
Ricardo Afonso Teixeira*
Um recente estudo do MIT analisou o desempenho de estudantes e seus sinais eletrencefalográficos enquanto faziam uma redação com ou sem o ChatGBT. A inteligência artificial (IA) reduziu o engajamento dos estudantes fazendo com que eles tivessem menor capacidade de falar sobre o que escreveram. Linguistas que avaliaram as redações em que o ChatGBT foi usado classificaram os textos como privados de alma. Além disso, os sinais eletrencefalográficos dos que usaram a ferramenta eram menos robustos, refletindo uma menor conexão entre as diferentes regiões do cérebro.
Uma série de estudos têm apontado também que profissionais experientes passam a ter menos habilidades após um período em usam da IA. Isso já foi demonstrado entre médicos e engenheiros de software, por exemplo. Uma enquete conduzida nos EUA mostra que até 80% de profissionais na área de saúde, por exemplo, têm receio de perder capacidades técnicas pelo hábito de se apoiarem na IA. Já temos evidências robustas também de menor desempenho de memória numa tarefa quando as pessoas confiam que terão acesso à internet, fenômeno chamado de efeito Google. O uso do GPS faz com que as pessoas passem a ter uma menor eficiência na capacidade de navegação.
Sócrates alertou de que a escrita comprometeria a memória. No século passado houve grande preocupação de que a calculadora viria a atrapalhar nossas habilidades matemáticas simples, mais recentemente o efeito Google foi demonstrado e agora temos a insegurança de como o cérebro será influenciado pela IA. Sigo acompanhando o norte do psicólogo educacional dinamarquês Guido Makransky que defende que a IA será ótima para guiar os estudantes a ampliar suas perguntas reflexivas e não para dar-lhes as respostas.
*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília





















