Person In The Middle Of A Forest

Pesquisa acaba de ser publicada pelo prestigiado periódico PLOS Biology apontando que a tendência em estar próximo à natureza tem um forte componente genético. O tempo junto à natureza de gêmeos idênticos, que tem quase 100% do material genético igual, é bem mais similar do que o de gêmeos não idênticos (50% do material genético igual). O estudo foi baseado no banco de dados inglês Twins UK com entrevistas relacionadas à relação dos indivíduos com a natureza. Foram abordados itens como familiaridade e desejo de estar em um ambiente natural e frequência de visitas a esses espaços. Mesmo assim, foi calculado que 50% da tendência em ter a natureza no dia a dia tem origem em fatores ambientais, como a facilidade de acessar esses espaços e estímulos de outras pessoas, especialmente quando ainda jovens.

 

Temos inúmeras evidências do quanto a natureza é benéfica para nosso cérebro e nosso equilíbrio psíquico. Quando se pensa no cortisol, hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e associado ao fenômeno do estresse, sabemos que o contato com o verde inibe a produção desse hormônio. Indivíduos que passeiam por áreas arborizadas têm menor produção de cortisol do que aqueles que fazem o mesmo numa rua comercial agitada.  

Mas qual o tempo mínimo de contato com o verde para se ter esse efeito anti-estresse? Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, mostraram recentemente que esse benefício já acontece com 20 minutos de uma vivência em ambiente arborizado no perímetro urbano, independente de atividade física. Outro estudo, ainda mais robusto, foi publicado na revista Scientific Reports envolvendo quase vinte mil voluntários mostrando que o contato com a natureza, a partir de 120 minutos por semana, faz com que as pessoas tenham uma maior auto percepção de saúde e bem estar. O máximo benefício ocorre entre 200 e 300 minutos por semana e o efeito foi o mesmo se a pessoa tem essa vivência de 200 minutos em um só dia ou em parcelas de 30 minutos todos os dias da semana, por exemplo.

Alguns países como a Finlândia, Japão e Coréia do Sul já entenderam bem o recado e têm programas de “banhos de floresta” como forma de promoção da saúde. São muitos os benefícios já demonstrados com essas “pílulas de natureza”. Além da promoção do equilíbrio psíquico, temos ganhos na atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa. Também temos menores índices de doença cardiovascular, obesidade, diabetes, hospitalização por crises de asma e, finalmente, menor mortalidade.