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Já temos evidências suficientes para dizer que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas de menor poder aquisitivo. Mas como é que explicamos essa relação? Mais uma vez vem a pergunta: Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? As crises de enxaqueca limitam as pessoas em idade produtiva e por isso perdem oportunidades de estudo e trabalho? Ou será que as pessoas com menor poder aquisitivo vivem mais eventos estressantes, têm menor facilidade em buscar um serviço médico, e por isso acabam tendo mais crises de enxaqueca?

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia confirmou que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas com menor poder aquisitivo, mas o tempo em que elas apresentam crises ao longo da vida não é maior. Indiretamente, isso sugere que os fatores ambientais podem não ser tão importantes assim, senão essas pessoas continuariam a ter enxaqueca por mais anos que os mais abastados de dinheiro. Entretanto, não há como negar que as pessoas de menor poder aquisitivo podem ter mais enxaqueca por serem mais susceptíveis a vivenciar condições que costumam despertar as crises de enxaqueca, como o estresse psicossocial, privação de sono e alimentação irregular.

A pesquisa envolveu mais de 160 mil americanos com idade superior a 12 anos. O poder aquisitivo dos voluntários foi classificado em três grupos: baixo, médio e alto. Mais enxaqueca foi detectada na população de baixa renda. Para se ter uma ideia, entre as mulheres com idade de 25-34 anos, 20% daquelas com alta renda apresentavam o diagnóstico comparado a 37% das que tinham baixa renda. No caso dos homens dessa mesma faixa etária, essa diferença não foi diferente: 5% nos de alta renda e 13% nos de baixa renda. O estudo também demonstrou que o grupo de menor renda apresentava crises de dor mais severas e maior abstenção na escola e no trabalho.

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CBN-RICARDO[1]

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