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Uma pesquisa com primatas ainda na década de 1950 criou o que se conhece hoje por “mito do estresse do executivo”. Um grupo de macacos era submetido a choques elétricos a cada 20 segundos em turnos de seis horas. Outro grupo, chamado de “macacos executivos”, passava pelos mesmos choques, mas tinha a chance de evitá-los acionando uma alavanca. Os macacos executivos aprenderam o truque sem dificuldade, mas começaram a morrer com úlceras no estômago. Isso quer dizer que os executivos que tinham o privilégio de controlar a situação foram os que mais se estressaram?

Os resultados dessa pesquisa caíram em descrédito após uma análise da metodologia que mostrou que os “macacos executivos” foram assim classificados de forma inapropriada. Vários outros estudos que avaliaram a relação entre estresse, saúde e poder demonstraram o oposto dessa pesquisa.  Entre os primatas, aqueles com posições inferiores na hierarquia social têm maiores níveis do hormônio do estresse cortisol e maior freqüência de doenças associadas ao estresse.

Entre os humanos, a evidência mais direta que o estresse é menor entre os líderes foi demonstrada recentemente por uma pesquisa conduzida pelas Universidades de Harvard, Stanford e Califórnia.  Os pesquisadores dividiram um grupo de voluntários que trabalhavam tempo integral em dois grupos: líderes e não líderes.  Foram classificados como líderes os que comandavam outras pessoas no trabalho e foram eles apresentavam menores níveis de estresse medidos por escalas de ansiedade e concentração do hormônio cortisol. Funcionários do governo britânico comportam-se da mesma forma. Um grande estudo em andamento desde a década de 1960 confirma que é menor o nível de estresse a cada degrau que se sobe na hierarquia.

Parece mesmo que as responsabilidades da chefia trazem menos estresse que a falta de desafios no trabalho e de poder de decisão. O poder de dizer não, escolher quando e como decidir alguma coisa, esses são confortos de ser chefe. Por outro lado, já é conhecido que as pessoas sem controle sobre as decisões que influenciam a própria vida podem ter um enfraquecimento do sistema imunológico, pressão arterial elevada e ainda desenvolver doenças associadas ao estresse.

 CBN-RICARDO[1]

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