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Se você ainda acredita que a prática regular de exercício físico foi feita só para manter o peso sob controle e reduzir o risco de infarto do coração, vale a pena rever esses conceitos. Claro que a atividade física realmente tem essas virtudes, mas o conhecimento científico atual nos permite dizer que suas vantagens vão muito além, incluindo a redução do risco de inúmeras outras doenças graves como o câncer e uma significativa melhora do nosso desempenho cerebral. Hoje em dia, é difícil discordar que nosso cérebro funciona bem melhor num corpo que se exercita.
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Começamos o ano inspirados pelo primeiro volume de 2009 do New England Journal of Medicine que nos traz uma rediscussão preciosa sobre a responsabilidade do jornalismo em saúde com foco especial na seguinte questão: o jornalismo em saúde deve apenas contar a novidade ou deve também oferecer à sociedade a noção do todo, contando a novidade, mas contextualizando também o que ela acrescenta ou discorda do conjunto de evidências anteriores. Veja abaixo alguns exemplos de divulgação científica em saúde que poderia ter sido muito melhor.
Exemplo 1. No ano de 2006 foi publicada uma importante pesquisa que demonstrou que dieta com baixo teor de gordura não reduziu a incidência de câncer de mama entre mulheres (JAMA 2006). Na época da divulgação da pesquisa foram raríssimas as matérias que confrontaram os resultados com um importante estudo publicado no mesmo ano que evidenciou que a dieta com baixo teor de gordura reduz o risco de câncer de mama em mulheres que já apresentaram a doença (J Natl Cancer Inst 2006). O recado da vez para as mulheres passava então a ser: dieta com pouca gordura não reduz risco de câncer de mama. Esse é um fenômeno que contribui para certa desconfiança por parte da opinião pública quando se fala em ciência em saúde. Um comentário muito comum que ilustra essa questão é: “Ah Doutor! A gente fica sem saber no que acreditar. Num dia ouvimos que saiu uma pesquisa falando que café é ruim para o coração. Noutro dia ouvimos que faz bem. Fica difícil!”.
Exemplo 2. Recentemente foi demonstrado que após o insucesso inicial com o tratamento com um tipo de antidepressivo, uma nova tentativa com outro tipo de medicação e apoio psicoterápico fez com que metade dos pacientes passassem a responder bem ao tratamento (NEJM 2006). Do ponto de vista médico, os resultados da pesquisa foram positivos. A divulgação pelo Washington Post, por exemplo, foi a de que os resultados do estudo foram um fracasso: “Antidepressivos falharam em curar os sintomas de depressão maior em metade dos pacientes mesmo quando os pacientes receberam o melhor tratamento possível, de acordo com um definitivo estudo do governo divulgado ontem”. Essa forma de notícia provavelmente é mais lida do que se apenas fosse descrito que os resultados confirmam estudos anteriores de que uma parte dos pacientes melhorou e outra não.
Exemplo 3. Em 2008 uma pesquisa revelou que o uso da medicação sinvastatina foi tão eficiente para reduzir um marcador de aterosclerose nas artérias como a sua combinação com uma segunda droga mais moderna – o ezetimibe (NEJM 2008). Por outro lado, a associação com o ezetimibe promoveu redução significativa tanto dos níveis de colesterol como dos níveis de triglicerídeos assim como o de outro marcados de aterosclerose. E o que se viu na verdade foi uma série de matérias divulgando que o ezetimibe não é eficaz na prevenção de infarto do coração e derrame cerebral. O estudo simplesmente não teve como objetivo demonstrar esse tipo de efeito e nem mostrou qualquer resultado dessa natureza. O desserviço à população não foi pequeno, já que o que sai na mídia é lido e levado a sério também por médicos que podem passar a não acreditar mais em uma medicação por erro de divulgação científica.
Exemplo 4. Em novembro de 2008, a BBC Brasil divulgou uma matéria com o seguinte título: Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo. A idéia é que futuras drogas poderão ser desenvolvidas para atuarem nos receptores canabinóides e que podem ser uma grande arma contra o envelhecimento cerebral e redução do risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. A maconha exerce seu efeito no cérebro através desses receptores e a notícia não deveria ser que a maconha pode ser útil para o cérebro. Úteis sim podem vir a ser drogas sintéticas que não produzam os danos cerebrais causados pela maconha que já são bem descritos, inclusive pela própria BBC. Quem lê uma manchete dessa pode se confundir, especialmente quando está associada à foto de um homem fumando um “baseado”.
Podemos elencar alguns dos muitos gargalos para o pleno desenvolvimento do jornalismo em saúde que podemos assistir hoje:
1- O próprio ritmo de produção 24 horas/7 dias do atual jornalismo, que na maioria das vezes só recebe o press release da instituição ou do periódico em que a pesquisa está sendo publicada, e já o repassa sem mudar nem mesmo uma vírgula. Não há tempo para se trabalhar a matéria ou ir atrás de uma outra opinião.
2- Cada vez menos veículos de comunicação têm departamentos especializados, como, por exemplo, o de jornalismo científico ou jornalismo em saúde. Existem poucos jornalistas científicos especializados e a classe reconhece que é pouco treinada para divulgar dados científicos sem risco de perder a credibilidade da informação (ver também o post: Jornalismo e Alfabetização em Saúde).
Ao mesmo tempo, estudos mostram um crescente domínio de matérias oriundas de relações públicas nas agências de notícias, chegando a dominar mais de 2/3 do total de notícias. Cresce também o conflito de interesse por parte de jornalistas e dos meios de comunicação em massa que às vezes exercem o papel de relações públicas de alguns “clientes” e não o de jornalismo, o que alguns acadêmicos da comunicação chamam de relações públicas maquiadas de jornalismo ou “parajornalismo”.
3- A contextualização da pesquisa em questão com resultados já alcançados anteriormente pode ser evitada pelo jornalista para que a notícia não perca sua força de pesquisa inédita.
Apesar da maior parte do trabalho para a melhoria do jornalismo em saúde depender dos próprios jornalistas e do sistema em que o jornalismo atualmente opera, profissionais da saúde e pesquisadores podem ajudar muito também. Ao discutirem sobre uma nova pesquisa, especialistas e pesquisadores podem ajudar muito se facilitarem o entendimento, por parte dos jornalistas, do contexto mais amplo onde a pesquisa se situa – estudos anteriores que confirmam ou contradizem os resultados atuais e potenciais conflitos de interesse.
Os incontáveis efeitos benéficos do chocolate amargo sobre nossa saúde fazem-nos até pensar que para quem gosta do amargo, comer chocolate ao leite não faz muito sentido. Para uma revisão sobre o que o chocolate é capaz de oferecer à nossa saúde, clique aqui.
Um estudo divulgado neste dezembro pela Universidade de Copenhagen revela uma inédita vantagem do chocolate amargo. Pesquisadores revelaram que o consumo de chocolate amargo está associado a uma maior saciedade após sua ingesta quando comparado ao consumo do tipo ao leite, fazendo com que se tenha menos vontade de comer alimentos doces, salgados ou gordurosos, e de fato menor consumo subseqüente de calorias.
A pergunta que deverá ser respondida no futuro: Comer “X” calorias diárias de chocolate amargo tem maior chance de manter o peso sob controle do que as mesmas “X” calorias de chocolate ao leite ?
A obesidade há muito tempo não é mais vista como uma questão estética. É um dos grandes desafios de qualquer política de saúde pública já que está só um pouco atrás do tabagismo na lista das principais causas de morte precoce que podem ser prevenidas. Calcula-se que maus hábitos de vida como o tabagismo, sedentarismo e uma dieta prejudicial são responsáveis por cerca de 40% das mortes precoces em países como os Estados Unidos.
Um dos fatores que pode explicar a crescente prevalência da obesidade ao redor do mundo é um comportamento auto-destrutivo, privilegiando a gratificação imediata (prazer em comer) e pouco investimento naquilo que trará benefícios a longo prazo. A mesma opção pela gratificação imediata que pode trazer prejuízos às pessoas (ex: gratificação imediata) poderia ser usada para ajudá-las. Ou seja, o mesmo mecanismo cerebral que faz com que as pessoas sejam presas fáceis de uma gratificação imediata poderia ser usado também para o bem.
Uma pesquisa recentemente publicada pelo JAMA (Journal of the American Medical Association) ofereceu dois tipos diferentes de recompensa a um grupo de indivíduos obesos que só seriam recebidos se os participantes conseguissem perder o peso previamente estipulado. Aqueles que receberam a promessa de prêmio conseguiram perder mais peso no período de 4 meses do que o grupo controle que não recebeu o incentivo financeiro. Metade dos participantes que receberam a proposta de prêmio conseguiu alcançar a meta de peso definida, enquanto isso só aconteceu em 10% dos indivíduos do grupo controle.
Um próximo passo é avaliar se os resultados positivos são mantidos a longo prazo. Outra questão a ser investigada no futuro é o custo-benefício desse tipo de abordagem em comparação às atuais estratégias de combate à obesidade que não são nada baratos. Não é tão absurdo pensar que um dia chegaremos à conclusão de que oferecer prêmios à população para abandonar maus hábitos de saúde saia mais barato para um país do que arcar com suas conseqüências. Vale lembrar que hoje o programa Bolsa Família dá dinheiro a onze milhões de famílias que têm em contrapartida a responsabilidade de manter as crianças na escola, monitorização periódica de peso e altura, além de garantir a realização de pré-natal e vacinação.
Alguns estudos conduzidos na década de 90 nos Estados Unidos revelaram um aumento de mortalidade por doenças isquêmicas do coração nos meses mais frios. Além disso, observava-se também um pico de mortalidade durante o feriado de natal e ano novo, o que levantou a hipótese de que algum fator associado ao feriado poderia aumentar o risco de um infarto do coração (ex: estresse emocional, abuso de álcool). Em 2004 foi publicado pela American Heart Association uma pesquisa bem mais ampla confirmando os estudos anteriores, demonstrando que a mortalidade no feriado de fim de ano é cerca de 5% maior tanto para causas cardíacas como não cardíacas (excluindo-se mortes por causas violentas), e também foi independente do fator frio.
Como explicar esse Efeito Natal-Reveillon ? Algumas hipóteses:
1- Menos pessoas procuram os serviços médicos de emergência nos finais de semana e feriados, levantando a hipótese de que pode haver um adiamento pela procura de assistência médica, para não atrapalhar os dias de folga em que a visita a um pronto-socorro não está entre os programas mais desejáveis.
2- Excessos durante o feriado. É muito comum nos feriados de fim de ano as pessoas mudarem abruptamente suas rotinas de vida, incluindo aí o nível de atividade física, dieta e consumo de bebida alcoólica. Diferentes pesquisas já mostraram um ganho médio de 500 a 800 gramas após as festas de fim de ano, acompanhado de leve aumento nas taxas de colesterol, triglicerídeos e glicose. O estresse emocional pode ser relevante também. Algumas pessoas podem se desgastar emocionalmente com a corrida tumultuada às lojas e shoppings para dar conta dos presentes, e podem se estressar até mesmo pela necessidade de se reunir com parentes que evitariam a todo custo. Essas hipóteses de certa forma apóiam os resultados de outros recentes estudos que mostraram que tanto o derrame cerebral isquêmico como o infarto do miocárdio ocorrem mais freqüentemente nas segundas-feiras. A volta ao trabalho na segunda-feira pode ser um fator emocionalmente estressante para muitos, assim como o fim de semana pode estar associado a excessos.
3- Redução da qualidade dos serviços hospitalares no feriado por redução do número de profissionais da saúde escalados para plantão.
Até que novos estudos esclareçam quais fatores têm maior influência sobre o Efeito Natal-Reveillon, é prudente aconselhar as pessoas a assumirem algumas atitudes durante o feriado, especialmente aquelas que são consideradas como grupo de risco para eventos vasculares:
ð Ao sentir algo suspeito, não adie a procura por um serviço médico de emergência só por que é feriado. Melhor ainda se conseguir chamar seu médico para lhe ver.
ð Aproveite o melhor das ceias: a companhia das pessoas queridas e os preciosos alimentos como as frutas, nozes, castanhas e o vinho sem exagero. Evite fatores reconhecidos como potenciais desencadeantes de eventos vasculares. O excesso de sal, álcool e alimentos gordurosos, o estresse emocional, todos podem exigir dos vasos que alimentam seu cérebro e coração mais do que eles podem oferecer.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio CBN com o Dr. Ricardo Teixeira
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O câncer e as doenças cardiovasculares representam as principais causas de morte em países desenvolvidos, e no Brasil isso não é diferente. O tamanho do problema deve aumentar ainda mais devido ao aumento da expectativa de vida, lembrando também que a idade pode ser considerada um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento dessas doenças. Alguns estudos sugerem que após os 80 anos de idade esse risco passa a ser menor, mas esse é uma discussão que ainda não está esgotada.
Um grande estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal nos traz novas informações sobre o risco de câncer e doenças cardiovasculares que os homens têm ao longo da vida e os resultados mostram que mesmo após os 80 anos o risco continua aumentando. Mais de 22 mil médicos americanos com idades entre 40 e 84 anos foram acompanhados por 23 anos em média (Physician´s Health Study). O risco de um homem apresentar doença cardiovascular continua aumentando até os 100 anos de idade enquanto o risco de câncer passa a diminuir após a faixa de idade 80-89 anos. A redução da incidência de câncer após essa faixa etária esteve associada aos tipos de câncer em que exames preventivos podem ser realizados, ou seja, foi possível detecta-los em idades mais precoces. Por outro lado, tipos de câncer em que exames preventivos não são realizados continuaram crescendo em incidência até os 100 anos de idade. O risco acumulado de um homem de 40 anos em desenvolver câncer ao longo da vida foi de 45%, e num homem de 90 anos já passa a ser de 9.6%.
Já no caso das doenças cardiovasculares, após os 80 anos de idade, a maior parte dos diagnósticos de novos casos era feita quando o indivíduos morria por causa da doença. O risco acumulado de um homem de 40 anos em desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida foi de 35%, e num homem de 90 anos já passa a ser de 17%.
A população estudada teve uma expectativa de vida próxima aos 90 anos, bem acima das médias americanas ou brasileiras, e por isso os resultados não devem ser extrapolados para a população geral. Mesmo assim, o estudo nos oferece um importante entendimento do perfil de doenças no homem em idades mais avançadas. Talvez o recado mais importante da pesquisa seja que mesmo os idosos com mais de 80 anos ainda têm um grande contingente de doenças não diagnosticadas. Novos estudos deverão definir se programas de rastreamento de doenças nessa faixa etária mais avançada traz reais benefícios à saúde e qualidade de vida dessa população. Quanto aos mais jovens, o recado também está bem dado: exames preventivos após os 40 anos são mais do que fundamentais.
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O Narguile é um tipo de cachimbo em que a fumaça inalada passa por um recipiente de líquido. O fumo utilizado varia desde os lícitos até os ilícitos (ex: maconha) e o líquido desde a água até diversos tipos de bebidas alcoólicas.
Originário da Índia já no início do século XVIII, muito usado em países de cultura árabe, o Narguile foi muito popular no mundo ocidental nos anos 60 e 70, e recentemente podemos observar uma nova onda de consumo, até bares temáticos para fumá-lo. Um estudo publicado este ano no Journal of Adolescent Health evidenciou que 50% dos alunos do primeiro ano de uma universidade americana já haviam usado o Narguile, e 20% havia usado no último mês.
Existe uma crescente idéia entre os jovens de que o cigarro é “careta”, pois faz mal à saúde e de que a maconha e outros hábitos de fumo como o Narguile são menos prejudiciais. Esse estudo confirma essa falsa percepção, já que os usuários pesquisados relataram acreditar que o Narguile era menos prejudicial à saúde quando comparados ao grupo de não usuários. Mais importante ainda: apesar dos usuários de Narguile acharem que o cigarro ”careta” era mais deletério à saúde, eles consumiam mais desses cigarros. Esse é o pulo do gato e a grande preocupação do consumo de Narguile.
Calcula-se que o consumo de Narguile representa uma inalação de fumaça até 100 vezes maior que o do cigarro, e qualitativamente, os componentes tóxicos são muito semelhantes. O mais preocupante é que o tabaco inalado de forma esporádica possa ser encarado como algo seguro. Já sabemos que mesmo uma única exposição ao tabaco está associada a modificações no funcionamento químico cerebral e ao risco de dependência. Já é bem ultrapassado o conceito de que o ato de “só experimentar” seja uma prática segura.
As campanhas antitabagismo poderiam começar a alertar a população de que não é só o cigarro que é “careta” e prejudicial à saúde – os outros tipos de fumo também são.
Recentemente divulgamos os resultados de mais um estudo que demonstrou que o hábito de beber grandes quantidades de álcool de uma só vez, mesmo irregularmente, está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares. Esse padrão de consumo de álcool é conhecido na língua inglesa como BINGE, e é definido como o consumo de 5 ou mais doses de álcool no período de 2 horas no caso dos homens, e 4 ou mais doses no caso das mulheres.
O excesso de álcool além de poder elevar a pressão arterial e alterar a coagulação sanguínea transitoriamente poderia também desencadear um processo inflamatório nas artérias, promovendo a aterosclerose. Essa última hipótese foi recentemente testada e confirmada por pesquisadores da Universidade de Rochester e publicada recentemente na revista Atherosclerosis. O contato prolongado de células vasculares humanas com o principal subproduto do álcool, o acetaldeído, promoveu uma série de efeitos que podem ser considerados como as etapas iniciais do processo inflamatório característico da aterosclerose. Os autores propõem que em doses menores de álcool, o organismo seria capaz de minimizar os potencias efeitos tóxicos do acetaldeído, mas em altas doses esse equilíbrio seria perdido.
As festas de fim de ano estão aí e não precisa ficar passando vontade. É só pegar leve.
O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Prevenir é a melhor estratégia. Entretanto, uma boa parcela dos indivíduos obesos precisa de tratamento.
A última edição da revista britânica The Lancet traz os resultados de uma nova droga para obesidade que deve dar muito que falar. A droga tesofensina, inicialmente desenvolvida para o tratamento da Doença de Parkinson e Alzheimer, promoveu uma perda ponderal média de 11.3 kg entre indivíduos obesos após 6 meses de tratamento. Os voluntários que serviram como grupo controle, e que foram submetidos apenas a dieta com restrição de calorias, perderam apenas 2.2 kg no período. A potência de ação da droga foi realmente bem superior quando comparada às demais drogas usadas para o tratamento da obesidade, duas vezes maior que a sibutramina e rimonabanto. Os principais efeitos colaterais registrados foram: náusea, boca seca, insônia, tontura e alterações gastrintestinais. Esse é um estudo que abre caminho para a realização de um estudo com maior número de pacientes para melhor avaliar o efeito terapêutico e os efeitos colaterais da tesofensina. Os dados até o momento sugerem que essa é uma droga bem promissora para o tratamento da obesidade.
A relação entre o consumo de álcool e o risco de doenças cardiovasculares tem sido extensamente estudado, e após uma série pesquisas, podemos hoje dizer sem pestanejar que o consumo em doses leves a moderadas exerce um efeito protetor sobre o coração e o cérebro, enquanto o consumo em altas doses aumenta o risco de infarto do coração e derrame cerebral. Temos evidências também que essa ação deletéria do alto consumo de álcool não é restrita ao consumo exagerado diário, mas também ao hábito de beber grandes quantidades de álcool de uma vez só. Já foi demonstrado que esse hábito aumenta o risco de morte por doença isquêmica do coração, hemorragia por aneurisma cerebral, e derrame cerebral. Um grande estudo populacional conduzido na Finlândia e publicado esta semana pela revista Stroke confirma que o hábito de consumir seis ou mais doses de bebida alcoólica de uma só vez está associado a um maior risco de derrame cerebral.
Moral da história: beber uma dose de bebida alcoólica todos os dias da semana é muito mais saudável para o coração e para o cérebro do que beber sete doses numa tacada só. Isso sem falar no problema comportamento de risco dos “porres”: mais acidentes, violência, etc.
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O cérebro parece se dar bem com baixas doses de álcool
O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.
Um estudo publicado hoje pelo Journal of the American Medicine Association mostra mais uma vez que a erva não traz benefícios ao cérebro. Mais de três mil indivíduos com mais de 75 anos e sem demência foram acompanhados por 6 anos. Os indivíduos que usaram Ginkgo biloba 240 mg por dia não tiveram risco reduzido de Doença de Alzheimer, outro tipo de demência, eventos cardiovasculares ou morte. Sangramento cerebral foi duas vezes mais freqüente entre aqueles que usaram a erva, e quando se analisou o grupo de idosos com doença cardiovascular prévia, seu uso aumentou o risco de demência.
São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e no estudo descrito acima houve até aumento do risco de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba não é canja de galinha.
LEIA AQUI PESQUISA MAIS RECENTE DEZ 2009 SOBRE O ASSUNTO
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Um estudo publicado na prestigiada revista Nature Genetics nesta ultima semana dá um passo muito importante no entendimento de uma das mais graves doenças neurológicas: o aneurisma cerebral. O aneurisma é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro, fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. Ao se romper, o risco de levar o indivíduo à morte é de 40%.
Já sabemos que o aneurisma cerebral é uma condição que tem um inequívoco componente genético, e o risco de alguém vir a apresentar o problema é cerca de duas vezes maior quando há um parente de 1º grau com a condição e até 50 vezes maior quando há dois ou mais parentes de 1º grau.
Os pesquisadores avaliaram 2100 pacientes com história de aneurisma cerebral rompido e 8000 controles com origem na Europa e Japão e conseguiram identificar três variações cromossômicas associadas ao aneurisma cerebral. Duas dessas variações foram descritas pela primeira vez, enquanto o terceiro já havia sido descrito anteriormente.
Os novos achados podem levar a novos testes para detecção precoce do aneurisma, antes que ele se rompa. Um dos genes em que tais variações foram encontradas está associado à capacidade de reparo dos vasos sanguíneos, o que abre caminho também para o desenvolvimento de terapêuticas que possam prevenir o desenvolvimento de aneurismas, mesmo entre aqueles que têm tendência genética a apresentá-los.
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Estudos epidemiológicos sugerem que indivíduos que dormem pouco, assim como aqueles que dormem muito, vivem menos do que quem dorme entre 7 e 8 horas por dia. Além disso, a privação de sono tem sido crescentemente associada a problemas como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.
Um novo estudo publicado esta semana pelo Archives of Internal Medicine confirma que dormir pouco não é um bom negócio à saúde, e dessa vez o grupo estudado tinha pressão alta e uma média de idade de 70 anos. Mais de 1200 indivíduos foram acompanhados por uma média de dois anos e aqueles que dormiam menos foram os que mais apresentaram infartos do coração e derrame cerebral ao longo do período do estudo. Além disso, os que dormiam menos tinham maiores índices de massa corporal (mais gordinhos) e mais chance de ter diabetes.
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Já é bem conhecido que o uso das medicações chamadas de estatinas reduz o risco de eventos vasculares, como o derrame cerebral e infarto do coração, em pacientes com altos índices de colesterol, portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares. Ontem, a revista New England Journal of Medicine publicou o importante Estudo JUPITER mostrando que as estatinas podem reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes considerados de baixo risco vascular.
O estudo JUPITER é um estudo multicêntrico envolvendo diversos países, incluindo o Brasil – Universidade Federal de São Paulo, e que acompanhou quase 18 mil indivíduos que nunca haviam apresentado história de derrame cerebral ou infarto do coração. Todos tinham níveis normais de colesterol, não tinham diabetes, mas apresentavam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (> 2mg/l). Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares.
A metade dos voluntários que usou estatina (Rosuvastatina) apresentou menos risco de derrame cerebral e infarto do coração e menor mortalidade no período pesquisado. O estudo foi até mesmo precocemente interrompido por questões éticas, devido à inequívoca superioridade nos benefícios que o grupo que usou estatina apresentou.
Em diversos países, o Ecstasy é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o Ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Pesquisas que avaliaram a associação do uso do Ecstasy com alterações cerebrais deixam dúvida se as alterações encontradas são conseqüências da droga ou se são elas que fazem com que o indivíduo tenha mais predisposição a usá-la. Ovo ou galinha? Um novo estudo divulgado ontem pela revista inglesa Brain traz novidades bastante esclarecedoras.
Pesquisadores holandeses selecionaram cerca de 190 indivíduos entre 18 e 35 anos de idade que nunca tinham usado Ecstasy e que eram considerados como potenciais usuários em futuro próximo: ou porque declararam tal intenção ou porque tinham um ou mais amigos que usavam a droga. Diversas técnicas de neuroimagem foram inicialmente realizadas, e após 12 meses de seguimento os voluntários voltavam a ser submetidos a novas imagens cerebrais até três anos de seguimento. Ao longo do acompanhamento, 59 pessoas haviam usado a droga (média de 6 unidades, variando de 0.5 a 80), e esses foram comparados a outros 56 do grupo original que não experimentaram a droga. Os grupos não foram diferentes quanto à idade, uso de álcool, maconha, anfetamina e cocaína.
Foi identificada uma série de anormalidades cerebrais no grupo de indivíduos que usaram Ecstasy: alterações na perfusão sanguínea, na estrutura da substância branca e maturação cerebral. O importante é que essas alterações realmente foram adquiridas após o início do estudo, quando os voluntários ainda não apresentavam essas alterações. Um estudo anterior já havia demonstrado leve redução da capacidade de memória verbal em usuários leves da droga. Ainda não se pode concluir se essas alterações são irreversíveis, mas esses resultados são fortemente indicativos que o uso de Ecstasy pode ser neurotóxico, mesmo em baixas doses.
Um estudo publicado no final de outubro na versão eletrônica do periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia demonstra o quanto uma dieta adequada pode ajudar na recuperação de uma pessoa que sofreu um derrame cerebral.
Cerca de metade dos pacientes que iniciam o trabalho de reabilitação após um derrame cerebral apresenta algum grau de desnutrição e as causas são múltiplas: dificuldade em engolir os alimentos, dependência de outras pessoas para poder comer, depressão, e muitas vezes um estado de desnutrição até mesmo antes de sofrer o derrame. Já sabemos que os pacientes desnutridos recuperam-se com maior dificuldade, porém ainda é controverso se uma suplementação dietética especial é capaz de fazê-los recuperar melhor.
Nesse novo estudo, foram incluídos mais de cem pacientes que sofreram derrame cerebral no último mês, e que podiam ser considerados como desnutridos (perda > 2.5% do peso nas primeiras 2 semanas de internação). Metade dos pacientes receberam uma super-dieta com teor 2 vezes maior de calorias, 2 vezes maior de proteínas e 4 vezes maior de gordura, além de suplementação de vitamina C. Quando comparados aos pacientes que receberam uma dieta normal, esses que receberam a super-dieta receberam alta para casa com maior nível de independência.
A pesquisa apresenta algumas limitações metodológicas, entre elas o fato de ter sido realizada num único centro de reabilitação, o que nos faz ser cautelosos em não encerrar o assunto por aqui. Além disso, os resultados também não devem ser extrapolados a pacientes que apresentavam sobrepeso quando apresentaram o derrame.
Um estudo publicado ontem no respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão aumenta o risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006.
A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação (ex: citocinas), aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas. Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.
É de se esperar que as autoridades estejam repensando o custo-benefício do horário de verão ou uma maior flexibilização do horário na primeira semana de implantação. Na hora de refazer as contas, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.
O sono é uma de nossas necessidades mais básicas e há um bom tempo que ele não deve ser visto como um estado de descanso do cérebro, já que durante o sono ele está “trabalhando” pra valer, especialmente para cristalizar o aprendizado do dia. Podemos até prescindir de algumas noites de sono sem grandes prejuízos à saúde. Já a privação crônica de sono pode trazer efeitos negativos não só sobre nossas capacidades cognitivas, mas também pode alterar funções metabólicas que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. E quantas horas de sono por dia é o mais recomendável? Essa é uma discussão bastante interessante.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
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Texto em inglês, National Sleep Foundation, How much sleep do we really need?
A Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por recorrente obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono associada a roncos, resultando em episódios de paradas respiratórias, redução da oxigenação do sangue, freqüentes despertares durante a noite e conseqüente sonolência diurna. É bom saber que todo mundo que tem SAOS ronca, mas nem todo mundo que ronca tem apnéia.
Já é bem conhecido que as formas moderada e grave da SAOS estão associadas ao aumento de risco cardiovascular, e o tratamento visa não só melhorar a qualidade de vida do indivíduo, mas também reduzir seu risco cardiovascular. Um novo estudo publicado na última edição da revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine nos mostra que mesmo portadores da forma leve de SAOS também apresentam maior risco cardiovascular. Medidas que refletem a saúde das artérias mostraram-se reduzidas entre pacientes com a forma leve de SAOS quando comparado ao grupo controle. Esses resultados fizeram com que os pesquisadores dessem início a um novo estudo que irá avaliar se o tradicional tratamento com o aparelho com máscara de ar sob pressão durante a noite, o CPAP, não seria indicado também a pacientes com SAOS leve e com mínimos sintomas. Atualmente a indicação mais ortodoxa do CPAP é nos casos moderados e severos de SAOS.
O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Alguns estudos têm revelado que o problema do sobrepeso não está associado só a quanto se come e o que se come, mas também a como se come.
Uma pesquisa conduzida no Japão com mais de três mil pessoas e publicada na última edição do British Medical Journal aponta que tanto o hábito de comer rápido como também o de comer até se sentir cheio está associado a um maior peso corporal. Esse efeito é independente da quantidade de calorias ingeridas, ou seja, “X” calorias diárias ingeridas de forma fracionada e sem pressa tem menos chance de engordar do que as mesmas “X” calorias diárias ingeridas na correria e de forma menos distribuída ao longo do dia. Estudos anteriores já haviam mostrado que comer rápido engorda mais, e o que essa pesquisa acrescenta é que comer até ficar cheio também engorda.






















