Há cerca de um mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) decidiu pela proibição da comercialização de mamadeiras de plástico que contenham o componente tóxico bisfenol A. Já existe um grande corpo de evidências científicas dos riscos à saúde dessa substância, e parece que o problema já começa na barriga da mãe.

 

Mais uma pesquisa sobre o assunto foi publicada hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, Pediatrics. Cerca de 250 mães americanas e seus filhos foram acompanhados de forma prospectiva desde o início da gestação. A concentração de bisfenol A foi medida na urina das mães durante a gestação e nos primeiros três anos dos filhos. As crianças também foram submetidas a testes de avaliação de comportamento e funções cognitivas. 

 

O bisfenol A estava presente na urina de 97% das gestantes e das crianças, sendo que a concentração era maior entre os pequenos. Quanto maior a concentração da substância nas mães durante a gestação, maiores eram os índices de ansiedade, hiperatividade e sintomas depressivos nas crianças, e de uma forma bem mais expressiva nas meninas. Essa mesma associação não pôde ser demonstrada com a concentração do bisfenol A das crianças.

 

Mas por que o efeito nas meninas é diferente? O bisfenol A tem ação similar ao hormônio estrogênio e pode influenciar os neurotransmissores e o sistema endócrino, o que pode alterar a diferenciação sexual do cérebro e o comportamento de uma forma diferenciada de acordo com o gênero.

 

Evitar a exposição ao bisfenol A é uma boa recomendação para todos nós, independente de gênero e idade. Uma gestante tem boas razões para ter mais cuidados ainda. Uma dica fácil é evitar alimentos e bebidas em lata e utensílios de cozinha plásticos que contenham a substância e que podem ser reconhecidos pelos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem do plástico.

 

 

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