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Uma pesquisa publicada esta semana pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, aponta que os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) permanecem até a vida adulta em 30% dos casos e 60% desses apresentam outras morbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão, alcoolismo e abuso / dependência de outras drogas. O estudo envolveu mais de cinco mil crianças americanas que foram acompanhadas desde o nascimento por 27 anos em média.   

 

O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.

 

Esta semana o jornal New York Times compilou dados fornecidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que fez uma pesquisa por telefone com 76.000 pais entre 2011 e 2012. A reportagem afirma que 15% dos meninos em idade escolar nos Estados Unidos receberam diagnóstico de TDAH, contra 7% entre as meninas. Entre os jovens com idades entre 14 e 17 anos, o resultado é ainda maior: 19% para os meninos e 10% para as meninas.

 

No Brasil, uma pesquisa divulgada em 2011 revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre 4 a 18 anos.

 

A tão esperada nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) deve aumentar ainda mais o número de crianças que receberão o diagnóstico de TDAH, já que o comitê deslocou a idade máxima de início dos sintomas de sete para 12 anos. O argumento é que muitas crianças entre essas duas idades não estão sendo dignosticadas, já que dificuldades de atenção passam a ser mais perceptíveis após os sete anos quando as crianças já estão na escola.

 

Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.

 

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