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Um estudo recém-publicado pela revista Archives of Internal Medicine demonstra que quem come menos carne vermelha e carnes processadas vive mais. A pesquisa acompanhou por 10 anos mais de meio milhão de pessoas com idades entre 50 e 71 anos. A quinta parte das pessoas que mais ingeria carne vermelha (média de 62.5g / 1000 Kcal por dia) foi a que apresentou maior mortalidade independente da causa, e também maior mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer quando comparada à quinta parte que menos ingeria carne vermelha (média de 9.8g / 1000 Kcal por dia). Essa mesma relação de risco foi observada com o consumo de carnes processadas – maior consumo e maior risco de mortalidade. No caso da carne branca, os resultados foram exatamente opostos. A quinta parte das pessoas que mais ingeria carne branca tinha menor risco de mortalidade geral assim como por doenças cardiovasculares e câncer, quando comparada à quinta parte que menos comia carne branca.
Os pesquisadores calculam que 11-16 % das mortes poderia ser evitada se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.
Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.
Prevenir é melhor que remediar. Infelizmente não é isso que está acontecendo entre indivíduos com doenças cardíacas: eles estão fumando mais e com mais obesidade e diabetes. Esse é o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo jornal The Lancet que avaliou fatores de risco vascular ao longo de 12 anos entre europeus que já tiveram problemas cardíacos.
Apesar do aumento substancial do uso de drogas anti-hipertensivas, não houve redução na prevalência de hipertensão arterial. A análise aponta que 3 em cada 5 indivíduos ainda apresentam hipertensão arterial, 20% fumam (o fumo entre as mulheres cresceu) e 50% têm alterações nos níveis de gordura no sangue. A freqüência de obesidade e diabetes cresceu de 25% e 17.4% para 38% e 28%.
Não adianta deixar a saúde por conta dos remédios: eles não dão conta sozinhos do recado. Medicações e procedimentos salva-vidas na sala de emergência, sem programas de prevenção e reabilitação, são atitudes fúteis quando se pensa em saúde de forma sistêmica. É urgente o apoio de políticas públicas inteligentes de conscientização por uma alimentação saudável, atividade física regular e pelo fim do tabagismo.
Pesquisa recém-publicada no jornal Alcohol and Alcoholism demonstra pela primeira vez que filmes e propagandas de TV em que personagens tomam bebidas alcoólicas estimulam imediatamente o consumo de álcool de quem está assistindo.
Cientistas canadenses e holandeses conduziram um experimento com 80 estudantes universitários do sexo masculino que foram divididos em quatro grupos. Um dos grupos assistiu a um filme com intensa aparição de bebidas alcoólicas incluindo intervalos com propaganda de bebida alcoólica. Outro grupo assistiu ao mesmo filme sem propagandas de bebidas alcoólicas. Dois outros grupos assistiram a um filme com pouquíssimas imagens de bebidas alcoólicas e intervalos com ou sem propaganda de bebida alcoólica.
Os voluntários assistiram aos filmes em companhia de amigos e com acesso livre a uma geladeira com bebidas alcoólicas e não alcoólicas, na tentativa de reproduzir as condições em que as pessoas assistem TV em casa. Os voluntários que assistiram a filmes com conteúdo de bebida alcoólica serviram-se de 1.5 copos a mais de cerveja ou vinho do que aqueles que assistiram filmes sem esse conteúdo num período de uma hora. Os resultados sugerem que o efeito do conteúdo de álcool na TV não só é capaz de aumentar o consumo de álcool na próxima vez que o indivíduo for ao supermercado, mas pode também estimular o consumo de álcool imediatamente.
A publicidade de cigarros já é proibida em vários países. No caso do álcool, se esses resultados forem confirmados por novos estudos, deverão servir de apoio a implantação de políticas públicas de restrição da publicidade do álcool na TV.
Não é de hoje que a disputa pelo título de melhor dieta para emagrecer aquece o mercado editorial e muitos outros mercados também. Há cerca de 20 anos as dietas pobres em gorduras e ricas em carboidratos tornaram-se populares devido à crença de que as calorias originadas das gorduras engordavam mais. Dietas ricas em gordura e pobres em carboidratos foram bem divulgadas na década de 70 pelo Dr. Robert Atkins, e voltou à moda nos últimos anos. Existem ainda as dietas com alto teor de proteínas que prometem ser mais eficazes com a idéia de que as proteínas têm o poder de promover saciedade mais precocemente.
Um grande estudo recém-publicado pelo New England Journal of Medicine revela que diferentes teores de proteína, carboidrato e gordura não influenciam a capacidade da dieta em promover perda de peso. Mais de 800 adultos com sobrepeso foram acompanhados por 2 anos. Após 6 meses do início da dieta, a média de perda ponderal foi de 6Kg (7% do peso inicial). Após um ano, os voluntários voltaram a recuperar o peso perdido, e já com dois anos de dieta, a perda ponderal média foi de 4 kg, a mesma perda de peso que os tratamentos com medicação costumam promover. O nível de satisfação com a dieta, assim como a sensação de fome e saciedade, não foram diferentes entre os diferentes tipos de dieta.
O principal recado dessa pesquisa é que o teor dos macronutrientes numa dieta não é o fator determinante de sucesso para a perda de peso. A adequação da dieta às preferências pessoais e culturais talvez sejam mais determinantes para o sucesso a longo prazo. Outro ponto que merece destaque é o fato dos voluntários não terem conseguido manter o peso perdido inicialmente, e após 2 anos, continuaram com um Índice de Massa Corporal de 31-32, ou seja obesos. Isso num cenário muito acima da média do mundo real, com voluntários selecionados, com alto nível educacional e de motivação. Além disso, o programa de dieta foi conduzido por equipe altamente especializada.
Não é preciso mais estudos para concluir que a dieta sozinha não é capaz de conter a pandemia de obesidade. Uma recente experiência na França abre caminhos para estratégias mais eficazes. No ano de 2000 duas pequenas cidades francesas iniciaram um esforço comunitário para conter a obesidade em crianças em idade escolar. Todos os setores da sociedade foram envolvidos no projeto: governo local, donos de lojas e restaurantes, cientistas, médicos, professores, meios de comunicação, associações esportivas, etc. Foram construídos parques e centros esportivos com instrutores e os pais passaram a receber orientação de como alimentar os filhos. Após cinco anos de iniciado o programa, os resultados foram impressionantes. A prevalência de sobrepeso entre as crianças passou para 8.7%, comparada a uma prevalência de 17.8% nas cidades ao redor. Esse mesmo projeto está sendo estendido agora para outras 200 cidades na Europa com a seguinte chamada: Juntos, vamos prevenir a obesidade nas crianças.
Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.
Os problemas de saúde associados ao álcool incluem a dependência química, a intoxicação aguda e o seu consumo crônico que pode provocar mais de sessenta diferenças doenças. Entretanto, uma série de estudos têm-nos mostrado que beber com moderação está associado a uma maior longevidade e é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral, Doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Os maiores candidatos para explicar esse efeito protetor do álcool são o seu efeito anti-oxidante em doses moderadas com melhora de índices de gordura no sangue e o efeito de redução da tendência de coagulação do sangue.
Então deveríamos estimular que a população beba moderadamente, ou seja, até duas doses diárias para homens e uma para mulheres? A recomendação atual da Associação Americana do Coração (American Heart Association) é a de que quem não bebe não deve começar a beber, mas para quem já tem o hábito, o médico não deve criar proibições, e sim limitar o consumo e dar preferência ao vinho, já que o vinho além do álcool contém a uva com seus nobres ingredientes à saúde (ex: resveratrol).
Um estudo recém-publicado pelo Journal of National Cancer Institute acompanhou mais de um milhão de mulheres por sete anos e demonstrou que mesmo o consumo leve a moderado de álcool está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. O consumo de álcool ainda potencializou o risco de outros tipos de câncer entre tabagistas: cavidade oral, orofaringe, laringe e esôfago. Os pesquisadores calculam que 13% dos casos desses tipos de câncer são causados pelo álcool e o risco de câncer não foi diferente entre o vinho e outros tipos de bebidas. No presente estudo, a média de consumo de álcool foi de uma dose diária (só 3% dessa população bebia mais que 3 doses diárias) e esse é o ponto que dá uma chacoalhada e amplia a análise da relação entre álcool e saúde. A conclusão mais importante do estudo é a de que não existe dose segura para o consumo de álcool.
Apesar dos efeitos protetores do álcool em doses moderadas sobre o cérebro e sistema cardiovascular, o aumento do risco de câncer anularia esses benefícios quando se pensa na saúde de forma sistêmica. Esse é um estudo tão importante que deverá mudar o discurso de boa parte dos médicos que atualmente orientam seus pacientes a tomarem um a dois cálices de vinho por dia para proteger o coração.
A obesidade (Índice de Massa Corporal > 30) entre adultos está associada a uma menor longevidade. De fato, a obesidade e o tabagismo representam as principais doenças evitáveis que têm impacto na mortalidade do mundo ocidental. A combinação desses dois fatores na adolescência pode trazer prejuízos no futuro que ainda não foram bem determinados.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que no período da adolescência, o sobrepeso (IMC 25 – 29.9), que é um intermediário ente o peso ideal e a obesidade, a obesidade e também o tabagismo, todos são fatores associados ao aumento de mortalidade na vida adulta. A obesidade apresentou o mesmo nível de risco que o consumo de mais de 10 cigarros diários, enquanto o risco de sobrepeso teve o mesmo impacto que o consumo de 1 a 10 cigarros diários. A combinação da obesidade e do tabagismo conferiu um risco maior ainda. O estudo acompanhou quase 46 mil adolescentes do sexo masculino na Suécia por uma média de 38 anos. Nesse mesmo período, a obesidade passou a ser cinco vezes mais freqüente entre adolescentes suecos e o tabagismo duas vezes menos.
Os resultados são importantes ao indicar que a intensificação de campanhas públicas de combate ao tabagismo e obesidade na adolescência são mais que justificadas.
São inúmeros estudos evidenciando benefícios do consumo moderado de álcool. Estamos falando de menor risco de infarto do coração, de derrame cerebral, de doença de Alzheimer…
Com o câncer a coisa é diferente, especialmente o câncer de boca, faringe e laringe. Um documento publicado hoje na França pelo Instituto do Câncer faz um apelo pelo Álcool Zero, independentemente se estiver ou não dirigindo.
Leia abaixo matéria de Andrei Netto do Estadão sobre o acontecimento que ainda vai dar muito o que falar.
INCa, da França, orienta profissionais de saúde a lutar até contra a taça diária de vinho.
Andrei Netto, Correspondente de O Estado de S. Paulo 17-02-09
PARIS – O mito de que uma taça diária de vinho não faz mal à saúde caiu por terra na França. O Instituto Nacional do Câncer (INCa) publicou, nesta terça-feira, 17, em Boulogne Billancourt, nos arredores de Paris, um documento no qual orienta os profissionais de saúde do país a combater o hábito de beber diariamente, que concerne 13,7% da população. O motivo: em qualquer medida, bebidas alcoólicas podem causar câncer.
O relatório se ampara nas conclusões de três institutos internacionais de pesquisas científicas: o National Alimentation Cancer Research, o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer e o Instituto Americano para a Pesquisa sobre o Câncer. O INCa tem como função coordenar na França os estudos científicos, além de orientar equipes médicas na luta contra a doença.
Segundo o documento, o consenso acadêmico sobre os riscos provocados pelo álcool já são suficientes para que campanhas de esclarecimento da população sejam realizadas, a começar pelos próprios agentes de saúde – médicos, enfermeiros, assistentes sociais. “O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos cânceres: de boca, de faringe, de laringe, de esôfago, colo-retal, do sangue e do fígado”, afirma o texto.
O documento alerta que o porcentual de aumento do risco de desenvolvimento da doença já está estimado tendo como base cada copo de álcool consumido por dia. O risco varia entre 9% a 168%. “Em particular, o aumento do risco de cânceres de boca, de faringe e de laringe é estimado em 168% por copo de álcool consumido por dia.” O relatório descarta até mesmo a ingestão diária de pequenas doses, uma tradição no país. “O aumento do risco é significativo a partir do consumo médio de um copo por dia. O efeito depende do volume consumido, não da bebida alcoólica.”
Dominique Maraninchi, presidente do INCa, e Didier Houssin, diretor-geral de Saúde, especialistas que assinam do texto, alertam que, entre outras reações nocivas no organismo, o etanol é metabolizado em acetaldeído (etanol), molécula que pode gerar mutações no DNA, potencializando a formação de tumores. Segundo os autores, a relação entre o consumo de álcool e os cânceres de boca, de faringe, de laringe, de esôfago e colo-retal, nos homens, e do seio, nas mulheres, é julgado como “convincente”. “Em matéria de prevenção ao câncer, o consumo de álcool é desaconselhado, independente do tipo de bebida (vinho, cerveja, coquetéis).”
Na França, a recomendação tem peso de choque cultural. Desde 1960, o volume de consumo de bebidas alcoólicas vem caindo, mas o nível atual – de 12,9 litros por habitante por ano – continua um dos mais elevados do mundo. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que 20,3% dos homens e 7,3% das mulheres com idades entre 12 e 75 anos bebem todos os dias no país.
Além das orientações sobre o uso zero de álcool, o relatório do INCa prega a ingestão de frutas – no mínimo cinco por dia – e verduras – 400g por dia -, o controle do sobrepeso, a moderação do uso do sal e o consumo reduzido de carne vermelha. Cada 100g diárias de carne, afirmam os experts, eleva em 29% risco de câncer colo-retal.
Pesquisadores alemães foram capazes de demonstrar em humanos aquilo que já era certo em modelos animais: uma dieta com restrição calórica é capaz de melhorar o funcionamento cerebral. Uma redução de 30% na ingesta calórica de indivíduos com média de idade de 60.5 anos por um período de três meses levou a uma melhora significativa nos testes de memória verbal, uma das funções cerebrais que os idosos mais costumam se queixar. Um recente estudo epidemiológico já havia revelado que um dos importantes fatores para a grande longevidade dos habitantes de Okinawa no Japão era o costume de restrição calórica desse povo. Tivemos agora a primeira evidência experimental em humanos de que restrição calórica é capaz de melhorar a memória em idosos.
Explicações para esse benefício da restrição calórica incluem uma melhor ação da insulina e conseqüentemente do aproveitamento da glicose pelo cérebro e redução do estado inflamatório do corpo. Essas hipóteses são concordantes com o fato de que a melhoria dos testes de memória no presente estudo foi acompanhada de redução dos níveis de insulina e de proteína C-reativa de alta sensibilidade no sangue. O estudo foi publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Clique aquí se quiser ler o artigo na íntegra (em inglês).
Para quem não sabe ou esqueceu, a Dieta Mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
Recentes estudos evidenciaram que a Dieta Mediterrânea além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares também está associada à redução do risco de Doença de Alzheimer. Os mecanismos protetores da Dieta Mediterrânea sobre o cérebro vão desde a prevenção de doença vascular cerebral a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Uma pessoa que desenvolve a Doença de Alzheimer não perde suas funções cerebrais de um dia pra o outro, e reconhece-se que o declínio pode começar até 12 anos antes do diagnóstico. Essa é uma doença progressiva, e entre o estado de normalidade e seu diagnóstico, as pessoas passam por um estágio intermediário chamado de Transtorno Cognitivo Leve. O fato é que nem todas as pessoas que apresentam Transtorno Cognitivo Leve evoluirão para a Doença de Alzheimer e a ciência tem investido muito para encontrar estratégias que sejam capazes de frear a progressão da doença. Uma pesquisa recém-publicada no Archives of Neurology revela que a Dieta Mediterrânea, além de ser capaz de reduzir o risco de desenvolver o Transtorno Cognitivo Leve, é capaz também de reduzir sua chance de evoluir para a Doença de Alzheimer.
Esse efeito protetor já havia sido demonstrado isoladamente entre diferentes componentes da Dieta Mediterrânea, como o consumo moderado de álcool, peixes e ácidos graxos insaturados. Se individualmente esses alimentos já são capazes de proteger nosso cérebro, imagine então a combinação de vários deles.
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Os ácidos graxos chamados de Omega 3 e Omega 6 fazem parte do grupo de gorduras insaturadas, bem diferentes das gorduras saturadas que encontramos nas carnes e laticínios. O Omega 3 cada dia mais é visto como um dos nutrientes mais nobres para o nosso corpo, especialmente para o cérebro e para os vasos sanguíneos, e por conta dessa boa fama, os alimentos ricos em Omega 3 estão merecidamente com a bola toda – os peixes, especialmente o salmão, atum, sardinha, e as castanhas e nozes. Paralelamente ao sucesso do Omega 3, podemos observar recomendações cada vez mais freqüentes para a redução de seu irmão Omega 6, com o argumento que seu metabolismo gera uma série de moléculas pro-inflamatórias que podem aumentar o processo de aterosclerose. Na verdade, os estudos mostram justamente o contrário: o consumo de Omega 6 está muito mais associado a uma ação anti-inflamatória do que inflamatória.
O Omega 6 também é uma gordura insaturada assim como o Omega 3, e sua principal fonte na dieta é o ácido linoleico encontrado principalmente nos óleos vegetais (ex: milho, soja, girassol). A revista Circulation, uma das publicações mais importantes da American Heart Association acaba de publicar um documento recomendando que 5 a 10% do total de energia diária consumida deve ter origem em gorduras insaturadas ricas em Omega 6. O documento conclui que a restrição do Omega 6 em níveis mais baixos que os recomendados tem mais chance de aumentar do que diminuir o riscos de doenças cardiovasculares.
Cique aqui para ler o documento na íntegra em inglês
Já é bem conhecido o efeito protetor do consumo leve a moderado de álcool sobre o sistema cardiovascular e uma nova pesquisa publicada no periódico American Journal of Epidemiology revela que os benefícios podem se estender a um envelhecimento com maior nível de independência física.
A pesquisa acompanhou mais de 4 mil americanos acima de 50 anos de idade. Consumo de álcool leve a moderado foi definido como menos de 15 doses por semana ou menos de cinco doses em um único dia para homens e menos de quatro doses para mulheres. Um consumo de álcool acima desses limites foi classificado como alto consumo e abstinência alcoólica como até 12 doses de álcool no último ano. Independência foi determinada como a capacidade de realizar tarefas do dia-a-dia como vestir-se, alimentar-se, higiene pessoal, caminhar, etc.
Ao longo de 5 anos, os indivíduos com consumo leve a moderado de álcool tiveram menos risco de tornarem-se dependentes para atividades da vida diária quando comparado aos abstêmios e àqueles com alto consumo de bebida. Esse efeito protetor do consumo moderado de álcool só foi relevante entre indivíduos que no início do estudo se auto-avaliaram como tendo uma saúde boa ou ótima, sugerindo que os efeitos positivos do álcool já não são mais detectáveis entre aqueles que já têm um estado de saúde comprometido.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrarado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cerebrovasculares e demência, incluindo a Doença de Alzheimer. Essa pode ser uma das principais explicações para esse efeito benéfico do álcool no nível de independência física durante o processo de envelhecimento.
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O cérebro parece se dar bem com baixas doses de álcool. Em altas doses ele pode se atrofiar.
A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.
O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.
A crescente oferta de alimentos ricos em gorduras saturadas e gorduras trans, que por sinal não são nada saudáveis, vem acompanhada de uma redução no consumo de Ômega 3 no mundo ocidental contemporâneo. Pesquisas apontam que a deficiência de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia. Ao contrário, já foi demonstrado que dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças, e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Além disso, há estudos que demonstram que o consumo de gorduras saturadas e trans está associado a um pior desempenho cognitivo. Atualmente, a Associação Americana de Psiquiatria reconhece a importância do Ômega 3 no tratamento de transtornos de humor da mesma forma que a American Heart Association recomenda o consumo de peixes ricos em Ômega 3 (salmão, sardinha e atum) pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.
Nos últimos anos podemos observar uma série de evidências de que outros tipos de alimentos podem fazer diferença no funcionamento do nosso cérebro. Várias desses benefícios ao cérebro foram demonstrados apenas em animais, como é o caso da curcumina encontrada no tempero curry e o famoso Ginkgo biloba. Os alimentos cafeinados, além de poderem aumentar o desempenho psicomotor, estado de vigília, atenção e humor, têm-se mostrado cada vez mais poderosos na prevenção de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares. Outros nutrientes até já tiveram efeitos positivos demonstrados em estudos clínicos, especialmente os oligoelementos como as vitaminas e sais minerais na prevenção do declínio cognitivo ao longo do envelhecimento cerebral. Entretanto, tais estudos ainda não são conclusivos ao ponto de se poder recomendar a suplementação de pílulas de vitaminas para o cérebro. O grande negócio ainda é uma dieta equilibrada que contemple todas as famílias de nutrientes que precisamos.
E para ficar com o cérebro “sarado”, manter o peso em dia é uma ótima receita, já que a obesidade está associada a um pior desempenho cognitivo. A razão? Uma série de hormônios associados ao sistema digestivo e ao nosso metabolismo (ex: insulina, leptina, grelina) influenciam também a função cerebral.
Se quisermos juntar tudo que sabemos hoje sobre o que os alimentos têm a oferecer ao nosso cérebro num pacote só, adotar a Dieta Mediterrânea pode ser uma atitude bastante acertada, já que une as virtudes do Ômega 3 dos peixes, o poder antioxidante do azeite, do vinho tinto, das frutas, verduras e cereais integrais, e o baixo consumo de gordura saturada pela pequena ingesta de carnes e laticínios. Seria ainda muito vem vindo nesse pacote o chá verde, o café e o chocolate amargo.
Uma recente metanálise analisou os efeitos da Dieta Mediterrânea e demonstrou:
– redução da mortalidade geral em 9%
– redução da mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%
– redução da mortalidade por câncer em 6%
– redução da incidência de Doença de Parkinson em 13%
– redução da incidência de Doença de Alzheimer em 13%
Que tal?
Ler também: Precisamos comer mais peixe. Nosso cérebro vai gostar.
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Já temos boas evidências de que o consumo moderado de álcool assim como o de chá está associado a um menor risco de declínio cognitivo em idades mais avançadas. No caso do chocolate amargo, as pesquisas sobre seu efeito sobre o cérebro ainda estão engatinhando, mas já foi demonstrado que ele pode aumentar o fluxo sanguíneo cerebral. O que esses três alimentos têm em comum? Todos são ricos em flavonóides, micronurientes encontrados nos vegetais e que são poderosos antioxidantes.
Uma nova pesquisa publicada recentemente no Journal of Nutrition investigou o efeito desses três alimentos sobre o desempenho cerebral. Mais de 2 mil noruegueses com idade entre 70 e 74 anos foram submetidos a testes cognitivos e a um questionário sobre hábitos alimentares incluindo o consumo dos três alimentos pesquisados. E o resultado foi que indivíduos que consumiam vinho, chocolate ou chá apresentavam melhores scores nos testes cognitivos. Essa associação foi independente para cada um dos alimentos, mais expressiva no caso do vinho, e mais expressiva ainda em indivíduos que consumiam regularmente os três alimentos. No caso do vinho, melhor desempenho cerebral esteve associado a doses de 75-100 ml/dia. No caso do chocolate a dose ótima foi de 10g/dia enquanto no caso do chá essa relação de dose e efeito não pôde ser demonstrada.
Boa receita para o cérebro, né? Um cálice de vinho tinto à refeição, um pedacinho de chocolate amargo na sobremesa e um chá verde antes de sair da mesa. Pra melhorar, só se tiver um peixinho rico em Omega 3 como prato principal.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio Gaúcha sobre o assunto com o DR. Ricardo Teixeira
Começamos o ano inspirados pelo primeiro volume de 2009 do New England Journal of Medicine que nos traz uma rediscussão preciosa sobre a responsabilidade do jornalismo em saúde com foco especial na seguinte questão: o jornalismo em saúde deve apenas contar a novidade ou deve também oferecer à sociedade a noção do todo, contando a novidade, mas contextualizando também o que ela acrescenta ou discorda do conjunto de evidências anteriores. Veja abaixo alguns exemplos de divulgação científica em saúde que poderia ter sido muito melhor.
Exemplo 1. No ano de 2006 foi publicada uma importante pesquisa que demonstrou que dieta com baixo teor de gordura não reduziu a incidência de câncer de mama entre mulheres (JAMA 2006). Na época da divulgação da pesquisa foram raríssimas as matérias que confrontaram os resultados com um importante estudo publicado no mesmo ano que evidenciou que a dieta com baixo teor de gordura reduz o risco de câncer de mama em mulheres que já apresentaram a doença (J Natl Cancer Inst 2006). O recado da vez para as mulheres passava então a ser: dieta com pouca gordura não reduz risco de câncer de mama. Esse é um fenômeno que contribui para certa desconfiança por parte da opinião pública quando se fala em ciência em saúde. Um comentário muito comum que ilustra essa questão é: “Ah Doutor! A gente fica sem saber no que acreditar. Num dia ouvimos que saiu uma pesquisa falando que café é ruim para o coração. Noutro dia ouvimos que faz bem. Fica difícil!”.
Exemplo 2. Recentemente foi demonstrado que após o insucesso inicial com o tratamento com um tipo de antidepressivo, uma nova tentativa com outro tipo de medicação e apoio psicoterápico fez com que metade dos pacientes passassem a responder bem ao tratamento (NEJM 2006). Do ponto de vista médico, os resultados da pesquisa foram positivos. A divulgação pelo Washington Post, por exemplo, foi a de que os resultados do estudo foram um fracasso: “Antidepressivos falharam em curar os sintomas de depressão maior em metade dos pacientes mesmo quando os pacientes receberam o melhor tratamento possível, de acordo com um definitivo estudo do governo divulgado ontem”. Essa forma de notícia provavelmente é mais lida do que se apenas fosse descrito que os resultados confirmam estudos anteriores de que uma parte dos pacientes melhorou e outra não.
Exemplo 3. Em 2008 uma pesquisa revelou que o uso da medicação sinvastatina foi tão eficiente para reduzir um marcador de aterosclerose nas artérias como a sua combinação com uma segunda droga mais moderna – o ezetimibe (NEJM 2008). Por outro lado, a associação com o ezetimibe promoveu redução significativa tanto dos níveis de colesterol como dos níveis de triglicerídeos assim como o de outro marcados de aterosclerose. E o que se viu na verdade foi uma série de matérias divulgando que o ezetimibe não é eficaz na prevenção de infarto do coração e derrame cerebral. O estudo simplesmente não teve como objetivo demonstrar esse tipo de efeito e nem mostrou qualquer resultado dessa natureza. O desserviço à população não foi pequeno, já que o que sai na mídia é lido e levado a sério também por médicos que podem passar a não acreditar mais em uma medicação por erro de divulgação científica.
Exemplo 4. Em novembro de 2008, a BBC Brasil divulgou uma matéria com o seguinte título: Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo. A idéia é que futuras drogas poderão ser desenvolvidas para atuarem nos receptores canabinóides e que podem ser uma grande arma contra o envelhecimento cerebral e redução do risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. A maconha exerce seu efeito no cérebro através desses receptores e a notícia não deveria ser que a maconha pode ser útil para o cérebro. Úteis sim podem vir a ser drogas sintéticas que não produzam os danos cerebrais causados pela maconha que já são bem descritos, inclusive pela própria BBC. Quem lê uma manchete dessa pode se confundir, especialmente quando está associada à foto de um homem fumando um “baseado”.
Podemos elencar alguns dos muitos gargalos para o pleno desenvolvimento do jornalismo em saúde que podemos assistir hoje:
1- O próprio ritmo de produção 24 horas/7 dias do atual jornalismo, que na maioria das vezes só recebe o press release da instituição ou do periódico em que a pesquisa está sendo publicada, e já o repassa sem mudar nem mesmo uma vírgula. Não há tempo para se trabalhar a matéria ou ir atrás de uma outra opinião.
2- Cada vez menos veículos de comunicação têm departamentos especializados, como, por exemplo, o de jornalismo científico ou jornalismo em saúde. Existem poucos jornalistas científicos especializados e a classe reconhece que é pouco treinada para divulgar dados científicos sem risco de perder a credibilidade da informação (ver também o post: Jornalismo e Alfabetização em Saúde).
Ao mesmo tempo, estudos mostram um crescente domínio de matérias oriundas de relações públicas nas agências de notícias, chegando a dominar mais de 2/3 do total de notícias. Cresce também o conflito de interesse por parte de jornalistas e dos meios de comunicação em massa que às vezes exercem o papel de relações públicas de alguns “clientes” e não o de jornalismo, o que alguns acadêmicos da comunicação chamam de relações públicas maquiadas de jornalismo ou “parajornalismo”.
3- A contextualização da pesquisa em questão com resultados já alcançados anteriormente pode ser evitada pelo jornalista para que a notícia não perca sua força de pesquisa inédita.
Apesar da maior parte do trabalho para a melhoria do jornalismo em saúde depender dos próprios jornalistas e do sistema em que o jornalismo atualmente opera, profissionais da saúde e pesquisadores podem ajudar muito também. Ao discutirem sobre uma nova pesquisa, especialistas e pesquisadores podem ajudar muito se facilitarem o entendimento, por parte dos jornalistas, do contexto mais amplo onde a pesquisa se situa – estudos anteriores que confirmam ou contradizem os resultados atuais e potenciais conflitos de interesse.
Os incontáveis efeitos benéficos do chocolate amargo sobre nossa saúde fazem-nos até pensar que para quem gosta do amargo, comer chocolate ao leite não faz muito sentido. Para uma revisão sobre o que o chocolate é capaz de oferecer à nossa saúde, clique aqui.
Um estudo divulgado neste dezembro pela Universidade de Copenhagen revela uma inédita vantagem do chocolate amargo. Pesquisadores revelaram que o consumo de chocolate amargo está associado a uma maior saciedade após sua ingesta quando comparado ao consumo do tipo ao leite, fazendo com que se tenha menos vontade de comer alimentos doces, salgados ou gordurosos, e de fato menor consumo subseqüente de calorias.
A pergunta que deverá ser respondida no futuro: Comer “X” calorias diárias de chocolate amargo tem maior chance de manter o peso sob controle do que as mesmas “X” calorias de chocolate ao leite ?
É muito comum as pessoas terem na ponta da língua uma recomendação de saúde do tipo “não misture manga com leite, pois você pode entortar a boca”. Muitas dessas dicas da cultura popular são à vezes duvidosas e sem comprovação científica. Não ter o status de “cientificamente comprovadas” não significa que são simplesmente mitos. Uma coisa é uma crença que já passou por inúmeras provas científicas e aí então passou a ser considerada como um engano cientificamente comprovado (ex: Ginkgo biloba para turbinar o cérebro). Outra coisa são crenças que ainda não foram submetidas a estudos científicos e por isso devem ser vistos como algo que ainda não foi cientificamente comprovado. Uma das histórias mais emblemáticas que vivi nesse sentido foi a crença por parte de pacientes com epilepsia de que na época da lua cheia as crises epilépticas são mais freqüentes. Eu dava um sorriso silencioso toda vez que ouvia de um paciente essa história, com a sensação de que a cultura popular cria coisas fantasiosas. Em 2006 caí do cavalo com um estudo publicado na revista Neurology demonstrando que crises epilépticas eram realmente mais freqüentes na lua cheia.
Nesta semana, pesquisadores da Universidade de Indianápolis nos EUA desconstruíram mais seis mitos, alguns fortemente associados às nossas festas de fim de ano, e publicaram a revisão na última edição do British Medical Journal.
* Suicídio é mais comum no feriado de fim de ano. É mito.
Justifica-se a idéia de que o suicídio pode ser mais comum nos feriados de fim de ano já que nessa data pessoas solitárias podem ter a solidão exacerbada, e no caso do hemisfério norte, também por coincidir com dias mais frios e noites mais longas do inverno. Entretanto, não há evidências científicas de que realmente exista um pico na incidência de suicídios nessa época do ano, mesmo em países do hemisfério norte. Os estudos existentes mostram que os suicídios na verdade ocorrem mais nos meses quentes do ano, e quanto à questão do “efeito solidão no natal”, as pesquisas mostram que as pessoas até mesmo procuram menos serviços psiquiátricos no natal, sugerindo que existe um maior componente de apoio emocional e social nessa época.
* Açúcar provoca comportamento de hiperatividade em crianças. É mito.
São pelo menos 12 estudos de primeira grandeza mostrando que o consumo de açúcar não tem a ver com o comportamento hiperativo.
* A flor conhecida aqui no Brasil como Bico de Papagaio é um dos maiores símbolos de natal em vários países, sendo muito usada na decoração natalina e por isso é até chamada de Estrela do Natal ou Flor do Natal. Ainda existe na cultura popular certo receio de que a ingestão acidental da flor pode ser perigosa, e como não é tão raro as crianças comerem aquilo que não foi feito para comer… Intoxicação pelo Bico de Papagaio também é mito.
Registros de quase 23 mil casos de ingestão acidental da flor nos EUA não evidenciaram nenhum caso que precisasse de cuidados especiais. Uma pesquisa tentando definir a dose potencialmente tóxica da flor em ratinhos não conseguiu demonstrar efeito tóxico mesmo após a ingestão equivalente a 500-600 folhas da planta.
* A perda de calor é maior pela cabeça, correspondendo a 40-45% da perda, e por isso é fundamental o uso de chapéus nos dias frios. É mito.
As pesquisas mostram que qualquer parte do corpo quando descoberta tem o potencial de perder calor proporcionalmente ao seu tamanho. A cabeça não tem nada de diferente das outras partes do corpo. O gorro do Papai Noel não é mais importante que o resto de sua roupa.
* Comer à noite engorda mais que comer de dia. É mito.
Várias pesquisas revelam que não é o fato de comer à noite que engorda, mas sim o total de calorias ingeridas por dia. Também é verdade que quem faz várias refeições no dia tem menos chance de exagerar em uma única refeição noturna.
* Existe remédio para evitar ressaca. É mito.
Não existe qualquer evidência que uma medicação ou suplemento alimentar possa ajudar a prevenir a ressaca. Pode-se dizer que o melhor remédio para evitar ressaca é beber pouco. Ao beber um pouco mais, evitar a desidratação com reposição de líquidos não alcoólicos pode fazer com que a ressaca seja menos penosa no outro dia.
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A obesidade há muito tempo não é mais vista como uma questão estética. É um dos grandes desafios de qualquer política de saúde pública já que está só um pouco atrás do tabagismo na lista das principais causas de morte precoce que podem ser prevenidas. Calcula-se que maus hábitos de vida como o tabagismo, sedentarismo e uma dieta prejudicial são responsáveis por cerca de 40% das mortes precoces em países como os Estados Unidos.
Um dos fatores que pode explicar a crescente prevalência da obesidade ao redor do mundo é um comportamento auto-destrutivo, privilegiando a gratificação imediata (prazer em comer) e pouco investimento naquilo que trará benefícios a longo prazo. A mesma opção pela gratificação imediata que pode trazer prejuízos às pessoas (ex: gratificação imediata) poderia ser usada para ajudá-las. Ou seja, o mesmo mecanismo cerebral que faz com que as pessoas sejam presas fáceis de uma gratificação imediata poderia ser usado também para o bem.
Uma pesquisa recentemente publicada pelo JAMA (Journal of the American Medical Association) ofereceu dois tipos diferentes de recompensa a um grupo de indivíduos obesos que só seriam recebidos se os participantes conseguissem perder o peso previamente estipulado. Aqueles que receberam a promessa de prêmio conseguiram perder mais peso no período de 4 meses do que o grupo controle que não recebeu o incentivo financeiro. Metade dos participantes que receberam a proposta de prêmio conseguiu alcançar a meta de peso definida, enquanto isso só aconteceu em 10% dos indivíduos do grupo controle.
Um próximo passo é avaliar se os resultados positivos são mantidos a longo prazo. Outra questão a ser investigada no futuro é o custo-benefício desse tipo de abordagem em comparação às atuais estratégias de combate à obesidade que não são nada baratos. Não é tão absurdo pensar que um dia chegaremos à conclusão de que oferecer prêmios à população para abandonar maus hábitos de saúde saia mais barato para um país do que arcar com suas conseqüências. Vale lembrar que hoje o programa Bolsa Família dá dinheiro a onze milhões de famílias que têm em contrapartida a responsabilidade de manter as crianças na escola, monitorização periódica de peso e altura, além de garantir a realização de pré-natal e vacinação.
Alguns estudos conduzidos na década de 90 nos Estados Unidos revelaram um aumento de mortalidade por doenças isquêmicas do coração nos meses mais frios. Além disso, observava-se também um pico de mortalidade durante o feriado de natal e ano novo, o que levantou a hipótese de que algum fator associado ao feriado poderia aumentar o risco de um infarto do coração (ex: estresse emocional, abuso de álcool). Em 2004 foi publicado pela American Heart Association uma pesquisa bem mais ampla confirmando os estudos anteriores, demonstrando que a mortalidade no feriado de fim de ano é cerca de 5% maior tanto para causas cardíacas como não cardíacas (excluindo-se mortes por causas violentas), e também foi independente do fator frio.
Como explicar esse Efeito Natal-Reveillon ? Algumas hipóteses:
1- Menos pessoas procuram os serviços médicos de emergência nos finais de semana e feriados, levantando a hipótese de que pode haver um adiamento pela procura de assistência médica, para não atrapalhar os dias de folga em que a visita a um pronto-socorro não está entre os programas mais desejáveis.
2- Excessos durante o feriado. É muito comum nos feriados de fim de ano as pessoas mudarem abruptamente suas rotinas de vida, incluindo aí o nível de atividade física, dieta e consumo de bebida alcoólica. Diferentes pesquisas já mostraram um ganho médio de 500 a 800 gramas após as festas de fim de ano, acompanhado de leve aumento nas taxas de colesterol, triglicerídeos e glicose. O estresse emocional pode ser relevante também. Algumas pessoas podem se desgastar emocionalmente com a corrida tumultuada às lojas e shoppings para dar conta dos presentes, e podem se estressar até mesmo pela necessidade de se reunir com parentes que evitariam a todo custo. Essas hipóteses de certa forma apóiam os resultados de outros recentes estudos que mostraram que tanto o derrame cerebral isquêmico como o infarto do miocárdio ocorrem mais freqüentemente nas segundas-feiras. A volta ao trabalho na segunda-feira pode ser um fator emocionalmente estressante para muitos, assim como o fim de semana pode estar associado a excessos.
3- Redução da qualidade dos serviços hospitalares no feriado por redução do número de profissionais da saúde escalados para plantão.
Até que novos estudos esclareçam quais fatores têm maior influência sobre o Efeito Natal-Reveillon, é prudente aconselhar as pessoas a assumirem algumas atitudes durante o feriado, especialmente aquelas que são consideradas como grupo de risco para eventos vasculares:
ð Ao sentir algo suspeito, não adie a procura por um serviço médico de emergência só por que é feriado. Melhor ainda se conseguir chamar seu médico para lhe ver.
ð Aproveite o melhor das ceias: a companhia das pessoas queridas e os preciosos alimentos como as frutas, nozes, castanhas e o vinho sem exagero. Evite fatores reconhecidos como potenciais desencadeantes de eventos vasculares. O excesso de sal, álcool e alimentos gordurosos, o estresse emocional, todos podem exigir dos vasos que alimentam seu cérebro e coração mais do que eles podem oferecer.
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O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Prevenir é a melhor estratégia. Entretanto, uma boa parcela dos indivíduos obesos precisa de tratamento.
A última edição da revista britânica The Lancet traz os resultados de uma nova droga para obesidade que deve dar muito que falar. A droga tesofensina, inicialmente desenvolvida para o tratamento da Doença de Parkinson e Alzheimer, promoveu uma perda ponderal média de 11.3 kg entre indivíduos obesos após 6 meses de tratamento. Os voluntários que serviram como grupo controle, e que foram submetidos apenas a dieta com restrição de calorias, perderam apenas 2.2 kg no período. A potência de ação da droga foi realmente bem superior quando comparada às demais drogas usadas para o tratamento da obesidade, duas vezes maior que a sibutramina e rimonabanto. Os principais efeitos colaterais registrados foram: náusea, boca seca, insônia, tontura e alterações gastrintestinais. Esse é um estudo que abre caminho para a realização de um estudo com maior número de pacientes para melhor avaliar o efeito terapêutico e os efeitos colaterais da tesofensina. Os dados até o momento sugerem que essa é uma droga bem promissora para o tratamento da obesidade.
A relação entre o consumo de álcool e o risco de doenças cardiovasculares tem sido extensamente estudado, e após uma série pesquisas, podemos hoje dizer sem pestanejar que o consumo em doses leves a moderadas exerce um efeito protetor sobre o coração e o cérebro, enquanto o consumo em altas doses aumenta o risco de infarto do coração e derrame cerebral. Temos evidências também que essa ação deletéria do alto consumo de álcool não é restrita ao consumo exagerado diário, mas também ao hábito de beber grandes quantidades de álcool de uma vez só. Já foi demonstrado que esse hábito aumenta o risco de morte por doença isquêmica do coração, hemorragia por aneurisma cerebral, e derrame cerebral. Um grande estudo populacional conduzido na Finlândia e publicado esta semana pela revista Stroke confirma que o hábito de consumir seis ou mais doses de bebida alcoólica de uma só vez está associado a um maior risco de derrame cerebral.
Moral da história: beber uma dose de bebida alcoólica todos os dias da semana é muito mais saudável para o coração e para o cérebro do que beber sete doses numa tacada só. Isso sem falar no problema comportamento de risco dos “porres”: mais acidentes, violência, etc.
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