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Um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Florida no periódico Frontiers in Psychology mostrou mais uma vez que meninas são tão boas em matemática quanto os meninos. A novidade é que eles se auto-avaliam melhor. Os meninos acreditam que têm mais habilidade, 27% a mais do que as meninas. Efeito cultural? Sabemos que as mulheres têm mais tendência ao perfeccionismo enquanto os homens são incitados desde cedo a enfrentar desafios.

Os alunos estudados nessa pesquisa estavam no fim do ensino médio, época decisiva na escolha do curso superior. Essa menor confiança das meninas pode explicar em parte o menor numero de mulheres em profissões como engenharia, ciência e tecnologia.

Em 2015, outra pesquisa publicada pela revista Science avaliou 1800 pesquisadores e estudantes de graduação, de 30 diferentes disciplinas. Entre outras perguntas, eles tinham que responder quais qualidades julgavam importantes para alcançar o sucesso em seus ramos.  As áreas em que os entrevistados julgavam que o brilhantismo era fundamental foram também as menos representadas por mulheres. Essa crença leva as mulheres a inconscientemente se afastar desses campos do conhecimento.  Pode também levar à discriminação em exames de seleção.

É bom lembrar que não há qualquer evidência científica de que os homens são mais brilhantes que as mulheres. Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisaapontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas?

Woman Wearing Yellow Dress Beside Woman Wearing Red Dress
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Estamos familiarizados com a ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder. Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.
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As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança.  Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.
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Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.
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Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.
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Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

Woman Wearing Gray Scarf and Gray Coat Near Group of People

Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres

As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.

 

Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.

 

Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.

 

A doença é mais agressiva no caso delas

As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.

 

Além disso, mulheres cuidam de parentes com a doença de Alzheimer 2.5 vezes mais que os homens, e em 20% dos casos têm que abandonar o trabalho.

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. A Academia Americana de Neurologia publicou nesta semana a maior pesquisa realizada até então (mais de 500 mulheres) confirmando essa posição. Essa é mais uma evidência de que a reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência.  Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência.  Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.

Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro.   Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

Esta última semana tivemos mais uma pista que ajuda a entender porque uma pessoa que sofre de enxaqueca com aura tem mais chance de sofrer um derrame cerebral.

Pesquisadores americanos demonstraram que essas pessoas têm a rede de vasos sanguíneos incompleta, especialmente nas regiões mais posteriores do cérebro. Foram estudados 170 voluntários com e sem enxaqueca através de angiografia e ressonância magnética. O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.

Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam também o fenômeno da aura, que é um aviso de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente apresenta-se como sintomas visuais – visão de pontinhos luminosos, flashes em ziguezague, falha no campo visual. Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e, mais raramente, como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura, o cérebro é acometido por uma breve onda de excitação, seguida imediatamente de uma onda de depressão de sua atividade elétrica de forma mais sustentada. Esse componente elétrico é acompanhado de breve dilatação dos vasos, seguida por constrição e, consequente, redução do fluxo sanguíneo. Esse fenômeno também é demonstrado em pessoas com enxaqueca que não experimentam sintomas da aura.

Existem outras explicações para a relação entre enxaqueca com aura e derrame cerebral:

Aterosclerose e sangue com maior tendência à coagulação

Alterações cardíacas

Redução do calibre dos vasos durante a crise de enxaqueca

 

 

Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriram um grupo de células do hipotálamo, região do cérebro que faz a ponte com os sinais hormonais, que podem ser as responsáveis pelas desconfortáveis ondas de calor que grande parte das mulheres vivencia nos primeiros anos da menopausa.

 

Em um modelo de menopausa em camundongos, os pesquisadores mostraram que o efeito de dilatação dos vasos da pele era interrompido quando um grupo de células do hipotálamo, chamadas de KNDy, era inativado. Apesar de representarem uma pequena população de células do cérebro, elas têm grande importância no controle das fontes de energia do corpo, temperatura e reprodução. Com a baixa dos níveis do hormônio estradiol, essas células ficam hiperfuncionantes e disparam o comando de vasodilatação, com a intenção não muito apropriada de provocar a perda de calor do organismo.

 

A descoberta abre uma importante janela para o desenvolvimento de futuras terapias para o controle das ondas de calor da menopausa. O estudo foi publicado nesta última semana pelo prestigiado periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA – PNAS.

 

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Álcool zero para as grávidas é a recomendação difundida na atualidade pelas autoridades sanitárias nos mais diferentes países. Entretanto, a segurança de um baixo consumo de álcool durante a gravidez ainda é uma questão controversa, já que as pesquisas apontam resultados variados e acredita-se que isso seja em parte devido à dificuldade em se estudar o tema controlando fatores sociais e de estilo de vida.

 

Uma alternativa para se evitar essas dificuldades metodológicas é um tipo de pesquisa recém-desenvolvida chamada de randomização mendeliana. E foi isso que pesquisadores das Universidades de Oxford e Bristol utilizaram para mostrar que álcool na gravidez, mesmo em baixas doses, tem influência negativa sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças.  Os resultados acabaram de ser publicados pelo periódico PLoS ONE.

 

O perfil genético do metabolismo de álcool foi estudado em mais de quatro mil crianças. A presença de quatro variantes de genes ligados a uma menor capacidade de metabolizar o álcool mostrou-se associada a menores escores de QI aos oito anos de idade, mas isso só existia entre as crianças cujas mães beberam de forma leve a moderada durante a gravidez (<1 a 6 doses/semana). Metabolismo mais lento teoricamente leva a um maior risco de toxicidade. Além disso, nas mães, uma variante de gene desse metabolismo também teve relação com a evolução cognitiva das crianças, mas também só entre aquelas que beberam na gravidez.  Mães com consumo de álcool exagerado não foram incluídas no estudo.

 

O estudo é complexo, mas o recado é simples: álcool durante a gravidez, mesmo em baixas doses, pode ser ruim para o desenvolvimento cerebral da criança.

 

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Já é consenso que a terapia de reposição hormonal (TRH), apesar de poder reduzir os sintomas da menopausa e o risco de osteoporose e fraturas, não traz outras vantagens à saúde da mulher e não deve ser utilizada como forma de prevenção de doenças. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode até aumentar o risco de uma série de doenças como trombose nas veias e câncer de mama. Com relação ao cérebro, a situação não é muito diferente.

 

Há poucos meses, o último relatório da divisão de saúde preventiva dos EUA sobre essa questão  confirma essa posição concluindo que a TRH com a combinação dos hormônios estradiol e progesterona aumenta o risco de demência enquanto o uso do estradiol isoladamente aumenta o risco de derrame cerebral. As indicações da TRH estão cada vez mais restritas, e isso é um assunto cada vez MENOS polêmico.

 

RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

 

smallicone

 

 

Antes da puberdade, os meninos até têm um pouco mais de enxaqueca que as meninas, mas aos 20 anos a freqüência já é duas vezes maior entre as mulheres e três vezes maior aos 40 anos.

 

O candidato mais forte para explicar essa diferença é o perfil hormonal das mulheres e temos várias pistas que apóiam essa idéia: 1) enxaqueca passa a ser mais frequente entre elas a partir da puberdade; 2) mais de 50% apresentam enxaqueca no período menstrual e cerca de 70% das enxaquecosas têm crises mais freqüentes e/ou mais fortes nessa fase do ciclo; 3) a maioria tem menos crises na menopausa e durante a gravidez. 

 

Outra possível explicação é uma diferente resposta das mulheres à percepção do estresse e da dor. Essa é uma idéia que é apoiada por estudos de ressonância magnética que apontam que os circuitos neuronais que envolvem o processamento de emoções são mais robustos entre elas, tanto do ponto de vista estrutural como funcional. Nas mulheres, estímulos dolorosos estimulam esses circuitos de forma mais intensa. Essas peculiaridades são uma preciosa janela para a melhor compreensão das razões que fazem as mulheres terem distúrbios de dor de forma mais frequente, e isso não se limita à enxaqueca. 

 

Problemas de saúde que são muito freqüentes e que têm base genética inequívoca, como é o caso da enxaqueca, fazem-nos sempre refletir se não poderia haver uma vantagem evolutiva para que tantos indivíduos apresentem essa condição. Ao pensarmos nos fatores que comumente desencadeiam crises de enxaqueca (ex: jejum prolongado, estresse, cheiros fortes), poderíamos até compará-los a situações predatórias. Essa é uma forma de encarar a enxaqueca como um aliado e não como um inimigo, um alarme cerebral que nos avisa quando estamos fora do nosso equilíbrio ideal. O cérebro das mulheres então teria evoluído mais do que o dos homens? As mulheres são mais expostas a “situações predatórias”?

 

Hipoteticamente, ao longo da evolução da espécie muitos se beneficiaram desse alarme e alguns poucos pagam o preço. Estes são os que têm crises de enxaqueca fortes e frequentes. Que bom que a medicina também evoluiu e hoje temos inúmeras opções de tratamento para essa condição neurológica.  

 

smallicone

 

 

 

Uma pesquisa recém-publicada no periódico Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology confirma evidências anteriores de que as mulheres com o diagnóstico da Doença de Alzheimer apresentam declínio cognitivo mais acelerado que os homens.

 

Pesquisadores da Universidade de Hertfordshire nos EUA conduziram uma metanálise de quinze diferentes estudos que investigaram diferenças de gênero na evolução da doença envolvendo mais de dois mil voluntários. Os resultados apontaram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuo-espaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis. No envelhecimento normal, as mulheres não ficam para trás.   

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. A atual pesquisa solidifica o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva e as explicações mais cogitadas para essas diferenças são a herança genética da doença que tem mais influência sobre as mulheres, o declínio dos níveis do hormônio estradiol após a menopausa e uma maior reserva cerebral nos homens.  

 

Para a prevenção da Doença de Alzheimer, podemos começar ou manter algumas atitudes que já são consenso: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana, e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool. 

 

smallicone

 

Não é raro no consultório neurológico o medo e a apreensão de mulheres em tratamento para epilepsia que descobriram que estão grávidas. Exceto nos casos em que há um transtorno psiquiátrico grave associado, a grande maioria das mulheres que fazem tratamento para controle de crises epilépticas podem e devem ficar grávidas se este for o desejo.

 

Elenco a seguir algumas informações que devem ajudar a reduzir a ansiedade de pacientes e médicos quando frente à condição EPILEPSIA E GRAVIDEZ e podem também colaborar para a redução do ESTIGMA associado à doença.

 

NA COMBINAÇÃO EPILEPSIA E GRAVIDEZ:

 

Não há evidências de aumento de risco:

*       Piora da frequência de crises epilépticas

*       Estado de mal epiléptico

*       Pre-eclampsia e eclampsia

*       Aborto espontâneo

 

Não há evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes):

*      Parto cesariana

*      Sangramento no final da gravidez

 

Não há evidências de aumento de risco moderado (> 1.5 vezes):

*      Contrações prematuras

*      Parto prematuro

 

evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes)

quando a mulher fuma na gravidez:

*      Contrações prematuras

*      Parto prematuro

 

! Controle das crises por pelo menos 9 meses antes da gravidez signiifica uma chance de 84-92% da mulher NÂO ter crises durante a gravidez!

 

Toda mulher fértil deve usar ácido fólico em combinação com a medicação anti-epiléptica para reduzir o risco de malformações fetais, mesmo se não estiver planejando gravidez. Quando descobre que está grávida, a mulher não deve interromper seu tratamento. Se planeja ficar grávida, é bom discutir com o médico se há opções terapêuticas com menor risco. De todas as medicações, o valproato de sódio é o que está associado ao maior risco de malformações.

 

Referências:

Practice Parameter AAN, AES, Neurology 2009

North American AED Pregnancy Registry, Neurology 2012

 

smallicone

 

 

Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisa, ainda não publicada, apontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.

 

De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas? Se continuarem no ritmo que estão, acumulando cada vez mais funções, pode ser que elas alcancem alguns metros de vantagem nessa corrida.

 

SMALLicone

 

Durante o período fértil, as mulheres, vestem-se de forma mais sedutora, têm a voz e expressão facial mais atraentes e, não raramente, ficam mesmo se achando. Além disso, costumam vigiar mais de perto o parceiro, e por que não a parceira?

 

É isso mesmo. As mulheres são mais ciumentas em seu período fértil e, junto à maior atratividade que elas exibem nessa fase do ciclo, reduzem o risco de perderem o parceiro para uma rival. Esse é um raciocínio aplicável apenas às mulheres das cavernas? Nem tanto. Nossos instintos arcaicos não são muito diferentes daqueles dos nossos ancestrais.

 

Durante o período fértil, há evidências de que o ciúme é proporcional à concentração do hormônio estrogênio e que as mulheres que usam pílula anticoncepcional ficam ainda mais ciumentas.  Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Evolution and Human Behavior confirma esses achados e dá um passo a mais. Os pesquisadores estudaram diferenças entre as mulheres solteiras e as comprometidas.

 

Vinte e nove mulheres, 16 descomprometidas e 13 em uma relação estável, foram submetidas a um questionário que avalia o grau de ciúme em dois diferentes períodos: com e sem uso de pílula anticoncepcional. Os resultados mostraram que as mulheres, comprometidas ou não, realmente eram mais ciumentas em seus períodos férteis. Já na fase em que estavam usando pílula anticoncepcional, o grau de ciúme das mulheres comprometidas era o mesmo que tinham na fase fértil quando não usavam pílula. No caso das solteiras, o uso da pílula estava associado a ciúmes em níveis mais modestos.

 

Mas por que a pílula amplificava mais o ciúme das mulheres comprometidas do que das solteiras? Será que o uso da pílula pode ter influenciado a dinâmica da relação do casal dando mais chances ao ciúme? Perguntas a serem respondidas em futuros estudos, mas resumindo, o período fértil da mulher pode ser uma época de maior conflito no relacionamento e isso pode ser ainda mais relevante quando a mulher faz uso de pílula anticoncepcional. O outro lado da moeda é que algumas mulheres usam o próprio ciúme de forma inteligente, seduzindo o parceiro e fortalecendo a relação. No caso de ciúmes desafinados, certamente não será a interrupção do uso da pílula que resolverá o problema.  

 

 

SMALLicone

 

 

 

Quando se fala em comportamento e talentos femininos, a maior parte de suas peculiaridades guarda forte relação com fatores culturais, mas uma pequena parcela tem a ver com fatores biológicos mesmo. De fato, existem diferenças de gênero na anatomia, função e química cerebrais que podem fazer diferença no entendimento da maior ou menor prevalência de alguns transtornos neuropsiquiátricos entre as mulheres. Vale lembrar que no cérebro as coisas funcionam em via dupla, já que o comportamento também tem o poder de influenciar essa herança biológica.

 

O cérebro das mulheres é menor do que o dos homens, mas e daí? Isso não reflete a princípio nenhum tipo de vantagem ou desvantagem. Se quiserem provocar os homens, elas podem dizer de boca cheia que o cérebro feminino tem fluxo sanguíneo e proporção de substância cinzenta mais avantajados.

 

Meninas têm o hipocampo maior e a amígdala menor que os meninos. As duas são estruturas vizinhas, sendo o hipocampo uma das principais regiões do cérebro responsáveis pela memória e a amígdala pode ser comparada a uma válvula de regulação das emoções. Essas diferenças podem ser atribuídas às diferentes concentrações de receptores de hormônios masculinos e femininos nessas estruturas.  Nosso cérebro alcança seu maior volume por volta dos 15 anos e depois disso ele vai ficando aos poucos mais murchinho. Nos homens, a redução de volume é relativamente maior nas regiões frontais e temporais, enquanto, nas mulheres, isso é mais expressivo no hipocampo e nas regiões parietais.

 

Os sistemas dos neurotransmissores serotonina, dopamina e GABA têm uma tendência a ser mais robustos entre as mulheres. No caso da serotonina, as mulheres têm maiores concentrações no sangue, mais receptores em algumas regiões do cérebro e, no caso de mulheres deprimidas, menor concentração de proteínas transportadoras do neurotransmissor. Essas diferenças podem contribuir para a maior prevalência de depressão e transtornos alimentares nas mulheres.  Já um sistema de dopamina mais potente pode responder por uma maior vulnerabilidade ao abuso de drogas entre elas.  

 

Muitos desses detalhes ainda não têm qualquer aplicação prática, mas deverão nortear a construção de novas estratégias terapêuticas que possivelmente serão diferentes entre os gêneros. O tratamento de uma mulher com uma determinada condição neuropsiquiátrica pode vir ser a ser diferente daquele indicado para os homens. 

 

SMALLicone

 

 

 

Mais da metade das mulheres apresentam queixas de memória na fase de transição para a menopausa e temos algumas evidências de que, nessa fase da vida, elas realmente apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

Uma forma de explicar essa lenhificação do pensamento na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

Nada de pessimismo! A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltam a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham antes da menopausa após ultrapassarem a transição. Além disso, as mulheres que recebem reposição hormonal antes do término da menstruação são beneficiadas do ponto de vista cognitivo, o que não acontece com aquelas que começam esse tipo de tratamento após o término da menstruação. Essa é mais uma evidência de que reposição hormonal deve ser utilizada pelo menor tempo necessário.

 

E suplementos de soja podem ajudar? A soja é a principal fonte de isoflavonas da dieta, micronutrientes estes que se ligam aos receptores de estrogênio do cérebro. Uma série de pesquisas tem procurado demonstrar seus efeitos na menopausa e os resultados, apesar de conflitantes, não têm sido muito animadores. Os estudos mais robustos até chegaram a evidenciar uma melhora na capacidade de memória visual (ex: reconhecimento de rostos), mas sem impacto relevante em outras funções cognitivas. Vale ressaltar que essas pesquisas envolveram mulheres já na menopausa e por isso a discussão está longe de ser encerrada. O efeito da soja na transição da menopausa pode ser diferente.  

 

 

 

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O derrame cerebral, principal causa de morte em nosso país, é mais comum entre os idosos, mas tem acometido cada vez mais os jovens. Uma pesquisa realizada em Porto Alegre e Salvador revelou que 7.5% dos pacientes internados pela doença têm menos de 45 anos. Outro estudo, publicado na última semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia, aponta que nos EUA o derrame cerebral tem acometido cada vez mais os jovens, já chegando a contabilizar uma fatia de quase 20% de todos os casos.   

 

Não podemos dizer de forma inequívoca que as mulheres jovens sejam mais susceptíveis, já que os estudos que examinaram essa questão são conflitantes. Entretanto, elas têm alguns fatores de risco para derrame cerebral que os homens não têm e outros que elas apresentam de forma bem mais freqüente.  

 

Pílula anticoncepcional.

Já é bem reconhecido que o risco de derrame é maior entre mulheres que fazem uso de pílula anticoncepcional e esse risco é proporcional à concentração dos hormônios, especialmente o estradiol. O efeito da pílula sobre a chance de derrame também é maior entre mulheres com mais de 35 anos e naquelas com outros fatores de risco vascular como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, tabagismo, enxaqueca com aura e algumas condições genéticas.

 

Gravidez.  O terceiro trimestre da gravidez e o puerpério são períodos em que a mulher tem mais chance de apresentar eventos vasculares, incluindo o derrame cerebral. As mudanças hormonais, na circulação e coagulação sanguínea podem responder por esse maior risco.

 

Enxaqueca com aura. Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca também apresentam sintomas que precedem as crises de dor de cabeça como por exemplo flashes visuais e formigamento de um lado do corpo. A esses sintomas dá-se o nome de aura e há inúmeras evidências de que a enxaqueca com aura aumenta a chance de derrame e o risco é ainda maior quando outros fatores de risco estão presentes. Vale lembrar que as mulheres têm três vezes mais enxaqueca que os homens.

 

A relação entre a enxaqueca e o derrame cerebral envolve uma complexa interação de particularidades do cérebro, vasos sanguíneos, coagulação, e até mesmo do coração de que tem enxaqueca.  Os derrames costumam ocorrer mais nas regiões posteriores do cérebro e nos enxaquecosos com crises mais freqüentes. O risco é ainda maior quando existem outros fatores como uso de pílula anticoncepcional, dislipidemia, hipertensão arterial e obesidade.

 

 

 

 

 

A enxaqueca, também conhecida como migrânea, é uma disfunção cerebral com reconhecido componente genético. Indivíduos que têm familiares com enxaqueca têm mais chance de apresentá-la, mas nem sempre. As crises de enxaqueca podem se iniciar já na infância, mas é mais freqüente entre os 25 e 55 anos, a fase de vida economicamente mais produtiva do indivíduo.

 

A enxaqueca afeta cerca de 20% das mulheres e é três vezes mais comum que nos homens. A dor de cabeça costuma ser forte, unilateral, de caráter latejante, com piora às atividades rotineiras, freqüentemente associada a náuseas, intolerância à luz, som e odores. As crises habitualmente duram entre 4 e 72 horas.

 

Menstruação. Cerca de 50-60% das mulheres com enxaqueca apresentam crises durante a menstruação e isso está associado ao súbito declínio dos níveis do hormônio estrogênio nessa fase do ciclo menstrual. Além disso, até 20% das mulheres com enxaqueca tem crises somente no período perimenstrual. O primeiro dia antes da menstruação é o dia em que a mulher tem mais chance de ter uma crise. Um pouco mais de 15% das mulheres com enxaqueca tem sua primeira crise na época da sua primeira menstruação.

 

Pílula anticoncepcional. O uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle, inclusive no caso da enxaqueca menstrual.

 

A mulher deve evitar o uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, especialmente se tiver mais de 35 anos de idade, se for portadora de fatores de risco vascular (tabagismo, hipertensão arterial) ou se tiver história pessoal ou familiar de eventos vasculares (trombose). A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca com aura como categoria 4 na indicação do uso de pílula anticoncepcional com conteúdo de estrogênio, o que quer dizer que é uma condição de saúde em que os riscos do uso da pílula são inaceitáveis. Riscos, nesse caso, são os relacionados ao derrame cerebral.

 

O conceito de AURA é o de um aviso, um sinal de que uma crise de enxaqueca está por começar, mas também pode ocorrer já na fase da dor de cabeça. Entre 15 e 30% das pessoas que sofrem de enxaqueca podem experimentar o fenômeno, habitualmente como sintomas visuais (pontos luminosos, flashes em ziguezague, falhas no campo visual), geralmente durando menos de uma hora. A AURA pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e raramente como perda de força de um lado do corpo. Algumas pessoas experimentam aura sem apresentar dor de cabeça.

 

Gravidez. Durante a gravidez, as crises costumam melhorar em 60-80% das mulheres. Deve-se evitar tratamentos profiláticos medicamentosos devido a potenciais conseqüências ao feto. Algumas medicações sintomáticas são contra-indicadas na gravidez.

 

Uma série de estudos demonstra que mulheres com enxaqueca apresentam maior risco de apresentar hipertensão arterial na gravidez (pré-eclâmpsia) e bebês com baixo peso. Além disso, também é maior o risco de eventos vasculares nesse período entre as enxaquecosas, e aí podemos incluir derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar.

 

Lactação. Após o parto, as crises voltam a piorar em até 50% das mulheres no primeiro mês. Há evidências de que a amamentação confere proteção às crises nessa fase.

 

Menopausa.  Até 80% das mulheres apresentam melhora das crises de enxaqueca após a menopausa espontânea. Entretanto, por volta de 20% das mulheres começam a ter crises após os 50 anos, e raramente após os 60 anos. No caso da menopausa cirúrgica, há uma tendência de piora das crises de enxaqueca em dois terços das mulheres.

 

Já é consenso que a indicação de terapia de reposição hormonal [TRH] para a melhora de sinais e sintomas da menopausa deve ser restrita a mulheres com sintomas moderados a severos e utilizada pelo menor tempo e com mínimas doses possíveis. Essas recomendações são decorrentes do fato de que a TRH prolongada eleva o risco de câncer de mama, trombose nas veias e derrame cerebral. No caso da enxaqueca, mesmo a com aura, a TRH com doses baixas de estradiol pode ser considerada.

 

 

 

 

 

Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas como: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer?

 

Para quem não tem sintomas, ou qualquer doença conhecida, exames como PSA (antígeno prostático), tomografia das artérias coronárias, raio-x ou tomografia de pulmão têm sido colocados em xeque. Mamografia a partir dos 40 ou 50 anos? Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro? Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

 

 

Nos tempo de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.  

 

Veja abaixo algumas diretrizes de check up de diferentes sistemas do nosso corpo:

MAMA (mulheres) Auto-exame mensal.Após os 40 anos: exame clínico da mama e mamografia anualmente. Mulheres com alto risco (>20% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida), podem discutir o custo-benefício da ressonância magnética e ultrasonografia.
COLON E RETO Após os 50 anos: sangue oculto nas fezes anualmente e retossigmoidoscopia a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Se houver história de câncer de cólon na família, o sreening deve iniciar após os 40 anos (colonoscopia e testes genéticos).
COLO UTERINO (mulheres) Papanicolau anualmente (discutir custo-benefício do teste DNA HPV)
ATEROSCLEROSE Score de Frahmingham anualmente. Score intermediário (> 10%) : indicado teste de esforço.

Após 55 anos se apresentar qualquer fator de risco (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, síndrome metabólica):  Ecodoppler de carótidas com espessura íntima média ou Score de Cálcio Coronariano pela tomografia computadorizada a cada 5 anos. Avaliação oftalmológica (retina) e US para descartar aneurisma de aorta abdominal  após 60 anos.

Cavidade oral:Visita ao dentista semestralmente.Olhos:Avaliação periódica com oftalmologista – anual a partir dos 45 anos de idade.Ossos:Densitometria óssea a partir dos 65  e a partir dos 60 anos se houver fatores de risco para osteoporose (ex: uso de corticóide, tabagismo).Pele:Avaliação dermatológica ao aparecer manchas, pintas, feridas inéditas.Estômago – Esôfago:Endoscopia digestiva alta  em caso de dificuldade para engolir ou dispepsia sustentada ou associada a outros sintomas / sinais (ex: perda de peso, anorexia, anemia).Tiróide: US de tiróide é recomendado para pacientes de alto risco (história familiar de câncer de tiróide ou de irradiação) e quando há nódulo palpável, bócio ou linfonodos suspeitos. (AACE 2006).Pulmão: Mesmo com história de tabagismo, a ACCP (2007) não recomenda screening.

Abdome, linfonodos: PET/CT de corpo inteiro não é recomendado como screening (SNM 2007). US de abdome pode ser realizado para avaliação periódica do fígado, vesícula, pâncreas, e rins.  

Sistema genito-urinário: Exame de urina anualmente. US de pelve via abdominal pode ser realizado  para avalaiação periódica de ovários, útero e bexiga. A realização de US transvaginal e CA 125 anual para screening de câncer de ovário é controverso, mesmo em mulheres com história familiar da doença.

PROTEJA SEU CÉREBRO E MANTENHA-O BEM AFIADO

– Durma bem

– Pratique exercícios físicos moderados pelo menos 30 minutos 5 vezes por semana. Evite a exposição solar entre as 10:00h e 16:00h.

– Controle os fatores de risco vascular (ex: tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, etc)

– Mantenha seu peso ideal

– Equilibre o trabalho com o lazer

– Adote a Dieta Mediterânea na sua vida:  coma pelo menos 5 porções diárias de frutas / vegetais, dê preferência aos grãos integrais, evitando os refinados, e dê preferência às gorduras insaturadas (azeite). Limite o consumo de carnes vermelhas ou processadas (ex: defumados), e o uso de álcool a uma dose por dia. (dê preferência ao vinho tinto). Inclua o peixe na sua dieta pelo menos 2 vezes na semana, especialmente o atum, sardinha e salmão.

ESSAS SÃO ATITUDES QUE, ALÉM DE FAZEREM  BEM AO SEU CÉREBRO,PREVINEM A ATEROSCLEROSE E O CÂNCER

 

 

 

 

  

 Headache and pregnant girl

 

No dia anterior à menstruação, a queda abrupta da concentração de estradiol faz com que esse seja o dia do ciclo em que a mulher tem mais chance de apresentar uma crise deenxaqueca. Durante a gravidez, há um aumento expressivo dos níveis desse hormônio, e as crises costumam melhorar na maior parte das mulheres. Entretanto, uma pequena parcela tem suas crises exacerbadas e outra minoria tem as primeiras crises nessa época.

 

Estima-se que um terço das mulheres apresente dor de cabeça na primeira semana após o parto, sendo que a grande maioria destas tem a recorrência de um quadro de dor de cabeça pré-existente.  No caso da enxaqueca, mais da metade das mulheres voltam a apresentar crises no primeiro mês pós-parto.

 

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico da Sociedade Americana de Cefaléia confirma que o fator que mais está associado à dor de cabeça na gravidez é a história de dor de cabeça anterior a esse período. Por outro lado, os antecedentes mais comuns entre as mulheres que tiveram dor de cabeça nas primeiras 72 horas após o parto foram a presença de dor de cabeça durante a gravidez e anestesia regional (e.g.; raquianestesia). O estudo envolveu cerca de 2500 mulheres de quatro diferentes hospitais nos EUA, Suíça e Bélgica

 

** A dor de cabeça associada à raquianestesia acontece por uma diminuição da pressão do líquido da espinha que reduz a pressão interna do crânio. A característica mais importante desse tipo de dor é a sua melhora quando na posição deitada e, ao ficar em pé, a dor volta a piorar. O tratamento consiste em hidratação vigorosa, antiinflamatórios, cafeína, e, se não houver melhora, é indicada a infiltração de sangue do próprio paciente próximo ao local da punção original da anestesia. Esse procedimento tem o objetivo de obliterar o orifício que provocou o escape do líquido da espinha.

 

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Acompanhe o quadro CUCA LEGAL com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília às quartas e sextas 11:05h

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