A exposição a solventes pode colaborar para o desenvolvimento da Doença de Parkinson (DP) muitos anos depois. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada esta semana pelo periódico da Associação Americana de Neurologia – Annals of Neurology. Essas substâncias estão presentes em produtos como tintas, colas, produtos de limpeza, combustíveis e lubrificantes, e chegam a contaminar até mesmo os lençóis freáticos.

 

O estudo avaliou 99 pares de gêmeos americanos em que apenas um dos irmãos apresentava o diagnóstico de DP. O tipo de ocupação profissional e hobbies desses voluntários foram analisados através de questionários já bem validados.  Os resultados mostraram que o grau de exposição ao solvente tricloroetileno (TCE) foi associado a uma maior chance de apresentar a doença. Outros solventes tiveram impacto menor, porém nada desprezíveis.

 

Já tínhamos evidências menos robustas da associação entre a exposição ao TCE e a DP. Um modelo experimental de DP em camundongos já havia apontado que o TCE é capaz de provocar alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre os portadores da doença.  Além disso, casos clínicos isolados também foram relatados descrevendo a ocorrência doença entre indivíduos com altos níveis de exposição ao TCE.

 

A DP ocorre em uma a cada cem pessoas com mais de 65 anos, e em 90% dos casos, não existe uma história familiar da doença. Reconhece-se que tanto um componente genético, como fatores ambientais estão associados à doença.

 

Outras substâncias tóxicas ao cérebro podem provocar a DP, como é o caso do MPTP, substância que é parente próxima da heroína, e de alguns agrotóxicos, como o paraquat. Nos últimos anos, temos colecionado evidências de novos candidatos que podem ser deflagradores da DP:

 

– Foram descritos no ano de 2009 dois novos agrotóxicos (ácido 2,4-dichlorophenoxyacetic, permethrin) que aumentam em três vezes o risco da DP;

 

– Foi demonstrado que um metabólito da bactéria Streptomyces venezuelae reduz a função do Sistema Proteolítico Ubiquitina – Proteassoma  (UPS) em modelo animal. A redução da função desse sistema tem sido implicada na patogênese da DP esporádica;

 

– Inoculação intranasal do vírus da gripe aviária (H5N1) em ratos provocou alterações cerebrais semelhantes às encontradas na DP:  inflamação, agregados de a-sinucleína e degeneração de neurônios produtores de dopamina;

 

* Maiores níveis de colesterol aumentam risco da DP independente do índice de massa corporal. O cérebro é o órgão mais rico em colesterol e uma alteração de sua homeostase pode provocar alterações em suas conexões e membranas celulares.

 

Esses estudos nos estimulam a pensar a Doença de Parkinson como pensamos várias outras doenças como a hipertensão arterial, o diabetes e a Doença de Alzheimer. Todas são doenças que têm seu componente genético, mas fatores ambientais pode ser o empurrãozinho que faltava para o desenvolvimento da doença.

 

 

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