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Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

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O cérebro tem dois tipos de receptores aos quais se ligam a substâncias semelhantes à maconha que recebem o nome de canabinóides. Saiba que uma dessas sustâncias é produzida pelo nosso corpo e se chama anandamida, que em sânscrito significa felicidade. É bem reconhecido que anandamida seja um dos grandes responsáveis pelo barato do maratonista.

Após a descoberta do sistema endocanabinóide no cérebro há 20 anos, uma série de substâncias sintéticas têm sido desenvolvidas na expectativa de se encontrar aplicações terapêuticas. Não demorou muito para que as maconhas sintéticas passassem a ter cosumo recreativo e têm recebido o nome de k2 ou spice, tempero em inglês. O termo tempero simboliza a mistura de uma ou mais maconhas sintéticas com outras ervas e extratos aromáticos. Essa mistura pode ser mais complexa, incluindo, por exemplo, drogas estimulantes do sistema nervoso simpático.

O spice tem rótulos que vendem a ideia de mistura de ervas, incenso, e nos EUA só perde para a maconha como droga ilícita mais consumida entre adolescentes. A impossibilidade de ser detectado pelos exames toxicológicos aumenta sua popularidade. Além disso, o spice é encontrado em lojas de conveniência, postos de gasolina, na internet, sempre com um lembrete que “não é para consumo humano”. Afinal é “só um purificados de ar, um incenso”. O governo define o canabinoide A, B e C como ilícitos, mas os fabricantes logo produzem o F, G, H.

Os canabimoides sintéticos têm uma potência de efeitos que chega a ser 10 vezes maior que o THC da planta de maconha. Efeitos adversos incluem agitação, alucinações, psicose, tentativa de suicídio, convulsões, infarto do miocárdio, arritmia cardíaca e sintomas de abstinência como tremores e dor de cabeça.

Recentemente o periódico da Academia Americana de Neurologia descreveu o caso de dois irmãos que apresentaram derrame cerebral, um deles minutos e o outro horas depois de consumir spice. Não parece coincidência.

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Como a privação de sono mexe com o nosso corpo! E não é só nas capacidades do cérebro. Memória, atenção, etc. Pouco sono favorece o sobrepeso e a obesidade, aterosclerose, infarto do coração, aumenta as taxas de gordura no sangue e até aumenta a pressão arterial.

Quanto ao efeito sobre a pressão arterial, existem dúvidas, pois os resultados das pesquisas são conflitantes. Entende-se que parte dessas discordâncias deve-se à mistura de fatores como a obesidade e apnéia do sono.

Esta semana um estudo publicado no periódico Pediatrics confirmou que a privação de sono aumenta sim os níveis da pressão arterial. Para evitar confusão, dessa vez foram estudados adolescentes sem sobrepeso, obesidade ou apnéia do sono. Os resultados mostraram ainda que, após alguns dias de privação de sono, uma única noite de sono mais prolongado não é capaz de reverter o aumento da pressão arterial. Compensar no fim de semana é melhor do que nada, mas não é o ideal.

 

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Muita gente reclama que o tempo está passando muito rápido, mas isso não costuma fazer parte do repertório dos jovens.

 

Já no século 19, defendia-se a idéia que o tempo passa mais rápido à medida que envelhecemos, pois a vida de adulto vai tendo cada vez menos novidades, menos marcos. Menos primeiros: primeiro beijo, primeiro dia de escola, primeiro porre, etc.   

 

Quando solicitados a descrever a passagem do tempo através de metáforas, jovens usam metáforas com imagens mais estáticas, como por exemplo, um “oceano tranqüilo”. Os mais velhos já usam metáforas mais aceleradas – “trem em alta velocidade”.  

 

Quando se faz a pergunta “Quão rápido passou os últimos dez anos para você?” a resposta é de que é mais veloz entre as pessoas com mais idade, com um pico aos 50 anos.  Entre os 50 e 90 anos essa percepção fica estável. 

 

Quando se faz a pergunta “Quão rápido passou a última hora/semana/mês para você?”, a idade não faz diferença. Entretanto, quando a pessoa sente que está sendo pressionada contra o tempo, a percepção é a de que a semana / mês passa mais rápido, independente da idade e da nacionalidade.  É a cegueira do estresse.

 

 

 

 

A edição de natal do British Medical Journal trouxe uma revisão curiosa sobre os efeitos do riso na saúde das pessoas. Foram incluídas pesquisas recentes, mas também relatos do que se pensava há mais de cinqüenta anos atrás.

Benefícios

Maior satisfação com a vida;

Maior tolerância à dor;

Melhora a função do endotélio, camada mais interna dos vasos sanguíneos;

Reduz o risco de infarto do miocárdio;

Palhaços melhoram a função pulmonar de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica;

Melhora o controle da glicemia em diabéticos;

15 minutos de risada consome cerca de 40 calorias;

Um palhaço divertindo futuras mamães por 15 min numa clínica de fertilização in vitro aumenta a chance de sucesso do tratamento;

Malefícios?

Algumas pessoas podem desmaiar durante uma gargalhada intensa. Esse fenômeno é chamado de síncope reflexa, e tem o mesmo mecanismo do desmaio associado ao ato pegar um peso muito grande;

Há relatos de arritmia cardíaca em pessoas que já tem antecedentes dessa natureza;

Há relatos de inalação de corpo estanho – ex: prótese dentária;

Entre os asmáticos, pode desencadear uma crise;

Pode provocar pneumotórax – coleção de ar no espaço pleural;

Favorece a transmissão de agentes infecciosos;

Pode precipitar uma crise de cataplexia – perda súbita do tônus muscular associada à rara doença do sono Narcolepsia;

Pode precipitar crises de dor de cabeça, inclusive a enxaqueca;

Assim com morder um sanduíche muito grande, uma gargalhada pode provocar deslocamento da mandíbula;

Pode provocar incontinência urinária;

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Fazendo um balanço geral, o potencias benefícios ganham de longe.

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Este é um causo de dois minutos. Os mais modernos podem chamar de “case”

Afonso nasceu em Brasília, filho de mineiros. A história começou há séculos, mas a consciência dizia que foi depois de Grande Sertão Veredas. Tempos depois ele descobriu que o violeiro Paulo Freire entrou na metamorfose depois de ler o tal.

Vai ouvindo.

 

No clima de Guimarães partiu para três dias de cerrado em cima da velha companheira de duas rodas. Passou antes na cidade dos avós em que passou todas as férias de sua infância. Os avós não estavam mais lá, mas ele entrou na antiga casa, reconheceu todos os cômodos. O atual proprietário falava com orgulho da grossura das paredes. Casa forte. Cheiro de café torrado no alpendre.

 

Serra da canastra suprema. Entendeu que o homem não faz parte da paisagem. A paisagem está dentro do homem. Poucas paradas para comer em currutelas de uma igrejinha e dez ou quinze casinhas. Perguntavam de onde vinha e sempre alguém tinha um caso para contar de um parente do moço. Lembrança viva de muitos antigos.

 

Grande Sertão, Minas Gerais, cerrado, ancestrais, química cerebral da exaustão física. Tudo isso transformou-se numa explosão com a música de ROBERTO CORRÊA.  A viola fechou esse círculo a que o moço chama hoje de ÓPERA CAIPIRA. E a temporada continua.

 

Nos últimos anos Afonso tem tido um sonho recorrente. Quando fica mais de uma semana sem assistir, aliás, viver o espetáculo, ele tem uma crise de abstinência bem estranha. Suor, tremores e não é que começa a crescer penas pelo corpo até ficar bem parecido com uma seriema?

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Imagine só pensar que você está comendo um alimento saboroso 33 vezes seguidas. Depois desse exercício esse alimento é oferecido ao vivo e em cores. Você tem a metade do apetite de uma pessoa que fez outro exercício de pensar que colocava moedas repetidas vezes numa máquina de lavar. Isso foi com confeitos M&M, mas o mesmo aconteceu quando os voluntários eram testados com pedacinhos de queijo. Entretanto, o aumento do apetite acontecia para os queijinhos, mas não para o chocolate. A saciedade não era transferível para outro tipo de alimento.

Essas experiências foram publicadas em 2010 pela revista Science e abriram discussões calorosas sobre o poder da mente no controle de peso. Ao invés de livros de dietas para emagrecer, quem sabe livros com fotos de pratos suculentos para serem saboreados na imaginação?

Essa saciedade mental pode ser explicada pelo efeito de habituação. Estímulos repetitivos passam a não ter mais o mesmo impacto depois de um tempo. A primeira mordida costuma ser a mais gostosa. Entretanto, a última mordida também tem seu valor. Se sobrarem dois biscoitos em uma lata, eles serão considerados mais gostosos do que quando a lata está lotada deles.

O banquete mental teve seus efeitos colaterais. A vontade de comer alimentos que combinam com o alimento aumentou. Quem imaginou a degustação de queijinhos comeu menos queijo depois, mas comeu muito mais pão.

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Muitos estudos mostram a importância inequívoca da mãe no desenvolvimento dos bebês. Já o impacto da presença dos pais tem sido pouco investigado. Uma nova pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade McGill no Canadá demonstra que a ausência do pai em fases precoces da vida leva a menores habilidades comportamentais e sociais na idade adulta. O estudo foi realizado em camundongos, mas os resultados são relevantes também para nós humanos.

Camundongos Califórnia foram estudados. Eles têm um comportamento monogâmico e cuidam da cria juntos. Quando criados sem os pais, os camundongos apresentavam na idade adulta mais agressividade e interações mais conturbadas com outros camundongos. As fêmeas foram as que apresentam maiores alterações do comportamento e também apresentaram uma maior sensibilidade à ação da anfetamina. Estudos em humanos não são tão diferentes. As crianças sem a presença do pai têm maior chance de apresentar comportamento desviante e, no caso das meninas, já foi demonstrado que elas têm maior risco de abuso de substâncias psicoativas.

A atual pesquisa também mostrou que os ratinhos privados de pais apresentavam menor desenvolvimento do córtex pré-frontal, região do cérebro que modula o comportamento nas interações sociais. Essa foi a primeira vez que se demostrou que a estrutura do cérebro é diferente na ausência do pai.

O estudo foi publicado recentemente pelo periódico Cerebral Córtex.

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Cientistas alemães da Universidade de Bonn confirmaram nesta última semana que a ocitocina é uma ferramenta valiosa para um casal atravessar décadas e décadas invictos de traições. Quando o hormônio é administrado a homens com relações estáveis e, a estes são apresentadas fotos de suas mulheres, o sistema de recompensa cerebral é estimulado de forma mais intensa, fazendo o cérebro ficar mais atraído pela parceira. O experimento foi publicado no prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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Quarenta homens heterosexuais foram estudados. Após uma dose do hormônio por spray nasal os homens apresentavam maior ativação do sistema de recompensa cerebral medido pela ressonância magnética funcional. Além disso, os homens passaram a perceber suas mulheres mais atraentes. Esse efeito não aconteceu com outras mulheres. Esses resultados foram confirmados com a aplicação de um spray placebo que não provocou os mesmos efeitos.

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Em um segundo experimento, os pesquisadores testaram se o efeito da ocitocina era o mesmo se imagens de mulheres do círculo social eram exibidas, colegas de trabalho de vários anos. Nada feito. O efeito ocitocina só existia mesmo com a parceira. A simples familiaridade não fez diferença.

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O tipo de reação que uma relação estável provoca no cérebro não é muito diferente do que uma droga provoca. Ambos ativam os sistema de recompensa e um rompimento não é fácil. No caso da relação, de uma hora para outra abaixam os níveis de ocitocina e isso deixa o sistema de recompensa em abstinência. Entretanto, a administração de ocitocina em situação de separação pode até piorar as coisas, pois pode fazer a pessoa sentir mais falta ainda do parceiro.

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Monogamia pode parecer algo sem sentido sob a ótica da biologia evolutiva e, na verdade, os humanos parecem ser a exceção entre os mamíferos. Por um lado mais parceiras garantem maior sucesso de propagação dos genes a gerações futuras. Por outro lado, a monogamia garante à prole mais estabilidade, maior chance de sobrevida.

 

 

 

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Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga.  Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.

Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.

A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).

Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de

bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.

Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.

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É freqüente as pessoas correrem ao neurologista após a morte de um parente, amigo, colega de trabalho ou celebridade, quando a causa foi o rompimento de um aneurisma cerebral. Também pudera: cerca de 40% das pessoas que apresenta um sangramento por aneurisma cerebral não sobrevive.

 

O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. A faixa etária com maior risco de sangramento é a sexta década de vida, mas também costuma acontecer entre pessoas jovens. Entretanto, algumas pessoas têm aneurismas que jamais se romperão. Só para se ter uma idéia, pequenos aneurismas apresentam um risco de sangramento de 0.05% ao ano. Já aneurismas com diâmetro maior que 1 cm têm risco de sangramento de 0.5% ao ano. A causa do aneurisma cerebral? Existe um componente genético inequívoco, mas alguns fatores modificáveis também aumentam a chance de sua formação e rompimento como é o caso do tabagismo e a hipertensão arterial. O aneurisma cerebral hoje é considerado uma doença inflamatória e esses fatores colaboram nesse processo.

 

Os aneurismas normalmente são detectados após seu sangramento e o sintoma principal é a dor de cabeça e não é qualquer dorzinha. A dor de cabeça por rompimento de um aneurisma costuma ter duas características bem marcantes: é a pior dor de cabeça que a pessoa já teve na vida e a dor já começa nos primeiros segundos com sua intensidade máxima. A dor não vai crescendo, como é o caso de outros tipos comuns de dor de cabeça como a enxaqueca.

 

Estudos revelam que 3.5 a 6% da população é portadora de aneurisma cerebral. Já que é uma condição clinica tão séria, faria sentido fazer exames para detectar aneurismas cerebrais em toda a população? A resposta é não. Atualmente a recomendação é a de que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado. A investigação também deve ser feita em raros casos de doenças que sabidamente estão associadas a aneurisma cerebral.

 

E quanto aos indivíduos que apresentaram aneurisma cerebral e já foram tratados em outras épocas? Essas pessoas têm 22 vezes mais chances de ter um sangramento cerebral quando comparadas àquelas que nunca tiveram sangramento. Um estudo publicado na revista Neurology avaliou o custo – beneficio em se ficar vigiando ao longo dos anos se esses pacientes desenvolvem ou não novos aneurismas. Os pacientes que mais se beneficiaram de exames ao longo dos anos foram aqueles que apresentavam mais fatores de risco associados, como o tabagismo e hipertensão arterial. Além disso, a investigação para novos aneurismas revelou um bom custo- beneficio do ponto de vista de qualidade de vida entre os pacientes que demonstravam mais medo em voltar a apresentar novo sangramento. Esse resultado é bastante provocativo e nos reafirma que o médico deve fazer de tudo para oferecer segurança ao seu paciente. Na maioria das vezes a ferramenta mais valiosa é a relação médico–paciente, mas em alguns casos a realização de um exame complementar pode fazer a diferença.

 

 

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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

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Fast food, bebidas açucaradas e porções gigantes. Todas essas são preocupações importantes para controlar o peso das crianças. Entretanto não dá para esquecer o sono das crianças, pois ele mexe mesmo com o peso dos pequenos. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo Jornal Pediatrics, periódico oficial da Academia America de Pediatria.

Foram recrutados 37 voluntários com idades entre 8 e 11 anos, 27% delas com sobrepeso ou obesidade. Na primeira semana de estudo as crianças eram orientadas a dormir o tanto que estavam acostumadas. Na segunda semana elas tinham que aumentar ou diminuir a duração do sono. Na terceira e última semana do estudo as crianças tinham que fazer o oposto da 2º semana: quem aumentou a duração do sono tinha que diminuir e quem diminuiu tinha que aumentar.

Os resultados foram inequívocos. Na semana que as crianças dormiram mais, 2h e 20 min em média, elas consumiram em média 134 calorias a menos e pesaram 220g a menos.  Alguma dúvida que o sono ajuda a acertar o peso até das crianças?

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O cérebro dos adolescentes está na crista da onda. Aos 15 anos é quando ele atinge seu tamanho máximo e daí em diante ele vai murchando aos pouquinhos. Entretanto, essa é a fase da vida de maior comportamento de risco, riscos que um cérebro ainda em desenvolvimento ainda não mede muito bem. Isso implica em acidentes, sexo sem segurança, etc.

Campanhas de conscientização de riscos costumam ter foco nos riscos de alguns comportamentos. Álcool, direção e acidentes. Sexo sem camisinha e AIDS. Mas será que essa é realmente a melhor estratégia? Uma pesquisa recém publicada pelo prestigiado periódico Proceedings of th National Academy of Sciences sugere que dar más notícias não parece ser a forma mais eficiente de se comunicar  com um adolescente.

Já se sabia que o adulto tem mais chance de mudar sua percepção de risco ao receber informações otimistas do que pessimistas. Ele dá mais bola para uma notícia que diz que ele tem uma mutação genética que o protege contra o câncer do que para uma notícia de uma mutação que aumenta seu risco.  Pesquisadores da Universidade College de Londres resolveram investigar como é que isso funciona nas idades de 9 a 26 anos.

Os voluntários eram apresentados a 40 condições de saúde adversas e eram questionados sobre a chance de desenvolverem essas condições ao longo da vida. Os pesquisadores passavam então aos voluntários a chance real de desenvolverem cada uma das situações. Em um segundo momento eles voltaram a ser questionados sobre a chance de apresentarem as mesmas condições.

Quando os participantes recebiam BOAS noticias, de que o risco real  era menor do que imaginavam, eles incorporavam essa nova realidade independente da idade. Quando tinham que incorporar MÁS notícias, a idade fez diferença. Os voluntários mais jovens davam muito menos bola para essas MÁS notícias. A neurociência ajuda a explicar essas diferenças. Alguns estudos têm mostrado que o sistema de recompensa do cérebro imaturo é hiper-reativo, vivencia muito prazer com as coisas boas.

A atual pesquisa dá um passo importante para entendermos que o cérebro imaturo tem mais chance de dar valor a uma informação positiva do tipo “quanto menor o consumo de álcool, melhor é o desempenho do atleta” do que a uma negativa como “excesso de álcool reduz o desempenho do atleta”.

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È fato que as mulheres costumam se envolver mais em multitarefas que os homens. Outra história é concluir que elas são melhores para executar várias tarefas ao mesmo tempo. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico BMC Psychology demonstra que elas são realmente melhores.

Pesquisadores do Reino Unido bolaram dois experimentos que provocavam a execução de várias tarefas, mas sem a obrigatoriedade de realizá-las simultaneamente.  No primeiro experimento, o desempenho nos testes foi mais lento quando os voluntários tinham que fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Essa lenhificação foi menor entre as mulheres.

Já no segundo experimento, homens e mulheres competiam entre si.  Tinham que realizar três tarefas num prazo de oito minutos. Foram incluídos testes aritméticos, localização de um restaurante no mapa e criação de estratégias para se encontrar uma chave perdida. As mulheres tiverem mais sucesso no teste da chave e foram iguais aos homens nos demais testes.

Um estudo recente também comparou a capacidade de realizar multitarefas entre homens e mulheres e encontraram superioridade nos homens. Esses resultados foram fortemente influenciados pela melhor habilidade espacial dos homens, mas além disso o tipo de multitarefa era diferente, Os voluntários tinham que fazer as tarefas simultaneamente, o que é bem diferente de fazer seqüencialmente. Multitarefas seqüenciais se aproximam muito mais dos desafios do mundo real.

Darwin explica esse maior talento das mulheres? A mulher assume a posição de coletora, mas ainda precisa dar conta dos filhos. Diferente do homem que sai para caçar e o que ficou em casa a mulher cuida.

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Pobreza e estresse na infância podem levar a dificuldades no controle das emoções na idade adulta. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo prestigiado Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores demonstraram que crianças de nove anos e de famílias de baixa renda familiar chegam à idade adulta com maior ativação da amígdala, área do cérebro ligada ao processamento do medo e outras emoções negativas. Apresentam também uma menor ativação do córtex prefrontal, área do cérebro que regula emoções negativas. A habilidade de regular emoções negativas pode fazer toda a diferença para equilibrar os efeitos do estresse.

Foi pesquisada também a exposição ao estresse psicossocial que essas crianças tinham aos nove anos de idade, como separação da família e violência familiar.  Quanto maiores os fatores de estresse, maior a influência do fator pobreza sobre os achados da ressonância magnética funcional.

E a estrutura do cérebro também fica diferente. Esta semana outra pesquisa foi publicada pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, revelando que pobreza na infância está associada a uma redução do volume da substancia branca e cinzenta, assim como da amígdala e hipocampo. Mais uma vez a influência da pobreza foi maior em ambientes estressantes ou com provação de estímulos.

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. O problema deve ser visto como uma EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA.

 

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Adolescentes que praticam exercícios físicos moderados e vigorosos têm melhores notas no colégio e os efeitos são mantidos no longo prazo. Essa é conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico British Journal of Sports Medicine.

Os resultados são baseados na análise de quase 5000 crianças inglesas quando tinham inicialmente 11 anos de idade e reavaliados aos 13 e depois aos 15-16 anos. O nível de atividade física foi medido por um aparelho chamado de acelerômetro que fica acoplado a um cinto elástico.

O acelerômetro mostrou que aos 11 anos de idade os meninos tinham 29 minutos por dia de atividade moderada ou vigorosa, enquanto as meninas tinham 18, tempos bem menores que a recomendação de 60 minutos. O desempenho acadêmico em inglês, matemática e ciências foi medido pelas notas de exames e os resultados foram impressionantes: quanto mais atividade física melhor o desempenho nas três matérias nos três períodos avaliados. As meninas foram relativamente mais beneficiadas em ciências. Os autores especulam que os efeitos podem ser maiores ainda entre adolescents com uma atividade media de 60 minutos por dia.

A crescente preocupação com a competitividade que as crianças enfrentarão no futuro faz com que algumas escolas reduzam e até extingam atividades de educação física e educação artística. A presente pesquisa ajuda a repensar esses tipos de atitude.

A associação Americana para o Esporte e Educação Física publicou um relatório ainda no ano de 2002 com as recomendações de atividade física para as crianças pré-escolares. É desejável que elas tenham pelo menos uma hora de atividade física livre, através de brincadeiras, e uma hora de atividade estruturada sob a orientação do adulto, como é o caso da educação física na escola. Entre as crianças maiores, pelo menos uma hora de atividade física moderada ou vigorosa por dia é o mais recomendado.

Mas por que as notas escola são melhores entre aqueles que se exercitam mais?  Um cérebro turbinado parece ser uma das melhores explicações. Os efeitos positivos da atividade física sobre o cérebro já foram demonstrados através de variáveis fisiológicas que vão desde o aumento da perfusão sanguínea, metabolismo e tamanho do cérebro em determinadas regiões, até a modulação de sua própria atividade elétrica. O exercício físico promove ainda a secreção de diversas substâncias no cérebro como endorfina, endocanabinóides e fator neurotrófico derivado do cérebro, que têm efeito positivo no seu funcionamento, incluindo um melhor equilíbrio psíquico.

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Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstraram que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia. Dá para entender melhor as raízes do coro de trabalhadores.

O estudo foi publicado esta semana no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Science.

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A psicóloga social Emanuele Castano, junto ao seu aluno de PhD David Kidd, publicaram nesta última semana na revista Science os resultados de suas pesquisas que demonstram o quanto que uma boa leitura é capaz de estimular as habilidades sociais.

Voluntários eram solicitados a ler trechos de diferentes gêneros: não ficção, ficção popular (romance, aventura), ficção literária (premiados), Em seguida faziam testes que avaliavam a capacidade de entender o que o outro está sentindo.

Além de mostrar que histórias de ficção aumentam a percepção das emoções de outras pessoas, a pesquisa ainda evidenciou que a qualidade da literatura também faz diferença. Os textos literários produziram maior efeito, apesar dos textos populares terem sido os mais apreciados pelos voluntários.

Os pesquisadores acreditam que obras de ficção estimulam a imaginação e o pensamento criativo, incentivando a sensibilidade necessária para a compreensão da complexidade emocional dos personagens. Assim como na vida real, os mundos retratados na ficção literária são repletos de indivíduos cuja intimidade raramente é revelada e, por isso, exigem uma investigação emocional. Na ficção popular, os personagens são mais estereotipados em suas descrições, mais previsíveis,  e o que importa mesmo é o enredo.

É notório que os resultados dessa pesquisa devem ser levados em consideração na escolha da grade curricular dos estudantes. Já existem até ensaios para incrementar a empatia de médicos através da literatura assim como para melhorar o comportamento de detentos.  

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Uma pesquisa com primatas ainda na década de 1950 criou o que se conhece hoje por “mito do estresse do executivo”. Um grupo de macacos era submetido a choques elétricos a cada 20 segundos em turnos de seis horas. Outro grupo, chamado de “macacos executivos”, passava pelos mesmos choques, mas tinha a chance de evitá-los acionando uma alavanca. Os macacos executivos aprenderam o truque sem dificuldade, mas começaram a morrer com úlceras no estômago. Isso quer dizer que os executivos que tinham o privilégio de controlar a situação foram os que mais se estressaram?

Os resultados dessa pesquisa caíram em descrédito após uma análise da metodologia que mostrou que os “macacos executivos” foram assim classificados de forma inapropriada. Vários outros estudos que avaliaram a relação entre estresse, saúde e poder demonstraram o oposto dessa pesquisa.  Entre os primatas, aqueles com posições inferiores na hierarquia social têm maiores níveis do hormônio do estresse cortisol e maior freqüência de doenças associadas ao estresse.

Entre os humanos, a evidência mais direta que o estresse é menor entre os líderes foi demonstrada recentemente por uma pesquisa conduzida pelas Universidades de Harvard, Stanford e Califórnia.  Os pesquisadores dividiram um grupo de voluntários que trabalhavam tempo integral em dois grupos: líderes e não líderes.  Foram classificados como líderes os que comandavam outras pessoas no trabalho e foram eles apresentavam menores níveis de estresse medidos por escalas de ansiedade e concentração do hormônio cortisol. Funcionários do governo britânico comportam-se da mesma forma. Um grande estudo em andamento desde a década de 1960 confirma que é menor o nível de estresse a cada degrau que se sobe na hierarquia.

Parece mesmo que as responsabilidades da chefia trazem menos estresse que a falta de desafios no trabalho e de poder de decisão. O poder de dizer não, escolher quando e como decidir alguma coisa, esses são confortos de ser chefe. Por outro lado, já é conhecido que as pessoas sem controle sobre as decisões que influenciam a própria vida podem ter um enfraquecimento do sistema imunológico, pressão arterial elevada e ainda desenvolver doenças associadas ao estresse.

 CBN-RICARDO[1]

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