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O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.

 

Um estudo publicado hoje pelo Journal of the American Medicine Association mostra mais uma vez que a erva não traz benefícios ao cérebro. Mais de três mil indivíduos com mais de 75 anos e sem demência foram acompanhados por 6 anos. Os indivíduos que usaram Ginkgo biloba 240 mg por dia não tiveram risco reduzido de Doença de Alzheimer, outro tipo de demência, eventos cardiovasculares ou morte. Sangramento cerebral foi duas vezes mais freqüente entre aqueles que usaram a erva, e quando se analisou o grupo de idosos com doença cardiovascular prévia, seu uso aumentou o risco de demência.

 

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e no estudo descrito acima houve até aumento do risco de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba  não é canja de galinha.

  

LEIA AQUI PESQUISA MAIS RECENTE DEZ 2009 SOBRE O ASSUNTO

 

 

 

 

Clique aqui se quiser ler o artigo na íntegra (em inglês).

 

 

 

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Um estudo publicado na prestigiada revista Nature Genetics nesta ultima semana dá um passo muito importante no entendimento de uma das mais graves doenças neurológicas: o aneurisma cerebral. O aneurisma é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro, fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. Ao se romper, o risco de levar o indivíduo à morte é de 40%.

 

Já sabemos que o aneurisma cerebral é uma condição que tem um inequívoco componente genético, e o risco de alguém vir a apresentar o problema é cerca de duas vezes maior quando há um parente de 1º grau com a condição e até 50 vezes maior quando há dois ou mais parentes de 1º  grau.

 

Os pesquisadores avaliaram 2100 pacientes com história de aneurisma cerebral rompido e 8000 controles com origem na Europa e Japão e conseguiram identificar três variações cromossômicas associadas ao aneurisma cerebral. Duas dessas variações foram descritas pela primeira vez, enquanto o terceiro já havia sido descrito anteriormente. 

 

Os novos achados podem levar a novos testes para detecção precoce do aneurisma, antes que ele se rompa. Um dos genes em que tais variações foram encontradas está associado à capacidade de reparo dos vasos sanguíneos, o que abre caminho também para o desenvolvimento de terapêuticas que possam prevenir o desenvolvimento de aneurismas, mesmo entre aqueles que têm tendência genética a apresentá-los. 

 

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Leia também:

 

Quando realmente devemos fazer check-up para aneurismas cerebrais

Mais informação e menos medo de aneurisma cerebral.

 

  

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Estudos epidemiológicos sugerem que indivíduos que dormem pouco, assim como aqueles que dormem muito, vivem menos do que quem dorme entre 7 e 8 horas por dia. Além disso, a privação de sono tem sido crescentemente associada a problemas como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

 

Um novo estudo publicado esta semana pelo Archives of Internal Medicine confirma que dormir pouco não é um bom negócio à saúde, e dessa vez o grupo estudado tinha pressão alta e uma média de idade de 70 anos. Mais de 1200 indivíduos foram acompanhados por uma média de dois anos e aqueles que dormiam menos foram os que mais apresentaram infartos do coração e derrame cerebral ao longo do período do estudo. Além disso, os que dormiam menos tinham maiores índices de massa corporal (mais gordinhos) e mais chance de ter diabetes.

Ler também:

Afinal, devemos dormir quantas horas por dia?

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Comportamentos de risco são assumidos por pesquisas psicológicas e biomédicas como uma expressão anormal do comportamento, que pode ser justificado por sua associação com o abuso de substâncias psicoativas e com transtornos psiquiátricos como o transtorno bipolar. Por outro lado, um comportamento de risco, quando bem dosado, pode ter seu lado positivo. O que dizer dos indivíduos empreendedores, que correm o risco de abrir seus próprios negócios?

 

Pesquisadores ingleses partiram da hipótese que empreendedores seriam modelos de comportamento de risco muito bem adaptados do ponto de vista evolutivo, graças a algumas características como impulsividade e habilidade de tomar decisões em situações de estresse e em ambientes em rápida transformação. Dezesseis indivíduos que já haviam criado pelo menos duas empresas foram comparados a dezessete gerentes de empresas e sem experiência em ter criado sua própria empresa. O estudo foi publicado na última edição da revista Nature.

 

Uma série de testes foi aplicada a ambos os grupos para avaliação de habilidades de tomada de decisão. Os grupos apresentaram desempenho similar quando o teste envolvia decisões “frias”, que na vida real poderia ser ilustrada pela decisão de contratar um novo funcionário, decisões neutras do ponto de vista emocional. Quando o teste era associado a decisões “quentes”, os empreendedores se comportaram de forma mais arriscada. Decisões “quentes” podem ser exemplificadas como a decisão de se investir em uma entre duas opções arriscadas de negócio, com possível desfecho de recompensa ou punição, e com inequívoco envolvimento emocional.  Os empreendedores mostraram também uma maior flexibilidade cognitiva para resolução de problemas, e maiores scores em testes que medem impulsividade.   

 

O mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado que o desempenho em testes de decisões “quentes” diminui com o envelhecimento. Os gerentes estudados nesse último estudo realmente apresentaram esse padrão, mas o desempenho dos empreendedores (média de idade de 51 anos) foi semelhante ao de indivíduos mais jovens. Os autores chamam também à atenção para outro estudo por eles conduzido apontando que o desempenho desse tipo de teste pode ser aumentado com o uso de medicação (metilfenidato), no caso de pacientes com o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Chegam até a interrogar se intervenções medicamentosas não poderiam desenvolver o perfil empreendedor das pessoas.

 

 

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Já é bem conhecido que o uso das medicações chamadas de estatinas reduz o risco de eventos vasculares, como o derrame cerebral e infarto do coração, em pacientes com altos índices de colesterol, portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares. Ontem, a revista New England Journal of Medicine publicou o importante Estudo JUPITER mostrando que as estatinas podem reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes considerados de baixo risco vascular.

 

O estudo JUPITER é um estudo multicêntrico envolvendo diversos países, incluindo o Brasil – Universidade Federal de São Paulo, e que acompanhou quase 18 mil indivíduos que nunca haviam apresentado história de derrame cerebral ou infarto do coração. Todos tinham níveis normais de colesterol, não tinham diabetes, mas apresentavam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (> 2mg/l). Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares.

 

A metade dos voluntários que usou estatina (Rosuvastatina) apresentou menos risco de derrame cerebral e infarto do coração e menor mortalidade no período pesquisado. O estudo foi até mesmo precocemente interrompido por questões éticas, devido à inequívoca superioridade nos benefícios que o grupo que usou estatina apresentou.

 

 

 

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A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. Uma estimativa recentemente publicada na revista Lancet por um painel de experts no assunto aponta que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Uma revisão sobre o assunto publicada pela Academia Americana de Neurologia em agosto de 2008 intitula o problema como UMA EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

 

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo, de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerada a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem! Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam têm maior chance de evasão.

 

Há cerca de uma semana o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, ficou órfão com a precoce morte de Rosani Cunha, secretária nacional do programa desde 2004. É bom entendermos por meio de números o tamanho do trabalho de Rosani, e daqueles que a acompanharam e a antecederam. Ela certamente está na galeria daqueles que mais fizeram pelo cérebro dos brasileiros.

– O Programa Bolsa Família atende atualmente a 11 milhões de famílias pobres. Além da transferência de renda, que permite a compra de alimentos, as famílias devem manter seus filhos na escola. Devem seguir ainda uma agenda de acompanhamento da saúde, como vacinação, pré-natal e acompanhamento nutricional de gestantes, nutrizes e crianças até completarem 7 anos.

– Entre 2003 e 2006, a redução da pobreza foi de 31,4%. Quatorze milhões de pessoas superaram a condição de pobreza no período. A concentração de renda no país atingiu, em 2006, o menor índice dos últimos 30 anos. Uma pesquisa aponta que 93% das crianças e 82% dos adultos beneficiários fazem três ou mais refeições por dia.

– A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu de 47 por mil, em 1990, para 25 por mil, em 2006 – uma queda de 45%.

– A desnutrição medida por peso por idade das crianças com menos de 1 ano diminuiu de 10%, em 1999, para 2,4%, em 2006. Entre as crianças de 1 a 2 anos de idade, a desnutrição caiu de 20% para 5%. Ou seja, a queda da desnutrição nas duas faixas etárias foi superior a 75% em sete anos.

– O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 da ONU registra que o Brasil atingiu um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,8 – situando-o, pela primeira vez, no grupo de países de alto desenvolvimento humano. 

 

 

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Em editorial intocável publicado esta semana no British Medical Journal por Fiona Godlee, editora da revista, temos mais uma oportunidade de repensar a importância da Alfabetização em Saúde da população. A Associação Americana de Medicina define o conceito de Alfabetização em Saúde como a capacidade de obter, processar e compreender informação básica em saúde necessária à tomada de decisões apropriadas e que apóie o correto seguimento de instruções terapêuticas.

 

O recado de Fiona parte do fato de que há muito que se fazer pela Alfabetização em Saúde e essa não é uma questão de que “seria bom” investir nisso, mas que esse investimento é imperativo. Estima-se que nos EUA anualmente são gastos entre 106 e 236 bilhões de dólares anuais por conta do baixo nível de Alfabetização em Saúde e suas conseqüências: a não procura de ajuda médica quando necessária, a dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis, erros no uso de medicações, etc.

 

A melhora da comunicação em saúde tem de ser pensada já desde o nível da relação médico-paciente, assumindo que o paciente é capaz sim de entender questões que os médicos podem julgar ser de difícil entendimento, e a maioria dos pacientes quer entender melhor seus problemas. É preciso também melhorar a qualidade do jornalismo em saúde, pois ele representa uma das principais fontes de informação em saúde da população. Jornalistas, médicos e demais profissionais da saúde, cientistas, agências governamentais, indústrias farmacêuticas e de equipamentos médicos, cada qual tem sua parcela de responsabilidade pela qualidade da informação em saúde que chega até o público leigo. Espera-se que cada parte faça seu papel de forma ética e que dialoguem entre si para a construção de um movimento que assegure à população informação cada vez mais correta e de qualidade.

 

 

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Uma série de estudos já havia demonstrado associação entre traumas cranianos em fases precoces da vida e o desenvolvimento posterior de TDAH. A questão que ainda não havia sido resolvida era se o trauma em si poderia colaborar para o desenvolvimento de TDAH ou se o trauma na verdade já é o resultado de um comportamento mais impulsivo e de risco entre crianças com maior tendência a desenvolver o transtorno. Um estudo publicado hoje pelo British Medical Journal ajuda muito a repensar essa questão.

 

 

Os pesquisadores avaliaram 62 mil crianças divididas em três grupos: 1) crianças com história de trauma craniano antes dos 2 anos de idade; 2)  crianças com história de queimadura antes dos 2 anos de idade; 3) crianças com nenhuma das 2 condições anteriores. Os resultados mostraram que tanta as crianças com história de traumatismo craniano como as com história de queimadura tinham mais chance de apresentar o diagnóstico de TDAH antes dos 10 anos de idade. Esses resultados reforçam bastante a hipótese de que não é o trauma craniano que aumenta a chance de desenvolver TDAH, mas que crianças com história de trauma mais freqüentemente tem um comportamento associado a um maior risco de acidentes em geral, como é o exemplo das queimaduras.

 

 

 

 

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Temos uma série de evidências de que crianças que aprendem a tocar um instrumento musical na infância têm ganhos significativos em habilidades motoras e auditivas e que também são utilizadas em diversas outras situações do dia-a-dia. Além disso, pesquisas já demonstraram que o aprendizado musical na infância pode aumentar o desempenho em outras dimensões cognitivas como habilidades espaciais, matemáticas, de linguagem verbal, e até mesmo uma associação com maior QI e desempenho acadêmico na idade adulta.

 

Um novo estudo publicado esta semana no periódico PloS ONE confirma parte desses achados ao mostrar que crianças que tiveram aprendizado musical por pelo menos três anos apresentam melhor desempenho motor e auditivo como também  uma melhor habilidade verbal e de raciocínio não verbal. Uma das formas de explicar os resultados é o próprio efeito estimulante do estudo da música sobre o cérebro. Por outro lado, as crianças que recebem educação musical podem na verdade terem pais mais dedicados ao processo educacional dos filhos como um todo. Além disso, crianças que passam anos no processo de educação musical podem ser genuinamente mais persistentes e motivadas do que aquelas que começam e desistem logo em seguida. E se são mais persistentes para a música, têm chance de serem mais persistentes também nas tarefas da escola.

 

Essa nova pesquisa é a divulgação de resultados parciais de um grande estudo longitudinal conduzido por pesquisadores de Harvard e que devem num futuro próximo nos trazer respostas mais precisas de quais desses mecanismos são os mais relevantes para explicar a relação entre a música e o sucesso cerebral das crianças.

 

 

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A cafeína quando absorvida atravessa a placenta livremente e estudos em humanos demonstram que imediatamente após a ingesta de 200mg de cafeína, o fluxo sanguíneo placentário é reduzido em 25%. Além disso, o principal mecanismo de metabolismo da cafeína (Citocromo P450 1A2) é ausente tanto na placenta como no feto.

 

Já temos evidências que o consumo de cafeína na gravidez aumenta o risco de aborto espontâneo e de gerar recém-nascidos de baixo peso, especialmente em doses maiores que 200mg/dia.  Alguns estudos demonstraram que o excesso de café também pode reduzir a fertilidade feminina. Um novo estudo publicado esta semana no British Medical Journal sugere que ao invés de maneirar no café durante a gravidez, o melhor mesmo é evitá-lo.

 

Quase três mil mulheres com gravidez de baixo risco foram acompanhadas durante a gravidez com rígida monitorização do consumo de cafeína, álcool e cigarro, além de terem sido avaliadas quanto ao perfil individual de rapidez no metabolismo da cafeína. Confirmou-se a associação entre o consumo de cafeína na gravidez e menor peso dos recém-nascidos, e quanto maior a dose diária de cafeína, maior o efeito. IMPORTANTE: não houve dose baixa de cafeína que pudesse ser considerada segura no sentido de não influenciar o peso dos bebês. Além disso, o impacto do consumo de cafeína sobre o peso dos bebês foi semelhante ao do consumo de álcool no grupo estudado.

 

Não custa lembrar que a cafeína não está só no café e na coca-cola. Sua principal fonte de consumo entre essas mulheres estudadas foi o chá (60%), enquanto só 14% era por consumo de café. Tanto nos EUA como na Inglaterra, as agências federais de saúde recomendam que na gravidez não se deva usar mais que 300mg de cafeína por dia. Esse novo estudo certamente mudará a atual recomendação para que se evite cafeína de qualquer origem durante a gravidez. Para as mulheres que estão querendo engravidar, é bom reduzir o consumo também.

 

 

Leia também  Afinal, Café faz bem à saúde?  

 

 

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Em diversos países, o Ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha.  Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o Ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Pesquisas que avaliaram a associação do uso do Ecstasy com alterações cerebrais deixam dúvida se as alterações encontradas são conseqüências da droga ou se são elas que fazem com que o indivíduo tenha mais predisposição a usá-la. Ovo ou galinha? Um novo estudo divulgado ontem pela revista inglesa Brain traz novidades bastante esclarecedoras.

 

Pesquisadores holandeses selecionaram cerca de 190 indivíduos entre 18 e 35 anos de idade que nunca tinham usado Ecstasy e que eram considerados como potenciais usuários em futuro próximo: ou porque declararam tal intenção ou porque tinham um ou mais amigos que usavam a droga. Diversas técnicas de neuroimagem foram inicialmente realizadas, e após 12 meses de seguimento os voluntários voltavam a ser submetidos a novas imagens cerebrais até três anos de seguimento. Ao longo do acompanhamento, 59 pessoas haviam usado a droga (média de 6 unidades, variando de 0.5 a 80), e esses foram comparados a outros 56 do grupo original que não experimentaram a droga. Os grupos não foram diferentes quanto à idade, uso de álcool, maconha, anfetamina e cocaína.

 

Foi identificada uma série de anormalidades cerebrais no grupo de indivíduos que usaram Ecstasy: alterações na perfusão sanguínea, na estrutura da substância branca e maturação cerebral. O importante é que essas alterações realmente foram adquiridas após o início do estudo, quando os voluntários ainda não apresentavam essas alterações. Um estudo anterior já havia demonstrado leve redução da capacidade de memória verbal em usuários leves da droga. Ainda não se pode concluir se essas alterações são irreversíveis, mas esses resultados são fortemente indicativos que o uso de Ecstasy pode ser neurotóxico, mesmo em baixas doses.

 

 

 

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Um estudo publicado no final de outubro na versão eletrônica do periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia demonstra o quanto uma dieta adequada pode ajudar na recuperação de uma pessoa que sofreu um derrame cerebral.

 

Cerca de metade dos pacientes que iniciam o trabalho de reabilitação após um derrame cerebral apresenta algum grau de desnutrição e as causas são múltiplas: dificuldade em engolir os alimentos, dependência de outras pessoas para poder comer, depressão, e muitas vezes um estado de desnutrição até mesmo antes de sofrer o derrame. Já sabemos que os pacientes desnutridos recuperam-se com maior dificuldade, porém ainda é controverso se uma suplementação dietética especial é capaz de fazê-los recuperar melhor.

 

Nesse novo estudo, foram incluídos mais de cem pacientes que sofreram derrame cerebral no último mês, e que podiam ser considerados como desnutridos (perda > 2.5% do peso nas primeiras 2 semanas de internação). Metade dos pacientes receberam uma super-dieta com teor 2 vezes maior de calorias,  2 vezes maior de proteínas e 4 vezes maior de gordura, além de suplementação de vitamina C. Quando comparados aos pacientes que receberam uma dieta normal, esses que receberam a super-dieta receberam alta para casa com maior nível de independência.  

 

A pesquisa apresenta algumas limitações metodológicas, entre elas o fato de ter sido realizada num único centro de reabilitação, o que nos faz ser cautelosos em não encerrar o assunto por aqui. Além disso, os resultados também não devem ser extrapolados a pacientes que apresentavam sobrepeso quando apresentaram o derrame.

 

 

 

 

  

 

 

Um estudo publicado ontem no respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão aumenta o risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006. 

 

A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação (ex: citocinas), aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas.  Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.

 

É de se esperar que as autoridades estejam repensando o custo-benefício do horário de verão ou uma maior flexibilização do horário na primeira semana de implantação. Na hora de refazer as contas, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.

 

  

 

 

 

A ciência tem dado importantes saltos nos últimos anos no desenvolvimento de testes genéticos que possam detectar precocemente a Doença de Alzheimer. Alguns testes atualmente disponíveis podem até nos informar que um determinado indivíduo tem uma chance “X” vezes maior de vir a ter a doença. Entretanto, qual a vantagem que um indivíduo tem em ser submetido a esse tipo de teste, se não há nenhum tratamento disponível para que ele diminua sua chance de vir a desenvolver a doença? Pode sim, gerar um nível de preocupação desnecessária e desproporcional à realidade. As medicações atualmente aprovadas para o tratamento da doença de Alzheimer, na verdade, não mudam o curso natural da doença. As medicações fazem com que os portadores da doença possam melhorar seu desempenho cognitivo, mas a progressão da doença continua. No dia em que tivermos disponíveis estratégias que realmente tratem a doença no sentido de evitar sua progressão, será fundamental definir o diagnóstico da forma mais precoce possível. Aí então, certamente os testes genéticos serão indicados em larga escala.

 

Apesar de ainda ter muita água para passar por debaixo dessa ponte, já podemos ver alguns movimentos apressados e até oportunistas. Vemos médicos nos consultórios solicitando testes porque o “paciente” ouviu falar e quer fazer. Mesmo que tivesse indicação, e não tem até o momento, qualquer tipo de teste genético dessa natureza necessita de uma equipe multidisciplinar, incluindo um geneticista clínico, que possa traduzir ao indivíduo o que significa aquele resultado em termos práticos na sua vida.  Recentemente uma empresa nos EUA lançou um teste genético chamado de “Alzheimer Mirror” que só durou oito meses no mercado, pois foi fortemente combatido por questões de propriedade intelectual. O teste foi desenvolvido e patenteado pela Duke University e a licença de uso era restrita a pacientes portadores da Doença de Alzheimer. O diretor de alianças corporativas da Duke University, Alan Herosian, declarou recentemente que “o teste não foi desenvolvido para o screening de pessoas saudáveis”.

 

 

 

 

 

 

O sono é uma de nossas necessidades mais básicas e há um bom tempo que ele não deve ser visto como um estado de descanso do cérebro, já que durante o sono ele está “trabalhando” pra valer, especialmente para cristalizar o aprendizado do dia. Podemos até prescindir de algumas noites de sono sem grandes prejuízos à saúde. Já a privação crônica de sono pode trazer efeitos negativos não só sobre nossas capacidades cognitivas, mas também pode alterar funções metabólicas que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. E quantas horas de sono por dia é o mais recomendável? Essa é uma discussão bastante interessante.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto em inglês, National Sleep Foundation, How much sleep do we really need?

 

 

 

A Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por recorrente obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono associada a roncos, resultando em episódios de paradas respiratórias, redução da oxigenação do sangue, freqüentes despertares durante a noite e conseqüente sonolência diurna. É bom saber que todo mundo que tem SAOS ronca, mas nem todo mundo que ronca tem apnéia.

 

Já é bem conhecido que as formas moderada e grave da SAOS estão associadas ao aumento de risco cardiovascular, e o tratamento visa não só melhorar a qualidade de vida do indivíduo, mas também reduzir seu risco cardiovascular. Um novo estudo publicado na última edição da revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine nos mostra que mesmo portadores da forma leve de SAOS também apresentam maior risco cardiovascular. Medidas que refletem a saúde das artérias mostraram-se reduzidas entre pacientes com a forma leve de SAOS quando comparado ao grupo controle. Esses resultados fizeram com que os pesquisadores dessem início a um novo estudo que irá avaliar se o tradicional tratamento com o aparelho com máscara de ar sob pressão durante a noite, o CPAP, não seria indicado  também a pacientes com SAOS leve e com mínimos sintomas. Atualmente a indicação mais ortodoxa do CPAP é nos casos moderados e severos de SAOS.

 

 

 

 

O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Alguns estudos têm revelado que o problema do sobrepeso não está associado só a quanto se come e o que se come, mas também a como se come.

 

Uma pesquisa conduzida no Japão com mais de três mil pessoas e publicada na última edição do British Medical Journal aponta que tanto o hábito de comer rápido como também o de comer até se sentir cheio está associado a um maior peso corporal. Esse efeito é independente da quantidade de calorias ingeridas, ou seja, “X” calorias diárias ingeridas de forma fracionada e sem pressa tem menos chance de engordar do que as mesmas “X” calorias diárias ingeridas na correria e de forma menos distribuída ao longo do dia. Estudos anteriores já haviam mostrado que comer rápido engorda mais, e o que essa pesquisa acrescenta é que comer até ficar cheio também engorda.

 

 

 

  

 

 

Já faz uma década que pesquisadores têm procurado definir se o campo magnético dos telefones celulares está associado a um maior risco de tumores cerebrais. O tema sempre foi tratado como controverso e a partir do ano de 2007 alguns estudos têm mostrado o que o negócio da telefona móvel não gostaria de ouvir.

 

Pesquisadores suecos demonstraram que o uso de celular por mais de dez anos está associado ao risco de tumores cerebrais do mesmo lado do cérebro em que o aparelho é usado, especificamente gliomas e neurinoma do nervo da audição. Por outro lado, há uma série de pesquisas que não conseguiram demonstrar essa relação. Em abril de 2008 foi publicada uma metanálise, um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, e que evidenciou haver associação entre o uso de celular a longo prazo e tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008).

 

Este ano uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial tem se manifestado no sentido de que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Já existem estudos mostrando que a incidência de tumores cerebrais tem aumentado, e uma das explicações seria o diagnóstico por imagem cada vez mais desenvolvido, com uma crescente disponibilidade de aparelhos de tomografia computadorizada e ressonância magnética. A última edição da revista Surgical Neurology, jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em nível internacional em conjunto com outras sociedades, traz um editorial conclamando a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.

 

Tanto se reconhece a dúvida do risco dos celulares que o governo francês a partir desse ano passou a recomendar que as crianças devem evitá-los, e tanto o governo alemão quanto a Agência Ambiental Européia recomendam restrições ao uso de celular.  Hoje em dia há cerca de três bilhões de usuários ao redor do mundo. Em Brasília há mais de um celular por habitante. Quem viver verá o resultado dessa polêmica. 

 

 

 

   

 

 

O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. Quando rompe, o sangue extravasa dentro da cabeça e o risco de morte é de cerca de 40%.

 

É comum as pessoas terem medo de ser portadoras de aneurisma cerebral e muitas vezes perguntam a si mesmas e aos médicos se não valeria a pena fazer exames para detectá-los “a tempo”. Atualmente recomenda-se que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado.

 

Um novo estudo publicado na última edição da revista inglesa Brain confirma que indivíduos com mais de um parente primeiro grau com história de sangramento por aneurisma cerebral devam ser investigados de forma profilática. Cerca de 21 mil parentes de primeiro grau (pais, filhos e irmãos) de mais de cinco mil pacientes suecos com diagnóstico de aneurisma cerebral foram avaliados. A chance de uma pessoa apresentar sangramento por aneurisma cerebral é duas vezes maior do que da população geral quando esta tem um parente de primeiro grau com a doença. Se a pessoa tem dois parentes com o problema, o risco passa a ser 51 vezes maior e poderíamos extrapolar esses resultados para uma chance em apresentar sangramento de 26%, se considerarmos que a freqüência de SANGRAMENTO por aneurisma cerebral na população geral é de @ 0.7%. Os exames de “screening” nessa situação não deveriam ser feitos uma única vez, já que o aneurisma cerebral pode se desenvolver ao longo da vida adulta, mesmo após exame inicial normal. 
 
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Leia também:

Mais informação e menos medo de aneurisma cerebral.

Um importante avanço no entendimento dos aneurismas cerebrais

 

 

 

 

Não é incomum encontrarmos pessoas com fatores de risco vascular como diabetes e hipertensão arterial usando aspirina para prevenir eventos cardiovasculares (infarto do coração e o derrame cerebral). A aspirina é muito bem indicada para quem já apresentou um desses eventos cardiovasculares, e é o que se chama de prevenção secundária. Quanto à prevenção primária, ou seja, prevenir um primeiro evento cardiovascular, essa sim é uma questão ainda muito polêmica.

 

Um importante estudo foi publicado esta semana pelo British Medical Journal mostrando que o uso da aspirina com ou sem suplementos antioxidantes não colabora para a prevenção primária de eventos cardiovasculares, mesmo em pacientes com maior risco de eventos, como é o caso dos diabéticos.

 

Cerca de 1300 pacientes diabéticos na Escócia com mais de 40 de anos de idade, e sem história de infarto do coração ou derrame cerebral, foram acompanhados por quase sete anos, e o risco de eventos cardiovasculares ou óbito não foi diferente entre os pacientes que usaram aspirina ou suplementos antioxidantes, ou ambos, comparado àqueles que usaram placebo. Os resultados são muito importantes, já que a aspirina é considerada uma das dez medicações que mais causam efeitos adversos, especialmente gastrintestinais.

 

 

 

 

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