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Este é um causo de dois minutos. Os mais modernos podem chamar de “case”

Afonso nasceu em Brasília, filho de mineiros. A história começou há séculos, mas a consciência dizia que foi depois de Grande Sertão Veredas. Tempos depois ele descobriu que o violeiro Paulo Freire entrou na metamorfose depois de ler o tal.

Vai ouvindo.

 

No clima de Guimarães partiu para três dias de cerrado em cima da velha companheira de duas rodas. Passou antes na cidade dos avós em que passou todas as férias de sua infância. Os avós não estavam mais lá, mas ele entrou na antiga casa, reconheceu todos os cômodos. O atual proprietário falava com orgulho da grossura das paredes. Casa forte. Cheiro de café torrado no alpendre.

 

Serra da canastra suprema. Entendeu que o homem não faz parte da paisagem. A paisagem está dentro do homem. Poucas paradas para comer em currutelas de uma igrejinha e dez ou quinze casinhas. Perguntavam de onde vinha e sempre alguém tinha um caso para contar de um parente do moço. Lembrança viva de muitos antigos.

 

Grande Sertão, Minas Gerais, cerrado, ancestrais, química cerebral da exaustão física. Tudo isso transformou-se numa explosão com a música de ROBERTO CORRÊA.  A viola fechou esse círculo a que o moço chama hoje de ÓPERA CAIPIRA. E a temporada continua.

 

Nos últimos anos Afonso tem tido um sonho recorrente. Quando fica mais de uma semana sem assistir, aliás, viver o espetáculo, ele tem uma crise de abstinência bem estranha. Suor, tremores e não é que começa a crescer penas pelo corpo até ficar bem parecido com uma seriema?

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