Colorful Toothed Wheels

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As pessoas que têm transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) carregam consigo o estigma de ineficiência que muitas vezes limita a expressão de suas potencialidades. Podemos pensar que eles podem ter mais dificuldades em alguns tipos de tarefa, mas podem até ser mais eficazes em outros tipos de trabalho. E essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA.

Adolescentes com e sem diagnóstico de déficit de atenção passaram por testes que avaliavam a criatividade e aqueles que tinham déficit de atenção se saíram melhor. Eles se mostraram mais propensos a resistir à conformidade, a ignorar a informação já conhecida, o que permitia que a criatividade pudesse voar. Em um dos testes os voluntários tinham que desenhar uma fruta alienígena. O grupo com déficit de atenção desenhou frutas que guardavam menos semelhanças com as frutas do nosso planeta. Em outro teste eles tinham que criar rótulos sem copiar os exemplos apresentados.  Novamente os portadores de déficit de atenção foram mais criativos.

É claro que esses resultados nos mostram o enorme potencial que indivíduos com déficit de atenção têm em carreiras em que a demanda criativa é alta como o marketing, publicidade, artes, engenharia de computação entre outras. Pensando bem, em qualquer carreira!

O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e permanecem até a vida adulta em 30% dos casos. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.

No Brasil, uma pesquisa revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica.

Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que superdiagnosticados.

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