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Um dispositivo que utiliza correntes elétricas de alta freqüência para modular impulsos nervosos que ligam o cérebro ao estômago e ao pâncreas através do nervo vago parece ser útil no tratamento da obesidade. A modulação da função do nervo vago pode interferir não só na função motora do sistema digestivo (ex: reduzindo o tempo de esvaziamento gástrico), mas também na liberação de hormônios que interferem no apetite (ex: ghrelin). A nova terapia, chamada de Bloqueio Vagal Intra-abdominal, é uma técnica minimante invasiva, não interfere na anatomia do sistema digestivo ou neurológico e é reversível.
Um estudo envolvendo três centros de pesquisa na Noruega, Austrália e México e publicado recentemente na revista Surgery (2008;43) mostrou pela primeira vez a potencial aplicabilidade do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade. O dispositivo foi implantado através de laparoscopia (pequena incisão no abdome) em 31 pacientes obesos (IMC 35-50 kg/m2) que ainda foram acompanhados por seis meses após o procedimento. Nenhum paciente foi orientado a seguir qualquer tipo de dieta ou mudança de hábitos de vida no período do estudo. Foi observada perda ponderal média de 15% do excesso de peso, sendo que um quarto dos pacientes perdeu cerca de 25% do excesso de peso. Os pacientes apresentaram redução da ingesta calórica, saciedade mais precoce durante as refeições e menos fome entre as refeições.
O procedimento mostrou-se seguro sem complicações significativas. Esses resultados foram os primeiros a serem apresentados e já permitiram o desenho de um estudo ainda mais robusto para validar a indicação do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade.
Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal revela que o consumo de drogas antipsicóticas aumenta o risco do indivíduo em apresentar um derrame cerebral, e esse risco é ainda duas vezes maior entre indivíduos com quadro de demência e maior no caso dos antipsicóticos modernos, chamados de atípicos.
A associação entre derrame cerebral e antipsicóticos atípicos (ex: olanzapina, risperidona) já havia sido demonstrada, mas desta vez mostrou-se que mesmo os antipsicóticos de primeira geração (ex: haloperidol) também aumentam o risco de derrame.
Com esses resultados devemos pensar no uso de antipsicóticos cada vez com mais critério, e no caso de indivíduos com quadros demenciais, essas medicações deveriam ser evitadas sempre que possível. Os antipsicóticos são freqüentemente usados nesse grupo de pacientes para a modulação de transtornos do comportamento que são muito freqüentes nos quadros demenciais. Esses resultados devem servir de estímulo para a incorporação de outras ferramentas que possam modular o comportamento dos idosos com quadros demenciais, e aí não estamos falando só de medicações, mas também de atividade física, lazer e convívio social.
Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo. Como isso funciona ainda é uma pergunta bastante intrigante.
Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balançada naquilo que a comunidade científica até então entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doença de Parkinson receberam medicação específica para a doença (levodopa) ou pílulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medicação como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta clínica, demonstraram aumento das concentrações de dopamina no cérebro.
Na última edição da revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo explicam-nos um pouco melhor como o uso de placebo pode influenciar o cérebro em situações como a Doença de Parkinson, depressão e síndromes dolorosas. O efeito placebo positivo pode ser observado em até 50% dos pacientes com essas condições clínicas, e costuma ser mais pronunciado quando associado a procedimentos invasivos (ex: injeção) ou doenças em fases avançadas. No caso da Doença de Parkinson, confirma-se os resultados iniciais de que pacientes que apresentam boa resposta ao placebo apresentam aumento de dopamina no cérebro em regiões que são comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator “expectativa positiva” pode ter um importante papel no efeito placebo nessa condição.
Em quadros de dor, também há evidências de que o placebo muda quimicamente o cérebro, dessa vez através da liberação de opióides endógenos, efeito que pode ser desfeito através de medicações que bloqueiam o efeito de medicações opióides. As mudanças químicas também ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante às drogas que aumentam a concentração de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condições, a “expectativa positiva” também parece ser a forma como o cérebro faz com que o efeito placebo funcione. E essa parece ser a explicação do porquê de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras não. Há evidências de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas, e têm maior ativação do sistema de recompensa cerebral, não só na situação de tratamento, mas também em situações de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.
A Associação Americana de Medicina define o conceito de alfabetização em saúde como a capacidade de obter, processar e compreender informação básica em saúde necessária à tomada de decisões apropriadas e que apóie o correto seguimento de instruções terapêuticas. Reconhece-se que a maioria da população americana não é alfabetizada em saúde, o que leva a mais freqüentes erros no uso de medicações, à não procura de ajuda médica quando necessário e à dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis. E o jornalismo tem um importante papel na construção dessa alfabetização.
Esta semana, pesquisadores da escola de jornalismo de Missouri – EUA divulgaram uma importante pesquisa sobre jornalismo científico em saúde e receberam o prêmio Top Faculty Paper em comunicação em ciências na última Convenção da Associação para Educação em Jornalismo e Comunicação em Massa, Chicago – EUA. Foram entrevistados cerca de 400 jornalistas dedicados à área de saúde de magazines e jornais em todo o país, com uma média de sete anos de experiência em jornalismo em saúde.
Apenas 18% dos entrevistados haviam recebido treinamento especializado em jornalismo científico em saúde. Metade deles declarou não ter familiaridade com o conceito de alfabetização em saúde e muitos disseram ter dificuldade em explicar informações científicas aos leitores mantendo a credibilidade científica da informação. As três táticas mais usadas pelos jornalistas para ajudar no melhor entendimento da informação pelo leigo foram: 1) incluir a opinião de especialistas; 2) evitar o uso de termos técnicos; 3) disponibilizar dados estatísticos. Quanto aos dados estatísticos, esse é um conhecimento muito importante para o entendimento de informações em saúde, e levar esse conhecimento ao público leigo é um grande desafio, já que uma importante parcela da população tem limitação em entender números.
Mais da metade dos entrevistados disse acreditar que a maioria dos leitores usa as informações para melhor entendimento de temas sobre saúde, e que usam essas informações para uma melhor comunicação com profissionais de saúde. Os jornalistas dedicados aos jornais reconheceram contribuir primariamente na disponibilização de informação, enquanto os jornalistas de magazines relataram acreditar terem um importante papel na mudança de atitudes de vida dos seus leitores.
O jornalismo em saúde tem o importantíssimo papel de traduzir informações científicas de qualidade à população leiga, com um grande potencial de transformação social. A boa formação dos profissionais que atuam na área pode aumentar o sucesso com que a informação chega aos interessados. Essa boa formação deve contemplar o desenvolvimento de habilidades na comunicação com o público leigo, como também o fortalecimento de um senso crítico que promova a priorização de divulgação das informações que sejam mais relevantes à sociedade.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres e vários fatores de risco têm sido demonstrados, entre eles: história familiar, exposição à radiação, uso de hormônios estrogênicos, pouco tempo de amamentação ou ausência desta, tipo de dieta, tabagismo e consumo de álcool, falta de atividade física.
Nos últimos anos, uma série de pesquisas tem revelado também associação entre o câncer de mama e eventos estressantes na vida, assim como estados de ansiedade e depressão. A explicação principal reside no fato de que fatores psicológicos podem levar a disfunções do sistema imunológico e o desenvolvimento de células malignas. Um novo estudo publicado esta semana na revista BMC Cancer sugere mais uma vez que mulheres que passam por mais eventos estressantes na vida apresentam maior risco em apresentar câncer de mama.
Pesquisadores israelenses avaliaram a história de vida de mais de 600 mulheres com idade entre 25 e 45 anos através de questionários que avaliavam o estado psicológico e eventos estressantes / traumáticos (ex: perdas de entes queridos, separação dos pais, perda do emprego, etc.). Uma parte das mulheres tinha história de câncer de mama e outra parte não apresentava história de qualquer tipo de câncer.
As mulheres com história de câncer de mama não só apresentavam maior pontuação na escala de sintomas de ansiedade e depressão e uma menor percepção de felicidade e otimismo, como também apresentavam maior pontuação na escala de eventos psicológicos estressantes / traumáticos: as mulheres com história de câncer de mama apresentavam mais freqüentemente dois ou mais eventos estressantes ao longo da vida.
Os estudos não são definitivos, mas colocam mais luz sobre uma questão importante: mulheres que passam por eventos psicológicos estressantes / traumáticos na infância podem ser consideradas como grupo de risco para o desenvolvimento de câncer de mama, e talvez necessitem de programas de prevenção diferenciados. Por outro lado, o otimismo e a auto-percepção de felicidade podem ser fatores protetores para o desenvolvimento da doença.
Um estudo divulgado esta semana na convenção anual da Associação Americana de Psicologia (Boston, EUA) traz novas evidências sobre o impacto do uso de antidepressivos no desempenho do indivíduo ao volante. Os pesquisadores submeteram 60 pessoas a um simulador de direção que exigia dos participantes tomadas de diversas decisões habituais do trânsito, como reagir à luz de freio do carro da frente. Metade dos participantes usava pelo menos um tipo de antidepressivo enquanto a outra metade não usava qualquer medicação. O desempenho “ao volante” dos pacientes que usavam antidepressivos só foi pior do que o do grupo controle entre aqueles que apresentavam um alto score de sintomas depressivos. O estudo sugere que o impacto do uso do antidepressivo sobre o desempenho ao volante possa ser menos significativo do que o próprio estado depressivo.
Um estudo anterior conduzido na Alemanha (J Clin Psychiatry 2006), desta vez com pacientes avaliados imediatamente após alta hospitalar de internação por quadro depressivo, evidenciou que 16% desses pacientes apresentava severo comprometimento do desempenho à direção, também avaliado por simulador de trânsito. Alguns estudos até compararam a influência de diferentes tipos de antidepressivos, demonstrando que alguns deles influenciam menos a capacidade de dirigir.
Esse é um assunto importante, pois o uso de antidepressivos vêm crescendo cada dia mais. Nos EUA, estima-se uma em cada dez mulheres usam essa classe de medicação. Não importa tanto se é a medicação em si ou estado depressivo que tem mais relevância na performance dos condutores. Pacientes, médicos e autoridades devem estar cientes do problema.
Há tempos já sabemos que o tabagismo aumenta o risco de derrame cerebral. Entretanto, boa parte das pessoas pensa que o AVC é problema só de gente velha, e mesmo que o tabagismo seja um fator de risco para derrame cerebral, o prejuízo só apareceria no fim da vida. As coisas não são bem assim. É indiscutível que o derrame cerebral é mais comum na população idosa, mas não é tão raro entre os jovens. Uma pesquisa que será publicada ainda este mês na revista Stroke (American Heart Association) mostraque o tabagismo entre mulheres jovens aumenta seu risco de apresentar um derrame cerebral. OK. Isso já sabíamos também. A novidade do estudo foi a demonstração da relação entre o numero de cigarros consumidos por dia e o risco de derrame cerebral. Mulheres que fumavam 1 a 10 cigarros por dia apresentavam chance 2.2 vezes maior de ter um derrame do que mulheres que não fumavam, 2.5 vezes maior com 11 a 20 cigarros/dia, 4.3 vezes maior com 21 a 39 cigarros/dia, e chance 9.1 vezes maior entre aquelas que fumavam mais de 40 cigarros/dia. Muito importante também foi o fato do risco de derrame entre ex-fumantes e não fumantes não ter sido diferente. O recado está bem claro, não?
O acidente vascular cerebral, ou AVC, é a perda súbita de função de uma parte do cérebro devido à obstrução do vaso sanguíneo que nutria esta região, ou por rompimento deste vaso, extravasando sangue para dentro do cérebro. Representa uma das três principais causas de morte em todo o mundo e no Brasil é a principal causa de morte. Com o crescente envelhecimento da população, deve passar a ser ainda mais freqüente, já que é mais comum entre os idosos.
O AVC deve ser visto como um “ataque cerebral” e quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menor a chance do indivíduo vir a apresentar seqüelas ou morrer. No caso do AVC por obstrução de um vaso (AVC isquêmico), novos tratamentos que permitem a desobstrução do vaso na sua fase hiperaguda tornam imperativo que os serviços hospitalares estejam preparados para trabalhar com a mesma rapidez e eficácia que uma equipe de fórmula 1 na hora da troca de pneus. Tais medicações são eficazes se usadas nas primeiras três horas após o início dos sintomas, e por isso deve-se ter sempre em mente que TEMPO=CÉEBRO. Após três meses do AVC, pacientes submetidos ao tratamento trombolítico (medicação endovenosa para desobstrução do vaso) têm 25% de chance de apresentar seqüelas e 40% de chance naqueles que não usam tais medicações.
Mesmo em países desenvolvidos, nem 5% dos pacientes com AVC são submetidos ao tratamento trombolítico. Não adianta um hospital ter moderna tecnologia se não tiver equipe treinada para atender um AVC. Também não adianta o milionário que mora longe de um centro especializado no tratamento do AVC pegar o seu jatinho particular, pois o tempo gasto durante a viagem pode fazer com que se perca a chance de salvar o cérebro em processo de destruição. Outro fator que contribui para a limitada indicação do tratamento trombolítico é o reduzido conhecimento sobre os sinais e sintomas do AVC pela população, fazendo com que muitos procurem assistência médica tardiamente.
Os desafios para se conseguir reduzir a morbidade e mortalidade do AVC são gigantes. Além de campanhas de prevenção e conscientização da população, o estado precisa se equipar de centros especializados de AVC. Num país continental como o Brasil, isso pode parecer inalcançável, mas a telemedicina pode mudar essa história. A telemedicina permite que centros especializados se comuniquem em tempo real com outros centros através de telefonia digital ou videoconferência. A última edição da revista Lancet Neurology publicou importantes resultados sobre o uso da telemedicina no tratamento do AVC agudo. Um centro especializado em AVC nos EUA assistiu mais de 200 pacientes com AVC na fase hiperaguda em hospitais remotos através de videoconferência ou consulta telefônica. Uma análise posterior à decisão do tratamento por um painel de experts revelou que as decisões foram corretas em 98% dos pacientes assistidos por videoconferência e em 82% daqueles assistidos por consulta telefônica. Além disso, foi alta a indicação do tratamento trombolítico (25%).
As evidências ainda não são definitivas, mas vão se tornando cada vez mais robustas para que hospitais localizados em regiões distantes de centros especializados no tratamento do AVC invistam na teletrombólise. Esse é um fértil caminho para que o AVC deixe de ser a principal causa de morte no nosso país.
A expectativa de vida do Australopitecus há 4 milhões de anos atrás era de apenas 15 anos, 25 anos para europeus na Idade Média, cerca de 40 anos no século XIX, 55 anos no início do século XX, e atualmente em muitos países a expectativa de vida já é maior que 75 anos de idade. No Brasil, os últimos dados do IBGE revelam uma expectativa de vida de 72,3 anos e a projeção para 2015 e 2026 é de 75 e 78 anos respectivamente.
Se tivermos que escolher uma única atitude saudável na vida para alcançarmos a longevidade com qualidade de vida, a prática regular de exercícios aeróbicos talvez seja a mais significativa. Não faltam estudos mostrando os efeitos positivos da atividade física sobre nossa saúde, mas um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine traz resultados ainda mais impressionantes. A pesquisa foi iniciada em 1984 quando mais de 500 membros de uma associação de corredores de rua com mais de 50 anos de idade passaram a ser acompanhados anualmente com questionários que avaliavam a freqüência de atividade física, índice de massa corporal, e uma escala para avaliar o nível de incapacidade funcional nas atividades diárias. O grupo de corredores foi comparado a um grupo controle formado por funcionários da Universidade de Stanford de semelhante faixa etária. Ao final de 21 anos de acompanhamento os resultados foram os seguintes: 1) a atividade física entre os corredores foi cerca de três vezes mais intensa ao longo de todo o estudo; 2) houve declínio da capacidade funcional ao longo dos anos em ambos os grupos, mas de forma menos relevante entre os corredores; 3) após 19 anos de acompanhamento, 34% dos indivíduos do grupo controle havia morrido, comparado a apenas 15% dos corredores; 4) os corredores apresentaram menor mortalidade não só por doenças cardiovasculares, mas também por câncer.
As Olimpíadas estão aí e inspiração é que não falta para realizar exercícios aeróbicos. Também não faltam argumentos que nos convençam que os exercícios aeróbicos podem acrescentar bons anos às nossas vidas.
É bastante comum vermos pessoas colocando a culpa de suas queixas de memória no cérebro que não é mais jovem. Na verdade, o envelhecimento cerebral normal provoca apenas discretas mudanças no desempenho cognitivo após os 50-60 anos de idade, muitas vezes só detectáveis através de testes rigorosos. Na maioria das vezes, porém, as queixas de memória têm mais relação com quadros de ansiedade, depressão, transtornos do sono e o estresse do dia-a-dia do que com doenças cerebrais propriamente ditas.
Infelizmente, algumas pessoas à medida que envelhecem começam a ter queixas de memória de forma mais intensa, podendo evoluir para a demência. A definição de demência é o acometimento de diversas dimensões do pensamento que chega a comprometer a capacidade de um indivíduo em realizar suas atividades habituais. Entre o envelhecimento cerebral normal e a demência, podemos encontrar pessoas que estão no meio do caminho, e essa é uma condição chamada de transtorno cognitivo leve.
Idosos com transtorno cognitivo leve costumam apresentar dificuldades significativas de memória com outras funções cognitivas preservadas, sem que isso atrapalhe de forma expressiva suas atividades diárias. Outros apresentam uma variante em que a memória é preservada enquanto outras funções estão acometidas. Nem todas as pessoas que apresentam transtorno cognitivo leve apresentarão demência no futuro, mas a grande maioria apresentará sim. A cada ano, cerca de 15% de idosos com diagnóstico de transtorno cognitivo leve receberá o diagnóstico de demência, comparado a menos de 1% para idosos sem o problema.
As causas mais comuns tanto do transtorno cognitivo leve como da demência são a Doença de Alzheimer e a Demência Vascular, esse último o resultado da destruição de partes do cérebro por doença dos vasos sanguíneos. Investir na saúde dos nossos vasos cerebrais é uma das melhores atitudes que podemos ter para reduzir nosso risco de demência (PREVIDÊNCIA VASCULAR, COMEÇE JÁ A SUA). E sabemos que um dos maiores inimigos dos nossos vasos é o diabetes, que ao longo dos anos vai silenciosamente comprometendo-os, aumentando a chance de lesões cerebrais.
Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Neurology (Associação Médica Americana) traz mais uma confirmação que para termos um envelhecimento cerebral saudável, devemos a todo custo evitar o desenvolvimento do diabetes e a atividade física regular mantendo o peso em dia é o dever de casa básico. Para quem já apresenta a doença, o dever de casa é o mesmo, acrescido de um controle rigoroso da doença. Uma grande série de idosos americanos com o diagnóstico de transtorno cognitivo leve foi comparada a idosos sem problemas cognitivos. A freqüência do diagnóstico de diabetes não foi diferente entre os grupos, mas o grupo que apresentava transtorno cognitivo leve apresentou diabetes de forma mais complicada que o grupo controle: início do diabetes mais cedo na vida, mais anos de doença e maior necessidade do uso de insulina. E a influência do diabetes sobre o funcionamento cerebral vai além do comprometimento dos vasos sanguíneos, pois também há evidências de que a doença pode promover alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre indivíduos com a Doença de Alzheimer.
Todo mundo conhece um pouco sobre as diferentes mudanças físicas, mentais e psicossociais que as mulheres passam quando se tornam mães, e seus potenciais reflexos sobre a saúde. Até mesmo o cérebro passa a ser diferente com a maternidade (Cérebro de mãe é turbinado mesmo). Já o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens é um tema ainda pouco explorado pela ciência.
A paternidade no mundo contemporâneo extrapola o modelo estereotipado do pai provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos filhos. Hoje em dia não são raros os pais que moram sozinhos com os filhos, pais que cuidam da casa enquanto a mãe que é provedora e trabalha fora, pais que moram longe dos filhos, pais numa relação homossexual, e outras variações de paternidade que pareceriam exceções à regra há algumas décadas atrás.
E será que a paternidade exerce alguma influência sobre a saúde dos homens? Os filhos podem ser um fator positivo na vida dos homens como fonte de satisfação e realização, e até de atividade física, já que muitos homens retornam à atividade esportiva incentivados pela chance de fazê-la junto aos filhos. Inclusive, atividade física junto ao filho é mais comum com o pai do que com a mãe. Por outro lado, a paternidade pode trazer efeitos negativos se, por exemplo, o homem encará-la com culpa por não viver junto ao filho ou se o homem tiver que trabalhar além dos seus limites desejáveis depois que a conta com os filhos passou a ficar mais cara, deixando de cuidar de sua própria saúde e às vezes até se sentindo penalizado. A forma como o homem vive a paternidade além de poder influenciar seus hábitos de vida, e conseqüentemente sua saúde, pode influenciar também o desenvolvimento psíquico de seus filhos e a própria saúde do relacionamento conjugal. Pesquisas ainda revelam que pais com filhos que apresentam doenças crônicas apresentam mais chance de estresse na relação conjugal e separação e também maior chance de desemprego.
Mas os estudos sobre o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens ainda estão só no começo. O conhecimento até o momento foi muito focado no impacto psicossocial nos primeiros após o nascimento do filho, e estudos tem sido desenvolvidos para avaliar essa questão mais a longo prazo. O fator paternidade deve começar a ser levado em conta no cuidado da saúde do homem, com recomendações de equilíbrio entre trabalho e família integradas às habituais orientações de hábitos saudáveis de vida. Uma pesquisa recente envolvendo milhares de americanos revelou que o consumo de gordura total e saturada por adultos é maior nos lares com crianças.
Uma maior atenção ao lado pai do homem tem o potencial de promover sua saúde, e certamente promoverá mais saúde aos seus filhos também. Recentemente, a academia americana de pediatria passou a recomendar aos pediatras que estimulem os pais a participarem mais do dia-a-dia dos filhos, já que são inúmeras as evidências da forte influência do pai sobre o desenvolvimento dos filhos, do ponto de vista social, psíquico e cognitivo.
O derrame cerebral pode acontecer por causa de um rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, mas sua causa mais comum é o entupimento de um vaso e conseqüente interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, provocando a morte das células dessa região. A isto se dá o nome de isquemia cerebral. Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas na cadeira de rodas. É uma doença grave mesmo: a principal causa de morte em nosso país. Mas nem sempre é grave e muitos deles acontecem sem chamar a atenção de ninguém.
É ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos.
No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.
O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões? São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. (Visite o Post Previdência Vascular). E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.
O consumo regular de peixes ricos em Ômega 3 (ex: sardinha, atum, salmão) pelo menos duas vezes por semana já é bem reconhecido como uma atitude que reduz o risco de doenças cardiovasculares e também a Doença de Alzheimer. A última edição da revista Neurology ( Academia Americana de Neurologia) publicou uma pesquisa que demonstrou pela primeira vez que o consumo regular de peixes ricos em Ômega 3 (≥ 3 vezes por semana) reduz a chance de acúmulo de pequenas isquemias cerebrais. O estudo foi desenvolvido ao longo de cinco anos com mais de 3600 finlandeses com mais de 65 anos. Importante: o efeito protetor ao cérebro deixa de existir quando o consumo é de peixe frito.
A detecção precoce da infecção pelo vírus HIV permite que o tratamento seja iniciado antes mesmo do desenvolvimento de sintomas, e a testagem preventiva entre adolescentes e adultos é amplamente recomendada pelos especialistas. O precoce diagnóstico também permite um melhor controle da transmissão da doença. Nos EUA, estima-se que 25% dos indivíduos infectados não tem consciência do diagnóstico.
Os atuais testes usados para a detecção de infecção pelo HIV usam amostras de sangue e demoram alguns dias para ficar prontos. Recentemente, testes que permitem resultados bem mais rápidos usando a saliva das pessoas têm sido desenvolvidos, mas poucos estudos avaliaram o quanto esses testes são capazes de detectar corretamente os indivíduos infectados.
Um estudo publicado hoje pela revista Annals of Internal Medicine avaliou a eficácia de um desses testes em 850 pacientes que procuraram um pronto socorro na cidade de Boston, EUA. Os testes ficavam prontos em 20 a 40 minutos e 4,6% dos indivíduos testados apresentaram resultados positivos. Esses pacientes foram submetidos aos testes “padrão ouro” pelo sangue e o resultado foi que 16% deles realmente estavam infectados pelo HIV.
O número de testes falsamente positivos foi muito maior que aquele demonstrado pelo fabricante do teste, mas só o fato de selecionar um grupo de indivíduos em que 16% deles é infectado, já é de grande valia. A experiência atual desse hospital em Boston é de que em cada 100 pacientes avaliados no pronto-socorro com teste da saliva, cinco apresentarão resultado positivo, e após testagem no sangue, um deles realmente estará infectado pelo HIV. Não é pouca coisa quando se pensa em políticas públicas de detecção precoce de um problema de saúde grave e que não é considerado tão comum. A eficiência do teste já é melhor que muitos outros testes de screening amplamente realizados na prática clínica, como é o caso da mamografia para detecção de câncer de mama.
Novos testes rápidos têm sido desenvolvidos com a expectativa de aumentar a precisão diagnóstica desse tipo de exame. Enquanto não dispomos de vacina para a AIDS, esses testes rápidos passam a fazer parte do arsenal disponível para o precoce diagnóstico da infecção.
IMPORTANTE: O teste da saliva é uma reação imunológica e não a detecção do vírus HIV na saliva. Em alguns pacientes infectados, pode-se até detectar o vírus na saliva, mas a ciência não reconhece o beijo como forma de transmissão do vírus HIV.
Cerca de 25% das pessoas que sofre de enxaqueca apresenta também o fenômeno da aura, que é um aviso que de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente se apresenta como sintomas visuais (ex: visão de pontinhos luminosos, flashes em zigue zague, falha no campo visual). Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar, e mais raramente como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura o cérebro é acometido por uma onda de redução de fluxo sanguíneo.
O entendimento da relação entre enxaqueca e risco de derrame cerebral tem sido perseguido por décadas, e hoje sabemos que esse risco é maior entre indivíduos que apresentam a enxaqueca com aura. Sabemos também que o risco é maior ainda em mulheres jovens, que além da enxaqueca com aura, ainda fumam e/ou usam pílula anticoncepcional e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, pesquisas têm-nos revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração da microcirculação, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.
Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology nos traz um entendimento melhor ainda entre a relação entre o uso da pílula anticoncepcional, enxaqueca com aura, e risco de derrame cerebral. Vinte e cinco mil mulheres foram acompanhadas por 12 anos, e aquelas que apresentavam enxaqueca com aura tiveram duas vezes mais risco de apresentar eventos vasculares, incluindo não só derrame cerebral como também infarto do coração. Os pesquisadores também demonstraram que as mulheres que além da enxaqueca com aura ainda apresentavam uma variante do gene MTHFR, já bastante estudado como fator de risco para eventos vasculares, essas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver derrame cerebral.
Além do poder de aumentar o risco de eventos vasculares em mulheres com enxaqueca com aura, o uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle. E é bom lembrar que o mesmo cuidado com as pílulas vale para reposição hormonal entre mulheres na menopausa que apresentam enxaqueca com aura.
O cérebro humano é dotado de um sistema de recompensa que é estimulado por ações que julgamos prazerosas, estímulos que nos sinalizam que vale a pena repetir um determinado comportamento. Esse mecanismo é visto como uma vantagem evolutiva que favorece a sobrevivência da espécie e tem o neurotransmissor dopamina como seu principal ingrediente. A cada situação de prazer, o cérebro memoriza a relação do prazer experimentado à situação que o provocou e sabemos que alguns estímulos são mais potentes que outros no disparo desse processo: um alimento bastante calórico como o chocolate é mais poderoso que uma salada de folhas.
Esse sistema é uma importante janela para o entendimento dos mecanismos que fazem com que algumas pessoas tenham tendência a comportamento alimentar compulsivo e vício em drogas. Os mesmos mecanismos que são úteis para a sobrevivência podem ser meio “desafinados” em alguns indivíduos.
O uso de táticas mentais com o objetivo de modular as emoções tem reconhecido sucesso na redução de reações negativas frente a estímulos conflituosos. Sabemos muito menos sobre o efeito de tais táticas no controle do comportamento humano diante de situações recompensadoras e um estudo publicado ontem pela revista Nature Neuroscience revela que o resultado nessas situações também é positivo.
Indivíduos foram submetidos a um teste psicológico que envolvia recompensa em dinheiro ao visualizar um quadrado azul. Aqueles que foram instruídos a olhar para o quadrado azul e pensar no dinheiro tiveram regiões do cérebro associadas ao sistema de recompensa mais estimuladas do que aqueles que foram instruídos a pensar em algo azul na natureza que os deixasse mais calmos, como a imagem de um oceano. Essas respostas foram demonstradas tanto por medidas eletrofisiológicas com por ressonância magnética funcional.
Os resultados dessa pesquisa sugerem que pacientes com comportamentos compulsivos (ex: drogadição) podem se beneficiar de terapias que os ensinem a usar a força do pensamento para evitar o contato com os estímulos “recompensadores”, porém nocivos à saúde.
Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o acúmulo no cérebro de uma substância protéica chamada de beta-amilóide, substância também encontrada no cérebro de idosos saudáveis, porém em pequenas quantidades. Esse acúmulo excessivo de proteínas no cérebro, que é geneticamente determinado, faz com que aos poucos ele vá ficando ineficiente. Os medicamentos atualmente aprovados para o tratamento da doença apenas retardam levemente a progressão do declínio cognitivo, sem mudar a história natural da doença. O grande sonho é encontrar uma estratégia eficiente que reduza o acúmulo dessas proteínas no cérebro.
Estudos com ratinhos vêm demonstrando resultados positivos de vacinas com a intenção de reduzir o depósito de beta-amilóide no cérebro. Além da redução do menor depósito da substância, os ratinhos que tomam a vacina ficam mais espertos. Esses estudos foram o alicerce para que um estudo em humanos fosse iniciado no ano de 2000 e esta semana podemos ter acesso aos seus resultados em publicação pela revista The Lancet. Os participantes do estudo já apresentavam diagnóstico clínico de Doença de Alzheimer e foi evidenciado que aqueles que usaram a vacina apresentaram uma significativa redução de depósitos de beta–amilóide no cérebro. Entretanto, o estudo não conseguiu demonstrar que essa redução de depósitos cerebrais mudou a velocidade de progressão da doença: os pacientes evoluíram tão mal quanto aqueles que não usaram a vacina.
Os resultados não devem ser vistos exatamente como um banho de água gelada, já que a redução de depósitos cerebrais de beta-amilóide demonstrados já foi um resultado vitorioso. Entretanto, o fato da vacina não ter ajudado a evolução clínica dos pacientes reforça a idéia de que a simples redução dos depósitos é insuficiente para impedir o processo degenerativo. Talvez o uso da vacina em fases mais precoces da doença possa ter um melhor desempenho clínico e essa deve ser uma estratégia a ser testada, já que os pacientes incluídos no presente estudo já apresentavam a doença em fase clínica moderada.
E o diagnóstico da doença antes dos sintomas é a ordem do dia. Fortes linhas de pesquisa têm tentado demonstrar marcadores biológicos seja no sangue, seja no líquido da espinha, ou através de métodos de neuroimagem, que possam detectar a doença antes que ela se espalhe pelo cérebro. São esses marcadores que conseguirão apoiar as pesquisas com vacinas e outras formas de tratamento para a Doença de Alzheimer, e esperamos que em breve cheguem a fazer parte do repertório da medicina preventiva como já são a mamografia, a colonoscopia e dosagem antígenos prostáticos.
Hoje em dia a previdência privada é uma das principais estratégias para se garantir um futuro financeiro tranqüilo e um dos pilares mais importantes de qualquer investimento é que quanto mais cedo começarmos a poupar, maior será o prêmio no futuro. Não é difícil conversarmos com pessoas que nem são da área financeira, mas que conhecem com bastante preciosismo o significado das diferentes estratégias de investimento. Esse mesmo nível de consciência é desejável também quando se pensa no investimento em saúde. O melhor entendimento do significado da aterosclerose é de extrema relevância, pois esta é a doença que mais causa mortes no nosso país. Investir ainda quando jovens em atitudes que evitem o desenvolvimento e progressão da aterosclerose pode ser o maior pé-de-meia que alguém pode fazer durante sua vida.
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O cérebro de uma pessoa com enxaqueca é sensível além do normal a diversos estímulos, entre eles alguns alimentos que podem desencadear crises. É comum vermos na prática clínica recomendações médicas que aconselham os pacientes a evitar uma lista enorme de alimentos, tarefa que muitas vezes pode ser mais penosa do que as crises de enxaqueca. É bom entender quais os principais cuidados que uma pessoa com enxaqueca realmente deve ter com sua dieta.
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O ideal de uma relação médico-paciente é quando ambas as partes participam das decisões. Entretanto, nem sempre as coisas funcionam assim. Em um extremo encontraremos médicos que se colocam em posição de superioridade e nem escutam a vontade do paciente. No outro extremo encontraremos pacientes com atitude passiva esperando de olhos fechados que o médico tome as decisões, e essa é uma situação mais comum entre idosos e indivíduos com baixo nível educacional. Entre esses dois extremos, encontramos a grande parte das relações médico-paciente, uma relação que tanto o médico como o paciente influenciam um ao outro mutuamente.
Em algumas situações em que o médico pensa que o paciente não quer participar de decisões, esse julgamento pode depender bastante da forma como ele aborda o paciente. Uma coisa é o médico perguntar: “Você prefere que eu tome as decisões a respeito do seu tratamento ou você mesmo pode tomá-las?”. Provavelmente teremos uma diferente resposta se o médico perguntar: “Você quer que eu tome decisões sobre seu tratamento sabendo o que é importante para você, ou sem saber o que é importante para você?
Não existe receita de bolo, fórmula ideal, para se chegar a um bom nível de compartilhamento de decisões. Muito do que se discute e se pesquisa sobre o assunto concentra-se em atitudes do médico que podem facilitar a comunicação e seu papel como facilitador da relação médico-paciente. Entretanto, são poucos os estudos que avaliaram o papel do paciente. Na verdade os pacientes tomam decisões o tempo todo, seja na frente do médico, seja chegando em casa e seguindo ou não a prescrição ou recomendações de mudanças de estilo de vida, ou então quando decide trocar de médico. Alguns pacientes querem só ouvir o que o médico tem a dizer e decidir sozinhos o que fazer.
Há muito que se trabalhar para melhorar a comunicação entre médico e paciente, em busca de uma relação mais eficiente e que promova os melhores resultados ao paciente. E muita gente tem trabalhado por isso. Temos como exemplo a Academia Americana de Comunicação na Assistência à Saúde e também a Academia Européia que têm todo um corpo de programas educacionais aos profissionais de saúde, mas também à comunidade. O sucesso terapêutico depende muito do paciente também, e começa com uma boa comunicação entre médico e paciente, em via dupla.
Um antialérgico chamado Dimebon, usado originalmente na Russia há 30 anos atrás, e esquecido desde que antialérgicos mais modernos entraram no mercado, está se mostrando eficaz no tratamento da Doença de Alzheimer. Hoje a revista Lancet publicou o resultado de uma pesquisa conduzida na Rússia que comparou o Dimebon X Placebo em pacientes com Doença de Alzheimer nas suas formas leve e moderada. O uso da droga mostrou-se seguro com melhora de desempenho em todos os critérios pesquisados, tanto cognitivos quanto comportamentais. Novos estudos com a droga já estão anunciados, e a medicação pode se tornar uma importante arma no tratamento da Doença de Alzheimer, e com custo muito mais em conta do que as drogas atualmente aprovadas.
O estudo russo chama-nos muito a atenção para a questão econômica e de otimização de recursos de pesquisa. Às vezes drogas sintéticas ou naturais que já existem para o tratamento de uma certa doença podem ser valiosas para outras doenças também. Há uma semana atrás um importante estudo foi publicado na revista Science mostrando justamente isso. A lógica de identificação das potenciais novas indicações terapêuticas de medicações foi baseada na identificação de seus efeitos colaterais. Os cientistas identificaram uma série de medicações de diferentes famílias que provocavam os mesmos efeitos colaterais e mostraram que essas mesmas medicações induziam ações similares do ponto de vista molecular / celular. É uma estratégia bastante fértil na busca de novas aplicações para medicações que já estão nas prateleiras das farmácias.























