A psicoterapia é uma das mais importantes ferramentas que dispomos para ajudar as pessoas que passam por problemas emocionais e do comportamento. Mas qual é a linha de psicoterapia mais acertada para cada tipo de problema? Uma das discussões mais inflamadas sobre o tema é a disputa entre a eficácia de terapias de longo prazo como a psicanálise e de terapias breves como, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental.

 

A terapia psicodinâmica (ou psicanalítica) de longo prazo é freqüentemente questionada sobre sua real eficácia, especialmente por ter sido construída através da experiência clínica, apoiada por um corpo teórico invejável, mas não acompanhada desde sua origem pelo clássico método científico que define tantas intervenções terapêuticas como “cientificamente corretas”.   Um estudo publicado esta semana no JAMA (Journal of the American Medical Association) dá um passo muito importante na demonstração científica da eficácia da psicoterapia psicodinâmica de logo prazo.

 

Pesquisadores alemães conduziram uma metanálise dos estudos publicados desde a década de 60 até 2008 e selecionaram 23 estudos que testaram a eficácia da terapia psicodinâmica com duração de pelo menos um ano de seguimento e com o mínimo de 50 sessões. A análise dos estudos evidenciou que a terapia psicodinâmica a longo prazo foi mais eficaz  que métodos terapêuticos de curto prazo em diversas situações como transtornos de personalidade, múltiplos transtornos mentais  e transtornos mentais crônicos.

 

Em 1982, num artigo que passou a ser um clássico da psiquiatria, Parloff chamou a atenção para o potencial equívoco em se querer começar a definir se um método de psicoterapia tem credibilidade se esse faz parte de uma lista de terapias que foram aprovadas através de rigorosos ensaios científicos. Um dos maiores propulsores para o crescimento dessa Psicoterapia Baseada em Evidências, nos mesmos moldes da Medicina Baseada em Evidências, é a pressão por parte do sistema de saúde no sentido de apenas reembolsar procedimentos terapêuticos que passaram por comprovação científica – e terapias de longo prazo são mais caras. Parloff em seu artigo original comparou esse movimento à personagem Godzilla (demanda por demonstração científica) ameaçando todo o corpo teórico, experiência clínica e a arte envolvida nas psicoterapias ainda “cientificamente incorretas” (Bambi). A inspiração vem de Quando Bambi encontra Godzilla”, clássico do desenho animado do final da década de 60, reconhecido como um dos 50 desenhos animados mais importantes da história.  

 

Mais de duas décadas depois do artigo de Parloff, Bambi tem suas forças revitalizadas e Godzilla nem é tão ameaçador assim. Freud deve estar gostando disso.

 

Clique aqui e assista ao filme (1 minuto e meio de duração).

 

 

 

 

Anúncios