Neste próximo maio deverá ser publicada a tão esperada versão nova do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM). O DSM é a bíblia dos profissionais da área psiquiatria que lista diferentes categorias de transtornos mentais e os critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA). Porém, seu conteúdo á alvo de muitas polêmicas.

 

Um das principais críticas à nova classificação é o transtorno de sintoma somático, um novo diagnóstico que pode rotular milhões de pessoas como doentes da mente. Ele substituirá o antigo transtorno somatoforme da atual classificação que exige que sejam excluídas quaisquer explicações médicas para os sintomas. Além disso, é discutível a validade do diagnóstico que tem um índice de falsos positivos de 7%. De acordo com estudos preliminares, o transtorno pode ser diagnosticado em 15% de pacientes cardíacos ou oncológicos. Será que é isso tudo  mesmo?

 

O fato é que a nova classificação abrirá espaço para muitos novos diagnósticos, mais pessoas serão classificadas como doentes da mente. Inflação de patologias, medicalização da experiência humana.

 

Será que chegaremos ao ponto de dizer que todo mundo é portador de pelo menos uma doença?

                              

O termo medicalização define o fenômeno em que um comportamento ou uma condição física ou mental passa a ser tratado como se fosse um problema médico, recebendo um rótulo de doença e opções de tratamento. 

 

O centro da discussão quando se fala em medicalização é a força da indústria farmacêutica nesse processo que impulsiona a sociedade civil, profissionais de saúde, órgãos do governo e a mídia a retroalimentarem a cultura de que todo organismo vivo da espécie sapiens, a princípio, deve ter alguma doença ou precisa de algum remédio. Todos esses atores têm seu papel na medicalização.

 

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