a ler trechos de diferentes gêneros: não ficção, ficção popular (romance, aventura), ficção literária (premiados), Em seguida faziam testes que avaliavam a capacidade de entender o que o outro está sentindo.

Além de mostrar que histórias de ficção aumentam a percepção das emoções de outras pessoas, a pesquisa ainda evidenciou que a qualidade da literatura também faz diferença. Os textos literários produziram maior efeito, apesar dos textos populares terem sido os mais apreciados pelos voluntários.

Neste último mês os mesmos pesquisadores confirmaram esses resultados de uma forma diferente. O teste de empatia foi aplicado a cerca de dois mil voluntários, mas dessa vez associado a uma tarefa em que tinham que reconhecer autores de ficção literária de uma lista de 130 nomes. Aqueles que reconheciam mais autores foram os que tinham também maior pontuação nos testes de empatia.

Os pesquisadores acreditam que obras de ficção estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo.

É notório que os resultados dessas pesquisas devem ser levados em consideração na escolha da grade curricular dos estudantes. Já existem até ensaios para incrementar a empatia de médicos através da literatura assim como para melhorar o comportamento de detentos.

 

 

Pesquisadores da Universidade Cornell nos EUA demonstraram recentemente que músicas alegres são capazes de melhorar o ambiente de trabalho, com mais cooperação entre os colaboradores e melhor estado de humor. Eles compararam ambientes com músicas ritmadas (e.g. tema de Happy Days, Brown Eyed Girl  de Van Morrison, Yellow Submarine dos Beatles e Walking on Sunshine de Katrina and the Waves) com ambientes de trabalho com músicas de heavy metal desconhecidas e outro sem música. As turmas que trabalharam com heavy metal ou sem música tiveram índices de cooperação semelhantes, ambos menores que aqueles que trabalharam com músicas alegres. A pesquisa foi publicada no Journal of Organizational Behavior.

 

Em 2013, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

 

 

Woman in Black Shirt Carrying His Son in the Seashore during Sunset

 

Parece que os divórcios têm mesmo um comportamento sazonal. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por sociólogos da Universidade de Washington nos EUA. Eles mostraram que, pelo menos no estado de Washington, existem picos de divórcio duas vezes ao ano: março e agosto, logo após as férias de inverno e verão.

 

Depois desse estudo eles passaram a analisar outros estados, e os resultados têm sido semelhantes. Já estudaram também os estados de Ohio, Minnesota, Florida e Arizona.

 

A explicação mais discutida pelos pesquisadores é que as férias em família são épocas culturalmente sagradas e protegidas. Muitos casais que passam por problemas de relacionamento enxergam as férias como uma ótima chance de reconciliação e criam expectativas altas de um novo começo, transição para algo diferente, uma nova fase de vida conjugal. Entretanto, as férias podem ser períodos difíceis, em parte pelo maior convívio com o cônjuge ou com familiares, o que pode expor fissuras do casamento. E expectativas altas seguidas por frustração é uma péssima combinação.

 

 

 

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