A chance de um detento voltar a cometer crimes ao ganhar a liberdade pode ser prevista por um exame de ressonância magnética. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana pelo prestigiado jornal Proceedinds of the National Academy of Sciences.

 

Pesquisadores da Universidade do Novo México – EUA analisaram exames de ressonância magnética funcional (RMf)durante um teste que media a impulsividade de quase 100 detentos já com liberdade anunciada. Os voluntários eram orientados a pressionar um botão quando aparecia uma determinada letra num visor e aqueles que cometiam mais erros, por pressionar de forma precipitada o botão, eram também os que apresentavam menor atividade no córtex cingulado anterior. Quatro anos depois dos testes, 53% dos voluntários já haviam sido presos novamente e o risco foi duas vezes maior entre aqueles que tinham baixos níveis de atividade no cíngulo anterior.

 

O córtex cingulado anterior é uma região do cérebro bem conhecida por sua capacidade de regular o processamento de erros, monitoramento de conflitos e seleção de respostas. Pessoas que têm, por alguma razão, essa área danificada podem apresentar mudanças no comportamento como desinibição e agressividade.  

 

Várias pesquisas demonstram que um dos principais fatores de risco para a reincidência de um criminoso é a impulsividade e dificuldade de avaliar as conseqüências de suas ações. A atual pesquisa é o início de uma série de investigações que deverá ser realizada para ponderar se essa metodologia poderá realmente servir de auxílio na decisão de soltar ou prender um detento.

 

O uso da neurociência para prever comportamentos criminosos – a neuroprevisão – já abre uma grande discussão ética. Um presidiário pode ser obrigado a ser submetido a um exame de RMf? Além disso, o exame de RMf depende da colaboração da pessoa que está sendo examinada e se o exame for feito na marra, os resultados não serão nada confiáveis.

 

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