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O Facebook revolucionou em pouquíssimo tempo a forma como as pessoas interagem umas com as outras. Já são mais de um bilhão de usuários sendo que metade deles conecta-se diariamente!

 

Já foram realizados alguns estudos com a intenção de avaliar o impacto do Facebook sobre o bem estar psíquico dos usuários, mas os resultados são conflitantes. Nenhum desses estudos permitiu uma análise desse efeito ao longo do tempo, o que seria a metodologia ideal, ajudando a esclarecer a velha pergunta do “o ovo ou a galinha veio primeiro”.

 

Esta semana o prestigiado periódico PLoS ONE publicou o primeiro estudo prospectivo sobre a influência do Facebook na satisfação com a vida e felicidade. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA estudaram 82 voluntários com 19 anos de idade em média e usuários do Facebook e smartphones. Por um período de duas semanas eles recebiam 5 vezes por dia um questionário pelo celular com cinco questões:

* Como você se sente neste exato momento?

* O quanto você está aflito(a) agora?

* O quanto você se sente solitário (a) agora?

* O quanto você ficou conectado (a) no Facebook desde a última vez que você respondeu a este questionário?

* O quanto você interagiu com outras pessoas de forma presencial ou por telefone desde a última vez que você respondeu a este questionário?  

Os resultados mostraram que, quanto mais as pessoas usavam o Facebook, pior elas se sentiam no período subseqüente.  Quando se comparou o grau de satisfação com a vida no início e no fim do estudo através de escalas bem validadas, foi detectada uma piora proporcional ao tempo que as pessoas ficavam conectadas.  Por outro lado, quanto mais as pessoas interagiam de forma direta (presencial ou telefone), melhor elas se sentiam.    

Para decifrar o enigma da propaganda do biscoito – fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho, os pesquisadores demonstraram que os voluntários não usavam mais o Facebook quando estavam se sentindo mal. Além disso, apesar das pessoas terem se conectado mais quando se sentiam mais sozinhas, esse fator teve sua importância independente do Facebook em relação ao bem estar. 

Novos estudos precisam ser conduzidos para encorpar esses resultados, mas o Facebook não parece ser só um bode expiatório nessa história. E por que ele teria o poder de concorrer com o nosso bem estar? Porque rouba o tempo de outras atividades que nos fazem bem como a atividade física? Porque deflagra comparações perniciosas? Muitas perguntas ainda estão no ar.

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CBN-RICARDO[1]

 

 

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Não é raro as pessoas queixarem-se de que naquele tal dia o cérebro não estava ajudando muito enquanto em outros não deixou nada a desejar. Será que nosso desempenho cognitivo flutua mesmo? A idade pode fazer diferença?

 

Para tentar responder a essas questões, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha conduziram um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Psychological Science e que apontou que existe, mas é muito discreta, uma variabilidade do desempenho cognitivo num mesmo dia e também dia após dia. Essa variabilidade é menor ainda entre os idosos.

 

Os pesquisadores testaram mais de 200 voluntários separados em dois grupos com idades de 20 a 31 anos e de 65 a 80 anos. Os testes incluíam velocidade de percepção, memória episódica, memória de trabalho e foram repetidos em 101 diferentes sessões em média. O desempenho cognitivo dos idosos foi menor do que o dos jovens, mas foram mais regulares ao longo dos dias. Essa maior regularidade pode ser explicada por menos eventos estressantes, humor mais estável, maior aprendizado de estratégias para resolução de problemas e maior motivação.

 

Os resultados são importantes por reforçar o valor que indivíduos mais velhos têm na força de trabalho. Já é bem reconhecido que algumas qualidades estão fortemente associadas à experiência. Um estudo realizado numa fábrica de automóveis pelos mesmos autores da atual pesquisa mostrou que erros graves eram cometidos menos freqüentemente pelos mais velhos.

 

O envelhecimento cerebral normal provoca discretas perdas, muito pequenas se comparadas à riqueza de conexões neuronais que um indivíduo forma no decorrer da vida. O cérebro humano, ao envelhecer, compensa as pequenas perdas com a experiência adquirida. Tem mais repertórios para tomas decisões mais acertadas.

 

 

CBN RICARDO

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Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.

Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.

Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.

A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.

Esta última semana tivemos mais uma pista que ajuda a entender porque uma pessoa que sofre de enxaqueca com aura tem mais chance de sofrer um derrame cerebral.

Pesquisadores americanos demonstraram que essas pessoas têm a rede de vasos sanguíneos incompleta, especialmente nas regiões mais posteriores do cérebro. Foram estudados 170 voluntários com e sem enxaqueca através de angiografia e ressonância magnética. O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.

Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam também o fenômeno da aura, que é um aviso de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente apresenta-se como sintomas visuais – visão de pontinhos luminosos, flashes em ziguezague, falha no campo visual. Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e, mais raramente, como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura, o cérebro é acometido por uma breve onda de excitação, seguida imediatamente de uma onda de depressão de sua atividade elétrica de forma mais sustentada. Esse componente elétrico é acompanhado de breve dilatação dos vasos, seguida por constrição e, consequente, redução do fluxo sanguíneo. Esse fenômeno também é demonstrado em pessoas com enxaqueca que não experimentam sintomas da aura.

Existem outras explicações para a relação entre enxaqueca com aura e derrame cerebral:

Aterosclerose e sangue com maior tendência à coagulação

Alterações cardíacas

Redução do calibre dos vasos durante a crise de enxaqueca

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Um estudo publicado esta semana no prestigiado periódico Current Biology apontou que temos uma tendência a dormir menos no período da lua cheia.

Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono. A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, numa mesa de bar e na lua cheia, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.

Dito e feito. A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos.  Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.

Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo realizado entre quatro paredes. A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos.  Isso pode ter representado uma vantagem evolutiva ao fazer com que caçadores e coletores dormissem menos para aproveitar a luminosidade generosa da lua cheia.

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Já é bem sabido que o hábito de fumar aumenta o risco de demência, mas os mecanismos para esse efeito nocivo do cigarro ainda não são bem conhecidos. Um maior contingente de lesões vasculares sempre foi o principal candidato para explicar essa associação, mas recentemente tivemos evidências de que a questão envolve não só os vasos sanguíneos.

 

Pesquisadores holandeses demonstraram que o tabagismo está associado a alterações da substância branca do cérebro através de análise por técnicas de ressonância magnética sensíveis a alterações microestruturais . Mais importante ainda foi o achado de que essas alterações já não estavam mais presentes entre indivíduos que já não fumavam há 20 anos ou mais. Alem disso, aqueles que ainda mantinham o vício apresentavam pior desempenho cognitivo do que os ex-fumantes.

 

Outro recente estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.

 

Maço de cigarros sem logotipo pode ajudar a parar de fumar

Já é bem demonstrado o impacto positivo que têm as imagens associando o tabagismo a problemas da saúde, sejam nos maços de cigarro ou em peças publicitárias como cartazes. Cerca de um quarto dos ex-fumantes declara que essas imagens ajudaram na decisão de largar o vício e a não voltar a fumar. Além disso, as imagens ajudam a reduzir a incidência de novos fumantes.

 

 

A Austrália foi além. Foi o primeiro país a regulamentar que as diversas marcas de cigarro deveriam ser identificadas no maço por uma fonte padrão em um fundo escuro com 75% da frente do maço reservado a imagens de alerta. Esta semana o British Meidcal Journal publicou os primeiros resultados dessa experiência mostrando que a iniciativa fez com que os tabagistas passassem a achar que os cigarros não davam o mesmo prazer de antes e também passaram a pensar mais na decisão de parar de fumar.

 

Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e ainda representa a principal causa de morte evitável em muitos países. O que as pesquisas têm demonstrado é que os não fumantes e ex-fumantes, além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com maior qualidade de vida e com um cérebro mais afiado.

 

Calcula-se que, dos milhões de pessoas que morrem todo ano por causa do cigarro, 10% nunca colocaram um cigarro na boca – só respiraram a fumaça dos outros.

 

 

 

 

 

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Como você usa o tempo em que você se comunica com as outras pessoas? Será que na maior desse tempo você fala de si mesmo? Na verdade, as pessoas gastam 30-40% do tempo de conversa falando de si mesmas e nas plataformas de mídias sociais isso chega aos 80%. Por que as pessoas falam tanto assim do próprio umbigo? A neurociência tem demonstrado que a resposta não é tão complicada: é porque dá barato ao cérebro.

Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram recentemente cerca de 200 voluntários que, enquanto seus cérebros eram mapeados pela ressonância magnética funcional. deveriam falar ou de si mesmos, da própria personalidade, ou dos outros (ex: presidente Obama). Áreas do cérebro conhecidas como sistema de recompensa cerebral foram ativadas mais fortemente quando os participantes da pesquisa falavam deles mesmos. Esse sistema é ativado quando fazemos algo que merece ser repetido como escutar uma boa música, comer um pedaço de chocolate, fazer sexo, etc.

Os pesquisadores foram além. Queriam saber se essa ativação seria ainda maior se houvesse plateia. Conduziram então um segundo experimento, só que dessa vez o voluntário passaria a falar na presença de um amigo ou parente. Bingo! A hipótese foi confirmada. Falar de si mesmo para os outros ativou ainda mais o sistema de recompensa.

E qual seria uma boa explicação para que, na evolução da espécie, o cérebro passasse a ter prazer em expor nossa vida aos outros?

1- incremento das ligações interpessoais e rede social – só isso já é uma vantagem evolutiva e ainda promove o sentimento de felicidade

2- feedback – críticas podem ajudar o crescimento pessoal

3- responsabilidade compartilhada de uma memória

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Pesquisadores japoneses publicaram um estudo esta semana na revista Frontiers in Psychology em que demonstraram que uma música considerada triste pode evocar emoções positivas.

 

 

A pesquisa recrutou 44 voluntários para ouvir três peças clássicas ocidentais desconhecidas: duas tristes (tonalidade menor) e outra alegre (tonalidade maior). Parte dos voluntários era formada por músicos e outra por não músicos. Depois de ouvir cada peça musical eles respondiam a um questionário padrão que avaliava o quão triste ou alegre eles percebiam a música e também descreviam o estado emocional em que se encontravam.

 

Os resultados mostraram que as pessoas podiam perceber a música como triste, mas a experiência emocional era de sentimento de romantismo e leveza. Tinham também sentimentos negativos, mas numa intensidade bem menor que a declarada na análise da percepção consciente da música. O fato de o voluntário ser músico não fez diferença nos resultados.

 

Do ponto de vista cognitivo, as pessoas percebem a música como triste, mas a experiência emocional vai muito além. Traz também sentimentos positivos. Uma música triste pode até aliviar emoções negativas da vida real.

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Uma pesquisa publicada ontem pelo prestigiado periódico The Lancet mostrou que as pessoas que têm hoje 90 ou mais anos de idade têm melhor desempenho cognitivo do que aqueles da mesma idade nascidos há dez anos.

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e envolveu quase quatro mil voluntários divididos em dois grupos – nascidos em 1905 e nascidos em 1915. Todos eles foram submetidos a testes cognitivos e entrevistas para detecção de transtornos psiquiátricos e avaliação da saúde geral. O grupo nascido em 1915 tinha 32% mais chance de alcançar os 95 anos do que o nascido em 1905 e ainda apresentavam melhor desempenho cognitivo. Esses resultados são compatíveis com resultados de pesquisas semelhantes realizadas nos EUA, mas existem também estudos não concordantes, mas numa faixa etária menor.

Fatores que podem explicar os resultados: melhora no padrão nutricional e de assistência médica, menor incidência de doenças infecciosas, maior estímulo intelectual e melhores condições gerais de vida. O estudo desafia o pensamento de que o aumento da longevidade tem como frutos idosos com muito comprometimento em suas atividades de vida diárias. Isso é bastante encorajador. Se na Dinamarca dez anos já fazem diferença, imagine o impacto das melhorias das condições de vida em um país como o Brasil.

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Não é só na capacidade de lembrar da data do aniversário de casamento que as mulheres deixam os homens para trás. Mulheres têm mais facilidade que os homens em reconhecer o rosto de uma pessoa e isso se dá porque elas analisam as características do rosto por mais tempo. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Psychological Science, jornal da Associação de Ciência Psicológica.

Pesquisadores da Universidade McMaster no Canadá utilizaram a tecnologia de rastreamento visual para identificar o comportamento do olhar frente a uma tela de computador com diversos rostos e seus respectivos nomes. De forma inconsciente, as mulheres fixavam por mais tempo o olhar nos olhos, nariz e boca e em um segundo momento conseguiam associar melhor a fisionomia com o nome de cada figura. Os achados ajudam a entender por que algumas pessoas lembram-se mais facilmente da fisionomia de uma pessoa, mesmo após um único encontro.

Essa mesma tecnologia é utilizada por publicitários e designers para entender qual parte de uma imagem ou objeto tridimensional as pessoas fixam mais o olhar. Além disso, muitas pesquisas estão em andamento para identificar padrões dos movimentos oculares característicos em algumas condições neuropsiquiátricas como o autismo, déficit de atenção e Doença de Parkinson.

Mulheres e homens também apresentam algumas diferenças quando a tarefa é orientação espacial.  Temos dois sistemas neuronais que se complementam para esse fim. Um deles usa pistas visuais, como placas de trânsito, árvores, etc. O outro usa direção e distância. Os homens tendem a se guiar mais por direção e distância e as mulheres por pistas visuais. No mato, os homens têm menos chance de se perder, mas, em compensação, no shopping as mulheres são imbatíveis.

 

Placebo não é simplesmente pílula de farinha. No dia a dia da prática clínica, os médicos, às vezes, lançam mão de vitaminas e analgésicos que não têm ação específica para a condição clinica específica do paciente e discute-se muito se essa prática é ética.  As diretrizes de ética médica nos EUA proíbem seu uso sem que o paciente tome conhecimento, com o argumento que a prática pode enfraquecer a relação médico-paciente. No Brasil, o código de ética médica não ampara o uso do placebo sem o conhecimento do paciente.

Uma pesquisa publicada nesta última semana pelo British Medical Journal revelou que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.

Ao invés de pílula de farinha, que tal pílula de carinho?

Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido é o efeito placebo.

Para ter idéia do poder de uma consulta médica em que o médico demonstra empatia, veja os resultados desta pesquisa:

Três tipos de tratamento foram oferecidos a pacientes com o diagnóstico de síndrome do intestino irritável: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:

* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;

* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a doença tem sido difícil para você);

* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);

* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;

* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência e bons resultados com este problema).

Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas?

A resposta foi sim em:

*  em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)

*  em 44% dos pacientes do grupo 2  (acupuntura placebo)

*  em 62% dos pacientes do grupo 3

    (acupuntura placebo + atendimento padronizado)

Não é que a pílula de carinho é poderosa mesmo?

Você trocaria seu atual trabalho por outro com maiores rendimentos, mas que lhe exigisse ficar menos tempo com a família? Se você pensou três vezes antes de responder, não se sinta culpado. Uma enquete nos EUA apontou que dois terços das pessoas certamente ou muito provavelmente topariam essa troca.

Mais dinheiro para quê?

Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.

Será que essas pessoas serão mais felizes ao subir um degrau na sua capacidade de consumo?  Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades básicas, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade para a cabeça. Outros autores têm contestado essa tese mostrando que não existe um ponto de saturação a partir do qual mais dinheiro não traz mais felicidade. Entretanto, esses estudos não avaliam o mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida financeira.

Padrões de consumo em nível subconsciente e até mesmo comparações conscientes com a “grama do vizinho” fazem com que as pessoas vivam a ilusão de que o dinheiro trará mais felicidade. Imagine um cenário em que as pessoas ao seu redor comecem a ganhar mais dinheiro e você continue no ritmo de sempre. Mesmo que o seu ganho seja superior às suas necessidades,  essa desvantagem pode incomodar.

Dinheiro pode intoxicar?

Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, a coisas mais simples.  O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boa antes de engolir.  Os voluntários dessa pesquisa ainda relataram menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizaram imagens neutras.

 Gastar direito pode ajudar

Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”.  Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.   

** vale sempre lembrar o outro lado da moeda: felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro.   

 

 

 

Pesquisadores americanos da Universidade de Minnesota demonstraram esta semana que os pais que falam sobre controle de peso com seus filhos podem até piorar os hábitos alimentares dos jovens. Conversar sobre alimentação saudável parece ser a melhor tática independente de o adolescente estar ou não acima do peso.

 

A pesquisa envolveu cerca de 3500 pais e 2500 adolescentes com uma média de idade de 14 anos. Os resultados mostraram que 66% das mães e 62% dos pais de adolescentes sem sobrepeso tinham conversas sobre controle de peso ou dieta saudável com seus filhos comparados a 80% e 77% no caso de adolescentes com sobrepeso.

 

Quando se fala em conversas sobre controle de peso estamos falando em discutir o peso e aparência do adolescente e/ou a importância de mudar o padrão alimentar para perder peso. A pesquisa mostrou que esse tipo de conversa só fez aumentar a chance de comportamentos pouco salutares como a compulsão alimentar e esse efeito teve um impacto ainda maior entre os adolescentes com sobrepeso.  

 

Como o estudo não foi prospectivo, não é possível garantir que exista uma relação causa e efeito entre o comportamento alimentar e o tipo de abordagem dos pais. Entretanto, os resultados corroboram pesquisas anteriores que mostram que os pais devem ser educados a evitar conversas sobre controle de peso com seus filhos, especialmente quando já estão acima do peso.

 

O estudo foi publicado esta semana pelo JAMA Pediatrics, periódico da Associação Americana de Medicina.

 

 

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Não é raro as pessoas fazerem simpatias para atrair a sorte em situações de ansiedade e incerteza. É como se fosse um aquecimento mental, um jogo-treino que pode ajudar a reduzir a insegurança da situação. Esses ensaios têm roteiros às vezes muito estranhos, mas a ciência tem demonstrado que eles não devem ser vistos como meras tolices. Podem influenciar como as pessoas sentem, pensam e se comportam.

Um experimento recente mostrou que brincar de golfe com bolas supostamente mágicas, especiais, leva a mais acertos do que quando o voluntário joga com bolas “normais”.  O desempenho em testes motores refinados também é melhor quando o voluntário é informado de que o examinador está “torcendo os dedos” por ele.  Esses rituais supersticiosos promovem uma maior autoconfiança e ganhos na capacidade executiva e de atenção.

Essas simpatias são muito presentes na vida dos atletas. Alguns chegam a comer o mesmo alimento e acordam rigorosamente no mesmo horário no dia de cada competição. Rituais também são comuns quando se perde um ente querido. Um estudo demonstrou que as pessoas que vivenciaram o luto com rituais, como ouvir uma música que remete a lembrança do falecido, mostravam menos sofrimento com a perda. Também já foi demonstrado que rituais aliviam o sofrimento de perdas em situações mais mundanas como um prejuízo financeiro. Uma pesquisa brasileira apontou que as simpatias são mais eficazes quando têm vários passos a cumprir, quando têm procedimentos repetitivos e quando existe um limite de tempo para cumprir o trabalho. Mais difíceis, maior o empenho, mais resultados.

Não existem evidências de uma relação causa e efeito entre a simpatia e os resultados esperados, mas o fato é que alguns desses rituais podem fazer alguma diferença sim. O outro lado da moeda é o transtorno obsessivo compulsivo que costuma ter exageros de simpatias e superstições que acabam funcionando como um freio de mão na vida.

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Esta semana o periódico JAMA publicou uma pesquisa que apontou que a música pode amenizar a ansiedade de pacientes que estão na UTI e que precisam de aparelhos para respirar. O estudo mostrou também que os pacientes que tiveram a experiência da música na UTI precisaram de menos medicações sedativas.

Em 2008, outro estudo publicado pela revista inglesa Brain mostrou de forma inédita que a música pode colaborar na reabilitação de pacientes com derrame cerebral na fase aguda. Cada paciente recebia um CD player portátil e CDs com músicas de sua preferência, qualquer que fosse o estilo musical, e tiveram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental.

Uma série de estudos também já foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e os resultados são muito encorajadores.  Música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor.

E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. A música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada a um procedimento médico. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.

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Rir é bom, mas rir de tudo é desespero

Frejat

É comum as pessoas se sentirem culpadas e até envergonhadas por manifestarem emoções negativas. Cultivar as emoções positivas é fundamental, mas viver 24h dando risada para todos os lados pode não ser tão interessante para nosso equilíbrio psíquico. Raiva e tristeza fazem parte da vida de qualquer um e pesquisas têm apontado que aceitar que essas emoções participem do nosso dia a dia, desde que bem dosadas, pode ser vital para nossa saúde mental.

Se estiver com raiva, é melhor falar.

Uma pesquisa publicada esta [ultima semana pelo periódico PLoS ONE demonstrou que o ato de descrever o sentimento de raiva é capaz de reduzir seus efeitos no sistema cardiovascular. Voluntários foram submetidos a um teste em que o examinador era treinado a provocar o sentimento de raiva através de feedbacks negativos, sugerindo que o desempenho estava sendo ruim. Uma parte deles era instruída a relatar durante o teste a experiência psicológica que estava passando e estes demandaram menos esforço do coração do que aqueles que simplesmente engoliram os sapos.

Indivíduos em processo de psicoterapia, e que fora da sessão têm um discurso com uma  composição de emoções negativas e positivas, referem maior bem estar do que aquelas que só expressam o lado positivo. É como se bom e o ruim juntos ajudassem a desintoxicar o ruim.

Temos evidências também de que pacientes em tratamento para alcoolismo que tentam fugir a todo custo de pensamentos relacionados ao ato de beber são os que mais têm recaídas, além de apresentarem mais alterações fisiológicas características do estresse. O mesmo parece ocorrer no caso de compulsão alimentar. Mesmo que a pessoa consiga evitar um pensamento, o subconsciente não faz o mesmo. Tentar reprimir um pensamento negativo antes de dormir faz com que a pessoa tenha mais chance de sonhar com o assunto, fenômeno conhecido como sonho rebote.

Ao invés de ficar lutando contra pensamentos negativos, reconhecê-los sem a expectativa de transformá-los de forma imediata pode ser uma boa dica. Que tal pensar em nuvens que vão se mover? Técnicas de meditação podem ajudar. Vale ressaltar que a psicoterapia é um dos melhores treinamentos para conseguirmos conviver de forma saudável com o “dark side of the brain” e atingirmos a tão sonhada realização pessoal.

 

 

Solanaceae é uma família de plantas ricas em nicotina que têm um efeito protetor contra a Doença de Parkinson. Essa foi a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo periódico oficial da Associação Americana de Neurologia.

 

Já tínhamos boas evidências de que o tabaco, também da família Solanaceae, tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito parece que se dá pela nicotina e pode ser que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, beringela e batata, tenham efeito semelhante.

 

Foi exatamente o que pesquisadores da Universidade de Washington – EUA conseguiram demonstrar. Eles estudaram cerca de 500 pacientes com diagnóstico recente da Doença de Parkinson e mais de 600 indivíduos sem qualquer doença neurológica que serviram de grupo controle. Foram aplicados questionários que avaliavam a história de uso de tabaco ao longo da vida e hábitos alimentares.

 

O consumo de vegetais de forma geral não tinha associação com menor risco da doença, mas alimentos com conteúdo de nicotina faziam a diferença, especialmente a pimenta. Esse foi o primeiro estudo que investigou essa associação entre teor de nicotina na dieta e risco da Doença de Parkinson e abre novas perspectivas na prevenção da doença. Novas pesquisas deverão ser feitas para confirmar esses resultados. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?

 

 

 

  

Há poucos anos as evidências da participação do cérebro no mecanismo da exaustão muscular ainda eram apenas indiretas. Os estudos usavam truques psicológicos que enganam os voluntários de que suas medidas fisiológicas ainda estão dentro da normalidade, criavam adversários virtuais com um desempenho melhor do que o esperado numa competição, etc.

 

Em 2011, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um estudo que provocava a exaustão de ciclistas monitorizados por eletrencefalograma. Eles conseguiram demonstrar que pouquíssimo tempo antes da exaustão existia um aumento da comunicação elétrica entre duas regiões do cérebro. Essas duas regiões eram o córtex motor que planeja e controla o movimento e o córtex da ínsula, região que poderia ser considerada como um grande entroncamento de vias, incluindo as vias emocionais.  Podemos dizer que a ínsula dá um sinal para a região motora parar logo, já que o limite foi ultrapassado.

 

Prof. Alexandre Okano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e colaboradores de outras instituições (Unicamp, Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e de Londrina, Universidade de Cape Town – África do Sul, City College of New York – EUA) conduziram um experimento extraordinário que estava faltando para dar seguimento à evolução desse conhecimento. Os resultados indicaram que o cérebro parece mandar mais que o músculo quando atingimos a fadiga. O músculo até continuaria um pouco mais, mas o cérebro acaba com a festa.

 

Eles resolveram mudar a excitabilidade da ínsula e regiões vizinhas através de uma pequena estimulação elétrica não invasiva e ver o quanto isso poderia influenciar o desempenho de atletas. Essa estimulação poderia fazer com que a ínsula passasse a mandar menos recados ao sistema motor de que já estava na hora de descansar, deixando os músculos trabalharem mais. Dito e feito.

 

Dez ciclistas de competição participaram de um teste em que pedalavam “no limite”. Metade deles recebeu antes da prova a estimulação elétrica por 20 minutos sobre o córtex da ínsula à esquerda enquanto a outra foi submetida a um procedimento de mentira, placebo.  Aqueles que receberam a estimulação tiveram um desempenho de força 4% maior, menor percepção de cansaço e menor elevação da freqüência cardíaca.  

 

A modulação das conexões entre a ínsula e o sistema motor tem vários caminhos. Já é conhecido que a estimulação da ínsula promove modulação do sistema nervoso autônomo e também tem estreita relação com experiências prazerosas. Ativação da ínsula esquerda já foi demonstrada quando uma mãe vê fotos de seus filhos, quando uma pessoa sorri ou mesmo vê alguém sorrindo e ao ouvir músicas agradáveis. Por outro lado, a ínsula direita está mais associada às experiências negativas e desagradáveis, como é o caso da dor. 

 

Uau! Isso não é pouca coisa quando se pensa em atletas de elite e certamente é um achado que vai levantar muitos dilemas éticos. Ainda não existe como provar se o atleta foi estimulado ou não antes de uma competição… Os resultados da pesquisa foram publicados no Jornal Britânico de Medicina do Esporte.

 

 

 

 

Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.  Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça.

 

Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.

 

A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal pode realmente provocar efeitos negativos. A esse fenômeno é dado o nome de efeito NOCEBO que tem sua origem no latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento.

 

Uma pesquisa publicada recentemente confirmou que o efeito nocebo pode realmente explicar os sintomas físicos atribuídos às ondas eletromagnéticas. Cerca de 150 voluntários foram submetidos a um experimento em que metade deles assistiu a um documentário falando sobre os potencias riscos das ondas eletromagnéticas e outra metade, classificada como grupo controle, assistiu a uma reportagem sobre segurança de disponibilização de dados pessoais pela internet. Após os vídeos, todos eles eram avisados que estavam expostos a uma rede Wifi de mentira, sem qualquer radiação. Após a suposta exposição às ondas eletromagnéticas, 54% dos voluntários apresentaram sintomas como ansiedade e agitação, perda da concentração e formigamento nas extremidades. Os sintomas foram significativamente mais comuns entre aqueles que assistiram ao documentário dos riscos das ondas eletromagnéticas.

 

O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.

 

É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte. 

 

Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes.  De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relação com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…

 

 

 

Pela primeira vez na história, um pequeno dispositivo implantado no cérebro se mostrou eficiente para prever o início de uma crise epiléptica. Os resultados da experiência foram divulgados esta semana pelo prestigiado periódico The Lancet Neurology.

 

Para quem tem crises epilépticas que não são controladas com medicações, e elas representam 30% das pessoas que sofrem dessa condição neurológica, saber com antecipação o momento de uma nova crise pode fazer toda a diferença, promovendo um estado de maior segurança e autonomia. Saber que uma crise acontecerá em alguns minutos permite que a pessoa que está dirigindo, por exemplo, encoste o carro e evite um acidente. Essa informação também pode fazer com que o indivíduo use uma medicação extra nos períodos imediatamente antes da crise.  

 

O dispositivo foi desenvolvido por pesquisadores americanos de Seattle (NeuroVista) para detectar atividade elétrica anormal no cérebro que precede uma crise epiléptica. Ele é implantado entre o cérebro e a caixa craniana e transmite informações para outro dispositivo colocado abaixo da pele na região do tórax. Um aparelhinho do tamanho de um iPod que pode ser adaptado ao cinto emite três diferentes sinais sonoros e luzes que informam a chance de uma nova crise: luz vermelha (risco alto), luz branca (risco moderado) e luz azul (baixo risco).

 

O estudo foi conduzido em três diferentes centros australianos ligados à Universidade de Melbourne e envolveu 15 indivíduos com idades entre 20 e 62 anos que tinham duas a 12 crises epilépticas por mês, mesmo usando duas ou mais medicações para tentar evitá-las. O sistema não foi perfeito, mas teve boa sensibilidade para detectar crises, poucos alarmes falsos e relativa segurança. O tempo médio entre o acionamento da luz vermelha e uma crise foi de 114 minutos (5 a 960 min). Dois pacientes precisaram retirar o sistema por desconforto ou complicação infecciosa no local do dispositivo do tórax.

 

Os resultados do estudo chamaram muito a atenção para a discrepância entre o número de crises registradas e aquilo que os voluntários estimavam num diário. Um dos participantes declarou que tinha cerca de 10 crises por mês enquanto o sistema registrou mais de 100 nesse mesmo período. O dispositivo também ajudou na condução clínica, como foi o caso de um paciente que apresentava sonolência por suposta toxicidade medicamentosa, e na verdade os sintomas coincidiam com mais de uma dezena de crises antes não identificadas.

 

Essa tecnologia abre uma grande porta para o desenvolvimento de novos métodos para controle de crises epilépticas de ação ultrarrápida como estímulos elétricos ou até mesmo medicações. Isso pode trazer mais independência àqueles que sofrem com quadros de epilepsia de difícil controle, reduzindo acidentes e o impacto psicossocial dessa condição neurológica que afeta uma em cada cem pessoas. Epilepsia não escolhe idade, raça, gênero, muito menos status socioeconômico.  

 

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