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A revista The Lancet (resumo em inglês) publicou neste mês de dezembro uma importante pesquisa que apontou que o uso diário de aspirina está associado a uma redução dos índices de mortalidade de vários tipos de câncer.

 

Os pesquisadores analisaram oito estudos para prevenção de eventos vasculares que envolveram mais de 25 mil pacientes que usaram aspirina por pelo menos quatro anos. Dos oito estudos, três foram conduzidos na Inglaterra, dois na Escócia, um na Suécia, um nos Estados Unidos e outro no Japão. Os resultados mostraram que o uso diário de aspirina reduziu em 20% o risco relativo de mortalidade por câncer e, após cinco anos do uso da medicação, essa redução de risco chegou a 34%. Diferentes doses de aspirina foram utilizadas, mas doses maiores que 75mg por dia não trouxeram maiores benefícios. Além disso, os achados foram consistentes nos oito estudos, sugerindo que os números não devem ser muito diferentes em populações não incluídas nesta pesquisa.   

 

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o uso diário da aspirina tem o poder de reduzir o risco de câncer, especialmente o câncer do intestino grosso, onde os resultados são mais consistentes. As evidências do fator protetor da aspirina sobre outros tipos de câncer eram muito frágeis e o atual estudo dá um grande passo nesse sentido: após cinco anos de uso diário da medicação, já se consegue detectar menor mortalidade por câncer de esôfago, pâncreas, cérebro e pulmão. No caso dos cânceres de estômago, próstata e intestino grosso, os efeitos benéficos da medicação são ainda mais tardios. 

 

Esses resultados deverão ter grandes implicações na prática clínica, especialmente para aqueles pacientes que usam medicações antiplaquetárias para prevenção de eventos vasculares. Não é incomum encontrarmos pessoas com fatores de risco vascular como diabetes e hipertensão arterial usando aspirina para prevenir eventos cardiovasculares (infarto do coração e o derrame cerebral). A aspirina é muito bem indicada para quem já apresentou um desses eventos cardiovasculares, e é o que se chama de prevenção secundária. Quanto à prevenção primária, ou seja, prevenir um primeiro evento cardiovascular, os estudos têm demonstrado que a medicação não é eficaz mesmo em pacientes com maior risco de eventos, como é o caso dos diabéticos. Novas pesquisas deverão contemplar também o fator prevenção de câncer na equação de riscos e benefícios, o que pode mudar as atuais recomendações.  

 

Não podemos nos esquecer que muitas pessoas não toleram a aspirina e que ela é considerada uma das dez medicações que mais causam efeitos adversos, especialmente sintomas gastrintestinais e sangramentos. O desenvolvimento de novas fórmulas de seu princípio ativo com maior proteção gástrica pode minimizar parte dos efeitos colaterais.

 

Todo adulto já deveria começar então a usar uma pílula de aspirina por dia para prevenir o câncer? A resposta por enquanto é um inequívoco NÃO. A pesquisa publicada pelo The Lancet foi a primeira a evidenciar esse efeito da aspirina em diversos tipos de câncer e consolidou aquilo que já se conhecia melhor no caso do câncer do intestino grosso. Precisamos aguardar novas pesquisas que deverão definir qual a melhor dose de aspirina, qual a melhor idade para se começar a medicação e por quanto tempo ela deve ser usada, e em quais segmentos da população adulta os benefícios da medicação superam os potenciais efeitos colaterais. Para HOJE, podemos continuar fazendo o dever de casa do dia a dia para a prevenção de câncer:

 

1. ficar longe do cigarro;

2. respeitar o sol;

3. não exagerar no álcool – melhor ainda é nem beber;

4. seguir uma dieta saudável com muitas verduras, frutas e grãos integrais, pouca carne vermelha e do tipo processada (ex: salsichas);

5. manter o peso sob controle e atividade física diária por pelo menos 30 minutos;

6. conversar com o médico de confiança sobre os exames necessários para prevenção de câncer, em que época e com que freqüência fazê-los.

 

Alterações Psiquiátricas pelo uso de Anabolizantes

 

Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) constituem uma família de hormônios com efeitos anabolizantes (ganho muscular) e também masculinizantes. Na década de 1930 a testosterona foi quimicamente identificada e passou a ser usada no tratamento de quadros psiquiátricos como a depressão. Para os homens com deficiência na sua síntese, sua reposição pode aumentar a energia, libido e até mesmo o humor.

 

Na década de 1950, os EAA já eram usados no mundo do esporte de elite, e nos últimos 30 anos, seu uso entre atletas amadores passou a ser impulsionado pelo modelo de imagem corporal musculoso. Na verdade, essa história é bem mais antiga.  Já em 1889, o famoso médico Brown Séquard dizia se sentir mais forte com a ingestão de um preparado de testículos de cães e porcos e provavelmente não estava enganado. Os hormônios realmente podem aumentar a massa e desempenho muscular além da capacidade aeróbica.

 

A maioria das pesquisas que avaliaram a freqüência do uso dos EAA por jovens do sexo masculino foram feitas em países ocidentais e apontaram que cerca de 3% já usaram esse tipo de hormônio alguma vez na vida. Entretanto, quando se avalia grupos mais restritos, essas cifras são bem maiores. O uso dos EAA entre estudantes universitários americanos não atletas chega a ultrapassar os 10% e é bem mais freqüente entre os rapazes. Cerca de metade dos usuários revelam que usam essas substâncias para melhorar o desempenho físico e a outra metade para melhorar a aparência. Em Porto Alegre, pesquisas realizadas em academias de musculação mostram que 11% dos atletas usam EAA e até 25% já os usaram.

 

O uso dos EAA por atletas amadores vêm quase sempre acompanhado de efeitos colaterais e em um quarto dos casos está associado ao uso de outras drogas como insulina e hormônio do crescimento (Med Sci Sports Exerc 2006). E não faltam efeitos colaterais associados ao uso dos EEA: redução da libido e fertilidade, acne, perda de cabelo e aumento das mamas entre os homens, dependência física e psicológica, variação do humor, sintomas psicóticos, irritabilidade e agressividade, aumento do colesterol ruim e da agregação das plaquetas (engrossa o sangue), doença isquêmica do coração, morte súbita, doença do fígado, dos rins e dos músculos. No caso da mulher, ainda podemos observar sinais de masculinização e alterações do ciclo menstrual. Além disso, adolescentes muito jovens podem ter sua curva de crescimento inibida.  Os efeitos são proporcionais à dose e ao tempo de uso.

 

Outro efeito colateral sério associado ao uso dos EAA é o de que muitas dessas substâncias são de uso injetável, e aí caímos no problema de uso inapropriado de agulhas, sendo que em alguns estudos, o uso compartilhado de seringas é superior a 20% dos usuários.

 

O uso dos EAA é reconhecido mundialmente como prática contrária aos princípios éticos da competição esportiva. O American College of Sports Medicine, maior organização científica dedicada ao esporte, trabalha forte para a proibição dos EAA no esporte e para penalização daqueles envolvidos na produção, prescrição e distribuição dessas drogas com o fim de aumentar o desempenho atlético. No Brasil, é lei desde o ano 2000 que tais medicamentos só podem ser vendidos com receituário médico (e as indicações são para problemas de saúde e não para ficar forte). Entretanto, a maior parte de seu consumo é ilícito e, por incrível que pareça, ainda há médicos que têm prescrito esses hormônios a atletas, com o argumento de que só repõem a quantidade que falta a cada indivíduo. Vale lembrar que a deficiência de hormônios masculinos entre adolescentes e adultos jovens está longe de ser um diagnóstico comum.

 

 

Estima-se que mais da metade das pessoas expostas ao fumo passivo apresentam algum tipo de repercussão biológica da exposição ao cigarro. Já é bem reconhecido que ele aumenta o risco de uma série de doenças como o câncer, doenças pulmonares, infarto do coração, demência e derrame cerebral. Os danos causados pela exposição à fumaça dos outros chega a afetar até mesmo a saúde mental, é o que aponta uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry.

 

Mais de 5000 escoceses saudáveis e não-fumantes, com uma média de idade de 50 anos, foram estudados por seis anos. Cerca de 2500 fumantes, com uma média de idade de 45 anos, também foram acompanhados nesse período. O nível de exposição à fumaça do cigarro foi demonstrado pela concentração de cotinina no sangue, subproduto da nicotina que é bem validado como marcador da exposição à fumaça do cigarro.  Os não fumantes que apresentaram as maiores concentrações de cotinina (0.7 a 15 microgramas por litro) tiveram uma chance significativamente maior de serem classificados como portadores de estresse emocional, condição definida por uma escala bem validada que avaliava sintomas de ansiedade, depressão, percepção do grau de felicidade e qualidade do sono (Questionário Geral de Saúde).

 

Além disso, durante os seis anos de acompanhamento, 41 voluntários do estudo foram admitidos em hospitais psiquiátricos por diversas razões, tais como depressão, confusão mental, entre outras. Tantos os fumantes como os não fumantes com altas concentrações de cotinina apresentaram maior chance de buscarem um serviço psiquiátrico do que os não fumantes com baixos níveis de cotinina.

 

Os resultados são concordantes com estudos experimentais em que ratinhos expostos à nicotina no período da adolescência têm mais chance de desenvolver um comportamento apático e tornam-se mais vulneráveis a situações de estresse em fases mais avançadas da vida. Pesquisas em humanos também têm demonstrado uma associação entre tabagismo e a depressão.

 

Mas será mesmo a fumaça do cigarro leva a um aumento de problemas mentais ou seria o contrário? Poderíamos explicar essa associação pela maior chance de pessoas com problemas mentais de freqüentar ambientes com exposição ao cigarro. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa demonstra uma associação entre o fumo passivo e prejuízos à saúde mental em um estudo prospectivo, o que  reduz sobremaneira a chance dessa segunda hipótese ser a melhor explicação.

 

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A exposição a agrotóxicos organofosforados tem sido associada a uma série de efeitos adversos no desenvolvimento cerebral das crianças, como é o caso de problemas na capacidade cognitiva e no comportamento. As crianças realmente são mais vulneráveis aos efeitos desses pesticidas, primeiro por apresentarem um cérebro ainda em formação e também porque, por apresentarem menor peso, é maior a concentração relativa dessas substâncias no corpo quando comparado aos adultos. Além disso, as crianças têm um menor contingente de enzimas desintoxicantes.

 

Entre as crianças, a dieta é uma das principais fontes de contato com os agrotóxicos e as evidências dos seus riscos neurotóxicos têm origem em estudos que avaliaram populações com altos níveis de exposição aos pesticidas. Uma nova pesquisa publicada na última edição do jornal oficial da Academia Americana de Pediatria demonstrou que mesmo níveis habituais de agrotóxicos presentes no cotidiano da maioria das pessoas podem exercer mudanças no cérebro das crianças, aumentando a chance delas apresentarem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

 

Mais de 1100 crianças americanas com idades entre 8 e 15 anos foram estudadas. Os pais responderam a um questionário para diagnóstico de TDAH que revelou que cerca de 10% das crianças preenchiam os critérios diagnósticos necessários. As crianças foram submetidas a uma análise da concentração de traços de agrotóxicos na urina e os resultados apontaram que quanto maior essa concentração maior a chance das crianças serem classificadas como portadoras de TDAH. Aquelas que tinham a concentração desses elementos acima da média dos participantes tinham duas vezes mais chances de apresentar o diagnóstico quando comparadas às que não tinham sinais dos pesticidas na urina.

 

É importante ressaltar que as crianças incluídas no estudo representavam uma amostra aleatória e representativa da população americana, diferente dos estudos que o precederam, que avaliaram o efeito da superexposição aos agrotóxicos como, por exemplo, inalação de pesticidas por mulheres grávidas. A maior contribuição dessa pesquisa foi ter demonstrado que não só doses altas de organofosforados têm associação com a chance de uma criança apresentar TDAH, mas mesmo a exposição “inocente” a essas substâncias no cotidiano pode contribuir para o desenvolvimento do problema. 

 

E quando se pensa na dieta das crianças, não são apenas os agrotóxicos que podem ter impacto no cérebro das crianças. Alguns estudos têm chamado a atenção de que alimentos com aditivos artificiais podem piorar os sintomas entre crianças com o diagnóstico de TDAH e também podem aumentar a chance de sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção entre aquelas não portadoras de TDAH.

 

É isso aí. Essas são informações que devem provocar uma reflexão sobre o tipo de alimentação que estamos oferecendo às nossas crianças.  

 

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A velha preocupação que os pais e mães têm quando vêem seus filhos conviverem com amigos que consomem bebidas alcoólicas acaba de ganhar uma nova justificativa científica. Um estudo publicado na última edição do periódico Annals of Internal Medicine demonstra que a quantidade de bebidas alcoólicas que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem.

 

O estudo foi realizado com 12 mil pessoas da famosa população americana de Framingham que tanto já ensinou ao mundo que fatores como o tabagismo e colesterol alto podem aumentar o risco de doenças vasculares como o infarto do coração. Os voluntários do estudo foram acompanhados por mais de 20 anos e de tempos em tempos eram interrogados sobre a quantidade de álcool que consumiam. Uma das maiores implicações desse estudo é a de que políticas públicas que encorajam o uso de álcool de forma responsável devem focar em grupos sociais, e não em indivíduos.

 

Há alguns dias, estava com amigos num restaurante que tinha as paredes decoradas com anúncios publicitários de revistas das décadas de 1960 e 1970. Chamaram-nos muita a atenção os anúncios de cigarro que vendiam sucesso e até saúde, como era o caso da vinculação da marca Hollywood com esportes. O comentário geral foi: “incrível como isto era permitido até há tão pouco tempo atrás”. Na verdade, as evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. A proibição da propaganda foi uma das grandes ferramentas para reduzir os índices de tabagismo no Brasil.

 

Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou no ano de 2007 um decreto que restringiu a exibição da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão, permitindo sua veiculação só a partir das 21 horas. Essa medida é só um começo de uma difícil política de restrição da propaganda do álcool. Pode ser que daqui a uma década, ou décadas, nos lembremos das propagandas de cerveja com loiras e sambistas com comentários do tipo: puxa, incrível como isto era liberado!

 

 

O progama Fantástico da Globo está de parabéns por contar hoje, de forma imparcial, um pouco da história da famosa medicina ortomolecular.

 

A nova resolução do Conselho Federal de Medicina (2010) revalia esta prática médica e mantém as mesmas restrições da resolução de 1998: suplementos só estão indicados às pessoas que tem deficiência. Vale lembrar que é rara a deficiência de vitaminas em pessoas que se alimentam normalmente e que não têm doenças que reduzem a absorção dos alimentos.

Além disso, o artigo 4 da nova resolução garante que : mdidas higiênicas, dietéticas e de estilo de vida não podem ser substituídas por qualquer tratamento medicamentoso, suplementos de vitaminas, de sais minerais, de ácidos graxos ou aminoácidos.

 

Fica mantida também a proibição da divulgação no exercício da Medicina, os seguintes procedimentos da prática ortomolecular e biomolecular, diagnósticos ou terapêuticos, que empregam:

I)        Para a prevenção primária e secundária, doses de vitaminas, proteínas, sais minerais e lipídios que não respeitem os limites de segurança (megadoses), de acordo com as normas nacionais e internacionais e os critérios adotados no art. 5º;

II)        EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) para remoção de metais tóxicos fora do contexto das intoxicações agudas e crônicas;

III)     O EDTA e a procaína como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

IV)   Análise do tecido capilar fora do contexto do diagnóstico de contaminação e/ou intoxicação por metais tóxicos;

V)    Antioxidantes para melhorar o prognóstico de pacientes com doenças agudas, observadas as situações expressas no art. 5º;

VI)   Antioxidantes que interfiram no mecanismo de ação da quimioterapia e da radioterapia no tratamento de pacientes com câncer;

VII) Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.

Leia a versão completa da RESOLUÇÃO CFM Nº 1.938/2010

http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2010/1938_2010.htm

 

*Artigo publicado originalmente no jornal Correio Braziliense no dia 16 de março de 2010

*Por Dr. Ricardo Teixeira

 

No consultório do cardiologista, uma senhora que precisa de medicações para controlar sua pressão arterial encerra sua consulta perguntando se ela pode manter o seu hábito de tomar uma taça de vinho por dia. O doutor lhe responde que não só pode como deve – “Minha cara, temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstram que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Já o consumo exagerado de álcool provoca um maior risco de doenças cardiovasculares. Veja bem, devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês”.

 

Essa mesma senhora ouvirá dos médicos que sua taça de vinho é capaz de reduzir seu risco de doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Ouvirá também que já existem estudos que demonstram que o seu hábito também está associado a um envelhecimento com maior nível de independência física e maior longevidade. As bebidas alcoólicas de uma forma geral promovem esses efeitos positivos, mas o vinho tinto parece ser levemente superior, pois além do álcool, ele possui outras substâncias protetoras como os flavonóides, incluindo o resveratrol.

 

Apesar de todas essas evidências, não existe justificativa até o momento para se indicar o consumo de álcool por potencias efeitos medicinais. À luz do conhecimento atual, recomenda-se que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Mas isso também está mudando, já que estudos recentes têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a idéia de que mesmo uma dose diária não é segura.

 

Não se deve pensar no álcool como um elemento promotor da saúde da população, não só pelo aumento do risco de câncer, mas também porque muitas pessoas atravessam a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de duzentas doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo. E isso já é um problema para lá de antigo. Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais, embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.

 

 

Mulheres com peso normal e que fazem uso leve ou moderado de bebidas alcoólicas têm um menor risco de sobrepeso e obesidade do que aquelas que não bebem, é o que aponta estudo publicado na última edição do periódico Archives of Internal Medicine.

A bebida alcoólica tem alto teor calórico e é esperado que seu consumo regular seja um fator de risco para obesidade. Entretanto, as pesquisas realizadas até o momento para demonstrar essa associação têm mostrado resultados conflitantes, e uma das razões para essa discordância é a inclusão de indivíduos com sobrepeso ou obesidade já no início das pesquisas. O presente estudo é o primeiro a avaliar por um longo período o efeito do álcool sobre o peso de indivíduos com peso normal.

Pesquisadores de Boston nos Estados Unidos acompanharam 20 mil mulheres com 39 anos ou mais e com índice de massa corporal dentro dos limites normais (18.5 a 25). No início do estudo, 38% das mulheres não faziam uso de álcool, e as que bebiam usavam em sua maioria até 30 gramas diários de álcool. Durante um acompanhamento de 13 anos em média, as mulheres ganharam peso progressivamente e 41% delas passaram a ser classificadas como tendo sobrepeso ou obesidade. Já as mulheres que não faziam uso de álcool foram as que ganharam mais peso (3.63 kg). Aquelas que consumiam de 15 a 30 gramas de álcool por dia foram as que menos engordaram, 30% menos do que aquelas que não bebiam. Os vinhos tinto e branco, cerveja e licor, todos tiveram esse efeito no controle de peso, sendo que o vinho tinto foi a bebida que teve efeitos mais expressivos. E o que seria 15 a 30 gramas de álcool? Uma taça de vinho de 150 ml tem cerca de 14.5 gramas de álcool e uma latinha de cerveja de 350 ml tem 16.5 gramas.

Vale lembrar que só mulheres foram estudadas nesta pesquisa e que os resultados podem ser diferentes entre os homens. Existem evidências de que o álcool influencia o peso de homens e mulheres de forma distinta, especialmente porque as mulheres que consomem bebidas alcoólicas costumam reduzir a ingesta de alguns alimentos calóricos (ex: menos carboidratos), enquanto os homens simplesmente adicionam a bebida à sua dieta habitual. Essa tendência foi observada no presente estudo, mas existem também diferenças do metabolismo do álcool entre homens e mulheres que fazem com que os homens tenham mais chance de engordar com o álcool.

Esses resultados devem ser vistos com muita cautela, já que não existe nenhuma justificativa até o momento para se indicar o consumo de álcool por potencias efeitos medicinais, mesmo que em doses moderadas. A atual recomendação é que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças, muito menos para ajudar a controlar o peso. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites de duas doses diárias para os homens e uma no caso das mulheres. Mas isso também está mudando.

Já é bem reconhecido que o consumo leve a moderado de álcool reduz o risco de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral e a doença de Alzheimer. Do outro lado da moeda está o risco de câncer. Estudos recentes têm demonstrado que não existe dose segura para o consumo regular de álcool. Mesmo o consumo leve a moderado está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. Não se deve pensar no álcool como um elemento promotor da saúde da população, pois muitas pessoas atravessarão a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de cem doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo. 
 

  

A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passam a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca: obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Os estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. É um ciclo vicioso: quanto mais analgésicos, mais dor de cabeça. Entretanto, não é difícil imaginar que a divulgação desse problema contraria interesses comerciais de proporções gigantes.

 

Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento com medicação que recolocará a química cerebral no seu lugar certo e que deve durar pelo menos seis meses. Há evidências do benefício do uso de corticóides e/ou neurolépticos nos primeiros dias da “abstinência” dos analgésicos. Durante a retirada, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos.

 

Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.

 

As medicações usadas para controlar a hipertensão arterial têm se mostrado a cada dia mais interessantes ao cérebro. E os efeitos benéficos vão além da capacidade de proteger o cérebro de altos níveis de pressão arterial.  Em 2009, dois estudos avançaram muito na discussão da relação entre a hipertensão arterial e o risco de demência. Um deles demonstrou que o uso de anti-hipertensivos reduz o risco de demência, e o risco é menor até mesmo quando comparado ao das pessoas que nem apresentam pressão alta. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta. Nenhuma classe de anti-hipertensivo foi superior às demais.

 

Uma pesquisa publicada na última edição do British Medical Journal confirma esse efeito protetor dos anti-hipertensivos sobre o cérebro, e desta vez tivemos uma pista de que alguns medicamentos podem ser mais eficazes que outros. Pesquisadores da Universidade de Boston nos Estados Unidos acompanharam por quatro anos mais de 800 mil indivíduos com mais 65 anos de idade (98% homens) e em tratamento para doença cardiovascular. Aqueles que faziam uso de medicações da classe bloqueadores dos receptores da angiotensina (ex: candesartan, losartan, valsartan) tiveram menos risco de desenvolver doença de Alzheimer e outros tipos de demência do que aqueles que usaram outros tipos de anti-hipertensivos. Além disso, entre aqueles que já apresentavam diagnóstico de demência, o uso de anti-hipertensivos também promoveu uma menor chance de internação em clínicas geriátricas.

 

Já é bem reconhecido que os bloqueadores dos receptores de angiotensina têm efeitos positivos sobre os pequenos vasos sanguíneos como um todo, incluindo os do cérebro. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas e vegetais, com alto teor de ômega-3, consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.

 

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Em 1996, uma força tarefa americana publicou uma recomendação para que todas as mulheres com chances de engravidar façam uso de suplemento de ácido fólico para reduzir o risco de malformações do sistema nervoso do feto. Esse uso não deve ser restrito ao período da gravidez, pois os benefícios são bem demonstrados quando as mulheres usam ácido fólico mesmo antes de ficarem grávidas. Em 2009, a mesma força tarefa publicou um novo documento que confirma as recomendações de 1996, demonstrando que a literatura científica continua dando respaldo aos benefícios do suplemento de ácido fólico entre mulheres férteis.

  

O folato é um tipo de vitamina B, e sua forma sintética, o ácido fólico, está fortemente presente nos suplementos vitamínicos e alimentos fortificados. No Brasil, desde 2002, existe uma lei que torna obrigatório a suplementação da farinha de trigo com ácido fólico por parte dos fabricantes de farinha. Entretanto, a atual recomendação chama a atenção que não existem evidências de que os alimentos fortificados com ácido fólico sejam suficientes para prevenir malformações do sistema nervoso. As mulheres férteis devem usar de 0.4 a 0.8mg diários de ácido fólico, e os comprimidos comercializados no Brasil contêm 2mg ou 5mg. Existem também apresentações em gotas, em que 1ml (20 gotas) contém 0.2 ou 0.4mg.  

 

As últimas recomendações de 2009 também indicam que não existem evidências de efeitos adversos associados à suplementação da vitamina. No fim de 2009, tivemos a publicação no respeitado periódico JAMA de um estudo que deu uma chacoalhada nesse último conceito. O estudo foi realizado na Noruega e demonstrou que a suplementação de ácido fólico 0.8mg/dia e vitamina B12 0.4mg/dia por três anos e meio esteve associado a um aumento de 21% no risco de câncer, especialmente de pulmão, da próstata e do sangue.   

 

A relação entre câncer e ácido fólico ainda é uma questão em aberto. Algumas pesquisas já haviam demonstrado um menor risco de câncer do intestino associado ao consumo de folato, especialmente o proveniente da dieta. Estudos experimentais apontam que a deficiência de folato é capaz de desencadear os estágios iniciais do câncer, enquanto altas doses de ácido fólico promovem o crescimento de células cancerígenas. Uma das hipóteses para explicar o aumento de risco de câncer associado a suplementação de ácido fólico é o estímulo ao crescimento de câncer ainda em fase latente.

 

Por enquanto, as mulheres com chance de ficarem grávidas devem continuar a usar suplementos de ácido fólico, independente de consumir alimentos fortificados. Essa história do ácido fólico é uma grande oportunidade de reflexão para os médicos e pacientes de que suplemento de vitaminas não é nenhuma canja de galinha. Muitas vezes esses suplementos não têm qualquer efeito na prevenção de doenças crônicas e ainda podem trazer prejuízo à saúde. O Conselho Federal de Medicina tem uma posição bastante clara sobre esse assunto.

 

Vale a pena conhecer: https://consciencianodiaadia.com/2008/06/09/detergentes-ortomoleculares-2/

 

 

Três diferentes pesquisas foram publicadas na última edição da revista científica Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrando que a deficiência de vitamina D pode ser uma importante causa de déficit cognitivo e demência em idosos.

 

A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral.  A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função, e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.

 

Dos três estudos recém-publicados, um deles avaliou mulheres francesas com mais de 75 anos e demonstrou que 17% delas apresentavam deficiência de vitamina D, com concentrações no sangue menores que 10ng/ml. Além disso, as idosas com deficiência da vitamina tinham um desempenho cognitivo inferior, quando comparadas às idosas sem deficiência. O segundo estudo foi conduzido nos Estados Unidos e envolveu homens e mulheres com 73 anos em média, e revelou que 14% e 44% deles tinham deficiência e insuficiência (20-30ng/ml) da vitamina respectivamente. Aqueles que tinham menores concentrações de vitamina D apresentaram maior risco de demência e derrame cerebral.

 

Uma pergunta ainda em aberto é se o déficit cognitivo é o ovo ou a galinha dessa associação. Indivíduos com limitação cognitiva podem ter um padrão de alimentação e exposição ao sol que levam à deficiência de vitamina D, e o terceiro estudo, o único de acompanhamento longitudinal e envolvendo apenas homens americanos, é concordante com esta hipótese, já que não foi encontrada associação entre baixos níveis de vitamina D e incidência de demência no período de quase cinco anos de acompanhamento. Entretanto, esse estudo considerou níveis menores que 20ng/ml como baixos níveis da vitamina, enquanto deficiência é definida quando a concentração é menor que 10 ng/ml. Talvez, uma nova análise dos resultados comparando indivíduos com níveis de vitamina D menores que 10ng/ml com aqueles com concentrações maiores que 20ng/ml possa revelar diferenças significativas quanto ao risco de demência.

 

Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa. A recomendação atual é a de que indivíduos com 51-70 anos e aqueles com mais de 70 anos devem consumir 400 e 600 unidades internacionais respectivamente, ou o suficiente para manter a concentração de vitamina D no sangue superior a 30ng/ml. Esses números dizem respeito daquilo que entendemos que faz bem para os ossos. A melhor dose para um bom funcionamento cerebral ainda está por ser definida.

 

Fontes de vitamina D? Seu nível em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. Podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.

 

 

O Ginkgo biloba é comercializado nos quatro cantos do mundo com a promessa de melhorar o pensamento e prevenir e retardar perdas cognitivas associados ao envelhecimento e às doenças doenças degenerativas, como é o caso da Doença de Alzheimer. Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro, e o maior estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico científico JAMA confirmando resultados anteriores: o uso do Ginkgo biloba não ajuda a melhorar o cérebro dos idosos.  

O estudo “Avaliação Ginkgo da Memória” foi conduzido nos EUA e acompanhou mais de três mil idosos com idades entre 72 e 96 anos. No início do estudo, os idosos apresentavam cognição normal ou transtorno cognitivo leve, situação que fica no meio do caminho entre a normalidade e a demência. Vale ressaltar que indivíduos com transtorno cognitivo leve têm uma maior chance de desenvolver um quadro de demência, mas nem todos receberão um dia o diagnóstico de demência. 

Após um seguimento médio de 6 anos, o uso de 240mg por dia da erva não teve qualquer efeito sobre as funções cognitivas dos idosos, incluindo memória, linguagem, atenção, velocidade psicomotora, construção visuo-espacial e funções executivas. Os resultados são concordantes com pesquisas anteriores com menor tempo de seguimento e menor número de voluntários, e ainda reforça a recente posição do sistema de revisões Cochrane que concluiu que o Ginkgo biloba não evita alterações cognitivas associadas à idade e nem reduz o risco de desenvolver demência.   

A única participação da indústria farmacêutica neste estudo foi a doação das medicações pela alemã Schwabe Pharmaceuticals. A empresa não teve nenhuma participação no desenho, condução ou interpretação do estudo.

 

 

 

Pesquisadores americanos da Escola de Medicina de Johns Hopkins acabam de publicar na revista Neurology um estudo que mostra que adultos jovens que usaram ecstasy no passado têm maior risco de apresentar a síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS), condição caracterizada por oclusões repetitivas das vias aéreas superiores durante o sono e que pode causar problemas como o infarto do coração e derrame cerebral.

 

Foram estudados 62 jovens que nunca usaram ecstasy e outros 71 que relataram ter consumido ecstasy pelo menos 25 vezes ao longo da vida. Quanto maior o consumo da droga, maior foi o risco de apnéia do sono e o ecstasy teve mais influência sobre a apnéia do que a obesidade. Vale lembrar que a obesidade é um dos principais fatores de risco para a apnéia do sono.

  

Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de inúmeras funções como o sono, a memória e o humor. A redução da atividade da serotonina associada à exposição ao ecstasy é uma das formas de explicar o maior risco de apnéia do sono no presente estudo, já que a serotonina exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue. Além disso, uma menor atividade da serotonina pode levar a uma maior dificuldade em se passar do estado de sono para o estado de vigília, o que pode favorecer a ocorrência de apnéias mais prolongadas. 

     

Em diversos países, o ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2009, o Brasil está entre os 22 países com maiores apreensões de ecstasy, fenômeno que aumentou exponencialmente em 2007. É importante que a informação sobre os efeitos do ecstasy cheguem à população, especialmente os jovens, pois já há muitas evidências de que essa droga pode estragar o cérebro. 

 

  

cannabis

 

A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo e estima-se que um em cada 25 adultos com idades entre 15 e 64 anos já fez uso da droga. Essa é uma estatística do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes que revelou também que o uso é relativamente maior nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia seguido pela Europa. Enquanto o consumo está diminuindo em países da Europa Ocidental e Austrália, está aumentando na América Latina e em vários países da África.

 

Estudos revelam que 20-30% das pessoas que usam pela primeira vez a droga passam a consumi-la pelo menos uma vez por semana, e 10% apresentarão padrão de consumo diário. E aquilo que já foi um tema controverso, há algum tempo não é mais motivo de discussão: o uso regular de maconha aumenta sim o risco do uso de outras drogas ilícitas como a cocaína.

 

Os efeitos agudos da maconha no cérebro

 

O tetrahidrocanabinol (THC), componente ativo da maconha, provoca uma leve euforia que dura de 1 a 2 horas, mas pode provocar também outros efeitos como ansiedade, crises de pânico e sintomas psicóticos. A maconha ainda está associada a um risco de acidentes no trânsito duas vezes maior por levar a uma diminuição da coordenação motora e lentificação das reações e do processamento de informações.

 

Efeitos do uso crônico da maconha

 

No pulmão, o uso regular da maconha provoca bronquite crônica e sabe-se que a droga contém muitos dos componentes causadores de câncer encontrados no tabaco, sendo que algumas delas em concentrações ainda maiores.

 

No cérebro, dependendo da quantidade do consumo, podem ser observados diversos graus de dificuldade de aprendizado, memória e atenção, além de alterações estruturais do cérebro associados ao uso a droga. Há ainda estudos que demonstram que usuários de maconha têm chance 40% maior de apresentar sintomas psicóticos no decorrer da vida, e um risco mais de duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia entre aqueles que usaram a droga antes dos 18 anos de idade.

 

Apesar de não haver evidências de relação da maconha com o risco de malformações fetais, o uso da maconha durante a gravidez está associado a uma maior chance de uma mulher ter um bebê com baixo peso ao nascimento.

 

Para concluir

 

Existe uma crescente idéia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde, e de que a maconha é bem diferente. O conjunto de evidências que dispomos atualmente demonstra que tanto o cigarro como o álcool trazem muito mais danos à sociedade do que a maconha, mas também revelam que os efeitos negativos da maconha sobre a saúde humana não são nada desprezíveis.

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN veiculado no dia 14 de julho de 2010

 

Veja também o POST sobre os efeitos da maconha na capacidade de direção de veículos motorizados. CLIQUE AQUI.

 

SMALLicone

Pregnancy

 

Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal revela que o uso de antidepressivos na gravidez aumenta o risco de defeitos no coração no bebê. O estudo analisou 400 mil crianças dinamarquesas nascidas entre 1996 e 2003 e a relação entre a prevalência de malformações congênitas e o uso pela mãe de inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez. Os antidepressivos citalopram e sertralina na gravidez aumentaram a chance de defeitos no septo cardíaco, parede que separa o lado direito do lado esquerdo do coração. Esse efeito não foi observado entre outros antidepressivos da mesma classe como a fluoxetina e a paroxetina.

 

O risco desse tipo de malformação entre as crianças que não foram expostas à medicação foi de 0.5% comparado à chance de 0.9% das que foram expostas à medicação e de 2.2% no caso de exposição a mais de um tipo de antidepressivo. Pode-se dizer que uma em cada 246 crianças apresentará defeitos no septo cardíaco quando a mãe faz uso de antidepressivo na gravidez. Esse risco é quatro vezes maior quando o uso foi de mais de um tipo de antidepressivo: uma em cada 62 crianças é acometida.

 

Cerca de um quinto das mulheres apresenta depressão durante a gravidez e a decisão de tratamento com medicações deve ser pautada pelos potencias riscos de malformações no feto. Até o ano de 2005, uma série de estudos indicava que o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez não trazia riscos ao bebê. Entretanto, novos estudos têm demonstrado um discreto aumento da prevalência de malformações congênitas, sendo que o atual estudo revelou que esse risco só é aumentado no caso de defeitos do septo cardíaco. O risco absoluto é considerado baixo, mas deve ser visto como um importante fator na decisão do tratamento antidepressivo das mulheres grávidas. Devem também ser consideradas as conseqüências à mãe e ao feto de uma depressão não tratada.   

 

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cigarrette

 

Fatores de risco vascular como hipertensão arterial, colesterol alto e tabagismo são capazes de fazer com que homens de meia idade percam 10 a 15 anos de vida, revela estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal. As condições gerais de saúde e hábitos de vida de quase 20 mil homens ingleses com idades entre 40 e 69 anos foram avaliados no fim da década de 1960. Nessa época, 42% dos participantes do estudo fumava, 39% apresentava hipertensão arterial e 51% colesterol alto.

 

Após 28 anos, dois terços dos sete mil indivíduos que ainda estavam vivos tinham parado de fumar e houve também uma redução de dois terços na proporção entre aqueles apresentavam pressão arterial e colesterol altos em relação àqueles que apresentavam esses índices baixos. A presença concomitante desses três fatores de risco vascular aumentava em três vezes o risco de morte por causas vasculares (ex: infarto do coração e derrame cerebral) e em duas vezes o risco de morte por causas não vasculares. Aos 50 anos de idade, um indivíduo com os três fatores de risco ainda viveu em média 23 anos, enquanto aqueles que não os apresentavam viveram 33 anos, 10 anos a mais. Os pesquisadores criaram também uma pontuação que levava em conta outros fatores de risco como obesidade e diabetes, e quanto mais fatores presentes maior essa pontuação. Eles demonstraram que os 5% com maior pontuação viviam 20 anos após os 50 anos de idade, enquanto os 5% com menor pontuação ainda viviam 35 anos após os 50, 15 anos a mais.

 

Hábitos de vida como atividade física regular, dieta saudável e ficar longe do cigarro são os principais caminhos para a longevidade. Uma pesquisa recente já havia demonstrado entre ingleses que o tabagismo por si só é capaz de encurtar a vida em 10 anos. Parar de fumar aos 60, 50, 40 e 30 anos de idade é capaz de acrescentar 3,6,9 e 10 anos respectivamente. O prêmio não é nada pequeno.

 

SMALLicone

ecstasy

 

Um estudo recém publicado pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, descreve a história de um homem e uma mulher de 25 anos de idade que apresentaram lesão cerebral após crises epilépticas desencadeadas pela ingestão de ecstasy.

 

O rapaz teve uma crise epiléptica cinco horas após o consumo de dois comprimidos de ecstasy e oito doses de álcool, crise que se repetiu no dia seguinte. A moça teve uma crise epiléptica após 11 horas do consumo de um comprimido de ecstasy e cinco doses de álcool. Ambos apresentaram evidências de lesão do hipocampo direito à ressonância magnética cerca de 48 horas após as crises que se mantiveram ao longo do tempo.  Vale lembrar que os hipocampos são considerados uma das regiões mais importantes do cérebro, fortemente responsáveis pelo funcionamento de nossa memória.

 

Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Já é bem demonstrado que o ecstasy pode causar crises epilépticas, mas é a primeira vez que se demonstra que as crises nesses casos podem chegar a provocar lesão cerebral. Chamou muito a atenção o fato das crises terem sido breves e ainda assim capazes de lesionar o cérebro, situação normalmente esperada em crises muito prolongadas.

 

Em diversos países, o ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha.  Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral.  Podemos ver com isso que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.

 

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woman

 

Calcula-se que mais de 100 milhões de mulheres no mundo façam uso de pílulas anticoncepcionais. Podemos encontrar no mercado dezenas de tipos de pílulas com as mais diferentes concentrações dos hormônios estrogênio e progesterona e a escolha depende muito mais do perfil de efeitos colaterais de cada tipo de pílula, já que do ponto de vista de eficácia elas são muito parecidas.

 

A trombose das veias das pernas é um desses efeitos adversos, e reconhece-se que ela é cinco vezes mais freqüente entre mulheres que usam pílula. Apesar de não ser um efeito adverso muito comum, esse tipo de trombose é uma condição clínica grave, pois pode levar à trombose das veias pulmonares e que por sua vez pode até levar à morte.

 

Duas grandes pesquisas acabam de ser publicadas na última edição do British Medical Journal e nos ajudam a entender melhor a relação entre o uso de pílulas e trombose. Um dos resultados mais relevantes dessas pesquisas foi que o tipo de pílula combinada (estrogênio + progesterona) fez toda a diferença: as com baixas doses de estrogênio estão associadas a um menor risco de trombose assim como aquelas com tipos de progesterona chamados de levonorgestrel ou norestisterona. Já as pílulas sem estrogênio e os dispositivos anticoncepcionais intra-uterinos não se mostraram associados ao aumento de risco de trombose. Foi demonstrado ainda que apesar de existir uma relação entre maior tempo de uso da pílula e maior risco de trombose, a época de maior risco foram os primeiros três meses de uso.

 

Essas recomendações devem ser feitas de forma ainda mais rigorosa a mulheres com história pessoal ou familiar de trombose, já que essas não devem usar pílulas que contenham estrogênio. O mesmo deve ser recomendado a mulheres com história de enxaqueca com aura, que são dores de cabeça associadas a alguns sintomas tais como visão de pontos luminosos e sensação de formigamento de um lado do corpo. No caso daquelas que usam pílulas para o tratamento de espinhas, há estudos bem robustos mostrando que as que contêm levonorgestrel são tão eficazes como as outras com maior risco de trombose, e também não diferem entre si quanto ao risco de ganho de peso.

 

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STATIN

 

Há um tempo atrás, a prevenção das doenças cardiovasculares era feita mais ou menos assim: se a pessoa tivesse pressão alta tomava remédio para pressão; se tivesse diabetes tomava remédio para diabetes; se tivesse colesterol alto, tomava remédio para colesterol. E é claro, dieta saudável, atividade física regular e cigarro nem no pensamento. Entretanto, de um tempo para cá, essa lógica tem mudado, pois tem sido demonstrado que muitas dessas medicações são mais polivalentes do que se imaginava inicialmente. As medicações que melhor exemplificam esse fenômeno são as estatinas, desenvolvidas pra redução dos níveis de colesterol.

 

Já é bem reconhecido que as estatinas reduzem o risco de eventos vasculares como o derrame cerebral e o infarto do coração não só em pacientes com altos índices de colesterol, mas também em portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares (prevenção secundária).  Além disso, recentemente, um importante estudo demonstrou que essa classe de medicação pode reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes sem diabetes ou colesterol alto, mas que apresentam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade no sangue. Já era sabido que índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral.

 

Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal reuniu as principais pesquisas realizadas até então sobre o assunto e concluiu que as estatinas são medicações que realmente são capazes de reduzir o risco de um primeiro evento vascular em indivíduos com fatores de risco (ex: hipertensão arterial, diabetes), o que é chamado de prevenção primária. A análise envolveu dez estudos e mais de 70 mil indivíduos e demonstrou que o uso de estatina foi capaz de reduzir o risco de infarto do coração em 30%, o risco de derrame cerebral em 19%, e redução da mortalidade em 12%. Além disso, o estudo demonstrou que o uso da medicação a longo prazo não está associado ao aumento do risco de câncer.

 

O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

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