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Jovens e idosos dizem que a leitura de uma folha de papel é mais agradável e legível do que em versões eletrônicas. Porém, entre os idosos, o cérebro faz menos esforço lendo num tablet do que num leitor de livro digital ou numa folha de papel. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores alemães e publicado esta última semana no periódico PLoS ONE.

 

Dois grupos de voluntários, jovens (25.7 anos em média) e idosos (66.8 anos em média), foram monitorados enquanto liam um mesmo conteúdo de três formas diferentes: folha de papel, iPad e Kindle. A atividade cerebral que reflete o esforço mental para uma atividade foi monitorizada pelo eletrencefalograma enquanto os movimentos dos olhos e seu tempo até a fixação na leitura também eram medidos.

 

Após a experiência, jovens e idosos acharam a experiência com a folha de papel mais agradável e legível do que com os aparelhos. Entre os jovens, o esforço mental e rapidez de fixação do olhar não foram diferentes nas três diferentes formas. Já entre os idosos, esses parâmetros foram mais fáceis quando a leitura era feita no iPad, contrariando a resposta que deram no questionário.

 

Um forma de explicar esses resultados é o fato do iPad ter um melhor contraste entre o texto e o fundo. Para os jovens isso não faz diferença, mas para os idosos pode ser um empurrãozinho relevante. Mas, porque mesmo assim eles respondem que o livro foi mais agradável? Desconfiança de novas tecnologias? Provavelmente aí existe um forte fator cultural.

 

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É bem ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos e é mais comum entre as mulheres. Essas cicatrizes aparecem na ressonância magnética como pontinhos brancos e são chamadas por alguns de cabelos brancos do cérebro. Quem é que ultrapassa cinco ou seis décadas de vida sem qualquer cabelo branco?

 

No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

 

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.

 

** Esta semana, o periódico oficial da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa que mostra que mulheres na transição da menopausa passam a ter mais dessas lesões no cérebro quando têm no sangue maiores concentrações de micropartículas de plaquetas, sugerindo que a aspirina pode também ser uma arma para conter a progressão dessa condição neurlógica. Isso já está sendo testado. Possivelmente a aspirina venha a ser um companheiro na vida de quase todas as mulheres após certa idade, e por que não também dos homens? Essa é uma hipótese que toma ainda mais corpo quando pensamos nos resultados da aspirina na redução da incidência de vários tipos de câncer.    

 

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Não tem festa ou época do ano em que o “clima de paquera” seja maior que no carnaval. Atrás do trio elétrico e nos salões a folia no carnaval tem uma combinação de fatores que estimulam a sexualidade humana. E é claro que o cérebro é o maestro dessa experiência.

Corpos mais expostos e suados, além do estímulo visual, podem influenciar o cérebro através dos feromônios. Na maioria dos mamíferos, os níveis hormonais são influenciados por sinais químicos externos, que são esses tais feromônios.

Uma das evidências de que esse sistema também atua na espécie humana é a de que a convivência entre mulheres está associada a uma sincronia de seus ciclos menstruais, fato observado também em roedores.  Ainda existe muito debate se esse é um sistema relevante para a espécie humana, e recentes estudos têm confirmado que nossos níveis hormonais podem ser influenciados pelos odores das pessoas ao nosso redor. O candidato a feromônio humano mais estudado até o momento é o hormônio androstadienona presente na saliva, sêmen e suor dos homens.

A androstadienona é capaz de influenciar o humor, nível de alerta, e atividade cerebral tanto nas mulheres, como entre homens com orientação homossexual.  Uma recente pesquisa revelou que mulheres que cheiravam a androstadienona pura tiveram seus níveis de hormônio corticóide elevados após 15 minutos e com duração de até 60 minutos. Pode-se até supor que esse aumento nos níveis de corticóide poderia dar mais energia para os foliões, mas isso é só especulação.  Há evidências também de que os feromônios podem anunciar a presença de parentes e comunicar estados de ânimo como o estesse e o medo.

Se, por um lado, os feromonios humanos ainda são um tema polêmico, por outro, conhecemos bem o papel dos neurotransmissores no fenômeno da atração sexual. As regiões cerebrais ativadas são muito parecidas com aquelas envolvidadas ao nos deliciarmos com um alimento saboroso como um chocolate – o sistema de recompensa cerebral. Os principais combustíveis dessas reações são a dopamina, ocitocina e vasopressina. Além das regiões do cérebro que se “acendem”, sabemos também que outras áreas se “apagam”, e essas são regiões vinculadas à função do medo (amígdala) e regiões associadas à nossa crítica, juízo de valores, nosso “superego” (ex: lobo frontal).  Vale lembrar que o álcool também apaga essas áreas, deixando o cérebro mais “valente”, o que para muitas pessoas é um combustível necessário para “chegar junto” na hora da paquera. Entretanto, o álcool está associado também a um comportamento de sexo sem proteção.

Aqueles que estiverem livres para a paquera no carnaval podem abusar da dopamina e dos feromonios, mas a bebida é melhor com moderação.

 

 

Nesta última quarta-feira estreamos a nova coluna  na Rádio CBN Brasília – CUCA LEGAL . 

 

 

Não faz muito tempo que o conhecimento cerebral era limitado ao estudo de cérebros danificados, e a partir do que era perdido, construía-se o conhecimento da função de um cérebro normal. Em humanos, isso só podia ser feito em necropsias. As inúmeras tecnologias modernas, especialmente as de neuroimagem, abriram janelas gigantes para o entendimento do funcionamento cerebral.

 

Hoje entendemos  o cérebro infinitamente mais do que há 20 anos e a proposta do CUCA LEGAL é trazer aos ouvintes da CBN pílulas de conhecimento sobre esse órgão que nos faz pensar, sentir e agir. O cérebro é o nosso órgão de relação. É ele que noz interagir com o meio.

  

Resultados de pesquisas recém-saídas do forno nas áreas de neurociências e psicologia serão compartilhados, especialmente daquelas que têm relação com nosso cotidiano. Além disso, vamos tratar das principais doenças neurológicas e psiquiátricas que afetam a existência humana.

 

Temas que podem parecer difíceis e distantes da nossa realidade podem ser bem LEGAIS quando se usa bom senso e bom humor. Essa é a proposta do CUCA LEGAL! Entender melhor o cérebro é como olhar-se no espelho, e às vezes só o espelho nos mostra que estamos com um feijão entre os dentes que ninguém nos avisou.

 

CUCA LEGAL  com o neurologista Ricardo Teixeira – todas as quartas e sextas-feiras às 11:00h na Rádio CBN Brasília

O que é?

É uma condição psiquiátrica comum que afeta 4-7% da população. Caracteriza-se por um estado de preocupação crônica, exagerado e incontrolável associado a sintomas como agitação, tremores, suor, palpitações, fadiga, tensão muscular e dificuldades para dormir e se concentrar. É mais comum nas mulheres (7%) do que nos homens (4%) e a faixa etária mais acometida está entre os 45 e 59 anos. Fatores genéticos e ambientais estão envolvidos. 

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e é feito quando os sintomas acontecem na maior parte do tempo, por pelo menos seis meses, em diferentes situações. É muito comum os pacientes darem mais atenção aos sintomas somáticos, o que leva à procura de várias especialidades médicas, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. Por outro lado, não se deve esquecer que condições clínicas, como o hipertiroidismo, devem ser descartadas, pois podem provocar sintomas comuns do TGA.

 

Além de concorrer com o bem estar, quais são as outras repercussões desse problema?

O TGA traz prejuízos à vida social, familiar e profissional. Um estudo chegou a demonstrar que quase 40% daqueles que sofrem desse transtorno perdem seis dias por mês de trabalho, por absenteísmo ou por ineficiência mesmo. Além disso, algumas condições psiquiátricas são mais comuns em quem apresenta TGA, as chamadas comorbidades. Até 60% podem apresentar também depressão, quase 40% consomem álcool em excesso, e uns 30% têm transtorno de ansiedade social. Doenças cardíacas, respiratórias e endocrinológicas também são mais comuns em quem sofre com TGA.

 

Quais são as opções de tratamento?

Psicoterapia é uma das melhores armas contra o TGA, e a mais estudada é a cognitivo-comportamental. Essa técnica envolve a terapia cognitiva que promove um alinhamento das crenças do paciente à realidade, corrigindo distorções, junto à terapia comportamental, que irá promover o enfrentamento ou evitação de situações críticas.

 

Vários outros métodos de psicoterapia podem ser eficazes. Além disso, atividade física regular, higiene do sono, meditação e até os livros de auto-ajuda podem fazer a diferença.    

 

Quando é que as medicações são necessárias?

As medicações passam a ser imprescindíveis quando o TGA passa interferir de forma significativa na vida profissional ou escolar, na vida familiar ou social. As medicações mais indicadas são os antidepressivos como a sertralina que devem ser usadas por um ano em média. Os benzodiazepínicos geralmente são usados para crises de ansiedade ou nos primeiros 30 dias de tratamento, período em que o antidepressivo ainda não alcançou seu efeito pleno.

 

É recomendável evitar uso de nicotina e o excesso de álcool e cafeína.

 

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É muito comum os médicos recomendarem aos seus pacientes que sofrem de enxaqueca que evitem a todo custo uma lista de estímulos como é o caso do estresse, locais muito iluminados e esforço físico intenso. Isso pode ter seu lado negativo, já que algumas pessoas podem chegar a evitar qualquer tipo de atividade física.

 

Pesquisadores da Universidade de Copenhagen acabam de publicar uma pesquisa no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia mostrando que esses fatores parecem não fazer tanta diferença assim na vida de quem tem enxaqueca.

 

A pesquisa envolveu cerca de 30 pacientes com enxaqueca com aura, que é o tipo de enxaqueca que vem acompanhada de sintomas neurológicos como flashes luminosos, alteração da sensibilidade de um lado do corpo ou até mesmo dificuldade em falar. Todos os voluntários tinham a percepção de que o exercício vigoroso ou exposição a muita luz eram fatores desencadeantes de suas crises de enxaqueca. Eles foram então expostos a esses estímulos para ver o quanto realmente provocavam uma crise e isso foi feito com uma prova de bicicleta de uma hora que alcançava 80% da freqüência cárdica máxima e exposição a luz intensa e com piscamento por 30-40 minutos.

 

Apenas 11% dos participantes do estudo apresentaram uma crise de enxaqueca após os testes. Nenhum deles apresentou crise após o estímulo visual isolado. Esta foi  a primeira vez que um estudo experimental de provocação de crises  foi conduzido e os resultados apontam que as orientações ao paciente com enxaqueca podem ser menos radicais quando o assunto é exposição aos famosos estímulos ambientais que podem nem ser tão  malvados assim.

 

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Comer até um ovo por dia não aumenta o risco de infarto do coração ou de derrame cerebral. Essa é a conclusão de uma metanálise publicada esta semana pelo British Medical Journal.  Maior cautela deve ser tomada por aqueles que tem diabetes.

 

Mais uma vez o lenga-lenga de ovo faz mal  / não faz mal. Vai dar para acreditar dessa vez? Atualmente, entende-se que os estudos anteriores que evidenciaram que o ovo não era muito nosso amigo não tinham metodologia adequada para ponderar outros fatores que vêm associados ao hábito de comer ovos regularmente, por exemplo, maior  consumo de carne vermelha. A maioria das pesquisas realmente tem apontado que um ovo por dia não faz mal aos vasos do coração e do cérebro.

 

Agora, cinco ovos por dia é outra história.

 

Uma pesquisa inédita envolvendo mais de 250 mil voluntários apontou que o risco de depressão é maior entre as pessoas que tomam muito refrigerante, especialmente os do tipo light e diet.

Já o café, este apresentou efeito protetor contra a depressão.

O estudo será discutido esta semana no 65º encontro da Academia Americana de Neurologia.

 

 

No decorrer de um dia, as pessoas têm em média três vezes mais experiências positivas do que negativas. Isso é o que apontam algumas pesquisas. Porém, basta uma má notícia para concluirmos que o dia foi horrível.

 

Temos uma tendência inata a dar mais importância aos eventos negativos que aos positivos e isso pode ser visto como resultado da evolução da espécie, um alarme apurado para situações de risco. Além disso, as experiências positivas, por não dispararem esse alarme, podem chamar menos a nossa atenção ao longo do tempo por efeito de habituação. Mas como fazer para enxergarmos o copo mais para meio cheio do que meio vazio?

 

Já é bem reconhecido que dividir as boas experiências com parceiros, familiares e amigos próximos promove uma maior satisfação geral com a vida, maior bem estar e até mais disposição. Exercitar a gratidão também tem esse poder.

 

Dividir o prazer amplifica o prazer e isso está alinhado com os resultados de pesquisas que demonstram que a felicidade é contagiosa. Dividir as boas notícias levanta o astral do emissor, mas também do receptor da mensagem. Esse talvez seja um dos maiores ingredientes de sucesso do fenômeno facebook.

 

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Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude  que também promove o bem estar.  

 

Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental inédito que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.

 

Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.

 

Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.

 

A conclusão é fácil, não é? As escolas podem incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

 

 

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Prezado Doc! – A improvável conversa entre um médico e um humorista.  Afinal, O que pode acontecer quando um jovem neurologista conversa por e-mail com um velho gaiato e bastante teimoso? Nesse inusitado diálogo entre duas personalidades diferentes e com pontos de vista opostos sobre um mesmo tema – saúde cerebral– surge um livro original e útil, que consegue a proeza de abordar assuntos sérios sendo ao mesmo tempo engraçado!

 

O livro foi lançado nesta última quarta-feira e está disponível em várias livrarias. 

 

As que eu tenho certeza são Livraria Cultura e Livraria Virtual da Editora Thesaurus.

 

Quem é que não deixa o carro no “piloto automático” enquanto viaja em alguma idéia, uma preocupação, pensamentos que costumam estar bem distantes da atenção que a condução de um veículo exige. Já sabemos o quanto que o álcool e distrações externas como o uso do celular aumentam o risco de um acidente de trânsito, mas o impacto dessas viagens do pensamento na direção não foi bem estudado, em parte por dificuldades metodológicas. Como dizer que isso tem a ver com os acidentes?

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo prestigiado periódico British Medical Journal  coloca um pouco de luz sobre essa questão ao apontar que, em quase 20% dos acidentes de trânsito, o condutor do veículo supostamente culpado pelo acidente estava distraído por estar com o pensamento bem longe da direção.

 

Cerca de mil vítimas de acidente de trânsito que foram admitidas na unidade de emergência do hospital da Universidade de Bordeaux na França foram incluídas no estudo. Uma escala bem validada de responsabilidade de acidentes foi aplicada a cada voluntário assim como o nível de distração por questões externas ou por pensamentos internos, nível de privação de sono, uso de substâncias psicotrópicas e álcool. Todos esses fatores se mostraram associados a uma maior chance de provocar o acidente. 

 

Distração por pensamentos internos esteve presente em 17% daqueles que foram classificados como potencialmente culpados pelo acidente e em 9% dos que foram classificados como inocentes. Podemos entender com isso que esse tipo de distração realmente coloca em risco o condutor do veículo. Contudo, esses passeios da mente também podem ser vistos como valiosos para o aprendizado, criatividade e o planejamento da vida pessoal.  

 

A evolução provavelmente selecionou esses pensamentos internos como uma vantagem adaptativa para a resolução de problemas complexos, mas a condução de veículos não fazia parte do cenário. Mas será que existe alguma medida preventiva para essa condição?  Talvez os carros do futuro venham com um mecanismo tipo Bluetooth que acione um alarme quando começarmos a sair do foco da nossa principal tarefa enquanto estivermos com as mãos no volante.

 

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Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriram um grupo de células do hipotálamo, região do cérebro que faz a ponte com os sinais hormonais, que podem ser as responsáveis pelas desconfortáveis ondas de calor que grande parte das mulheres vivencia nos primeiros anos da menopausa.

 

Em um modelo de menopausa em camundongos, os pesquisadores mostraram que o efeito de dilatação dos vasos da pele era interrompido quando um grupo de células do hipotálamo, chamadas de KNDy, era inativado. Apesar de representarem uma pequena população de células do cérebro, elas têm grande importância no controle das fontes de energia do corpo, temperatura e reprodução. Com a baixa dos níveis do hormônio estradiol, essas células ficam hiperfuncionantes e disparam o comando de vasodilatação, com a intenção não muito apropriada de provocar a perda de calor do organismo.

 

A descoberta abre uma importante janela para o desenvolvimento de futuras terapias para o controle das ondas de calor da menopausa. O estudo foi publicado nesta última semana pelo prestigiado periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA – PNAS.

 

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Quatro dias de imersão na natureza e longe de bytes e pixels aumenta nossa capacidade criativa. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida por psicólogos da Universidade Kansas e de Utah nos EUA e publicada esta semana pelo periódico PLoS ONE.

 

Cinqüenta e seis voluntários com 28 anos de idade em média participaram de um experimento que incluía uma viagem de quatro a seis dias de caminhada na natureza, bem longe dos aparelhinhos do cotidiano urbano. Uma parte deles foi submetida a testes de criatividade e solução de problemas na manhã anterior ao início da viagem e outra parte na manhã do quarto dia de viagem. Aqueles que fizeram os testes no quarto dia obtiveram um desempenho 50% maior.  

 

Existem evidências de que a vida tecnológica e de multitarefa cansa o cérebro, mais especificamente as regiões pré-frontais responsáveis pelas nossas funções executivas.  Por outro lado, o contato com a natureza pode ser uma grande ferramenta para restaurar essas funções – voltar ao estado default, e é isso que os resultados da presente pesquisa sugerem. Não é possível dizer se a experiência da natureza foi mais ou menos importante que os dias desconectados da tecnologia, mas a princípio os dois podem ter efeitos sinérgicos.  

 

Estudos anteriores já haviam demonstrado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Porém, essa foi a primeira vez que benefícios sobre a capacidade criativa foram demonstrados. O ineditismo da pesquisa também tem a ver com o extenso tempo de exposição à natureza e com o fato dos testes terem sido feito “na trilha”, fora dos laboratórios.  

 

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Um estudo publicado esta semana pelo periódico especializado em neurologia e psiquiatria JNNP apontou que o sentimento de solidão nos idosos é um fator de risco para demência.  

 

Pesquisadores holandeses acompanharam por três anos mais de 2000 pessoas com mais de 65 anos e sem o diagnóstico de demência. No início do estudo, 46% dos voluntários moravam sem uma companhia e um pouco menos de 20% declararam que se sentiam sozinhos. Após os três anos de acompanhamento, o risco de apresentar um quadro de demência era maior entre aqueles que se sentiam sozinhos, mas o mesmo não acontecia pelo simples fato de viver sozinho. Os resultados mostraram também uma associação entre o sentimento de solidão e demência mesmo entre as pessoas que tinham companhia em casa, e isso foi independente da presença de depressão. 

 

A pesquisa sugere que a percepção subjetiva de solidão é que faz a diferença. Ela pode estar associada a uma menor estimulação cognitiva e também a uma menor reserva cerebral. Por outro lado, a sensação de solidão pode ser um sinal de que o cérebro já não está tão bem. Ovo ou galinha? Não importa. Idoso e isolamento social não combinam, especialmente quando o isolamento é iinvoluntário.

 

 

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Pop art do trabalho social cartao postal

Infância com muito estímulo e sem traumas psicológicos,

Adolescência longe do álcool e outras drogas,

Vida de adulto com relacionamentos de amizade positivos, família estável e trabalho recompensador,

Maturidade socialmente ativa, 

Esta é uma boa carteira de investimentos à saúde ao longo da vida.

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Álcool zero para as grávidas é a recomendação difundida na atualidade pelas autoridades sanitárias nos mais diferentes países. Entretanto, a segurança de um baixo consumo de álcool durante a gravidez ainda é uma questão controversa, já que as pesquisas apontam resultados variados e acredita-se que isso seja em parte devido à dificuldade em se estudar o tema controlando fatores sociais e de estilo de vida.

 

Uma alternativa para se evitar essas dificuldades metodológicas é um tipo de pesquisa recém-desenvolvida chamada de randomização mendeliana. E foi isso que pesquisadores das Universidades de Oxford e Bristol utilizaram para mostrar que álcool na gravidez, mesmo em baixas doses, tem influência negativa sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças.  Os resultados acabaram de ser publicados pelo periódico PLoS ONE.

 

O perfil genético do metabolismo de álcool foi estudado em mais de quatro mil crianças. A presença de quatro variantes de genes ligados a uma menor capacidade de metabolizar o álcool mostrou-se associada a menores escores de QI aos oito anos de idade, mas isso só existia entre as crianças cujas mães beberam de forma leve a moderada durante a gravidez (<1 a 6 doses/semana). Metabolismo mais lento teoricamente leva a um maior risco de toxicidade. Além disso, nas mães, uma variante de gene desse metabolismo também teve relação com a evolução cognitiva das crianças, mas também só entre aquelas que beberam na gravidez.  Mães com consumo de álcool exagerado não foram incluídas no estudo.

 

O estudo é complexo, mas o recado é simples: álcool durante a gravidez, mesmo em baixas doses, pode ser ruim para o desenvolvimento cerebral da criança.

 

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Qual é o estado presente e o futuro das novas tecnologias voltadas para o melhora do desempenho humano no trabalho? Essa foi a temática de um relatório que acaba de ser publicado pela Royal Society e Academia de Ciências Médicas e de Engenharia da Inglaterra e que é fruto de um workshop que envolveu especialistas das mais diversas áreas envolvidas.

 

Medicações que podem turbinar o cérebro, braços biônicos, implantes na retina, e tantos outros dispositivos que ainda parecem ficção científica deverão fazer parte da nossa vida num futuro não muito distante. Podemos dizer que as medicações já devem ser indicadas para quem quer melhorar o desempenho, apesar de não sofrer de nenhum transtorno neurológico?

 

Já conhecemos uma série de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem turbinar nosso cérebro:  atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, alguns estudos com as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm demonstrado que elas podem melhorar o desempenho intelectual até mesmo de indivíduos sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. As medicações mais usadas para esse fim são as anfetaminas e o metilfenidato, indicadas no tratamento de indivíduos com o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica.

 

O presente relatório é mais uma iniciativa para que se aprofunde a discussão, a regulação e as pesquisas pelo uso responsável dessas drogas por pessoas saudáveis. Em entrevista concedida à Scientific American e publicada recentemente na revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, o neurocientista mais renomado do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

 

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Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv conduziram um experimento que aponta que nosso cérebro tem mecanismos que permitem escolher a melhor solução de um problema na velocidade de um raio, sem termos muita consciência disso. Os resultados acabam de ser publicados no prestigiado periódico PNAS.

 

Os voluntários que participaram da pesquisa analisavam a tela de um computador em que apareciam duas colunas, uma ao lado da outra. Cada coluna mostrava seqüências de pares de números que se sucediam de forma muito rápida e os participantes eram orientados a apontar qual das duas colunas tinha pares de números de maior valor quando somados.  

 

Dois a quatro pares de números eram apresentados a cada segundo e, nessa velocidade, não era possível realizar cálculos e muito menos registrar os números na memória. Quando olhavam seis pares de números concomitantemente, o acerto era em torno de 65%, mas, espantosamente, quando a tela mostrava 24 pares de uma vez, os acertos chegavam a quase 90%.  

 

Essa intuição aritmética aponta que o cérebro tem a capacidade de absorver sem muita consciência várias informações picadas que serão traduzidas em uma idéia maior. Pode-se chamar esse fenômeno de integração de valor, pré-cognição, e explica porque muitas vezes antecipamos algum acontecimento. É o tal pressentimento que parece não ter nada de místico ou paranormal.

 

 

 

 

 

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