Blue and Orange Light Projeced on Left Hand of Person

 

Ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos que fazem com que um cérebro homossexual seja diferente de um outro heterossexual, mas as evidências científicas que temos até o momento apontam que componentes genéticos e até exposição a hormônios sexuais e anticorpos no útero da mãe têm muuuuuuito mais peso do que qualquer componente cultural.

 

Notícia G1 18/09

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença  

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injeja

 

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico. Pesquisas recentes têm-nos provocado novas reflexões sobre o quanto esses sentimentos devem ser vistos como patológicos ou não.

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. A inveja pode ser definida como o desejo de possuir aquilo que é do outro (ex: sucesso, bens materiais) e/ou o desejo que o outro não possua aquilo que é invejado. A língua alemã usa a palavra schadenfreude, sem equivalente em português, para descrever algo diferente da inveja, mas que costuma andar lado a lado com ela: um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade do outro.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Um recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa revelou que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de perceber inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.Aqueles com lesão cerebral do lado direito do cérebro tiveram mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles com lesões do lado esquerdo entendiam com mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, na vida real, esses mesmos indivíduos teriam mais dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.

A revista Science publicou um estudo em que pesquisadores japoneses demonstraram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cacetadas” e também o porquê  dos meios de comuincação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.

O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.

Printed Musical Note Page

 

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Música pode ser uma ferramenta poderosa para enfrentar inúmeras condições clínicas. Digitei há alguns minutos o termo musicoterapia no Pubmed, site de referência para pesquisas na literatura médica, e encontrei seus efeitos benéficos como coadjuvante no tratamento da ansiedade em pacientes com câncer e naqueles internados numa Unidade de terapia Intensiva, também entre pacientes com diagnósticos como Doença de Alzheimer, Parkinson, autismo, e isso só na primeira página de busca dentre as 261.

Uma série de estudos também foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e os resultados são muito encorajadores.  Música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor.

E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. A música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada a um procedimento médico. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.

Uma experiência bem interessante publicada pela revista inglesa Brain chegou a mostrar que a música pode colaborar na reabilitação de pacientes com derrame cerebral na fase aguda. Cada paciente recebia um CD player portátil e CDs com músicas de sua preferência, qualquer que fosse o estilo musical, e tiveram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental.

Oliver Sachs, formidável neurologista e escritor, deixou-nos este recado: “… ela tem a capacidade de nos mover, de induzir diferentes sentimentos e estados mentais” (Brain 2006;129). E como toda forma de arte, ela não reproduz o conhecido, mas o desconhecido. Aquilo que nunca foi ouvido.

 

 

black-and-white, crinkles, elder
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Parece que nosso bem-estar na terceira-idade depende mais da saúde da nossa mente que do nosso corpo. É claro que é difícil viver plenamente a velhice com uma doença do corpo como, por exemplo, um enfisema pulmonar ou insuficiência cardíaca, mas as doenças da mente podem ser ainda mais limitadoras. Essa foi a conclusão de uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico BMC Geriatrics  que avaliou a sensação de bem-estar entre mais de 3500 alemães com uma média de idade de 73 anos.
 
Os autores demonstraram que ansiedade e depressão foram os fatores mais associados a baixos índices na escala de bem-estar da Organização Mundial de Saúde. Um baixo poder aquisitivo e dificuldade para dormir também tiveram influência significativa. Doenças do corpo tiveram um impacto menor, até em situações de múltiplas doenças. Entre as mulheres, viver sem uma companhia também influenciou negativamente essa percepção de bem-estar.
 
Já é bem reconhecido que o bem-estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida. Os hormônios e o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita.
 
Outro lado da moeda é a sensação de ter sentido na vida. Muitas das coisas que fazemos não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir a vida com mais sentido.  Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar essa percepção que já teve inequívocas demonstrações que também é capaz de aumentar a longevidade.

 

Você trocaria seu atual trabalho por outro com maiores rendimentos, mas que lhe exigisse ficar menos tempo com a família? Se você pensou três vezes antes de responder, não se sinta culpado. Uma enquete nos EUA apontou que dois terços das pessoas certamente ou muito provavelmente topariam essa troca.

Mais dinheiro para quê?

Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.

Será que essas pessoas serão mais felizes ao subir um degrau na sua capacidade de consumo?  Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades básicas, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade para a cabeça. Outros autores têm contestado essa tese mostrando que não existe um ponto de saturação a partir do qual mais dinheiro não traz mais felicidade. Entretanto, esses estudos não avaliam o mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida financeira.

Padrões de consumo em nível subconsciente e até mesmo comparações conscientes com a “grama do vizinho” fazem com que as pessoas vivam a ilusão de que o dinheiro trará mais felicidade. Imagine um cenário em que as pessoas ao seu redor comecem a ganhar mais dinheiro e você continue no ritmo de sempre. Mesmo que o seu ganho seja superior às suas necessidades, essa desvantagem pode incomodar.

Dinheiro pode intoxicar?

Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, a coisas mais simples.  O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boca antes de engolir.  Os voluntários dessa pesquisa ainda relataram menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizaram imagens neutras.

Gastar direito pode ajudar

Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”.  Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.

 

E neste mês tivemos a publicação de um estudo muito interessante no prestigiado periódico PNAS mostrando que as pessoas que gastam dinheiro para ter mais tempo (e.g., serviços de casa) são mais felizes do que aquelas que gastam mais com coisas. O impressionante é que metade dos milionários estudados gasta tempo com atividades que não apreciam e que poderiam ser feitas por outros com remuneração. Outro achado importante da pesquisa foi que o estado de bem estar e felicidade esteve associado com essa opção de “comprar seu próprio tempo” em todo o espectro socioeconômico estudado, mesmo entre os que tinham as contas mais apertadas.

  

** vale sempre lembrar outro lado da moeda: felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro. 

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Hoje em dia ligamos o rádio ou a TV e ouvimos especialistas em marketing nos ensinando sobre como o Neuromarketing pode ser uma valiosa ferramenta para o sucesso das empresas. Nesse caso, a ideia é de que algumas estratégias de comunicação podem ser mais eficazes no processo de “pescar os cérebros dos consumidores” com base em sérios, porém poucos, experimentos neuropsicológicos e de imagem cerebral. Grandes empresas já começam a pedir assessoria de neurocientistas para compor o time que pensa as estratégias de marketing. Paralelamente ao crescimento do volume de conhecimento nessa área, podemos observar um crescimento muito mais veloz no número de consultores de marketing que parecem às vezes já deterem o segredo do “centro cerebral de compras”.

Profissionais da saúde que trabalham com a mente e o cérebro já vendem programas de estimulação e exercícios para o cérebro chamados de Neuróbica, Neurofitness. Temos evidências científicas sérias sobre efeitos de programas de exercícios cognitivos através de “ginásticas cerebrais padronizadas”’, especialmente entre idosos. Queixas de memória são muito frequentes entre adultos jovens e na maioria das vezes essas queixas são só a ponta do iceberg do estresse no dia-a-dia, quadros de ansiedade e depressão ou outras doenças. Buscar “consertar a vida”, dando mais chance ao lazer, à atividade física e ao bom sono, reduzindo o estresse e tratando o corpo e a mente quando preciso, provavelmente deixe o cérebro muito mais “sarado” do que cursos de criatividade, de memorização ou de como usar melhor os dois lados do cérebro.

Temos vivenciado discussões sobre a Neuroestética, uma forma de explicar a experiência estética através das neurociências. Alguns estudos têm demonstrado que a obra de um certo pintor ativa mais certas regiões do cérebro enquanto a obra de outro pintor ativa outras regiões. Outros nos mostram que a obra de um poeta estimula certas áreas do cérebro por conter um tipo específico de fórmula sintática. Não precisamos nos esforçar muito para defender a ideia de que a arte está longe de ser um fenômeno meramente estético, em que padrões de tipo A e tipo B estimulam áreas X e Y do cérebro. A apreciação da arte envolve não só a experiência sensorial, como também a experiência de vida de quem a aprecia, o contexto histórico da obra, etc. Chega a ser uma provocação patética tentar explicar o virtuosismo de um bailarino através do seu padrão de ativação neuromuscular.

E por aí vai. A cada dia somos surpreendidos com os mais originais e, às vezes duvidosos, “neuros”: neurofilosofia, neurocomunicação, neurofuturo, neuroética, neuronutrição, neuro-psicanálise, programação neurolinguística, neuroeconomia, etc. A impressão é que o prefixo neuro é muitas vezes usado para dar um ar de credibilidade e legitimidade científica ajudando a vender ideias que ainda estão saindo do ovo ou que não passam de meras neuroespeculações e neuroextrapolações.

 

Essas neuroespeculações também têm sido chamadas de neuromitos e uma pesquisa recente publicada pelo periódico Frontiers in Psychology mostrou que leigos que fizeram cursos de neurociência diminuem a prevalência desses mitos, mas eles ainda se mantêm fortemente presentes. Exemplos? Usamos só 10% do nosso cérebro, estimulação do hemisfério esquerdo e direito para um melhor aprendizado, etc.

adult, business woman, businessman

 

É sempre bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaa pontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

 

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

Semana passada tivemos a publicação de um grande estudo na revista Psychological Science envolvendo mulheres de 27 países mostrando que elas apresentam um desempenho de memória melhor que os homens em países que têm mais condições de igualdade entre os gêneros. O país em que as mulheres tiveram o melhor desempenho, maior que os homens, foi a Suécia enquanto Gana foi o país em que o desempenho delas foi pior. Além de oportunidade de estudo e trabalho, a tal almejada igualdade entre os gêneros inclui também valores e atitudes.

 

Presta atenção Temer!!

Woman Sitting on the Stairs While Taking Photo

 

Um novo estudo publicado este mês na revista científica Frontiers in Behavioral Neuroscience se propõe a mudar a forma como se pensa o ciclo menstrual. Embora se considere freqüentemente que quem está menstruando não esteja em suas melhores faculdades mentais, Brigitte Leeners e sua equipe de pesquisadores encontraram evidências que sugerem que não é bem assim. Ao examinarem três aspectos de cognição no decorrer de dois ciclos menstruais, eles descobriram que os níveis de estrogênio, progesterona e testosterona não têm impacto na memória, na cognição ou na habilidade de prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo. Embora alguns hormônios tenham sido associados a mudanças ocorridas ao longo de um ciclo em algumas das mulheres participantes do estudo, esses efeitos não se repetiram no ciclo seguinte. No geral, nenhum dos hormônios estudados pela equipe teve algum efeito consistente e replicável na cognição das participantes.

Leeners, a líder da equipe, declarou que “como especialista em medicina reprodutiva e psicoterapeuta, lido com várias mulheres que vivem a impressão de que o ciclo menstrual influencia seu bem-estar e desempenho cognitivo”. Imaginando se essa evidência anedótica poderia ser cientificamente provada – e questionando a metodologia de muitos dos estudos existentes sobre o assunto – a equipe se propôs a lançar alguma luz sobre esse tópico controverso.

O estudo publicado utiliza uma amostragem muito maior que a usual e, diferentemente da maioria dos estudos similares, acompanha mulheres ao longo de dois ciclos menstruais consecutivos. A equipe, trabalhando na Escola de Medicina de Hannover e no Hospital Universitário de Zurique, recrutou 68 mulheres para passar por um monitoramento detalhado, a fim de investigar mudanças em três processos cognitivos selecionados em diferentes estágios do ciclo menstrual. Embora análises dos resultados do primeiro ciclo sugerissem que o viés cognitivo e a atenção estivessem afetados, esses resultados não foram replicados no segundo ciclo. A equipe procurou por diferenças de desempenho entre indivíduos e mudanças nos desempenhos individuais no decorrer do tempo, e não encontrou nenhuma.

Para Leeners, “as mudanças hormonais relacionadas ao ciclo menstrual não mostram nenhuma associação com desempenho cognitivo. Embora talvez haja exceções individuais, o desempenho cognitivo das mulheres não é, no geral, perturbado por mudanças hormonais que ocorrem com o ciclo menstrual.”

Contudo, ela ressalta que ainda há mais trabalho a se fazer. Embora esse estudo represente um passo significativo à frente, amostras maiores, assim como subamostras maiores de mulheres com distúrbios hormonais e outros testes cognitivos proporcionariam uma imagem mais precisa da forma como o ciclo menstrual afeta o cérebro. Enquanto isso, Leeners espera que o trabalho de sua equipe inicie o longo processo de mudar a mentalidade sobre a menstruação.

 

 

Adaptação de matéria original fornecida pelo periódico Frontiers in Behavioral Neuroscience

 

 

Soldier Giving Red Fruit on 2 Children during Daytime

 

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A jornalista Emily Esfahani Smith, autora do recém-lançado livro Power of a Meaning, Editora Crown, New York, chama nossa atenção para que nossa vida seja cheia de sentido, e não simplesmente cheia de felicidade.

Ser feliz? Todo mundo quer, mas será que a missão de encontrar a felicidade, fortemente estimulada pela indústria da autoajuda, não tem deixado as pessoas mais vazias, infelizes? Ela propõe que desviemos o foco da felicidade para uma vida cheia de sentido, vida dedicada a algo maior do que o eu. Um dos passos fundamentais para a publicação do livro foi seu artigo escrito em 2013 na revista americana The Atlantic : Há muito mais para a vida do que ser feliz. Esfahani provoca a reflexão de que a empreitada de encontrar a felicidade traz consigo um modelo de retirada. Isso é diferente no caso da busca por uma vida que faça sentido em que o pilar mais forte é a doação, o altruísmo.

Existem falsos substitutos para esse sentido, criando uma sociedade com um vácuo existencial. A tecnologia nos ajuda e ajudará muito mais, mas ela também tem seu lado negro. Para termos uma vida com sentido precisamos ser conscientes e presentes. Difícil imaginar isso nutrindo a mente e o cérebro com estímulos a conta-gotas que prevalecem nas plataformas das redes sociais.

A felicidade é uma condição fluida, efêmera. A percepção de sentido na vida é duradoura.

A prestigiada revista Nature Communication publicou neste mês de julho um estudo que mostrou como ações altruístas estimulam regiões do nosso cérebro que conectam o efeito do altruísmo (região temporo-parietal) à nossa percepção de felicidade (estriado ventral).  Maiores ou menores doses de altruísmo não fizeram diferença no tanto que as pessoas ficavam felizes. Mais interessante foi que a simples intenção de se doar ao outro já foi capaz de ativar essa conexão. Altruísmo dá um barato que também é conhecido pelos neurocientistas como “warm glow”, ou brilho quente.

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As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Mas será que o aprendizado de quem usa o laptop na sala de aula é melhor? Mais nem sempre é melhor.

 

Pesquisadores das universidades de Princeton e Los Angeles nos EUA têm demonstrado que os alunos aprendem mais quando anotam no papel. Eles testaram em centenas de alunos dessas duas universidades, após uma aula, a memória factual, compreensão do conteúdo e habilidade em sintetizar a informação. Metade anotava a aula no papel e a outra no laptop. Os que anotaram no papel realmente tiveram melhor desempenho.

Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.

 

Mas e se os alunos fossem instruídos a usar o laptop sem tentar copiar o que o professor fala? Não adianta. Os pesquisadores pediram que os alunos digitassem no laptop um conteúdo com as próprias palavras, mas não melhorou. Continuaram a escrever as palavras do professor e o desempenho foi o mesmo.

 

Mas será que por conseguirem digitar mais conteúdo, os usuários do laptop terão vantagens na hora de estudar para a prova uma semana depois? Também não. Mais uma vez a turma do papel se saiu melhor.

 

Se ainda formos comparar o papel com um laptop com a internet ligada, aí a goleada deve ser muito maior. Estudos mostram que os alunos usam 40-60% do tempo do laptop na sala de aula com “outras coisinhas” na internet. Um estudo recente da Universidade de Michigan State com estudantes de graduação em psicologia descortinou alguns números importantes sobre o assunto. Eles mostraram que os estudantes passavam dois terços do tempo na sala de aula ligados a atividades não acadêmicas na web, como redes sociais, email, compras, jogos, etc – 40 minutos a cada 100 minutos de aula. Como previsto, o desempenho acadêmico foi inversamente proporcional ao tempo de uso do laptop para fins não acadêmicos. Por outro lado, o uso da web como ferramenta de apoio ao aprendizado era usado por apenas 5 minutos dentro dos 100 minutos de aula. Além disso, os estudantes ainda passavam em média 27 minutos dos 100 digitando mensagens no celular. Desse jeito aprender passa a ser um milagre!

 

Roger Federer troféu Wimbledon (Foto: Glyn KIRK / AFP)

 

Na semana em que o tenista Roger Federer, 35 anos, ganhou seu oitavo título de Wimbledon e foi o atleta mais velho a faturá-lo, vale a pena refletir sobre esse monstro do tênis.  Isso não tem nada de trivial.

 

A maturidade traz algumas compensações, mas aos 24 anos alcançamos nosso pico de desempenho cognitivo-motor. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada recentemente pelo prestigiado periódico PLoS ONE.

 

Pesquisadores da Universidade de Burnaby no Canada analisaram os dados de desempenho de mais de três mil jovens com idades entre 16 e 44 anos num jogo de computador chamado StarCraft 2. O jogo tem a mesma lógica de um xadrez e os dados analisados representam milhares de horas de quão rápido os voluntários reagiram aos seus oponentes no jogo e as estratégias que eles usaram no desafio. Jogadores mais velhos, apesar de mais lentos, compensam a desvantagem de velocidade com estratégias mais eficientes no jogo.

 

A maioria dos estudos que investiga o declínio motor e cognitivo com a idade analisa o efeito em populações de idosos. Dessa vez não. Os pesquisadores mostraram que a rapidez cognitivo-motora já começa a diminuir na segunda década de vida, mas são compensadas por estratégias mais eficientes. E dessa vez a evidência não veio de testes de laboratório, mas de um modelo da vida real, o que torna possível a demonstração a compensação com o passar dos anos.

 

Mas não é em toda atividade que essa compensação acontece. Simuladores de voo e performance no piano são dois exemplos. Por outro lado, em muitos esportes, o maior equilíbrio mental da maturidade pode ser até mais importante que a velocidade.

backlit, beach, beautiful

 

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A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.

Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Um estudo publicado este mês apontou que adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas.

 

Os efeitos agudos da maconha no cérebro

O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.

Efeitos do uso crônico da maconha

No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.

No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associadas ao uso da droga. O consumo no inicio da adolescência está associado a menores QIs na idade adulta. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.

Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.

Para concluir

Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis.

 

 

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*Por Dr. Ricardo Teixeira
 
No consultório médico, uma senhora que precisa de medicações para controlar sua pressão arterial encerra sua consulta perguntando se ela pode manter o seu hábito de tomar uma taça de vinho por dia. O doutor lhe responde que não só pode como deve – “Minha cara, temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstram que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Já o consumo exagerado de álcool provoca um maior risco de doenças cardiovasculares. Veja bem, devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose, mesmo que seja por apenas um dia no mês”.
 
Essa mesma senhora ouvirá dos médicos que sua taça de vinho é capaz de reduzir seu risco de doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Ouvirá também que já existem estudos que demonstram que o seu hábito também está associado a um envelhecimento com maior nível de independência física e maior longevidade. As bebidas alcoólicas de uma forma geral promovem esses efeitos positivos, mas o vinho tinto parece ser levemente superior, pois além do álcool, ele possui outras substâncias protetoras como os flavonóides, incluindo o resveratrol. 
 
Esse discurso ainda é controverso, especialmente quando se pensa no cérebro. Algumas pesquisas realmente mostram que o uso moderado de álcool reduz o risco das doenças citadas acima, enquanto outras apontam na direção contrária. Um grande estudo publicado este mês pelo prestigiado periódico British Medical Journal, evidenciou que o consumo moderado afeta negativamente a estrutura cerebral assim como as funções cognitivas. O estudo envolveu mais de 500 adultos ingleses por um período superior a 30 anos. E o que foi considerado “moderado”? Para os padrões ingleses, isso significa 4 cervejas de 600ml por semana ou 5 taças de 175ml de vinho. Para os americanos, o consumo moderado é mais generoso: 7 cervejas ou 9 taças de vinho por semana. Nenhum desses dois limites foi seguro para o cérebro. Além disso, o uso leve de álcool não atrapalhou o cérebro, mas também não trouxe benefícios. O que é consumo leve? Duas cervejas ou 2-3 taças de vinho por semana.   
 
À luz do conhecimento atual, recomenda-se que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Mas isso também está mudando, já que estudos recentes têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, orofaringe e esôfago. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose diária não é segura.
 
 
Devemos evitar em pensar no álcool como um elemento promotor de saúde da população, não só pelo aumento do risco de câncer, mas também porque muitas pessoas atravessam a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de duzentas doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo. E isso já é um problema para lá de antigo. Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais, embarcaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.

 

adult, busy, chat

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Sabemos que o estado de abstinência acontece com drogas, mas também pode ocorrer com a internet. Pesquisadores das universidades de Swansea no Reino Unido e Milão na Itália mostraram que, para aqueles que exageram na internet, ficar um período sem navegar é capaz de mexer com parâmetros fisiológicos como a pressão arterial e frequência cardíaca.

O estudo envolveu cerca de 150 voluntários com idades entre 18 e 33 anos antes e depois de uma sessão de internet. Após o término da sessão, aqueles que tinham o hábito de usar a internet muitas horas por dia tinham um quadro de ansiedade acompanhado de aumento de 3 a 4% da pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os usuários leves e moderados, nenhum deles teve alterações fisiológicas.

Os participantes usavam a internet numa média de 5 horas por dia, 20% usavam mais de seis horas e 40% consideravam que estavam exagerando. Os principais motivos para o uso foram as redes sociais e compras. Homens e mulheres não se comportaram de forma diferente.

Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado que essa abstinência era capaz de piorar os quadros de depressão e sentimento de solidão e ainda diminuir a resistência a quadros infecciosos. Eles também discutem no artigo que deve haver uma atitude responsável no que diz respeito à publicidade dos telefones celulares e outros aparelhos que permitem a navegação na internet.

 

 

 

 

Woman Wearing White Long Sleeve Dress Holding Pink Wedding Bouquet

 

Uma série de pesquisas aponta que não. Uma pessoa tem mais chance de escolher um(a) companheiro(a) quando essa outra pessoa tem o DNA parecido.

 

A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. E a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro.

 

Não faz muito tempo, o periódico Proceedings of the National Academy of Sciences publicou uma pesquisa mostrando que o uma pessoa tem o código genético mais parecido do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento.

 

A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres se sentem mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter comportamento diferente dos demais. Esse estudo foi o primeiro a analisar as semelhanças do código genético entre membros de um casal utilizando todo o genoma.

 

Em janeiro de 2017, outra pesquisa publicada pela revista Nature Human Behavior confirma a tese que DNAs parecidos se atraem. Pesquisadores australianos estudaram os genes de milhares de casais e mostraram uma inequívoca associação entre os genes vinculados a peso e altura de um indivíduo com o peso e altura do(a) parceiro(a). Do ponto de vista evolutivo, isso garante uma maior chance de perpetuação das características fenotípicas à prole.

 

Resumo da ópera. Pessoas com mais semelhanças que diferenças têm mais chance de se atrair para construírem uma relação de longo prazo. Entretanto, vale sempre a pena lembrar que respeitar e incentivar as diferenças pode ser uma das melhores receitas para que essa relação se sustente.

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Por Dr. Ricardo Teixeira*

 

Nesta última semana tivemos a demonstração de que os cachorros são ótimos para o equilíbrio psíquico das crianças em situações estressantes.

 

Pesquisadores da Universidade da Florida submeteram crianças de 7 a 12 anos a uma prova de estresse no laboratório em que podiam contar com a presença do cão de estimação, de um dos pais ou sem nenhuma companhia. Os resultados mostraram que aqueles em companhia dos cães foram os que relataram menor estresse com o teste. Além disso, a menor concentração do hormônio do estresse cortisol na saliva ocorreu entre as crianças que tiveram mais interação com os cães.

 

Entre os adultos, sabemos que aqueles que têm um animal de estimação em casa costumam ser mais integrados à comunidade.  Quanto mais participam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles têm na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.

 

Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que têm cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que têm cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.

 

E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.

 

Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais, e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer muito bem à nossa saúde do corpo e da mente.

 

 

* Dr. Ricardo Teixeira é médico neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

Blue Eyed Man Staring at the Mirror

 

Quando se administra a homens doses do hormônio testosterona, eles passam a tomar decisões mais por instinto, com menos reflexão. Essa é a conclusão de uma pesquisa que será publicada em breve no periódico Psychological Science.

Pesquisadores americanos estudaram 243 homens após a administração de testosterona em gel ou placebo e aplicaram, após quatro horas, testes cognitivos que refletiam a capacidade de reflexão numa dada tarefa. Exemplo: uma bola e um taco custam juntos $1.10 e o taco custa $1.00 a mais que a bola; quanto custa a bola? A resposta intuitiva é $0,10, mas a resposta certa é $0.95.

Após a administração de testosterona, os homens respondiam mais rapidamente, mas erravam 20% a mais do que quando recebiam o placebo. Os resultados evidenciam uma relação inequívoca entre os níveis do hormônio sobre a capacidade de tomas de decisões. Temos evidências que o hormônio reduz a atividade do córtex pré-frontal que é uma região importante na modulação da impulsividade.  A testosterona tem seu papel na autoconfiança, mas algumas tarefas exigem mais reflexão do que ˜coragem˜. O estudo coloca em discussão um efeito pouco discutido pela indústria da reposição hormonal masculina.

PSIQUIATRIA NUVEM shutterstock_222849004
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Pensamos em ter uma mente produtiva, afiada, atenta, e a ideia de fugir da realidade, mesmo que por um pequeno espaço de tempo, pode parecer contraproducente.  Como será possível conciliar o vagar dos pensamentos com toda essas expectativas?
 
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Psychological Science joga uma boa luz nessa questão e faz a gente refletir que esse estado de sonhar acordado pode muitas vezes ser um aliado do nosso desempenho cognitivo, incrementando, por exemplo, nossa criatividade.  
  
Esse estudo acompanhou por uma semana quase 300 estudantes do ensino médio que eram interrogados 8 vezes ao dia se estavam ou não com pensamentos em outras coisas que não estivessem ligadas ao que estavam fazendo num determinado momento. Essa abordagem foi feita inicialmente em laboratório e em outro momento na vida real.
 
Os resultados mostraram que em em 30% das situações os estudantes estavam com a mente em “outras coisas” e isso foi mais frequente na vivência de laboratório, talvez por ser uma experiência pouco estimulante. A variação entre eles não foi pequena, sendo que em um dos voluntários, o pensamento estava em outro lugar em 97% das situações em que foi testado!
 
O principal conteúdo desses escapes mentais dizia respeito a fantasias, problemas e preocupações, tarefas a serem cumpridas e experiências visuais e sonoras do ambiente. Na maioria das vezes, os estudantes estavam com parte da mente conectada às atividades que estavam fazendo.  Nos testes de laboratório, aqueles que tinham melhor capacidade de atenção e os que eram menos ansiosos também sonhavam menos acordados. Parece óbvio? O mais interessante da pesquisa foi a demonstração que no mundo real as coisas foram diferentes.
 
No dia a dia fora do laboratório, os estudantes que tinham piores habilidades executivas e de atenção não apresentaram mais desses escapes. Quando estavam tentando se concentrar, aqueles com melhores desempenhos de atenção ficavam mais ligados na tarefa. Entretanto, quando não estavam forçando a concentração, estes com ótima atenção sonhavam acordados mais frequentemente que os outros. O fator que estava mais ligado à frequência com que os estudantes ficavam vagando com suas mentes foi a capacidade de estar aberto a novas experiências o que refletia uma maior tendência a conteúdos fantásticos. E isso pode ser um grande parceiro da criatividade.
 
Isso tudo nos faz pensar que um cérebro com boa atenção e processamento rápido é importante, mas as fugidinhas do pensamento podem também ser muito interessantes, especialmente para a criação e consolidação da memória. E o que seria do nosso equilíbrio mental sem boas doses de fantasia?
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Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Temos evidências de que uma experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
 
Pesquisadores escoceses e ingleses têm demonstrado nos últimos anos que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados. Nesta ultima semana, pesquisadores das Universidades de York e Edimburgo mostraram que idosos que caminhavam em espaços da cidade em que o verde estava bem presente, intercalado pela ‘floresta de concreto’, apresentaram uma atividade cerebral mais modulada e maiores manifestações de bem-estar quando se comparava a espaços com pouco verde.
 
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
 
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar, e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.

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Um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Florida no periódico Frontiers in Psychology mostrou mais uma vez que meninas são tão boas em matemática quanto os meninos. A novidade é que eles se auto-avaliam melhor. Os meninos acreditam que têm mais habilidade, 27% a mais do que as meninas. Efeito cultural? Sabemos que as mulheres têm mais tendência ao perfeccionismo enquanto os homens são incitados desde cedo a enfrentar desafios.

Os alunos estudados nessa pesquisa estavam no fim do ensino médio, época decisiva na escolha do curso superior. Essa menor confiança das meninas pode explicar em parte o menor numero de mulheres em profissões como engenharia, ciência e tecnologia.

Em 2015, outra pesquisa publicada pela revista Science avaliou 1800 pesquisadores e estudantes de graduação, de 30 diferentes disciplinas. Entre outras perguntas, eles tinham que responder quais qualidades julgavam importantes para alcançar o sucesso em seus ramos.  As áreas em que os entrevistados julgavam que o brilhantismo era fundamental foram também as menos representadas por mulheres. Essa crença leva as mulheres a inconscientemente se afastar desses campos do conhecimento.  Pode também levar à discriminação em exames de seleção.

É bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaapontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

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