You are currently browsing the category archive for the ‘!! ConsCiência no Dia-a-Dia !!’ category.

Red and White Dart on Darts Board

.

Quando pensamos em sucesso vêm às nossas mentes conceitos como boas ideias, trabalho duro, disciplina, criatividade, imaginação, perseverança e até sorte. O que uma pesquisa recente publicada pela Nature nos aponta é que os fracassos devem fazer parte dessa lista também. Mas não é qualquer fracasso. São aqueles que fazem a gente nos aprimorar para as próximas tentativas e que estas não demorem a acontecer.

Os autores do estudo mostram que o que separa os “winners” dos “losers” não é a persistência. Ambos tentam o mesmo número de vezes para alcançar o objetivo, só que os “winners” chegam lá. Eles trabalham duro da mesma forma, mas de forma mais esperta. Os fracassos servem de guias para o aperfeiçoamento para a próxima tacada. Não agem com impulsividade diante de uma batalha perdida. Estão pensando em vencer a guerra. Os “losers” não necessariamente trabalham menos, mas fazem mudanças de táticas além do necessário.

Outro ponto que diferenciava os projetos de sucesso foi a rapidez com que as novas tentativas aconteciam. Quanto mais rapidamente você perceber o fracasso e se organizar para uma próxima investida, melhor. O orientador da minha tese de doutorado, Fernando Cendes, me introduziu esse conceito de forma muito convincente. “Ricardo, se você não encontrar os resultados que procura nessa amostra de 20 indivíduos, não adianta procurar em outros cem. Mude sua tática”.

As conclusões do estudo não querem dizer que disciplina e sorte, por exemplo, não tenham seu valor. Mas se todos têm esses atributos de forma equânime, usar o fracasso de forma inteligente e rápida faz toda a diferença. Os pesquisadores estudaram milhares de pedidos de financiamento de pesquisa e desempenho de startups. Curiosamente avaliaram também o “sucesso” de terroristas e atentados sem mortos foram considerados fracassos. Os resultados foram aplicáveis para esses três diferentes universos e provavelmente para muitos outros que não foram estudados aqui.

White and Blue Crew-neck T-shirt

.

A história que veremos abaixo já foi demonstrada também no tratamento de dor crônica, rinite alérgica, enxaqueca e síndrome do intestino irritável. Dessa vez o caso foi com a ansiedade antes de fazer uma prova. O uso do placebo, mesmo que o voluntário saiba que é placebo o que está usando, pode trazer benefícios em todas essas condições.

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico Scientific Reports apontou que voluntários que usam pílulas de placebo por duas semanas antes de uma prova apresentam menos ansiedade na véspera da prova e ainda se sentiam mais confiantes. O curioso é que eles sabiam mesmo que era placebo. Eram instruídos que placebo pode ter efeitos significativos e que, se fossem sorteados a usá-los, deveriam ter um pensamento positivo para potencializar seu efeito.

 

Mas por que o placebo funciona? Uma possível explicação é a de uma resposta condicionada. Em alguns momentos da vida os voluntários tiveram boa experiência com o uso de pílulas “verdadeiras” e que, ao usar o placebo, esses mesmos resultados repetiram-se. Outra explicação é a de que o uso diário do placebo fez com que os participantes passassem a pensar mais na ansiedade durante a prova promovendo a sensação de que estavam fazendo algo para evitá-la. É claro que tudo isso se dá na nossa mente, no nosso cérebro.

 

Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balançada naquilo que a comunidade científica até então entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doença de Parkinson receberam medicação específica para a doença (levodopa) ou pílulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medicação como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta clínica, demonstraram aumento das concentrações de dopamina no cérebro.

 

Em outro estudo mais recente, publicado pela revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo mostraram que pacientes com a Doença de Parkinson que tinham boa resposta ao placebo apresentavam aumento de dopamina no cérebro em regiões que são comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator “expectativa positiva” pode ter um importante papel no efeito placebo.

 

Em quadros de dor, também há evidências de que o placebo muda quimicamente o cérebro, dessa vez através da liberação de opióides endógenos, efeito que pode ser desfeito através de medicações que bloqueiam o efeito de medicações opióides. As mudanças químicas também ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante às drogas que aumentam a concentração de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condições, a “expectativa positiva” também parece ser a forma como o cérebro faz com que o efeito placebo funcione.   E essa parece ser a explicação do porquê de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras não. Há evidências de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas, e têm maior ativação do sistema de recompensa cerebral, não só na situação de tratamento, mas também em situações de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.

 

Em 2016, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.

 

 

 

Woman Listening on Headphones

.

O cérebro humano é capaz de reconhecer uma música familiar em menos de um segundo. Pesquisadores da University College of London demonstraram recentemente que, quando se trata de uma música familiar, o cérebro é capaz de reconhecê-la em 100 a 300 milissegundos, apontando o grau que essas músicas estão presentes em nossa memória. O estudo foi publicado no final de outubro na conceituada revista Scientific Reports.

Os voluntários da pesquisa listaram cinco músicas que tinham bastante familiaridade e os pesquisadores escolheram uma delas. Os pesquisadores ainda escolhiam uma música desconhecida pelos voluntários, mas que tinham a mesma estrutura de melodia, ritmo, instrumentação, de vocais e harmonia. Ao apresentarem por menos de um segundo as músicas conhecidas e desconhecidas de forma aleatória, evidenciou-se que as músicas familiares provocavam respostas do sistema nervoso central entre 100 e 300 milissegundos, algo que não aconteceu com as músicas desconhecidas. Essa resposta cerebral foi medida através de eletrencefalografia e dilatação pupilar, refletindo respostas de excitação a estímulos emocionalmente relevantes. Um grupo controle foi composto por estudantes asiáticos que só experimentaram músicas desconhecidas e essas respostas rápidas não ocorreram em nenhum dos voluntários.

Os achados, além de expandirem o conhecimento da neurociência, podem ter aplicações em uma série de intervenções terapêuticas baseadas na música. Doença de Alzheimer é um exemplo de futuras aplicações, condição em que a memória musical é desproporcionalmente bem preservada.

E por falar em música, o periódico Current Biology publicou um estudo muito interessante este mês, conduzido pelo Instituto Max Planck na Alemanha e colaboradores, mostrando que as músicas que julgamos prazerosas são aquelas em que existe um balanço entre surpresa e previsibilidade. Sentimos prazer quando estamos certos quanto ao próximo acorde e somos surpreendidos com algo bem diferente. Ao mesmo tempo, é prazeroso quando estamos incertos quanto aos próximos acordes e ouvimos algo previsível. Os pesquisadores mapearam as regiões do cérebro envolvidas nessa interação sinergística (amígdala, hipocampo e córtex auditivo), sendo que o nucleus accumbens mostrou-se ativado apenas com o fenômeno da incerteza.

People Sitting Beside Table

.

Um estudo recém-publicado na revista The American Journal of Clinical Nutrition por pesquisadores da Universidade de Birmingham na Inglaterra avaliou o conjunto de 42 pesquisas que investigaram o efeito social da ingesta durante uma refeição. Os resultados nos mostram um fenômeno de “facilitação social” quando fazemos uma refeição com parentes ou amigos. Em outras palavras, comemos mais quando estamos acompanhados por pessoas conhecidas.

Esse efeito é visto como um comportamento ancestral de caçadores / coletores em que a refeição compartilhada é um momento de se proteger para um futuro próximo de insegurança alimentar. Além disso, a refeição compartilhada é mais prazerosa e, ao oferecer alimento para o seu grupo, ligações sociais são reforçadas. Uma má divisão do alimento pode levar ao ostracismo aquele que come mais. Dessa forma, com o instinto de modular as alianças entre as pessoas do grupo, os que comem menos acabam tendo uma maior ingesta quando em companhia dos seus pares.

A facilitação social não ocorre quando comemos com pessoas que temos pouca intimidade, pois queremos passar uma boa impressão para os estranhos. Isso é particularmente pronunciado entre mulheres que querem passar uma boa imagem para o homem e entre mulheres obesas que não querem ser taxadas de comilonas por desconhecidos ou quase desconhecidos.

100 and 50 Brazilian Reais Banknotes

.

Por Dr. Ricardo Teixeira

.

Uma pesquisa que acaba de ser publicada pelo jornal Neurology da Academia Americana de Neurologia mostra que os jovens que passam por redução de ganhos financeiros anuais maior que 25% têm um cérebro menos afiado ainda na meia idade.

 

O estudo envolveu mais de três mil jovens americanos com idades entre 23 e 35 anos que foram acompanhados por 20 anos. O grupo de jovens que apresentou dois ou mais períodos de queda dos proventos (>25%) apresentavam menor desempenho nos testes cognitivos mesmo quando se ajustava fatores como escolaridade, atividade física, tabagismo e hipertensão arterial. Cerca de 700 voluntários também foram submetidos a exames de neuroimagem no início do estudo e 20 anos depois. Aqueles com maior instabilidade financeira tiveram maior redução do volume cerebral e uma piora do padrão de conectividade entre as diversas regiões cerebrais.

 

São várias explicações possíveis para esses achados. As reduções de proventos podem dificultar o acesso à assistência médica e consequente déficit de tratamento de problemas de saúde. Estudos anteriores mostram que condições financeiras desfavoráveis aumentam o risco de doenças como depressão, ansiedade, obesidade, hipertensão arterial, que por si só já estão associados a um menor desempenho cognitivo. A instabilidade financeira pode reduzir as oportunidades de estímulos cerebrais saudáveis como incrementos na educação formal, um trabalho desafiador, atividade física, lazer, etc.

 

Os autores nos lembram de que políticas que minimizam esses altos e baixos de rendimentos, como seguro desemprego, podem favorecer a saúde cerebral da população. Mais de um terço dos lares americanos apresentou redução dos proventos maior que 25% entre os anos de 2014 e 2015.

.

 

Imagem relacionada.

Sabemos que o excesso de trabalho intelectual deixa nosso cérebro cansado, fazendo com que tenhamos comportamentos mais impulsivos e uma menor atividade de uma região frontal do cérebro que modula nossas funções executivas e de tomada de decisões. Um estudo recém-publicado pelo periódico Current Biology nos mostra que o exagero na atividade física provoca o mesmo efeito.

O estudo nos sugere uma conexão entre o esforço físico e mental: ambos requerem controle cognitivo. No caso de atletas de resistência, as várias horas que mantêm fazendo a atividade necessitam do cérebro para manter o esforço físico e alcançar a meta distante. O cérebro precisa trabalhar para não deixar o corpo parar quando os músculos e as articulações começam a doer. A pesquisa foi conduzida pelo instituto que treina os atletas olímpicos na França e os voluntários eram triatletas que passaram três semanas fazendo um treino 40% mais intenso que o habitual.

 

Resultado de imagem para sono van gogh

.

Uma boa parte das pessoas que tem o hábito da siesta diz que, na verdade, é a reposição de um sono atrasado. Aqueles que trabalham em turno invertido podem tirar os cochilos como forma de se preparar para uma noite de trabalho. Outros vão responder que fazem a siesta por puro prazer. Mas o fato é que a siesta traz muitos benefícios à saúde.

 

Os ganhos à saúde vascular são incontestáveis. O jornal Heart acaba de publicar uma pesquisa mostrando que a soneca uma a duas vezes por semana reduz para quase metade o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral. E os benefícios se estendem também às funções cerebrais não vasculares.  O hábito de tirar um cochilo de uns 20 minutos depois do almoço melhora o humor das pessoas e dá uma turbinada nas funções cognitivas como memória, atenção, raciocínio lógico e tempo de reação. Outro fato interessante é que os “siesteiros” têm um sono noturno mais reparador.

 

Dez minutos já é uma soneca boa, mas parece que as de 20 minutos são melhores ainda. Siestas mais prolongadas não são recomendadas, pois deixam as pessoas com “ressaca” ao acordar de um sono que atingiu estágios profundos.  Além disso, siestas longas podem atrapalhar o sono durante a noite.  Para melhor sincronia com o relógio biológico, o horário ideal gira em torno de duas às quatro da tarde.

 

É bastante tentador imaginar que no mundo contemporâneo, com todo o estresse que vivemos, temos menos chances de ter o hábito da siesta quando comparados aos nossos ancestrais. Mas a história parece que não é bem assim. O registro da rotina de sono de comunidades de caçadores-coletores na Namíbia, Tanzania e Bolívia que vivem sem luz elétrica apontou que eles, como a maioria de nós, não têm o hábito de tirar cochilos durante o dia.

 

Por fim, para aqueles que sofrem de insônia, deixem a siesta para os outros.

Woman Wearing Brown Overalls Near Brown Tree

 

Sabemos que pessoas otimistas são mais felizes e uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores de Boston nos EUA aponta que elas também têm vida mais longa. Eles acompanharam mais de 70 mil indivíduos por até três décadas e mostraram que, independente dos hábitos de vida ou doenças, os otimistas vivem de 11 a 15% mais que os pessimistas e têm 50-70% mais chance de alcançar a idade de 85 anos.


Um otimista é aquele que tem expectativa de que coisas boas vão acontecer no futuro e que muita coisa pode ser feita para que essas coisas aconteçam. O interessante é que o grau de otimismo pode ser modificado através de técnicas e terapias relativamente simples.   

 

É fato que os otimistas têm melhores marcadores de saúde. Apresentam menores índices de doença cardiovascular, doenças infecciosas, ansiedade e depressão, e vivem mais quando acometidos por doenças como câncer e AIDS. Além disso, já foi demonstrado que pessoas mais otimistas têm maior tendência a assumir hábitos de vida saudáveis. Vale repetir que os resultados do presente estudo mostram que o efeito positivo do otimismo foi independente desses fatores.

 

Pesquisas apontam que cerca de 80% das pessoas superestimam as chances de eventos positivos quando têm que predizer o futuro. Esse é um fenômeno inerente da natureza humana e é observado independente do gênero, da raça, idade e nacionalidade. Pesquisas também mostram que as pessoas com quadros depressivos são as únicas que não apresentam essa expectativa otimista superestimada do futuro. Aqueles com um quadro de depressão leve não apresentam expectativas desviadas nem para o lado positivo, nem para o negativo. Já aqueles com depressão grave enxergam o futuro de uma forma negativa exagerada.

 

E por que o ser humano é tão otimista? Uma explicação bem interessante é a de que, ao adquirirmos a consciência sobre o futuro, passamos a conviver de forma mais intensa com a ideia de nossa finitude e nossas fragilidades. Ilusões otimistas criam um equilíbrio para que toda nossa consciência não atrapalhe a dinâmica da vida.

Dark Green Leafed Plant

.

Pesquisa realizada pela Universidade de Sydney na Austrália aponta que a medicação Mevatyl é eficaz no tratamento de pacientes dependentes da maconha com poucos efeitos colaterais. O Mevatyl é um composto derivado da maconha com concentrações equivalentes de canabidiol e a substância psicoativa tetrahidrocanabinol.

 

A medicação é liberada pela Anvisa desde o ano de 2015 e é usada no tratamento em casos de epilepsia de difícil controle e espasticidade na esclerose múltipla. Tem um custo alto e cada paciente necessita de autorização da Anvisa mediante cadastro e relatório médico. Outros transtornos neurológicos têm sido tratados com a medicação, mas para a liberação da medicação pela Anvisa, outros tratamentos mais convencionais já devem ter sido tentados.

Man in Blue and Brown Plaid Dress Shirt Touching His Hair

.

É bem reconhecido que as pessoas que sofrem de transtornos mentais têm um risco maior de inúmeras doenças que diminuem significativamente a expectativa de vida. Estamos falando de diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, transtornos do sono, além de hábitos deletérios à saúde como tabagismo, excesso de álcool, sedentarismo e uma dieta pouco saudável. Pesquisadores da Universidade de Queensland da Austrália publicaram recentemente na revista The Lancet Psychiatry uma análise dos estudos relevantes sobre o tema com propostas para a melhora desse quadro.

Uma em cada cinco pessoas no mundo sofre de algum transtorno mental e, de acordo com os pesquisadores, a expectativas de vida é 18 anos menor entre eles. Contrário ao pensamento popular, essa diferença na expectativa de vida não se dá meramente por aumento nos índices de suicídio. Ela acontece majoritariamente por maus hábitos de vida e doenças orgânicas que são mais prevalentes nessa população. Os autores da pesquisa ainda encontraram uma escassez de estudos robustos que tenham analisado fatores de risco para doenças infecciosas e efeitos orgânicos no longo praza das drogas psiquiátricas.

O documento chama a atenção de todos os envolvidos no tratamento da doença mental, sugerindo uma equipe multidisciplinar que vá além do psiquiatra, psicólogo e enfermeira, mas que inclua profissionais da nutrição, educação física e clínica médica. Faz uma provocação para que os psiquiatras ajudem mais nos problemas ditos “orgânicos” dos seus pacientes e que os governantes se sensibilizem com essa situação que podemos dizer sem pensar que é dramática.

 

 

Close-up of Coffee Cup

.

É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações. A enxaqueca é uma condição neurológica que afeta cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens e é a terceira doença mais prevalente no mundo, acometendo mais de um bilhão de pessoas.

 

É estimado que cerca de 90% dos pacientes reconhecem ao menos um fator que desencadeia suas crises e mais de 80% deles reconheciam múltiplos fatores. Esses fatores são chamados de gatilhos e os mais citados são a menstruação, o estresse emocional, privação ou excesso de sono, alguns tipos de odores, jejum prolongado e o clima, especialmente o calor. Quase 20% reconhecem algum alimento como gatilho das crises, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns são a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.

 

Falando agora especificamente sobe o consumo de bebidas que contêm cafeína, existe uma dose segura? Uma pesquisa publicada recentemente pelo prestigiado periódico JAMA aponta que até duas porções de bebidas cafeinadas  por dia é uma dose segura que não provoca piora das crises de enxaqueca.

 

O estudo foi conduzido pela Universidade de Harvard nos EUA e acompanhou por seis semanas 98 pacientes adultos com crises de enxaqueca frequentes. Duas doses de bebida cafeinada eram o equivalente a dois copos de 230 ml de café, duas xícaras de chá de 170ml, duas latas de refrigerante tipo cola ou duas porções de 60ml de energético. As duas doses por dia não conferiam piora das crises entre aqueles tinham o hábito de consumir tais bebidas, mas no caso das pessoas que raramente as tomavam, mesmo uma dose por dia já foi deletéria para o controle das crises.

 

Na enxaqueca, é de extrema importância a identificação dos gatilhos de crises e deve-se tentar evitá-los quando possível. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas. No caso do cafezinho, até duas doses por dia, para quem o toma regularmente, parece ser uma quantidade segura.

 

 

People Wearing Backpacks

.

Tenho atendido no consultório, quase que semanalmente, estudantes do ensino médio de uma escola aqui de Brasília que prega o desempenho acima de tudo. Os pais dizem que no terceiro ano é esperado que se o aluno não tiver notas adequadas para contribuir ao final do ano para os índices de sucesso da escola na aprovação no ensino superior, este aluno é convidado a deixar a escola no meio do ano letivo. A escola ainda difunde bordões como “aqui você não tem colegas, você tem concorrentes”.

Muitos desses adolescentes não aguentam a barra e têm um desequilíbrio de uma das coisas que temos de mais precioso: a saúde mental. E sem esse equilíbrio o desempenho acadêmico fica bem afetado. Para refletir um pouco sobre esse assunto, veja o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico Proceedings of te National Academy of Sciences que mostrou o sucesso de uma intervenção de apoio psicológico de uma escola sobre o desempenho de seus estudantes.

Na transição do quinto para o sexto ano, estudantes americanos foram submetidos a uma dinâmica para facilitar a adaptação na passagem do quinto para sexto ano. Já no início do ano letivo, eles participavam de exercícios na sala de aula que trabalhavam a ideia de que qualquer tipo de angústia que eles poderiam estar passando era algo que acontecia com quase todos eles. Deixava claro que eles teriam todo suporte da escola do ponto de vista psicológico e social, e que era um momento em que eles fariam novos amigos e se adaptariam em pouco tempo com as demandas acadêmicas.

O resultado dessas intervenções, que foram apenas dois encontros na sala de aula, rendeu, comparado a um grupo que não as recebeu, 34% de redução de problemas disciplinares, aumento de 12% na frequência escolar e redução de reprovação de 18%. Os alunos passaram a confiar mais nos professores, solicitando mais ajuda para suas inquietações, e a ter menos preocupação com as provas. Passaram também a sentir que faziam mais parte da escola.

Essa intervenção teve um ótimo custo-benefício e pode ser replicada em qualquer escola, especialmente nos momentos de transição que são os mais críticos do ponto de vista psicológico.

Woman Sleeping on Mattress Covered With Blanket

.

Você chega do trabalho inconformado com aquela puxada de tapete ou está preocupado se vai conseguir fechar as contas do mês, ou ambos. Essas situações desagradáveis e apreensivas disparam o alarme do cérebro que é o sistema límbico, especialmente as amígdalas. Para o cérebro continuar a funcionar bem, esse alarme deve ser desativado e dormir pode ser um santo remédio. Pesquisadores holandeses demonstraram recentemente que o sono REM, aquele em que acontecem nossos sonhos, precisa estar bem preservado.

Durante o sono REM nosso cérebro é de certa forma desconectado do corpo para que a gente não encene nossos sonhos. Muitas doenças psiquiátricas estão associadas a um sono REM desajustado e agitado e estudos mostram que isso influencia negativamente a neuroplasticidade. Há pessoas que têm esse mecanismo de desconexão ainda mais ineficiente e podem chegar a agredir quem dorme ao lado, se o sonho for de uma luta, por exemplo. Nesse recente estudo, os pesquisadores apontaram que as pessoas portadoras de transtornos do sono REM têm ainda uma incapacidade de desligar o alarme do sistema límbico e isso implica na dificuldade do cérebro em se adaptar e se recuperar de eventos estressantes com o simples ato de dormir. Já aqueles que tinham o sono REM eficiente tinham os benefícios da desconexão límbica noite após noite, mesmo que o estímulo desagradável fosse mantido.

Os achados foram publicados na prestigiada revista Current Biology e podem ser de grande utilidade para a maioria das pessoas que sofrem de algum transtorno mental e que também apresentam transtorno do sono REM. Melhorar o sono REM pode ajudar a desligar o alarme límbico e a processar melhor as memórias com conteúdo emocional.

Woman Sitting in Front of Macbook

.

Por Dr. Ricardo Teixeira

 

.

As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Mas será que o aprendizado de quem usa o laptop na sala de aula é melhor? Mais nem sempre é melhor.

 

Pesquisadores das universidades de Princeton e Los Angeles nos EUA têm demonstrado que os alunos aprendem mais quando anotam no papel. Eles testaram em centenas de alunos dessas duas universidades, após uma aula, a memória factual, compreensão do conteúdo e habilidade em sintetizar a informação. Metade anotava a aula no papel e a outra no laptop. Os que anotaram no papel realmente tiveram melhor desempenho.

 

Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.

 

Mas e se os alunos fossem instruídos a usar o laptop sem tentar copiar o que o professor fala? Não adianta. Os pesquisadores pediram que os alunos digitassem no laptop um conteúdo com as próprias palavras, mas não melhorou. Continuaram a escrever as palavras do professor e o desempenho foi o mesmo.

 

Mas será que por conseguirem digitar mais conteúdo, os usuários do laptop terão vantagens na hora de estudar para a prova uma semana depois? Também não. Mais uma vez a turma do papel se saiu melhor.

 

No caso das crianças, a importância do lápis e papel nas mãos ainda é mais crítica. Até o sexto ano, as crianças escrevem mais rápido com o lápis do que com o teclado e conseguem exprimir mais ideias em um determinado tempo. Especialistas defendem a ideia de que as crianças pensam melhor quando escrevem com lápis e isso é corroborado por estudos que mostram maior atividade cerebral com essa forma de escrita. E o que é melhor? Letra de forma ou cursiva? O Ministério da Educação no Brasil tinha uma postura em 2017 que quanto mais formas de escrita a criança dominar, melhor para ela, sem obrigatoriedade do ensino da cursiva. O ENEM aceita os dois tipos. Nos EUA, quatorze estados, hoje, incluem escrita com letra cursiva como matéria obrigatória.

 

Se ainda formos comparar o papel com um laptop com a internet ligada, aí a goleada deve ser muito maior. Estudos mostram que os alunos usam 40-60% do tempo do laptop na sala de aula com “outras coisinhas” na internet. Um estudo recente da Universidade de Michigan State com estudantes de graduação em psicologia descortinou alguns números importantes sobre o assunto. Eles mostraram que os estudantes passavam dois terços do tempo na sala de aula ligados a atividades não acadêmicas na web, como redes sociais, email, compras, jogos, etc – 40 minutos a cada 100 minutos de aula. Como previsto, o desempenho acadêmico foi inversamente proporcional ao tempo de uso do laptop para fins não acadêmicos. Por outro lado, o uso da web como ferramenta de apoio ao aprendizado era usado por apenas 5 minutos dentro dos 100 minutos de aula. Além disso, os estudantes ainda passavam em média 27 minutos dos 100 digitando mensagens no celular. Desse jeito aprender passa a ser um milagre!

.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

Woman Using Ipad

.

Um dia desses conheci uma senhora que perdeu o emprego para um robô. Isso já está acontecendo. Ela fazia serviços de limpeza em um shopping e descreveu as habilidades da máquina para fazer o mesmo serviço. O robô jogava o produto de limpeza no chão, esfregava e depois secava.

 

Com o crescente desenvolvimento nas próximas décadas da inteligência artificial e da robótica, já é esperado que o trabalho fique cada vez mais escasso e já se discute como será essa adaptação. O velho modelo de 40 horas de trabalho semanal não será mais viável. O trabalho precisará ser redistribuído.

 

O impacto positivo do trabalho na vida das pessoas vai além do fator econômico. Estamos falando de incremento na autoestima e socialização. A ciência busca medir a dose recomendável de muitas coisas do nosso dia a dia, como sono e atividade física, mas agora, pesquisadores ingleses das Universidades de Cambridge e Salford identificaram uma dose ideal de trabalho que promova o bem-estar psíquico. A pesquisa foi publicada recentemente no periódico Social Science and Medicine e mostrou que oito horas de trabalho por semana é um número que já produz os efeitos psicológicos positivos apontados acima. Oito horas é melhor do que quatro, melhor do que estar desempregado e mais do que oito horas não trazem ganhos psicológicos e maior satisfação com a vida.

 

 

A pesquisa incluiu 70 mil ingleses com idades entre 16 e 64 anos e que foram acompanhados por uma década. Os autores do estudo acreditam que em uma década a semana de trabalho dos ingleses deverá ser reduzida para quatro dias e dão sugestões para esse futuro que já não está distante:

 

– finais de semana de cinco dias;

– poucas horas de trabalho por dia;

– férias de meses de duração ou dois meses de férias a cada mês trabalhado.

 

Que tal?

Photo of a Man Sitting Under the Tree

.

Temos inúmeras evidências do quanto a natureza é benéfica para nosso cérebro e nosso equilíbrio psíquico. Quando se pensa no cortisol, hormônio produzido pelas glândulas supra-renais e associado ao fenômeno do estresse, sabemos também que o contato com o verde inibe a produção desse hormônio. Indivíduos que passeiam por áreas arborizadas têm menor produção de cortisol do que aqueles que faxem o mesmo numa rua comercial agitada.  Mas qual o tempo mínimo de contato com o verde para se ter esse efeito anti-estresse?

 

Recentemente o periódico Frontiers in Psychology  publicou uma pesquisa demonstrando que esse benefício já acontece com 20 minutos de uma vivência em ambiente arborizado no perímetro urbano, independente de atividade física.

 

Na última semana, um estudo ainda mais robusto foi publicado na revista Scientific Reports envolvendo quase vinte mil voluntários mostrando que o contato com a natureza, a partir de 120 minutos por semana, faz com que as pessoas tenham uma maior auto percepção de saúde e bem estar. O máximo benefício ocorre entre 200 e 300 minutos por semana e o efeito foi semelhante quando a pessoa tem essa vivência de 200 minutos em um só dia ou em parcelas de 30 minutos todos os dias da semana, por exemplo.

 

Alguns países como a Finlândia, Japão e Coréia do Sul já entenderam bem o recado e têm programas de “banhos de floresta” como forma de promoção da saúde. São muitos os benefícios já demonstrados com essas “pílulas de natureza”. Além da promoção do equilíbrio psíquico, temos ganhos na atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa. Também temos menores índices de doença cardiovascular, obesidade, diabetes, hospitalização por crises de asma e, finalmente, menor mortalidade.

Resultado de imagem para the opposites attract themselves

.

Por Dr. Ricardo Teixeira

.

Uma série de pesquisas aponta que não. Se você apresentar rapidamente a uma pessoa uma série de rostos desconhecidos, e incluir uma foto da própria pessoa manipulada e com aparência do sexo oposto, esta será considerada uma das fotos mais atraentes (New Scientist 2002). E mais: uma pessoa tem mais chance de escolher outra para uma relação de longo prazo quando ela tem um DNA parecido.

 

A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. E a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro.

 

Não faz muito tempo, o periódico Proceedings of the National Academy of Sciences publicou uma pesquisa mostrando que uma pessoa tem o código genético mais parecido com o do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento.

 

A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres se sentem mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter influência diferente. Os estudos que sugerem uma maior atração por pessoas com o código genético parecido analisaram todo o genoma.

 

Em janeiro de 2017, outra pesquisa publicada pela revista Nature Human Behavior confirma a tese que DNAs parecidos se atraem. Pesquisadores australianos estudaram os genes de milhares de casais e mostraram uma inequívoca associação entre os genes vinculados a peso e altura de um indivíduo com o peso e altura do(a) parceiro(a). Do ponto de vista evolutivo, isso garante uma maior chance de perpetuação das características fenotípicas à prole.

 

Resumo da ópera. Pessoas com mais semelhanças que diferenças têm mais chance de se atrair para construírem uma relação de longo prazo. Entretanto, vale sempre a pena lembrar que respeitar e incentivar as diferenças pode ser uma das melhores receitas para que essa relação se sustente.

 

adult, beard, cigarette

.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

.

Atendo no consultório recorrentemente adolescentes com transtornos psiquiátricos associados ao consumo da maconha. Usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína. E não para por aí. Adolescentes com uso esporádico ou frequente têm um risco 26 vezes maior de usarem outras drogas ilícitas, 37 vezes maior de se tornarem tabagistas e três vezes maior de consumirem álcool em quantidades exageradas. Quanto mais precoce for o uso crônico da maconha, maior a chance de sair “fora da casinha”, mas também de deixar o cérebro mais bobo.

As evidências científicas dessa história não são nem um pouco tímidas. Uma pesquisa que acompanhou mais de mil voluntários, desde o nascimento até os 38 anos de idade, apontou que quanto maior o consumo, maior também o declínio nos testes cognitivos, chegando a ter uma perda média de 8 pontos nos testes de QI entre os 13 e 38 anos de idade e os que tiveram mais prejuízo foram os que iniciaram o uso da droga no início da adolescência. Além disso, o desempenho não foi recuperado totalmente entre aqueles que interromperam seu uso. A pesquisa foi publicada na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Outra prova incontestável de que o cérebro adolescente é realmente mais sensível aos efeitos tóxicos da maconha é o estudo publicado pela revista Brain em 2012 em que foram demonstradas alterações microestruturais que reduzem a eficiência das conexões cerebrais entre usuários crônicos de maconha. Mais uma vez, as perdas foram maiores naqueles que começaram a fumar já no início da adolescência.

Existe uma crescente ideia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis. Para entender ainda mais os efeitos da maconha sobre o cérebro dos adolescentes, um grande estudo está em andamento nos EUA e acompanhará dez mil crianças a partir dos dez anos de idade (Adolescent Brain Cognitive Development Study). Esse estudo nos trará resultados sobre o efeito da maconha em um cérebro em desenvolvimento, reunindo análises genéticas, neuropsicológicas, de neuroimagem e rendimento acadêmico.

.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 

 

.

Por Dr. Ricardo Teixeira

.

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico.

Atualmente reconhece-se que há dois tipos de inveja: uma benigna e outra maliciosa. No caso da inveja benigna, o que é invejado é uma coisa, como o carrão novo do vizinho. Essa inveja também é conhecida como inveja branca. No caso da inveja maliciosa, a inveja é de uma pessoa e não da coisa em si. Essa é a inveja marrom.

Temos evidências de que quando a inveja é mais focada na pessoa do que na coisa, ela vem frequentemente acompanhada do sentimento que a língua alemã chama de “schadenfreude” – prazer pelo infortúnio dos outros. Nesse caso, a depender da situação, há uma forte presença de desumanização, rivalidade ou senso de justiça social.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa mostraram que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de sentir inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.

Pesquisadores japoneses apontaram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro. Mostraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativam o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Ambientes de trabalho competitivos são palcos propícios para a expressão desses sentimentos que podem ser vistos como o “dark side” da experiência humana. Uma dica valiosa para um líder de equipe é priorizar incentivos para o grupo e não para os indivíduos isoladamente.

O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência tem-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.

Resultado de imagem para pexels brain pathology

.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

.

Por muito tempo, o termo esclerosado era usado para se referir ao estado de uma pessoa portadora de demência. Hoje consideramos que boa parte das pessoas “esclerosadas” eram, na sua maioria, portadoras da Doença de Alzheimer (DA), mas existem outras causas de demência, como a fronto-temporal e a causada por doença cerebrovascular.

Nos estudos que foram feitos para testagem de novas medicações para a DA, sempre havia um contingente significativo de voluntários que não apresentava qualquer melhora após o início das drogas. Além disso, as pesquisas também mostravam que muitos desses voluntários não apresentavam os marcadores patológicos da doença quando eram submetidos a necropsias. Estudos recentes têm demonstrado que muitas dessas pessoas podem, na verdade, ser portadoras de uma outra forma de demência que recebeu o nome de LATE. LATE é a sigla recém-proposta por múltiplos centros de pesquisa para Limbic-predominant age-related TDP-43 encephalopathy. Limbic é o envolvimento preferencial da doença nos circuitos límbicos, semelhante à DA; Age related nos diz que é uma doença que ocorre em idosos, de forma mais gradual e numa idade até mais avançada que na DA; TDP-43 diz respeito ao acúmulo de proteínas com esse mesmo nome; Encephalopathy significa disfunção cerebral difusa.

Peter Nelson, primeiro autor da publicação, compara o trabalho desse consórcio de pesquisadores com a descoberta da eletricidade por Benjamin Franklin. O grupo publicou no  periódico Brain critérios patológicos para identificação de LATE à necropsia. Os estudos realizados até o momento mostram uma prevalência da patologia de LATE em necropsias que gira em torno de 20% dos indivíduos acima de 80 anos e, em muitos casos, a DA ocorre concomitantemente.

O trabalho abre uma nova janela para o desenvolvimento de modelos animais para pesquisa, biomarcadores e medicamentos específicos que, sem dúvida, serão bem diferentes dos que são atualmente disponíveis para a DA.

Apoio

Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas-feiras no horário de 11:35h

Também às segundas no Correio Braziliense

ConsCiência no Dia a Dia – Vencedor Prêmio TopBlog 2009

VISITE O LABJOR

Siga no TWITTER

Twitter

TWITTER

    follow me on Twitter

    Blog Stats

    • 2.846.394 hits