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Na década de 1950, dois pesquisadores americanos, Simons e Emmon, conduziram um experimento que deu um certo banho de água fria nas expectativas da capacidade do cérebro aprender dormindo. Eles fizeram quase cem perguntas a um grupo de voluntários e em seguida deram as respostas numa gravação enquanto dormiam. O resultado foi que ninguém aprendeu nenhuma das respostas e assim concluíram que o aprendizado durante o sono seria praticamente impossível. Mas a ciência não parou por aí.
Nos últimos 20 anos, uma série de estudos tem contestado os resultados pioneiros de Simons e Emmon. Este ano, duas importantes pesquisas foram publicadas pelo prestigiado periódico Nature Neuroscience demonstrando que nosso cérebro, enquanto dorme, é capaz de aprender, reativar memórias e solidificar conteúdos recém-aprendidos.
Na primeira pesquisa, voluntários, após aprenderem a tocar uma melodia num teclado eletrônico, tinham melhor desempenho na sua execução após dormirem ouvindo o que aprenderam.
Em um segundo estudo, um grupo de pessoas era apresentado a certos padrões sonoros seguidos de odores enquanto dormia. No outro dia, elas não se lembravam nem dos sons nem dos cheiros, mas os mesmos estímulos sonoros eram capazes de provocar o reflexo de fungar, tanto no estado de sono como em vigília. Esse é um reflexo arcaico em que inspiramos profundamente quando sentimos um cheiro agradável.
O aprendizado só era transferido do estado de sono para a vigília quando o estímulo acontecia no sono não-REM, fase do sono crucial para a consolidação da memória. Já durante o sono REM, padrão de sono que é mais influenciado pelos estímulos do ambiente, quando o cérebro está dormindo “meio acordado”, a resposta era até mais pronunciada quando testada durante o sono, mas o aprendizado não era transferido para o estado de vigília. Isso pode acontecer devido a um estado de amnésia característico dessa fase do sono que faz com que os sonhos freqüentemente não sejam lembrados.
Já faz tempo sabemos que nosso cérebro não pára de trabalhar durante o sono, especialmente no processamento afetivo e na organização e consolidação daquilo que aprendemos quando acordados. Além disso, é no sono que o cérebro descarta memórias pouco relevantes para nossa vida e isso se dá não por falta de espaço no hardware. O cérebro precisa manter sua mesa de trabalho livre de penduricalhos supérfluos.
Mesmo assim, com todo esse trabalho cerebral durante o sono, não há porque termos muita esperança em aprender conteúdos novos e complexos durante o sono. Digo isso é porque ainda não estão implantando chips no cérebro para uploads.
Esta semana, um estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia – EUA foi divulgado pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia sugerindo que a cólica dos lactentes pode na verdade ser uma precursora da enxaqueca ao mostrar que o risco é mais de duas vezes maior nos bebês que têm mães que sofrem de enxaqueca.
Através de um questionário, foram estudadas 165 mães e o comportamento de seus bebês que tinham uma média de idade de oito semanas. 14% dos lactentes preenchiam os critérios para cólica e 18% das mães tinham enxaqueca, índices comparados à média da população geral. Enquanto 29% dos bebês de mães com enxaqueca apresentavam cólica, apenas 11% daqueles de mães sem enxaqueca tinham o problema. O estudo não é definitivo para conclusões inequívocas da relação entre cólica e enxaqueca, mas abre uma grande porta para pesquisas mais robustas. O ideal seria acompanhar as crianças com cólica até a idade adulta e observar a freqüência de enxaqueca nessa fase da vida.
Existem algumas condições clínicas que acontecem de forma recorrente na infância e que são entendidas como expressões precoces de genes que mais tarde serão expressos como enxaqueca. Entre essas condições podemos citar crises de torcicolo, vertigem, além das misteriosas cólicas dos bebês.
O choro normal da criança começa a se intensificar nas primeiras semanas de vida, alcança o seu topo entre a sexta e oitava semana, e aos três meses já começa a dar uma trégua. A tal cólica dos bebês é uma forma intensificada desse choro e é definida como crises de choro por pelo menos três horas e pelo menos três vezes por semana. Também é chamada de choro inconsolável e está associada a uma maior incidência de casos da síndrome do bebê chacoalhado, condição em que um adulto sacode a criança para discipliná-la ou para tentar interromper o choro. Isso pode levar a lesões traumáticas de diferentes gravidades.
O termo cólica traz uma conotação de que o desconforto tem origem no aparelho digestivo, mas não existe qualquer evidência que aponte para essa localização. Estudos tentam ligar a cólica com gases intestinais, alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, mas todos têm apresentado resultados negativos.
Por que seria um bebê com bagagem genética de um “cérebro de enxaqueca” mais propenso a ter crise de choro? Uma das maiores características de um cérebro enxaquecoso é a hiperexcitabilidade, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais como ruídos e luz. A transição do útero para o mundo cheio de estímulos pode fazer mesmo diferença a partir de algumas semanas, a partir de um nível de desenvolvimento da acuidade visual e auditiva. Isso pode explicar o porquê da cólica ser mais freqüente entre a sexta e oitava semana de vida, e não no período neonatal. Uma pesquisa chegou a demonstrar que a restrição de estímulos sensoriais foi capaz de reduzir o problema.
Com esse corpo de conhecimento, já se discute a modificação do termo cólica por algo como “Agitação Paroxística do Lactente” já que a raiz do problema tem mais chance de vir do cérebro do que da barriga.
Já é consenso que a terapia de reposição hormonal (TRH), apesar de poder reduzir os sintomas da menopausa e o risco de osteoporose e fraturas, não traz outras vantagens à saúde da mulher e não deve ser utilizada como forma de prevenção de doenças. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode até aumentar o risco de uma série de doenças como trombose nas veias e câncer de mama. Com relação ao cérebro, a situação não é muito diferente.
Há poucos meses, o último relatório da divisão de saúde preventiva dos EUA sobre essa questão confirma essa posição concluindo que a TRH com a combinação dos hormônios estradiol e progesterona aumenta o risco de demência enquanto o uso do estradiol isoladamente aumenta o risco de derrame cerebral. As indicações da TRH estão cada vez mais restritas, e isso é um assunto cada vez MENOS polêmico.
RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;
2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;
3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;
4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;
5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.
Temos a tendência em beber cerveja mais rapidamente quando o copo tem as paredes curvas. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Bristol na Inglaterra e publicada recentemente pelo periódico PLoS ONE.
Os pesquisadores realizaram um experimento com 160 voluntários com idades entre 18 e 40 anos que tinham o hábito de beber socialmente. Quando bebiam cerveja no copo de paredes curvas, a velocidade de consumo foi quase duas vezes maior do que no copo reto. No caso de uma bebida não alcoólica, o formato do copo não fez diferença.
Outro experimento com os mesmos voluntários demonstrou maior dificuldade em localizar a “metade” no copo curvo, onde ficava o nível em que metade do líquido já foi consumida. Isso pode influenciar o consumo, fazendo com que a pessoa ache que nem chegou ainda na metade do copo, mas na verdade já bebeu um pouco mais que isso. E o experimento sugere mesmo esse comportamento, já que aqueles que erravam mais ao apontar o nível foram os que beberam mais rapidamente a cerveja.
Mas por que esse fator não influencia também a velocidade de consumo de bebidas não alcoólicas? Uma hipótese é um possível comportamento mais vigilante quando consumimos bebidas alcoólicas. De forma inconsciente, prestamos mais atenção no quanto já bebemos no caso de bebidas alcoólicas, e se o copo nos indica que nem chegamos à metade… bebemos um pouco mais rápido. Outra possível explicação é o fato do copo curvo estar associado ao consumo de cerveja, e isso pode ser um fator estimulante para o consumo.
A velocidade de consumo pode fazer diferença na quantidade de doses consumidas e no risco de intoxicação aguda, mas também no que diz respeito a todos os efeitos adversos do excesso de álcool no longo prazo.O uso de copos com as paredes retas pode ser mais uma das táticas para a contenção do abuso de álcool. Nesses copos retos, a metade da altura corresponde à metade do volume.
Pesquisa inédita publicada nesta última semana na prestigiada revista PLoS ONE aponta que pais que dormem junto aos filhos passam a ter menores concentrações do hormônio testosterona.
Foram avaliados 362 pais nas Filipinas com idades entre 21 e 22 anos em dois momentos distintos separados por cerca de quatro anos. Os voluntários foram divididos em três grupos: 1) os que dormiam em quarto diferente do filho; 2) os que dormiam no mesmo quarto do filho e em camas separadas; 3) os que dormiam na mesma cama do filho. Aqueles que dormiam na mesma cama das crianças, hábito da grande maioria dos pais nas Filipinas, tinham menores concentrações de testosterona ao fim do dia, maior queda dos níveis do hormônio ao logo do dia e também ao longo dos quatro anos entre uma e outra medida. Não houve diferenças na qualidade do sono e no estado de estresse psíquico entre os diferentes grupos.
Os resultados reforçam pesquisas anteriores que sugerem que essa queda de testosterona é um mecanismo de adaptação para que o pai fique mais disponível para as demandas da paternidade. Os mesmos autores já haviam demonstrado que a paternidade por si só já traz consigo uma queda do hormônio testosterona e a queda é ainda maior entre os pais que passam mais tempo com os filhos, brincando, dando comida ou lendo para eles.
A testosterona é reconhecida em outras espécies como um hormônio que influencia a capacidade do macho em atrair a fêmea, e altos níveis do hormônio estão associados a comportamentos que não combinam muito com uma paternidade eficiente. Além de fazer com que o macho fique mais “disponível” a uma nova fêmea, o hormônio também está associado a uma maior tendência em tomar condutas de risco. Há ainda evidências de que o homem com menores taxas do hormônio tem uma resposta mais afetuosa quando ouve o choro do filho.
Essa pesquisa dá mais um passo para entendermos que a fisiologia do homem é influenciada pela paternidade, algo que por muito tempo era pensado apenas no caso das mães. O cuidado com os filhos também faz parte da masculinidade, e esse é um componente pra lá de antigo na história de nossa espécie.
!! Dormir na mesma cama dos bebês pode aumentar o risco de asfixia e morte súbita infantil e essa é uma prática contra-indicada por boa parte das sociedades de medicina pediátrica. Vale lembrar que o hábito pode também atrapalhar a saúde do casamento.
O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.
Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro. Um grande estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico Lancet, Neurology, mais uma vez com resultados negativos.
Pesquisadores de diversos centros de pesquisa franceses acompanharam quase três mil idosos sem demência, mas com queixas de memória. Após um seguimento de cinco anos em média, a metade dos voluntários que usou Gingko biloba teve o mesmo risco de receber o diagnóstico de Doença de Alzheimer que a outra metade que usou placebo. Esse foi o primeiro grande estudo conduzido fora dos EUA.
São mais de duas décadas de estudos clínicos envolvendo milhares de pessoas com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e até mesmo de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba não é canja de galinha.
Antes da puberdade, os meninos até têm um pouco mais de enxaqueca que as meninas, mas aos 20 anos a freqüência já é duas vezes maior entre as mulheres e três vezes maior aos 40 anos.
O candidato mais forte para explicar essa diferença é o perfil hormonal das mulheres e temos várias pistas que apóiam essa idéia: 1) enxaqueca passa a ser mais frequente entre elas a partir da puberdade; 2) mais de 50% apresentam enxaqueca no período menstrual e cerca de 70% das enxaquecosas têm crises mais freqüentes e/ou mais fortes nessa fase do ciclo; 3) a maioria tem menos crises na menopausa e durante a gravidez.
Outra possível explicação é uma diferente resposta das mulheres à percepção do estresse e da dor. Essa é uma idéia que é apoiada por estudos de ressonância magnética que apontam que os circuitos neuronais que envolvem o processamento de emoções são mais robustos entre elas, tanto do ponto de vista estrutural como funcional. Nas mulheres, estímulos dolorosos estimulam esses circuitos de forma mais intensa. Essas peculiaridades são uma preciosa janela para a melhor compreensão das razões que fazem as mulheres terem distúrbios de dor de forma mais frequente, e isso não se limita à enxaqueca.
Problemas de saúde que são muito freqüentes e que têm base genética inequívoca, como é o caso da enxaqueca, fazem-nos sempre refletir se não poderia haver uma vantagem evolutiva para que tantos indivíduos apresentem essa condição. Ao pensarmos nos fatores que comumente desencadeiam crises de enxaqueca (ex: jejum prolongado, estresse, cheiros fortes), poderíamos até compará-los a situações predatórias. Essa é uma forma de encarar a enxaqueca como um aliado e não como um inimigo, um alarme cerebral que nos avisa quando estamos fora do nosso equilíbrio ideal. O cérebro das mulheres então teria evoluído mais do que o dos homens? As mulheres são mais expostas a “situações predatórias”?
Hipoteticamente, ao longo da evolução da espécie muitos se beneficiaram desse alarme e alguns poucos pagam o preço. Estes são os que têm crises de enxaqueca fortes e frequentes. Que bom que a medicina também evoluiu e hoje temos inúmeras opções de tratamento para essa condição neurológica.
Esta semana, tivemos mais uma evidência do quanto que o uso crônico da maconha pode deixar o cérebro mais bobo e também da maior vulnerabilidade do cérebro adolescente à toxicidade da droga.
Mais de mil voluntários neozelandeses foram acompanhados desde o nascimento até os 38 anos de idade e durante esse período foram submetidos a testes psicológicos e a questionários que avaliavam o consumo de maconha. Os resultados apontaram que quanto maior o consumo, maior também o declínio nos testes cognitivos, chegando a perder em média 8 pontos nos testes de QI entre os 13 e 38 anos de idade e os que tiveram mais prejuízo foram os que iniciaram o uso da droga no início da adolescência. Além disso, o desempenho não foi recuperado totalmente entre aqueles que interromperam seu uso. A pesquisa foi publicada na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
No mês passado, tivemos outra prova incontestável de que o cérebro adolescente é realmente mais sensível aos efeitos tóxicos da maconha (Brain julho 2012). Através de uma nova técnica de ressonância magnética, foram demonstradas alterações microestruturais que reduzem a eficiência das conexões cerebrais entre usuários crônicos de maconha. Mais uma vez, as perdas foram maiores naqueles que começaram a fumar já no início da adolescência.
Uma pesquisa recém-publicada no periódico Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology confirma evidências anteriores de que as mulheres com o diagnóstico da Doença de Alzheimer apresentam declínio cognitivo mais acelerado que os homens.
Pesquisadores da Universidade de Hertfordshire nos EUA conduziram uma metanálise de quinze diferentes estudos que investigaram diferenças de gênero na evolução da doença envolvendo mais de dois mil voluntários. Os resultados apontaram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuo-espaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis. No envelhecimento normal, as mulheres não ficam para trás.
A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. A atual pesquisa solidifica o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva e as explicações mais cogitadas para essas diferenças são a herança genética da doença que tem mais influência sobre as mulheres, o declínio dos níveis do hormônio estradiol após a menopausa e uma maior reserva cerebral nos homens.
Para a prevenção da Doença de Alzheimer, podemos começar ou manter algumas atitudes que já são consenso: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana, e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool.
Uma pesquisa publicada esta semana na revista Neurology, periódico oficial da Academia americana de Neurologia, confirma que o consumo de chocolate diminui o risco de derrame cerebral. O estudo incluiu trinta e sete mil homens suecos que foram acompanhados de forma prospectiva por um período médio de 10 anos.
Os pesquisadores avaliaram esses resultados em conjunto com os de estudos anteriores e concluíram que o efeito positivo do chocolate na prevenção de derrame cerebral estende-se também às mulheres. E de onde vem esse poder do chocolate? Alguns componentes do cacau têm ações antioxidantes, antiinflamatórias, reduzem os níveis da pressão arterial e aumentam os do bom colesterol, inibem a coagulação sanguínea e ainda melhoram a função do endotélio, camada mais interna dos vasos.
Não devemos ir com muita sede ao pote, já que o alto valor teor calórico do chocolate pode colocar em xeque todos esses potenciais benefícios se desequilibrar a balança. Aliás, esses benefícios são do cacau e, por isso, os chocolates com altas concentrações do fruto são as grandes estrelas.
Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nos outros, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.
O humor certamente é um dos ingredientes desses sentimentos prazerosos e, além dessa função social, admite-se que ele age como antídoto para emoções negativas ajudando a promover o equilíbrio mental. Mas será que todo tipo de humor tem esse poder? Uma pesquisa recentemente conduzida por pesquisadores da universidade de Stanford, e publicada no periódico Cognition and Emotion, demonstrou que o humor não hostil, não sarcástico, é mais eficaz na modulação do estado emocional do que formas negativas de humor. Essa melhor modulação pode ser definida como aumento de emoções positivas e redução das negativas.
Os voluntários do estudo eram apresentados a imagens desagradáveis como acidentes, animais peçõnhentos, e depois respondiam a um questionário que avaliava o nível de reações positivas e negativas. Numa segunda série do experimento, eles eram submetidos ao mesmo procedimento, só que antes de responder ao questionário, eles deveriam fazer um comentário sobre as imagens utilizando duas formas diferentes de humor: positivo ou negativo.
Os pesquisadores davam exemplos de cada um desses tipos de humor em cada uma das imagens, mas os voluntários deveriam criar seu próprio comentário. No caso de uma imagem de uma cobra atacando uma presa, um comentário com humor positivo seria: “ Isto sim que é olho maior que a barriga”. No caso de humor negativo seria algo como “Alimentando minha futura bolsa de couro”. O grupo de voluntários que fez comentários com humor positivo respondia ao questionário com impressões mais positivas do que aqueles que apenas assistiam às imagens ou que faziam comentários com humor negativo.
Esse humor negativo, com seu lado sarcástico, hostil, agressivo, depreciativo, é encarado desde os tempos de Freud como uma forma de descarregar algo que tem de ser reprimido. Entretanto, esse mesmo humor pode ter efeitos positivos no eqilíbrio mental em situações limites, como é o caso de pririsioneiros de guerra. Mas no dia a dia longe das catástrofes, esse humor deve ser reprimido a todo custo? O que é o humor de bom gosto e humor de mau gosto? Isso é polêmico…
Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil – pesquisa realizada em 2010 com cerca de duas mil pessoas em várias regiões do país
Interesse ou muito interesse por temas específicos |
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| Meio Ambiente | 83% |
| Saúde | 81% |
| Religião | 74% |
| Economia | 71% |
| Ciência e Tecnologia | 65% |
| Esportes | 62% |
| Arte e Cultura | 59% |
| Moda | 44% |
| Política | 29% |
*
Assuntos de interesse em Ciência e Tecnologia |
|
| Ciência da Saúde | 30.3% |
| Informática e Computação | 22.6% |
| Agricultura | 11.2% |
| Engenharias | 8.4% |
| Ciências Biológicas | 6% |
| Ciências Físicas e Químicas | 3.8% |
| Matemática | 3.7% |
| Ciências da Terra | 3.7% |
| Ciências Sociais | 3.7% |
| História | 3.3% |
| Astronomia e Espaço | 1.6% |
Pesquisas continuam apontando que o médico é a fonte de informação preferida e mais confiável em questões referentes a saúde
¨ a internet transforma a CONFIANÇA CEGA em CONFIANÇA INFORMADA
Paciente deve assumir papel ativo na promoção de sua saúde e nas decisões médicas
¨ médicos têm receio de que o paciente não tenha preparo para
digerir detalhes negativos da sua condição
¨ demanda de informação de qualidade
Risco de DESPROFISSIONALIZAÇÃO do médico?
¨ Haug 1973: aumento do nível educacional e acesso ao conhecimento técnico-científico iriam promover a desprofissionalização de diversas atividades com perda do monopólio sobre o conhecimento e autoridade sobre clientes
O conteúdo levado à consulta pelo paciente é legítimo e passa a ameaçar a relação médico-paciente quando o médico se sente DESAFIADO
¨ esse desafio pode ser relacionado à maior demanda de tempo
¨ ambas as partes podem criar situações extremas
Conteúdo de saúde das mídias complementa o curto TEMPO de consulta, confirmam a impressão diagnóstica inicial e também pode
¨ suprir a demanda de humanização (fóruns)
¨ disparar a decisão da procura pelo médico
¨ enriquecer o repertório do paciente na consulta
¨ facilitar a comunicação e aderência ao tratamento
A percepção dos pacientes é a de que esse conteúdo não desconstrói a relação médico-paciente
¨ é um suporte e não um desafio
¨ o médico passa a trabalhar COM o paciente e NÃO PARA ELE
¨ atualização médica!! Para que o paciente não seja o MAIS EXPERT
dessa relação
Fóruns de doenças
¨ especialmente úteis em condições crônicas, raras e estigmatizantes
E-Doctor
¨ o papel do e-doctor é o de empoderar o usuário a continuar a busca de conhecimento em saúde para que participe de forma ativa nas decisões médicas
¨ no Brasil, o Conselho Federal de Medicina – resolução 1974/2011 artigo 3º – recomenda aos médicos não oferecer consultoria a pacientes e familiares como substituição da consulta médica presencial
Não é raro no consultório neurológico o medo e a apreensão de mulheres em tratamento para epilepsia que descobriram que estão grávidas. Exceto nos casos em que há um transtorno psiquiátrico grave associado, a grande maioria das mulheres que fazem tratamento para controle de crises epilépticas podem e devem ficar grávidas se este for o desejo.
Elenco a seguir algumas informações que devem ajudar a reduzir a ansiedade de pacientes e médicos quando frente à condição EPILEPSIA E GRAVIDEZ e podem também colaborar para a redução do ESTIGMA associado à doença.
NA COMBINAÇÃO EPILEPSIA E GRAVIDEZ:
Não há evidências de aumento de risco:
* Piora da frequência de crises epilépticas
* Estado de mal epiléptico
* Pre-eclampsia e eclampsia
* Aborto espontâneo
Não há evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes):
* Parto cesariana
* Sangramento no final da gravidez
Não há evidências de aumento de risco moderado (> 1.5 vezes):
* Contrações prematuras
* Parto prematuro
HÁ evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes)
quando a mulher fuma na gravidez:
* Contrações prematuras
* Parto prematuro
! Controle das crises por pelo menos 9 meses antes da gravidez signiifica uma chance de 84-92% da mulher NÂO ter crises durante a gravidez!
Toda mulher fértil deve usar ácido fólico em combinação com a medicação anti-epiléptica para reduzir o risco de malformações fetais, mesmo se não estiver planejando gravidez. Quando descobre que está grávida, a mulher não deve interromper seu tratamento. Se planeja ficar grávida, é bom discutir com o médico se há opções terapêuticas com menor risco. De todas as medicações, o valproato de sódio é o que está associado ao maior risco de malformações.
Referências:
Practice Parameter AAN, AES, Neurology 2009
North American AED Pregnancy Registry, Neurology 2012
Pesquisadores canadenses publicaram esta semana no periódico Atherosclerosis os resultados de um estudo que demonstra que o consumo de gema de ovo é quase tão ruim quanto o cigarro quando se pensa na progressão da aterosclerose.
Mais de 1200 voluntários com uma média de idade de 61 anos foram submetidos a ultrassonografia das artérias carótidas para medição de placas de aterosclerose, além de um questionário sobre hábitos de vida. Essas placas mostraram-se maiores entre os tabagistas e naqueles que consumiam mais gema de ovo, sendo que o efeito da gema foi aproximadamente uns dois terços do efeito do cigarro.
A gema de ovo tem um alto teor de colesterol e já é bem reconhecido que uma dieta rica nesse componente aumenta o risco vascular, especialmente em indivíduos de risco. Entre diabéticos, pesquisas mostram que o consumo de um ovo por dia aumenta esse risco em duas a cinco vezes. Também há evidências recentes de que o consumo de ovo aumenta o risco de desenvolver diabetes.
Por que tanta polêmica com o ovo? Pesquisas sobre a associação entre o consumo de ovo e risco de eventos vasculares são inconsistentes, alguns com resultados positivos, outros negativos. Além disso, existem estudos que não demonstraram que seu consumo aumenta os níveis de colesterol na corrente sanguínea. Entretanto, uma recente meta-análise mostrou que a redução diária do colesterol da dieta proporcional ao conteúdo de um ovo é suficiente para reduzir os níveis do colesterol ruim.
O que fazer por enquanto? A gema de ovo e outras fontes ricas em colesterol não devem ser consumidas regularmente por indivíduos com maior risco vascular como os portadores de diabetes. Isso não há muita dúvida. Para aqueles que não se encaixam no perfil de maior risco vascular, vale lembrar que a Dieta Mediterrânea, até o momento, representa a síntese daquilo que é bom para o coração e para o cérebro – dieta rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados. Cadê o ovo nesta lista?
Em tempo: um ovinho aqui outro ali é uma coisa. O ovo todo dia no café da manhã é bem diferente.
Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. A epilepsia é uma das principais causas, mas bem mais comum é uma condição clínica chamada de síncope, que também é conhecida por desmaio.
São várias as causas de síncope, mas todas elas têm uma característica em comum que é a redução transitória da perfusão sanguínea cerebral. A causa mais comum é chamada de síncope vasovagal e acontece por um controle ineficiente do ritmo cardíaco e/ou do calibre dos vasos sanguíneos por parte do sistema nervoso em situações específicas como a posição em pé por tempo prolongado. Um quarto da população apresentará pelo menos um episódio deste tipo de síncope durante a vida e o componente genético dessa condição foi confirmado esta semana por um estudo publicado no periódico da Academia Americana de Neurologia. Pesquisadores demonstraram que, numa amostra de 51 pares de gêmeos, os idênticos têm mais chance de ambos apresentarem síncope vasovagal do que os não idênticos.
As testemunhas de uma crise de perda de consciência podem até ter presenciado olhos revirados, contrações musculares e incontinência urinária, sintomas estes que fazem a gente pensar numa crise epiléptica, mas na verdade podemos estar diante de um quadro de síncope. No momento em que o cérebro sofre uma baixa na perfusão de sangue, os neurônios ficam irritados e podem disparar uma crise epiléptica de curtíssima duração. Nesse caso, não estamos diante crises espontânea, razão pela qual tais crises não configuram um quadro de epilepsia. Vale lembrar que a maioria dos eventos de síncope não vem acompanhada de crise epiléptica.
Vários estudos têm apontado que a cafeína tem a propriedade de reduzir o risco da Doença de Parkinson. Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia demonstra ainda que pacientes já com o diagnóstico da doença podem se beneficiar do consumo de cafeína.
A pesquisa foi conduzida pela Universidade McGill no Canadá e envolveu 61 pacientes que foram divididos em dois grupos: um deles recebeu placebo e o outro pílulas de cafeína de 100mg três vezes ao dia por três semanas e depois mais três semanas com pílulas de 200mg. O grupo de pacientes que consumiu cafeína apresentou melhora significativa do desempenho motor, tornando-se mais ágeis e menos rígidos. Por outro lado, a cafeína não se mostrou muito eficiente na redução do grau de sonolência dos voluntários, e esta foi a proposta central do estudo. O estudo não nos permite garantir se esses efeitos permanecem no longo prazo.
A doença de Parkinson é uma condição neurológica que afeta preferencialmente os idosos, acometendo por ano cerca de 20 indivíduos a cada 100 mil. É uma das mais comuns doenças neurológicas e o número de pessoas acometidas pela doença deve aumentar ainda mais com o atual processo de envelhecimento da população.
Nos últimos anos, a ciência tem entendido que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária, disfunção sexual, transtornos do sono, depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos.
A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A substância tem uma ação inibitória nesses receptores de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante. Quando soltamos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.
A indústria farmacêutica está de olho nesses receptores adenosina como uma promissora janela terapêutica para o Parkinson, com algumas medicações já em fases avançadas de teste. Ainda não é o momento de prescrever seis doses de expresso por dia para os pacientes com Parkinson, mas se o médico for questionado quanto ao uso ou não da cafeína, é coerente que ele incentive o consumo, desde que seja com moderação, pois o excesso no idoso pode não ser bom para os ossos. Vale lembrar que um café expresso tem cerca de 100mg de cafeína.
Clique aqui e confira o bate-papo do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília em que ele aborda o fenômeno da internet na relação médico-paciente.
Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisa, ainda não publicada, apontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.
De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas? Se continuarem no ritmo que estão, acumulando cada vez mais funções, pode ser que elas alcancem alguns metros de vantagem nessa corrida.
Pesquisadores ingleses da Universidade de Oxford avaliaram 431 peças publicitárias de 104 diferentes produtos voltados ao esporte nos melhores magazines de esporte da Inglaterra e dos EUA. Os resultados apontaram que menos de 3% delas tinham respaldo científico. Além de uma constatação de informações duvidosas, o estudo dá uma espetada na autoridade de segurança alimentar européia, correspondente à ANVISA aqui no Brasil, órgão que regula esse tipo de publicidade. Os resultados da pesquisa foram publicados no British Medical Journal esta semana e esse também foi o conteúdo de um programa veiculado ontem pela BBC com o título “A Verdade dos Produtos Esportivos”.
Anúncios de distribuidores não foram incluídos, mas apenas os de fabricantes de produtos, como isotônicos, suplementos alimentares e acessórios esportivos. As empresas foram questionadas por email quanto às referências científicas que justificavam os anúncios de melhora de desempenho ou prevenção de condições clínicas com o produto.
Muitas empresas não tinham mesmo qualquer tipo de referência para apresentar, outras apresentavam, mas com evidências que não justificavam os anúncios, e apenas uma minoria de 2.7% tinha embasamento científico satisfatório de acordo com critérios objetivos baseados no Centro de Medicina Baseada em Evidências. Os resultados ainda mostraram que a maior parte das pesquisas que investigavam a eficácia desses produtos era patrocinada pelas próprias empresas interessadas.
Elenco abaixo alguns pontos que foram alvo de críticas por uma série de experts em medicina do esporte e publicados em outros sete artigos na última edição do British Medical Journal :
* promessas dos isotônicos – para o atleta de elite, esses produtos podem fazer a diferença, especialmente em provas de longa duração. Entretanto, para maioria dos que praticam atividade física de forma amadora, água é o suficiente e é bom lembrar que muitos dos isotônicos estão cheios de calorias. Existe um apelo de que os isotônicos têm menor risco de queda dos níveis de sódio, mas o que temos de evidências é de que qualquer líquido em excesso pode provocar essa condição clínica chamada de hiponatremia. Além disso, não custa lembrar que o corpo saudável tem um mecanismo preciso de controle dos níveis de eletrólitos no sangue e não é qualquer corridinha que é capaz de driblá-lo;
* outros “movimentos isotônicos” – a bebida oficial da Olimpíada de 2012 é o isotônico Powerade da Coca-Cola com a chamada “Ajuda a manter a resistência”. A gigante GlaxoSmithKline tem um programa de pesquisa com voluntários de 11 a 14 anos de idade para avaliar as vantagens de isotônicos sobre a água;
* hidratar muito antes mesmo de sentir sede – o excesso de hidratação tem suas repercussões negativas, assim como a desidratação. Beber à medida que se tem sede pode ser a melhor opção já que a sede é o melhor alarme que o corpo está precisando de hidratação;
* tênis especiais para cada tipo de pisada – o que faz mesmo diferença na incidência de lesões é a intensidade e tempo de treino/prova assim como o intervalo de recuperação. O tipo de tênis tem um valor irrisório, é o que aponta recente e maior pesquisa realizada sobre o tema;
* shakes de proteína – forma cara de tomar um copo de leite;
Por enquanto, o que a ciência endossa é que devemos nos exercitar regularmente, e se for com o pé no chão, que seja com um tênis confortável. Garantir também uma dieta balanceada e hidratação com água.
É crescente, inclusive no Brasil, um movimento que propõe a segregação de meninos e meninas na escola com o argumento de que as características cerebrais de cada gênero justificam duas formas de ensinar. Essa é uma questão polêmica, mas os neurocientistas não apóiam muito essa idéia, já que o que temos de evidências são diferenças cerebrais muito sutis entre os gêneros.
Entre as poucas e discretas diferenças que têm sido demonstradas, algumas não tiveram confirmação em estudos subseqüentes, como é o caso do corpo caloso, estrutura que comunica os dois hemisférios, e a lateralização da linguagem. Podemos ver com freqüência histórias de que a mulher consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo por ter o corpo caloso maior. Outra é a de que a mulher pensa mais do que os homens com os hemisférios cerebrais de forma sincrônica. Nenhumas dessas duas situações têm comprovação científica. A mulher pode até conseguir, num mesmo momento, fazer mais coisas do que os homens, mas a raiz disso pode estar em fatores culturais. Será que as meninas são diferentes dos meninos nesse sentido?
Quanto ao ritmo e sequência da maturação cerebral, vende-se a idéia de que as áreas cerebrais associadas à linguagem amadurecem quatro anos mais cedo entre as meninas, e as regiões do cérebro que processam informação espacial, como a geometria, ficam maduras quatro anos mais cedo nos meninos. Mas alguma pesquisa realmente mostrou isso? Na verdade, essa é uma interpretação errônea de um estudo conduzido na década de 1990 e cujos resultados estão um pouco longe dessas conclusões.
Aqueles que defendem as escolas “single-sex” falam de boca cheia que o cérebro masculino e o feminino são profundamente diferentes. Profundamente? Essas peculiaridades apontadas são baseadas na sua maior parte em estudos realizados em adultos que não podem ser extrapolados para crianças. Além disso, esses pequenos detalhes têm sido mal interpretados e exagerados com a chancela de que foram demonstrados por estudos científicos. Os maiores porta-vozes desse movimento são livros best-sellers, alguns deles escritos por médicos mesmo, e a própria mídia que endossa os conceitos por eles difundidos.
De uma forma geral, não há reais evidências de que, na hora de aprender, vale a pena deixar os meninos separados das meninas em nome de “hardwares” diferentes. Ao invés disso, as escolas poderiam passar para as crianças o conceito de que o cérebro delas é bem maleável, independente do gênero, raça e outras características demográficas. E ainda nem falamos dos ganhos do convívio entre meninos e meninas.




















