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Pequenos intervalos de atividade física podem potencializar o aprendizado na sala de aula. Essa foi a conclusão de um estudo realizado recentemente pela Universidade de McMaster no Canadá. Os pesquisadores estudaram, em adultos, o efeito de três intervalos de 5 minutos de atividade física durante aulas de 50 minutos online. Eles conseguiram demonstrar que esses intervalos aumentavam as capacidades de atenção, retenção de memória e do aprendizado de uma forma geral, imediatamente após a aula e 48h depois. Grupos controle nesse estudo incluíram ausência de intervalos ou intervalos em que os participantes jogavam videogame. Esses resultados já haviam sido demonstrados nas crianças, mas foi a primeira vez entre os adultos.

 

Se isso lhe parecer difícil de ser colocado em prática, lembre-se pelo menos de se levantar da cadeira por uns minutinhos a cada meia hora. Essa simples atitude pode ter um efeito benéfico na prevenção de doenças metabólicas e cardiovasculares e este ano tivemos uma pista que o cérebro também é contemplado com os efeitos benéficos desse hábito. Uma pesquisa da UCLA nos EUA mostrou que as pessoas que ficam longos períodos sentadas têm o volume do lobo temporal mesial reduzido, estrutura crítica para a formação da memória. Isso ocorria mesmo entre os indivíduos que praticavam atividade física de alta intensidade fora do trabalho. Então, se você trabalha sentado, e não der para fazer intervalos de exercício físico, pelo menos se levante para pegar uma água uma ou duas vezes por hora. Que tal?

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Muitas teorias e poucas evidências empíricas, e o fato é que muito ainda se discute se o melhor negócio para uma relação de casal é a independência financeira de cada um ou o contrário. Alguns defendem a ideia de que a dependência financeira, especialmente entre as mulheres, faz com que o casal tenha uma relação mais estável com um maior senso de compromisso com o outro. Outros discutem que, quando os dois são independentes, os afazeres em prol da família ficam em segundo plano e a relação fica mais vulnerável. Mas não é bem isso que uma pesquisa realizada pela Universidade de Cornell nos EUA acaba de mostrar. Os casais que têm mais equilíbrio dos seus ganhos financeiros individuais têm mais tendência a construir uma relação de longo prazo e essas relações duram mais.

Esse é o primeiro estudo empírico que demonstra essa tendência com uma amostra populacional representativa dos EUA através da análise de um período de 17 anos. A pesquisa também revelou que os indivíduos têm mais tendência a passar para o time dos casados ou dos que moram juntos quando ultrapassam certo grau de independência financeira, e isso vale tanto para os homens como as mulheres.

No Brasil, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, apesar de estudarem mais. Entretanto, lentamente as coisas vão se transformando. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), houve pela primeira vez na história uma queda no número de lares em que o chefe de família era o homem. Mesmo com a queda, dos 69.2 milhões de lares brasileiros em 2016, 40.5 milhões tinha o homem como chefe de família. Porém, pode existir um fator cultural que interfere nesses dados, já que os pesquisadores do IBGE não deixam explícito no momento da entrevista que chefe de família quer dizer quem assume a maior parte dos gastos do lar.

 

Close-Up Photography of Woman Wearing Red and Black Scarf

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Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio pode dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário. Temos até evidências que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode levar à perda do volume de substância cinzenta do cérebro e declínio cognitivo.

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Americana de Neurologia aponta também que, quanto mais tarde se dá o início da menopausa, melhores são os indicadores de desempenho cognitivo e o uso de reposição hormonal não teve qualquer influência. Esses resultados não foram válidos para os casos de menopausa cirúrgica, condição em que as mulheres têm os ovários removidos cirurgicamente.

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.

Pile of Covered Books

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O hábito de colecionar coisas, mesmo as que não têm qualquer utilidade à primeira vista, é comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas quanto em primitivas. Tal costume também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em diversas famílias de pássaros, mamíferos e vários tipos de insetos. E o de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem coletar contas de vidro.

A estocagem de alimento faz todo o sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos e até mesmo pelo valor material, como é o caso de obras de arte.

O fato é que, em algumas situações, o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação, o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das quinquilharias. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos e, após a aquisição, são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa.

Várias doenças neuropsiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro, como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.

Em um extremo, podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu pelo menos uma parte dos livros que comprou. No outro extremo, está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que poderiam estar num ferro-velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável coleção de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando.

 

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(foto: Reprodução/Pexels)
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Os neurônios-espelho foram descobertos meio sem querer por pesquisadores italianos ainda na década de 1990. Pela primeira vez constatou-se que a simples observação de ações dos outros era capaz de ativar as mesmas regiões do cérebro do próprio observador. A percepção visual inicia uma espécie de simulação ou duplicação interna dos atos de outros. As mesmas regiões também são ativadas quando o próprio indivíduo executa a ação.

 

Sabe aquela situação em que o carro está parado num cruzamento, faz que vai, mas não vai, e o carro de trás já arrancou cheio de vontade e CRASH? Por outro lado, é mais fácil dirigir na estrada atrás de outro carro. Assistir a um jogo de tênis pode ser visto como um treinamento para quem pratica o esporte. São os comandos automáticos dos neurônios-espelhos. Também são esses neurônios que explicam o que faz o bocejo ser tão contagiante. Videogames violentos podem reforçar, em nível neuronal básico, o prazer em fazer danos.

 

Fazemos mentalmente tudo o que assistimos o outro fazer e o que a neurociência nos tem mostrado é que isso vai muito além de movimentos. Neurônios-espelho foram encontrados nas áreas do córtex pré-motor e parietal inferior, associadas a movimento e percepção, bem como no lobo parietal posterior, no sulco temporal superior e na ínsula, regiões associadas à nossa capacidade de compreender o sentimento de outra pessoa, entender a intenção e usar a linguagem.

 

O cérebro entende através dos neurônios-espelho até mesmo a intenção de uma ação. Uma série de neurônios é disparada ao olharmos para uma imagem de uma mesa bem arrumada e uma mão pegando uma xícara – com a provável intenção de beber o café. Um diferente grupo de neurônios é disparado quando olhamos para a mesma cena da mão pegando a xícara, mas numa mesa desarrumada – com a provável intenção de lavar a xícara.  Sentir nojo ou ver uma pessoa com olhar repulsivo de nojo faz com que neurônios-espelho das mesmas regiões do cérebro sejam estimulados.

 

Dessa forma, neurônios-espelho têm papel essencial na percepção de intenções e na experiência da empatia. É o outro entrando em nosso cérebro – empatia origina-se da palavra grega empátheia, que significa “entrar no sentimento”. Não há muita dúvida que os neurônios-espelho foram cruciais no desenvolvimento de nossas habilidades sociais através de avanços na comunicação e aprendizado. Com eles a informação é espalhada e amplificada colaborando para a promoção da cultura. Alguns cientistas chegam a chamar esses neurônios de DNA da neurociência.

 

O laboratório do pesquisador brasileiro radicado nos EUA  Miguel Nicolelis publicou no fim de março deste ano na revista Scientific Reports o quanto essa sincronização de disparos neuronais entre dois macacos sofre influência da proximidade no espaço entre eles e da hierarquia social. Quanto mais próximo estiver o animal que está desempenhando a ação e quanto mais dominante ele for, maior será essa sincronização. Eles discutem que essa pode ser uma ferramenta preciosa para estimar a eficiência de conexão de grupo de atletas, músicos, dançarinos que desempenham trabalhos que exigem alta coesão social.

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Uma das mais calorosas discussões da neurociência está pegando fogo. A capacidade do cérebro humano adulto de gerar novos neurônios, algo impensável por muitos e muitos anos, foi demonstrada no final da década de 1990. Esta semana, recebi um artigo pelas redes sociais, publicado por um jornal bastante popular, mostrando cinco dicas para se criar novos neurônios, lembrando do potencial que isso pode ter para as temidas doenças neurodegenerativas.

Entretanto, este mês tivemos um balde de água fria nessa ideia após uma pesquisa publicada na disputadíssima revista Nature. Pesquisadores da Universidade da Califórnia nos EUA, em parceria com centros de pesquisa na Espanha e China, demonstraram que a capacidade de um cérebro adulto em produzir novos neurônios é extremamente limitada, é um fenômeno extremamente raro. Eles demonstraram que a neurogênese decai drasticamente na primeira infância e na idade adulta passa a ser praticamente indetectável. Já no cérebro de embriões e recém-nascidos, novos neurônios eram comumente identificados e com uma rápida queda nos primeiros anos da infância, para ser quase inexistente na adolescência.

As cinco dicas que comentei, publicadas no artigo do jornal, realmente fazem o cérebro ficar mais afiado, mas talvez o mecanismo não esteja tão associado à criação de novos neurônios. Essas ações podem tornar os neurônios já existentes mais eficientes. Concordo com as cinco dicas:

– Manter o cérebro sempre ativo. A função faz o órgão;

– Exercício aeróbico;

–  Alimentação inteligente e a dieta mediterrânea é a principal candidata;

– Atividade sexual. Provavelmente por diminuírem o efeito negativo do estresse sobre a função neuronal;

– Ansiedade sob controle. O mesmo mecanismo do item anterior.

 

.adult, alone, black and white

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As redes sociais estão cheias de recados para ficarmos atentos com pessoas com grande nível de estresse e isso realmente parece ter bons fundamentos. No caso de pessoas queridas, acredito que ficar atento não quer dizer abandonar o barco, mas sim ajudar o outro a tentar enxergar o que pode ser mudado para minimizar essa condição.

Recentemente, uma preciosa peça foi colocada nesse quebra-cabeça. Pesquisadores da Universidade de Calgary no Canadá mostraram que camundongos estressados transmitem esse estado a outros que não receberam os estímulos estressantes. Isso já sabíamos. Dessa vez registraram que o cérebro daqueles não expostos ao estresse real apresentaram alterações celulares idênticas aos daqueles que foram expostos. Registraram mudanças nas sinapses de neurônios no núcleo paraventricular do hipotálamo que secretam o hormônio liberador de corticotropina, que por sua vez estimulam a liberação de outro hormônio na hipófise (ACTH) para finalmente provocar a produção do cortisol. O cortisol é considerado o hormônio do estresse e seus níveis elevados estão muito associados a quadros de ansiedade e depressão.

Os pesquisadores foram além. Demonstraram que o efeito negativo nas sinapses foi minimizado após interações sociais com camundongos que até então não tinham participado do experimento. Entretanto, só as fêmeas se beneficiaram. Resolveram também manipular a atividade desses neurônios, tipo ativar ou desativar. Quando esses neurônios eram desativados, toda a sequência de influência sobre os outros foi desativada, mesmo após o estímulo estressante. E quando eles ativaram, o contágio nos outros acontecia, mesmo sem o estresse real.  Essa ativação promovia a liberação de um sinal químico, como se fosse um feromônio de alarme, que é capaz de transmitir a informação para os outros membros do grupo. Isso serve para muitas espécies para comunicar situações de risco. Entre os humanos essa comunicação também parece acontecer, mas em épocas que não precisamos saber que um leão está se aproximando, isso talvez gere mais prejuízos do que benefícios.

A pesquisa foi publicada no prestigiado periódico Nature Neuroscience.

Grayscale Photo of Woman

 

É no mínimo intrigante quando nos deparamos com resultados de pesquisas no Brasil e no exterior mostrando que até 90% das mulheres sofrem de algum grau de tensão pré-menstrual, problema que hoje é mais corretamente chamado de síndrome pré-menstrual (SPM), pelo fato dos sintomas não se limitarem à tensão nervosa, ansiedade e irritabilidade. Outros sintomas comuns incluem alterações no padrão de sono e do apetite, humor deprimido, dor de cabeça, inchaço no corpo e dor nas mamas.

Não é difícil reconhecer o impacto da SPM na vida das mulheres se fizermos uma conta curiosa. A menstruação costuma começar entre os 12 e 13 anos de idade e termina por volta dos 50 anos. Mesmo descontando dois anos sem menstruação em mulheres que têm dois filhos ao longo da vida, contando com o período de amamentação, a mulher experimentará cerca de 450 ciclos menstruais na sua fase fértil. Se considerarmos que os sintomas da SPM duram uma média de 6 a 7 dias por ciclo, fechamos nossa conta com quase 3.000 dias de sintomas durante a vida: oito anos! Resumindo: as mulheres com SPM passam mais de 10% suas vidas com sintomas pré-menstruais.

E sendo a SPM uma condição tão frequente, admite-se que ela possa representar uma vantagem evolutiva que herdamos dos nossos ancestrais e que talvez já não nos sirva muito mais. Nossas ancestrais fêmeas aumentavam suas chances de gerar descendentes devido a um comportamento mais “amigável” na fase fértil e mais “arisco” na fase infértil, como é o caso do período pré-menstrual. Entre os primatas, que apresentam comportamento sexual promíscuo, essa estratégia permite que o macho escolha a fêmea com mais sinais de fertilidade para copular.

Comparadas a mulheres de sociedades coletoras / caçadoras, as mulheres de hoje têm a primeira menstruação quase 4 anos mais cedo, têm menos filhos sendo que o primeiro em idade mais avançada e com períodos de aleitamento mais curtos e têm a menopausa também mais tardiamente. Tudo isso leva a mulher moderna a apresentar três vezes mais ciclos menstruais do que a mulher em ambiente mais primitivo, e, a princípio, pode sofrer até três vezes mais com os sintomas da SPM ao longo da vida.

O mais comum é que os sintomas da SPM sejam leves ou moderados, mas em cerca de 5-8% dos casos os sintomas adquirem sua forma e apresentação mais severa, também chamado de transtorno disfórico pré-menstrual. Nesses casos a mulher apresenta sintomas com significativo impacto no seu trabalho / escola, atividades sociais ou relacionamentos afetivos.

O cérebro está cheio de receptores aos hormônios sexuais em regiões que regulam o comportamento e as emoções, como é o caso da amígdala e o hipotálamo. Entende-se atualmente que mulheres com SPM têm uma maior sensibilidade cerebral às flutuações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual podendo influenciar a liberação de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, comportamento e funções cognitivas, especialmente a serotonina. Sabemos que os sistemas de serotonina são capazes de modular os efeitos comportamentais dos hormônios sexuais (ex: agressividade), fato bem apoiado pelo efeito positivo de medicações que elevam os níveis de serotonina em mulheres com SPM. Além disso, sistemas hormonais que controlam a concentração de água e eletrólitos no corpo também podem ser influenciados pela flutuação hormonal, o que poderia explicar os sintomas de inchaço.

Há muito que se fazer para reduzir o impacto da SPM no dia a dia. Estratégias medicamentosas é que não faltam, passando por suplementação de cálcio, magnésio, vitamina B6, intervenções hormonais e antidepressivos que aumentam as concentrações de serotonina (tanto de forma contínua ou só na segunda metade do ciclo). Além disso, medidas comportamentais são bem-vindas, tais como atividade física e técnicas de relaxamento. Quanto à dieta, é frequente a recomendação de restrição de calorias e fracionamento da dieta, mas não há evidências científicas suficientes para “prescrevermos” uma dieta específica. Além disso, estudos com dietas com alto teor de carboidratos complexos sugerem benefícios às mulheres com SPM, talvez por aumento nas concentrações cerebrais de serotonina. É a história do chocolate como melhor amigo da mulher na fase pré-menstrual.

 

 

Man and Woman Couple Wearing Their Silver Couple Bond Ring

Nas últimas décadas houve um declínio evidente na proporção de pessoas casadas. Já tivemos cifras em torno de 70% na década de 1970 e chegamos em 2014, no Brasil, com 38,6% das pessoas acima de 15 anos casadas e 49,2% solteiras. A região norte tem a maior proporção de solteiros (60,5%), seguida pelas regiões nordeste (56,7%), centro-oeste (48,6%), sudeste (44,3%) e a região sul (44,2%). Quando falamos de união conjugal, independente de papel no cartório, a média nacional é de 56.7%.

Muitos enxergam o casamento como uma decisão que concorrerá com a liberdade e isso ocorre especialmente entre os homens jovens. Entretanto, poucos têm consciência dos benefícios que uma parceria estável traz ao indivíduo. Pesquisas revelam que um projeto de vida a dois tem repercussões positivas em várias dimensões da vida e a seguir elenco alguns números entre os homens casados:

– Melhores salários e mais estabilidade no emprego;

– Vida sexual mais satisfatória. Um estudo americano mostrou que 51% dos homens casados dizem estar extremamente satisfeitos com suas vidas sexuais, comparados a 36% no caso dos solteiros;

– Melhor saúde física e mental. Nos EUA, homens casados vivem em média 10 anos a mais que os solteiros e, quando se fala em felicidade, 43% reportam que estão muito felizes, enquanto apenas 24% dos que moram juntos dizem o mesmo;

– Os casados têm menos exposição a fatores de risco à saúde (ex: álcool e cigarro) e uma melhor saúde. Sobrevivem por mais tempo quando têm um diagnóstico de câncer, Doença de Alzheimer é menos comum entre eles e ainda são mais independentes do ponto de vista físico quando envelhecem;

Quase metade dos casamentos acaba em divórcio, e na maioria das vezes, a mulher é quem toma a decisão. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos e a maior taxa de divórcio é a do Distrito Federal (DF). A menor, três vezes menor que no DF, é a do Amapá.

O psicólogo John Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal e dá 4 dicas quentíssimas para o sucesso do casamento:

* Seja agradável sempre que puder

* Pense no que o outro precisa mesmo no meio de uma disputa

* Preste atenção no outro

* Enxergue o outro como um copo meio cheio e não como meio vazio

1 Us Bank Note

 

Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.

 

Será que as pessoas serão mais felizes se subirem um degrau na sua capacidade de consumo?  Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades mais importantes, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade. Este mês, uma pesquisa publicada na revista Nature Human Behaviour confirmou o paradoxo de Easterlein com uma população bastante generosa com dados do Instituto Gallup envolvendo 1.7 milhões de indivíduos em 164 países diferentes.

 

Os pesquisadores encontraram um teto de renda anual de 60 a 75 mil dólares anuais para o bem-estar emocional, definido como sentimentos positivos no dia a dia. Valores maiores não incrementavam esses sentimentos. Demonstraram também um teto de 90 mil dólares anuais para a experiência de auto-avaliação do curso de vida. O mais curioso é que havia uma menor satisfação com a vida quando esse teto era ultrapassado. Nessa situação as pessoas podem entrar numa roda viva de consumismo e cair na armadilha de ficar de olho na grama verdinha do vizinho.

 

Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, às coisas mais prosaicas.  O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boca antes de engolir.  Nesse caso, as pessoas ainda relatam menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizam imagens neutras.

 

Gastar direito pode ajudar

Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”.  Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.

 

Uma pesquisa muito interessante, publicada no prestigiado periódico PNAS , mostra que as pessoas que gastam dinheiro para ter mais tempo (e.g., serviços de casa) são mais felizes do que aquelas que gastam mais com coisas. O impressionante é que metade dos milionários estudados gasta tempo com atividades que não apreciam e que poderiam ser feitas por outros, desde que paguem por isso. Outro achado importante dessa pesquisa foi que o estado de bem-estar e felicidade esteve associado com essa opção de “comprar seu próprio tempo” em todo o espectro socioeconômico estudado, mesmo entre os que tinham as contas mais apertadas.

 

* vale sempre lembrar que felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro.

Sliced Tuna With Green Leaf Vegetables

Crianças por volta de seus dez anos de idade que consomem peixe pelo menos uma vez por semana dormem melhor e ainda têm uma maior pontuação em testes de QI. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo renomado periódico Scientific Reports. Os pesquisadores recomendam que os pais já poderiam criar esse hábito alimentar nas crianças desde os dois anos de idade para que elas se acostumem, já desde cedo, com esse alimento tão nobre para o cérebro.

Esses resultados foram interpretados pelos autores como tendo uma relação causa e efeito bem possível: melhorando a qualidade do sono, as crianças teriam melhores pontuações nos testes de Q.I. O mais provável é que o fator sono responda apenas parcialmente pelos resultados positivos do consumo de peixe na cognição.

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores, que em última instância, refletem o sucesso em se alimentar, como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

 

 

Fig. 1

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Uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Communications mostra que a análise do seu cérebro pode predizer quais são seus verdadeiros amigos. Os amigos têm respostas neurais similares às suas quando são provocados por estímulos do mundo real através de videoclipes.

 

Os voluntários do estudo eram alunos do primeiro ano de graduação de uma universidade dos EUA e que assistiram no laboratório a vídeo clipes de cenas do dia a dia como ciência, comédia, política e música. A resposta cerebral a esses estímulos, analisada pela Ressonância Magnética Funcional, mostrou que os padrões eram mais parecidos entre amigos, seguidos por amigos de amigos, e assim por diante. O tipo de resposta na neuroimagem era capaz de dizer se dois voluntários eram amigos ou não.

 

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo. Vejam só como os amigos têm influência em nossas vidas:

 

1- A rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo se tornou obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.

 

2- Esse mesmo efeito de contágio social existe na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal para de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também para, 36% mais chance quando um amigo para e 34% mais chance quando um colega de trabalho para.

 

3- O contágio social também exista na capacidade de uma pessoa se considerar feliz. Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficam mais felizes quando passam a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumenta a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não é percebido entre colegas de trabalho. Também existe uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito parece ser mais marcante com amigas do sexo feminino.

 

4- O mesmo fenômeno foi demonstrado quando o assunto é consumo de bebidas alcoólicas. A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não tem a mesma influência. Aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem.

 

5- E é claro que com outras drogas não ia ser diferente. O efeito do contágio social no perfil de uso de drogas entre adolescentes chega a envolver quatro níveis da rede social. Também foi demonstrado esse contágio no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de sete horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%.

 

6- Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo revelando que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.

 

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

black pepper, bowl, clove

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Gosta de comida indiana? Sim? Pois não é que seu cérebro também gosta? Pesquisadores da UCLA nos EUA publicaram este mês os resultados de uma pesquisa mostrando que o suplemento de curcumina em cápsulas, duas vezes ao dia, melhora as funções cerebrais por até 18 meses. Os efeitos antioxidante e anti-inflamatório da substância são os principais candidatos a explicar esses resultados.

 

Os voluntários do estudo eram adultos com idades entre 50 e 90 anos que tinham leves queixas de memória. Além de demonstrar os efeitos clínicos benéficos do suplemento (90mg de curcumina duas vezes ao dia), os pesquisadores mostraram através da Tomografia por Emissão de Pósitrons que o contingente de marcadores patológicos da Doença de Alzheimer, placas beta-amilóides e proteína Tau, eram menores no grupo que recebeu suplemento após 18 meses. A curcumina promoveu melhora nos níveis de atenção, memória e humor somente entre aqueles que receberam o suplemento.

 

Nenhum dos voluntários apresentava depressão e futuros estudos deverão incluir pacientes deprimidos e testar se os efeitos também são positivos nesse grupo de pacientes. Além disso, esses estudos deverão contar com a análise da predisposição genética a desenvolver a Doença de Alzheimer em cada indivíduo. Efeitos colaterais? Raras foram as pessoas que tiveram leves sintomas de diarreia e náuseas, algo que os que receberam placebo também apresentaram.

  Macro Shot of Water Drops on Leaf

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Pesquisadores da Universidade de Brigham Young University nos EUA em cooperação com cientistas de diversas partes do mundo desenvolveram um aplicativo direcionado à cooperação e não à competição e os resultados foram publicados recentemente pela revista Nature Communications.

 

Temos um razoável corpo de incríveis façanhas do computador em jogos de competição, como xadrez ou pôquer, mas muito pouco sobre sua capacidade em cooperar e se comprometer com o outro. E foi isso que os pesquisadores conseguiram mostrar ser possível e até com mais eficiência que o homem. É como se tivessem construído computadores com habilidades sociais.

 

Os pesquisadores testaram esse algoritmo chamado de S# em jogos de dois participantes e compararam o desempenho entre as interações máquina-máquina, homem-máquina, homem-homem. Os jogos refletiam problemas de cooperação estudados pela psicologia, economia e ciências políticas. Na maioria das vezes, a máquina foi mais eficiente que o homem quando se media resultados em que ambas os participantes eram beneficiados.  O par máquina-máquina cooperou mais que homem-homem ou homem-máquina.

 

O algoritmo foi desenvolvido para não enganar, algo que metade dos homens fizeram durante os experimentos. Se não fosse por esse fator, os humanos teriam alcançado resultados semelhantes aos das máquinas. Para isso eles precisariam ser honestos e leais uns com os outros.

 

As máquinas ainda foram programadas para dizer frases que incentivavam atitudes cooperação (e.g., ótimo, estamos ganhando) e desencorajava ações competitivas com a máquina (e.g., você vai pagar por isso!). Essas pequenas frases duplicaram o nível de cooperação dos humanos e eles frequentemente não sabiam dizer se estavam jogando com outra pessoa ou uma máquina.

 

É claro que esses resultados trarão grandes implicações no futuro das relações humanas. Em nossa sociedade, as relações humanas são quebradas a todo instante. Amigos de toda uma vida tornam-se inimigos, parentes viram as costas uns para os outros, e se a máquina pode nos ajudar a sermos mais cooperativos e comprometidos, por que não?

 

 

 

Young tomato

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Em diferentes países e faixas etárias, os homens têm um comportamento menos ecológico que as mulheres. Eles produzem mais lixo, emitem mais carbono e reciclam menos.

 

Alguns estudiosos do tema defendem a ideia que essa diferença pode ser explicada pelo maior altruísmo das mulheres. Entretanto, estudos recentes mostram que os homens pensam no comportamento ecológico como uma coisa feminina. Uma pesquisa envolveu mais de dois mil voluntários americanos e chineses e mostrou que realmente existe um estereótipo de que o comportamento “verde” está ligado à ideia de feminilidade. Os participantes de ambos os sexos acharam que homens ou mulheres que fazem as compras com uma sacola reciclável são mais femininos que aqueles que usam os sacos plásticos. Em outro experimento, os voluntários percebiam que eram mais femininos quando se lembravam de alguma atitude ecológica que tomaram no passado. Os pesquisadores também demonstraram que quando o homem recebe mensagens que reafirmam sua masculinidade, ele tem uma maior inclinação em escolher opções mais ecológicas.

 

Isso pode ter fortes implicações para o marketing. Os homens terão uma maior inclinação a serem ecológicos se percebem que essa escolha está associada a sinais, cores, palavras que evocam a masculinidade.  Homens quando estão mais seguros que são homens terão um comportamento mais verde.

 

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Uma pesquisa publicada pela revista Nature Neuroscience demonstrou que o volume da amígdala, uma das principais regiões cerebrais associadas ao processamento de emoções, é maior entre pessoas que têm maiores redes sociais reais. Já tínhamos evidências que macacos que convivem em grupos maiores apresentam maior volume da substância cinzenta em diversas áreas cerebrais, incluindo a região temporal. Mais recentemente, outro grupo de pesquisadores fez outra pergunta: será que a quantidade de amigos que uma pessoa tem no facebook também tem alguma relação com a anatomia do seu cérebro?
 
Cento e vinte e cinco universitários ingleses com 23 anos em média, todos eles vinculados à rede facebook, foram submetidos a exames de ressonância magnética. As imagens do cérebro foram analisadas com uma técnica especial que mede o tamanho das regiões de interesse – morfometria baseada em voxels.
 
Os resultados apontaram que, quanto maior o número de amigos no facebook, maior o volume de algumas regiões do cérebro. Uma dessas regiões é a própria amígdala, já apontada no estudo anterior como sendo maior entre indivíduos com uma maior rede social de “carne e osso”.   Outras estruturas do lobo temporal também se mostraram mais volumosas, algumas delas ligadas à memória e à capacidade de associar informações (ligar o nome à imagem da pessoa), enquanto outras são associadas a funções como a habilidade de perceber a intenção do outro e de notar que estamos sendo observados.
 
Os pesquisadores investigaram também se o tamanho da rede de amigos online  era proporcional à rede real. Um questionário de três perguntas foi aplicado para estimar o tamanho da rede real: 1) quantas pessoas lhe enviariam uma mensagem convidando para uma comemoração? 2) qual o número de pessoas na sua lista de telefones? 3) quantos amigos da época de escola ou faculdade que você ainda pode ter uma conversa amigável? As respostas indicaram que as redes do facebook e do mundo real eram proporcionais.
 
Uma questão que a pesquisa não pôde responder é se as características do cérebro são causa ou conseqüência da experiência social. É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?
 
Esse último estudo foi publicado pelo periódico Proceedings of the Royal Society B.

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Dividir uma história imaginária pode fazer com que um casal fique mais próximo e isso pode acontecer até mesmo em relacionamentos a distância.

Uma série de pesquisas tem demonstrado que os efeitos desse hábito vão muito além de um passatempo ou diversão quando se pensa na vida de casal. Os casais têm a tendência em transformar a identidade de “eu” e “você” para uma outra compartilhada de “nós”. Uma grande ferramenta para essa transformação é uma rede social em comum, como parentes, colegas de trabalho e amigos em comum. Os casais que têm a oportunidade desse compartilhamento costumam ser mais satisfeitos no relacionamento e têm menos chance de rompimento.

Entretanto, na correria do dia a dia, essa malha social, para muitos casais, torna-se difícil e vivenciar uma história de ficção juntos pode contrabalancear. É como se o casal sentisse inconscientemente que vive inúmeras conexões sociais em comum. Estudos mostram que quanto mais os casais dividem a experiência de filmes e séries mais próximos eles se sentem. Isso foi ainda mais relevante para os casais que dividiam poucos amigos no mudo real. E não é só isso. Os casais que relatam poucos amigos em comum são os que mais desejam vivenciar histórias de ficção juntos.

Psicólogos têm incentivado os casais a assistirem filmes/séries e uma pesquisa de Rochester nos EUA mostrou que aqueles que assistiam e discutiam filmes sobre relações de casais tinham menos chance de se separar após três anos de acompanhamento.

Não podemos dizer ainda que assistir a uma temática sobre relações de casais é mais eficiente do que outro tipo de assunto. Mesmo assim, paro para pensar na experiência da literatura e a capacidade de perceber as emoções dos outros. Obras de ficção literária, leia-se livros premiados, estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo. Na tela da TV não deve ser muito diferente.

 

 

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A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.

 

Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Um estudo publicado este mês apontou que adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas.

 

Os efeitos agudos da maconha no cérebro

O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.

 

Efeitos do uso crônico da maconha

No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.

No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associadas ao uso da droga. O consumo no início da adolescência está associado a menores QIs na idade adulta. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.

Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.

Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis. Para entender ainda mais os efeitos da maconha sobre o cérebro dos adolescentes, um grande estudo está em andamento nos EUA e acompanhará dez mil crianças a partir dos dez anos de idade (Adolescent Brain Cognitive Development Study). Esse estudo nos trará resultados sobre o efeito da maconha em um cérebro em desenvolvimento, reunindo análises genéticas, neuropsicológicas, de neuroimagem e rendimento acadêmico.

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Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (ABIC) em nove capitais, quatro cidades de médio porte e quatro cidades rurais revelou que 94% dos indivíduos maiores de 15 anos bebem café, e 95% desses o consomem diariamente. Entre aqueles que não tomam café, a principal razão apontada é a de que ele pode fazer mal à saúde. O estudo também revelou que 13% daqueles que bebem café pretendem reduzir seu consumo, e a razão principal é a preocupação de que o café possa fazer mal à saúde. Por isso, vale a pena colocar algumas cartas na mesa.

Esta última semana, o British Medical Journal publicou uma pesquisa inédita que reforça aquilo que já tínhamos boas evidencias: 3 a 4 doses de café por dia fazem bem à nossa saúde. Pesquisadores do Reino Unido reuniram os resultados de mais de 200 estudos sobre os efeitos do café sobre nossa saúde e concluíram que podemos tomar café sem medo. Os resultados mostraram que o café promove maior longevidade e menor incidência de inúmeras doenças que elenco a seguir:

– doenças cardiovasculares;

– alguns tipos de câncer, como o de próstata, endométrio, fígado e pele;

– diabetes, cálculos biliares e gota;

– depressão, Doenças de Alzheimer e Parkinson.

As evidências dos benefícios do café descafeinado são menos robustas, mas fizeram a diferença em algumas dessas patologias. A revisão também foi categórica em lembrar que as mulheres devem evitar o café na gravidez e em situações de risco de fratura óssea.

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Por Dr. Ricardo Teixeira*

 

Sabemos que adultos que têm um animal de estimação em casa costumam ser mais integrados à comunidade.  Quanto mais um adulto participa do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas ele tem na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.

 

Nesta última semana a prestigiada revista Scientific Reports do grupo Nature publicou os resultados de uma pesquisa que envolveu três milhões e meio de indivíduos na Suécia acompanhados desde o ano de 2001. Aqueles que tinham um cachorro como animal de estimação viveram mais! Tiveram menor incidência de doenças cardiovasculares, mas também de outras doenças. O interessante é que os que moravam sozinhos com o cachorro foram os que mais se beneficiaram. Além disso, esse efeito protetor foi maior entre os que tinham cães de caça.

 

 

As crianças também se beneficiam da presença do animal. Os cachorros são ótimos para o equilíbrio psíquico delas em situações estressantes. Durante uma prova de estresse em laboratório, a presença do cão de estimação conferiu uma resposta de estresse menor até mesmo quando comparada à presença dos pais.

 

Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais, e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer muito bem à nossa saúde do corpo e da mente.

Apoio

Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas e sextas 11:05h

Também às segundas no Correio Braziliense

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