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Já conhecemos uma série de atitudes no dia-a-dia que reconhecidamente podem turbinar nosso cérebro:  atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, alguns estudos com as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm demonstrado que elas podem melhorar o desempenho intelectual até mesmo de indivíduos sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. As medicações mais usadas para esse fim são as anfetaminas e o metilfenidato, indicadas no tratamento de indivíduos com o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm-se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica.

 

Pesquisadores americanos e ingleses de primeira grandeza reuniram-se recentemente na Universidade Rockfeller e publicaram o resultado desse encontro na revista Nature no último dia 7 de dezembro. O documento tem o objetivo de conclamar todas as partes envolvidas para que se aprofunde a discussão, a regulação e as pesquisas “Pelo uso responsável dessas drogas por pessoas saudáveis”.  Elenco aqui os principais pontos de discussão do documento.

 

 Existe atualmente um forte mercado negro dessas medicações voltado para indivíduos saudáveis, com transações de compra e venda que podem ser punidas até mesmo com prisão em países como os Estados Unidos.

 

 O uso de medicações dessa natureza para melhorar o desempenho cerebral poderia ser visto como “trapaça” ao pensarmos que outras pessoas podem não estar usufruindo dos mesmos benefícios. Os autores defendem a idéia de que trapaça é quando se rompe uma regra, como é o caso do doping no esporte. Não dispomos ainda de regras que regulem se as pessoas podem ou não fazer uso dessas medicações (ou boas doses de café) para a realização de um concurso público, por exemplo. Outra situação: uma pessoa tem o hábito de investir no seu equilíbrio psíquico, como por exemplo através da meditação e atividade física regular, e outra pessoa não o faz. Esse equilíbrio psíquico tem grandes chances de aumentar o desempenho cognitivo, mas culturamente isso não costuma ser visto como trapaça, já que a pessoa “investiu seus esforços” para alcançar sua vantagem. Por que a vantagem alcançada por pílulas deveria ser vista de outra forma? E será que essas drogas realmente oferecem vantagens no aprendizado ou só melhoram o desempenho a curto prazo em dias de maiores desafios? Será justo para aqueles que não usam as drogas concorrer com outros cérebros “turbinados”? Seria a mesma coisa se parte dos concorrentes num teste de matemática estivessem usando calculadora e outra parte não?

 

 O consumo dessas medicações poderia ser visto como uma forma de artificializar a vida. Os autores provocam uma reanálise daquilo que é genuinamente natural na vida do homem contemporâneo: meios de transporte, alimentação, cirurgia plástica, reprodução assistida, etc.

 

 Medicações dessa natureza poderiam provocar dependência e efeitos colaterais. Não se dispõe desse conhecimento quando se fala em consumo por indivíduos saudáveis. Por outro lado, até a cafeína é passível de desenvolver dependência e efeitos colaterais, apesar do seu risco de fazer mal à saúde ser infinitamente menor do que de outras drogas. Com base na atual experiência, talvez os riscos de dependência / efeitos colaterais das medicações estimulantes não sejam muito diferentes do que os da cafeína e por isso não há razões para tanto receio. É preciso avançar nas pesquisas sobre o assunto.

 

 Em crianças, as questões éticas são muito mais complexas. A primeira questão é em relação à segurança dessas medicações em indivíduos que ainda têm o cérebro em franco desenvolvimento. Além disso, a criança não tem o poder de fazer suas próprias escolhas. Entre os adultos, há de se considerar no futuro questões éticas ligadas à obrigatoriedade em se usar tais medicações em algumas situações ocupacionais. Nos EUA, o modafinil é hoie uma droga aprovada pelo FDA para trabalhadores em turno invertido. Será que o empregador poderá um dia obrigar o trabalhador a usar a medicação para evitar acidentes ou para melhorar o desempenho?

 

 Como qualquer tecnologia, drogas para turbinar o cérebro poderão um dia ser bem usadas ou mal usadas. Há muito trabalho pela frente para se avaliar seus custos e benefícios, para se educar a população sobre o assunto e para ajustar a legislação vigente caso se consiga demonstrar que elas são realmente seguras e eficazes para as pessoas que querem turbinar seus cérebros.   

 

 

** Em entrevista concedida à Scientific American e publicada na última edição da revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, o neurocientista mais renomado do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

 

Ler também: Pílulas para turbinar o cérebro. Onde estamos e onde podemos chegar?

 

CLIQUE AQUI e veja a entrevista com o Dr. Ricardo Teixeira sobre o assunto no Jornal Hoje- Rede Globo

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

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O câncer e as doenças cardiovasculares representam as principais causas de morte em países desenvolvidos, e no Brasil isso não é diferente. O tamanho do problema deve aumentar ainda mais devido ao aumento da expectativa de vida, lembrando também que a idade pode ser considerada um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento dessas doenças.  Alguns estudos sugerem que após os 80 anos de idade esse risco passa a ser menor, mas esse é uma discussão que ainda não está esgotada.

 

Um grande estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal nos traz novas informações sobre o risco de câncer e doenças cardiovasculares que os homens têm ao longo da vida e os resultados mostram que mesmo após os 80 anos o risco continua aumentando. Mais de 22 mil médicos americanos com idades entre 40 e 84 anos foram acompanhados por 23 anos em média (Physician´s Health Study). O risco de um homem apresentar doença cardiovascular continua aumentando até os 100 anos de idade enquanto o risco de câncer passa a diminuir após a faixa de idade 80-89 anos. A redução da incidência de câncer após essa faixa etária esteve associada aos tipos de câncer em que exames preventivos podem ser realizados, ou seja, foi possível detecta-los em idades mais precoces. Por outro lado, tipos de câncer em que exames preventivos não são realizados continuaram crescendo em incidência até os 100 anos de idade. O risco acumulado de um homem de 40 anos em desenvolver câncer ao longo da vida foi de 45%, e num homem de 90 anos já passa a ser de 9.6%.

 

Já no caso das doenças cardiovasculares, após os 80 anos de idade, a maior parte dos diagnósticos de novos casos era feita quando o indivíduos morria por causa da doença. O risco acumulado de um homem de 40 anos em desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida foi de 35%, e num homem de 90 anos já passa a ser de 17%.

 

A população estudada teve uma expectativa de vida próxima aos 90 anos, bem acima das médias americanas ou brasileiras, e por isso os resultados não devem ser extrapolados para a população geral. Mesmo assim, o estudo nos oferece um importante entendimento do perfil de doenças no homem em idades mais avançadas. Talvez o recado mais importante da pesquisa seja que mesmo os idosos com mais de 80 anos ainda têm um grande contingente de doenças não diagnosticadas.  Novos estudos deverão definir se programas de rastreamento de doenças nessa faixa etária mais avançada traz reais benefícios à saúde e qualidade de vida dessa população. Quanto aos mais jovens, o recado também está bem dado: exames preventivos após os 40 anos são mais do que fundamentais.  

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O estado de felicidade está associado a diversos aspectos do bem estar, incluindo a saúde orgânica e mental, a relação familiar, relações e o próprio desempenho no trabalho, rede social, e há de se considerar também a dimensão espiritual. Uma série de estudos tem demonstrado que o estado de felicidade do indivíduo guarda relação com uma série de indicadores fisiológicos e de saúde: a) menor mortalidade; b) menores índices de marcadores hormonais, inflamatórios e do ritmo cardíaco associados ao estresse; c) maior rede e suporte sociais.

 

Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal confirma que nosso estado de felicidade é mesmo um fenômeno de rede social, ou seja, depende do grau de felicidade das pessoas com as quais estamos conectados. A pesquisa foi desenvolvida com quase 5 mil pessoas do grupo Framingham e que foram acompanhadas por décadas. O grau de felicidade foi medido usando um componente do questionário CES-D já bem validado em estudos anteriores. Quatro perguntas eram aplicadas quanto à percepção de alguns sentimentos na última semana pelo indivíduo entrevistado: 1) Senti-me esperançoso quanto ao futuro; 2) Eu estava feliz; 3) Eu aproveitei a vida; 4) Eu senti que estava tão bem quanto as outras pessoas.

 

A análise da rede social dos indivíduos envolvidos no estudo revelou que há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho. A felicidade de uma pessoa esteve associada à felicidade dos outros em até três graus de sua rede social (ex: “amigo do amigo do amigo”). Esse contágio do comportamento em três graus parece ser uma regra genérica, já que os mesmos pesquisadores recentemente o demonstraram também em outros padrões de comportamento como o tabagismo e a obesidade.

 

E qual seria a explicação para isso? Pesquisas já haviam demonstrado que existe um certo contágio emocional entre as pessoas. Pessoas que mantém contato com um indivíduo deprimido têm maior tendência a ficarem deprimidas. Emoções positivas também se disseminam entre as pessoas próximas. Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nos outros, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.  

 

 

O estudo é relevante do ponto de vista de saúde pública já que sugere que intervenções com potencial de aumentar a felicidade das pessoas (ex: melhoria do estado de saúde) podem provocar resultados positivos em cadeia. A Organização Mundial da Saúde tem reconhecido cada vez com maior ênfase a felicidade como um dos componentes da saúde. Se a felicidade é mesmo contagiosa como a pesquisa sugere, ela pode contribuir também para a transmissão social da saúde.   

 

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O Narguile é um tipo de cachimbo em que a fumaça inalada passa por um recipiente de líquido. O fumo utilizado varia desde os lícitos até os ilícitos (ex: maconha) e o líquido desde a água até diversos tipos de bebidas alcoólicas.

 

Originário da Índia já no início do século XVIII, muito usado em países de cultura árabe, o Narguile foi muito popular no mundo ocidental nos anos 60 e 70, e recentemente podemos observar uma nova onda de consumo, até bares temáticos para fumá-lo. Um estudo publicado este ano no Journal of Adolescent Health evidenciou que 50% dos alunos do primeiro ano de uma universidade americana já haviam usado o Narguile, e 20% havia usado no último mês.   

 

Existe uma crescente idéia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde e de que a maconha e outros hábitos de fumo como o Narguile são menos prejudiciais. Esse estudo confirma essa falsa percepção, já que os usuários pesquisados relataram acreditar que o Narguile era menos prejudicial à saúde quando comparados ao grupo de não usuários. Mais importante ainda: apesar dos usuários de Narguile acharem que o cigarro ”careta” era mais deletério à saúde, eles consumiam mais desses cigarros. Esse é o pulo do gato e a grande preocupação do consumo de Narguile.

 

Calcula-se que o consumo de Narguile representa uma inalação de fumaça até 100 vezes maior que o do cigarro, e qualitativamente, os componentes tóxicos são muito semelhantes. O mais preocupante é que o tabaco inalado de forma esporádica possa ser encarado como algo seguro. Já sabemos que mesmo uma única exposição ao tabaco está associada a modificações no funcionamento químico cerebral e ao risco de dependência. Já é bem ultrapassado o conceito de que o ato de “só experimentar” seja uma prática segura.

 

As campanhas antitabagismo poderiam começar a alertar a população de que não é só o cigarro que é “careta” e prejudicial à saúde – os outros tipos de fumo também são. 

 

 

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Recentemente divulgamos os resultados de mais um estudo que demonstrou que o hábito de beber grandes quantidades de álcool de uma só vez, mesmo irregularmente, está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares. Esse padrão de consumo de álcool é conhecido na língua inglesa como BINGE, e é definido como o consumo de 5 ou mais doses de álcool no período de 2 horas no caso dos homens, e 4 ou mais doses no caso das mulheres.

 

O excesso de álcool além de poder elevar a pressão arterial e alterar a coagulação sanguínea transitoriamente poderia também desencadear um processo inflamatório nas artérias, promovendo a aterosclerose. Essa última hipótese foi recentemente testada e confirmada por pesquisadores da Universidade de Rochester e publicada recentemente na revista Atherosclerosis.  O contato prolongado de células vasculares humanas com o principal subproduto do álcool, o acetaldeído, promoveu uma série de efeitos que podem ser considerados como as etapas iniciais do processo inflamatório característico da aterosclerose. Os autores propõem que em doses menores de álcool, o organismo seria capaz de minimizar os potencias efeitos tóxicos do acetaldeído, mas em altas doses esse equilíbrio seria perdido.

 

As festas de fim de ano estão aí e não precisa ficar passando vontade. É só pegar leve.

 

 

 

 

 

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O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Prevenir é a melhor estratégia. Entretanto, uma boa parcela dos indivíduos obesos precisa de tratamento.

 

A última edição da revista britânica The Lancet traz os resultados de uma nova droga para obesidade que deve dar muito que falar. A droga tesofensina, inicialmente desenvolvida para o tratamento da Doença de Parkinson e Alzheimer, promoveu uma perda ponderal média de 11.3 kg entre indivíduos obesos após 6 meses de tratamento. Os voluntários que serviram como grupo controle, e que foram submetidos apenas a dieta com restrição de calorias, perderam apenas 2.2 kg no período. A potência de ação da droga foi realmente bem superior quando comparada às demais drogas usadas para o tratamento da obesidade, duas vezes maior que a sibutramina e rimonabanto. Os principais efeitos colaterais registrados foram: náusea, boca seca, insônia, tontura e alterações gastrintestinais. Esse é um estudo que abre caminho para a realização de um estudo com maior número de pacientes para melhor avaliar o efeito terapêutico e os efeitos colaterais da tesofensina. Os dados até o momento sugerem que essa é uma droga bem promissora para o tratamento da obesidade. 

 

 

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Já ouviu falar na bactéria Helicobacter pylori? Provavelmente sim. É ela que causa grande parte dos casos de gastrite crônica e está associada ao desenvolvimento de úlcera e câncer do estômago. Estima-se que até 90% da população carrega a bactéria no corpo. Recentemente a bactéria foi identificada também na boca, especialmente quando em associação com a doença periodontal (ex: gengivite), considerada uma das principais causas de mau hálito. Vale lembrar que a boca hospeda cerca de 600 tipos diferentes de bactéria, e algumas delas podem estar associadas a doenças, e esse pode ser o caso da H. pylori.  

 

Um novo estudo conduzido no Japão e publicado na última edição do Journal of Medical Microbiology confirmou a presença da bactéria na boca através de testes de DNA. Uma das principais hipóteses da pesquisa também foi confirmada: em indivíduos que sofriam de mau hálito a presença da bactéria foi mais freqüente do que naqueles sem mau hálito. Além disso, os indivíduos com H. pylori apresentaram maior freqüência de doença periodontal, maior freqüência de sangue na saliva e de outras bactérias associadas à doença.  Quase 16% daqueles com doença periodontal tiveram teste positivo para H. pylori.

 

O estudo é importante para o melhor entendimento da doença periodontal, uma das principais causas de perda de dentes em todo o mundo. Mais do que isso, essa é uma linha de pesquisa muito importante que deverá elucidar o papel da boca na transmissão da infecção crônica do estômago pelo H. pylori.

 

 

 

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A adolescência é uma fase da vida de profundas mudanças no comportamento e no corpo.  É uma época também de grande incidência de problemas psiquiátricos, tais como transtornos de ansiedade e de humor, transtornos de personalidade e alimentares, psicoses e abuso de substâncias psicoativas. Temos crescentes evidências de que alterações no amadurecimento cerebral nessa fase da vida podem ajudar a explicar o porquê da alta incidência de doenças psiquiátricas na adolescência. Uma hipótese bastante atrativa é a de que um perfil genético que determine que essas transformações da adolescência aconteçam em outro ritmo ou grau de intensidade possam aumentar os riscos de doenças psiquiátricas.    

 

Um recente e robusto estudo populacional nos Estados Unidos revelou que a idade em que o indivíduo tem mais chance de apresentar um transtorno psiquiátrico pela primeira vez é aos 14 anos. Além das mudanças cerebrais estruturais e funcionais já demonstradas, e por isso a adolescência é considerada um período de significativas mudanças neurobiológicas, não há como deixar de considerar também os fatores hormonais e psicossociais. Muitos avanços têm sido alcançados, mas temos muito chão pela frente para conseguirmos entender a parcela de contribuição de cada um dos fatores que determinam o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na adolescência de forma tão freqüente.

 

 

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido bastante explorado entre as crianças e só recentemente passou também a ser melhor entendido nos adultos. Estima-se que cerca de 60% das crianças com diagnóstico de TDAH continuam a apresentar os sintomas (desatenção, inquietude, impulsividade) durante a adolescência e idade adulta e pesquisas revelam que os adultos podem ter significativo prejuízo no seu desempenho no trabalho.

 

Um grande estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde em dez países revelou que 3.5% dos adultos entre 18 e 44 anos inseridos no mercado de trabalho podem ser classificados como portadores de TDAH. Esses indivíduos apresentavam mais absenteísmo e menos desempenho no trabalho quando comparados a indivíduos sem TDAH.  Apesar de apenas uma minoria ter história de receber tratamento específico, uma grande proporção era tratado por outros transtornos mentais, considerados como comorbidades: transtornos que são mais comuns entre os que têm diagnóstico de TDAH do entre aqueles sem TDAH. Os resultados dessa pesquisa foram recentemente publicados no periódico Occupational and Environmental Medicine.

 

A pesquisa chama à atenção que programas para identificação e tratamento de indivíduos com TDAH no ambiente de trabalho podem ter uma boa relação custo-benefício para o empregador, por conta de uma potencial melhora no desempenho no trabalho.  

 

 

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A relação entre o consumo de álcool e o risco de doenças cardiovasculares tem sido extensamente estudado, e após uma série pesquisas, podemos hoje dizer sem pestanejar que o consumo em doses leves a moderadas exerce um efeito protetor sobre o coração e o cérebro, enquanto o consumo em altas doses aumenta o risco de infarto do coração e derrame cerebral. Temos evidências também que essa ação deletéria do alto consumo de álcool não é restrita ao consumo exagerado diário, mas também ao hábito de beber grandes quantidades de álcool de uma vez só. Já foi demonstrado que esse hábito aumenta o risco de morte por doença isquêmica do coração, hemorragia por aneurisma cerebral, e derrame cerebral. Um grande estudo populacional conduzido na Finlândia e publicado esta semana pela revista Stroke confirma que o hábito de consumir seis ou mais doses de bebida alcoólica de uma só vez está associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Moral da história: beber uma dose de bebida alcoólica todos os dias da semana é muito mais saudável para o coração e para o cérebro do que beber sete doses numa tacada só. Isso sem falar no problema comportamento de risco dos “porres”: mais acidentes, violência, etc.

 

Leia também:

O cérebro parece se dar bem com baixas doses de álcool

 

 

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Quando alguém nos fala: tenho duas notícias pra contar, uma boa e outra ruim. Qual você quer ouvir primeiro? A grande maioria responde que quer ouvir a ruim antes. Reconhece-se que o ser humano tem uma tendência a dar mais atenção a informações negativas do que positivas. Já que ter consciência de informações negativas e presumivelmente ameaçadoras são mais relevantes à sobrevivência da espécie do que notícias boas, essa tendência a preferir as notícias ruins pode ser visto como um traço de adaptação da espécie.

 

E o que dizer do incerto? Numa situação em que alguém nos diz: Tenho uma coisa pra te contar. Você quer ouvir? Poucos devem duvidar que a maioria nessa situação diria: conta logo! 

 

A incerteza é vista pela psicologia como a antecipação de uma ameaça pouco definida. Se a exposição a um estímulo negativo representa uma ameaça, a exposição ao desconhecido pode ser ainda mais ameaçadora, já que não se sabe o tamanho do inimigo (ou do amigo). Alguns estudos nos mostram que o suspense da incerteza gera mais ansiedade e suas alterações fisiológicas associadas do que o confronto a estímulos negativos bem definidos. Uma pesquisa recente publicada na revista Psychological Science aponta ainda que entre indivíduos com traço de personalidade neurótico, a resposta de ansiedade ao incerto é ainda mais marcante. Os autores, psicólogos da Universidade de Toronto, concluem de forma provocativa: “As pessoas, especialmente as com altos níveis de neuroticismo, preferem um capeta conhecido a um capeta que ainda não conhecem”. 

 

 

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A mídia é vista como cão de guarda das relações entre médicos, pesquisadores e a indústria farmacêutica. Uma discussão recente do British Medical Journal levanta a poeira de uma discussão que tem recebido pouca atenção da mídia: E quem é que vigia os cães de guarda, suas relações com a indústria farmacêutica e de materiais e equipamentos médicos? A responsabilidade do jornalismo em saúde vai desde a alfabetização em saúde da sociedade até a influência que exerce sobre a prática dos médicos, já que ciência médica divulgada pela mídia é mais conhecida também pelos próprios médicos e recebe mais citações em artigos científicos, independente da sua qualidade.

 

A relação entre a indústria farmacêutica e o jornalismo em saúde não é nada desprezível. Nos Estados Unidos ela já começa com relações comerciais com programas universitários de jornalismo em saúde. Indústrias farmacêuticas financiam bolsas de estudo, programas de TV, e também oferecem prêmios em jornalismo em saúde. A Academia Americana de Escritores em Medicina, que tem em seu quadro jornalistas e especialistas em relações públicas, também tem relação com a indústria farmacêutica incluindo o financiamento da conferência anual da academia e bolsas de estudo.

 

As boas revistas científicas solicitam aos pesquisadores que declarem se há conflitos de interesse na publicação, e isso aparece na publicação de forma transparente, ex: Dr. tal declara ser consultor científico da indústria farmacêutica tal que financiou a pesquisa. O mesmo não acontece na mídia em geral. As indústrias patrocinam programas de TV, patrocinam associações de pacientes que por sua vez dão entrevistas aos jornais e à TV para “humanizar” a reportagem. Em nenhuma dessas situações podemos ver qualquer referência a esses conflitos de interesse.

 

Como cães de guarda, os jornalistas fazem bem o trabalho de vigiar as possíveis relações entre médicos e a indústria. Podem fazer ainda melhor: dar o exemplo. O hábito de declarar possíveis conflitos de interesse pode aumentar a credibilidade do jornalismo em saúde.

 

 

 

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O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.

 

Um estudo publicado hoje pelo Journal of the American Medicine Association mostra mais uma vez que a erva não traz benefícios ao cérebro. Mais de três mil indivíduos com mais de 75 anos e sem demência foram acompanhados por 6 anos. Os indivíduos que usaram Ginkgo biloba 240 mg por dia não tiveram risco reduzido de Doença de Alzheimer, outro tipo de demência, eventos cardiovasculares ou morte. Sangramento cerebral foi duas vezes mais freqüente entre aqueles que usaram a erva, e quando se analisou o grupo de idosos com doença cardiovascular prévia, seu uso aumentou o risco de demência.

 

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e no estudo descrito acima houve até aumento do risco de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba  não é canja de galinha.

  

LEIA AQUI PESQUISA MAIS RECENTE DEZ 2009 SOBRE O ASSUNTO

 

 

 

 

Clique aqui se quiser ler o artigo na íntegra (em inglês).

 

 

 

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Um estudo publicado na prestigiada revista Nature Genetics nesta ultima semana dá um passo muito importante no entendimento de uma das mais graves doenças neurológicas: o aneurisma cerebral. O aneurisma é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro, fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. Ao se romper, o risco de levar o indivíduo à morte é de 40%.

 

Já sabemos que o aneurisma cerebral é uma condição que tem um inequívoco componente genético, e o risco de alguém vir a apresentar o problema é cerca de duas vezes maior quando há um parente de 1º grau com a condição e até 50 vezes maior quando há dois ou mais parentes de 1º  grau.

 

Os pesquisadores avaliaram 2100 pacientes com história de aneurisma cerebral rompido e 8000 controles com origem na Europa e Japão e conseguiram identificar três variações cromossômicas associadas ao aneurisma cerebral. Duas dessas variações foram descritas pela primeira vez, enquanto o terceiro já havia sido descrito anteriormente. 

 

Os novos achados podem levar a novos testes para detecção precoce do aneurisma, antes que ele se rompa. Um dos genes em que tais variações foram encontradas está associado à capacidade de reparo dos vasos sanguíneos, o que abre caminho também para o desenvolvimento de terapêuticas que possam prevenir o desenvolvimento de aneurismas, mesmo entre aqueles que têm tendência genética a apresentá-los. 

 

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Leia também:

 

Quando realmente devemos fazer check-up para aneurismas cerebrais

Mais informação e menos medo de aneurisma cerebral.

 

  

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Estudos epidemiológicos sugerem que indivíduos que dormem pouco, assim como aqueles que dormem muito, vivem menos do que quem dorme entre 7 e 8 horas por dia. Além disso, a privação de sono tem sido crescentemente associada a problemas como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

 

Um novo estudo publicado esta semana pelo Archives of Internal Medicine confirma que dormir pouco não é um bom negócio à saúde, e dessa vez o grupo estudado tinha pressão alta e uma média de idade de 70 anos. Mais de 1200 indivíduos foram acompanhados por uma média de dois anos e aqueles que dormiam menos foram os que mais apresentaram infartos do coração e derrame cerebral ao longo do período do estudo. Além disso, os que dormiam menos tinham maiores índices de massa corporal (mais gordinhos) e mais chance de ter diabetes.

Ler também:

Afinal, devemos dormir quantas horas por dia?

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Comportamentos de risco são assumidos por pesquisas psicológicas e biomédicas como uma expressão anormal do comportamento, que pode ser justificado por sua associação com o abuso de substâncias psicoativas e com transtornos psiquiátricos como o transtorno bipolar. Por outro lado, um comportamento de risco, quando bem dosado, pode ter seu lado positivo. O que dizer dos indivíduos empreendedores, que correm o risco de abrir seus próprios negócios?

 

Pesquisadores ingleses partiram da hipótese que empreendedores seriam modelos de comportamento de risco muito bem adaptados do ponto de vista evolutivo, graças a algumas características como impulsividade e habilidade de tomar decisões em situações de estresse e em ambientes em rápida transformação. Dezesseis indivíduos que já haviam criado pelo menos duas empresas foram comparados a dezessete gerentes de empresas e sem experiência em ter criado sua própria empresa. O estudo foi publicado na última edição da revista Nature.

 

Uma série de testes foi aplicada a ambos os grupos para avaliação de habilidades de tomada de decisão. Os grupos apresentaram desempenho similar quando o teste envolvia decisões “frias”, que na vida real poderia ser ilustrada pela decisão de contratar um novo funcionário, decisões neutras do ponto de vista emocional. Quando o teste era associado a decisões “quentes”, os empreendedores se comportaram de forma mais arriscada. Decisões “quentes” podem ser exemplificadas como a decisão de se investir em uma entre duas opções arriscadas de negócio, com possível desfecho de recompensa ou punição, e com inequívoco envolvimento emocional.  Os empreendedores mostraram também uma maior flexibilidade cognitiva para resolução de problemas, e maiores scores em testes que medem impulsividade.   

 

O mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado que o desempenho em testes de decisões “quentes” diminui com o envelhecimento. Os gerentes estudados nesse último estudo realmente apresentaram esse padrão, mas o desempenho dos empreendedores (média de idade de 51 anos) foi semelhante ao de indivíduos mais jovens. Os autores chamam também à atenção para outro estudo por eles conduzido apontando que o desempenho desse tipo de teste pode ser aumentado com o uso de medicação (metilfenidato), no caso de pacientes com o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Chegam até a interrogar se intervenções medicamentosas não poderiam desenvolver o perfil empreendedor das pessoas.

 

 

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Já é bem conhecido que o uso das medicações chamadas de estatinas reduz o risco de eventos vasculares, como o derrame cerebral e infarto do coração, em pacientes com altos índices de colesterol, portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares. Ontem, a revista New England Journal of Medicine publicou o importante Estudo JUPITER mostrando que as estatinas podem reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes considerados de baixo risco vascular.

 

O estudo JUPITER é um estudo multicêntrico envolvendo diversos países, incluindo o Brasil – Universidade Federal de São Paulo, e que acompanhou quase 18 mil indivíduos que nunca haviam apresentado história de derrame cerebral ou infarto do coração. Todos tinham níveis normais de colesterol, não tinham diabetes, mas apresentavam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (> 2mg/l). Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares.

 

A metade dos voluntários que usou estatina (Rosuvastatina) apresentou menos risco de derrame cerebral e infarto do coração e menor mortalidade no período pesquisado. O estudo foi até mesmo precocemente interrompido por questões éticas, devido à inequívoca superioridade nos benefícios que o grupo que usou estatina apresentou.

 

 

 

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A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. Uma estimativa recentemente publicada na revista Lancet por um painel de experts no assunto aponta que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Uma revisão sobre o assunto publicada pela Academia Americana de Neurologia em agosto de 2008 intitula o problema como UMA EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

 

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo, de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerada a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem! Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam têm maior chance de evasão.

 

Há cerca de uma semana o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, ficou órfão com a precoce morte de Rosani Cunha, secretária nacional do programa desde 2004. É bom entendermos por meio de números o tamanho do trabalho de Rosani, e daqueles que a acompanharam e a antecederam. Ela certamente está na galeria daqueles que mais fizeram pelo cérebro dos brasileiros.

– O Programa Bolsa Família atende atualmente a 11 milhões de famílias pobres. Além da transferência de renda, que permite a compra de alimentos, as famílias devem manter seus filhos na escola. Devem seguir ainda uma agenda de acompanhamento da saúde, como vacinação, pré-natal e acompanhamento nutricional de gestantes, nutrizes e crianças até completarem 7 anos.

– Entre 2003 e 2006, a redução da pobreza foi de 31,4%. Quatorze milhões de pessoas superaram a condição de pobreza no período. A concentração de renda no país atingiu, em 2006, o menor índice dos últimos 30 anos. Uma pesquisa aponta que 93% das crianças e 82% dos adultos beneficiários fazem três ou mais refeições por dia.

– A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu de 47 por mil, em 1990, para 25 por mil, em 2006 – uma queda de 45%.

– A desnutrição medida por peso por idade das crianças com menos de 1 ano diminuiu de 10%, em 1999, para 2,4%, em 2006. Entre as crianças de 1 a 2 anos de idade, a desnutrição caiu de 20% para 5%. Ou seja, a queda da desnutrição nas duas faixas etárias foi superior a 75% em sete anos.

– O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 da ONU registra que o Brasil atingiu um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,8 – situando-o, pela primeira vez, no grupo de países de alto desenvolvimento humano. 

 

 

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Em editorial intocável publicado esta semana no British Medical Journal por Fiona Godlee, editora da revista, temos mais uma oportunidade de repensar a importância da Alfabetização em Saúde da população. A Associação Americana de Medicina define o conceito de Alfabetização em Saúde como a capacidade de obter, processar e compreender informação básica em saúde necessária à tomada de decisões apropriadas e que apóie o correto seguimento de instruções terapêuticas.

 

O recado de Fiona parte do fato de que há muito que se fazer pela Alfabetização em Saúde e essa não é uma questão de que “seria bom” investir nisso, mas que esse investimento é imperativo. Estima-se que nos EUA anualmente são gastos entre 106 e 236 bilhões de dólares anuais por conta do baixo nível de Alfabetização em Saúde e suas conseqüências: a não procura de ajuda médica quando necessária, a dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis, erros no uso de medicações, etc.

 

A melhora da comunicação em saúde tem de ser pensada já desde o nível da relação médico-paciente, assumindo que o paciente é capaz sim de entender questões que os médicos podem julgar ser de difícil entendimento, e a maioria dos pacientes quer entender melhor seus problemas. É preciso também melhorar a qualidade do jornalismo em saúde, pois ele representa uma das principais fontes de informação em saúde da população. Jornalistas, médicos e demais profissionais da saúde, cientistas, agências governamentais, indústrias farmacêuticas e de equipamentos médicos, cada qual tem sua parcela de responsabilidade pela qualidade da informação em saúde que chega até o público leigo. Espera-se que cada parte faça seu papel de forma ética e que dialoguem entre si para a construção de um movimento que assegure à população informação cada vez mais correta e de qualidade.

 

 

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Uma série de estudos já havia demonstrado associação entre traumas cranianos em fases precoces da vida e o desenvolvimento posterior de TDAH. A questão que ainda não havia sido resolvida era se o trauma em si poderia colaborar para o desenvolvimento de TDAH ou se o trauma na verdade já é o resultado de um comportamento mais impulsivo e de risco entre crianças com maior tendência a desenvolver o transtorno. Um estudo publicado hoje pelo British Medical Journal ajuda muito a repensar essa questão.

 

 

Os pesquisadores avaliaram 62 mil crianças divididas em três grupos: 1) crianças com história de trauma craniano antes dos 2 anos de idade; 2)  crianças com história de queimadura antes dos 2 anos de idade; 3) crianças com nenhuma das 2 condições anteriores. Os resultados mostraram que tanta as crianças com história de traumatismo craniano como as com história de queimadura tinham mais chance de apresentar o diagnóstico de TDAH antes dos 10 anos de idade. Esses resultados reforçam bastante a hipótese de que não é o trauma craniano que aumenta a chance de desenvolver TDAH, mas que crianças com história de trauma mais freqüentemente tem um comportamento associado a um maior risco de acidentes em geral, como é o exemplo das queimaduras.

 

 

 

 

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