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Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.
Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.
A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).
Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de
bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.
Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.
É freqüente as pessoas correrem ao neurologista após a morte de um parente, amigo, colega de trabalho ou celebridade, quando a causa foi o rompimento de um aneurisma cerebral. Também pudera: cerca de 40% das pessoas que apresenta um sangramento por aneurisma cerebral não sobrevive.
O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. A faixa etária com maior risco de sangramento é a sexta década de vida, mas também costuma acontecer entre pessoas jovens. Entretanto, algumas pessoas têm aneurismas que jamais se romperão. Só para se ter uma idéia, pequenos aneurismas apresentam um risco de sangramento de 0.05% ao ano. Já aneurismas com diâmetro maior que 1 cm têm risco de sangramento de 0.5% ao ano. A causa do aneurisma cerebral? Existe um componente genético inequívoco, mas alguns fatores modificáveis também aumentam a chance de sua formação e rompimento como é o caso do tabagismo e a hipertensão arterial. O aneurisma cerebral hoje é considerado uma doença inflamatória e esses fatores colaboram nesse processo.
Os aneurismas normalmente são detectados após seu sangramento e o sintoma principal é a dor de cabeça e não é qualquer dorzinha. A dor de cabeça por rompimento de um aneurisma costuma ter duas características bem marcantes: é a pior dor de cabeça que a pessoa já teve na vida e a dor já começa nos primeiros segundos com sua intensidade máxima. A dor não vai crescendo, como é o caso de outros tipos comuns de dor de cabeça como a enxaqueca.
Estudos revelam que 3.5 a 6% da população é portadora de aneurisma cerebral. Já que é uma condição clinica tão séria, faria sentido fazer exames para detectar aneurismas cerebrais em toda a população? A resposta é não. Atualmente a recomendação é a de que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado. A investigação também deve ser feita em raros casos de doenças que sabidamente estão associadas a aneurisma cerebral.
E quanto aos indivíduos que apresentaram aneurisma cerebral e já foram tratados em outras épocas? Essas pessoas têm 22 vezes mais chances de ter um sangramento cerebral quando comparadas àquelas que nunca tiveram sangramento. Um estudo publicado na revista Neurology avaliou o custo – beneficio em se ficar vigiando ao longo dos anos se esses pacientes desenvolvem ou não novos aneurismas. Os pacientes que mais se beneficiaram de exames ao longo dos anos foram aqueles que apresentavam mais fatores de risco associados, como o tabagismo e hipertensão arterial. Além disso, a investigação para novos aneurismas revelou um bom custo- beneficio do ponto de vista de qualidade de vida entre os pacientes que demonstravam mais medo em voltar a apresentar novo sangramento. Esse resultado é bastante provocativo e nos reafirma que o médico deve fazer de tudo para oferecer segurança ao seu paciente. Na maioria das vezes a ferramenta mais valiosa é a relação médico–paciente, mas em alguns casos a realização de um exame complementar pode fazer a diferença.
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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.
Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.
Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.
Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.
O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry.
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Fast food, bebidas açucaradas e porções gigantes. Todas essas são preocupações importantes para controlar o peso das crianças. Entretanto não dá para esquecer o sono das crianças, pois ele mexe mesmo com o peso dos pequenos. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo Jornal Pediatrics, periódico oficial da Academia America de Pediatria.
Foram recrutados 37 voluntários com idades entre 8 e 11 anos, 27% delas com sobrepeso ou obesidade. Na primeira semana de estudo as crianças eram orientadas a dormir o tanto que estavam acostumadas. Na segunda semana elas tinham que aumentar ou diminuir a duração do sono. Na terceira e última semana do estudo as crianças tinham que fazer o oposto da 2º semana: quem aumentou a duração do sono tinha que diminuir e quem diminuiu tinha que aumentar.
Os resultados foram inequívocos. Na semana que as crianças dormiram mais, 2h e 20 min em média, elas consumiram em média 134 calorias a menos e pesaram 220g a menos. Alguma dúvida que o sono ajuda a acertar o peso até das crianças?
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O cérebro dos adolescentes está na crista da onda. Aos 15 anos é quando ele atinge seu tamanho máximo e daí em diante ele vai murchando aos pouquinhos. Entretanto, essa é a fase da vida de maior comportamento de risco, riscos que um cérebro ainda em desenvolvimento ainda não mede muito bem. Isso implica em acidentes, sexo sem segurança, etc.
Campanhas de conscientização de riscos costumam ter foco nos riscos de alguns comportamentos. Álcool, direção e acidentes. Sexo sem camisinha e AIDS. Mas será que essa é realmente a melhor estratégia? Uma pesquisa recém publicada pelo prestigiado periódico Proceedings of th National Academy of Sciences sugere que dar más notícias não parece ser a forma mais eficiente de se comunicar com um adolescente.
Já se sabia que o adulto tem mais chance de mudar sua percepção de risco ao receber informações otimistas do que pessimistas. Ele dá mais bola para uma notícia que diz que ele tem uma mutação genética que o protege contra o câncer do que para uma notícia de uma mutação que aumenta seu risco. Pesquisadores da Universidade College de Londres resolveram investigar como é que isso funciona nas idades de 9 a 26 anos.
Os voluntários eram apresentados a 40 condições de saúde adversas e eram questionados sobre a chance de desenvolverem essas condições ao longo da vida. Os pesquisadores passavam então aos voluntários a chance real de desenvolverem cada uma das situações. Em um segundo momento eles voltaram a ser questionados sobre a chance de apresentarem as mesmas condições.
Quando os participantes recebiam BOAS noticias, de que o risco real era menor do que imaginavam, eles incorporavam essa nova realidade independente da idade. Quando tinham que incorporar MÁS notícias, a idade fez diferença. Os voluntários mais jovens davam muito menos bola para essas MÁS notícias. A neurociência ajuda a explicar essas diferenças. Alguns estudos têm mostrado que o sistema de recompensa do cérebro imaturo é hiper-reativo, vivencia muito prazer com as coisas boas.
A atual pesquisa dá um passo importante para entendermos que o cérebro imaturo tem mais chance de dar valor a uma informação positiva do tipo “quanto menor o consumo de álcool, melhor é o desempenho do atleta” do que a uma negativa como “excesso de álcool reduz o desempenho do atleta”.
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È fato que as mulheres costumam se envolver mais em multitarefas que os homens. Outra história é concluir que elas são melhores para executar várias tarefas ao mesmo tempo. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico BMC Psychology demonstra que elas são realmente melhores.
Pesquisadores do Reino Unido bolaram dois experimentos que provocavam a execução de várias tarefas, mas sem a obrigatoriedade de realizá-las simultaneamente. No primeiro experimento, o desempenho nos testes foi mais lento quando os voluntários tinham que fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Essa lenhificação foi menor entre as mulheres.
Já no segundo experimento, homens e mulheres competiam entre si. Tinham que realizar três tarefas num prazo de oito minutos. Foram incluídos testes aritméticos, localização de um restaurante no mapa e criação de estratégias para se encontrar uma chave perdida. As mulheres tiverem mais sucesso no teste da chave e foram iguais aos homens nos demais testes.
Um estudo recente também comparou a capacidade de realizar multitarefas entre homens e mulheres e encontraram superioridade nos homens. Esses resultados foram fortemente influenciados pela melhor habilidade espacial dos homens, mas além disso o tipo de multitarefa era diferente, Os voluntários tinham que fazer as tarefas simultaneamente, o que é bem diferente de fazer seqüencialmente. Multitarefas seqüenciais se aproximam muito mais dos desafios do mundo real.
Darwin explica esse maior talento das mulheres? A mulher assume a posição de coletora, mas ainda precisa dar conta dos filhos. Diferente do homem que sai para caçar e o que ficou em casa a mulher cuida.
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Pobreza e estresse na infância podem levar a dificuldades no controle das emoções na idade adulta. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo prestigiado Proceedings of the National Academy of Sciences.
Os pesquisadores demonstraram que crianças de nove anos e de famílias de baixa renda familiar chegam à idade adulta com maior ativação da amígdala, área do cérebro ligada ao processamento do medo e outras emoções negativas. Apresentam também uma menor ativação do córtex prefrontal, área do cérebro que regula emoções negativas. A habilidade de regular emoções negativas pode fazer toda a diferença para equilibrar os efeitos do estresse.
Foi pesquisada também a exposição ao estresse psicossocial que essas crianças tinham aos nove anos de idade, como separação da família e violência familiar. Quanto maiores os fatores de estresse, maior a influência do fator pobreza sobre os achados da ressonância magnética funcional.
E a estrutura do cérebro também fica diferente. Esta semana outra pesquisa foi publicada pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, revelando que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta, assim como da amígdala e hipocampo. Mais uma vez a influência da pobreza foi maior em ambientes estressantes ou com provação de estímulos.
A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA.
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Adolescentes que praticam exercícios físicos moderados e vigorosos têm melhores notas no colégio e os efeitos são mantidos no longo prazo. Essa é conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico British Journal of Sports Medicine.
Os resultados são baseados na análise de quase 5000 crianças inglesas quando tinham inicialmente 11 anos de idade e reavaliados aos 13 e depois aos 15-16 anos. O nível de atividade física foi medido por um aparelho chamado de acelerômetro que fica acoplado a um cinto elástico.
O acelerômetro mostrou que aos 11 anos de idade os meninos tinham 29 minutos por dia de atividade moderada ou vigorosa, enquanto as meninas tinham 18, tempos bem menores que a recomendação de 60 minutos. O desempenho acadêmico em inglês, matemática e ciências foi medido pelas notas de exames e os resultados foram impressionantes: quanto mais atividade física melhor o desempenho nas três matérias nos três períodos avaliados. As meninas foram relativamente mais beneficiadas em ciências. Os autores especulam que os efeitos podem ser maiores ainda entre adolescents com uma atividade media de 60 minutos por dia.
A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro faz com que algumas escolas reduzam e até extingam atividades de educação física e educação artística. A presente pesquisa ajuda a repensar esses tipos de atitude.
A associação Americana para o Esporte e Educação Física publicou um relatório ainda no ano de 2002 com as recomendações de atividade física para as crianças pré-escolares. É desejável que elas tenham pelo menos uma hora de atividade física livre, através de brincadeiras, e uma hora de atividade estruturada sob a orientação do adulto, como é o caso da educação física na escola. Entre as crianças maiores, pelo menos uma hora de atividade física moderada ou vigorosa por dia é o mais recomendado.
Mas por que as notas escola são melhores entre aqueles que se exercitam mais? Um cérebro turbinado parece ser uma das melhores explicações. Os efeitos positivos da atividade física sobre o cérebro já foram demonstrados através de variáveis fisiológicas que vão desde o aumento da perfusão sanguínea, metabolismo e tamanho do cérebro em determinadas regiões, até a modulação de sua própria atividade elétrica. O exercício físico promove ainda a secreção de diversas substâncias no cérebro como endorfina, endocanabinóides e fator neurotrófico derivado do cérebro, que têm efeito positivo no seu funcionamento, incluindo um melhor equilíbrio psíquico.
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Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.
Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho. Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.
Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.
O estudo foi publicado esta semana no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Science.
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A psicóloga social Emanuele Castano, junto ao seu aluno de PhD David Kidd, publicaram nesta última semana na revista Science os resultados de suas pesquisas que demonstram o quanto que uma boa leitura é capaz de estimular as habilidades sociais.
Voluntários eram solicitados a ler trechos de diferentes gêneros: não ficção, ficção popular (romance, aventura), ficção literária (premiados), Em seguida faziam testes que avaliavam a capacidade de entender o que o outro está sentindo.
Além de mostrar que histórias de ficção aumentam a percepção das emoções de outras pessoas, a pesquisa ainda evidenciou que a qualidade da literatura também faz diferença. Os textos literários produziram maior efeito, apesar dos textos populares terem sido os mais apreciados pelos voluntários.
Os pesquisadores acreditam que obras de ficção estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis, e o que importa mesmo é o enredo.
É notório que os resultados dessa pesquisa devem ser levados em consideração na escolha da grade curricular dos estudantes. Já existem até ensaios para incrementar a empatia de médicos através da literatura assim como para melhorar o comportamento de detentos.
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Uma pesquisa com primatas ainda na década de 1950 criou o que se conhece hoje por “mito do estresse do executivo”. Um grupo de macacos era submetido a choques elétricos a cada 20 segundos em turnos de seis horas. Outro grupo, chamado de “macacos executivos”, passava pelos mesmos choques, mas tinha a chance de evitá-los acionando uma alavanca. Os macacos executivos aprenderam o truque sem dificuldade, mas começaram a morrer com úlceras no estômago. Isso quer dizer que os executivos que tinham o privilégio de controlar a situação foram os que mais se estressaram?
Os resultados dessa pesquisa caíram em descrédito após uma análise da metodologia que mostrou que os “macacos executivos” foram assim classificados de forma inapropriada. Vários outros estudos que avaliaram a relação entre estresse, saúde e poder demonstraram o oposto dessa pesquisa. Entre os primatas, aqueles com posições inferiores na hierarquia social têm maiores níveis do hormônio do estresse cortisol e maior freqüência de doenças associadas ao estresse.
Entre os humanos, a evidência mais direta que o estresse é menor entre os líderes foi demonstrada recentemente por uma pesquisa conduzida pelas Universidades de Harvard, Stanford e Califórnia. Os pesquisadores dividiram um grupo de voluntários que trabalhavam tempo integral em dois grupos: líderes e não líderes. Foram classificados como líderes os que comandavam outras pessoas no trabalho e foram eles apresentavam menores níveis de estresse medidos por escalas de ansiedade e concentração do hormônio cortisol. Funcionários do governo britânico comportam-se da mesma forma. Um grande estudo em andamento desde a década de 1960 confirma que é menor o nível de estresse a cada degrau que se sobe na hierarquia.
Parece mesmo que as responsabilidades da chefia trazem menos estresse que a falta de desafios no trabalho e de poder de decisão. O poder de dizer não, escolher quando e como decidir alguma coisa, esses são confortos de ser chefe. Por outro lado, já é conhecido que as pessoas sem controle sobre as decisões que influenciam a própria vida podem ter um enfraquecimento do sistema imunológico, pressão arterial elevada e ainda desenvolver doenças associadas ao estresse.
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Tanto a ciência como a história nos mostra que o sono naturalmente se divide em duas partes. Antigamente dormíamos uma primeira parte por quatro horas e, após um intervalo de uma a duas horas, dormíamos um segundo período de quatro horas. Estranho? Esse também foi o comportamento das pessoas que participaram de um experimento conduzido na década de 1990 em que ficavam na escuridão completa por 14 horas consecutivas.
Logo em seguida o historiador Roger Ekrich publicou outro estudo clássico, após 16 anos de pesquisa, evidenciando que era assim mesmo que as pessoas dormiam antes da fartura de iluminação. Roger chegou a essa conclusão após análise de textos médicos antigos, estudos antropológicos de tribos mais modernas da Nigéria e a própria literatura, incluindo a Odisseia de Homero, Dom Quixote de Cervantes entre outros.
No intervalo dos dois tempos, na “chuveirada”, as pessoas faziam de tudo, desde visitar um vizinho, fumar um cigarrinho, mas a maioria ficava na cama mesmo, lendo, fazendo sexo, refletindo ou rezando. Um manual médico do século XVI recomendava que o casal que quisesse fazer um filho deveria tentar no intervalo entre os dois sonos, pois nesse período a fertilidade seria maior. Outro dizia que o intervalo era o melhor momento para se estudar.
As referências dos dois sonos passaram a ficar cada vez mais raras a partir do fim do século XVII, coincidente com a iluminação das casas e das ruas e da criação de estabelecimentos noturnos. A noite que era só para os malditos (bêbados, criminosos, prostitutas), passou a ser um cenário de pessoas respeitáveis. Paris em 1667 foi a primeira cidade a se iluminar e dois anos depois foi a vez de Amsterdã. A noite passou a ser fashion e passar a noite na cama passou a ser considerado uma perda de tempo. Um jornal médico em 1829 recomendava que os pais estimulassem os filhos a dormir num bloco só, um sono contínuo.
Parece mesmo que acordar no meio da noite faz parte da nossa fisiologia normal. A ideia fixa de dormir num único round pode trazer angústia ao homem moderno e também vender bilhões e bilhões de medicamentos para “consertar” o sono. O intervalo entre os sonos pode ter sido importante para o equilíbrio psíquico, já que há muitos relatos que esse tempo era usado para refletir sobre os sonhos.
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Por volta dos 15 anos de idade nosso encéfalo alcança seu maior peso (~ 1350g), com uma perda de cerca de 1,5% desse peso a cada década. Essa redução se dá muito mais por redução do tamanho dos neurônios do que por destruição dos mesmos. Paralelamente, há uma redução no número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral. Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.
Mas será que esse declínio cognitivo é inevitável? O fato é que alguns chegam a idades muito avançadas com memória comparável a de pessoas com seus 50-60 anos. O que será que esses supercérebros têm de diferentes?
Quando se compara esses supercérebros com outros da mesma idade, mas com o discreto declínio cognitivo esperado para a idade, observa-se que eles têm a substância cinzenta mais avantajada e comparável à de “jovens” de 50-65 anos. E não é só isso. Os superoctagenários apresentam uma região do cérebro até mais desenvolvida que aqueles 20 anos mais novos. Essa região é conhecida como cíngulo anterior, região fortemente associada à nossa capacidade de prestar atenção nas coisas e também faz parte do sistema de recompensa cerebral. Isso pode ser a chave do sucesso para a boa memória dos superoctagenários.
Entender melhor o que esses supercérebros têm de diferente pode ser tão promissor para a criação de terapias para a prevenção da doença de Alzheimer como conhecer os cérebros doentes.
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Uma pessoa que passa a noite sem dormir, se for ao mercado, compra comida em maior quantidade e mais produtos calóricos do que se tivesse dormido bem. Além disso, a privação de sono também leva ao aumento dos níveis de grelina no sangue, hormônio que está associado à sensação de fome e preservação de gordura no corpo. Esses são os resultados de uma pesquisa publicada esta semana no periódico Obesity da Sociedade Americana de Obesidade.
O estudo foi conduzido por pesquisadores suecos que recrutaram 14 homens jovens com peso ideal e os instruíram a comprar, com 50 dólares, o máximo que conseguissem num mercado. Eles deveriam imaginar que estavam comprando a comida dos próximos dias e tinham 40 itens para escolher: 20 bem calóricos e 20 de baixa caloria. Em um dia eles foram às compras após uma boa noite de sono. Um mês depois foram ao mesmo mercado sem ter dormido na noite anterior. Antes das compras todos tomaram um café da manhã padronizado. Sem dormir, a compra teve um peso em comida18% maior e tiinha 9% mais calorias.
Já tínhamos evidências de que a privação de sono era capaz de aumentar o consumo calórico. Já foi até demonstrado que os centros de recompensa cerebral são mais ativados quando olhamos para imagens de alimentos quando estamos em dívida com o sono. O atual estudo é inédito ao demonstrar que o tipo de alimento que se compra para os próximos dias também é influenciado pelo quanto se dorme. A compra mais calórica tem efeitos que vão além do dia subseqüente da noite mal dormida.
O aumento dos níveis de grelina no sangue já havia sido demonstrado anteriormente por outras pesquisas.. No presente estudo, não houve associação entre os níveis do hormônio e as compras no mercado, sugerindo que outros fatores devam estar envolvidos nesse comportamento de maior consumo.
Sabemos também que a capacidade de tomar decisões é prejudicada após uma noite mal dormida. Mais estudos deverão ser realizados para avaliar o quanto a privação de sono interfere no comportamento de compras de outros itens de consumo.
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A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existam três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.
Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima”, já que o nível de compreensão que temos hoje dos seus mecanismos biológicos só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas. Para entender o que é epilepsia, precisamos entender um pouquinho como é o que o cérebro funciona.
Quando nosso cérebro dá a ordem para nossa mão mexer, ele está disparando um impulso nervoso que nada mais é do que um impulso elétrico de baixíssima intensidade. Até chegar à mão, esse impulso viaja pelas ramificações dos neurônios e passará também por estações em que os impulsos dependem de transporte químico, as sinapses, para que a informação chegue enfim aos músculos da mão. Tudo isso acontece quando resolvemos mexer a mão voluntariamente. Imagine agora um grupo de neurônios que resolve disparar esses mesmos impulsos “sem a nossa autorização”, provocando movimentos involuntários da nossa mão. E esses neurônios não ficam disparando o tempo todo de forma anormal. Pode ser uma vez ao mês, uma vez ao ano, todo dia, e quando disparam provocam o que conhecemos como crise epiléptica.
É muito comum a comparação de uma crise epiléptica com um curto circuito, um fio desencapado no cérebro. Qualquer lesão cerebral, independente do tamanho, é capaz de provocar esse curto circuito. Uma pessoa que come uma alface mal lavada com um ovinho de solitária escondido pode ter esse ovinho alojado numa região do cérebro que causará uma lesão do tamanho de uma semente de maçã. Esse pequeno corpo estranho no cérebro pode ser capaz de provocar uma crise epiléptica. Da mesma forma, uma criança que tem uma lesão cerebral extensa em ambos os hemisférios cerebrais, pois nasceu com uma doença genética associada a grave retardo mental, também pode vir a apresentar crises epilépticas. Essa é uma informação importante para a redução do estigma da epilepsia, pois muita gente associa a epilepsia a cérebros gravemente alterados.
E não é só uma lesão cerebral que pode provocar uma crise. Existem situações médicas que podem provocar severo desequilíbrio bioquímico do corpo, como grandes alterações nas concentrações de sódio e cálcio, situações que podem provocar um curto circuito difuso no cérebro. O mesmo pode ocorrer quando uma pessoa faz uso de uma substância neurotóxica, como é o caso da cocaína. Além disso, existem algumas condições genéticas em que o indivíduo tem uma tendência a apresentar crises epilépticas após certa idade, geralmente na infância e adolescência, e essas são situações em que o cérebro funciona normalmente, não apresenta lesões, mas os neurônios têm algumas peculiaridades que podem gerar curtos circuitos episódicos.
Podemos dizer que uma pessoa tem epilepsia quando já apresentou mais de uma crise epiléptica não provocada. Crises não provocadas são as crises que acontecem espontaneamente, sem a presença de um desequilíbrio agudo e transitório do cérebro (ex: redução na concentração de sódio). Mais recentemente reconhece-se que mesmo que a pessoa tenha apresentado uma única crise, mas na presença de alteração cerebral que pode vir a causar outras crises, essa pessoa já pode ser considerada como portadora de epilepsia.
Uma questão importante que faz com que a epilepsia seja subdiagnosticada é o fato da maioria das pessoas acharem que crise epiléptica é igual a convulsão, ou seja, crise em que a pessoa perde a consciência, fica toda dura, roxa e se debatendo, os olhos ficam revirados, pode babar e urinar ou defecar na roupa. A convulsão é o tipo mais dramático de crise, e significa que o cérebro passa por um curto circuito difuso. Porém, existem crises epilépticas muito mais discretas e essas geralmente são reflexo de disparos anormais em apenas uma região do cérebro, não se espalhando para o cérebro todo, como é o caso da convulsão. Se o curto circuito acontece somente na região onde estão os neurônios que controlam o movimento da mão esquerda, a crise se manifestará como movimentos repetidos e involuntários dessa mão. Seguindo o mesmo raciocínio, uma crise pode se apresentar como uma sensação psíquica, diminuição da responsividade ao meio, formigamento de um lado do corpo, alucinações visuais, etc. O fato é que crises que inicialmente envolvem só uma região do cérebro podem em seguida ser propagadas para o cérebro como um todo, causando uma convulsão.
Já estamos no século 21 e ainda existe muita ignorância sobre o real significado da epilepsia. A falta de informação é a principal causa do enorme estigma e preconceito que sofrem os portadores de epilepsia, o que dificulta sobremaneira a inclusão social dessas pessoas. Em 1997 foi criada uma campanha mundial para reduzir o impacto do estigma da epilepsia, assim como para melhorar o diagnóstico e o manejo dos pacientes (Campanha Global – Epilepsia fora das sombras). Desde 2002 o Brasil é um dos países que mais tem trabalhado para a campanha graças ao trabalho do projeto ASPE (Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia – www.aspebrasil.org) que vem efetivamente tirando a epilepsia das sombras em nosso país. Em algumas áreas do conhecimento científico o Brasil está à frente de muitos países desenvolvidos, e a epilepsia é um bom exemplo disso. Realmente, poucos países do mundo têm o nível de desenvolvimento científico que tem a epilepsia no Brasil.
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Já temos evidências suficientes para dizer que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas de menor poder aquisitivo. Mas como é que explicamos essa relação? Mais uma vez vem a pergunta: Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? As crises de enxaqueca limitam as pessoas em idade produtiva e por isso perdem oportunidades de estudo e trabalho? Ou será que as pessoas com menor poder aquisitivo vivem mais eventos estressantes, têm menor facilidade em buscar um serviço médico, e por isso acabam tendo mais crises de enxaqueca?
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia confirmou que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas com menor poder aquisitivo, mas o tempo em que elas apresentam crises ao longo da vida não é maior. Indiretamente, isso sugere que os fatores ambientais podem não ser tão importantes assim, senão essas pessoas continuariam a ter enxaqueca por mais anos que os mais abastados de dinheiro. Entretanto, não há como negar que as pessoas de menor poder aquisitivo podem ter mais enxaqueca por serem mais susceptíveis a vivenciar condições que costumam despertar as crises de enxaqueca, como o estresse psicossocial, privação de sono e alimentação irregular.
A pesquisa envolveu mais de 160 mil americanos com idade superior a 12 anos. O poder aquisitivo dos voluntários foi classificado em três grupos: baixo, médio e alto. Mais enxaqueca foi detectada na população de baixa renda. Para se ter uma ideia, entre as mulheres com idade de 25-34 anos, 20% daquelas com alta renda apresentavam o diagnóstico comparado a 37% das que tinham baixa renda. No caso dos homens dessa mesma faixa etária, essa diferença não foi diferente: 5% nos de alta renda e 13% nos de baixa renda. O estudo também demonstrou que o grupo de menor renda apresentava crises de dor mais severas e maior abstenção na escola e no trabalho.
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Às vezes não é fácil entender o que o outro está dizendo num ambiente cheio de gente falando ao mesmo tempo. Parece que isso é mais fácil quando a voz já é familiar e, para entender o que uma pessoa desconhecida está falando, o zum zum zum de uma voz familiar facilita a tarefa. Essa é conclusão de uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Psychological Science.
Pesquisadores ingleses conduziram um estudo com casais em que cada um dos participantes tinha que ler um texto em voz alta que era gravado. Depois tinham que ouvir com fones de ouvido a gravação de seu cônjuge simultaneamente à gravação de uma voz desconhecida. Os voluntários tinham o desafio de reproduzir em momentos diferentes o que o cônjuge e a voz desconhecida diziam na gravação.
O resultado foi que entender o (a) parceiro (a) foi mais fácil que a voz desconhecida e essa facilidade foi independente da idade do voluntário. Já no caso da voz desconhecida, a idade fez diferença: os mais velhos tiveram mais dificuldade. O mais interessante foi que entender a voz desconhecida quando misturada a outra voz desconhecida foi mais difícil que quando misturada com a voz do cônjuge. Foi mais fácil ignorar a voz familiar do que uma desconhecida. Nesse quesito, mais uma vez os idosos tiveram mais dificuldade. Entretanto. podemos pensar que o zum zum zum do cônjuge trará relativamente mais benefícios aos idosos do que aos jovens na hora de entender o que um desconhecido está falando.
Os idosos têm notória dificuldade em ouvir alguém falando quando existe ruído ao fundo. Os achados dessa pesquisa identificaram que um som familiar ao fundo pode facilitar a compreensão, especialmente nessa faixa etária.
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Além de terem uma maior sobrevida, as pessoas que se dedicam a trabalhos voluntários têm a percepção de terem um melhor estado físico e psicológico e apresentam menor risco de depressão. Essa é a conclusão de uma metanálise de quarenta estudos sobre o assunto recém-publicada no jornal BMC Public Health.
Mas quais seriam os mecanismos que explicariam a promoção de todos esses efeitos benéficos do voluntariado? Incremento das iterações sociais é uma possibilidade. Além disso, o voluntariado é capaz de aumentar a motivação e promover uma sensação mais profunda de sentido na vida. Quando a motivação é para ajudar o outro, essa sensação pode ser ainda mais forte, pelo sentimento de dedicação a algo maior do que a si próprio. Quando o voluntário é orientado pelo altruísmo, este te maior chance de apresentar um melhor equilíbrio psicossocial.
Toda forma de voluntariado é legítima, mas quando a razão é focada em interesses próprios, a chance de estresse é maior, especialmente quando a expectativa de retorno não é alcançada.
No Brasil, estima-se que 25% da população já exerceram algum trabalho voluntário e 11% continuam exercendo. A razão mais comumente relatada pelos voluntários para exercer essa atividade é o altruísmo, devolver algo à comunidade.
Precisa ter alguém olhando?
O altruísmo é uma especial característica da espécie humana já que estende os benefícios de nossas boas ações a indivíduos que não fazem parte do núcleo familiar. Atualmente há uma forte linha de pesquisas que busca explicar as raízes de nossas ações altruísticas através da ideia de que elas podem gerar ganhos do ponto de vista de reputação, colocando o altruísmo como uma possível vantagem evolutiva, ou seja, indivíduos com comportamento altruísta teriam maior chance de sucesso em gerar descendentes.
Esse efeito reputação é ainda mais reforçado por resultados de pesquisas que evidenciam que ações altruísticas são maiores quando há plateia. Além dos potencias ganhos sociais, há outro nível de recompensa, já que nosso sistema cerebral de recompensa e prazer é ativado quando nos doamos para outras pessoas. Tudo isso não é simples ceticismo. O corpo atual de evidências nos faz pensar que nosso cérebro evoluiu para se sentir bem fazendo bem aos outros e que isso permitiu que aumentássemos nosso potencial de relações e procriação.
O comportamento humano frente a situações injustas reforça ainda mais o papel da reputação como base do altruísmo. Experimentos nos mostram que indivíduos que assistem a uma situação de injustiça, que não os afeta pessoalmente, ganham em reputação quando assumem um comportamento de punição à injustiça. Esse comportamento também ativa os centros cerebrais de recompensa.
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Pesquisadores da Universidade da California Santa Barbara levantaram a questão se a ciência com suas características de racionalidade, imparcialidade e de busca pela verdade é capaz de evocar nas pessoas um comportamento de moralidade. Eles conseguiram demonstrar em quatro diferentes experimentos que só pensar no assunto ciência já é o suficiente para promover esse comportamento.
Estudo 1. Voluntários leram um texto em que um rapaz estupra uma garota que o convida para tomar uma bebida em sua casa. Os participantes desse estudo julgaram o quão inapropriado foi o comportamento do rapaz e depois responderam a questões sobre seus respectivos campos de estudo e à questão “Quanto você acredita na ciência?”.
Os resultados mostraram que o estudo de ciências está positivamente correlacionado a uma maior condenação do ato de estupro. Crença na ciência foi também correlacionada com a condenação moral do ato de estupro da história. Um fator importante é que a condenação moral não correspondeu com outras variáveis como religiosidade ou grupo étnico.
Estudos 2 a 4. Os voluntários eram instruídos a fazer uma tarefa com palavras que remetem à ciência como teoria, lógico, hipótese, cientista e laboratório. Outro grupo fazia a tarefa com palavras neutras (ex: sapatos).
Estudo 2. Depois da tarefa com as palavras, os voluntários liam o texto do estudo 1. Os que fizeram a tarefa com as palavras relacionadas à ciência julgavam mais severamente a transgressão moral.
Estudo 3. Os participantes indicaram a possibilidade de terem comportamentos pró-sociais no mês seguinte (ex: doar sangue, voluntariado). Os que trabalharam com as palavras “científicas” tinham mais expectativas de realizar atividades altruístas.
Estudo 4. Os participantes recebiam cinco dólares e eram orientados que deveriam dividir o dinheiro entre eles e um participante anônimo. Aqueles mais envolvidos com ciência dividiram o dinheiro de forma equilibrada.
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A personalidade de fulano é típica de que quem tem o hemisfério cerebral esquerdo mais ativo já que ele é bastante lógico, detalhista e analítico. Já beltrano que é criativo, subjetivo e reflexivo, este deve ter o hemisfério direito mandando mais que o esquerdo. Faz algum sentido esse tipo de comentário? Parece que não e essa é conclusão de uma pesquisa recém-publicada por neurocientistas da Universidade de Utah – EUA na prestigiada revista PLoS ONE.
Sabemos há muito tempo que algumas funções cerebrais são lateralizadas. Isso significa que um hemisfério é mais especializado que o outro para o desempenho da função. Esse é o caso da linguagem e da orientação espacial. Isso é diferente de dizer que um hemisfério é mais ativo que outro.
No caso da linguagem, a quase totalidade dos destros tem essa função desempenhada pelo hemisfério esquerdo, enquanto nos canhotos, cerca de 70% também tem essa função controlada por esse hemisfério. O hemisfério direito, por sua vez, é melhor na percepção da linguagem musical e também é ele que dá à fala as características afetivas, também conhecidas como prosódia.
No presente estudo os pesquisadores analisaram as imagens cerebrais de mais de mil voluntários através de uma técnica especial de ressonância magnética que permite avaliar o grau de conexões entre diferentes áreas do cérebro. Eles não encontraram nenhuma evidência de que as pessoas têm mais conexões em um hemisfério do que em outro. Se tivesse maior atividade em um hemisfério, era de se esperar que as conexões entre as diversas regiões desse lado do cérebro fossem mais robustas.
O fato é que não há um hemisfério dominante outro “dominado”. O cérebro funciona como uma grande orquestra. Também é um pensamento ultrapassado que só usamos 10% dele. Os músicos todos tocam. Todos têm sua partitura.
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