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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha demonstraram resultados de experiências com passarinhos que têm parcerias parecidas com as dos humanos: costumam escolher um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes.

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida eram forçados a novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares espontâneos tinham 37% mais chances de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

Uma série de experimentos acaba de ser publicada por pesquisadores da Universidade de Rochester nos EUA em parceria com o centro Herzliya de Israel  e aponta que, entre os humanos, a relação é sexualmente mais forte quando o(a) candidato(a) parece ser mais viável para uma parceria romântica no longo prazo. Poderíamos dizer que o turbilhão da atração sexual é potencializado pelo amor romântico que sinaliza uma complementariedade e segurança. O mesmo fenômeno foi observado entre casais que já tinham uma relação estável. Os que demonstravam mais respeito mútuo, consideração e afeto eram os que tinham a maior atração sexual.

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Cell phone in hands

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Quando pensamos em excesso de tecnologia no dia a dia, podemos instintivamente achar que isso tem gerado um estado de ansiedade. Mas realmente é verdade. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Emotion avaliou mais de um milhão de adolescentes americanos e apontou que era menor o bem estar psíquico entre aqueles que passavam mais tempo na frente das telas digitais. Compartilho abaixo quatro mecanismos que podem explicar esse fenômeno.

 

1-A tecnologia pode nos reduzir nossas pequenas incertezas, mas aumentar nossas grandes incertezas. E incerteza é um prato cheio para a ansiedade. Podemos nos sentir mais seguros com o Google Maps, com notícias fresquinhas do outro lado do mundo, etc. Mas essa mesma tecnologia tem trazido mais insegurança quando se pensa no futuro mercado de trabalho e até mesmo o encontro do parceiro ou parceira nos inúmeros sites de relacionamento.

2-O mundo digital tem-nos deixado menos sociáveis. A interação carne e osso entre as pessoas é uma poderosa ferramenta para nosso equilíbrio psíquico.

 

3-As redes sociais são uma arena de constantes julgamentos. É muita gente olhando e julgando. Poucos likes e compartilhamentos podem levar a um estado de insegurança, especialmente entre os jovens.

 

4-As redes sociais também são um grande palco para comparações. Somos bombardeados o tempo todo com viagens incríveis, famílias perfeitas, etc. Isso pode ser pura fonte de ansiedade para muitas pessoas.

Seven Photo of Person Wallmount

 

 

Recentemente, uma pesquisa envolvendo 156 países elegeu a Finlândia como o país mais feliz do mundo. A análise levou em conta seis valores para chegar a essa conclusão: remuneração, expectativa de vida, suporte social, liberdade e confiança. Nesses quesitos os países nórdicos realmente estão entre os Top 10, mas se você medir felicidade pelo quanto que as pessoas experimentam emoções positivas, países subdesenvolvidos como Paraguai, Guatemala e Costa Rica estão no podium e a Finlândia fica bem para trás.

 

Outro ângulo dessa discussão é o fato de que os Finlandeses serem a segunda população ocidental com maior prevalência de depressão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Paradoxal, não? E podemos deixar a discussão ainda mais complexa se analisarmos o quanto as pessoas veem sentido na vida. Nesse quesito, países africanos, como Senegal e Togo, estão muito à frente dos nórdicos, e isso pode ser explicado, em parte, pela maior vivência religiosa encontrada entre os países mais pobres.

 

Além disso, os Finlandeses assumem que não têm muito hábito de exteriorizar seus sentimentos. E isso no mundo das redes sociais pode ser um ponto positivo para o bem-estar psíquico e satisfação com a vida, já que eles são menos vítimas do ringue virtual de comparações com a grama do vizinho.

 

Podemos então concluir que a tal felicidade é bem mais complexa que uma meia dúzia de fatores como os levados em consideração para dar o título à Finlândia.

Printed Musical Note Page

 

 

Tenho pensado recentemente que uma das dietas mais nutritivas que podemos oferecer aos filhos é uma rica em vitamina T, T de tempo. E o efeito dessa vitamina não depende só de quantidade, mas também de qualidade. Nessa toada, a música pode ser uma ferramenta poderosa para incrementar essa qualidade.

 

Você deve concordar com o valor que um prato delicioso feito para todos tem na saúde das relações humanas. Foi-se o tempo que a cozinha era um palco exclusivo da mama. Hoje temos os masterchefs papas e kids também. Que espetáculo saborear uma sobremesa que o filho fez para toda a família.

 

A cena de uma família viajando, ou mesmo em casa, cada um com seu smartphone e seu fone de ouvido, não é nada incomum nos dias de hoje. Isso parece mais um almoço de domingo em que cada um discou para um ifood para entregar sua “ração” individual. Da mesma forma, um banquete de música compartilhada pode ser bem mais interessante que os fones individuais.

 

Pesquisadores da Universidade do Arizona nos EUA demostraram recentemente que as crianças e adolescentes que crescem vivenciando música junto aos pais chegam no início da idade adulta com um melhor relacionamento com eles.

 

E esse compartilhamento de vivências musicais deve acontecer nos dois sentidos. Não adianta você pensar que o importante é o filho aprender a ouvir Verdi, Beethoven, Miles Davis, Tom Jobim, etc. Pode até ser que seu filho goste de alguns desses personagens, mas você não deveria achar que é de segunda classe conhecer e ouvir junto aquele funk que está na playlist dele. E por que não fazer companhia em um show de música que só interessa ao público adolescente?

 

Que tal trocar os fones por sistemas bluetooth de compartilhamento da música no carro ou em casa? Deixe os filhos também serem os DJs. É claro que dá para combinar momentos de individualidade e silêncio, tão importantes para os pais como para os filhos. Ou quem sabe ainda aprender a tocar um instrumento musical junto com seu filho?

 

 

 

Six 20 Pound Euro

 

Muitas teorias e poucas evidências empíricas, e o fato é que muito ainda se discute se o melhor negócio para uma relação de casal é a independência financeira de cada um ou o contrário. Alguns defendem a ideia de que a dependência financeira, especialmente entre as mulheres, faz com que o casal tenha uma relação mais estável com um maior senso de compromisso com o outro. Outros discutem que, quando os dois são independentes, os afazeres em prol da família ficam em segundo plano e a relação fica mais vulnerável. Mas não é bem isso que uma pesquisa realizada pela Universidade de Cornell nos EUA acaba de mostrar. Os casais que têm mais equilíbrio dos seus ganhos financeiros individuais têm mais tendência a construir uma relação de longo prazo e essas relações duram mais.

Esse é o primeiro estudo empírico que demonstra essa tendência com uma amostra populacional representativa dos EUA através da análise de um período de 17 anos. A pesquisa também revelou que os indivíduos têm mais tendência a passar para o time dos casados ou dos que moram juntos quando ultrapassam certo grau de independência financeira, e isso vale tanto para os homens como as mulheres.

No Brasil, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, apesar de estudarem mais. Entretanto, lentamente as coisas vão se transformando. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), houve pela primeira vez na história uma queda no número de lares em que o chefe de família era o homem. Mesmo com a queda, dos 69.2 milhões de lares brasileiros em 2016, 40.5 milhões tinha o homem como chefe de família. Porém, pode existir um fator cultural que interfere nesses dados, já que os pesquisadores do IBGE não deixam explícito no momento da entrevista que chefe de família quer dizer quem assume a maior parte dos gastos do lar.

 

Man and Woman Couple Wearing Their Silver Couple Bond Ring

Nas últimas décadas houve um declínio evidente na proporção de pessoas casadas. Já tivemos cifras em torno de 70% na década de 1970 e chegamos em 2014, no Brasil, com 38,6% das pessoas acima de 15 anos casadas e 49,2% solteiras. A região norte tem a maior proporção de solteiros (60,5%), seguida pelas regiões nordeste (56,7%), centro-oeste (48,6%), sudeste (44,3%) e a região sul (44,2%). Quando falamos de união conjugal, independente de papel no cartório, a média nacional é de 56.7%.

Muitos enxergam o casamento como uma decisão que concorrerá com a liberdade e isso ocorre especialmente entre os homens jovens. Entretanto, poucos têm consciência dos benefícios que uma parceria estável traz ao indivíduo. Pesquisas revelam que um projeto de vida a dois tem repercussões positivas em várias dimensões da vida e a seguir elenco alguns números entre os homens casados:

– Melhores salários e mais estabilidade no emprego;

– Vida sexual mais satisfatória. Um estudo americano mostrou que 51% dos homens casados dizem estar extremamente satisfeitos com suas vidas sexuais, comparados a 36% no caso dos solteiros;

– Melhor saúde física e mental. Nos EUA, homens casados vivem em média 10 anos a mais que os solteiros e, quando se fala em felicidade, 43% reportam que estão muito felizes, enquanto apenas 24% dos que moram juntos dizem o mesmo;

– Os casados têm menos exposição a fatores de risco à saúde (ex: álcool e cigarro) e uma melhor saúde. Sobrevivem por mais tempo quando têm um diagnóstico de câncer, Doença de Alzheimer é menos comum entre eles e ainda são mais independentes do ponto de vista físico quando envelhecem;

Quase metade dos casamentos acaba em divórcio, e na maioria das vezes, a mulher é quem toma a decisão. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos e a maior taxa de divórcio é a do Distrito Federal (DF). A menor, três vezes menor que no DF, é a do Amapá.

O psicólogo John Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal e dá 4 dicas quentíssimas para o sucesso do casamento:

* Seja agradável sempre que puder

* Pense no que o outro precisa mesmo no meio de uma disputa

* Preste atenção no outro

* Enxergue o outro como um copo meio cheio e não como meio vazio

Fig. 1

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Uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Communications mostra que a análise do seu cérebro pode predizer quais são seus verdadeiros amigos. Os amigos têm respostas neurais similares às suas quando são provocados por estímulos do mundo real através de videoclipes.

 

Os voluntários do estudo eram alunos do primeiro ano de graduação de uma universidade dos EUA e que assistiram no laboratório a vídeo clipes de cenas do dia a dia como ciência, comédia, política e música. A resposta cerebral a esses estímulos, analisada pela Ressonância Magnética Funcional, mostrou que os padrões eram mais parecidos entre amigos, seguidos por amigos de amigos, e assim por diante. O tipo de resposta na neuroimagem era capaz de dizer se dois voluntários eram amigos ou não.

 

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo. Vejam só como os amigos têm influência em nossas vidas:

 

1- A rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo se tornou obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.

 

2- Esse mesmo efeito de contágio social existe na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal para de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também para, 36% mais chance quando um amigo para e 34% mais chance quando um colega de trabalho para.

 

3- O contágio social também exista na capacidade de uma pessoa se considerar feliz. Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficam mais felizes quando passam a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumenta a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não é percebido entre colegas de trabalho. Também existe uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito parece ser mais marcante com amigas do sexo feminino.

 

4- O mesmo fenômeno foi demonstrado quando o assunto é consumo de bebidas alcoólicas. A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não tem a mesma influência. Aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem.

 

5- E é claro que com outras drogas não ia ser diferente. O efeito do contágio social no perfil de uso de drogas entre adolescentes chega a envolver quatro níveis da rede social. Também foi demonstrado esse contágio no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de sete horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%.

 

6- Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo revelando que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.

 

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

Young tomato

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Em diferentes países e faixas etárias, os homens têm um comportamento menos ecológico que as mulheres. Eles produzem mais lixo, emitem mais carbono e reciclam menos.

 

Alguns estudiosos do tema defendem a ideia que essa diferença pode ser explicada pelo maior altruísmo das mulheres. Entretanto, estudos recentes mostram que os homens pensam no comportamento ecológico como uma coisa feminina. Uma pesquisa envolveu mais de dois mil voluntários americanos e chineses e mostrou que realmente existe um estereótipo de que o comportamento “verde” está ligado à ideia de feminilidade. Os participantes de ambos os sexos acharam que homens ou mulheres que fazem as compras com uma sacola reciclável são mais femininos que aqueles que usam os sacos plásticos. Em outro experimento, os voluntários percebiam que eram mais femininos quando se lembravam de alguma atitude ecológica que tomaram no passado. Os pesquisadores também demonstraram que quando o homem recebe mensagens que reafirmam sua masculinidade, ele tem uma maior inclinação em escolher opções mais ecológicas.

 

Isso pode ter fortes implicações para o marketing. Os homens terão uma maior inclinação a serem ecológicos se percebem que essa escolha está associada a sinais, cores, palavras que evocam a masculinidade.  Homens quando estão mais seguros que são homens terão um comportamento mais verde.

 

black-and-white, coffee, couple

 

Dividir uma história imaginária pode fazer com que um casal fique mais próximo e isso pode acontecer até mesmo em relacionamentos a distância.

Uma série de pesquisas tem demonstrado que os efeitos desse hábito vão muito além de um passatempo ou diversão quando se pensa na vida de casal. Os casais têm a tendência em transformar a identidade de “eu” e “você” para uma outra compartilhada de “nós”. Uma grande ferramenta para essa transformação é uma rede social em comum, como parentes, colegas de trabalho e amigos em comum. Os casais que têm a oportunidade desse compartilhamento costumam ser mais satisfeitos no relacionamento e têm menos chance de rompimento.

Entretanto, na correria do dia a dia, essa malha social, para muitos casais, torna-se difícil e vivenciar uma história de ficção juntos pode contrabalancear. É como se o casal sentisse inconscientemente que vive inúmeras conexões sociais em comum. Estudos mostram que quanto mais os casais dividem a experiência de filmes e séries mais próximos eles se sentem. Isso foi ainda mais relevante para os casais que dividiam poucos amigos no mudo real. E não é só isso. Os casais que relatam poucos amigos em comum são os que mais desejam vivenciar histórias de ficção juntos.

Psicólogos têm incentivado os casais a assistirem filmes/séries e uma pesquisa de Rochester nos EUA mostrou que aqueles que assistiam e discutiam filmes sobre relações de casais tinham menos chance de se separar após três anos de acompanhamento.

Não podemos dizer ainda que assistir a uma temática sobre relações de casais é mais eficiente do que outro tipo de assunto. Mesmo assim, paro para pensar na experiência da literatura e a capacidade de perceber as emoções dos outros. Obras de ficção literária, leia-se livros premiados, estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo. Na tela da TV não deve ser muito diferente.

 

 

Coffee & magazine

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Recentemente discutimos o quanto o contato com a natureza tem efeitos positivos sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa.

Há muito pouco tempo tivemos mais uma evidência de que a natureza joga no nosso time. Pesquisadores canadenses da Universidade de British Columbia mostraram que as pessoas que vivem em grandes cidades têm maior bem-estar e sentem-se mais felizes quando prestam atenção em detalhes da natureza no dia a dia.

Eles estudaram três grupos de voluntários que eram orientados a prestar atenção e fotografar coisas da natureza e escrever um breve comentário ou fazer o mesmo com coisas feitas pelo homem ou nenhuma das duas opções. Após duas semanas, o grupo que se voltou aos detalhes da natureza realmente relatava sentir-se melhor que os outros, com maior percepção de felicidade e também maior interação com as outras pessoas. E esses detalhes estão longe de ser uma experiência na natureza selvagem. Estamos falando de uma planta no vaso da sala de estar, uma árvore próxima ao ponto de ônibus, o sol entrando pela janela do quarto, etc.

Os resultados vão de encontro a estudos anteriores que ligam o contato com a natureza com maior saúde mental e longevidade. Há um mês um  estudo conduzido pelo Instituto Max Planck na Alemanha apoiou esses achados ao demonstrar que as pessoas que moram ao redor de muitas árvores têm maior integridade de regiões do cérebro associadas ao processamento do estresse e reações frente ao perigo.

É uma boa dica. Não encare a natureza ao seu redor como um inocente cenário.

Brown Grey Wooden House Near Lake at Daytime

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Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do efeito natureza sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Temos evidências de que uma experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.

Pesquisadores escoceses e ingleses têm demonstrado nos últimos anos que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado. O contrário aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados. Este ano pesquisadores das Universidades de York e Edimburgo mostraram que idosos que caminhavam em espaços da cidade em que o verde estava bem presente apresentaram uma atividade cerebral mais modulada e maiores manifestações de bem-estar quando se comparava a espaços com pouco verde.

Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse quando comparados aos moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada revista Nature. Os pesquisadores mostraram uma maior ativação das amígdalas entre os moradores de grandes cidades e foi curioso o fato de que isso estava presente mesmo nos adultos que viveram nas “selvas de concreto” somente na infância.

Este mês um novo estudo conduzido pelo Instituto Max Planck na Alemanha apoiou esses achados ao demonstrar que as pessoas que moram ao redor de muitas árvores têm maior integridade de uma das regiões do cérebro mais associadas ao processamento do estresse e reações frente ao perigo. E essas estruturas são as amígdalas.

O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar, e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.

Blue and Orange Light Projeced on Left Hand of Person

 

Ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos que fazem com que um cérebro homossexual seja diferente de um outro heterossexual, mas as evidências científicas que temos até o momento apontam que componentes genéticos e até exposição a hormônios sexuais e anticorpos no útero da mãe têm muuuuuuito mais peso do que qualquer componente cultural.

 

Notícia G1 18/09

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença  

 

adult, busy, chat

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Sabemos que o estado de abstinência acontece com drogas, mas também pode ocorrer com a internet. Pesquisadores das universidades de Swansea no Reino Unido e Milão na Itália mostraram que, para aqueles que exageram na internet, ficar um período sem navegar é capaz de mexer com parâmetros fisiológicos como a pressão arterial e frequência cardíaca.

O estudo envolveu cerca de 150 voluntários com idades entre 18 e 33 anos antes e depois de uma sessão de internet. Após o término da sessão, aqueles que tinham o hábito de usar a internet muitas horas por dia tinham um quadro de ansiedade acompanhado de aumento de 3 a 4% da pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os usuários leves e moderados, nenhum deles teve alterações fisiológicas.

Os participantes usavam a internet numa média de 5 horas por dia, 20% usavam mais de seis horas e 40% consideravam que estavam exagerando. Os principais motivos para o uso foram as redes sociais e compras. Homens e mulheres não se comportaram de forma diferente.

Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado que essa abstinência era capaz de piorar os quadros de depressão e sentimento de solidão e ainda diminuir a resistência a quadros infecciosos. Eles também discutem no artigo que deve haver uma atitude responsável no que diz respeito à publicidade dos telefones celulares e outros aparelhos que permitem a navegação na internet.

 

 

 

 

Woman Wearing White Long Sleeve Dress Holding Pink Wedding Bouquet

 

Uma série de pesquisas aponta que não. Uma pessoa tem mais chance de escolher um(a) companheiro(a) quando essa outra pessoa tem o DNA parecido.

 

A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. E a bagagem que carregamos no nosso código genético influencia também a escolha do nosso parceiro.

 

Não faz muito tempo, o periódico Proceedings of the National Academy of Sciences publicou uma pesquisa mostrando que o uma pessoa tem o código genético mais parecido do seu parceiro ou parceira quando comparado ao DNA de outras pessoas com mesmo nível socioeconômico, etnia e origem de nascimento.

 

A ideia de semelhança do código genético dos casais foge um pouco do senso comum. Evitamos casar com nossos parentes e estudos mostram que mulheres se sentem mais atraídas pelo cheiro de homens que tem genes do sistema imunológico diferentes dos delas. Isso parece uma contradição, mas esses genes imunológicos podem ter comportamento diferente dos demais. Esse estudo foi o primeiro a analisar as semelhanças do código genético entre membros de um casal utilizando todo o genoma.

 

Em janeiro de 2017, outra pesquisa publicada pela revista Nature Human Behavior confirma a tese que DNAs parecidos se atraem. Pesquisadores australianos estudaram os genes de milhares de casais e mostraram uma inequívoca associação entre os genes vinculados a peso e altura de um indivíduo com o peso e altura do(a) parceiro(a). Do ponto de vista evolutivo, isso garante uma maior chance de perpetuação das características fenotípicas à prole.

 

Resumo da ópera. Pessoas com mais semelhanças que diferenças têm mais chance de se atrair para construírem uma relação de longo prazo. Entretanto, vale sempre a pena lembrar que respeitar e incentivar as diferenças pode ser uma das melhores receitas para que essa relação se sustente.

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Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Temos evidências de que uma experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
 
Pesquisadores escoceses e ingleses têm demonstrado nos últimos anos que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados. Nesta ultima semana, pesquisadores das Universidades de York e Edimburgo mostraram que idosos que caminhavam em espaços da cidade em que o verde estava bem presente, intercalado pela ‘floresta de concreto’, apresentaram uma atividade cerebral mais modulada e maiores manifestações de bem-estar quando se comparava a espaços com pouco verde.
 
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
 
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar, e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.
Woman Wearing Yellow Dress Beside Woman Wearing Red Dress
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Estamos familiarizados com a ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder. Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.
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As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança.  Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.
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Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.
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Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.
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Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

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Nas últimas décadas houve um declínio evidente na proporção de pessoas casadas. Já tivemos cifras em torno de 70% na década de 1970 e chegamos em 2014, no Brasil, com 38,6% das pessoas acima de 15 anos casadas e 49,2% solteiras. A região norte tem a maior proporção de solteiros (60,5%), seguida pelas regiões nordeste (56,7%), centro-oeste (48,6%), sudeste (44,3%) e a região sul (44,2%). Quando falamos de união conjugal, independente de papel no cartório, a média nacional é de 56.7%.

Muitos enxergam o casamento como uma decisão que concorrerá com a liberdade e isso ocorre especialmente entre os homens jovens. Entretanto, poucos têm consciência dos benefícios que uma parceria estável traz ao individuo. Pesquisas revelam que um projeto de vida a dois tem repercussões positivas em várias dimensões da vida e a seguir elenco alguns números entre os homens casados:

– melhores salários e mais estabilidade no emprego;

– vida sexual mais satisfatória. Um estudo americano mostrou que 51% dos homens casados dizem estar extremamente satisfeitos com suas vidas sexuais, comparados a 36% no caso dos solteiros;

– melhor saúde física e mental. Nos EUA, homens casados vivem em média 10 anos a mais que os solteiros e, quando se fala em felicidade, 43% reportam que estão muito felizes, enquanto apenas 24% dos que moram juntos dizem o mesmo.

Apesar desses números, quase metade dos casamentos acaba em divórcio, e na maioria das vezes, a mulher é quem toma a decisão. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos e a maior taxa de divórcio é a do Distrito Federal (DF). A menor, três vezes menor que no DF, é a do Amapá.

Timelapse Photography of Vehicle on Concrete Road Near in High Rise Building during Nighttime

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Lancet mostrou que quem mora perto de áreas com grande circulação de automóveis tem um risco maior de desenvolver um quadro de demência. O estudo foi realizado na cidade de Ontário no Canadá com duração de dez anos.

 

Há evidencias em roedores que a poluição do ar promove estados de inflamação no cérebro, assim como o fenômeno de degeneração.  Já foi demonstrado também que o ar poluído aumenta o grau de aterosclerose que por sua vez pode levar ao aumento da incidência de lesões vasculares no cérebro.

 

Vale lembrar que as lesões vasculares representam a segunda causa mais comum de demência na maioria das populações, perdendo para a Doença de Alzheimer. Em algumas populações, a demência por lesões vasculares é até mais freqüente que a Doença de Alzheimer.

  

E tem também a poluição sonora

 

A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando o risco de lesões vasculares, não só no coração, mas também no cérebro.

 

Ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalha o desempenho cognitivo.  Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.

 

Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes…

 

E nem falamos da poluição visual. Mas isso fica para uma próxima vez.

 

 

Woman in Black Shirt Carrying His Son in the Seashore during Sunset

 

Parece que os divórcios têm mesmo um comportamento sazonal. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por sociólogos da Universidade de Washington nos EUA. Eles mostraram que, pelo menos no estado de Washington, existem picos de divórcio duas vezes ao ano: março e agosto, logo após as férias de inverno e verão.

 

Depois desse estudo eles passaram a analisar outros estados, e os resultados têm sido semelhantes. Já estudaram também os estados de Ohio, Minnesota, Florida e Arizona.

 

A explicação mais discutida pelos pesquisadores é que as férias em família são épocas culturalmente sagradas e protegidas. Muitos casais que passam por problemas de relacionamento enxergam as férias como uma ótima chance de reconciliação e criam expectativas altas de um novo começo, transição para algo diferente, uma nova fase de vida conjugal. Entretanto, as férias podem ser períodos difíceis, em parte pelo maior convívio com o cônjuge ou com familiares, o que pode expor fissuras do casamento. E expectativas altas seguidas por frustração é uma péssima combinação.

 

 

 

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Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.

A natureza dá uma forçinha para que esse projeto de cuidar da cria seja bem sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem com que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.
A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros), têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas escolhem seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.

Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Não é à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.

 
E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor desempenho e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.

 

E com os pais ? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.

 
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas, com suas rotinas de malabaristas, apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade bem mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, freqüentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, provedora, profissional realizada ou em busca de realização, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.

 

 

 

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