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Pesquisa publicada na última edição do periódico da Academia Brasileira de Neurologia aponta que os cuidadores de pacientes idosos com demência fazem mais uso de medicações psicotrópicas do que aqueles que cuidam de idosos com outros problemas.

 

O estudo foi conduzido no Distrito Federal, sob a liderança do geriatra Einstein Camargos da Universidade de Brasília, e avaliou por dois meses cuidadores de idosos que eram acompanhados em quatro diferentes unidades de atendimento geriátrico de Brasília: Hospital Universitário de Brasília, Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Regional do Guará e Hospital Regional de Taguatinga.

 

Questionários estruturados foram aplicados a 331 cuidadores de idosos, sendo que 63% destes eram cuidadores de pacientes com demência e os outros 37% formados por cuidadores de pacientes sem demência. O uso de psicotrópicos, incluindo benzodiazepínicos e antidepressivos, foi mais comum entre os que cuidavam de pacientes com demência quando comparado ao outro grupo (18.4% X 7%). Medicações para induzir o sono passaram a ser usadas após o início da função de cuidador mais frequentemente entre aqueles que cuidavam de pacientes com demência do que no outro grupo (11.4% X 4.3%). A maioria dos cuidadores era formada por filhos dos pacientes sem ocupação profissional, mulheres em 80% dos casos.

 

Pacientes com demência apresentam agitação durante a noite e habitualmente influenciam o sono da casa como um todo. A carga emocional de cuidar de um ente querido e até mesmo a restrição das atividades sociais também contribuem para esse maior uso de psicotrópicos. Estudos demonstram que os cuidadores de pacientes com demência têm hormônios do estresse mais elevados, respostas imunológicas a infecções menos eficientes, apresentam uma maior freqüência de transtornos psiquiátricos como a depressão e piores qualidade de vida e estado de saúde geral. 

 

A atual pesquisa provoca uma reflexão para que os médicos que assistem a pacientes com demência dêem atenção aos cuidadores e os orientem a ter apoio psicoterápico quando indicado.

 

 

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Adolescentes que assistem a mais filmes com cenas de consumo de álcool têm duas vezes mais chance de começar a beber do que aqueles que vêem pouco desses filmes. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada esta semana pelo prestigiado periódico British Medical Journal. O estudo também revelou que os filmes cheios de álcool também facilitam o comportamento de consumo do tipo “binge”, que é o de beber cinco ou mais doses de álcool de uma vez só. Vamos chamar isso de porre.

 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram o padrão de consumo de álcool entre mais de 6500 adolescentes americanos com idades entre 10 e 14 anos. Fatores que podem influenciar esse consumo também foram investigados, como o comportamento dos pais e a exposição a filmes e propagandas.

 

Os voluntários tinham de apontar quais os filmes já haviam assistido de uma lista de filmes de sucesso. Os pesquisadores mediram o tempo de cenas de consumo de álcool em cada filme e, em média, cada adolescente foi exposto a quatro horas e meia e muitos chegaram a oito horas de exposição. Onze por cento dos adolescentes relataram possuir algum tipo de objeto pessoal com propaganda de bebida alcoólica (ex: camiseta) e 23% deles tinham pais que bebiam em casa pelo menos uma vez por semana.

 

Após dois anos de seguimento, dobrou a proporção de adolescentes que consumia álcool, passando de  11% para 25%, e triplicou o número dos que tinham o hábito de tomar porre,  de 4% para 13%. A presença do álcool em casa, exposição a marketing e filmes com bebidas, assim como comportamento rebelde, todos esses fatores tiveram associação com o consumo de álcool dos voluntários. No caso dos filmes, essa relação era independente do artista estar bebendo ou não. Bastava a presença do produto no cenário.

 

Os autores sugerem que Hollywood deveria adotar para o álcool as mesmas restrições de exposição que faz hoje com o tabaco.

 

 

 

 

Quem pega no volante até três horas após o consumo de maconha tem duas vezes mais chance de se envolver num acidente. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo prestigiado periódico British Medical Journal.

 

Pesquisadores canadenses avaliaram nove diferentes estudos que envolveram quase 50 mil pessoas. Essa foi a primeira meta-análise sobre o tema e que conseguiu separar os efeitos da maconha e do álcool de forma independente. Os resultados são consistentes com estudos experimentais que demonstram que o consumo da maconha provoca alterações das capacidades psicomotoras e redução do desempenho em simulações de direção em laboratório.

 

Apenas conscientizar a população sobre os riscos de acidentes associados ao uso da maconha pode ser insuficiente. Alguns países europeus, Austrália e mais de dez estados americanos implantaram testes de maconha nas estradas que são feitos através de análise da saliva dos condutores. A maioria dessas experiências tem sido de tolerância zero, ou seja, qualquer traço de maconha na saliva já implica em penalização. Até existem propostas para definir níveis considerados toleráveis para a condução de veículos, mas elas ainda não emplacaram.      

 

Testes para maconha podem até ser eficazes, mas ao contrário da experiência com os bafômetros, ainda não há evidências de que esse tipo de ação reduza os índices de acidentes de trânsito. Análises criteriosas de resultados dos governos que já implantaram os testes de saliva devem guiar as decisões de outros países que consideram esse tipo de ação.

 

 

 

 

A exposição a solventes pode colaborar para o desenvolvimento da Doença de Parkinson (DP) muitos anos depois. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada esta semana pelo periódico da Associação Americana de Neurologia – Annals of Neurology. Essas substâncias estão presentes em produtos como tintas, colas, produtos de limpeza, combustíveis e lubrificantes, e chegam a contaminar até mesmo os lençóis freáticos.

 

O estudo avaliou 99 pares de gêmeos americanos em que apenas um dos irmãos apresentava o diagnóstico de DP. O tipo de ocupação profissional e hobbies desses voluntários foram analisados através de questionários já bem validados.  Os resultados mostraram que o grau de exposição ao solvente tricloroetileno (TCE) foi associado a uma maior chance de apresentar a doença. Outros solventes tiveram impacto menor, porém nada desprezíveis.

 

Já tínhamos evidências menos robustas da associação entre a exposição ao TCE e a DP. Um modelo experimental de DP em camundongos já havia apontado que o TCE é capaz de provocar alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre os portadores da doença.  Além disso, casos clínicos isolados também foram relatados descrevendo a ocorrência doença entre indivíduos com altos níveis de exposição ao TCE.

 

A DP ocorre em uma a cada cem pessoas com mais de 65 anos, e em 90% dos casos, não existe uma história familiar da doença. Reconhece-se que tanto um componente genético, como fatores ambientais estão associados à doença.

 

Outras substâncias tóxicas ao cérebro podem provocar a DP, como é o caso do MPTP, substância que é parente próxima da heroína, e de alguns agrotóxicos, como o paraquat. Nos últimos anos, temos colecionado evidências de novos candidatos que podem ser deflagradores da DP:

 

– Foram descritos no ano de 2009 dois novos agrotóxicos (ácido 2,4-dichlorophenoxyacetic, permethrin) que aumentam em três vezes o risco da DP;

 

– Foi demonstrado que um metabólito da bactéria Streptomyces venezuelae reduz a função do Sistema Proteolítico Ubiquitina – Proteassoma  (UPS) em modelo animal. A redução da função desse sistema tem sido implicada na patogênese da DP esporádica;

 

– Inoculação intranasal do vírus da gripe aviária (H5N1) em ratos provocou alterações cerebrais semelhantes às encontradas na DP:  inflamação, agregados de a-sinucleína e degeneração de neurônios produtores de dopamina;

 

* Maiores níveis de colesterol aumentam risco da DP independente do índice de massa corporal. O cérebro é o órgão mais rico em colesterol e uma alteração de sua homeostase pode provocar alterações em suas conexões e membranas celulares.

 

Esses estudos nos estimulam a pensar a Doença de Parkinson como pensamos várias outras doenças como a hipertensão arterial, o diabetes e a Doença de Alzheimer. Todas são doenças que têm seu componente genético, mas fatores ambientais pode ser o empurrãozinho que faltava para o desenvolvimento da doença.

 

 

 

Álcool em baixas doses também aumenta o risco de câncer de mama. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta semana pelo JAMA, periódico oficial da Associação Americana de Medicina.

 

A publicação é referente ao grande Estudo de Saúde de Enfermeiras dos Estados Unidos. Desde o ano de 1976, mais de 120 mil enfermeiras com idades entre 30 e 55 anos têm sido acompanhadas e reavaliadas a cada dois anos. Vários resultados desse estudo já haviam sido apresentados e nessa última análise os pesquisadores deram uma grande contribuição para o entendimento da relação entre álcool e câncer de mama.   

 

Os resultados mostraram que as mulheres que consomem duas ou mais doses de álcool por dia têm um risco de câncer em dez anos de 4.1%, comparado ao risco de 2.8% entre as abstêmias. Já o consumo de uma dose diária de álcool aumenta o risco de câncer de mama em 10 anos para 3.5%.

 

Estudos anteriores já haviam demonstrado que uma dose diária já aumenta o risco do câncer. A presente pesquisa trouxe novas informações ao demonstrar que quantidades mais baixas ainda, como três doses por semana, aumentam de forma discreta a chance da doença. Mostrou também que tanto o consumo numa fase precoce da idade adulta como em fases mais tardias estão associados a um maior risco, e o efeito foi cumulativo.  Além disso, o hábito de beber quatro ou mais doses no mesmo dia, mesmo que não seja de forma freqüente, também se mostrou associado a uma maior chance de desenvolver a doença.

 

Radiação ionizante e terapias com hormônios são os dois principais fatores ambientais associados ao câncer de mama. No primeiro caso, o desenvolvimento do câncer pode guardar relação com a exposição da radiação de 20 anos atrás ou até mais. Já o efeito da terapia hormonal parece ter seu efeito carcinogênico em poucos anos, e o risco começa a ser diluído após dois anos da sua interrupção.

 

Se a influência do álcool sobre o câncer de mama for semelhante à da terapia hormonal, a suspensão do álcool poderia também reduzir os riscos. Essa é uma hipótese que ainda não tem respaldo científico. Outra questão que ainda não tem resposta é se a proteção contra o câncer de mama que a abstinência promove chega a superar os benefícios cardiovasculares de uma dose diária.

 

 

 

 

Há cerca de um mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) decidiu pela proibição da comercialização de mamadeiras de plástico que contenham o componente tóxico bisfenol A. Já existe um grande corpo de evidências científicas dos riscos à saúde dessa substância, e parece que o problema já começa na barriga da mãe.

 

Mais uma pesquisa sobre o assunto foi publicada hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, Pediatrics. Cerca de 250 mães americanas e seus filhos foram acompanhados de forma prospectiva desde o início da gestação. A concentração de bisfenol A foi medida na urina das mães durante a gestação e nos primeiros três anos dos filhos. As crianças também foram submetidas a testes de avaliação de comportamento e funções cognitivas. 

 

O bisfenol A estava presente na urina de 97% das gestantes e das crianças, sendo que a concentração era maior entre os pequenos. Quanto maior a concentração da substância nas mães durante a gestação, maiores eram os índices de ansiedade, hiperatividade e sintomas depressivos nas crianças, e de uma forma bem mais expressiva nas meninas. Essa mesma associação não pôde ser demonstrada com a concentração do bisfenol A das crianças.

 

Mas por que o efeito nas meninas é diferente? O bisfenol A tem ação similar ao hormônio estrogênio e pode influenciar os neurotransmissores e o sistema endócrino, o que pode alterar a diferenciação sexual do cérebro e o comportamento de uma forma diferenciada de acordo com o gênero.

 

Evitar a exposição ao bisfenol A é uma boa recomendação para todos nós, independente de gênero e idade. Uma gestante tem boas razões para ter mais cuidados ainda. Uma dica fácil é evitar alimentos e bebidas em lata e utensílios de cozinha plásticos que contenham a substância e que podem ser reconhecidos pelos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem do plástico.

 

 

 

 

 

Mesmo sabendo que uma dieta equilibrada fornece uma quantidade suficiente de vitaminas e sais minerais, uma boa parcela da população lança mão de suplementos alimentares com a intenção de promover o bem-estar e prevenir doenças. Em alguns países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos, esse consumo faz parte da vida de até mais da metade da população. Entretanto, as evidências científicas dos benefícios à saúde desses suplementos estão longe de serem conclusivas.

 

Nesta última semana, o Archives of Internal Medicine, periódico da Academia Americana de Medicina, publicou mais um estudo apontando que, quando o assunto é vitaminas e sais minerais, MAIS pode ser MENOS. Cerca de 40 mil mulheres americanas com uma média de idade de 61 anos foram acompanhadas por quase 20 anos. Aquelas que faziam uso de suplementos de vitaminas e sais minerais apresentaram uma maior chance de morrer do que as que não usavam. Os que se mostraram mais na contramão da saúde foram os complexos multivitamínicos, vitamina B6, ácido fólico, magnésio, cobre, zinco e ferro. Muitos outros microelementos não demonstraram qualquer associação com a longevidade, nem para o mal, muito menos para o bem.

 

O uso dos suplementos era comparável entre as mulheres com ou sem doenças no início do estudo, mais especificamente câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, no decorrer do estudo, as mulheres que tiveram esses diagnósticos não passaram a usar mais suplementos, sugerindo que não faz muito sentido o argumento de que as mulheres que usavam suplementos morreram mais precocemente porque eram mais doentes.

 

Esses resultados não estão isolados. Nesta mesma semana o periódico JAMA publica outro estudo evidenciando maior risco de câncer de próstata entre homens que fazem uso de suplementos de vitamina E. Essas pesquisas somam-se a um grande corpo de evidências que coloca em xeque o valor da prática de prevenção de doenças através das cápsulas de vitaminas. 

 

A conclusão dos autores do presente estudo é aquilo que nosso Conselho Federal de Medicina (CFM) preconiza: os suplementos de vitaminas e sais minerais só devem ser utilizados em situações de comprovada deficiência nutricional. O CFM ainda acrescenta na sua última resolução sobre o assunto do ano de 2010: medidas higiênicas, dietéticas e de estilo de vida não podem ser substituídas por qualquer tratamento medicamentoso, suplementos de vitaminas, de sais minerais, de ácidos graxos ou aminoácidos. 

 

 

 

 

Hoje, o periódico da Academia Americana de Pediatria publicou um estudo que demonstra que o cérebro das crianças também sofre com o cigarro dos adultos. A pesquisa demonstrou que o fumo passivo aumenta em mais de 50% a chance de transtornos de conduta, déficit de atenção e hiperatividade e dificuldade de aprendizado.

 

 

 

 

Já é bem sabido que o hábito de fumar aumenta o risco de demência, mas os mecanismos para esse efeito nocivo do cigarro ainda não são bem conhecidos. Um maior contingente de lesões vasculares sempre foi o principal candidato para explicar essa associação, mas uma pesquisa publicada na última edição do periódico inglês Brain aponta que a questão envolve não só os vasos sanguíneos.

 

Pesquisadores holandeses estudaram mais de 500 voluntários e demonstraram que o tabagismo está associado a alterações da substância branca do cérebro através de análise por técnicas de ressonância magnética sensíveis a alterações microestruturais . Mais importante ainda foi o achado de que essas alterações já não estavam mais presentes entre indivíduos que já não fumavam há 20 anos ou mais. Alem disso, aqueles que ainda mantinham o vício apresentavam pior desempenho cognitivo do que os ex-fumantes.

 

Outro recente estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

 

Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e ainda  representa a principal causa de morte evitável em muitos países. O que as pesquisas têm demonstrado é que os não fumantes e ex-fumantes, além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com maior qualidade de vida e com um cérebro mais afiado.

 

O burrinho fumando parece politicamente incorreto? É uma brincadeira de mau gosto com aqueles que sofrem com a dificuldade de largar o vício do cigarro?

 

Há o outro lado da moeda. Já é bem demonstrado o impacto positivo que têm as imagens associando o tabagismo a problemas da saúde, sejam nos maços de cigarro ou em peças publicitárias como cartazes. Cerca de um quarto dos ex-fumantes declara que essas imagens ajudaram na decisão de largar o vício e a não voltar a fumar. Além disso, as imagens ajudam a reduzir a incidência de novos fumantes.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório esta semana chamando a atenção para o fato de que mais países precisam incorporar a estratégia de imagens e que 70% da população mundial não tem contato com esse material anti-tabagismo, e mesmo nos países em que a prática já foi instituída, as campanhas ainda são muito tímidas. Para fazer efeito, elas precisam ter regularidade e serem mantidas no longo prazo.

 

A OMS calcula que o tabaco provocará 6 milhões de mortes este ano no mundo todo, sendo que 10% dessas pessoas são aquelas que respiram a fumaça dos outros.    

 

 

A revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, publicou ontem os resultados de uma grande pesquisa que aponta que as medicações utilizadas para o tratamento de transtorno déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não aumentam o rico de eventos cardiovasculares entre crianças e adolescentes. A pesquisa envolveu 241 mil usuários das medicações e um grupo de quase um milhão de crianças e adolescentes que não faziam uso de medicações e a conclusão foi a de que elas não aumentam os riscos de arritmias ou infarto do coração, apesar de aumentarem a freqüência cardíaca e os níveis da pressão arterial.

O resultado da pesquisa é uma ótima notícia para os pais de crianças e adolescentes com o diagnóstico de TDAH que com freqüência nos perguntam de forma apreensiva sobre os riscos no longo prazo de medicações como o metilfenidato. Por outro lado, essa é uma notícia que deve disseminar ainda mais o uso desse tipo de medicação a crianças em que o diagnóstico é no mínimo duvidoso.

 

** Leia também Será que o uso de medicações para déficit de atenção está exagerado?

 

 

smallicone

 

Milão, Itália, ano de 2011. Uma família de brasileiros começa a passar muito mal na casa dos parentes e todos, sem exceção, apresentam quase que simultaneamente sintomas de falta de ar, rubor facial, dor de cabeça, sensação de desmaio, agitação psicomotora e confusão mental. Alguns já estavam até dormindo e acordaram com a agitação da casa. A primeira hipótese que a família levantou foi a de uma intoxicação por algum alimento que todos poderiam ter ingerido. Será?

Eles não estavam tão enganados, pois era intoxicação, mas não alimentar. Foram ao hospital e prontamente receberam um diagnóstico que não é trivial nem mesmo para os italianos.  O exame de sangue confirmou o que a história clínica já apontava: INTOXICAÇÃO POR MONÓXIDO DE CARBONO. O sistema de aquecimento de água da residência estava vazando, e como o gás não tem cheiro, ninguém suspeitou.

Foram transferidos na mesma noite para uma clínica em que foram submetidos a um tratamento chamado de oxigenioterapia hiperbárica, o tratamento de eleição para essa condição clínica. Ficaram umas duas horas dentro de uma máquina tipo um submarino em que respiravam oxigênio com 100% de concentração e voltaram para casa com melhora significativa dos sintomas, mas bastante apreensivos quanto às repercussões futuras do evento. Será que a intoxicação poderia deixar alguma seqüela neurológica no médio e longo prazo? Essa preocupação foi o que fez essa família me procurar para uma avaliação neurológica. 

A principal razão dos sintomas da intoxicação é a deficiência de oxigênio, já que a hemoglobina que leva o oxigênio aos órgãos do corpo tem 200 vezes mais afinidade ao monóxido de carbono do que ao oxigênio, fazendo com que menos oxigênio consiga chegar aos órgãos. Além disso, uma cadeia de processos inflamatórios é desencadeada, que associada à baixa de oxigênio, pode causar danos ao sistema nervoso central e outros órgãos como o coração.

No médio e longo prazo, indivíduos submetidos a esse tipo de intoxicação comumente apresentam déficits neuropsicológicos, como redução do desempenho da atenção, memória, entre outras funções cognitivas. Transtornos do humor, alterações da audição, da marcha e do equilíbrio também podem ser encontrados. A ressonância magnética do crânio pode identificar alterações na substância branca do cérebro e em regiões específicas como os núcleos da base e hipocampo. A apresentação clínica e de neuroimagem é muito variável e depende muito do nível de exposição ao monóxido de carbono e podem aparecer mesmo semanas após o evento.

Aguardo os exames neurológicos da família, mas devemos estar já otimistas, pois todos estão bem clinicamente mais de um mês após o acidente. Difícil imaginar que exista qualquer tipo de deterioração neurológica daqui para frente.

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smallicone

 

 

Pesquisa conduzida na Holanda e publicada esta semana pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry aponta que o consumo crônico da droga recreativa ecstasy pode alterar estruturas cerebrais no longo prazo.  

 

O estudo avaliou o tamanho do hipocampo por ressonância magnética tanto de usuários crônicos da droga como de jovens da mesma faixa etária sem antecedente de consumo. O hipocampo é uma das estruturas cerebrais mais importantes no processo de memorização e uma das mais precocemente envolvidas na Doença de Alzheimer.

 

O volume do hipocampo entre os voluntários que usavam ecstasy era 10% menor e o volume total da substância cinzenta do cérebro era 4.6% menor. A média de consumo da droga entre os usuários era de três vezes por mês e não havia diferença significativa entres os dois grupos quanto ao consumo de álcool e outras drogas.

 

Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de inúmeras funções como o sono, a memória e o humor.  

 

Os resultados da presente pesquisa sugerem que o uso crônico de ecstasy pode danificar o hipocampo e a substância cinzenta cerebral de forma mais difusa e são concordantes com pesquisas anteriores em humanos que mostraram:

 

1- Inchaço dos hipocampos seguido por atrofia após consumo de ecstasy;

2- Redução do desempenho de memória após exposição à droga, mesmo com baixas doses;

3- Redução do sistema de neurotransmissão da serotonina nos hipocampos.

 

Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, crises epilépticas, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral.  Já foi demonstrada também uma maior freqüência de apnéia do sono entre os usuários, fato que é parcialmente explicado pela redução da atividade da serotonina, já que esse neurotransmissor exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue. Podemos ver que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.

 

Em diversos países, o ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2009, o Brasil está entre os 22 países com maiores apreensões de ecstasy, fenômeno que aumentou exponencialmente em 2007.

 

 

 

 

 

smallicone

 

 

Os potenciais efeitos terapêuticos que a maconha pode oferecer a pacientes com o diagnóstico de esclerose múltipla deixam de fazer sentido quando se avalia a deterioração cognitiva observada com o uso da droga. Essa é conclusão de um estudo publicado hoje pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. 

 

A esclerose múltipla é uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso central e algumas pesquisas até que têm demonstrado, sem conclusões definitivas, que os pacientes podem se beneficiar do uso da maconha, especialmente no combate à dor, espasticidade dos membros e disfunção da bexiga.

 

A atual pesquisa avaliou dois grupos de 25 canadenses com diagnóstico de esclerose múltipla com idades entre 18 e 65 anos. Um dos grupos fazia uso regular de maconha enquanto o outro referia já não ter contato com a droga por vários anos, informações que foram checadas através de testes de urina.  Todos foram submetidos a testes neuropsicológicos que avaliaram diferentes funções do pensamento.

 

A média do tempo de duração da doença era de 12 anos enquanto o tempo de uso da droga era de 26 anos, com início aos 17. O consumo era diário em 72% deles e duas vezes por semana em 24%. Oito usuários (32%) referiram usar a droga por razões médicas, três (12%) com fins recreativos e 14 (56%) por uma combinação desses motivos. 

 

Aqueles que usavam maconha tinham um pior desempenho nos testes de atenção, velocidade de pensamento, funções executivas e percepção visuo-espacial. Aqueles que usavam a droga tinham duas vezes mais chance de serem considerados como tendo um déficit cognitivo global, condição que é definida por déficit significativo em duas ou mais dimensões do funcionamento intelectual. Tinham também duas mais chances de estarem desempregados.

 

Os resultados chamam a atenção para os efeitos negativos da droga sobre o cérebro de pacientes que mesmo sem o seu uso já apresentam problemas cognitivos em cerca de 50% dos casos.  Esses efeitos da maconha devem ser colocados na balança quando se pensa no uso da droga com fins medicinais, não só em quem tem problemas no cérebro, já que a deterioração cognitiva também é bem demonstrada entre usuários saudáveis.

 

Por que a maconha provoca isso tudo? É claro que os efeitos são dependentes da quantidade e tempo de uso, mas sabe-se que,  entre os usuários mais “pesados”, seu consumo está associado a um menor fluxo sanguíneo e tamanho de algumas regiões do cérebro. Além disso, já foi demonstrado que ela danifica a capa que envolve as ramificações dos neurônios e que potencializa a velocidade dos impulsos nervosos. Por acaso, essa é a estrutura cerebral mais agredida pela esclerose múltipla.

 

 

 

 

 

 



 

smallicone

 

 

 

Não há como prevenir o derrame cerebral.

Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O derrame cerebral está se tornando menos comum.

Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

 

A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

 

Derrame cerebral é coisa só de gente velha.

Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

 

Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?

Mito.  No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

 

Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?

Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.

Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

 

Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

 

O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?

Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores. 

 

Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

 

Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

 

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

 

 

Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.

Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.

 

 

 

 

No ano de 2004, o antiinflamatório Vioxx® foi retirado do mercado por aumentar o risco de eventos vasculares como infarto do coração e derrame cerebral. Desde então, ficou a pergunta no ar: será que os outros anti-inflamatórios são mais seguros? Uma análise recém-publicada pelo periódico British Medical Journal nos ajuda a responder parcialmente a esta pergunta.

 

Pesquisadores suíços analisaram 31 estudos que apontam o nível de segurança do uso crônico dessas medicações, o que incluiu mais de 116 mil pacientes. As medicações estudadas foram o Naproxeno (Naprozyn®), Flanax®), Ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®), Diclofenaco (Volataren®, Cataflam®), Celecoxibe (Cellebra®), Etoricoxibe (Arcoxia®), Rofecoxibe (Vioxx®), Lumiracoxibe (Prexige®). O Prexige® também foi retirado do mercado brasileiro em 2008, ação desencadeada por notificações hepáticas graves pela agência reguladora da Austrália.

 

Os resultados da atual pesquisa demonstraram que a freqüência de eventos adversos com o uso crônico dessas medicações é pequena, mas mesmo assim, quando comparado ao placebo, o risco de um ataque cardíaco é duas vezes maior no caso do Vioxx® e do Prexige®, quando comparado ao placebo. O Dalsy® / Alivium® foram os que apresentaram maior risco de derrame cerebral, enquanto o Arcoxia® e o Voltaren®/Diclofenaco® foram os que tinham maior associação com mortalidade por doença do coração: risco quatro vezes maior. O Naproxeno (Naprozyn®, Flanax®) foi o anti-inflamatório que se mostrou mais seguro do ponto de vista cardiovascular. Vale lembrar que muitas dessas medicações costumam provocar efeitos como sensação de queimação no estômago, e a prescrição associada de um protetor gástrico pode ser uma boa medida.  

 

 

 

 

O que faz um adolescente ter contato inicial com a maconha e tornar-se usuário crônico enquanto outros têm apenas uma experiência isolada? A resposta a esta pergunta envolve inúmeras questões biológicas, assim como sociológicas, e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatric and Adolescent Medicine apontou que o tipo de personalidade de um adolescente tem influência sobre o padrão de consumo de maconha da adolescência até a idade adulta.

 

Cerca de 800 americanos foram acompanhados entre os 14 e 37 anos de idade por meio de seis diferentes entrevistas ao longo desse período. Cinco diferentes perfis do uso de maconha foram identificados: 1) não usuários e experimentadores; 2) usuários ocasionais; 3) usuários em redução do consumo e ex-usuários; 4) usuários em incremento do consumo; 5) usuários crônicos.

 

Os resultados mostraram que os usuários crônicos apresentavam mais frequentemente uma personalidade do tipo “busca por novidade”, menor controle de emoções, comportamento mais impulsivo/agressivo e menos aspirações e expectativas educacionais. Essas características da personalidade de adolescentes foram capazes de predizer o padrão de consumo de maconha até 14 anos depois, podendo representar ferramentas valiosas para identificação precoce de adolescentes com maior risco de consumo crônico da droga.

 

No caso específico da personalidade tipo “busca por novidade”, esta já foi associada em estudos anteriores ao uso crônico e pesado de maconha. Já foi demonstrado também que indivíduos com esse tipo de personalidade apresentam uma menor concentração de um tipo de receptor da dopamina. A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa que é ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que ela é prazerosa. Nesses indivíduos, toda vez que o sistema é ativado, mais dopamina seria liberada e a experiência com a novidade amplificada. Novos desafios “dariam mais barato” a essas pessoas, pois elas estão transbordando de dopamina.

 

 

A revista The Lancet (resumo em inglês) publicou neste mês de dezembro uma importante pesquisa que apontou que o uso diário de aspirina está associado a uma redução dos índices de mortalidade de vários tipos de câncer.

 

Os pesquisadores analisaram oito estudos para prevenção de eventos vasculares que envolveram mais de 25 mil pacientes que usaram aspirina por pelo menos quatro anos. Dos oito estudos, três foram conduzidos na Inglaterra, dois na Escócia, um na Suécia, um nos Estados Unidos e outro no Japão. Os resultados mostraram que o uso diário de aspirina reduziu em 20% o risco relativo de mortalidade por câncer e, após cinco anos do uso da medicação, essa redução de risco chegou a 34%. Diferentes doses de aspirina foram utilizadas, mas doses maiores que 75mg por dia não trouxeram maiores benefícios. Além disso, os achados foram consistentes nos oito estudos, sugerindo que os números não devem ser muito diferentes em populações não incluídas nesta pesquisa.   

 

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o uso diário da aspirina tem o poder de reduzir o risco de câncer, especialmente o câncer do intestino grosso, onde os resultados são mais consistentes. As evidências do fator protetor da aspirina sobre outros tipos de câncer eram muito frágeis e o atual estudo dá um grande passo nesse sentido: após cinco anos de uso diário da medicação, já se consegue detectar menor mortalidade por câncer de esôfago, pâncreas, cérebro e pulmão. No caso dos cânceres de estômago, próstata e intestino grosso, os efeitos benéficos da medicação são ainda mais tardios. 

 

Esses resultados deverão ter grandes implicações na prática clínica, especialmente para aqueles pacientes que usam medicações antiplaquetárias para prevenção de eventos vasculares. Não é incomum encontrarmos pessoas com fatores de risco vascular como diabetes e hipertensão arterial usando aspirina para prevenir eventos cardiovasculares (infarto do coração e o derrame cerebral). A aspirina é muito bem indicada para quem já apresentou um desses eventos cardiovasculares, e é o que se chama de prevenção secundária. Quanto à prevenção primária, ou seja, prevenir um primeiro evento cardiovascular, os estudos têm demonstrado que a medicação não é eficaz mesmo em pacientes com maior risco de eventos, como é o caso dos diabéticos. Novas pesquisas deverão contemplar também o fator prevenção de câncer na equação de riscos e benefícios, o que pode mudar as atuais recomendações.  

 

Não podemos nos esquecer que muitas pessoas não toleram a aspirina e que ela é considerada uma das dez medicações que mais causam efeitos adversos, especialmente sintomas gastrintestinais e sangramentos. O desenvolvimento de novas fórmulas de seu princípio ativo com maior proteção gástrica pode minimizar parte dos efeitos colaterais.

 

Todo adulto já deveria começar então a usar uma pílula de aspirina por dia para prevenir o câncer? A resposta por enquanto é um inequívoco NÃO. A pesquisa publicada pelo The Lancet foi a primeira a evidenciar esse efeito da aspirina em diversos tipos de câncer e consolidou aquilo que já se conhecia melhor no caso do câncer do intestino grosso. Precisamos aguardar novas pesquisas que deverão definir qual a melhor dose de aspirina, qual a melhor idade para se começar a medicação e por quanto tempo ela deve ser usada, e em quais segmentos da população adulta os benefícios da medicação superam os potenciais efeitos colaterais. Para HOJE, podemos continuar fazendo o dever de casa do dia a dia para a prevenção de câncer:

 

1. ficar longe do cigarro;

2. respeitar o sol;

3. não exagerar no álcool – melhor ainda é nem beber;

4. seguir uma dieta saudável com muitas verduras, frutas e grãos integrais, pouca carne vermelha e do tipo processada (ex: salsichas);

5. manter o peso sob controle e atividade física diária por pelo menos 30 minutos;

6. conversar com o médico de confiança sobre os exames necessários para prevenção de câncer, em que época e com que freqüência fazê-los.

 

Alterações Psiquiátricas pelo uso de Anabolizantes

 

Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) constituem uma família de hormônios com efeitos anabolizantes (ganho muscular) e também masculinizantes. Na década de 1930 a testosterona foi quimicamente identificada e passou a ser usada no tratamento de quadros psiquiátricos como a depressão. Para os homens com deficiência na sua síntese, sua reposição pode aumentar a energia, libido e até mesmo o humor.

 

Na década de 1950, os EAA já eram usados no mundo do esporte de elite, e nos últimos 30 anos, seu uso entre atletas amadores passou a ser impulsionado pelo modelo de imagem corporal musculoso. Na verdade, essa história é bem mais antiga.  Já em 1889, o famoso médico Brown Séquard dizia se sentir mais forte com a ingestão de um preparado de testículos de cães e porcos e provavelmente não estava enganado. Os hormônios realmente podem aumentar a massa e desempenho muscular além da capacidade aeróbica.

 

A maioria das pesquisas que avaliaram a freqüência do uso dos EAA por jovens do sexo masculino foram feitas em países ocidentais e apontaram que cerca de 3% já usaram esse tipo de hormônio alguma vez na vida. Entretanto, quando se avalia grupos mais restritos, essas cifras são bem maiores. O uso dos EAA entre estudantes universitários americanos não atletas chega a ultrapassar os 10% e é bem mais freqüente entre os rapazes. Cerca de metade dos usuários revelam que usam essas substâncias para melhorar o desempenho físico e a outra metade para melhorar a aparência. Em Porto Alegre, pesquisas realizadas em academias de musculação mostram que 11% dos atletas usam EAA e até 25% já os usaram.

 

O uso dos EAA por atletas amadores vêm quase sempre acompanhado de efeitos colaterais e em um quarto dos casos está associado ao uso de outras drogas como insulina e hormônio do crescimento (Med Sci Sports Exerc 2006). E não faltam efeitos colaterais associados ao uso dos EEA: redução da libido e fertilidade, acne, perda de cabelo e aumento das mamas entre os homens, dependência física e psicológica, variação do humor, sintomas psicóticos, irritabilidade e agressividade, aumento do colesterol ruim e da agregação das plaquetas (engrossa o sangue), doença isquêmica do coração, morte súbita, doença do fígado, dos rins e dos músculos. No caso da mulher, ainda podemos observar sinais de masculinização e alterações do ciclo menstrual. Além disso, adolescentes muito jovens podem ter sua curva de crescimento inibida.  Os efeitos são proporcionais à dose e ao tempo de uso.

 

Outro efeito colateral sério associado ao uso dos EAA é o de que muitas dessas substâncias são de uso injetável, e aí caímos no problema de uso inapropriado de agulhas, sendo que em alguns estudos, o uso compartilhado de seringas é superior a 20% dos usuários.

 

O uso dos EAA é reconhecido mundialmente como prática contrária aos princípios éticos da competição esportiva. O American College of Sports Medicine, maior organização científica dedicada ao esporte, trabalha forte para a proibição dos EAA no esporte e para penalização daqueles envolvidos na produção, prescrição e distribuição dessas drogas com o fim de aumentar o desempenho atlético. No Brasil, é lei desde o ano 2000 que tais medicamentos só podem ser vendidos com receituário médico (e as indicações são para problemas de saúde e não para ficar forte). Entretanto, a maior parte de seu consumo é ilícito e, por incrível que pareça, ainda há médicos que têm prescrito esses hormônios a atletas, com o argumento de que só repõem a quantidade que falta a cada indivíduo. Vale lembrar que a deficiência de hormônios masculinos entre adolescentes e adultos jovens está longe de ser um diagnóstico comum.

 

 

Estima-se que mais da metade das pessoas expostas ao fumo passivo apresentam algum tipo de repercussão biológica da exposição ao cigarro. Já é bem reconhecido que ele aumenta o risco de uma série de doenças como o câncer, doenças pulmonares, infarto do coração, demência e derrame cerebral. Os danos causados pela exposição à fumaça dos outros chega a afetar até mesmo a saúde mental, é o que aponta uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry.

 

Mais de 5000 escoceses saudáveis e não-fumantes, com uma média de idade de 50 anos, foram estudados por seis anos. Cerca de 2500 fumantes, com uma média de idade de 45 anos, também foram acompanhados nesse período. O nível de exposição à fumaça do cigarro foi demonstrado pela concentração de cotinina no sangue, subproduto da nicotina que é bem validado como marcador da exposição à fumaça do cigarro.  Os não fumantes que apresentaram as maiores concentrações de cotinina (0.7 a 15 microgramas por litro) tiveram uma chance significativamente maior de serem classificados como portadores de estresse emocional, condição definida por uma escala bem validada que avaliava sintomas de ansiedade, depressão, percepção do grau de felicidade e qualidade do sono (Questionário Geral de Saúde).

 

Além disso, durante os seis anos de acompanhamento, 41 voluntários do estudo foram admitidos em hospitais psiquiátricos por diversas razões, tais como depressão, confusão mental, entre outras. Tantos os fumantes como os não fumantes com altas concentrações de cotinina apresentaram maior chance de buscarem um serviço psiquiátrico do que os não fumantes com baixos níveis de cotinina.

 

Os resultados são concordantes com estudos experimentais em que ratinhos expostos à nicotina no período da adolescência têm mais chance de desenvolver um comportamento apático e tornam-se mais vulneráveis a situações de estresse em fases mais avançadas da vida. Pesquisas em humanos também têm demonstrado uma associação entre tabagismo e a depressão.

 

Mas será mesmo a fumaça do cigarro leva a um aumento de problemas mentais ou seria o contrário? Poderíamos explicar essa associação pela maior chance de pessoas com problemas mentais de freqüentar ambientes com exposição ao cigarro. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa demonstra uma associação entre o fumo passivo e prejuízos à saúde mental em um estudo prospectivo, o que  reduz sobremaneira a chance dessa segunda hipótese ser a melhor explicação.

 

 CLIQUE AQUI  e confira bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.

 

Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

 

Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.

 

É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema. 

 

E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.

 

É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.  

 

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