Black Round Analog Wall Clock

 

Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.

 

Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.

 

Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro. Esta semana tivemos os resultados de um estudo conduzido pela Universidade McGill no Canadá. A pesquisa mostrou que entre os mais 30 mil estudantes estudados, aqueles que começavam as aulas mais tarde, nove e meia da manhã, dormiam melhor e sentiam-se menos cansados durante o dia do que aqueles que entravam na sala de aula às oito.

 

Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.

 

E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.

adult, beauty, black and white
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Sabemos há um bom tempo que experiências que têm conteúdo emocional são capazes de produzir memórias mais vívidas e duradouras. Mas será que a emoção também pode influenciar a memória de outros conteúdos sem componentes emocionais? Pesquisadores da Universidade Nova Iorque publicaram recentemente um estudo na revista Nature Neurosciencedemonstrando que a resposta é um sim.
 
Eles mostraram que as experiências emocionais em humanos são capazes de induzir estados de funcionamento cerebral que persistem por algum tempo após esse evento e favorecem a consolidação de memórias neutras, sem conteúdo emocional. É como se as emoções deixassem as outras memórias subsequentes mais coloridas.  
 
O experimento que eles conduziram pedia aos voluntários que eles apreciassem uma série de imagens que elicitavam emoção e, após 10-30 minutos, eles eram apresentados a imagens sem conteúdo emocional. Outro grupo de voluntários fazia o contrário: primeiro as imagens neutras e depois as com emoção.
 
Seis horas depois os voluntários eram submetidos a uma testagem de quanto eles se lembravam das imagens neutras. Os resultados mostraram que aqueles expostos ao conteúdo emocional primeiro tiveram melhor desempenho nos testes de memória. Além disso, exames de ressonância magnética funcional apontaram que o estado funcional do cérebro desencadeado pela experiência emocional persistiu por cerca de trinta minutos. Poderíamos chamar esse efeito de “ressaca emocional”.   

Timelapse Photography of Vehicle on Concrete Road Near in High Rise Building during Nighttime

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Lancet mostrou que quem mora perto de áreas com grande circulação de automóveis tem um risco maior de desenvolver um quadro de demência. O estudo foi realizado na cidade de Ontário no Canadá com duração de dez anos.

 

Há evidencias em roedores que a poluição do ar promove estados de inflamação no cérebro, assim como o fenômeno de degeneração.  Já foi demonstrado também que o ar poluído aumenta o grau de aterosclerose que por sua vez pode levar ao aumento da incidência de lesões vasculares no cérebro.

 

Vale lembrar que as lesões vasculares representam a segunda causa mais comum de demência na maioria das populações, perdendo para a Doença de Alzheimer. Em algumas populações, a demência por lesões vasculares é até mais freqüente que a Doença de Alzheimer.

  

E tem também a poluição sonora

 

A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando o risco de lesões vasculares, não só no coração, mas também no cérebro.

 

Ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalha o desempenho cognitivo.  Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.

 

Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes…

 

E nem falamos da poluição visual. Mas isso fica para uma próxima vez.

 

Woman Wearing Gray Scarf and Gray Coat Near Group of People

Estima-se que 2/3 dos casos de doença de Alzheimer ocorram entre as mulheres

As mulheres vivem mais, mas parece que existem outros fatores biológicos que ajudam a explicar essa diferença. Muitos candidatos estão na fila, mas sem resultados conclusivos até o momento. Um deles é a redução dos níveis de estrogênio com a menopausa. Isso pode potencializar o risco de uma mulher que já é geneticamente predisposta a apresentar a doença.

 

Outra possível explicação é o efeito protetor da educação formal. Apesar das diferenças educacionais entre os gêneros terem diminuído fortemente nos últimos anos, elas ainda existem em muitas regiões do mundo, especialmente em populações mais idosas.

 

Uma diferente resposta ao estresse e a maior prevalência de ansiedade e depressão entre as mulheres podem fazer a diferença. Eventos desgastantes como doenças, divórcios e problemas no trabalho parecem aumentar o risco de demência entre as mulheres, mas o mesmo não acontece com os homens. O estado de ansiedade de uma mulher aumenta as chances dela desenvolver a doença e essa associação não foi demonstrada entre os homens.

 

A doença é mais agressiva no caso delas

As pesquisas mostram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuoespaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis.

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. Essas pesquisas solidificam o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva.

 

Além disso, mulheres cuidam de parentes com a doença de Alzheimer 2.5 vezes mais que os homens, e em 20% dos casos têm que abandonar o trabalho.

 

E não é que o som ambiente pode mudar o sabor da sua ceia? Se a ceia tiver muitas comidinhas doces ou azedas, ela ficará mais saborosa se a música tiver tons mais agudos. A torta de limão terá mais presença ao som de violinos de Vivaldi. Se na ceia predominar gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores. O café, sem dúvida, será muito bem acompanhado por uma ária com Plácido Domingo. Essa influência de uma experiência sensorial sobre outra é uma interessante linha de pesquisa da Universidade de Oxford na Inglaterra liderada pelo psicólogo Charles Spence.

O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos.  O mesmo vinho é considerado mais encorpado ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai.

Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá seus pitacos em restaurantes sofisticados. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.

** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido.  Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso.  Alimentos ricos em glutamato como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão por cima do molho bolonhesa.

Man Standing on High Round

Parece que a redução do volume da região parietal posterior do cérebro é mais importante que a idade por si só para essa aversão a riscos. Esta é a conclusão de um estudo recém-publicado pela prestigiada revista Nature Communications.

A população está envelhecendo como nunca. Calcula-se que em 30 anos, pela primeira vez na historia, existirão mais pessoas com mais de 60 anos do que crianças. É um grande contingente da população tendo que tomar decisões o tempo todo, médicas, financeiras, etc.

Pesquisadores da Universidade de Nova Iorque já haviam demonstrado, em adultos jovens, que quanto menor o volume da região parietal posterior do cérebro, menor a tendência em correr riscos. Esta é uma região especialmente vulnerável à redução volumétrica normal do cérebro associado à idade. Então os mesmos pesquisadores perguntaram se a redução dessa área cerebral com o envelhecimento era mais preditiva que a idade por si só para o desenvolvimento de uma dificuldade em se envolver em riscos. Dito e feito. A análise de situações de risco de 52 voluntários com idades entre 18 e 88 anos mostrou que essa região cerebral faz mais diferença que a idade. Foram testes como escolher entre ganhar $5 ou apostar em ganhar $20 com 25% de chance de êxito. Esta região parietal também está envolvida no planejamento de movimentos, localização espacial e atenção.

cooking, food, garlic

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Mulheres preferem o cheiro de homens que se alimentaram há pouco tempo de alguns tipos de alimento e entre eles está o ALHO!

 

Já existiam pistas de que fêmeas de algumas espécies dão preferência a machos que se alimentaram recentemente de dietas ricas em nutrientes. Esse é o caso das salamandras, por exemplo. Recentemente, pesquisadores da República Tcheca demonstraram que as mulheres têm mais prazer em sentir o cheiro do suor de homens que comeram alho. Elas relatavam que o cheiro era mais másculo e atraente do que o suor de um grupo controle. Pelo menos quatro dentes de alho ou uma cápsula com um grama de extrato de alho foram necessários para esse efeito. O alho tem poder bactericida e antioxidante e é capaz de mudar o cheiro do suor.  Uma das hipóteses para a maior atração das mulheres por esse suor é que ele pode disparar um aviso de que aquele macho é um potencial parceiro saudável.

 

Um outro estudo publicado este ano demonstrou que as mulheres dão preferência ao cheiro de camisetas de homens que consumiram mais alimentos ricos em carotenoides como cenoura e abóbora. Esses alimentos provavelmente disparam um mecanismo arcaico nas fêmeas de que aquele macho é mais saudável. Deficiência de carotenoides está associada a mais infecções e mortalidade. Além disso, homens brancos são considerados visualmente mais atraentes pelas mulheres quando têm na pele mais pigmentos amarelados dos carotenoides.

 

** O hálito de alho não costuma ser atraente. Portanto, não é uma boa ideia comer uma cabeça de alho logo antes de sair de casa para um jantar romântico.

 

 

 

Woman in Black Scoop Neck Sweater and Blue Denim Shorts

 

O que é felicidade? São incontáveis as definições, mas uma que pode nortear bem nossa conversa é a seguinte: as pessoas são mais felizes quando têm um dia a dia com predomínio de emoções positivas e também estão satisfeitas com o curso da própria vida.

 

Pesquisas realizadas com gêmeos têm demonstrado que existe sim um componente genético da felicidade. Cada um tem um nível básico de felicidade, maior em alguns, menor em outros. Essa influência genética pode ser comparada à tendência que algumas pessoas têm em estar sempre com o peso corporal em dia, independente dos altos e baixos da vida.

 

Esse perfil genético pode corresponder a 50% do grau de felicidade de uma pessoa, outros 10% têm a ver com as circunstâncias da vida (ex: inserção profissional e estado de saúde), e ainda temos uma margem de 40% daquilo que podemos exercitar para termos percepção que estamos mais felizes.

 

Atividade física faz bem ao corpo e à mente e hoje as pessoas falam com muita naturalidade sobre força, resistência, exercícios para as pernas, braços, abdome, etc. Existe outro tipo de “malhação” que realmente incrementa nosso estado de felicidade de forma mais sustentada. Outros músculos, outras resistências, um FITNESS de FELICIDADE, com ou sem personal trainer. E isso funciona num círculo virtuoso – quanto maior a regularidade dos exercícios, maior a percepção de felicidade. E quanto maior o estado de felicidade, maior a disposição para os exercícios. Isso é fácil? É preciso MOTIVAÇÃO, ESFORÇO e COMPROMETIMENTO, da mesma forma que um treinamento para os músculos do corpo.

 

E qual é a melhor série de exercícios, qual o melhor treino? Boas doses de OTIMISMO, ALTRUÍSMO e a GRATIDÃO são reconhecidas como caminhos dos mais férteis para ficar “sarado” de felicidade. Além disso, para seguirmos a vida satisfeitos com seu curso, precisamos navegar. O filósofo Sêneca nos deixou o famoso pensamento: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.

 

Alguém poderia perguntar: mas qual é a vantagem de ser feliz?

 

O estado de felicidade traz repercussões positivas não só ao indivíduo, mas à sua família, comunidade e à sociedade de forma mais ampla.  Pessoas mais felizes têm melhor desempenho profissional e melhores oportunidades, têm mais sucesso nas relações interpessoais, mais energia e saúde, o que inclui um melhor perfil imunológico, menor nível de estresse e maior longevidade. Pessoas mais felizes são mais criativas, autoconfiantes, altruístas e generosas, têm o hábito de praticar atividade física e são mais espiritualizadas e religiosas. Pouca coisa, hein?

 

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Retrieval practice – este é o nome de uma técnica de memorização que tem sido repetidamente demonstrada como uma ótima estratégia para o aprendizado, superior a outras, como revisão e resumos. Podemos traduzir como “prática de recuperação”.
Funciona assim: após o aprendizado, o educador solicita ao aluno que tente resgatar o conteúdo da memória imediatamente, após uma semana ou após um mês, por exemplo.
 
Esta semana, a prestigiada revista Science publicou os resultados de uma pesquisa que demonstrou que o “retrieval practice” tem ainda outro beneficio: é capaz de servir como um antídoto para que o estresse não atrapalhe a consolidação da memória.
 
Pesquisadores da Universidade de Tufts nos EUA estudaram 120 voluntários e demonstraram que o “retrieval practice” teve efeito superior ao de revisão de conteúdo quando o negócio era proteger a memória após uma situação de estresse. O estresse nesse estudo eram testes cognitivos em que os voluntários eram filmados e tinham a presença de dois juízes e três outros voluntários.
 
O “retrieval practice” pode otimizar o tempo de estudo e estudos ainda mostram que os alunos ficam menos ansiosos, em parte, por ficarem mais auto-confiantes.

 

affair, apple, girl

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Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking mostrou algumas diferenças nos traços de personalidade entre usuários de Android e iPhone. A pesquisa apontou que, entre outras diferenças, o usuário de Android é mais honesto. Polêmico, não?

 

Os autores afirmam que a conexão do smartphone com a personalidade é tão grande que podemos até dizer que ele é uma extensão do indivíduo. Psicólogos britânicos aplicaram questionários a 500 usuários e avaliaram o perfil psicológico e atitudes ligadas ao uso do smartphone.  Veja os resultados:

 

Usuários de iPhone:

  • Eram mais jovens
  • Tinham duas vezes mais chances de serem mulheres
  • Associavam mais o smartphone ao status social do individuo
  • Eram mais extrovertidos

 

Usuários de Android:

  • Tinham mais chance de serem homens e mais velhos
  • Eram mais honestos com menos tendência de romper regras para alcançar ganhos pessoais
  • Mais agradáveis
  • Menos interessados em poder e status

 

O estudo foi feito na Inglaterra onde a proporção iPhone / Android é de aproximadamente 50/50. No Brasil a fatia de mercado do iPhone não chega a 3%. Acredito que se a pesquisa fosse feita aqui, os resultados seriam potencializados. Se menos gente tem um produto, maior ainda seria a associação de poder e status.

 

 

Entenda melhor o caso… http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/73/artigo265022-3.asp

breakfast, cereal, dessert

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Pela primeira vez tivemos um estudo que demonstrou que os probióticos, como os Lactobacillus, podem melhorar o desempenho cognitivo de pacientes com a Doença de Alzheimer. Além disso, os probióticos melhoraram os níveis de colesterol e triglicérides e reduziram marcadores inflamatórios e resistência à insulina. Os resultados foram publicados pelo conceituado periódico Frontiers in Aging Neuroscience.  
 
Muitas companhias de alimentos probióticos vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.
 
A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.
 
Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.
 
As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando e o presente estudo confirma em humanos o que já se sabia em ratinhos. Será que crianças e adultos sem doença cerebral podem ter o mesmo beneficio?

Brown Wooden Arrow Signed

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Temos que tomar decisões o tempo todo, algumas fáceis e outras mais  complicadas. Veja abaixo seis dicas que podem ajudar na melhor escolha na hora de decidir.

 

1-   O que você esperaria que outras pessoas decidissem se estivessem no seu lugar? Largar ou não uma missão em prol de uma causa nobre por dificuldades menores?

 

2-   Decida com um pouco de emoção. É um tempero que pode ajudar quando em doses moderadas. Não tome nenhuma decisão quando estiver com as emoções à flor da pele. As pessoas que têm lesões no lobo frontal têm um menor componente emocional e maior dificuldade de tomar decisões. Têm muita dificuldade em aprender com os erros.

 

3-   Faça uma lista de prós e contras da opção A e outra lista separada de prós e contras da opção B. Pode parecer um negativo e positivo do mesmo filme, mas você pode se surpreender.

 

 

4-   Você está justificando demais a escolha por uma das opções? Isso pode sugerir que você ainda não se convenceu de estar escolhendo a melhor opção.

 

5-   Assertividade é uma boa medida para tomada de decisões. Fica entre a passividade e a agressividade. A passividade falta com o respeito a você mesmo enquanto a agressividade desrespeita os outros. Assertividade respeita os dois lados. Lembre-se do jeito de convencer de um professor ou de um médico, por exemplo.

 

6-   Imagine as consequências da opção A como se não existisse opção B. Faça o contrário também.

 

Dica extra. Dê preferência a tomar decisões no começo da manhã, pois elas costumam ser mais acertadas nessa hora do dia.

Twitter Application

 

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Há pelo menos três décadas sabe-se que a vida social de um indivíduo tem impacto em sua longevidade. Essa sociabilidade hoje é vista hoje como um fator até mais protetor à nossa saúde que a atividade física e o peso em dia. Por outro lado, a baixa sociabilidade tem um efeito negativo comparável ao tabagismo.
 
Um estudo publicado este mês pelo prestigiado periódico PNAS mostrou que isso também vale para a sociabilidade virtual. Doze milhões de americanos usuários do Facebook, nascidos entre 1945 e 1989, foram acompanhados por seis meses. Os resultados mostraram que a interação online confere maior longevidade quando moderada e ainda mais quando complementada por interações off-line. O exagero das interações virtuais teve efeito negativo. 
 
A análise dos detalhes da vida virtual dos participantes mostrou que viviam mais aqueles que se encaixavam entre os 50% que tinham mais amigos no Facebook. O mesmo efeito positivo foi encontrado entre os que postavam mais fotos, o que pode estar associado a uma vida social em carne e osso mais movimentada. 
 
O número de amizades aceitas no período do estudo esteve associado a uma maior longevidade, o que nos faz pensar que a popularidade pode ser boa para saúde. Já o número de solicitações de amizade efetuadas pelo usuário não teve relação positiva ou negativa. Esse último resultado foi desapontador para os cientistas, pois o estímulo de busca de novas amizades virtuais poderia ser uma estratégia de promoção da saúde.
 
E não adianta ficar contando o número de “likes” de cada post, pois eles não tiveram efeito algum nessa pesquisa.

 

Pile of White Pink and Brown Oblong and Round Medication Tablet

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Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo.

Na última semana, um estudo publicado por pesquisadores de Chicago nos EUA evidencou pela primeira vez, através de um protocolo inédito que combinava ressonância magnética funcional e ensaio clínico, uma área do lobo frontal que define com boa confiabilidade quais pacientes são sensíveis ao efeito placebo. Os pacientes estudados sofriam de dor crônica por osteoartrite. Os achados podem ajudar no desenvolvimento de terapias mais personalizadas para o controle da dor crônica, além de auxiliar no desenho e interpretação de testes clínicos de medicações.

No dia a dia da prática clínica, os médicos, às vezes, lançam mão de vitaminas e analgésicos que não têm ação específica para a condição clinica específica do paciente e discute-se muito se essa prática é ética.  As diretrizes de ética médica nos EUA proíbem seu uso sem que o paciente tome conhecimento, com o argumento que a prática pode enfraquecer a relação médico-paciente. No Brasil, o código de ética médica não ampara o uso do placebo sem o conhecimento do paciente.

Uma pesquisa recente publicada pelo British Medical Journal revelou que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.

 

 

 

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Nosso cérebro tem um mecanismo de alarme que acende a `luz vermelha` quando fazemos algo de perigoso, errado ou imoral. Contar uma mentira tem o poder de disparar esse alarme, também conhecido como amígdalas das regiões temporais, e essa semana tivemos uma demonstração de como o cérebro colabora para o fenômeno `uma mentira leva a outra`.

Pesquisadores do University College of London estudou através de ressonância magnética funcional os cérebros de 80 voluntários durante um jogo que eles tinham a possibilidade de mentir para aumentar as chances de ganhar o jogo.

Uma pequena mentira era capaz de estimular as amígdalas, e à medida que novas mentiras iam sendo contadas, as amígdalas iam ficando menos estimuladas, iam adormecendo. Com as amígdalas adormecidas, o cérebro ficaria mais encorajado a contatar mentiras mais robustas. E foi exatamente isso que os cientistas encontraram: à medida que eles iam mentindo, as amígdalas iam se apagando e as mentiras ficavam cada vez mais `ousadas`. Boa parte dos políticos brasileiros parece não ter amígdalas adormecidas, mas em coma.

O presente estudo só testou o ato de desonestidade, mas o mesmo poderia ser aplicado à tomada de atitudes de risco e comportamento violento. Isso ainda precisa ser testado.

A pesquisa foi publicada no prestigiado periódico Nature Neuroscience.

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Em conferência realizada nesta última semana em São Francisco – EUA, a Academia Americana de Pediatria alerta para os cuidados que os pais devem ter ao expor os filhos nas redes sociais

 

Os números estão aí: nos EUA, 92% das crianças menores de dois anos já têm presença nas redes sociais e um terço já aparecem nas primeiras 24 horas de vida. Os pais até que são bem intencionados, mas poderíamos dizer que não muito conscientes das consequências imprevisíveis do ato de dividir com o mundo as experiências dos seus filhos. Preocupam-se com o conteúdo a que os filhos são expostos na internet (e.g., violência, drogas), mas não pensam nos potenciais problemas associados à presença das crianças nas redes sociais.

 

Os pediatras podem alertar os pais o quanto é importante proteger a identidade das crianças no mudo virtual. Podemos falar dos riscos de imagens nas mãos de pedófilos, constrangimento junto aos amigos e cyberbullying, mas também que essas crianças vão querer controle e privacidade de suas imagens. Eles certamente terão o desejo de construir suas próprias identidades virtuais. As primeiras crianças que cresceram expostas nas redes sociais estão agora chegando à vida adulta, entrando na faculdade e no primeiro emprego.

 

Os pais precisam conhecer melhor as ferramentas online que usam, suas politicas de privacidade, e por que não, dar o direito às crianças de vetar uma publicação.  Publicações que `entregam` de bandeja onde a criança mora ou estuda, assim como fotos sem roupa, devem ser evitadas ao máximo.

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A revista Scientific American trouxe esta semana dicas que podem fazer nossas mentes ficarem mais leves. Aqui falamos não só de perdão a uma pessoa, mas também a grupo de pessoas que cometeram injustiças e eventos traumáticos.

 

1- O maior interessado no ato de perdoar é você mesmo. Você tem a chance de tirar um peso pesado da sua mente, que costuma ficar reverberando com a experiência do rancor.

 

Em um estudo com mães que perderam seus filhos por crimes violentos, uma intervenção terapêutica chamando a atenção para o grande benefício próprio de se buscar apagar ou reduzir o rancor, trouxe resultados bem positivos. Após uma semana da intervenção, elas sentiram-se menos abaladas e com escores depressão 60 por cento menores. Outros estudos mostraram também que perdoar reduz o grau de ansiedade de quem perdoa.

 

2- Faça o exercício de se colocar do outro lado. Tente criar uma atmosfera de empatia, imaginando a situação que esse outro lado vivia quando cometeu a ação que você julga, de forma inequívoca, errada ou injusta.

 

3- Tente modular suas reações ao evento traumático como impulsos de revolta, ondas de raiva e ansiedade.

 

4- Lembre-se que o tempo é um grande remédio para cicatrizar feridas. Em um momento muito próximo ao evento traumático, o exercício de perdão é mais difícil. Deixar a poeira baixar, às vezes, é o caminho mais acertado.

 

E por último, insiro aqui um pensamento português que acredito que pode colaborar sobremaneira em muitas situações do dia a dia em que podemos cair na armadilha de guardar rancor em nossas mentes.

 

Não deveríamos nos martirizar por ficarmos exigindo dos outros aquilo que eles não podem nos oferecer. Com sotaque bem português: Cada qual dá o que tem conforme a sua pessoa.

 

Anos depois aprendi com uma senhora portuguesa que na verdade essa frase é parte de uma quadra popular bastante conhecida em Portugal:

 

Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.

 

Em Portugal há também um ditado muito popular que diz a mesma coisa:

 

Pilriteiro dá pilritos, a mais não é obrigado.

 

O pilriteiro é um arbusto espinhoso bastante comum em Portugal e dá uma frutinha muito ácida, o pilrito. Pela quadrinha popular, parece que o pilrito não deve mesmo ser uma fruta muito apreciada. Tenho uma teoria sobre frutas exóticas que se pilrito fosse bom mesmo, seu nome seria morango ou banana e seria exportado para todos os cantos do planeta.

 

Boa parte das situações do dia a dia que poderiam nos afastar do nosso equilíbrio mental tem a ver com a cobrança e às vezes com nossa indignação pelas atitudes dos outros que nos desagradam. É o prestador de serviço que não terminou o serviço direito, é o cara que passa à nossa frente pelo acostamento enquanto estamos parados direitinhos na fila do engarrafamento, é a moça do caixa do supermercado que é lenta no seu desempenho. Podemos começar a enxergar esse cotidiano através de uma outra ótica. O cara que fura fila não tem educação e princípios de cidadania. Vamos nos irritar? Brigar? A moça lenta no caixa do supermercado é lenta mesmo e nem foi treinada para ser mais rápida. O mau prestador de serviços é ruim de serviço mesmo e a gente que fez a escolha. Antes de reagirmos de forma a perdermos nosso dia, podemos pensar que pilriteiros dão pilritos  … E sempre que tivermos poder de escolha, não precisamos insistir em comer pilritos. Mudamos a página e seguimos em frente com morangos.

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Algumas pessoas acusam a lua como culpada por uma má noite de sono e até por mudanças no estado mental. Será que isso não passa de um mito? Para entender melhor essa questão, pesquisadores de vários pontos do mundo estudaram o perfil de sono das crianças e sua relação com as fases da lua. Os resultados foram publicados recentemente pelo periódico Frontiers in Pediatrics.
O estudo foi realizado com crianças, já que elas são menos sujeitas a fatores que sabidamente influenciam o padrão do sono como o estresse. Quase seis mil crianças nos cinco continentes foram acompanhadas por 28 semanas e passaram por uma avaliação que incluía dados sociodemográficos, duração do sono noturno, índice de massa corporal e nível de atividade física.
As fases da lua foram categorizadas em três tipos: nova, cheia e “meia lua” que representava os quartos crescente e minguante. Os resultados mostraram que na lua cheia as crianças dormiam cinco minutos menos do que na lua nova. Não foi possível detectar outras mudanças de comportamento das crianças nas diferentes fases da lua. Cinco minutos a menos de sono não parece ser relevante para a saúde das crianças e muito menos para a dos adultos.
Outro estudo publicado em 2006 pelo prestigiado periódico Current Biology já apontava que temos uma tendência a dormir menos no período da lua cheia.
Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono. A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, numa mesa de bar e na lua cheia, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.
Dito e feito. A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos.  Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.
Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo conduzido entre quatro paredes. A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos.  Isso pode ter representado uma vantagem evolutiva ao fazer com que caçadores e coletores dormissem menos para aproveitar a luminosidade generosa da lua cheia.
Mas o efeito da lua cheia no comportamento humano ainda tem muitos mistérios. Quando eu fazia residência médica em neurologia eu não levava muito a sério quando alguns pacientes com epilepsia me falavam que na lua cheia as crises eram mais comuns. Alguns anos depois o periódico da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa apontando que as observações dos “supersticiosos” estavam certas.

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Esquisitices… Nem tanto. Há uma explicação plausível para a observação de que quanto maior o cérebro, maior é o bocejo.

Pesquisadores da Universidade de Nova Iorque estudaram pelo youtube a duração do bocejo em 19 diferentes espécies que incluíam camundongos, coelhos, macacos, etc. Eles encontraram que o bocejo dos camundongos (0.8s), que têm cérebros bem menores, é mais curto do que o dos homens (6.5s), por exemplo. Os cachorros ficam com 2.4s, gatos com 1.97s. A explicação é a de que quanto maior o cérebro, mais prolongado tem que ser o bocejo, já que a princípio, ele tem a função de regular a temperatura cerebral. Hummm… Será que esse papo é sério mesmo?

O bocejo pode ser observado em todas as cinco classes de vertebrados, o que sugere que deva existir uma função adaptativa para esse fenômeno. Uma das formas de explicar o bocejo e seu caráter contagiante é a sua utilidade do ponto de vista social, com o potencial de sincronizar o conhecimento de um mau estado da mente ou do corpo num grupo de pessoas.

Apesar da existência de inúmeras outras teorias que tentam explicar a razão biológica do bocejo, pouquíssimos estudos experimentais foram realizados para avançar esse conhecimento. Recentemente, uma pesquisa publicada pelo periódico Frontiers in Evolutionary Neuroscience apontou que o bocejo é mais frequente em épocas do ano em que a temperatura do ambiente é menor que a do corpo, sugerindo que ele serve literalmente para esfriar a cabeça. A temperatura habitual do cérebro é de 37º C com flutuações de 0.5º C.

Os pesquisadores avaliaram a frequência de bocejo de 160 americanos do Arizona ao serem apresentados a imagens de gente bocejando, já que o bocejo tem o seu componente contagioso. Os resultados mostraram que no inverno as pessoas bocejam mais (inalam mais ar frio), e isso é independente de outros fatores como umidade e tempo de sono na noite anterior. Quase metade dos voluntários do estudo bocejou durante o teste no inverno (temperatura média: 22º C) enquanto no verão (temperatura média: 37º C) a freqüência foi de apenas um quarto. Além disso, no verão, a freqüência de bocejo foi menor à medida que se ficava mais tempo em ambiente externo. Esse efeito da temperatura ambiente já havia sido demonstrado entre pássaros e macacos.

Um dos pesquisadores da atual pesquisa já havia publicado em 2010 resultados revelando que o bocejo e o espreguiçar de um ratinho são desencadeados por aumento na temperatura do cérebro que por sua vez diminui logo após a realização de cada um dessas duas ações. O efeito de resfriamento do bocejo seria o resultado de uma maior troca de calor com o ambiente através das vias aéreas e até mesmo pelo ato de se espreguiçar. Essa troca de calor também é favorecida pela abertura da mandíbula e o consequente aumento do fluxo sanguíneo cerebral. Esses resultados apoiam a ideia de que uma disfunção da regulação térmica do corpo represente a principal explicação para os bocejos excessivos que podem acompanhar alguns transtornos neurológicos como a esclerose múltipla.

Há evidências também que o bocejo facilita a ativação do córtex cerebral em situações de transição de estado, como por exemplo, do sono para a vigília. Em animais, já foi demonstrado que o bocejo ocorre com maior frequência na antecipação de eventos estressantes e em mudanças súbitas de um estado de alto grau de atividade para a calmaria. Entretanto, o mais provável é que o resfriamento cerebral seja a forma pela qual o bocejo colabore para a modulação cerebral nessas situações.

Girl Sleeping With Her Brown Plush Toy

 
Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.
 
Uma menor produção e um pico de concentração atrasado do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.
 
Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o início da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior freqüência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro – os americanos já dirigem aos 16 anos.
 
Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.
 
E se atrasar o início das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.
 

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