A ciência tem dado importantes saltos nos últimos anos no desenvolvimento de testes genéticos que possam detectar precocemente a Doença de Alzheimer. Alguns testes atualmente disponíveis podem até nos informar que um determinado indivíduo tem uma chance “X” vezes maior de vir a ter a doença. Entretanto, qual a vantagem que um indivíduo tem em ser submetido a esse tipo de teste, se não há nenhum tratamento disponível para que ele diminua sua chance de vir a desenvolver a doença? Pode sim, gerar um nível de preocupação desnecessária e desproporcional à realidade. As medicações atualmente aprovadas para o tratamento da doença de Alzheimer, na verdade, não mudam o curso natural da doença. As medicações fazem com que os portadores da doença possam melhorar seu desempenho cognitivo, mas a progressão da doença continua. No dia em que tivermos disponíveis estratégias que realmente tratem a doença no sentido de evitar sua progressão, será fundamental definir o diagnóstico da forma mais precoce possível. Aí então, certamente os testes genéticos serão indicados em larga escala.

 

Apesar de ainda ter muita água para passar por debaixo dessa ponte, já podemos ver alguns movimentos apressados e até oportunistas. Vemos médicos nos consultórios solicitando testes porque o “paciente” ouviu falar e quer fazer. Mesmo que tivesse indicação, e não tem até o momento, qualquer tipo de teste genético dessa natureza necessita de uma equipe multidisciplinar, incluindo um geneticista clínico, que possa traduzir ao indivíduo o que significa aquele resultado em termos práticos na sua vida.  Recentemente uma empresa nos EUA lançou um teste genético chamado de “Alzheimer Mirror” que só durou oito meses no mercado, pois foi fortemente combatido por questões de propriedade intelectual. O teste foi desenvolvido e patenteado pela Duke University e a licença de uso era restrita a pacientes portadores da Doença de Alzheimer. O diretor de alianças corporativas da Duke University, Alan Herosian, declarou recentemente que “o teste não foi desenvolvido para o screening de pessoas saudáveis”.

 

 

 

 

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