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A história que veremos abaixo já foi demonstrada também no tratamento de dor crônica, rinite alérgica, enxaqueca e síndrome do intestino irritável. Dessa vez o caso foi com a ansiedade antes de fazer uma prova. O uso do placebo, mesmo que o voluntário saiba que é placebo o que está usando, pode trazer benefícios em todas essas condições.

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico Scientific Reports apontou que voluntários que usam pílulas de placebo por duas semanas antes de uma prova apresentam menos ansiedade na véspera da prova e ainda se sentiam mais confiantes. O curioso é que eles sabiam mesmo que era placebo. Eram instruídos que placebo pode ter efeitos significativos e que, se fossem sorteados a usá-los, deveriam ter um pensamento positivo para potencializar seu efeito.

 

Mas por que o placebo funciona? Uma possível explicação é a de uma resposta condicionada. Em alguns momentos da vida os voluntários tiveram boa experiência com o uso de pílulas “verdadeiras” e que, ao usar o placebo, esses mesmos resultados repetiram-se. Outra explicação é a de que o uso diário do placebo fez com que os participantes passassem a pensar mais na ansiedade durante a prova promovendo a sensação de que estavam fazendo algo para evitá-la. É claro que tudo isso se dá na nossa mente, no nosso cérebro.

 

Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balançada naquilo que a comunidade científica até então entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doença de Parkinson receberam medicação específica para a doença (levodopa) ou pílulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medicação como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta clínica, demonstraram aumento das concentrações de dopamina no cérebro.

 

Em outro estudo mais recente, publicado pela revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo mostraram que pacientes com a Doença de Parkinson que tinham boa resposta ao placebo apresentavam aumento de dopamina no cérebro em regiões que são comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator “expectativa positiva” pode ter um importante papel no efeito placebo.

 

Em quadros de dor, também há evidências de que o placebo muda quimicamente o cérebro, dessa vez através da liberação de opióides endógenos, efeito que pode ser desfeito através de medicações que bloqueiam o efeito de medicações opióides. As mudanças químicas também ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante às drogas que aumentam a concentração de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condições, a “expectativa positiva” também parece ser a forma como o cérebro faz com que o efeito placebo funcione.   E essa parece ser a explicação do porquê de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras não. Há evidências de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas, e têm maior ativação do sistema de recompensa cerebral, não só na situação de tratamento, mas também em situações de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.

 

Em 2016, o British Medical Journal publicou uma pesquisa revelando que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.