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Tanto a ciência como a história nos mostra que o sono naturalmente se divide em duas partes. Antigamente dormíamos uma primeira parte por quatro horas e, após um intervalo de uma a duas horas, dormíamos um segundo período de quatro horas. Estranho? Esse também foi o comportamento das pessoas que participaram de um experimento conduzido na década de 1990 em que ficavam na escuridão completa por 14 horas consecutivas.
Logo em seguida o historiador Roger Ekrich publicou outro estudo clássico, após 16 anos de pesquisa, evidenciando que era assim mesmo que as pessoas dormiam antes da fartura de iluminação. Roger chegou a essa conclusão após análise de textos médicos antigos, estudos antropológicos de tribos mais modernas da Nigéria e a própria literatura, incluindo a Odisseia de Homero, Dom Quixote de Cervantes entre outros.
No intervalo dos dois tempos, na “chuveirada”, as pessoas faziam de tudo, desde visitar um vizinho, fumar um cigarrinho, mas a maioria ficava na cama mesmo, lendo, fazendo sexo, refletindo ou rezando. Um manual médico do século XVI recomendava que o casal que quisesse fazer um filho deveria tentar no intervalo entre os dois sonos, pois nesse período a fertilidade seria maior. Outro dizia que o intervalo era o melhor momento para se estudar.
As referências dos dois sonos passaram a ficar cada vez mais raras a partir do fim do século XVII, coincidente com a iluminação das casas e das ruas e da criação de estabelecimentos noturnos. A noite que era só para os malditos (bêbados, criminosos, prostitutas), passou a ser um cenário de pessoas respeitáveis. Paris em 1667 foi a primeira cidade a se iluminar e dois anos depois foi a vez de Amsterdã. A noite passou a ser fashion e passar a noite na cama passou a ser considerado uma perda de tempo. Um jornal médico em 1829 recomendava que os pais estimulassem os filhos a dormir num bloco só, um sono contínuo.
Parece mesmo que acordar no meio da noite faz parte da nossa fisiologia normal. A ideia fixa de dormir num único round pode trazer angústia ao homem moderno e também vender bilhões e bilhões de medicamentos para “consertar” o sono. O intervalo entre os sonos pode ter sido importante para o equilíbrio psíquico, já que há muitos relatos que esse tempo era usado para refletir sobre os sonhos.
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Por volta dos 15 anos de idade nosso encéfalo alcança seu maior peso (~ 1350g), com uma perda de cerca de 1,5% desse peso a cada década. Essa redução se dá muito mais por redução do tamanho dos neurônios do que por destruição dos mesmos. Paralelamente, há uma redução no número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral. Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.
Mas será que esse declínio cognitivo é inevitável? O fato é que alguns chegam a idades muito avançadas com memória comparável a de pessoas com seus 50-60 anos. O que será que esses supercérebros têm de diferentes?
Quando se compara esses supercérebros com outros da mesma idade, mas com o discreto declínio cognitivo esperado para a idade, observa-se que eles têm a substância cinzenta mais avantajada e comparável à de “jovens” de 50-65 anos. E não é só isso. Os superoctagenários apresentam uma região do cérebro até mais desenvolvida que aqueles 20 anos mais novos. Essa região é conhecida como cíngulo anterior, região fortemente associada à nossa capacidade de prestar atenção nas coisas e também faz parte do sistema de recompensa cerebral. Isso pode ser a chave do sucesso para a boa memória dos superoctagenários.
Entender melhor o que esses supercérebros têm de diferente pode ser tão promissor para a criação de terapias para a prevenção da doença de Alzheimer como conhecer os cérebros doentes.
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Uma pessoa que passa a noite sem dormir, se for ao mercado, compra comida em maior quantidade e mais produtos calóricos do que se tivesse dormido bem. Além disso, a privação de sono também leva ao aumento dos níveis de grelina no sangue, hormônio que está associado à sensação de fome e preservação de gordura no corpo. Esses são os resultados de uma pesquisa publicada esta semana no periódico Obesity da Sociedade Americana de Obesidade.
O estudo foi conduzido por pesquisadores suecos que recrutaram 14 homens jovens com peso ideal e os instruíram a comprar, com 50 dólares, o máximo que conseguissem num mercado. Eles deveriam imaginar que estavam comprando a comida dos próximos dias e tinham 40 itens para escolher: 20 bem calóricos e 20 de baixa caloria. Em um dia eles foram às compras após uma boa noite de sono. Um mês depois foram ao mesmo mercado sem ter dormido na noite anterior. Antes das compras todos tomaram um café da manhã padronizado. Sem dormir, a compra teve um peso em comida18% maior e tiinha 9% mais calorias.
Já tínhamos evidências de que a privação de sono era capaz de aumentar o consumo calórico. Já foi até demonstrado que os centros de recompensa cerebral são mais ativados quando olhamos para imagens de alimentos quando estamos em dívida com o sono. O atual estudo é inédito ao demonstrar que o tipo de alimento que se compra para os próximos dias também é influenciado pelo quanto se dorme. A compra mais calórica tem efeitos que vão além do dia subseqüente da noite mal dormida.
O aumento dos níveis de grelina no sangue já havia sido demonstrado anteriormente por outras pesquisas.. No presente estudo, não houve associação entre os níveis do hormônio e as compras no mercado, sugerindo que outros fatores devam estar envolvidos nesse comportamento de maior consumo.
Sabemos também que a capacidade de tomar decisões é prejudicada após uma noite mal dormida. Mais estudos deverão ser realizados para avaliar o quanto a privação de sono interfere no comportamento de compras de outros itens de consumo.
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A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existam três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.
Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima”, já que o nível de compreensão que temos hoje dos seus mecanismos biológicos só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas. Para entender o que é epilepsia, precisamos entender um pouquinho como é o que o cérebro funciona.
Quando nosso cérebro dá a ordem para nossa mão mexer, ele está disparando um impulso nervoso que nada mais é do que um impulso elétrico de baixíssima intensidade. Até chegar à mão, esse impulso viaja pelas ramificações dos neurônios e passará também por estações em que os impulsos dependem de transporte químico, as sinapses, para que a informação chegue enfim aos músculos da mão. Tudo isso acontece quando resolvemos mexer a mão voluntariamente. Imagine agora um grupo de neurônios que resolve disparar esses mesmos impulsos “sem a nossa autorização”, provocando movimentos involuntários da nossa mão. E esses neurônios não ficam disparando o tempo todo de forma anormal. Pode ser uma vez ao mês, uma vez ao ano, todo dia, e quando disparam provocam o que conhecemos como crise epiléptica.
É muito comum a comparação de uma crise epiléptica com um curto circuito, um fio desencapado no cérebro. Qualquer lesão cerebral, independente do tamanho, é capaz de provocar esse curto circuito. Uma pessoa que come uma alface mal lavada com um ovinho de solitária escondido pode ter esse ovinho alojado numa região do cérebro que causará uma lesão do tamanho de uma semente de maçã. Esse pequeno corpo estranho no cérebro pode ser capaz de provocar uma crise epiléptica. Da mesma forma, uma criança que tem uma lesão cerebral extensa em ambos os hemisférios cerebrais, pois nasceu com uma doença genética associada a grave retardo mental, também pode vir a apresentar crises epilépticas. Essa é uma informação importante para a redução do estigma da epilepsia, pois muita gente associa a epilepsia a cérebros gravemente alterados.
E não é só uma lesão cerebral que pode provocar uma crise. Existem situações médicas que podem provocar severo desequilíbrio bioquímico do corpo, como grandes alterações nas concentrações de sódio e cálcio, situações que podem provocar um curto circuito difuso no cérebro. O mesmo pode ocorrer quando uma pessoa faz uso de uma substância neurotóxica, como é o caso da cocaína. Além disso, existem algumas condições genéticas em que o indivíduo tem uma tendência a apresentar crises epilépticas após certa idade, geralmente na infância e adolescência, e essas são situações em que o cérebro funciona normalmente, não apresenta lesões, mas os neurônios têm algumas peculiaridades que podem gerar curtos circuitos episódicos.
Podemos dizer que uma pessoa tem epilepsia quando já apresentou mais de uma crise epiléptica não provocada. Crises não provocadas são as crises que acontecem espontaneamente, sem a presença de um desequilíbrio agudo e transitório do cérebro (ex: redução na concentração de sódio). Mais recentemente reconhece-se que mesmo que a pessoa tenha apresentado uma única crise, mas na presença de alteração cerebral que pode vir a causar outras crises, essa pessoa já pode ser considerada como portadora de epilepsia.
Uma questão importante que faz com que a epilepsia seja subdiagnosticada é o fato da maioria das pessoas acharem que crise epiléptica é igual a convulsão, ou seja, crise em que a pessoa perde a consciência, fica toda dura, roxa e se debatendo, os olhos ficam revirados, pode babar e urinar ou defecar na roupa. A convulsão é o tipo mais dramático de crise, e significa que o cérebro passa por um curto circuito difuso. Porém, existem crises epilépticas muito mais discretas e essas geralmente são reflexo de disparos anormais em apenas uma região do cérebro, não se espalhando para o cérebro todo, como é o caso da convulsão. Se o curto circuito acontece somente na região onde estão os neurônios que controlam o movimento da mão esquerda, a crise se manifestará como movimentos repetidos e involuntários dessa mão. Seguindo o mesmo raciocínio, uma crise pode se apresentar como uma sensação psíquica, diminuição da responsividade ao meio, formigamento de um lado do corpo, alucinações visuais, etc. O fato é que crises que inicialmente envolvem só uma região do cérebro podem em seguida ser propagadas para o cérebro como um todo, causando uma convulsão.
Já estamos no século 21 e ainda existe muita ignorância sobre o real significado da epilepsia. A falta de informação é a principal causa do enorme estigma e preconceito que sofrem os portadores de epilepsia, o que dificulta sobremaneira a inclusão social dessas pessoas. Em 1997 foi criada uma campanha mundial para reduzir o impacto do estigma da epilepsia, assim como para melhorar o diagnóstico e o manejo dos pacientes (Campanha Global – Epilepsia fora das sombras). Desde 2002 o Brasil é um dos países que mais tem trabalhado para a campanha graças ao trabalho do projeto ASPE (Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia – www.aspebrasil.org) que vem efetivamente tirando a epilepsia das sombras em nosso país. Em algumas áreas do conhecimento científico o Brasil está à frente de muitos países desenvolvidos, e a epilepsia é um bom exemplo disso. Realmente, poucos países do mundo têm o nível de desenvolvimento científico que tem a epilepsia no Brasil.
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Já temos evidências suficientes para dizer que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas de menor poder aquisitivo. Mas como é que explicamos essa relação? Mais uma vez vem a pergunta: Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? As crises de enxaqueca limitam as pessoas em idade produtiva e por isso perdem oportunidades de estudo e trabalho? Ou será que as pessoas com menor poder aquisitivo vivem mais eventos estressantes, têm menor facilidade em buscar um serviço médico, e por isso acabam tendo mais crises de enxaqueca?
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia confirmou que a enxaqueca é mais comum entre as pessoas com menor poder aquisitivo, mas o tempo em que elas apresentam crises ao longo da vida não é maior. Indiretamente, isso sugere que os fatores ambientais podem não ser tão importantes assim, senão essas pessoas continuariam a ter enxaqueca por mais anos que os mais abastados de dinheiro. Entretanto, não há como negar que as pessoas de menor poder aquisitivo podem ter mais enxaqueca por serem mais susceptíveis a vivenciar condições que costumam despertar as crises de enxaqueca, como o estresse psicossocial, privação de sono e alimentação irregular.
A pesquisa envolveu mais de 160 mil americanos com idade superior a 12 anos. O poder aquisitivo dos voluntários foi classificado em três grupos: baixo, médio e alto. Mais enxaqueca foi detectada na população de baixa renda. Para se ter uma ideia, entre as mulheres com idade de 25-34 anos, 20% daquelas com alta renda apresentavam o diagnóstico comparado a 37% das que tinham baixa renda. No caso dos homens dessa mesma faixa etária, essa diferença não foi diferente: 5% nos de alta renda e 13% nos de baixa renda. O estudo também demonstrou que o grupo de menor renda apresentava crises de dor mais severas e maior abstenção na escola e no trabalho.
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Às vezes não é fácil entender o que o outro está dizendo num ambiente cheio de gente falando ao mesmo tempo. Parece que isso é mais fácil quando a voz já é familiar e, para entender o que uma pessoa desconhecida está falando, o zum zum zum de uma voz familiar facilita a tarefa. Essa é conclusão de uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Psychological Science.
Pesquisadores ingleses conduziram um estudo com casais em que cada um dos participantes tinha que ler um texto em voz alta que era gravado. Depois tinham que ouvir com fones de ouvido a gravação de seu cônjuge simultaneamente à gravação de uma voz desconhecida. Os voluntários tinham o desafio de reproduzir em momentos diferentes o que o cônjuge e a voz desconhecida diziam na gravação.
O resultado foi que entender o (a) parceiro (a) foi mais fácil que a voz desconhecida e essa facilidade foi independente da idade do voluntário. Já no caso da voz desconhecida, a idade fez diferença: os mais velhos tiveram mais dificuldade. O mais interessante foi que entender a voz desconhecida quando misturada a outra voz desconhecida foi mais difícil que quando misturada com a voz do cônjuge. Foi mais fácil ignorar a voz familiar do que uma desconhecida. Nesse quesito, mais uma vez os idosos tiveram mais dificuldade. Entretanto. podemos pensar que o zum zum zum do cônjuge trará relativamente mais benefícios aos idosos do que aos jovens na hora de entender o que um desconhecido está falando.
Os idosos têm notória dificuldade em ouvir alguém falando quando existe ruído ao fundo. Os achados dessa pesquisa identificaram que um som familiar ao fundo pode facilitar a compreensão, especialmente nessa faixa etária.
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Além de terem uma maior sobrevida, as pessoas que se dedicam a trabalhos voluntários têm a percepção de terem um melhor estado físico e psicológico e apresentam menor risco de depressão. Essa é a conclusão de uma metanálise de quarenta estudos sobre o assunto recém-publicada no jornal BMC Public Health.
Mas quais seriam os mecanismos que explicariam a promoção de todos esses efeitos benéficos do voluntariado? Incremento das iterações sociais é uma possibilidade. Além disso, o voluntariado é capaz de aumentar a motivação e promover uma sensação mais profunda de sentido na vida. Quando a motivação é para ajudar o outro, essa sensação pode ser ainda mais forte, pelo sentimento de dedicação a algo maior do que a si próprio. Quando o voluntário é orientado pelo altruísmo, este te maior chance de apresentar um melhor equilíbrio psicossocial.
Toda forma de voluntariado é legítima, mas quando a razão é focada em interesses próprios, a chance de estresse é maior, especialmente quando a expectativa de retorno não é alcançada.
No Brasil, estima-se que 25% da população já exerceram algum trabalho voluntário e 11% continuam exercendo. A razão mais comumente relatada pelos voluntários para exercer essa atividade é o altruísmo, devolver algo à comunidade.
Precisa ter alguém olhando?
O altruísmo é uma especial característica da espécie humana já que estende os benefícios de nossas boas ações a indivíduos que não fazem parte do núcleo familiar. Atualmente há uma forte linha de pesquisas que busca explicar as raízes de nossas ações altruísticas através da ideia de que elas podem gerar ganhos do ponto de vista de reputação, colocando o altruísmo como uma possível vantagem evolutiva, ou seja, indivíduos com comportamento altruísta teriam maior chance de sucesso em gerar descendentes.
Esse efeito reputação é ainda mais reforçado por resultados de pesquisas que evidenciam que ações altruísticas são maiores quando há plateia. Além dos potencias ganhos sociais, há outro nível de recompensa, já que nosso sistema cerebral de recompensa e prazer é ativado quando nos doamos para outras pessoas. Tudo isso não é simples ceticismo. O corpo atual de evidências nos faz pensar que nosso cérebro evoluiu para se sentir bem fazendo bem aos outros e que isso permitiu que aumentássemos nosso potencial de relações e procriação.
O comportamento humano frente a situações injustas reforça ainda mais o papel da reputação como base do altruísmo. Experimentos nos mostram que indivíduos que assistem a uma situação de injustiça, que não os afeta pessoalmente, ganham em reputação quando assumem um comportamento de punição à injustiça. Esse comportamento também ativa os centros cerebrais de recompensa.
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Pesquisadores da Universidade da California Santa Barbara levantaram a questão se a ciência com suas características de racionalidade, imparcialidade e de busca pela verdade é capaz de evocar nas pessoas um comportamento de moralidade. Eles conseguiram demonstrar em quatro diferentes experimentos que só pensar no assunto ciência já é o suficiente para promover esse comportamento.
Estudo 1. Voluntários leram um texto em que um rapaz estupra uma garota que o convida para tomar uma bebida em sua casa. Os participantes desse estudo julgaram o quão inapropriado foi o comportamento do rapaz e depois responderam a questões sobre seus respectivos campos de estudo e à questão “Quanto você acredita na ciência?”.
Os resultados mostraram que o estudo de ciências está positivamente correlacionado a uma maior condenação do ato de estupro. Crença na ciência foi também correlacionada com a condenação moral do ato de estupro da história. Um fator importante é que a condenação moral não correspondeu com outras variáveis como religiosidade ou grupo étnico.
Estudos 2 a 4. Os voluntários eram instruídos a fazer uma tarefa com palavras que remetem à ciência como teoria, lógico, hipótese, cientista e laboratório. Outro grupo fazia a tarefa com palavras neutras (ex: sapatos).
Estudo 2. Depois da tarefa com as palavras, os voluntários liam o texto do estudo 1. Os que fizeram a tarefa com as palavras relacionadas à ciência julgavam mais severamente a transgressão moral.
Estudo 3. Os participantes indicaram a possibilidade de terem comportamentos pró-sociais no mês seguinte (ex: doar sangue, voluntariado). Os que trabalharam com as palavras “científicas” tinham mais expectativas de realizar atividades altruístas.
Estudo 4. Os participantes recebiam cinco dólares e eram orientados que deveriam dividir o dinheiro entre eles e um participante anônimo. Aqueles mais envolvidos com ciência dividiram o dinheiro de forma equilibrada.
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A personalidade de fulano é típica de que quem tem o hemisfério cerebral esquerdo mais ativo já que ele é bastante lógico, detalhista e analítico. Já beltrano que é criativo, subjetivo e reflexivo, este deve ter o hemisfério direito mandando mais que o esquerdo. Faz algum sentido esse tipo de comentário? Parece que não e essa é conclusão de uma pesquisa recém-publicada por neurocientistas da Universidade de Utah – EUA na prestigiada revista PLoS ONE.
Sabemos há muito tempo que algumas funções cerebrais são lateralizadas. Isso significa que um hemisfério é mais especializado que o outro para o desempenho da função. Esse é o caso da linguagem e da orientação espacial. Isso é diferente de dizer que um hemisfério é mais ativo que outro.
No caso da linguagem, a quase totalidade dos destros tem essa função desempenhada pelo hemisfério esquerdo, enquanto nos canhotos, cerca de 70% também tem essa função controlada por esse hemisfério. O hemisfério direito, por sua vez, é melhor na percepção da linguagem musical e também é ele que dá à fala as características afetivas, também conhecidas como prosódia.
No presente estudo os pesquisadores analisaram as imagens cerebrais de mais de mil voluntários através de uma técnica especial de ressonância magnética que permite avaliar o grau de conexões entre diferentes áreas do cérebro. Eles não encontraram nenhuma evidência de que as pessoas têm mais conexões em um hemisfério do que em outro. Se tivesse maior atividade em um hemisfério, era de se esperar que as conexões entre as diversas regiões desse lado do cérebro fossem mais robustas.
O fato é que não há um hemisfério dominante outro “dominado”. O cérebro funciona como uma grande orquestra. Também é um pensamento ultrapassado que só usamos 10% dele. Os músicos todos tocam. Todos têm sua partitura.
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O Facebook revolucionou em pouquíssimo tempo a forma como as pessoas interagem umas com as outras. Já são mais de um bilhão de usuários sendo que metade deles conecta-se diariamente!
Já foram realizados alguns estudos com a intenção de avaliar o impacto do Facebook sobre o bem estar psíquico dos usuários, mas os resultados são conflitantes. Nenhum desses estudos permitiu uma análise desse efeito ao longo do tempo, o que seria a metodologia ideal, ajudando a esclarecer a velha pergunta do “o ovo ou a galinha veio primeiro”.
Esta semana o prestigiado periódico PLoS ONE publicou o primeiro estudo prospectivo sobre a influência do Facebook na satisfação com a vida e felicidade. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA estudaram 82 voluntários com 19 anos de idade em média e usuários do Facebook e smartphones. Por um período de duas semanas eles recebiam 5 vezes por dia um questionário pelo celular com cinco questões:
* Como você se sente neste exato momento?
* O quanto você está aflito(a) agora?
* O quanto você se sente solitário (a) agora?
* O quanto você ficou conectado (a) no Facebook desde a última vez que você respondeu a este questionário?
* O quanto você interagiu com outras pessoas de forma presencial ou por telefone desde a última vez que você respondeu a este questionário?
Os resultados mostraram que, quanto mais as pessoas usavam o Facebook, pior elas se sentiam no período subseqüente. Quando se comparou o grau de satisfação com a vida no início e no fim do estudo através de escalas bem validadas, foi detectada uma piora proporcional ao tempo que as pessoas ficavam conectadas. Por outro lado, quanto mais as pessoas interagiam de forma direta (presencial ou telefone), melhor elas se sentiam.
Para decifrar o enigma da propaganda do biscoito – fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho, os pesquisadores demonstraram que os voluntários não usavam mais o Facebook quando estavam se sentindo mal. Além disso, apesar das pessoas terem se conectado mais quando se sentiam mais sozinhas, esse fator teve sua importância independente do Facebook em relação ao bem estar.
Novos estudos precisam ser conduzidos para encorpar esses resultados, mas o Facebook não parece ser só um bode expiatório nessa história. E por que ele teria o poder de concorrer com o nosso bem estar? Porque rouba o tempo de outras atividades que nos fazem bem como a atividade física? Porque deflagra comparações perniciosas? Muitas perguntas ainda estão no ar.
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Não é raro as pessoas queixarem-se de que naquele tal dia o cérebro não estava ajudando muito enquanto em outros não deixou nada a desejar. Será que nosso desempenho cognitivo flutua mesmo? A idade pode fazer diferença?
Para tentar responder a essas questões, pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha conduziram um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Psychological Science e que apontou que existe, mas é muito discreta, uma variabilidade do desempenho cognitivo num mesmo dia e também dia após dia. Essa variabilidade é menor ainda entre os idosos.
Os pesquisadores testaram mais de 200 voluntários separados em dois grupos com idades de 20 a 31 anos e de 65 a 80 anos. Os testes incluíam velocidade de percepção, memória episódica, memória de trabalho e foram repetidos em 101 diferentes sessões em média. O desempenho cognitivo dos idosos foi menor do que o dos jovens, mas foram mais regulares ao longo dos dias. Essa maior regularidade pode ser explicada por menos eventos estressantes, humor mais estável, maior aprendizado de estratégias para resolução de problemas e maior motivação.
Os resultados são importantes por reforçar o valor que indivíduos mais velhos têm na força de trabalho. Já é bem reconhecido que algumas qualidades estão fortemente associadas à experiência. Um estudo realizado numa fábrica de automóveis pelos mesmos autores da atual pesquisa mostrou que erros graves eram cometidos menos freqüentemente pelos mais velhos.
O envelhecimento cerebral normal provoca discretas perdas, muito pequenas se comparadas à riqueza de conexões neuronais que um indivíduo forma no decorrer da vida. O cérebro humano, ao envelhecer, compensa as pequenas perdas com a experiência adquirida. Tem mais repertórios para tomas decisões mais acertadas.
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Duas xícaras de chocolate quente por dia são capazes de deixar o cérebro mais afiado. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Sessenta voluntários com uma média de idade de 73 anos beberam por 30 dias duas xícaras diárias de chocolate quente e foram submetidos a uma série de testes de memória e de outras funções cognitivas. Além disso, eles tiveram o fluxo de sangue cerebral medidos durante os testes cognitivos pela técnica de doppler transcraniano.
Após o consumo de chocolate os voluntários passaram a apresentar um melhor desempenho nos testes cognitivos e também um aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante os testes. Metade deles recebeu chocolate rico em flavanols (chocolate amargo) e outra metade chocolate menos rico nessas substâncias. Os resultados não foram diferentes entre os grupos. Ambos tiveram melhora nos indicadores.
Os resultados sugerem que os flavanols não devem ser vistos como únicos candidatos que explicam os efeitos benéficos do chocolate sobre o cérebro. Além disso, pode ser que o cérebro seja tão sensível aos efeitos dos flavanols que baixas concentrações já fazem a diferença.
A prestigiada revista Nature publicou recentemente uma enquete entre ganhadores do Prêmio Nobel que revelou que quase metade dos entrevistados consumia chocolate mais de duas vezes por semana. Alguns deles declararam que o hábito deu um bom empurrãozinho para os seus feitos. A Fundação Nobel pelo jeito leva o chocolate a sério, pois além da medalha, do diploma e do cheque poderoso, os vencedores levam para casa réplicas de chocolate da medalha.
Esta última semana tivemos mais uma pista que ajuda a entender porque uma pessoa que sofre de enxaqueca com aura tem mais chance de sofrer um derrame cerebral.
Pesquisadores americanos demonstraram que essas pessoas têm a rede de vasos sanguíneos incompleta, especialmente nas regiões mais posteriores do cérebro. Foram estudados 170 voluntários com e sem enxaqueca através de angiografia e ressonância magnética. O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.
Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam também o fenômeno da aura, que é um aviso de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente apresenta-se como sintomas visuais – visão de pontinhos luminosos, flashes em ziguezague, falha no campo visual. Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e, mais raramente, como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura, o cérebro é acometido por uma breve onda de excitação, seguida imediatamente de uma onda de depressão de sua atividade elétrica de forma mais sustentada. Esse componente elétrico é acompanhado de breve dilatação dos vasos, seguida por constrição e, consequente, redução do fluxo sanguíneo. Esse fenômeno também é demonstrado em pessoas com enxaqueca que não experimentam sintomas da aura.
Existem outras explicações para a relação entre enxaqueca com aura e derrame cerebral:
Aterosclerose e sangue com maior tendência à coagulação
Alterações cardíacas
Redução do calibre dos vasos durante a crise de enxaqueca
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Um estudo publicado esta semana no prestigiado periódico Current Biology apontou que temos uma tendência a dormir menos no período da lua cheia.
Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono. A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, numa mesa de bar e na lua cheia, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.
Dito e feito. A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos. Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.
Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo realizado entre quatro paredes. A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos. Isso pode ter representado uma vantagem evolutiva ao fazer com que caçadores e coletores dormissem menos para aproveitar a luminosidade generosa da lua cheia.
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Já é bem sabido que o hábito de fumar aumenta o risco de demência, mas os mecanismos para esse efeito nocivo do cigarro ainda não são bem conhecidos. Um maior contingente de lesões vasculares sempre foi o principal candidato para explicar essa associação, mas recentemente tivemos evidências de que a questão envolve não só os vasos sanguíneos.
Pesquisadores holandeses demonstraram que o tabagismo está associado a alterações da substância branca do cérebro através de análise por técnicas de ressonância magnética sensíveis a alterações microestruturais . Mais importante ainda foi o achado de que essas alterações já não estavam mais presentes entre indivíduos que já não fumavam há 20 anos ou mais. Alem disso, aqueles que ainda mantinham o vício apresentavam pior desempenho cognitivo do que os ex-fumantes.
Outro recente estudo acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e mostrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo.
Maço de cigarros sem logotipo pode ajudar a parar de fumar
Já é bem demonstrado o impacto positivo que têm as imagens associando o tabagismo a problemas da saúde, sejam nos maços de cigarro ou em peças publicitárias como cartazes. Cerca de um quarto dos ex-fumantes declara que essas imagens ajudaram na decisão de largar o vício e a não voltar a fumar. Além disso, as imagens ajudam a reduzir a incidência de novos fumantes.
A Austrália foi além. Foi o primeiro país a regulamentar que as diversas marcas de cigarro deveriam ser identificadas no maço por uma fonte padrão em um fundo escuro com 75% da frente do maço reservado a imagens de alerta. Esta semana o British Meidcal Journal publicou os primeiros resultados dessa experiência mostrando que a iniciativa fez com que os tabagistas passassem a achar que os cigarros não davam o mesmo prazer de antes e também passaram a pensar mais na decisão de parar de fumar.
Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e ainda representa a principal causa de morte evitável em muitos países. O que as pesquisas têm demonstrado é que os não fumantes e ex-fumantes, além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com maior qualidade de vida e com um cérebro mais afiado.
Calcula-se que, dos milhões de pessoas que morrem todo ano por causa do cigarro, 10% nunca colocaram um cigarro na boca – só respiraram a fumaça dos outros.
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Como você usa o tempo em que você se comunica com as outras pessoas? Será que na maior desse tempo você fala de si mesmo? Na verdade, as pessoas gastam 30-40% do tempo de conversa falando de si mesmas e nas plataformas de mídias sociais isso chega aos 80%. Por que as pessoas falam tanto assim do próprio umbigo? A neurociência tem demonstrado que a resposta não é tão complicada: é porque dá barato ao cérebro.
Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram recentemente cerca de 200 voluntários que, enquanto seus cérebros eram mapeados pela ressonância magnética funcional. deveriam falar ou de si mesmos, da própria personalidade, ou dos outros (ex: presidente Obama). Áreas do cérebro conhecidas como sistema de recompensa cerebral foram ativadas mais fortemente quando os participantes da pesquisa falavam deles mesmos. Esse sistema é ativado quando fazemos algo que merece ser repetido como escutar uma boa música, comer um pedaço de chocolate, fazer sexo, etc.
Os pesquisadores foram além. Queriam saber se essa ativação seria ainda maior se houvesse plateia. Conduziram então um segundo experimento, só que dessa vez o voluntário passaria a falar na presença de um amigo ou parente. Bingo! A hipótese foi confirmada. Falar de si mesmo para os outros ativou ainda mais o sistema de recompensa.
E qual seria uma boa explicação para que, na evolução da espécie, o cérebro passasse a ter prazer em expor nossa vida aos outros?
1- incremento das ligações interpessoais e rede social – só isso já é uma vantagem evolutiva e ainda promove o sentimento de felicidade
2- feedback – críticas podem ajudar o crescimento pessoal
3- responsabilidade compartilhada de uma memória
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Pesquisadores japoneses publicaram um estudo esta semana na revista Frontiers in Psychology em que demonstraram que uma música considerada triste pode evocar emoções positivas.
A pesquisa recrutou 44 voluntários para ouvir três peças clássicas ocidentais desconhecidas: duas tristes (tonalidade menor) e outra alegre (tonalidade maior). Parte dos voluntários era formada por músicos e outra por não músicos. Depois de ouvir cada peça musical eles respondiam a um questionário padrão que avaliava o quão triste ou alegre eles percebiam a música e também descreviam o estado emocional em que se encontravam.
Os resultados mostraram que as pessoas podiam perceber a música como triste, mas a experiência emocional era de sentimento de romantismo e leveza. Tinham também sentimentos negativos, mas numa intensidade bem menor que a declarada na análise da percepção consciente da música. O fato de o voluntário ser músico não fez diferença nos resultados.
Do ponto de vista cognitivo, as pessoas percebem a música como triste, mas a experiência emocional vai muito além. Traz também sentimentos positivos. Uma música triste pode até aliviar emoções negativas da vida real.
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Uma pesquisa publicada ontem pelo prestigiado periódico The Lancet mostrou que as pessoas que têm hoje 90 ou mais anos de idade têm melhor desempenho cognitivo do que aqueles da mesma idade nascidos há dez anos.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e envolveu quase quatro mil voluntários divididos em dois grupos – nascidos em 1905 e nascidos em 1915. Todos eles foram submetidos a testes cognitivos e entrevistas para detecção de transtornos psiquiátricos e avaliação da saúde geral. O grupo nascido em 1915 tinha 32% mais chance de alcançar os 95 anos do que o nascido em 1905 e ainda apresentavam melhor desempenho cognitivo. Esses resultados são compatíveis com resultados de pesquisas semelhantes realizadas nos EUA, mas existem também estudos não concordantes, mas numa faixa etária menor.
Fatores que podem explicar os resultados: melhora no padrão nutricional e de assistência médica, menor incidência de doenças infecciosas, maior estímulo intelectual e melhores condições gerais de vida. O estudo desafia o pensamento de que o aumento da longevidade tem como frutos idosos com muito comprometimento em suas atividades de vida diárias. Isso é bastante encorajador. Se na Dinamarca dez anos já fazem diferença, imagine o impacto das melhorias das condições de vida em um país como o Brasil.
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Não é só na capacidade de lembrar da data do aniversário de casamento que as mulheres deixam os homens para trás. Mulheres têm mais facilidade que os homens em reconhecer o rosto de uma pessoa e isso se dá porque elas analisam as características do rosto por mais tempo. Essa é a conclusão de uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Psychological Science, jornal da Associação de Ciência Psicológica.
Pesquisadores da Universidade McMaster no Canadá utilizaram a tecnologia de rastreamento visual para identificar o comportamento do olhar frente a uma tela de computador com diversos rostos e seus respectivos nomes. De forma inconsciente, as mulheres fixavam por mais tempo o olhar nos olhos, nariz e boca e em um segundo momento conseguiam associar melhor a fisionomia com o nome de cada figura. Os achados ajudam a entender por que algumas pessoas lembram-se mais facilmente da fisionomia de uma pessoa, mesmo após um único encontro.
Essa mesma tecnologia é utilizada por publicitários e designers para entender qual parte de uma imagem ou objeto tridimensional as pessoas fixam mais o olhar. Além disso, muitas pesquisas estão em andamento para identificar padrões dos movimentos oculares característicos em algumas condições neuropsiquiátricas como o autismo, déficit de atenção e Doença de Parkinson.
Mulheres e homens também apresentam algumas diferenças quando a tarefa é orientação espacial. Temos dois sistemas neuronais que se complementam para esse fim. Um deles usa pistas visuais, como placas de trânsito, árvores, etc. O outro usa direção e distância. Os homens tendem a se guiar mais por direção e distância e as mulheres por pistas visuais. No mato, os homens têm menos chance de se perder, mas, em compensação, no shopping as mulheres são imbatíveis.
Placebo não é simplesmente pílula de farinha. No dia a dia da prática clínica, os médicos, às vezes, lançam mão de vitaminas e analgésicos que não têm ação específica para a condição clinica específica do paciente e discute-se muito se essa prática é ética. As diretrizes de ética médica nos EUA proíbem seu uso sem que o paciente tome conhecimento, com o argumento que a prática pode enfraquecer a relação médico-paciente. No Brasil, o código de ética médica não ampara o uso do placebo sem o conhecimento do paciente.
Uma pesquisa publicada nesta última semana pelo British Medical Journal revelou que a maioria dos americanos não vê problema em receber uma medicação placebo. O estudo envolveu 853 voluntários com idades entre 18 e 75 anos que eram acompanhados por alguma condição clínica crônica. Apenas 22% achavam inaceitável o uso de placebo. O restante considerava o placebo uma alternativa possível nos casos em que o médico tem clareza que os benefícios são maiores que os riscos e, melhor ainda, quando existir transparência no que está sendo proposto quando o médico é interrogado.
Ao invés de pílula de farinha, que tal pílula de carinho?
Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido – é o efeito placebo.
Para ter idéia do poder de uma consulta médica em que o médico demonstra empatia, veja os resultados desta pesquisa:
Três tipos de tratamento foram oferecidos a pacientes com o diagnóstico de síndrome do intestino irritável: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:
* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;
* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a doença tem sido difícil para você);
* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);
* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;
* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência e bons resultados com este problema).
Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas?
A resposta foi sim em:
* em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)
* em 44% dos pacientes do grupo 2 (acupuntura placebo)
* em 62% dos pacientes do grupo 3
(acupuntura placebo + atendimento padronizado)
Não é que a pílula de carinho é poderosa mesmo?


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