A detecção precoce da infecção pelo vírus HIV permite que o tratamento seja iniciado antes mesmo do desenvolvimento de sintomas, e a testagem preventiva entre adolescentes e adultos é amplamente recomendada pelos especialistas. O precoce diagnóstico também permite um melhor controle da transmissão da doença. Nos EUA, estima-se que 25% dos indivíduos infectados não tem consciência do diagnóstico.

 

Os atuais testes usados para a detecção de infecção pelo HIV usam amostras de sangue e demoram alguns dias para ficar prontos. Recentemente, testes que permitem resultados bem mais rápidos usando a saliva das pessoas têm sido desenvolvidos, mas poucos estudos avaliaram o quanto esses testes são capazes de detectar corretamente os indivíduos infectados.

 

Um estudo publicado hoje pela revista Annals of Internal Medicine avaliou a eficácia de um desses testes em 850 pacientes que procuraram um pronto socorro na cidade de Boston, EUA. Os testes ficavam prontos em 20 a 40 minutos e 4,6% dos indivíduos testados apresentaram resultados positivos. Esses pacientes foram submetidos aos testes “padrão ouro” pelo sangue e o resultado foi que 16% deles realmente estavam infectados pelo HIV.  

 

O número de testes falsamente positivos foi muito maior que aquele demonstrado pelo fabricante do teste, mas só o fato de selecionar um grupo de indivíduos em que 16% deles é infectado, já é de grande valia. A experiência atual desse hospital em Boston é de que em cada 100 pacientes avaliados no pronto-socorro com teste da saliva, cinco apresentarão resultado positivo, e após testagem no sangue, um deles realmente estará infectado pelo HIV. Não é pouca coisa quando se pensa em políticas públicas de detecção precoce de um problema de saúde grave e que não é considerado tão comum. A eficiência do teste já é melhor que muitos outros testes de screening amplamente realizados na prática clínica, como é o caso da mamografia para detecção de câncer de mama.  

 

Novos testes rápidos têm sido desenvolvidos com a expectativa de aumentar a precisão diagnóstica desse tipo de exame. Enquanto não dispomos de vacina para a AIDS, esses testes rápidos passam a fazer parte do arsenal disponível para o precoce diagnóstico da infecção.

 

 

IMPORTANTE: O teste da saliva é uma reação imunológica e não a detecção do vírus HIV na saliva. Em alguns pacientes infectados, pode-se até detectar o vírus na saliva, mas a ciência não reconhece o beijo como forma de transmissão do vírus HIV.