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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Este ano a prestigiada revista Neuron publicou os resultados de uma pesquisa bem interessante que mostrou que somos o que somos graças à abundância de gordura em nossos cérebros. Esse  conteúdo de gordura é de importância gigantesca, pois é a principal matéria-prima das membranas celulares e são essas membranas que permitem a sinalização elétrica entre os neurônios.

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha avaliaram o conteúdo de mais de cinco mil tipos de moléculas de gordura no cérebro de humanos, chimpanzés e roedores. Eles demonstraram que o cérebro dos humanos tem uma variedade de lipídios muito maior que o dos outros animais. Na história da evolução, homens e chimpanzés se originaram de um ancestral comum em uma época semelhante. Acreditava-se que esse conteúdo de gordura do cérebro não devesse ser muito diferente, mas a análise mostrou que somos três vezes mais avantajados. Já o conteúdo de gordura não foi diferente quando se comparou o cerebelo dos homens e chimpanzés. Essa é uma região do sistema nervoso mais arcaica e comum a todos os vertebrados e não é o que nos faz tão diferentes.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

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Uma pesquisa recente aponta que a música dos quartos cantos do mundo tem mais coisas em comum do que diferenças.  Entre essas semelhanças sobressaem os ritmos marcantes que podem funcionar como uma “cola social”, facilitando a conexão entre membros de um grupo.

Musicólogos de diversos países publicaram recentemente no prestigiado periódico PNAS uma analise de 304 músicas de diferentes estilos representando os diversos continentes. Eles selecionaram músicas da Enciclopédia Garland de World Music que inclui músicas instrumentais e canções, tradicionais e contemporâneas.  Os pesquisadores analisaram 32 aspectos das músicas como tonalidade, ritmo, forma, contexto social e concluíram que, apesar de uma aparente diversidade, a música de diversos pontos do mundo têm muita coisa em comum.

Quando se pensa em música como uma cola social, é bom lembrarmos da imagem de trabalhadores cantando em coro durante o trabalho braçal. Não faz muito tempo que o Instituto Max Plamck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstrou que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia.

O cerebelo é uma região do sistema nervoso central que fica na sua parte posterior e por muitos anos foi considerado como o maestro de nossa coordenação motora. Há algum tempo temos evidências de que o cerebelo também participa da nossa atividade cognitiva. Nesse caso ele usa sua batuta para fazer com que as regiões do pensamento trabalhem em conjunto de forma mais eficaz.

Pesquisadores da Universidade de Stanford nos EUA demonstraram recentemente de que o cerebelo também é um dos atores principais para a orquestração de nossa criatividade. Quando voluntários fazem desenhos dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional, os desenhos eleitos pelos participantes como os mais criativos foram os que foram feitos com uma maior ativação do cerebelo.  O cerebelo é um maestro que trabalha em um nível inconsciente. Quanto menor a consciência do processo, maior será sua ativação. Trocando em miúdos: quanto mais nos esforçamos para pensar e calcular uma criação, menos criativo será o produto final.

A velha história de que o hemisfério cerebral direito é mais criativo que o esquerdo está cada vez mais fora de moda. O cerebelo também tem dois lados e parece que ambos fazem toda a diferença no processo criativo.

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O cérebro das crianças pode aprender a ter reações exageradas aos própios erros quando os pais são muito rigorosos. Isso é meio caminho andado para desenvolver um quadro de ansiedade que pode durar muito anos.

Uma pesquisa realizada no fim de 2014 nos EUA, envolvendo mais de quatro mil adultos das mais diferente idades, mostrou que as pessoas que têm mais memórias de infância de pais autoritários são os que também relatam mais sintomas de ansiedade.

Outro estudo conduzido por pesquisadores da universidade americana Stony Brook revelou que o cérebro das crianças que têm pais autoritários responde de forma diferente aos erros.  Já é reconhecido um sinal elétrico no cérebro evocado pelo lobo pré-frontal que faz com que possamos corrigir erros durante uma ação. Eles estudaram esse sinal em cerca de 300 crianças aos três anos de idade e depois novamente aos seis anos enquanto montavam um quebra-cabeça na companhia dos pais. O sinal aos seis anos de idade era maior nas crianças que aos três anos tinham pais que se julgavam mais severos / punitivos e também naquelas com pais que apresentaram comportamento autoritário / crítico durante a dinâmica com a criança.

“ hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”

O som de uma cachoeira no ambiente de trabalho pode melhorar o humor das pessoas e até mesmo a produtividade. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto Politécnico Renseleer de Nova Iorque – EUA que foi apresentado na última semana em Pittsburgh no Encontro da Sociedade Acústica da América.

O barulhinho de uma corredeira de água pode facilitar a concentração das pessoas no trabalho, pois ele faz com que não se perceba o conteúdo daquilo que outras pessoas a metros distância estão dizendo. Isso também dá mais privacidade nas conversas dentro de um ambiente que comporta muitas mesas de trabalho.

Já existem alguns modelos de sons de fundo com a mesma intenção, também chamados de “ruídos brancos”. São sons digitais irregulares e estáveis.  Esse grupo de pesquisadores começou a testar se os ruídos naturais também têm sua função, e parece que o barulho da água correndo pode ser melhor que esses sons digitais ou até mesmo o silêncio.  O segredo desse ruído natural é a constância com certa irregularidade. Isso poderia até ser aplicado para reduzir o estresse de pacientes hospitalizados.

 

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Os homens devem pensar duas vezes antes de se vestir de vermelho. Esta é uma cor que transparece um ar de agressividade de acordo com uma pesquisa publicada recentemente no periódico Biolgy Letters por pesquisadores ingleses da Universidade de Durham  .

Existem situações, como uma entrevista de emprego, em que a roupa vermelha pode ser uma faca de dois gumes. O vermelho passa a imagem de maior agressividade, dá a impressão de que a pessoa é mais competitiva e em algumas situações é o que se espera do entrevistado. Por outro lado, quando se espera um perfil colaborativo, o vermelho pode ser um tiro no pé.

Vermelho é um sinal que sinaliza agressividade e perfil de dominador entre os animais. Devemos ter herdado isso dos nossos ancestrais. Os humanos ficam com a face ruborizada quando têm a experiência de raiva. Esse grupo de pesquisadores já havia demonstrado a influência da cor vermelha em times esportivos, sendo um fator de intimidação nos oponentes. Chegam até a propor aos cartolas que criem regulamentos para banir o vermelho dos uniformes, evitando vantagens pela cor do uniforme.

Os pesquisadores analisaram a impressão que mulheres tinham de 50 diferentes homens, através de imagens manipuladas digitalmente em que se mudava a cor das camisetas. Os homens com camiseta vermelha foram considerados mais agressivos e dominadores do que os vestidos de azul ou cinza. Além disso, a expressão facial dos homens de vermelho foi classificada mais frequentemente como brava. As outras duas opções de classificação eram amedrontada e neutra.

Não temos ainda resultados da impressão dos homens sobre mulheres de vermelho, mas não tenho muitas dúvidas de que deva ser bem diferente.

O smartphone atrapalha seu exercício físico na esteira se você falar ao telefone ou digitar um texto. Entretanto, ele pode melhorar seu desempenho se você estiver o usando para ouvir música.  Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana por pesquisadores americanos na prestigiada revista PLoS ONE.

Eles estudaram 44 voluntários (média de 22 anos de idade) na esteira que fizeram testes em quatro dias diferentes em cada uma das seguintes modalidades: sem celular, com celular falando ao telefone, com celular digitando uma mensagem, com celular ouvindo música de uma playlist própria.  Durante os testes foram monitorados a velocidade alcançada, freqüência cardíaca e o prazer durante o teste, Aqueles que ouviram música tiveram mais prazer no teste e também foram os que tiveram o melhor desempenho cardiorrespiratório e de velocidade. Aqueles que falaram ao celular também tiveram mais prazer, mas perderam em velocidade e mantiveram a freqüência cardíaca.  Já digitar uma mensagem piorou tanto a velocidade como o desempenho cardiorrespiratório, sem influenciar o prazer.

Atividade física e música: uma dupla poderosa

Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho.

Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.

 

Qual é a melhor música?

A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.

. O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.

A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música. Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a frequência cardíaca.

Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.

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Muitas companhias de alimentos probióticos  vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.

A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.

Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.

Um estudo publicado em 2013 mostrou que um modelo de ratinho de comportamento ansioso e antissocial apresentava menores níveis de uma bactéria frequentemente encontrada na flora intestinal, Bacterioidis fragilis. Os pesquisadores reverteram esse comportamento dos ratinhos ao alimentarem os mesmos com a bactéria.  Eles também demonstraram que os ratinhos estressados tinham uma maior concentração no sangue de um metabólito bacteriano (4EPS) e que a injeção desse metabólito em ratinhos normais provocava o comportamento alterado.

As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando. Não podemos dizer muita coisa ainda, mas a neurociência está de olho.

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Aquilo que considerávamos importante para ser feliz há 80 anos é um pouco diferente do que se pensa hoje.  Essa é a conclusão de uma análise dos psicólogos Sandie McHugh e Jerome Carson da Universidade de Bolton na Inglaterra ao refazerem um famoso estudo sobre felicidade de 1938.

Em 1938, um anúncio de jornal em Bolton convidou os leitores a responderem à pergunta “O que é felicidade?”. Um total de 256 pessoas enviou cartas ao jornal e estes foram convidados a elencar dez fatores que julgavam mais importantes para serem felizes. Em 2014, o estudo foi replicado.

Em 1938, segurança, educação e religião foram os três ingredientes mais importantes, no entender desse moradores de Bolton, para a felicidade.  J[a em 2014, segurança ficou em terceiro lugar e bom humor e lazer em primeiro e segundo.  Religião, em 2014,  foi deslocada para décimo lugar.

Em 1938 a maioria das pessoas sentia-se feliz na cidade, mas em 2014 63% declararam estar mais felizes quando estavam fora da cidade.  Sorte foi um item lembrado para a felicidade por 40% das pessoas nos dois períodos.

Em 2014, 77% responderam que a felicidade NÃO está diretamente ligada aos bens materiais.  Em 1938, bens materiais não chegaram a fazer parte dos dez fatores mais elencados pelos participantes do estudo. Os tempos mudaram, não?

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Solidão faz mal à nossa saúde e não sabemos muito bem ao certo quais os mecanismos envolvidos nesse “comportamento de risco”. Um estudo recém-publicado pelo periódico Hormones and Behavior testou a hipótese que uma das possíveis explicações para esse efeito adverso à saúde seria o aumento da ingestão calórica e suas bem conhecidas repercussões.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio nos Estados Unidos recrutaram 42 voluntárias (53 anos em média) que foram submetidas a um jejum de doze horas antes do inicio do estudo. Começaram a manhã com uma dieta de 930 calorias composta de ovos, salsicha de peru e biscoitos. No restante do dia elas tinham amostras de sangue para quantificação do hormônio grelina que está muito associado à fome e ao ato de comer. Elas também respondiam o quanto se sentiam famintas.

Os resultados mostraram que aquelas que se sentiam mais solitárias eram as que referiam mais fome e também as que tinham maiores níveis de grelina. Um estudo anterior publicado pelo mesmo grupo de pesquisadores havia revelado que mulheres que sofriam um estresse psicológico agudo tinham um aumento da grelina e redução do hormônio moderador de apetite – leptina.

Apenas hipóteses para explicar essa relação entre fome / grelina e solidão. A mais aventada é a de que do ponto de vista evolutivo a solidão provoca fome, já que comer é uma atividade de grupo e oportunidade de promover socialização.

O cheiro do suor pode transmitir a outra pessoa seu estado emocional. Se alguém está alegre, seu suor pode “contaminar” o outro com essa alegria e o mesmo acontece com o estado de medo. Essa transmissão se dá por sinais químicos presentes no suor. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Psychological Science.

Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que emoções negativas podem ser transmitidas a outras pessoas através do suor, mas não se sabia bem ao certo se o mesmo acontece com emoções positivas.

Pesquisadores holamdeses da Universidade de Utrecht colheram amostras de suor de 12 voluntários homens após assistirem a vídeos que induziam três diferentes estados emocionais: medo, alegria e neutralidade.  Trinta e seis mulheres cheiraram as amostras de suor dos doze homens e quando eram expostas ao suor de homens que assistiram ao vídeo alegre, passavam a demonstrar uma expressão facial de alegria. Quando sentiam o suor dos homens que assistiram ao vídeo que evocava medo, passavam a apresentar uma expressão facial apreensiva,  enrugando os músculos da testa.  O teste foi duplo cego – nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam que tipo de suor estava sendo testado.

Futuros estudos deverão explorar esse conhecimento para aplicação na indústria de perfumes.

Um estudo publicado esta última semana pelo prestigiado periódico Science mostrou que as concentrações do hormônio ocitocina de humanos, e também dos cães, aumentam à medida que eles interagem entre si.

Pesquisadores japoneses da Universidade de Azabu demonstraram que após uma interação de trinta minutos entre uma pessoa e seu cão os níveis de ocitocina na urina eram maiores nas “duplas” que interagiam mais entrte si com o olhar. A interação do cão com uma pessoa desconhecida não provocou o mesmo efeito.  Em outro experimento eles aplicaram ocitocina intranasal nos cães e observaram que as fêmeas passaram a ter uma maior interação visual com seus donos, e isso por sua vez aumentou a concentração do hormônio dos donos.  Essa diferença de gêneros não aconteceu no primeiro experimento e novos estudos deverão ser feitos para esmiuçar melhor essa questão.

A ocitocina é um hormônio produzido no cérebro (hipotálamo) e está associado a processos fisiológicos envolvidos na maternidade –contrações uterinas no momento do parto e a liberação de leite na amamentação. Ela atua no cérebro materno fortalecendo os laços de carinho com o filho, os cuidados básicos e de proteção. A ocitocina está associada também à produção de dopamina, o neurotransmissor responsável pelo controle do sistema de recompensa cerebral. Quando o hormônio é administrado a homens com relações estáveis e, a estes são apresentadas fotos de suas mulheres, o sistema de recompensa cerebral é estimulado de forma mais intensa, fazendo o cérebro ficar mais atraído pela parceira.

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É bem reconhecido o benefício do humor do ponto de vista individual e por facilitar as interações sociais. O humor ajuda as pessoas a tolerar melhor a dor e a tragédia e promove coesão em grupos reduzindo a chance de conflitos sociais

Uma linha de pesquisa tem mostrado também que o humor pode facilitar o desempenho no trabalho incrementando a criatividade e o coleguismo. Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Applied Psychology fez uma avaliação longitudinal de eficiência e produtividade de colaboradores de duas indústrias na Alemanha. Os pesquisadores avaliaram o vídeo de 54 reuniões e quantificaram o conteúdo de humor de cada uma delas.  Um exemplo de de manifestação de humor em reunião é uma consideração seguida de risadas pelo grupo.

Podemos pensar que o humor em reuniões de trabalho pode distrair o grupo e ser contraprodutivo, mas parece que acontece o contrário. Os pesquisadores avaliaram respostas a curtíssimo prazo após uma interação bem humorada e mostraram que o humor atraiu comportamentos de solução de problemas e definição de metas além de maior suporte entre os pares.

Os pesquisadores foram além. Entrevistaram os supervisores das equipes, que não estavam presentes nas reuniões, para avaliar o desempenho no curto prazo e após dois anos.  A eficiência era maior entre os grupos com maior conteúdo de humor em suas reuniões, tanto no curto como no longo prazo. Porém, essa relação entre humor e desempenho não existia quando  os colaboradores sentiam que seus empregos estavam em risco.

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Ninguém deve discordar que manter viva uma relação com um companheiro / companheira dá trabalho e não existe velocidade cruzeiro nesse processo. Compartilhamos aqui quatro táticas que podem fazer com que esse trabalho seja bem sucedido.

Seja agradável sempre que puder O psicólogo John Gottmann, professor emérito da Universidade de Washington, estudou a fundo os fatores que promovem a estabilidade de um casal. Ele filmou o cotidiano de milhares de casais para analisar suas interações e apresentou os resultados de forma quantitativa. Os casais mais felizes têm uma média de cinco interações positivas para cada uma negativa. Essas interações positivas não eram necessariamente atitudes espetaculares, mas um simples balançar de cabeça, discreto sorriso ou sinalização de que está ouvindo o outro.

 

Pense no que o outro precisa mesmo no meio de uma disputa Gottmann lembra que podemos aplicar a Teoria dos Jogos nas relações conjugais também.  A princípio, se um ganha dois pontos, o outro perde dois.  O equilíbrio em que ambas ganham, em que cada um sai com um ponto, aproxima-se mais do equilíbrio de Nash – John Nash Premio Nobel de Economia. Rubem Alves trouxe a idéia das relações como um jogo de frescobol. Se o outro erra, o prejuízo é dos dois. Por isso vale a pena jogar a bola com capricho para o outro.

Preste atenção no outro As pessoas querem a atenção do outro e buscam ativamente essa atenção. Casais satisfeitos com a relação costumam prestar atenção um no outro em 86% do tempo em média. Já aqueles que acabam no divórcio têm essa atenção em 33% das interações. Ao invés de prestar atenção no relato dia estressante do outro, a atenção pode estar voltada à TV.

Enxergue o outro como um copo meio cheio e não como meio vazio Gottmann também demonstrou que as pessoas que prestam muita a atenção nas falhas do outro são cegas para as virtudes. As pessoas felizes no casamento são aquelas que conseguem ignorar os pontos negativos e valorizar os positivos. Toalha molhada em cima da cama não deve ser suficiente para desmoronar uma relação.

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Uma pesquisa publicada na última semana no jornal eLife por pesquisadores Israelenses aponta que o aperto de mãos pode ser uma forma ancestral e socialmente aceitável das pessoas experimentarem o cheiro dos outros. O estudo mostrou que as pessoas cheiram inconscientemente a mão usada para um aperto de mãos duas vezes mais. O estudo conclui que as pessoas n/ao estariam apenas expostas passivamente aos odores, mas que também buscam de forma ativa.  Os animais cheiram seus semelhantes de forma muito menos “disfarçada”.

Os pesquisadores avaliaram 280 voluntários separados em dois grupos: uns foram filmados após um aperto de mão e outros que não receberam este cumprimento.  O aperto de mãos entre pessoas do mesmo gênero foi associado a um comportamento inconsciente de cheirar a própria mão duas vezes mais freqüente.  Já entre pessoas de gêneros opostos, essa mudança foi menor.

Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Heart apontou que pessoas com pouca habilidade para enfrentar o estresse têm mais chance de desenvolver doença das artérias coronárias. O interessante é que a atividade física regular não consegue exercer seu efeito protetor nessa condição.

Já se conhecia o maior risco de doença cardíaca entre pessoas sedentárias e com pouca resiliência. Desta vez, pesquisadores ingleses e suecos mostraram que a atividade física não consegue contrabalancear o risco cardíaco de uma mente “ estressada”.

A resiliência ao estresse foi avaliada como exame compulsório para o serviço militar em quase 240 mil suecos adolescentes que depis tiveram um seguimento de até 50 anos.  Os adolescentes com baixa resiliência eram os que tinham menor preparo físico e ao longo  dos anos foram os que mais tiveram mais doença coronariana. Mesmo entre aqueles com alto desempenho físico , quando não sabiam enfrentar o estresse, estes também vieram a ter maiores índices de doença cardíaca.

Moral da história: programas de promoção da saúde do coração não devem deixar de lado o equilíbrio psíquico das pessoas.

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Um estudo recém-publicado no periódico Psychological Science aponta que o hábito de abraçar os outros pode ajudar a prevenir doenças. Paradoxal?

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon nos EUA aplicaram questionários a cerca de 400 voluntários para avaliação do quanto eles sentiam que tinham apoio de outras pessoas para dividir medos e conflitos. Por duas semanas eles também eram interrogados se tinham sido abraçado por alguém durante o dia. Além disso, parte dos voluntários era exposta ao vírus causador da gripe e depois ficavam isolados em quarentena para observação dos sintomas por cerca de uma semana.

Aqueles que tinham a percepção de maior apoio social eram também os que mais deram e receberam abraços durante as duas semanas estudadas. O mais interessante foi que as pessoas que experimentaram mais abraços foram as que apresentaram menos sintomas de gripe, independente do fator “apoio social”.  Esse mesmo grupo de pesquisadores já tinha demonstrado que as pessoas com maiores laços sociais gripavam menos, provavelmente por um sistema imunológico mais equilibrado.

A meia-idade é um período de relativa estabilidade, especialmente nos relacionamentos pessoais, mas algumas pessoas passam por uma grande insegurança emocional nessa fase da vida. A crise da meia idade existe e afeta no máximo um quarto dos quarentões e cinqüentões. Ao tomarem consciência de que existem menos anos de vida pela frente, algumas pessoas passam a ter planos menos ousados. Outras passam a ter o comportamento inverso: começam a realizar tudo aquilo que gostariam de ter feito e não fizeram.

As estatísticas vão de 10 a 25%. A maioria daqueles que referem ter passado por uma crise nessa idade reconhece que eventos como a perda do emprego ou de um parente foi muito mais importante que a idade por si só. Nem todo mundo entra em depressão ou começa a abusar do álcool ou outras substâncias psicoativas.

Estudos populacionais nos mostram que ao logo da vida as pessoas sentem-se menos felizes nesta época da vida. Há um comportamento chamado de curva em formato de “U”. A base do “U” é o menor estado de felicidade na meia idade e as pontas do “U” representam a velhice e infância / adolescência. Por outro lado, quando se pergunta a idosos qual a idade que eles mais gostariam de viver novamente, eles respondem que é os quarenta e poucos anos.

Fatores biológicos podem ter sua importância, mas os eventos que acontecem no decorrer da vida podem ser mais importantes. O cérebro já é menor aos 40 anos quando comparado à adolescência, mas a experiência e sabedoria da maturidade contornam facilmente essas questões morfológicas. Além disso, as doenças começam a ser mais comuns e elas certamente vão influenciar o equilíbrio psíquico.

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1- As pessoas só utilizam 10% do cérebro

Fato: o cérebro trabalha em conjunto como uma orquestra sinfônica. Não existe neurônio ocioso.

2- Pessoas mais racionais teriam o cérebro esquerdo mais desenvolvido e as pessoas mais intuitivas e artísticas têm o cérebro direito melhor.

Fato: os dois lados do cérebro são utilizados em qualquer atividade cognitiva incluindo leitura e matemática. É mais comum as pessoas terem a função da linguagem no hemisfério esquerdo, mas não são todas. Já a entonação de nossa fala e a orientação espacial é mais frequentemente representada no hemisfério direito. Estudos de neuroimagem não confirmam a idéia de que o hemisfério direito é a nossa central de criatividade.

3- A criança deve aprender sua primeira língua antes de aprender uma segunda.

Fato: a segunda língua não compete com a primeira. Na verdade, as crianças que aprendem as duas ao mesmo tempo adquirem melhor conhecimento da estrutura da linguagem de uma forma geral.

4- Meninos têm mais habilidade para aprender algumas matérias enquanto as meninas têm mais facilidade em outras.

Fato: mesmo que existam pequenas diferenças, e estas podem ser fruto do ambiente, do contexto psicossocial, e não do “modelo” da máquina cerebral por si só, essas possíveis diferenças são insignificantes.

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Uma pesquisa publicada hoje no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o risco de AVC é maior entre as pessoas que dormem mais de oito horas por noite.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge na Inglaterra acompanharam quase dez mil voluntários por um período de 9.5 anos em média. Eles tinham uma média de idade de 62 anos. Das 986 pessoas que dormiam mais de oito horas por noite, 52 (5.27%) tiveram um AVC. Já entre as 6684 pessoas que dormiam entre 6 e 8 horas, 211 apresentaram AVC nesse período (3.15%). Os que dormiam o número de horas médio da população e que passavam a dormir mais de oito horas, estes passavam a ter um risco de AVC quatro vezes maior.

Essa diferença fpi independente de fatores como hipertensão arterial, dislipidemia, índice de massa corporal e atividade física.  A atual pesquisa não nos permite concluir se o sono prolongado é causa ou conseqüência de doença vascular. Mais estudos deverão ser realizados para esclarecer essa relação entre sono e AVC.

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