You are currently browsing the category archive for the ‘!! ConsCiência no Dia-a-Dia !!’ category.
É difícil contestar a idéia de que a realização profissional seja um dos pilares para o bem estar psíquico e isso inclui um trabalho motivador, remuneração adequada assim como um bom ambiente de trabalho que inclui boa relação com os colegas e com as lideranças.
Algumas pesquisas chegaram a demonstrar que quando se pergunta a funcionários de uma empresa o que eles colocam em primeiro lugar, um bom ambiente de trabalho ou um salário um pouco maior, o ambiente de trabalho ganha do salário em importância. O fato é que esse clima no trabalho influencia sobremaneira a produtividade de uma empresa assim como a saúde de quem nela trabalha.
O estresse no trabalho pode até engordar
Falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em equacionar o trabalho com a vida familiar. Esses são diferentes domínios do estresse no trabalho que têm sido associados a ganho ponderal.
Experimentos com primatas revelam que quando submetidos à subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação. Em humanos, já foi demonstrado que o estresse no trabalho está associado a um estilo de vida sedentário.
E provoca muito mais do que ganho de peso
Já é bem reconhecido que o estresse psicossocial está associado a um maior risco de diversas doenças como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer. A enxaqueca, o diabetes, que estavam bem controlados, ficam descompensados. Indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
Pode chegar ao ponto do esgotamento
O trabalho exaustivo chega a fazer com que nosso cérebro funcione de forma menos eficiente. O excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares.
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e a situação parece não ser muito diferente entre os PROFESSORES. Esses foram os profissionais mais estudados.
A síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares.
PARA REFLETIR SE O SEU AMBIENTE DE TRABALHO É SATISFATÓRIO
1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos? 2. Seus colegas sentem-se compreendidos e aceitos? 3. Vocês podem confiar no chefe? 4. O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração? 5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados? 6. Cada funcionário mantém os outros informados sobre o que fazem na empresa? 7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho? 8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. Um colapso da circulação sanguínea do cérebro é o que explica a perda de consciência em grande parte dos casos e essa condição clínica é chamada de síncope. Quatro ou cinco segundos de fluxo sanguíneo cerebral de menor pressão são suficientes para levar à perda de consciência.
São várias as causas de síncope, mas a mais comum é chamada de síncope vasovagal. Ela acontece por um controle ineficiente do ritmo cardíaco e/ou do calibre dos vasos sanguíneos por parte do sistema nervoso em situações específicas como a posição em pé por tempo prolongado. Um quarto da população apresentará pelo menos um episódio deste tipo de síncope durante a vida e o componente genético dessa condição foi confirmado este mês por um estudo publicado no periódico da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa também demonstrou que os gatilhos que provocam os desmaios, como o estresse, tempo em pé prolongado ou a visualização de sangue, esses não têm relação com o perfil genético do indivíduo.
Desmaiar ao ver sangue não é frescura.
O fato de desmaiar ao ver sangue revela, na verdade, uma estratégia de sobrevivência, um mecanismo de adaptação da espécie ao longo da evolução. Essa estratégia é orquestrada pelo nosso sistema nervoso automático, também conhecido por autônomo, que é formado pelos sistemas simpático e parassimpático.
Na síncope vasovagal, o sistema parassimpático é ativado de forma intensa estimulando sua principal “ferramenta de trabalho”: o nervo vago. Isso provoca dilatação dos vasos e redução do batimento cardíaco, o que diminui o fluxo de sangue para os órgãos, incluindo o cérebro.
Estudos experimentais indicam que uma região do tronco cerebral (medula caudal da linha média) é a responsável pela estimulação do nervo vago durante um episódio de síncope vasovagal. Quando um animal perde de 30% a 40% do volume de sangue e a pressão do sangue na região do tórax cai rapidamente, sensores de pressão localizados nas artérias informam essa queda ao tronco cerebral que estimula o nervo vago que provocará o colapso circulatório. Esse colapso é útil numa situação de hemorragia, pois o sangue em pressões mais baixas, o processo de coagulação para estancar o sangramento torna-se mais eficaz. Esse sistema não é tão bem afinado, já que algumas pessoas têm esse mecanismo deflagrado mesmo numa situação de olhar para o sangue dos outros.
![]()
Um estudo publicado esta última semana pela revista Stroke, periódico da Americam Heart Association, aponta que o consumo de café reduz o risco de derrame cerebral.
Mais de 80 mil japoneses foram acompanhados por um período médio de 13 anos. O efeito protetor do café foi significativo quando o consumo diário era ³ 3 vezes por semana. O café também diminuiu o risco de diabetes mellitus, mas já no caso de proteção contra doença isquêmica do coração, ele não conferiu efeito protetor, confirmando estudos anteriores.
E não pára por aqui. O café é um grande amigo do cérebro também por protegê-lo da depressão e das doenças de Alzheimer e Parkinson. Isso sem falar no poder que ele tem de aumentar nosso nível de alerta, energia e sociabilidade.
Há cerca de um ano discutimos que a cólica dos lactentes pode ser na verdade uma precursora da enxaqueca, já que a chance de cólica é mais de duas vezes maior nos bebês que têm mães que sofrem de enxaqueca.
Recentemente tivemos resultados de uma nova pesquisa publicada pelo jornal da Academia Americana de Medicina – JAMA – que encorpa bastante essa relação entre cólica e enxaqueca. Foram estudadas 208 crianças / adolescentes com idades entre 6 e 18 anos com diagnóstico de enxaqueca e outras 471 com a mesma faixa etária, mas sem enxaqueca. As que sofriam de enxaqueca tinham muito mais chance de ter apresentado cólica quando bebês quando comparadas às outras crianças (72.6% X 26.5%). Os pesquisadores ainda analisaram 120 crianças com outra forma de dor de cabeça, a cefaléia tensional, mas essas não apresentavam risco aumentado de terem apresentado cólica quando bebês.
Existem algumas condições clínicas que acontecem de forma recorrente na infância e que são entendidas como expressões precoces de genes que mais tarde serão expressos como enxaqueca. Entre essas condições podemos citar crises de torcicolo, vertigem, vômitos cíclicos, além das misteriosas cólicas dos bebês.
O choro normal da criança começa a se intensificar nas primeiras semanas de vida, alcança o seu topo entre a sexta e oitava semana, e aos três meses já começa a dar uma trégua. A tal cólica dos bebês é uma forma intensificada desse choro e é definida como crises de choro por pelo menos três horas e pelo menos três vezes por semana. Também é chamada de choro inconsolável e está associada a uma maior incidência de casos da síndrome do bebê chacoalhado, condição em que um adulto sacode a criança para discipliná-la ou para tentar interromper o choro. Isso pode levar a lesões traumáticas de diferentes gravidades.
O termo cólica traz uma conotação de que o desconforto tem origem no aparelho digestivo, mas não existe qualquer evidência que aponte para essa localização. Estudos tentam ligar a cólica com gases intestinais, alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, mas todos têm apresentado resultados negativos.
Por que seria um bebê com bagagem genética de um “cérebro de enxaqueca” mais propenso a ter crise de choro? Uma das maiores características de um cérebro enxaquecoso é a hiperexcitabilidade, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais como ruídos e luz. A transição do útero para o mundo cheio de estímulos pode fazer mesmo diferença a partir de algumas semanas, a partir de um nível de desenvolvimento da acuidade visual e auditiva. Isso pode explicar o porquê da cólica ser mais freqüente entre a sexta e oitava semana de vida, e não no período neonatal. Uma pesquisa chegou a demonstrar que a restrição de estímulos sensoriais foi capaz de reduzir o problema.
Com esse corpo de conhecimento, já se discute a modificação do termo cólica por algo como “Agitação Paroxística do Lactente” já que a raiz do problema tem mais chance de vir do cérebro do que da barriga.
Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Discutimos recentemente que a experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
Pesquisadores escoceses demonstraram há poucas semanas que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados.
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.
Os neurônios-espelhos foram descobertos meio sem querer por pesquisadores italianos ainda na década de 1990. Pela primeira vez constatou-se que a simples observação de ações dos outros era capaz de ativar as mesmas regiões do cérebro do próprio observador. A percepção visual inicia uma espécie de simulação ou duplicação interna dos atos de outros. As mesmas regiões também são ativadas quando o próprio indivíduo executa a ação.
Sabe aquela situação em que o carro está parado num cruzamento, faz que vai, mas não vai, e o carro de trás já arrancou cheio de vontade e CRASH? Por outro lado, é mais fácil dirigir na estrada atrás de outro carro. Assistir a um jogo de tênis pode ser visto como um treinamento para quem pratica o esporte. São os comandos automáticos dos neurônios-espelhos. Também são esses neurônios que explicam o porquê do bocejo ser tão contagiante. Videogames violentos podem reforçar, em nível neuronal básico, uma associação de prazer em fazer danos.
Fazemos mentalmente tudo o que assistimos o outro fazer e o que a neurociência têm-nos mostrado é que isso vai muito além de movimentos. Neurônios-espelhos foram encontrados nas áreas do córtex pré-motor e parietal inferior, associadas a movimento e percepção, bem como no lobo parietal posterior, no sulco temporal superior e na ínsula, regiões associadas à nossa capacidade de compreender o sentimento de outra pessoa, entender a intenção e usar a linguagem.
O cérebro entende através dos neurônios-espelhos até mesmo a intenção de uma ação. Uma série de neurônios é disparada ao olharmos para uma imagem de uma mesa bem arrumada e uma mão pegando uma xícara – com a provável intenção de beber o café. Um diferente grupo de neurônios é disparado quando olhamos para a mesma cena da mão pegando a xícara, mas numa mesa desarrumada – com a provável intenção de lavar a xícara. Sentir nojo ou ver uma pessoa com olhar repulsivo de nojo faz com que neurônios-espelhos das mesmas regiões do cérebro sejam estimulados.
Dessa forma, neurônios-espelhos têm papel essencial na percepção de intenções e na experiência da empatia. É o outro entrando em nosso cérebro – empatia origina-se da palavra grega empátheia, que significa “entrar no sentimento”. Não há muita dúvida que os neurônios-espelhos foram cruciais no desenvolvimento de nossas habilidades sociais através de avanços na comunicação e aprendizado. Com eles a informação é espalhada e amplificada colaborando para a promoção da cultura. Alguns cientistas chegam a chamar esses neurônios de DNA da neurociência.
A chance de um detento voltar a cometer crimes ao ganhar a liberdade pode ser prevista por um exame de ressonância magnética. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana pelo prestigiado jornal Proceedinds of the National Academy of Sciences.
Pesquisadores da Universidade do Novo México – EUA analisaram exames de ressonância magnética funcional (RMf)durante um teste que media a impulsividade de quase 100 detentos já com liberdade anunciada. Os voluntários eram orientados a pressionar um botão quando aparecia uma determinada letra num visor e aqueles que cometiam mais erros, por pressionar de forma precipitada o botão, eram também os que apresentavam menor atividade no córtex cingulado anterior. Quatro anos depois dos testes, 53% dos voluntários já haviam sido presos novamente e o risco foi duas vezes maior entre aqueles que tinham baixos níveis de atividade no cíngulo anterior.
O córtex cingulado anterior é uma região do cérebro bem conhecida por sua capacidade de regular o processamento de erros, monitoramento de conflitos e seleção de respostas. Pessoas que têm, por alguma razão, essa área danificada podem apresentar mudanças no comportamento como desinibição e agressividade.
Várias pesquisas demonstram que um dos principais fatores de risco para a reincidência de um criminoso é a impulsividade e dificuldade de avaliar as conseqüências de suas ações. A atual pesquisa é o início de uma série de investigações que deverá ser realizada para ponderar se essa metodologia poderá realmente servir de auxílio na decisão de soltar ou prender um detento.
O uso da neurociência para prever comportamentos criminosos – a neuroprevisão – já abre uma grande discussão ética. Um presidiário pode ser obrigado a ser submetido a um exame de RMf? Além disso, o exame de RMf depende da colaboração da pessoa que está sendo examinada e se o exame for feito na marra, os resultados não serão nada confiáveis.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, aponta que os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) permanecem até a vida adulta em 30% dos casos e 60% desses apresentam outras morbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão, alcoolismo e abuso / dependência de outras drogas. O estudo envolveu mais de cinco mil crianças americanas que foram acompanhadas desde o nascimento por 27 anos em média.
O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.
Esta semana o jornal New York Times compilou dados fornecidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que fez uma pesquisa por telefone com 76.000 pais entre 2011 e 2012. A reportagem afirma que 15% dos meninos em idade escolar nos Estados Unidos receberam diagnóstico de TDAH, contra 7% entre as meninas. Entre os jovens com idades entre 14 e 17 anos, o resultado é ainda maior: 19% para os meninos e 10% para as meninas.
No Brasil, uma pesquisa divulgada em 2011 revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre 4 a 18 anos.
A tão esperada nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) deve aumentar ainda mais o número de crianças que receberão o diagnóstico de TDAH, já que o comitê deslocou a idade máxima de início dos sintomas de sete para 12 anos. O argumento é que muitas crianças entre essas duas idades não estão sendo dignosticadas, já que dificuldades de atenção passam a ser mais perceptíveis após os sete anos quando as crianças já estão na escola.
Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.
Bactérias e vírus como o herpes podem ter uma parcela de culpa nas dificuldades cognitivas encontradas nos idosos. Isso é o que sugere os resultados de um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Pesquisadores das Universidades de Columbia e Miami nos EUA demonstraram que idosos com maior carga de infecção no sangue, medida por níveis de anticorpos no sangue, apresentavam menor desempenho cognitivo. Essa carga de infecção deve ser entendida como uma cicatriz imunológica de vários patógenos ao longo da vida. Nesse estudo, foram testadas cinco causas comuns de infecção: três vírus (herpes simples tipo 1 (oral) e tipo 2 (genital), e citomegalovirus), Chlamydia pneumoniae (causa comum de infecção respiratória) e Helicobacter pylori (bactéria encontrada no estômago e associada a gastrite e úlcera).
Foram estudados mais de 1500 voluntários com uma média de idade de 69 anos. A associação entre a exposição aos patógenos e desempenho cognitivo foi maior entre as mulheres e entre os voluntários com menor escolaridade e que não praticavam atividade física. Durante os oito anos de acompanhamento, não houve relação entre a carga de infecção e piora do estado cognitivo, sugerindo que infecções precoces podem fazer a diferença. Boa parte dessas infecções é mais freqüente na infância (ex: citomegalovirus e herpes simples tipo 1).
A atual pesquisa encorpa resultados anteriores que associam infecção a menor desempenho cognitivo e também à doença cerebrovascular. Vacinação na infância contra microorganismos comuns poderia garantir um bom desempenho cognitivo em idades avançadas, mas isso ainda precisa ser testado. No editorial que acompanha o estudo, discute-se que já existem evidências suficientes para se conduzir um estudo piloto com drogas antivirais em pacientes com a Doença de Alzheimer.
** altos níveis da proteína C-reativa, um marcador de inflamação no sangue, também estão associados a alterações cerebrais que influenciam as funções intelectuais. Também já é bem reconhecido que os índices de proteína C-reativa.
Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho.
Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.
Qual é a melhor música?
A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.
.
O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.
A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música.
Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.
** Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a freqüência cardíaca do corredor.

Neste próximo maio deverá ser publicada a tão esperada versão nova do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM). O DSM é a bíblia dos profissionais da área psiquiatria que lista diferentes categorias de transtornos mentais e os critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA). Porém, seu conteúdo á alvo de muitas polêmicas.
Um das principais críticas à nova classificação é o transtorno de sintoma somático, um novo diagnóstico que pode rotular milhões de pessoas como doentes da mente. Ele substituirá o antigo transtorno somatoforme da atual classificação que exige que sejam excluídas quaisquer explicações médicas para os sintomas. Além disso, é discutível a validade do diagnóstico que tem um índice de falsos positivos de 7%. De acordo com estudos preliminares, o transtorno pode ser diagnosticado em 15% de pacientes cardíacos ou oncológicos. Será que é isso tudo mesmo?
O fato é que a nova classificação abrirá espaço para muitos novos diagnósticos, mais pessoas serão classificadas como doentes da mente. Inflação de patologias, medicalização da experiência humana.
Será que chegaremos ao ponto de dizer que todo mundo é portador de pelo menos uma doença?
O termo medicalização define o fenômeno em que um comportamento ou uma condição física ou mental passa a ser tratado como se fosse um problema médico, recebendo um rótulo de doença e opções de tratamento.
O centro da discussão quando se fala em medicalização é a força da indústria farmacêutica nesse processo que impulsiona a sociedade civil, profissionais de saúde, órgãos do governo e a mídia a retroalimentarem a cultura de que todo organismo vivo da espécie sapiens, a princípio, deve ter alguma doença ou precisa de algum remédio. Todos esses atores têm seu papel na medicalização.
Ouço às vezes no consultório jovens dizendo coisas do tipo: “Já fiz check up com o cardio, com o gastro, agora só falta o neuro”. Mas afinal, que tipo de check up as pessoas realmente devem fazer? Vale a pena fazer um Check up neurológico?
Elenco a seguir três questões que freqüentemente despertam a vontade de fazer um check up neurológico.
Testes genéticos que podem demonstrar uma maior chance de desenvolver doença de Alzheimer no futuro?
Alguns genes estão associados a um maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer, mas nem por isso faz sentido realizar testes genéticos para sabermos se nosso risco é um pouco maior do que o de outras pessoas. Os resultados não vão mudar em nada as orientações para prevenção da doença. Esse tipo de teste ainda só é recomendado para fins de pesquisa.
Todo mundo poderia fazer exame para descartar aneurisma cerebral? Qual é o custo benefício?
Atualmente recomenda-se que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado – 50 vezes maior. Entretanto, a relação custo-benefício muda de acordo com o nível de medo que cada indivíduo tem de apresentar um aneurisma cerebral. Em algumas situações, quando a apreensão é muito grande, pode valer a pena fazer uma investigação mesmo que o indivíduo não tenha qualquer antecedente familiar.
Para a prevenção de derrame cerebral, o estudo das carótidas vale a pena?
Placas de aterosclerose das artérias carótidas são a principal fonte de derrame cerebral e a recomendação atual é que o estudo dessas artérias deve ser feito naquelas pessoas que tem pelo menos dois fatores de risco para derrame cerebral (hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia, síndrome metabólica).
Resultados falso-positivos levam à ansiedade, novos exames que não raramente são invasivos e, por vezes, até cirurgias desnecessárias. A isso se dá o nome de iatrogenia que é a contra-mão do que o pai da medicina Hipócrates deixou como princípio ético – primum non nocere (em primeiro lugar, não fazer mal). Check ups para pessoas assintomáticas só devem ser realizados quando existem evidências de que os benefícios são maiores que os danos. Isso não quer dizer que as pessoas devem deixar de ir ao médico ou ao dentista pelo menos uma vez ao ano, especialmente após os 40 anos.
Nos tempos de hoje, os médicos já não precisam cuidar só dos doentes, mas também das pessoas saudáveis. Estamos sempre vulneráveis a sermos rotulados como portadores de alguma disfunção ou transtorno.
O periódico especializado British Journal of Sports Medicine publicou nesta última semana uma pesquisa que demonstra que a atividade física moderada ou intensa, mesmo que de curta duração, tem o poder de nos deixar mais centrados, com melhor controle das emoções.
Pesquisadores holandeses avaliaram os principais estudos que investigaram o impacto do exercício físico sobre funções cerebrais superiores como memória, concentração, planejamento e tomada de decisões. A análise foi feita em três diferentes faixas etárias: 6-12 anos, 13-17 anos e 18-35 anos. Foram incluídos 24 estudos que envolveram quase mil voluntários.
Os resultados apontaram que exercícios moderados ou intensos de curta duração (10 a 40 minutos) promovem aumento do autocontrole psíquico nas três faixas etárias estudadas, especialmente sobre a capacidade de inibir a impulsividade. O aumento do aporte de sangue e oxigênio para as regiões mais frontais do cérebro (córtex pré-frontal) pode explicar esse efeito. Outros estudos também têm mostrado que o exercício melhora o desempenho cognitivo dos idosos.
A atividade física dispara imediatamente uma série de substâncias no sangue que estimulam a secreção de neurotransmissores no cérebro. Entre essas substâncias estão a endorfina, vasopressina, hormônio corticotrófico e catecolaminas. No longo prazo, a prática regular de exercícios estimula a produção de fatores neurotróficos que favorecem a criação de novos vasos sanguíneos e neurônios, além de mudanças estruturais nas sinapses e ramificações dos neurônios. E mais: esses efeitos plásticos chegam a promover o aumento de áreas cerebrais que vão além daquelas responsáveis pelo movimento, mudanças que podem estar associadas aos efeitos positivos da atividade física sobre a cognição.

O que é felicidade? Pensadores de todas as épocas matutaram bastante sobre a melhor definição dessa tal felicidade. São incontáveis as definições, mas uma que pode nortear bem nossa conversa é a seguinte: as pessoas são mais felizes quando têm um dia a dia com predomínio de emoções positivas e também estão satisfeitas com o curso da própria vida.
Pesquisas realizadas com gêmeos têm demonstrado que existe sim um componente genético da felicidade. Cada um tem um nível básico de felicidade, maior em alguns, menor em outros. Essa influência genética pode ser comparada à tendência que algumas pessoas têm em estar sempre com o peso corporal em dia, independente dos altos e baixos da vida. Outros nem tanto.
Esse perfil genético pode corresponder a 50% do grau de felicidade de uma pessoa, outros 10% têm a ver com as circunstâncias da vida (ex: inserção profissional e estado de saúde), e ainda temos uma margem de 40% daquilo que podemos exercitar para termos percepção que estamos mais felizes.
Atividade física faz bem ao corpo e à mente e hoje as pessoas falam com muita naturalidade sobre força, resistência, exercícios para as pernas, braços, abdome, etc. Existe outro tipo de “malhação” que realmente incrementa nosso estado de felicidade de forma mais sustentada. Outros músculos, outras resistências, um FITNESS de FELICIDADE, com ou sem personal trainer. E isso funciona num círculo virtuoso – quanto maior a regularidade dos exercícios, maior a percepção de felicidade. E quanto maior o estado de felicidade, maior a disposição para os exercícios. Isso é fácil? É preciso MOTIVAÇÃO, ESFORÇO e COMPROMETIMENTO, da mesma forma que um treinamento para os músculos do corpo.
E qual é a melhor série de exercícios, qual o melhor treino? Boas doses de OTIMISMO, ALTRUÍSMO e a GRATIDÃO são reconhecidas como caminhos dos mais férteis para ficar “sarado” de felicidade. Além disso, para seguirmos a vida satisfeitos com seu curso, precisamos navegar. O filósofo Sêneca nos deixou o famoso pensamento: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.
Alguém poderia perguntar: mas qual é a vantagem de ser feliz?
O estado de felicidade traz repercussões positivas não só ao indivíduo, mas à sua família, comunidade e à sociedade de forma mais ampla. Pessoas mais felizes têm melhor desempenho profissional e melhores oportunidades, têm mais sucesso nas relações interpessoais, mais energia e saúde, o que inclui um melhor perfil imunológico, menor nível de estresse e maior longevidade. Pessoas mais felizes são mais criativas, autoconfiantes, altruístas e generosas, têm o hábito de praticar atividade física e são mais espiritualizadas e religiosas. Pouca coisa, hein?
.
Jovens e idosos dizem que a leitura de uma folha de papel é mais agradável e legível do que em versões eletrônicas. Porém, entre os idosos, o cérebro faz menos esforço lendo num tablet do que num leitor de livro digital ou numa folha de papel. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores alemães e publicado esta última semana no periódico PLoS ONE.
Dois grupos de voluntários, jovens (25.7 anos em média) e idosos (66.8 anos em média), foram monitorados enquanto liam um mesmo conteúdo de três formas diferentes: folha de papel, iPad e Kindle. A atividade cerebral que reflete o esforço mental para uma atividade foi monitorizada pelo eletrencefalograma enquanto os movimentos dos olhos e seu tempo até a fixação na leitura também eram medidos.
Após a experiência, jovens e idosos acharam a experiência com a folha de papel mais agradável e legível do que com os aparelhos. Entre os jovens, o esforço mental e rapidez de fixação do olhar não foram diferentes nas três diferentes formas. Já entre os idosos, esses parâmetros foram mais fáceis quando a leitura era feita no iPad, contrariando a resposta que deram no questionário.
Um forma de explicar esses resultados é o fato do iPad ter um melhor contraste entre o texto e o fundo. Para os jovens isso não faz diferença, mas para os idosos pode ser um empurrãozinho relevante. Mas, porque mesmo assim eles respondem que o livro foi mais agradável? Desconfiança de novas tecnologias? Provavelmente aí existe um forte fator cultural.
.
É bem ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos e é mais comum entre as mulheres. Essas cicatrizes aparecem na ressonância magnética como pontinhos brancos e são chamadas por alguns de cabelos brancos do cérebro. Quem é que ultrapassa cinco ou seis décadas de vida sem qualquer cabelo branco?
No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.
O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões? São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.
** Esta semana, o periódico oficial da Academia Americana de Neurologia publicou uma pesquisa que mostra que mulheres na transição da menopausa passam a ter mais dessas lesões no cérebro quando têm no sangue maiores concentrações de micropartículas de plaquetas, sugerindo que a aspirina pode também ser uma arma para conter a progressão dessa condição neurlógica. Isso já está sendo testado. Possivelmente a aspirina venha a ser um companheiro na vida de quase todas as mulheres após certa idade, e por que não também dos homens? Essa é uma hipótese que toma ainda mais corpo quando pensamos nos resultados da aspirina na redução da incidência de vários tipos de câncer.
.
Não tem festa ou época do ano em que o “clima de paquera” seja maior que no carnaval. Atrás do trio elétrico e nos salões a folia no carnaval tem uma combinação de fatores que estimulam a sexualidade humana. E é claro que o cérebro é o maestro dessa experiência.
Corpos mais expostos e suados, além do estímulo visual, podem influenciar o cérebro através dos feromônios. Na maioria dos mamíferos, os níveis hormonais são influenciados por sinais químicos externos, que são esses tais feromônios.
Uma das evidências de que esse sistema também atua na espécie humana é a de que a convivência entre mulheres está associada a uma sincronia de seus ciclos menstruais, fato observado também em roedores. Ainda existe muito debate se esse é um sistema relevante para a espécie humana, e recentes estudos têm confirmado que nossos níveis hormonais podem ser influenciados pelos odores das pessoas ao nosso redor. O candidato a feromônio humano mais estudado até o momento é o hormônio androstadienona presente na saliva, sêmen e suor dos homens.
A androstadienona é capaz de influenciar o humor, nível de alerta, e atividade cerebral tanto nas mulheres, como entre homens com orientação homossexual. Uma recente pesquisa revelou que mulheres que cheiravam a androstadienona pura tiveram seus níveis de hormônio corticóide elevados após 15 minutos e com duração de até 60 minutos. Pode-se até supor que esse aumento nos níveis de corticóide poderia dar mais energia para os foliões, mas isso é só especulação. Há evidências também de que os feromônios podem anunciar a presença de parentes e comunicar estados de ânimo como o estesse e o medo.
Se, por um lado, os feromonios humanos ainda são um tema polêmico, por outro, conhecemos bem o papel dos neurotransmissores no fenômeno da atração sexual. As regiões cerebrais ativadas são muito parecidas com aquelas envolvidadas ao nos deliciarmos com um alimento saboroso como um chocolate – o sistema de recompensa cerebral. Os principais combustíveis dessas reações são a dopamina, ocitocina e vasopressina. Além das regiões do cérebro que se “acendem”, sabemos também que outras áreas se “apagam”, e essas são regiões vinculadas à função do medo (amígdala) e regiões associadas à nossa crítica, juízo de valores, nosso “superego” (ex: lobo frontal). Vale lembrar que o álcool também apaga essas áreas, deixando o cérebro mais “valente”, o que para muitas pessoas é um combustível necessário para “chegar junto” na hora da paquera. Entretanto, o álcool está associado também a um comportamento de sexo sem proteção.
Aqueles que estiverem livres para a paquera no carnaval podem abusar da dopamina e dos feromonios, mas a bebida é melhor com moderação.
Nesta última quarta-feira estreamos a nova coluna na Rádio CBN Brasília – CUCA LEGAL .
Não faz muito tempo que o conhecimento cerebral era limitado ao estudo de cérebros danificados, e a partir do que era perdido, construía-se o conhecimento da função de um cérebro normal. Em humanos, isso só podia ser feito em necropsias. As inúmeras tecnologias modernas, especialmente as de neuroimagem, abriram janelas gigantes para o entendimento do funcionamento cerebral.
Hoje entendemos o cérebro infinitamente mais do que há 20 anos e a proposta do CUCA LEGAL é trazer aos ouvintes da CBN pílulas de conhecimento sobre esse órgão que nos faz pensar, sentir e agir. O cérebro é o nosso órgão de relação. É ele que noz interagir com o meio.
Resultados de pesquisas recém-saídas do forno nas áreas de neurociências e psicologia serão compartilhados, especialmente daquelas que têm relação com nosso cotidiano. Além disso, vamos tratar das principais doenças neurológicas e psiquiátricas que afetam a existência humana.
Temas que podem parecer difíceis e distantes da nossa realidade podem ser bem LEGAIS quando se usa bom senso e bom humor. Essa é a proposta do CUCA LEGAL! Entender melhor o cérebro é como olhar-se no espelho, e às vezes só o espelho nos mostra que estamos com um feijão entre os dentes que ninguém nos avisou.
CUCA LEGAL com o neurologista Ricardo Teixeira – todas as quartas e sextas-feiras às 11:00h na Rádio CBN Brasília
O que é?
É uma condição psiquiátrica comum que afeta 4-7% da população. Caracteriza-se por um estado de preocupação crônica, exagerado e incontrolável associado a sintomas como agitação, tremores, suor, palpitações, fadiga, tensão muscular e dificuldades para dormir e se concentrar. É mais comum nas mulheres (7%) do que nos homens (4%) e a faixa etária mais acometida está entre os 45 e 59 anos. Fatores genéticos e ambientais estão envolvidos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e é feito quando os sintomas acontecem na maior parte do tempo, por pelo menos seis meses, em diferentes situações. É muito comum os pacientes darem mais atenção aos sintomas somáticos, o que leva à procura de várias especialidades médicas, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. Por outro lado, não se deve esquecer que condições clínicas, como o hipertiroidismo, devem ser descartadas, pois podem provocar sintomas comuns do TGA.
Além de concorrer com o bem estar, quais são as outras repercussões desse problema?
O TGA traz prejuízos à vida social, familiar e profissional. Um estudo chegou a demonstrar que quase 40% daqueles que sofrem desse transtorno perdem seis dias por mês de trabalho, por absenteísmo ou por ineficiência mesmo. Além disso, algumas condições psiquiátricas são mais comuns em quem apresenta TGA, as chamadas comorbidades. Até 60% podem apresentar também depressão, quase 40% consomem álcool em excesso, e uns 30% têm transtorno de ansiedade social. Doenças cardíacas, respiratórias e endocrinológicas também são mais comuns em quem sofre com TGA.
Quais são as opções de tratamento?
Psicoterapia é uma das melhores armas contra o TGA, e a mais estudada é a cognitivo-comportamental. Essa técnica envolve a terapia cognitiva que promove um alinhamento das crenças do paciente à realidade, corrigindo distorções, junto à terapia comportamental, que irá promover o enfrentamento ou evitação de situações críticas.
Vários outros métodos de psicoterapia podem ser eficazes. Além disso, atividade física regular, higiene do sono, meditação e até os livros de auto-ajuda podem fazer a diferença.
Quando é que as medicações são necessárias?
As medicações passam a ser imprescindíveis quando o TGA passa interferir de forma significativa na vida profissional ou escolar, na vida familiar ou social. As medicações mais indicadas são os antidepressivos como a sertralina que devem ser usadas por um ano em média. Os benzodiazepínicos geralmente são usados para crises de ansiedade ou nos primeiros 30 dias de tratamento, período em que o antidepressivo ainda não alcançou seu efeito pleno.
É recomendável evitar uso de nicotina e o excesso de álcool e cafeína.
É muito comum os médicos recomendarem aos seus pacientes que sofrem de enxaqueca que evitem a todo custo uma lista de estímulos como é o caso do estresse, locais muito iluminados e esforço físico intenso. Isso pode ter seu lado negativo, já que algumas pessoas podem chegar a evitar qualquer tipo de atividade física.
Pesquisadores da Universidade de Copenhagen acabam de publicar uma pesquisa no periódico oficial da Academia Americana de Neurologia mostrando que esses fatores parecem não fazer tanta diferença assim na vida de quem tem enxaqueca.
A pesquisa envolveu cerca de 30 pacientes com enxaqueca com aura, que é o tipo de enxaqueca que vem acompanhada de sintomas neurológicos como flashes luminosos, alteração da sensibilidade de um lado do corpo ou até mesmo dificuldade em falar. Todos os voluntários tinham a percepção de que o exercício vigoroso ou exposição a muita luz eram fatores desencadeantes de suas crises de enxaqueca. Eles foram então expostos a esses estímulos para ver o quanto realmente provocavam uma crise e isso foi feito com uma prova de bicicleta de uma hora que alcançava 80% da freqüência cárdica máxima e exposição a luz intensa e com piscamento por 30-40 minutos.
Apenas 11% dos participantes do estudo apresentaram uma crise de enxaqueca após os testes. Nenhum deles apresentou crise após o estímulo visual isolado. Esta foi a primeira vez que um estudo experimental de provocação de crises foi conduzido e os resultados apontam que as orientações ao paciente com enxaqueca podem ser menos radicais quando o assunto é exposição aos famosos estímulos ambientais que podem nem ser tão malvados assim.





















