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Para aqueles que ainda estão casados com o cigarro e para aqueles que estão só namorando, não custa lembrar que o cigarro também faz uma senhora bagunça no cérebro. Esta última semana a Universidade McGill no Canadá e de Edinburgh na Escócia encorparam ainda mais as evidências de que o hábito de fumar deixa o cérebro mais murcho.

Os pesquisadores mostraram que quanto mais tempo uma pessoa é exposta à fumaça do cigarro, mais fina será a espessura do seu córtex cerebral. O córtex é a camada mais superficial do cérebro e é uma área crítica onde se concentram boa parte de nossas funções cognitivas como memória, linguagem e funções executivas. Eles também demonstraram que ao parar de fumar a pessoa recupera parte do volume cerebral perdido.

Cerca de 500 voluntários foram avaliados na idade adulta com uma média de idade de 73 anos. Os não fumantes tinham maior volume cerebral medido pela ressonância magnética quando comparados aos fumantes. O volume cerebral daqueles que tinham parado de fumar tinham índices intermediários entre os fumantes e aqueles que nunca fumaram.

E olha que essa menor espessura do córtex cerebral pode estar associada a um menor desempenho cognitivo. Outro estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

Alcohol a head

Uma pesquisa publicada esta última semana pelo prestigiado British Medical Journal aponta que os efeitos benéficos do álcool estão limitados àqueles que já passaram dos 50 anos de idade.

Não existe dúvida que o consumo exagerado de álcool faz mal à saúde e está associado a mais de 200 doenças. Existe, entretanto, um robusto corpo de evidências de que seu uso moderado é melhor do que abstenção. Quem consome baixas doses de forma regular vive mais por apresentarem menos doenças que aqueles que nunca bebem. Será que é isso mesmo?

Pesquisadores ingleses e australianos investigaram o consumo de álcool entre mais de 30 mil ingleses e apontaram que a mortalidade é menor entre homens de 50-64 anos que bebem 15 a 20 unidades por semana e no caso das mulheres, menos de 10 unidades por semana.

Esse estudo é mais um motivo para os médicos pararem de ficar recomendando aos pacientes que consumam uma ou duas doses diárias como uma ação de promoção à saúde. Álcool não deve ser visto como suplemento alimentar para prevenir doenças.  Os médicos deveriam recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites. Isso está mudando. Além da presente pesquisa, outros estudos têm demonstrado que o consumo regular de álcool, mesmo em doses leves a moderadas, está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como o de mama, reto e fígado. Por essa razão, em 2009 o Instituto Nacional do Câncer da França deu início a uma campanha chamada Álcool Zero, defendendo a ideia de que mesmo uma dose diária não é segura.

 Ahh… Já estou quase chegando aos 50!

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros.

Atualmente reconhece-se que há dois tipos de inveja: uma benigna e outra maliciosa. No caso da inveja benigna, o que é invejado é uma coisa (ex: sucesso, bens materiais). Essa inveja também é conhecida como inveja branca. No caso da inveja maliciosa, a inveja é de uma pessoa e não da coisa em si. Essa é a inveja marrom.

Pesquisadores holandeses publicaram uma série de experimentos nesta última semana demonstrando que quando a inveja é mais focada na pessoa do que na coisa, ela vem freqüentemente acompanhada do sentimento que a língua alemã chama de “schadenfreude” – prazer pelo infortúnio dos outros.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa mostraram que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de sentir inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.

Outro estudo conduzido por pesquisadores japoneses demosntrarou que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cassetadas” e também o porquê  dos meios de comuicação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.

** O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico.

 

 

Divertir

Do latim DIVERTERE, “virar em diferentes direções”, de DIS-, “para o lado”, mais VERTERE, “virar”. A ideia é “voltar-se para um lado diferente das preocupações”.

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Neste carnaval, com quatro dias e meio de folga, e para alguns até mais, a cabeça faz uma lista de possíveis candidatos para ocupar o tempo com LAZER. E por que não ter essa lista na mente durante o resto do ano?

O tempo dedicado ao lazer muitas vezes está associado à atividade física com seus incontáveis benefícios. Porém, conhecemos pouco sobre o impacto do lazer em nossa saúde independente da atividade física, como é o caso da leitura, cinema, música, etc. Entretanto, alguns estudos têm revelado efeitos positivos interessantes.

Pesquisadores suecos demonstraram na década de 90 uma maior longevidade entre pessoas que freqüentavam eventos culturais. O mesmo grupo realizou outro estudo que analisou a relação entre a participação em eventos culturais e o status geral de saúde. Indivíduos que apresentaram altos escores de participação em atividades culturais apresentavam 65% mais chances de se julgarem saudáveis quando comparados àqueles com baixos escores.

As possíveis explicações para os benefícios do lazer sobre nossa saúde incluem desde dimensões psicossociais até mesmo biológicas. As atividades de lazer podem aumentar nossa rede de relacionamentos, nossas conexões sociais. Esse é um fator que está associado a uma menor concentração de hormônios do estresse e já foi demonstrado que com isso há redução dos riscos de doença isquêmica do coração (os animais de estimação também exercem esse efeito). Além disso, o lazer pode aumentar os níveis do hormônio ocitocina e do neurotransmissor serotonina, ambos associados ao bem estar psíquico. Uma simples aula de canto é capaz de aumentar os níveis do hormônio ocitocina, hormônio que pode ser considerado como modulador do estresse.

O lazer também promove a estimulação de nossos centros cerebrais de recompensa associados ao prazer. Essas são as mesmas regiões do cérebro estimuladas quando nos deliciamos com um saboroso alimento, quando experimentamos a paixão, quando compramos algo novo e muito desejado, quando temos atitudes altruístas ou quando solucionamos um problema. A ativação desses centros leva à liberação de uma série de neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina, e que estão associados à sensação de prazer. O lazer é uma das maiores oportunidades para fugirmos da rotina, da repetição. Assim nosso cérebro vivencia o novo e o inesperado, que são fatores críticos para a estimulação de nossos centros de recompensa, com boas repercussões sobre a saúde psíquica e o estado imunológico.

Um meio rico em estímulos promove ainda uma maior saúde de regiões cerebrais tais como o hipocampo, que está relacionado a uma maior atividade cognitiva e menor risco de depressão. Há uma forte linha de pesquisa mostrando-nos que os idosos que mantêm ativas suas atividades de lazer têm menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

Diferentes modalidades de lazer também têm sido demonstradas como ferramentas preciosas para o tratamento de pessoas doentes: música, literatura, teatro e pintura. A música, por exemplo, aumenta a velocidade de recuperação de pacientes na fase aguda de um derrame cerebral, reduz a agitação de adultos em unidades de terapia intensiva e melhora o comportamento de crianças internadas com transtornos psiquiátricos.

O lazer tem sido levado cada vez mais a sério, e não devemos achar que sua importância seja restrita a sociedades super-desenvolvidas como o Estado de bem-estar social sueco. No Brasil ainda temos que suar muito a camisa para alcançarmos padrões mínimos desejáveis de desenvolvimento social, e estamos melhorando. O lazer associado ou não ao esporte pode ajudar a alavancar ainda mais esse desenvolvimento. Do ponto de vista de política pública, o lazer é um investimento relativamente barato que pode trazer benefícios em várias dimensões do desenvolvimento humano. Saúde é só uma delas.

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O desempenho de um atleta depende do tanto que seu relógio biológico está alinhado com o horário da competição. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no prestigiado periódico Current Biology. Os treinadores precisam pensar nisso.

A pesquisa mostrou que o desempenho de um atleta de competição varia em 26% de acordo com o horário do dia. Os atletas que têm a tendência em dormir tarde, mas nem por isso dormem tarde, terão melhores marcas mais tarde do que aqueles que realmente gostam de dormir cedo. Se 1% de diferença já faz diferença numa competição profissional, imagine só 26% de diferença nos 100 metros rasos.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham na Inglaterra avaliaram 120 atletas profissionais quanto à tendência em dormir cedo ou tarde e também o desempenho cardiovascular em seis diferentes momentos do dia. O desempenho foi significativamente variável nos diferentes horários e o fator que foi mais associado à melhor marca foi o tempo acordado entre o teste e a hora em que a pessoa teria acordado sem despertador. Enquanto o atleta que tem a tendência em acordar cedo tem sua melhor performance no começo da tarde, aquele que por natureza acorda mais tarde vai estar bom mesmo no período da noite. Esses resultados não devem ser muito diferentes no caso dos atletas amadores.

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Noventa por cento das espécies de aves mantém a condição de casal para criar os filhotes enquanto apenas 3% dos mamíferos fazem o mesmo. Para o individuo chocar um ovo, o parceiro ou a parceira tem que garantir a comida. O pingüim macho, por exemplo, reveza o cuidado do ovo com a fêmea.  Algumas espécies de mamíferos precisam do apoio do companheiro / companheira para garantir a comida, como é caso das raposas que não saem da toca, pois amamentam os filhotes quase sem intervalos.  Os primatas não são tão bons pais assim, mas os saguis fogem à regra.

Entretanto, o “casamento” dos animais não costuma durar pra sempre. Quando o filhotinho levanta vôo ou quando a raposinha sai da toca a parceria termina. Existem sim alguns animais que raramente se divorciam. Exemplos: lobos, cisnes, pinguins, gibões, ratos silvestres da pradaria, baratas, águias brancas, castores. No Brasil os casamentos duram em média 15 anos.

Elaborar resumos e explicar o conteúdo para outra pessoa são técnicas bem populares para dar um “up” no aprendizado. Uma pesquisa com adolescentes alemães recém-publicada mostra também que representar o conteúdo através de desenhos dá um empurrãozinho no quanto realmente se aprende.

Os adolescentes tinham que ler um texto de 850 palavras e sete parágrafos de um assunto nada familiar – a biologia do vírus influenza. Metade dos voluntários foi instruída a fazer um desenho que representasse cada um dos sete parágrafos, cada um no seu ritmo.

Aqueles que fizeram os desenhos responderam melhor a um teste de compreensão do texto múltipla escolha – 63% de acertos comparados a 44% do grupo que não desenhou. Esse efeito positivo dos desenhos poderia ser explicado por uma melhor organização do conhecimento e sua integração com conteúdos mais antigos. Não se sabe o quanto que esses efeitos são duradouros. Os testes foram aplicados logo após o término da leitura e dos desenhos.

Recentemente falamos do melhor desempenho que os alunos têm na sala de aula com papel e lápis na mão quando se compara a um laptop. As pessoas conseguem digitar no computador um maior conteúdo daquilo que o professor fala que quando escrevem numa folha de papel. Porém, os alunos aprendem mais quando anotam no papel.Mas por que no papel é melhor? Como no laptop os alunos são capazes de digitar uma aula praticamente na integra, o trabalho é pouco reflexivo, exigindo do cérebro pouca atividade analítica e de síntese. Escrever no papel é mais lento e permite uma maior “digestão” do conteúdo, forçando o cérebro a capturar melhor a essência da informação.

A maior pesquisa sobre esse assunto foi publicada recentemente no periódico Archives of Sexual Behavior e incluiu a opinião de 64000 americanos com a maior parte deles nos seus trinta e pouco anos.

65% das mulheres ficam mais abaladas com a traição emocional do parceiro do que com a traição sexual – 46% no caso dos homens. 54% dos homens ficam mais abalados com a infidelidade sexual do que com a emocional – 35% no caso das mulheres. Com os bissexuais e gays não existem diferenças entre traição emocional e sexual.

Sob a perspectiva da evolução da espécie os homens ficariam mais balançados com a traição sexual porque vivem a incerteza da paternidade. As mulheres não vivem nunca a incerteza da maternidade. Já as mulheres ficam mais vulneráveis com a traição emocional, pois o parceiro pode desviar recursos que iriam para os filhos.

Do ponto de vista cultural, o homem sente o desmoronamento de sua masculinidade quando a mulher o trai sexualmente. Já a mulher, considerada o elemento que pensa mais a relação, sente-se mais frustrada quando o homem se envolve emocionalmente com outra mulher.

A diferença entre os gêneros ocorreu independente da idade, nível sócio-econômico, antecedentes de traição e duração da relação. Entretanto, os jovens se mostraram mais chateados com uma possível traição sexual.

O fato é que os dois tipos de infidelidade fazem mal a todo mundo, independente da orientação sexual. A infidelidade é a causa comum de dissolução de relacionamentos estáveis em diversas culturas. Uma meta-analise de 50 estudos mostra que 34% dos homens e 24% das mulheres já tiveram em algum momento uma relação extraconjugal.

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Prometeu um monte de coisas para 2015? Pesquisas mostram que as pessoas que ficam muito frustradas por resultados parciais negativos têm mais dificuldades em alcançar suas metas. A revista Scientific American trouxe em sua última edição sete dicas para que você consiga emplacar suas promessas de ano novo. Veja só:

– Todo revés no percurso de seu objetivo deve ser visto como ensinamentos de como chegar lá;

– Encare esse percurso como uma aventura. Ela certamente terá altos e baixos;

– Reexamine periodicamente suas ações e pergunte-se o que você deveria ter feito de outro jeito;

– Convença-se que a persistência é uma escolha e não um traço de personalidade, não um presente de Deus;

– Não deixe de buscar feedbacks;

– Se ficar frustrado com um tropeço, isso é um sinal de que você se importa com o projeto e deixa claro que você deve continuar. Zero de frustração com um resultado negativo significa que aquilo nem é tão importante para sua vida;

– Reduza os níveis de estresse de uma forma geral. As emoções não ficam muito afinadas com altos níveis de estresse. Para suportar as pequenas frustrações as emoções têm que estar equilibradas.

 

 

 

Como manter o condicionamento muscular sem mexer uma palha? Fácil É só deitar na rede ao som de Dorival Caymmi e imaginar que os seus músculos estão fazendo muita força. Nada mal, hein? Na verdade não precisa nem da rede e nem do Dorival.

No final do ano de 2014 pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA publicaram um experimento bastante instigante mostrando o poder da conexão mente-corpo. Eles engessaram o antebraço de 29 voluntários por um mês. Metade deles era instruída a fazer sessões de 11 minutos – 52 repetições de cinco segundos com outros cinco de relaxamento,  cinco vezes por semana em que eles tinham que imaginar que estavam fazendo a máxima força possível com os músculos de flexão do antebraço.  Eletrodos foram aplicados no antebraço para garantir que eles não contraiam os músculos.

Ao final de um mês os voluntários ficaram livres do gesso e aqueles que fizeram a malhação mental ficaram com a força do antebraço duas vezes mais forte que os que não fizeram nada.

Não é a primeira vez que se mostra essa relação entre o pensamento do esforço físico e o incremento da força muscular.  Porém, o efeito da atividade física real é muito mais efetivo para os músculos, pois estimulam ao mesmo tempo o corpo e a mente.

 

 

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Parece que a chave do sucesso dos kenianos nas corridas de longa distância pode estar no cérebro. Um estudo inédito foi publicado esta semana no periódico Journal of Appllied Physiology mostrou que a oxigenação do cérebro de corredores kenianos de elite é maior do que atletas de outros países testados em outros estudos.

Pesquisadores da Universidade do País Basco descreveram pela primeira vez que os kenianos da tribo Kalenjin têm oxigenação cerebral mais estável em períodos de máximo esforço físico.   Os Kalenjins reúnem cerca de 5 milhões de indivíduos e quase todos os maratonistas kenianos campeões são dessa tribo. Eles foram monitorados durante uma corrida de 5 km na esteira e instruídos a dar o melhor de si com recompensa financeira.

É conhecido que o cérebro reduz sua atividade quando há redução da oxigenação. No caso da região pré-frontal, essa baixa de oxigenação pode reduzir a eficácia do controle dos movimentos.  Mas por que os kenianos têm essa oxigenação mais estável? A genética com certeza tem seu papel.  A infância com muita atividade física e a altitude elevada do Kenia são outras possíveis explicações.  Outros estudos avaliaram a anatomia favorável para a corrida dos kenianos comparando-os com pássaros. Pernas finas, longas e eficientes e peso corporal relativamente baixo para a altura. O fato é que quase 80% dos vencedores de corridas de longa distância são africanos do Kenia.

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Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências de esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses que foi criado para treino de foco no que interessa e para desprezar informações irrelevantes para uma tarefa melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

Os homens fazem mesmo mais coisas estúpidas que as mulheres. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada na edição de natal do prestigiado Jornal Britânico de Medicina – BMJ. ´

É bem conhecido que os homens têm maior comportamento de risco, frequentam mais as emergências de hospitais por acidentes esportivos e de trânsito e morrem mais cedo. Pesquisadores da Universidade de Newcastle na Inglaterra foram além. Eles investigaram o quanto os homens fazem mais coisas idiotas que as mulheres.  Para isso eles analisaram os ganhadores do prêmio Darwin em um período de 20 anos. O prêmio é concedido desde a década de 1990 a indivíduos que “melhoraram a raça humana” ao cometer uma idiotice. Melhoraram por sumir do planeta usando métodos estúpidos e de forma absolutamente voluntária.

Um exemplo é o de um homem que engatou um carrinho de supermercado a um trem e morreu após ser arrastado por mais de cinco quilômetros. Isso para não pagar a passagem. Outro exemplo é o de um terrorista que enviou uma carta bomba com uma quantidade insuficiente de selos. A carta voltou e ele abriu a própria carta. Bum. Não são meros acidentes.

De um total de 318 prêmios, 282 (87%) foram concedidos a homens.  Os resultados corroboram a teoria de que os homens são mais idiotas, fazem mais coisas estúpidas, correm mais riscos sem necessidade.  Para alimentar a auto-estima?

E não é que o som ambiente pode mudar o sabor da sua ceia? Se a ceia tiver muitas comidinhas doces ou azedas, ela ficará mais saborosa se a música for de tons mais agudos. A torta de limão terá mais presença ao som de violinos de Vivaldi. Se na ceia predominar gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores.  O café sem dúvida será muito bem acompanhado por uma ária com Plácido Domingo. Essa influência de uma experiência sensorial sobre outra é uma interessante linha de pesquisa da Universidade de Oxford na Inglaterra liderada pelo psicólogo Charles Spence.

O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos.  O mesmo vinho é considerado mais encorpado ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai. Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá seus pitacos em restaurantes. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.

** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido.  Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso.  Alimentos ricos em glutamato como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão por cima do molho bolonhesa.

Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor.  Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.

Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.

Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento.  Qual é o custo-benefício?

Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários.  Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.

Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências que esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência.  Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses, que foi criado para treino de foco no que interessa e desprezar informações irrelevantes, melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.

Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.

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A solidão aumenta o risco de demência, doenças cardiovasculares, sono de má qualidade, deficiência imunológica, depressão e ainda faz a pessoa morrer mais cedo. Será que esses efeitos da vida solitária podem ser explicados pela ausência de “cães de guarda”, pessoas que estimulam bons hábitos e reprimem maus hábitos? Pode até ser, mas parece que existem outras explicações.

Temos evidências que a solidão é capaz de mudar percepção, os pensamentos, a química e a estrutura do cérebro.  Os solitários são mais sensíveis a experiências ruins como quando são apresentados a imagens de pessoas com expressão facial de dor. Exames de ressonância magnética funcional demonstram que o isolamento social faz com que as áreas do sistema de recompensa cerebral sejam menos ativadas quando provocadas com estímulos sociais o que explica a menor empolgação por um hipotético encontro.

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Pesquisas com ratinhos mostram que o isolamento reduz hormônios cerebrais que modulam a agressividade e diminui também o processo de mielinização que é fundamental para a plasticidade cerebral. Influencia ainda a expressão de genes ligados a comportamentos ansiosos.  Ratinhos que crescem solitários tem uma inibição no crescimento de novos neurônios em áreas associadas à comunicação e memória.  Em um modelo de derrame cerebral provocado intencionalmente, os ratinhos solitários morrem mais do que os que cresceram com os companheirinhos.

Os médicos costumam lembrar seus pacientes de qualidade de sono, dieta e atividade física. Por que não incluir nesse roteiro uma “prescrição social”?

Pelo menos menos EUA, um em cada cinco estudantes já usaram as tais “medicações espertas” com a intenção de melhorar o desempenho cognitivo e ter mais chance de sucesso em provas e concursos.  Entretanto, a maior parte desses estudantes não sofre de qualquer problema neurológico ou psiquiátrico. Mas será que essas medicações funcionam para quem nao tem problemas? Parece que pode até piorar o desempenho.

Uma pesquisa publicada esta semana mostrou que pessoas com desempenho cognitivo podem até piorar quando usam uma dessas medicações espertas, o modafinil, também conhecido como o viagra dos executivos. Pesquisadores da Escola de Psicologia da Malásia testaram as habilidades cognitivas de 32 voluntários após usarem a medicação e outros 32 com placebo. A medicação provocou uma  menor rapidez no ato de dar as respostas. Além disso, as respostas não foram mais corretas com a droga. Essa lentificação poderia promover respostas menos impulsivas por com uma melhor reflexão das perguntas, mas não foi isso que os resultados sugerem.

Atividades profissionais complexas, atividades que envolvem muitas interações sociais ou com informações, deixa o cérebro mais afiado em idades avançadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa apontou que esse efeito protetor do trabalho estimulante foi preservado mesmo anos depois da pessoa se aposentar.

Pesquisadores escoceses estudaram mais de mil voluntários com uma média de idade de 70 anos através de testes cognitivos seriados. Os pesquisadores contavam também com o teste de QI dos participantes quando eles tinham 11 anos de idade.

As profissões foram classificadas quanto ao nível de complexidade. Profissões complexas eram as que envolviam a coordenação ou necessidade de síntese de dados. Profissões pouco complexas eram as que eram mais baseadas em repetição e comparação de dados.  Do ponto de vista de interações sócias, os trabalhos mais complexos eram os que envolviam negociação ou instrução a outros enquanto os pouco complexos replicavam as instruções de outrem.

 

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos nas relações interpessoais foram advogado, professor, assistente social, médico. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram pintor, operário de uma fábrica.

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos no tratamento de dados engenheiro, músico, arquiteto.  Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram servente de construção civil, telefonista.

Os resultados da pesquisa mostraram que aqueles com profissões mais complexas chegavam à velhice com o cérebro mais afiado e independente do QI que tinham na infância sugerindo que a atividade profissional pode realmente fazer a diferença.

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A resposta do cérebro a situações ameaçadoras é menor quando ele tem contato com imagens de pessoas amadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.

Pesquisadores da Universidade de Exeter na Inglaterra avaliaram a resposta da região do cérebro que monitora as ameaças que enfrentamos, melhor dizendo as amígdalas, através da ressonância magnética funcional. Quando os voluntários eram apresentados a palavras e expressões faciais com contexto ameaçador, a ativação das amígdalas era bem menor quando eles eram apreciavam previamente de forme rápida imagens de pessoas amadas. Isso aconteceu mesmo sem prestar atenção no contexto das imagens das pessoas queridas.

Estudos prévios já haviam mostrado que esse contato com imagens de pessoas amadas é capaz de reduzir a resposta cerebral à dor. É bem conhecido também que é mais fácil a recuperação de pessoas com trauma psicológico quando elas têm o suporte emocional de pessoas queridas.

Novos estudos serão realizados usando essa estratégia no tratamento de indivíduos com estresse pós-traumático e outros transtornos mentais que levam a uma hipervigilância a situações estressantes e que, por sua vez, provocam respostas emocionais negativas exageradas.

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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Lancet aponta que o bem estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida.

Nove mil ingleses com uma média de idade de 65 anos responderam a um questionário que avaliava a capacidade de autocontrole, a percepção se a rotina da vida tem importância e faz sentido. Aqueles que tinham melhores pontuações nesse questionário tinham uma chance 30% menor de morrer durante os oito anos do estudo comparados aos que tinham baixa pontuação Isso foi independente de outros fatores como depressão, status socioeconômico, consumo de álcool e saúde em geral.  Nesses oito anos, 9% dos que tinham alta pontuação morreram comparados a 29% daqueles com baixa pontuação.  E como se explica essa relação entre o bem estar psíquico e a saúde do corpo? Os hormônios, o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita e pressão arterial anda mais nos trilhos.

Os pesquisadores também discutem as diferenças desse bem estar ao longo da vida em diversas culturas. Em países desenvolvidos, a satisfação com a vida diminui na meia idade e volta subir na velhice. Entende-se que nesses países, as pessoas trabalham mais nas fases mais produtivas da vida para garantir um futuro mais seguro, ameaçando o grau de satisfação com o tempo presente. Esse mesmo padrão pode ser encontrado em países da América Latina e Caribe, só que o declínio de satisfação na meia idade é menos acentuado. Já nos países do Leste Europeu, os idosos têm menos satisfação que os adultos de meia idade. Discute-se que a queda do comunismo pode ter privado os idosos não só de benefícios materiais e acesso a assistência médica como também da ideologia comunista. Na África Subsariana, adultos jovens, de meia idade e idosos, todos têm baixos níveis de satisfação com a vida.

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