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A enxaqueca é um transtorno neurológico que chega a acometer quase 20% das mulheres e é mais freqüente justamente nas fases de vida mais produtivas: entre 25 e 55 anos. Alguns estudos têm demonstrado que pessoas com enxaqueca perdem de 1 a 4 dias de trabalho por ano devido ao problema. Nos EUA, estima-se que o absenteísmo secundário à enxaqueca leva a um prejuízo de 8 bilhões de dólares ao ano.
A maioria das pesquisas que avaliou a relação entre enxaqueca e absenteísmo não oferece a possibilidade de comparação dos dias de trabalho perdidos com a população geral. Os poucos estudos que disponibilizaram essa comparação geraram resultados conflituosos, alguns deles com amostras populacionais pequenas.
Um novo estudo publicado este mês na revista Cephalalgia demonstrou que mulheres com enxaqueca realmente faltam mais ao trabalho por razões médicas do que a média da população. O estudo acompanhou por três anos mais de 27 mil mulheres do serviço público finlandês e revelou que 24% dessa amostra apresentava diagnóstico de enxaqueca realizado por médico. Mulheres com enxaqueca apresentaram cinco dias a mais de absenteísmo por ano quando comparado às mulheres sem enxaqueca, enquanto depressão e problemas respiratórios causavam 14 e 6 dias a mais de absenteísmo por ano respectivamente.
Do ponto de vista econômico, o absenteísmo é apenas uma parte do prejuízo causado pela enxaqueca, já que mesmo que o profissional não tire licença por conta de crises, sabe-se que seu desempenho no trabalho é prejudicado. A realização de campanhas educativas para um maior reconhecimento e diagnóstico do problema, podendo assim proporcionar tratamento adequado a mais pessoas, é uma importante estratégia para melhorar a qualidade de vida e a capacidade de trabalho de uma parcela bem significativa da sociedade.
** O mesmo grupo de pesquisadores publicou no início do ano uma pesquisa que mostrou que mulheres realizadas profissionalmente têm menos enxaqueca.
Clique aqui e confira o post relacionado a esse estudo.
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Temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstra que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. Além disso, é bem reconhecido que a relação entre álcool e doenças cardiovasculares tem um comportamento estatístico conhecido como curva J. Quanto mais alta a posição na curva J, maior o risco. Isso significa que a ausência de consumo de álcool, que está na ponta inferior do J, está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares do que o consumo moderado que se encontra na “barriga” do J. Quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que quem não bebe. Por outro lado, o consumo exagerado de álcool, que se encontra na ponta superior do J, reflete um maior risco de doenças cardiovasculares.
Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que o álcool também tem um comportamento semelhante à curva J quando o assunto é declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento, sendo que o consumo moderado está associado a um menor risco de demência, e o consumo excessivo a um maior risco (ponta superior do J). Temos ainda resultados de pesquisas nos mostrando que o excesso de álcool está associado à redução do volume do cérebro. Na verdade, já a partir dos 15 anos de idade nosso cérebro já tem seu peso reduzido em 1.5-1.19% por década, e essa redução não significa que há perdas funcionais. E será que o consumo moderado de álcool reduz esse ritmo de perda de volume cerebral? Na tentativa de responder a essa pergunta, uma população significativa de americanos sem história de derrame cerebral ou demência (grupo Frahmingham Offspring) foi avaliada quanto ao histórico de consumo de álcool e submetida à ressonância magnética do crânio. Os resultados foram publicados na última edição da revista Archives of Neurology. Confirmaram-se resultados anteriores de que o consumo excessivo de álcool está associado a um maior risco de redução do volume cerebral, e esse efeito foi mais forte nas mulheres do que nos homens. Além disso, não foi possível demonstrar que o uso moderado de álcool tenha efeito protetor sobre a redução do volume cerebral.
Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor do álcool em doses moderadas. Além disso, o efeito protetor do vinho tinto parece ser superior ao de outras bebidas, pois além do álcool, ele possui outras substâncias nobres antioxidantes (ex: polifenóis). Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação é de que quem já bebe não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool.
CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira
Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e também representa a principal causa de morte evitável em muitos países. Um estudo publicado hoje na revista Archives of Internal Medicine confirma que indivíduos que nunca fumaram vivem 10 anos a mais que fumantes que consomem mais que 20 cigarros por dia. A pesquisa acompanhou por 26 anos homens finlandeses saudáveis com idade de 47 anos em média. O mais interessante desse estudo é que os não fumantes além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com nível de qualidade de vida maior do que os fumantes. Esses resultados são extremamente relevantes para futuras campanhas anti-tabagismo, já que existe uma parcela significativa de fumantes que mantém o vício com a idéia de que perder “alguns” anos da velhice não seria tanto prejuízo assim… A importância dessa pesquisa é o fato de nos mostrar que o fumante não está só perdendo uma década de vida, mas seus anos vividos também têm uma qualidade inferior. A conta do prejuízo deve ser refeita.
Um estudo publicado na última edição da revista Neuron demonstrou que indivíduos dependentes de cocaína apresentam regiões do córtex cerebral menos volumosas do que em indivíduos controles, especialmente em regiões associadas a funções executivas e aos sistemas de atenção e recompensa cerebral. O mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado um menor volume da amígdala entre dependentes de cocaína, estrutura cerebral mais profunda que tem uma série de relações com os processos cerebrais de abuso e dependência da droga. Algumas dessas alterações estruturais encontradas podem ser secundárias ao efeito neurotóxico da droga, porém, os resultados também podem refletir uma predisposição cerebral ao abuso e dependência, antes mesmo do início do uso da droga.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Já é bem reconhecido que crianças com o diagnostico de TDAH tem um maior risco de no futuro usarem drogas, incluindo abuso e dependência de álcool e drogas ilícitas, assim como tabagismo. Além disso, há um forte corpo de evidências que aponta que esse risco é menor entre adolescentes que receberam tratamento com medicações estimulantes como o metilfenidato durante a infância. Estudos com modelos animais de TDAH revelam que o uso dessas medicações reduz o interesse por drogas como a cocaína. O fator psicossocial também pode ser relevante, e poderíamos hipotetizar que crianças tratadas na infância receberam mais atenção por parte dos pais.
Um novo estudo publicado na última edição da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine confirma o efeito protetor do tratamento medicamentoso em crianças sobre o risco das mesmas usarem drogas no futuro, efeito até então mais estudado entre os meninos. A pesquisa acrescenta um importante dado à literatura: o efeito protetor do tratamento é tão importante nas meninas como nos meninos.
O crescimento do consumo de bebidas energéticas cafeinadas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, variando de 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos, e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. É bom ter consciência sobre os potenciais riscos do consumo dessas bebidas em exagero e/ou em combinação com o álcool.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
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A psicoterapia é uma das mais importantes ferramentas que dispomos para ajudar as pessoas que passam por problemas emocionais e do comportamento. Mas qual é a linha de psicoterapia mais acertada para cada tipo de problema? Uma das discussões mais inflamadas sobre o tema é a disputa entre a eficácia de terapias de longo prazo como a psicanálise e de terapias breves como, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental.
A terapia psicodinâmica (ou psicanalítica) de longo prazo é freqüentemente questionada sobre sua real eficácia, especialmente por ter sido construída através da experiência clínica, apoiada por um corpo teórico invejável, mas não acompanhada desde sua origem pelo clássico método científico que define tantas intervenções terapêuticas como “cientificamente corretas”. Um estudo publicado esta semana no JAMA (Journal of the American Medical Association) dá um passo muito importante na demonstração científica da eficácia da psicoterapia psicodinâmica de logo prazo.
Pesquisadores alemães conduziram uma metanálise dos estudos publicados desde a década de 60 até 2008 e selecionaram 23 estudos que testaram a eficácia da terapia psicodinâmica com duração de pelo menos um ano de seguimento e com o mínimo de 50 sessões. A análise dos estudos evidenciou que a terapia psicodinâmica a longo prazo foi mais eficaz que métodos terapêuticos de curto prazo em diversas situações como transtornos de personalidade, múltiplos transtornos mentais e transtornos mentais crônicos.
Em 1982, num artigo que passou a ser um clássico da psiquiatria, Parloff chamou a atenção para o potencial equívoco em se querer começar a definir se um método de psicoterapia tem credibilidade se esse faz parte de uma lista de terapias que foram aprovadas através de rigorosos ensaios científicos. Um dos maiores propulsores para o crescimento dessa Psicoterapia Baseada em Evidências, nos mesmos moldes da Medicina Baseada em Evidências, é a pressão por parte do sistema de saúde no sentido de apenas reembolsar procedimentos terapêuticos que passaram por comprovação científica – e terapias de longo prazo são mais caras. Parloff em seu artigo original comparou esse movimento à personagem Godzilla (demanda por demonstração científica) ameaçando todo o corpo teórico, experiência clínica e a arte envolvida nas psicoterapias ainda “cientificamente incorretas” (Bambi). A inspiração vem de “Quando Bambi encontra Godzilla”, clássico do desenho animado do final da década de 60, reconhecido como um dos 50 desenhos animados mais importantes da história.
Mais de duas décadas depois do artigo de Parloff, Bambi tem suas forças revitalizadas e Godzilla nem é tão ameaçador assim. Freud deve estar gostando disso.
Clique aqui e assista ao filme (1 minuto e meio de duração).
Muita gente tem enxaqueca, mas nem todo mundo precisa de tratamento. É importante conhecer quais são os critérios que fazem com que um tratamento profilático seja indicado. Além disso, é importante saber que além das medicações clássicas usadas no tratamento profilático, existe uma série de outras abordagens farmacológicas e não farmacológicas de comprovado sucesso no tratamento da enxaqueca. Estamos falando de terapias Mente-Corpo (Ioga, Meditação), fitoterápicos, etc.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
O exame das artérias da retina representa uma extraordinária oportunidade para se entender o que se passa nas artérias do cérebro. Não é difícil se convencer de que há uma associação entre o estado das artérias da retina e do cérebro quando pensamos no fato de que os olhos e o cérebro eram uma só estrutura nas primeiras semanas de um embrião. Quando estudamos as artérias de ambos os órgãos podemos perceber que elas são muito parecidas em vários aspectos. Tanto o cérebro quanto a retina apresentam células especializadas em fazer sua interface com o sangue, e que funciona como um eficiente filtro daquilo que pode ou não entrar em contato com esses órgãos. Além disso, as pequenas artérias do cérebro e da retina são muito parecidas tanto em diâmetro como também por não terem pontes entre si, como se fossem vias sem sem saídas os lados.
E o que podemos observar no mundo real é que quando doenças como a hipertensão arterial e o diabetes chegam a alterar as artérias da retina, elas também já estão fazendo mal às pequenas artérias do cérebro. Essas alterações no cérebro são conhecidas como Doença de Pequenos Vasos Cerebrais, e representa uma das principais causas de perda do desempenho cerebral em idades mais avançadas. Essa é uma doença que vai silenciosamente enchendo o cérebro de pequenas cicatrizes ou buraquinhos, na maioria das vezes de forma silenciosa, mas facilmente detectadas pela Ressonância Magnética. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente.
O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões? São as mesmas atitudes que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 5) dieta saudável e controle do peso; 6) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo.
Invista nas suas artérias. Seu corpo todo vai agradecer.
CLIQUE AQUI PARA LER O POST “PREVIDÊNCIA VASCULAR”.
Onze mil moradores da região de Molise no sul da Itália com mais de 35 anos de idade foram avaliados, e cerca de cinco mil indivíduos sem doenças crônicas e que não faziam qualquer tipo de dieta especial foram selecionados. Desses cinco mil, identificou-se um subgrupo de 1317 pessoas que não faziam uso de qualquer tipo de chocolate e outro subgrupo de 824 pessoas que comiam chocolate amargo regularmente. ESSE GRUPO DE PESSOAS QUE CONSUMIA CHOCOLATE AMARGO REGULARMENTE APRESENTAVA UM ÍNDICE 17% MAIS BAIXO DO MARCADOR DE INFLAMAÇÃO PROTEÍNA C-REATIVA DE ALTA SENSIBILIDADE. Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares em cerca de 30%. Os efeitos positivos dos componentes do chocolate em reduzir marcadores de inflamação já haviam sido demonstrados em “tubo de ensaio”, mas é a primeira vez que esse efeito é demonstrado em uma grande amostra populacional.
Apesar do maior nível de ingesta calórica no grupo que consumia chocolate, não houve diferença no índice de massa corporal entre os grupos, ou seja, quem consumia chocolate não era mais gordo. Outro ponto importante revelado pela pesquisa foi que a dose de uma porção de chocolate (20g) a cada três dias (até 6.7g por dia), foi associado aos menores níveis de inflamação. Acima dessa dose, os efeitos foram mais discretos (ver gráfico).
Mais uma vez o chocolate amargo mostra-se um poderoso aliado de nossa saúde. Meia barra de 100 gramas por semana parece ser uma dose inteligente.
Se você precisar escolher entre um prêmio de 4 mil reais com 80% de chance de ganhá-lo ou um prêmio de 3 mil reais com 100% de chance de ganhá-lo, talvez você siga a tendência humana que é a de fazer a segunda escolha. Essa mesma tendência foi demonstrada entre roedores e diversas outras espécies animais, fenômeno conhecido pela ciência como Efeito Certeza.
As pesquisas mostram que quando os animais são submetidos a repetidos testes, eles insistem em escolher a opção que traz mais certeza de retorno, mesmo que o retorno na média seja menor. Já entre os humanos, quando repetidos testes são realizados, o comportamento passa a ser diferente, influenciado pela experiência prévia de decisões semelhantes. O aprendizado então faz com que a tendência de escolha se inverta, ou seja, as pessoas passam a optar por um prêmio mais graúdo, mesmo que corram o pequeno risco de ficarem sem nada, fenômeno chamado de Efeito Certeza Reverso.
Uma pesquisa publicada recentemente pela revista Nature [2008:453(12)] nos mostra que tanto os animais quanto os homens podem escolher pela certeza ou pelo risco, e a escolha parece ser dependente do grau de informação perceptível sobre os prêmios. Testes com humanos mostraram o Efeito Certeza Reverso, ou seja, um maior prêmio “na maioria das vezes”, quando eles eram capazes de discernir que um prêmio era maior que outro pelo claro valor numérico do prêmio. Entretanto, quando a informação sobre o prêmio era através de um gráfico de pontinhos, uma forma menos clara de se avaliar o valor do prêmio, as pessoas passam a se comportar optando pela opção Certeza.

Quando a percepção da diferença entre os prêmios é fácil, como é o caso de valores numéricos, as pessoas fazem a opção pelo maior valor, mesmo que tenham um pequeno risco de não ganharem nada. Quando essa percepção não é tão clara, como no exemplo dos pontinhos, as pessoas tendem a ser conservadoras: fazem a escolha pela segurança.
Os pesquisadores foram além. Reproduziram experimento semelhante com abelhas sendo que os prêmios eram soluções com diferentes concentrações de açúcar. Quando a diferença entre as concentrações de açúcar era de fácil percepção pelas abelhas, elas adotavam “comportamento de risco”, dando preferência ao maior prêmio, mesmo que incerto. Quando a diferença de concentração de açúcar era mais sutil, menos perceptível pelas abelhas, elas se comportavam de forma conservadora. Os resultados sugerem que o comportamento de escolhas, tanto nos animais como no homem, está associado à clareza em que se percebe a diferença entre o potencial ganho de cada escolha.
Podemos voar alto pensando nas aplicações desse tipo de comportamento no mundo real. Na verdade, esse jogo de escolhas tem sido estudado há décadas, e hoje compreende um forte ramo do conhecimento chamado de Teoria dos Jogos. A Teoria dos Jogos passou a ser muito mais popular após a década de 90 quando o americano John Nash recebeu o Nobel de Economia pelos seus estudos matemáticos para o melhor entendimento do equilíbrio da economia, conhecido como equilíbrio de Nash (o filme Mentes Brilhantes é a sua biografia). Um outro Nobel foi concedido ao israelense Daniel Kahnemann por sua Teoria de Perspectivas, um desdobramento da Teoria dos Jogos e que iluminou o entendimento de como as pessoas fazem escolhas, como escolhem entre o risco e a segurança. Atualmente, a Teoria dos Jogos e seus filhotes têm sido discussão obrigatória em diversos ramos do conhecimento que vão além da matemática e das ciências econômicas, mas também em áreas como a psicologia, o marketing, a administração e qualquer área do conhecimento que se interessa por estratégia e cooperação.
Há tempos já sabemos que enxaqueca não é só dor de cabeça. Quem tem enxaqueca tem mais chance de sofrer de depressão, ansiedade, sintomas do labirinto e maior risco de derrame cerebral. Nos últimos anos, alguns estudos têm revelado que a enxaqueca também está associada a um maior risco de infarto do coração. A razão para esse maior risco de doenças cardiovasculares ainda não é bem conhecida, e são vários os candidatos: 1) aterosclerose?; 2) sangue com maior tendência à trombose?; 3) espasmo dos vasos sanguíneos?; 4) alterações cardíacas associadas?.
Um estudo publicado na última edição da revista Neurology (Academia Americana de Neurologia) ajuda-nos a entender melhor a relação entre a enxaqueca e eventos cardiovasculares, sugerindo que o primeiro suspeito da lista, a aterosclerose, não parece ter chance de ser o culpado.
Moradores do norte da Itália foram submetidos a acompanhamento médico por 5 anos incluindo exames seriados das artérias femorais e carótidas que medem o grau de aterosclerose de um indivíduo. Na população estudada, as pessoas que sofriam de enxaqueca tinham até mesmo um grau de aterosclerose menor do que aqueles sem enxaqueca. Em contraste, a população que apresentava enxaqueca apresentou maior risco de trombose nas veias, tanto nas pernas como no pulmão. A freqüência de trombose venosa entre as pessoas com enxaqueca foi de 18,9% comparada a 7,6% nas pessoas sem enxaqueca.
Esses resultados além de indicarem que a aterosclerose não deva ser o maior responsável pelas complicações vasculares dos pacientes com enxaqueca, sugerem que o segundo suspeito, sangue com maior tendência a trombose, possa realmente ter mais culpa no cartório do que se imaginava até então. O maior risco de trombose nas veias encontrado na pesquisa apóia essa hipótese, já que a coagulação do sangue é vista como o principal fator causal nesse tipo de trombose. Os indivíduos com enxaqueca desse estudo ainda apresentaram mais fatores da coagulação do sangue que predispõem à trombose (Mutação do fator V Leiden), especialmente no caso da enxaqueca com aura.
Essa maior tendência à trombose pode também estar associada ao conhecido fato de que há uma ativação da coagulação sanguínea no momento de uma crise de enxaqueca e que perdura por alguns dias. Apóia também essa hipótese o fato da pesquisa ter revelado que o risco de trombose foi maior nas pessoas que tinham mais anos de história de enxaqueca. Estudos anteriores já haviam mostrado que crises freqüentes de enxaqueca aumentam o risco de lesões cerebrais por trombose nas artérias.
Hoje em dia podemos falar de boca cheia que a decisão de se iniciar um tratamento para enxaqueca pra redução da freqüência e intensidade das crises tem a intenção não só de melhorar a qualidade de vida. O tratamento visa também proteger as pessoas de virem a desenvolver tromboses no cérebro, e provavelmente também em outras partes do corpo.
** Para melhor entender o que é a aterosclerose e trombose, leia o Post PREVIDÊNCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.
É estimado que entre 30 a 70% das pessoas que usam antidepressivos apresenta algum grau de disfunção sexual secundária à medicação, como por exemplo, a dificuldade de atingir o orgasmo. Esse é um dos importantes fatores que fazem com que os pacientes abandonem precocemente o tratamento.
Alguns estudos já haviam demonstrado o sucesso do uso de medicações similares ao Viagra (SILDENAFIL) em pacientes homens com esse problema. O fato é que depressão é pelo menos duas vezes mais comum entre as mulheres do que nos homens e alguns pequenos estudos já até mostraram que o SIDENAFIL pode ajudar as mulheres com disfunção sexual associada ao uso de antidepressivos. Teoricamente, o SILDENAFIL realmente tem o potencial de ajudar também as mulheres, já que os receptores em que a droga atua são encontrados tanto no órgão sexual masculino como também na genitália feminina.
Recentemente, um estudo bem mais robusto confirmou os achados preliminares, tendo sido publicado no Jornal da Associação Médica Americana [JAMA 2008; 300(4)]. Mulheres em tratamento para depressão que passaram a apresentar retardo do orgasmo ou redução da lubrificação vaginal após uso de antidepressivos apresentaram significativa melhora dos sintomas com o SILDENAFIL quando comparado ao placebo. Algumas pacientes queixaram-se de dor de cabeça, rubor facial e incômodo no estômago com o SIDENAFIL, mas não houve queixas sérias que as fizessem parar de usar a medicação.
Os resultados não devem ser extrapolados para outras situações de disfunção sexual em mulheres. Inclusive, o órgão regulador de medicamentos e alimentos dos EUA (FDA) ainda não aprova o uso do SILDENAFIL para mulheres. Entretanto, isso não quer dizer que inexistam evidências de efeitos positivos do SILDENAFIL na função sexual feminina, e o corpo de estudos disponíveis até o momento é encorajador.
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Um estudo publicado ontem no British Medical Journal nos mostra de forma inequívoca que mulheres que adotam um estilo de vida saudável vivem mais. Pesquisas anteriores já haviam mostrado resultados semelhantes, mas dessa vez os resultados são mais contundentes ainda, já que o estudo envolveu quase 80 mil mulheres com idades entre 34 e 59 anos e que foram acompanhadas por 24 anos. Cinco marcadores de saúde foram avaliados pela pesquisa:
- tabagismo
- sobrepeso
- inatividade física
- dieta pouco saudável
- o não consumo moderado de álcool (moderado = até uma dose diária)
Cada um desses cinco fatores esteve associado ao risco de morrer durante o período do estudo de forma independente. Quando se comparou mulheres que não apresentavam nenhum dos cinco fatores de risco com mulheres que apresentavam os cinco fatores, as mulheres com os cinco marcadores de risco apresentavam um risco maior de mortalidade nas seguintes proporções:
- risco relativo de mortalidade geral 4.3 vezes maior
- risco relativo de mortalidade por câncer 3.2 vezes maior
- risco relativo de mortalidade por doenças cardiovasculares 8.2 vezes maior
A pesquisa mostrou também que 28% das mortes durante o período do estudo poderiam ter sido evitadas se as mulheres não fumassem, e 55% das mortes poderiam ter sido evitadas se as mulheres não apresentassem a combinação dos quatro primeiros fatores. O quinto fator, ausência de consumo moderado de álcool, não foi tão relevante como os outros quatro.
Trocando em miúdos:
VIVE MAIS A MULHER MAGRA E QUE NÃO FUMA, QUE FAZ ATIVIDADE FÍSICA E QUE TEM UMA DIETA SAUDÁVEL.
Estudos recentes realizados aqui mesmo no Brasil mostram que cerca de 70-80% das mulheres queixa-se de dor de cabeça no período próximo à menstruação e a enxaqueca é responsável por boa parte dessas dores de cabeça. É bom lembrar que quase 20% da população feminina tem enxaqueca.
As flutuações dos hormônios sexuais da mulher não só explicam o porquê da mulher ter cerca de três vezes mais enxaqueca do que o homem, mas também explica a íntima associação entre a enxaqueca e o período da menstruação. Até 70% das mulheres com enxaqueca percebem essa associação, seja pelo fato de só ter crises de enxaqueca no período da menstruação, seja porque nesse período as crises costumam ser mais fortes.
Existem várias estratégias de tratamento para a enxaqueca associada à menstruação, e um estudo publicado na última semana pela revista britânica Cephalalgia, confirmou que o tratamento hormonal (estrogênio) pode ser uma ferramenta valiosa nessas situações. O que a pesquisa nos trouxe de novidade é que o uso de terapias hormonais tem a chance de reduzir a freqüência de crises de enxaqueca não só no período perimenstrual, mas também ao longo de todo o mês. O tratamento hormonal também permitiu uma extraordinária redução na quantidade de medicações que as mulheres usavam para dor de cabeça.
A terapia com hormônios à base de estrogênio na enxaqueca tem outras peculiaridades que devem ser consideradas também. Algumas mulheres até têm suas crises intensificadas por conta do uso de estrogênio. No caso da enxaqueca com aura, o uso de estrogênio deve ser discutido ainda com mais cautela, pois pode aumentar os riscos de isquemia cerebral. Clique aqui e leia o post que discute essa questão.
A enxaqueca é coisa séria. Para se ter uma idéia, ela ocupa o oitavo lugar entre os problemas de saúde de maior impacto no dia-a-dia de uma mulher. Não faz sentido viver reclamando de enxaqueca sendo que o problema tem diversas formas de solução.
São tantos resultados de pesquisa sobre os efeitos de dietas inteligentes sobre nossa saúde que às vezes fica difícil saber em que pé as coisas estão. Essa é uma situação que uma metanálise pode ajudar muito. Ela nada mais é do que uma avaliação sistemática dos estudos significativos realizados até então sobre o assunto e com isso amplifica-se a força dos estudos, cria-se uma MEGA PESQUISA.
Pesquisadores italianos publicaram ontem no respeitado British Medical Journal uma importante metanálise sobre os efeitos da Dieta Mediterrânea sobre nossa saúde. Foram incluídos 12 estudos prospectivos com um total de mais de 1,5 milhão de indivíduos.
Efeitos da Dieta Mediterrânea:
– reduz a mortalidade geral em 9%
– reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%
– reduz a mortalidade por câncer em 6%
– reduz a incidência de Doença de Parkinson em 13%
– reduz a incidência de Doença de Alzheimer em 13%
O recado é claro. Devemos regular o consumo de carnes e laticínios e encorpar nossa dieta com cereais integrais, verduras, legumes, frutas, peixes, azeite, e até mesmo um vinhozinho tinto com moderação.
Ver também post PREVIDENCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.
Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo. Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.
A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI. A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?
A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito NOCEBO, também do latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas, o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena. Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções gastro-intestinais, entre outros sintomas.
O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.
É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte.
Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes. De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relaçao com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…
Ver também os POSTS
COMO FUNCIONA O EFEITO PLACEBO?
EFEITO PLACEBO NÃO É SÓ PÍLULA DE FARINHA
A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existam três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.
Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo que não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima” já que o nível de compreensão que temos hoje dos mecanismos biológicos associados à epilepsia só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas. Para entender o que é epilepsia, precisamos entender um pouquinho como é o que o cérebro funciona.
Quando nosso cérebro dá a ordem para nossa mão mexer, ele está disparando um impulso nervoso que nada mais é do que um impulso elétrico de baixíssima intensidade. Até chegar à mão, esse impulso viaja pelas ramificações dos neurônios e passará também por estações em que os impulsos dependem de transporte químico (sinapses) para que a informação chegue enfim aos músculos da mão. Tudo isso acontece quando resolvemos mexer a mão voluntariamente. Imagine agora um grupo de neurônios que resolve disparar esses mesmos impulsos “sem a nossa autorização”, provocando movimentos involuntários da nossa mão. E esses neurônios não ficam disparando o tempo todo de forma anormal. Pode ser uma vez ao mês, uma vez ao ano, todo dia, e quando disparam provocam o que conhecemos como crise epiléptica.
É muito comum a comparação de uma crise epiléptica com um curto circuito, um fio desencapado no cérebro. Qualquer lesão cerebral, independente do tamanho, é capaz de provocar esse curto circuito. Uma pessoa que come uma alface mal lavada com um ovinho de solitária escondido pode ter esse ovinho alojado numa região do cérebro que causará uma lesão do tamanho de uma semente de maçã. Esse pequeno corpo estranho no cérebro pode ser capaz de provocar uma crise epiléptica. Da mesma forma, uma criança que tem uma lesão cerebral extensa em ambos os hemisférios cerebrais, pois nasceu com uma doença genética associada a grave retardo mental, também pode vir a apresentar crises epilépticas. Essa é uma informação importante para a redução do estigma da epilepsia, pois muita gente associa a epilepsia a cérebros gravemente alterados.
E não é só uma lesão cerebral que pode provocar uma crise. Existem situações médicas que podem provocar severo desequilíbrio bioquímico do corpo, como grandes alterações nas concentrações de sódio e cálcio, situações que podem provocar um curto circuito difuso no cérebro. O mesmo pode ocorrer quando uma pessoa faz uso de uma substância neurotóxica, como é o caso da cocaína. Além disso, existem algumas condições genéticas em que o indivíduo tem uma tendência a apresentar crises epilépticas após certa idade, geralmente na infância e adolescência, e essas são situações em que o cérebro funciona normalmente, não apresenta lesões, mas os neurônios têm algumas peculiaridades que podem gerar curtos circuitos episódicos.
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Podemos dizer que uma pessoa tem epilepsia quando já apresentou mais de uma crise epiléptica não provocada. Crises não provocadas são as crises que acontecem espontaneamente, sem a presença de um desequilíbrio agudo e transitório do cérebro (ex: redução na concentração de sódio). Mais recentemente reconhece-se que mesmo que a pessoa tenha apresentado uma única crise, mas na presença de alteração cerebral que pode vir a causar outras crises, essa pessoa já pode ser considerada como portadora de epilepsia.
Uma questão importante que faz com que a epilepsia seja sub-diagnosticada, é o fato da maioria das pessoas acharem que crise epiléptica é igual a convulsão, ou seja, crise em que a pessoa perde a consciência, fica toda dura, roxa e se debatendo, os olhos ficam revirados, pode babar e urinar ou defecar na roupa. A convulsão é o tipo mais dramático de crise, e significa que o cérebro passa por um curto circuito difuso. Porém, existem crises epilépticas muito mais discretas, e essas geralmente são reflexo de disparos anormais em apenas uma região do cérebro, não se espalhando para o cérebro todo, como é o caso da convulsão. Se o curto circuito acontece somente na região onde estão os neurônios que controlam o movimento da mão esquerda, a crise se manifestará como movimentos repetidos e involuntários dessa mão. Seguindo o mesmo raciocínio, uma crise pode se apresentar como uma sensação psíquica, diminuição da responsividade ao meio (“ausência”), formigamento de um lado do corpo, alucinações visuais, etc. O fato é que crises que inicialmente envolvem só uma região do cérebro podem em seguida ser propagadas para o cérebro como um todo, causando uma convulsão.
Já estamos no século 21 e ainda existe muita ignorância sobre o real significado da epilepsia. A falta de informação é a principal causa do enorme estigma e preconceito que sofrem os portadores de epilepsia, o que dificulta sobremaneira a inclusão social dessas pessoas. Em 1997 foi criada uma campanha mundial para reduzir o impacto do estigma da epilepsia, assim como para melhorar o diagnóstico e o manejo dos pacientes (Campanha Global – Epilepsia fora das sombras). Desde 2002 o Brasil é um dos países que mais tem trabalhado para a campanha graças ao trabalho do projeto ASPE (Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia – www.aspebrasil.org) que vem efetivamente tirando a epilepsia das sombras em nosso país. Em algumas áreas do conhecimento científico o Brasil está à frente de muitos países desenvolvidos, e a epilepsia é um bom exemplo disso. Realmente, poucos países do mundo têm o nível de desenvolvimento científico que tem a epilepsia no Brasil.
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Podemos dizer que um chimpanzé só olha para o próprio umbigo. Por um lado ele não tem a mínima tendência em oferecer alimento a parceiros do mesmo grupo, mesmo que a atitude não custe nada a ele. Por outro lado, ele também não costuma impedir que outro tenha acesso a alimento.
Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um estudo publicado esta semana pela revista Nature mostra que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte. Nesse estudo, as crianças ainda apresentaram aversão a situações em que a divisão era feita com desigualdade. A metodologia usada permitiu inferir que os resultados observados são independentes do efeito reputação, ou seja, a atitude altruísta das crianças foi considerada independente do fato de se “fazer o bem” porque tem gente olhando e que por isso a ação poderia trazer benefícios futuros. No caso de adultos, é mais difícil isolar o efeito reputação, já que mesmo instruídos de que as respostas serão mantidas em sigilo, o comportamento pode ser influenciado pela sensação de que sempre alguém pode estar olhando.
Em contraste, no mesmo estudo crianças ente 3 e 4 anos não tinham muita tendência em dividir com seu grupo. É sabido que crianças até com menos de dois anos de idade são capazes de colaborar com outras na realização de tarefas motoras, fenômeno chamado de altruísmo instrumental, e essa é uma condição também observada entre nossos ancestrais chimpanzés. Porém, dar uma forcinha para abrir uma porta é uma coisa. Já dividir o alimento é outra bem diferente.
O estudo demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. E essa é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.
São inúmeras as razões pelas quais um casal pode enfrentar problemas no relacionamento e pesquisadores suecos encontraram mais uma. Eles identificaram uma associação entre a maneira que homens se relacionam com suas parceiras e seu repertório genético em uma amostra de mais de 500 casais.
O estudo foi publicado esta semana na respeitada revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) e mostrou que uma variante de um gene que codifica o receptor do hormônio cerebral vasopressina guarda relação com o quanto um homem reconhece como sendo forte sua relação com sua parceira. Essa mesma variação genética também foi associada à forma com que a parceira avalia a relação conjugal e também à história de ter apresentado crise conjugal no ano anterior do momento da entrevista. A grande pista para que os cientistas dessem início ao estudo foi a prévia demonstração em roedores que esse mesmo gene tem relação com o comportamento monogâmico dos animais.
Os resultados da pesquisa não devem ser interpretados como a descoberta do gene da infidelidade. Abrem-se sim importantes janelas para o melhor entendimento de transtornos em que o “cérebro social” não tem desempenho adequado, como é o caso do autismo e da fobia social.
























