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French for preschool, childcare, primary schools and secondary schools 

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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Brain apontou qu idosos com mais anos de educação demoram mais tempo para desenvolver a doença.

 

A pesquisa acompanhou quase 4 mil idosos franceses por 20 anos consecutivos fazendo avaliações cognitivas a cada cinco anos.  Um pouco mais de 400  idosos desenvolveram a Doença de Alzheimer e aqueles com maior nível educacional começaram a ter um leve declínio cognitivo 15 a 16 anos antes do diagnóstico de demência.  Já aqueles com menos anos de escola começaram a ter declínio sete anos antes do diagnóstico.  Os anos a mais de escola retardaram o aparecimento da doença em cerca de sete anos.

 

 

Já se conhece bastante sobre as alterações cerebrais morfológicas e fisiológicas associadas ao processo de envelhecimento normal. Há uma progressiva redução do número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral.

 

Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.

 

Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o conceito de Reserva Cerebral. Se o nosso cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de seu desempenho em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente.  Mais conexões permitem que o cérebro lance mão de vias alternativas para driblar a doença. E foi isso que a presente pesquisa sugere.

 

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Alguns pequenos estudos mostram que adesivos de nicotina podem ser promissores para melhorar a memória e atenção de pacientes com a Doença de Alzheimer.   Já temos evidências também que esses adesivos podem promover a melhora do desempenho cognitivo de idosos com problemas de memória, mas sem demência. Além da memória, a nicotina incrementa a atenção e a velocidade psicomotora. Entre jovens, já foi demonstrado que a nicotina pode incrementar de forma muito discreta a memória e a atenção.

A nicotina estimula receptores nicotínicos do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Esses mesmos receptores são cada vez mais deficientes à medida que a Doença de Alzheimer progride. E não é só isso. Ela modula outros sistemas de neurotransmissores. Se estivermos sonolentos, a nicotina acorda. Se estivermos ansiosos, a nicotina relaxa.

Nicotina do cigarro e até mesmo da pimenta protege o cérebro da Doença de Parkinson.   

Temos boas evidências de que o tabaco tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito se dá pela nicotina e parece que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, berinjela e batata, têm efeito semelhante. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

E os efeitos colaterais?

O uso da nicotina em adesivos não tem demonstrado efeitos colaterais sérios, mas costuma provocar perda de peso.  A suspensão do uso de adesivos não provoca abstinência e não existe tendência ao abuso.

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O consumo na meia idade de mais de duas doses diárias de álcool pode levar a perdas cognitivas. Mais tarde na vida o desempenho cerebral pode chegar a ser o de pessoas seis anos mais velhas. Aqueles que bebem de forma leve ou moderada têm a memória e funções executivas tão preservadas como os que não bebem. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

A preciosidade dessa pesquisa é a inclusão de indivíduos de meia idade, já que a maioria dos estudos sobre álcool e memória envolveu grupos de idosos.  Envolveu 5 mil homens e 2 mil mulheres que foram acompanhados por 10 anos. Testes cognitivos e questionários sobre o consumo de álcool foram realizados repetidas vezes.  O efeito negativo foi mais pronunciado entre os homens

 

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Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

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Por volta dos 15 anos de idade nosso encéfalo alcança seu maior peso (~ 1350g), com uma perda de cerca de 1,5% desse peso a cada década. Essa redução se dá muito mais por redução do tamanho dos neurônios do que por destruição dos mesmos. Paralelamente, há uma redução no número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral. Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.

Mas será que esse declínio cognitivo é inevitável? O fato é que alguns chegam a idades muito avançadas com memória comparável a de pessoas com seus 50-60 anos. O que será que esses supercérebros têm de diferentes?

Quando se compara esses supercérebros com outros da mesma idade, mas com o discreto declínio cognitivo esperado para a idade, observa-se que eles têm a substância cinzenta mais avantajada e comparável à de “jovens” de 50-65 anos. E não é só isso. Os superoctagenários apresentam uma região do cérebro até mais desenvolvida que aqueles 20 anos mais novos. Essa região é conhecida como cíngulo anterior, região fortemente associada à nossa capacidade de prestar atenção nas coisas e também faz parte do sistema de recompensa cerebral. Isso pode ser a chave do sucesso para a boa memória dos superoctagenários.

Entender melhor o que esses supercérebros têm de diferente pode ser tão promissor para a criação de terapias para a prevenção da doença de Alzheimer como conhecer os cérebros doentes.

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Não é raro as pessoas queixarem-se de que naquele tal dia o cérebro não estava ajudando muito enquanto em outros não deixou nada a desejar. Será que nosso desempenho cognitivo flutua mesmo? A idade pode fazer diferença?

 

Para tentar responder a essas questões, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha conduziram um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Psychological Science e que apontou que existe, mas é muito discreta, uma variabilidade do desempenho cognitivo num mesmo dia e também dia após dia. Essa variabilidade é menor ainda entre os idosos.

 

Os pesquisadores testaram mais de 200 voluntários separados em dois grupos com idades de 20 a 31 anos e de 65 a 80 anos. Os testes incluíam velocidade de percepção, memória episódica, memória de trabalho e foram repetidos em 101 diferentes sessões em média. O desempenho cognitivo dos idosos foi menor do que o dos jovens, mas foram mais regulares ao longo dos dias. Essa maior regularidade pode ser explicada por menos eventos estressantes, humor mais estável, maior aprendizado de estratégias para resolução de problemas e maior motivação.

 

Os resultados são importantes por reforçar o valor que indivíduos mais velhos têm na força de trabalho. Já é bem reconhecido que algumas qualidades estão fortemente associadas à experiência. Um estudo realizado numa fábrica de automóveis pelos mesmos autores da atual pesquisa mostrou que erros graves eram cometidos menos freqüentemente pelos mais velhos.

 

O envelhecimento cerebral normal provoca discretas perdas, muito pequenas se comparadas à riqueza de conexões neuronais que um indivíduo forma no decorrer da vida. O cérebro humano, ao envelhecer, compensa as pequenas perdas com a experiência adquirida. Tem mais repertórios para tomas decisões mais acertadas.

 

 

CBN RICARDO

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Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.

Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.

Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.

A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.

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Uma pesquisa publicada ontem pelo prestigiado periódico The Lancet mostrou que as pessoas que têm hoje 90 ou mais anos de idade têm melhor desempenho cognitivo do que aqueles da mesma idade nascidos há dez anos.

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e envolveu quase quatro mil voluntários divididos em dois grupos – nascidos em 1905 e nascidos em 1915. Todos eles foram submetidos a testes cognitivos e entrevistas para detecção de transtornos psiquiátricos e avaliação da saúde geral. O grupo nascido em 1915 tinha 32% mais chance de alcançar os 95 anos do que o nascido em 1905 e ainda apresentavam melhor desempenho cognitivo. Esses resultados são compatíveis com resultados de pesquisas semelhantes realizadas nos EUA, mas existem também estudos não concordantes, mas numa faixa etária menor.

Fatores que podem explicar os resultados: melhora no padrão nutricional e de assistência médica, menor incidência de doenças infecciosas, maior estímulo intelectual e melhores condições gerais de vida. O estudo desafia o pensamento de que o aumento da longevidade tem como frutos idosos com muito comprometimento em suas atividades de vida diárias. Isso é bastante encorajador. Se na Dinamarca dez anos já fazem diferença, imagine o impacto das melhorias das condições de vida em um país como o Brasil.

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Solanaceae é uma família de plantas ricas em nicotina que têm um efeito protetor contra a Doença de Parkinson. Essa foi a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo periódico oficial da Associação Americana de Neurologia.

 

Já tínhamos boas evidências de que o tabaco, também da família Solanaceae, tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito parece que se dá pela nicotina e pode ser que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, beringela e batata, tenham efeito semelhante.

 

Foi exatamente o que pesquisadores da Universidade de Washington – EUA conseguiram demonstrar. Eles estudaram cerca de 500 pacientes com diagnóstico recente da Doença de Parkinson e mais de 600 indivíduos sem qualquer doença neurológica que serviram de grupo controle. Foram aplicados questionários que avaliavam a história de uso de tabaco ao longo da vida e hábitos alimentares.

 

O consumo de vegetais de forma geral não tinha associação com menor risco da doença, mas alimentos com conteúdo de nicotina faziam a diferença, especialmente a pimenta. Esse foi o primeiro estudo que investigou essa associação entre teor de nicotina na dieta e risco da Doença de Parkinson e abre novas perspectivas na prevenção da doença. Novas pesquisas deverão ser feitas para confirmar esses resultados. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

 

 

 

  

 

 

Bactérias e vírus como o herpes podem ter uma parcela de culpa nas dificuldades cognitivas encontradas nos idosos. Isso é o que sugere os resultados de um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

 

Pesquisadores das Universidades de Columbia e Miami nos EUA demonstraram que idosos com maior carga de infecção no sangue, medida por níveis de anticorpos no sangue, apresentavam menor desempenho cognitivo. Essa carga de infecção deve ser entendida como uma cicatriz imunológica de vários patógenos ao longo da vida. Nesse estudo, foram testadas cinco causas comuns de infecção: três vírus (herpes simples tipo 1 (oral) e tipo 2 (genital), e citomegalovirus), Chlamydia pneumoniae (causa comum de infecção respiratória) e Helicobacter pylori (bactéria encontrada no estômago e associada a gastrite e úlcera).

 

Foram estudados mais de 1500 voluntários com uma média de idade de 69 anos. A associação entre a exposição aos patógenos e desempenho cognitivo foi maior entre as mulheres e entre os voluntários com menor escolaridade e que não praticavam atividade física. Durante os oito anos de acompanhamento, não houve relação entre a carga de infecção e piora do estado cognitivo, sugerindo que infecções precoces podem fazer a diferença. Boa parte dessas infecções é mais freqüente na infância (ex: citomegalovirus e herpes simples tipo 1).   

 

A atual pesquisa encorpa resultados anteriores que associam infecção a menor desempenho cognitivo e também à doença cerebrovascular. Vacinação na infância contra microorganismos comuns poderia garantir um bom desempenho cognitivo em idades avançadas, mas isso ainda precisa ser testado. No editorial que acompanha o estudo, discute-se que já existem evidências suficientes para se conduzir um estudo piloto com drogas antivirais em pacientes com a Doença de Alzheimer.    

 

** altos níveis da proteína C-reativa, um marcador de inflamação no sangue, também estão associados a alterações cerebrais que influenciam as funções intelectuais. Também já é bem reconhecido que os índices de proteína C-reativa.

 

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Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas do tipo: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”.  Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer? Vale a pena fazer um Check up neurológico?

Elenco a seguir três questões que freqüentemente despertam a vontade de fazer um check up neurológico.

 

Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro?

Alguns genes estão associados a um maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer, mas nem por isso faz sentido realizar testes genéticos para sabermos se nosso risco é um pouco maior do que o de outras pessoas. Os resultados não vão mudar em nada as orientações para prevenção da doença.  Esse tipo de teste ainda só é recomendado para fins de pesquisa.

 

Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?

Atualmente recomenda-se que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado – 50 vezes maior. Entretanto, a relação custo-benefício muda de acordo com o nível de medo que cada indivíduo tem de apresentar um aneurisma cerebral. Em algumas situações, quando a apreensão é muito grande, pode valer a pena fazer uma investigação mesmo que o indivíduo não tenha qualquer antecedente familiar.

Para a prevenção de derrame cerebral, o estudo das carótidas vale a pena?

Placas de aterosclerose das artérias carótidas são a principal fonte de derrame cerebral e a recomendação atual é que o estudo dessas artérias deve ser feito naquelas pessoas que tem pelo menos dois fatores de risco para derrame cerebral (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, síndrome metabólica).

 

 

Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.

Nos tempos de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.

 

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É bem ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos e é mais comum entre as mulheres. Essas cicatrizes aparecem na ressonância magnética como pontinhos brancos e são chamadas por alguns de cabelos brancos do cérebro. Quem é que ultrapassa cinco ou seis décadas de vida sem qualquer cabelo branco?

 

No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

 

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.

 

** Esta semana, o periódico oficial da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa que mostra que mulheres na transição da menopausa passam a ter mais dessas lesões no cérebro quando têm no sangue maiores concentrações de micropartículas de plaquetas, sugerindo que a aspirina pode também ser uma arma para conter a progressão dessa condição neurlógica. Isso já está sendo testado. Possivelmente a aspirina venha a ser um companheiro na vida de quase todas as mulheres após certa idade, e por que não também dos homens? Essa é uma hipótese que toma ainda mais corpo quando pensamos nos resultados da aspirina na redução da incidência de vários tipos de câncer.    

 

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Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriram um grupo de células do hipotálamo, região do cérebro que faz a ponte com os sinais hormonais, que podem ser as responsáveis pelas desconfortáveis ondas de calor que grande parte das mulheres vivencia nos primeiros anos da menopausa.

 

Em um modelo de menopausa em camundongos, os pesquisadores mostraram que o efeito de dilatação dos vasos da pele era interrompido quando um grupo de células do hipotálamo, chamadas de KNDy, era inativado. Apesar de representarem uma pequena população de células do cérebro, elas têm grande importância no controle das fontes de energia do corpo, temperatura e reprodução. Com a baixa dos níveis do hormônio estradiol, essas células ficam hiperfuncionantes e disparam o comando de vasodilatação, com a intenção não muito apropriada de provocar a perda de calor do organismo.

 

A descoberta abre uma importante janela para o desenvolvimento de futuras terapias para o controle das ondas de calor da menopausa. O estudo foi publicado nesta última semana pelo prestigiado periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA – PNAS.

 

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Um estudo publicado esta semana pelo periódico especializado em neurologia e psiquiatria JNNP apontou que o sentimento de solidão nos idosos é um fator de risco para demência.  

 

Pesquisadores holandeses acompanharam por três anos mais de 2000 pessoas com mais de 65 anos e sem o diagnóstico de demência. No início do estudo, 46% dos voluntários moravam sem uma companhia e um pouco menos de 20% declararam que se sentiam sozinhos. Após os três anos de acompanhamento, o risco de apresentar um quadro de demência era maior entre aqueles que se sentiam sozinhos, mas o mesmo não acontecia pelo simples fato de viver sozinho. Os resultados mostraram também uma associação entre o sentimento de solidão e demência mesmo entre as pessoas que tinham companhia em casa, e isso foi independente da presença de depressão. 

 

A pesquisa sugere que a percepção subjetiva de solidão é que faz a diferença. Ela pode estar associada a uma menor estimulação cognitiva e também a uma menor reserva cerebral. Por outro lado, a sensação de solidão pode ser um sinal de que o cérebro já não está tão bem. Ovo ou galinha? Não importa. Idoso e isolamento social não combinam, especialmente quando o isolamento é iinvoluntário.

 

 

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Já é consenso que a terapia de reposição hormonal (TRH), apesar de poder reduzir os sintomas da menopausa e o risco de osteoporose e fraturas, não traz outras vantagens à saúde da mulher e não deve ser utilizada como forma de prevenção de doenças. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode até aumentar o risco de uma série de doenças como trombose nas veias e câncer de mama. Com relação ao cérebro, a situação não é muito diferente.

 

Há poucos meses, o último relatório da divisão de saúde preventiva dos EUA sobre essa questão  confirma essa posição concluindo que a TRH com a combinação dos hormônios estradiol e progesterona aumenta o risco de demência enquanto o uso do estradiol isoladamente aumenta o risco de derrame cerebral. As indicações da TRH estão cada vez mais restritas, e isso é um assunto cada vez MENOS polêmico.

 

RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

 

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O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.

 

Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro. Um grande estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico Lancet, Neurology, mais uma vez com resultados negativos.

 

Pesquisadores de diversos centros de pesquisa franceses acompanharam quase três mil idosos sem demência, mas com queixas de memória. Após um seguimento de cinco anos em média, a metade dos voluntários que usou Gingko biloba teve o mesmo risco de receber o diagnóstico de Doença de Alzheimer que a outra metade que usou placebo. Esse foi o primeiro grande estudo conduzido fora dos EUA.  

 

São mais de duas décadas de estudos clínicos envolvendo milhares de pessoas com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e até mesmo de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba  não é canja de galinha.

 

 

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Uma pesquisa recém-publicada no periódico Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology confirma evidências anteriores de que as mulheres com o diagnóstico da Doença de Alzheimer apresentam declínio cognitivo mais acelerado que os homens.

 

Pesquisadores da Universidade de Hertfordshire nos EUA conduziram uma metanálise de quinze diferentes estudos que investigaram diferenças de gênero na evolução da doença envolvendo mais de dois mil voluntários. Os resultados apontaram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuo-espaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis. No envelhecimento normal, as mulheres não ficam para trás.   

 

A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. A atual pesquisa solidifica o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva e as explicações mais cogitadas para essas diferenças são a herança genética da doença que tem mais influência sobre as mulheres, o declínio dos níveis do hormônio estradiol após a menopausa e uma maior reserva cerebral nos homens.  

 

Para a prevenção da Doença de Alzheimer, podemos começar ou manter algumas atitudes que já são consenso: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana, e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool. 

 

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Vários estudos têm apontado que a cafeína tem a propriedade de reduzir o risco da Doença de Parkinson. Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia demonstra ainda que pacientes já com o diagnóstico da doença podem se beneficiar do consumo de cafeína.

 

A pesquisa foi conduzida pela Universidade McGill no Canadá e envolveu 61 pacientes que foram divididos em dois grupos: um deles recebeu placebo e o outro pílulas de cafeína de 100mg três vezes ao dia por três semanas e depois mais três semanas com pílulas de  200mg. O grupo de pacientes que consumiu cafeína apresentou melhora significativa do desempenho motor, tornando-se mais ágeis e menos rígidos. Por outro lado, a cafeína não se mostrou muito eficiente na redução do grau de sonolência dos voluntários, e esta foi a proposta central do estudo. O estudo não nos permite garantir se esses efeitos permanecem no longo prazo.

 

A doença de Parkinson é uma condição neurológica que afeta preferencialmente os idosos, acometendo por ano cerca de 20 indivíduos a cada 100 mil. É uma das mais comuns doenças neurológicas e o número de pessoas acometidas pela doença deve aumentar ainda mais com o atual processo de envelhecimento da população.

 

Nos últimos anos, a ciência tem entendido que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária, disfunção sexual, transtornos do sono, depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos. 

 

A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A substância tem uma ação inibitória nesses receptores de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante.  Quando soltamos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.

 

A indústria farmacêutica está de olho nesses receptores adenosina como uma promissora janela terapêutica para o Parkinson, com algumas medicações já em fases avançadas de teste. Ainda não é o momento de prescrever seis doses de expresso por dia para os pacientes com Parkinson, mas se o médico for questionado quanto ao uso ou não da cafeína, é coerente que ele incentive o consumo, desde que seja com moderação, pois o excesso no idoso pode não ser bom para os ossos. Vale lembrar que um café expresso tem cerca de 100mg de cafeína.

 

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