Não é raro encontrar vários talentos musicais numa mesma família. Será que é por conta do ambiente que incentiva a música ou o DNA é que faz a diferença? Alguns músicos já demonstram na infância um talento excepcional, mesmo antes de ter qualquer aula. O matemático Galton foi o criador da famosa interrogação “Nature or nurture?” que podemos entender “É da sua natureza (genético) ou fruto da persistência (nurture)”.

 

No ano de 1993 tivemos o resultado de uma pesquisa que alimentou a ideia de que persistência seria o suficiente para ser um grande músico. Os autores do estudo mostraram que músicos de elite tinham uma média de dez mil horas de prática e concluíram que essa seria a “única” chave do sucesso. Um best-seller relativamente recente, Outliers de Malcolm Gladwell, defende essa ideia que pessoas brilhantes, em qualquer área, praticaram pelo menos dez mil horas. O livro inclui nessa regra das dez mil horas posições que vão desde músicos até figuras como Bill Gates. Entretanto, uma pesquisa recente dá um banho de água fria nessa regrinha.

 

Psicólogos da Universidade Estadual de Michigan e do Texas mostraram que os genes fazem a diferença na chance de uma pessoa se tornar um virtuose da música. Eles estudaram 850 gêmeos quanto ao desempenho musical e o número de horas de prática. O fator genético realmente fazia diferença, mas de forma muito mais intensa entre aqueles que praticavam mais. É o exercício, a repetição fazendo os genes se expressarem. É a prática moldando o DNA.

 

E genes certos fazem a pessoa praticar mais. Quando a pessoa tem a percepção de que é bom em alguma coisa, a motivação é maior. E essa motivação pode ser alimentada já nos primeiros anos pelo retorno de pais e professores que reconhecem o talento de uma criança para a música.

 

O que os bons genes para a música trazem de vantagem? Não sabemos responder, mas podemos especular que vantagens na coordenação motora, processamento do som são bons candidatos.

 

Outro estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science, e conduzido pelo Instituto Karolisnka na Suécia, confirma que a regra dos dez mil não faz verão sem os bons genes. Os pesquisadores analisaram as habilidades musicais como ritmo, melodia e discriminação de tons entre 2500 pares de gêmeos idênticos e não idênticos. Os resultados apontaram desempenho nos testes independente do tempo de prática. Um indivíduo com mais de 20 mil horas de prática de um instrumento musical não teve menos dificuldade que seu irmão gêmeo idêntico. Fazia diferença sim entre gêmeos não idênticos.

 

Essa influência dos genes, a principio, pode ser extrapolada a outras áreas de expertise. Os mesmos pesquisadores já demonstraram esse efeito entre jogadores de xadrez. Quando pensamos nos kids, o melhor é deixá-los experimentar um grande número de atividades. Uma hora ou outra eles encontram o que combina mais com seus genes e vão praticar pelo prazer de fazer bem a coisa.

 

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