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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação.  Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

A crescente oferta de alimentos ricos em gorduras saturadas e gorduras trans, que por sinal não são nada saudáveis, vem acompanhada de uma redução no consumo de Ômega 3 no mundo ocidental contemporâneo. Pesquisas apontam que a deficiência de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia. Ao contrário, já foi demonstrado que dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças, e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Além disso, há estudos que demonstram que o consumo de gorduras saturadas e trans está associado a um pior desempenho cognitivo. Atualmente, a Associação Americana de Psiquiatria reconhece a importância do Ômega 3 no tratamento de transtornos de humor da mesma forma que a American Heart Association recomenda o consumo de peixes ricos em Ômega 3 (salmão, sardinha e atum) pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.

 

 

 

Nos últimos anos podemos observar uma série de evidências de que outros tipos de alimentos podem fazer diferença no funcionamento do nosso cérebro. Várias desses benefícios ao cérebro foram demonstrados apenas em animais, como é o caso da curcumina encontrada no tempero curry e o famoso Ginkgo biloba. Os alimentos cafeinados, além de poderem aumentar o desempenho psicomotor, estado de vigília, atenção e humor, têm-se mostrado cada vez mais poderosos na prevenção de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares. Outros nutrientes até já tiveram efeitos positivos demonstrados em estudos clínicos, especialmente os oligoelementos como as vitaminas e sais minerais na prevenção do declínio cognitivo ao longo do envelhecimento cerebral. Entretanto, tais estudos ainda não são conclusivos ao ponto de se poder recomendar a suplementação de pílulas de vitaminas para o cérebro. O grande negócio ainda é uma dieta equilibrada que contemple todas as famílias de nutrientes que precisamos.

 

 

E para ficar com o cérebro “sarado”, manter o peso em dia é uma ótima receita, já que a obesidade está associada a um pior desempenho cognitivo. A razão? Uma série de hormônios associados ao sistema digestivo e ao nosso metabolismo (ex: insulina, leptina, grelina) influenciam também a função cerebral.

 

Se quisermos juntar tudo que sabemos hoje sobre o que os alimentos têm a oferecer ao nosso cérebro num pacote só, adotar a Dieta Mediterrânea pode ser uma atitude bastante acertada, já que une as virtudes do Ômega 3 dos peixes, o poder antioxidante do azeite, do vinho tinto, das frutas, verduras e cereais integrais, e o baixo consumo de gordura saturada pela pequena ingesta de carnes e laticínios. Seria ainda muito vem vindo nesse pacote o chá verde, o café e o chocolate amargo.

 

 

Uma recente metanálise analisou os efeitos da Dieta Mediterrânea e demonstrou:

 

– redução da mortalidade geral em 9%

– redução da mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%

– redução da mortalidade por câncer em 6%

– redução da incidência de Doença de Parkinson em 13%

– redução da incidência de Doença de Alzheimer em 13%

 

Que tal?

 

 

 

 

Ler também: Precisamos comer mais peixe. Nosso cérebro vai gostar.

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Durante a última década a internet passou a ser um meio de comunicação de massa cada vez mais importante, abraçando todas as áreas do conhecimento com duas principais vertentes: fonte de informação e meio de comunicação entre pessoas e grupos. No caso da saúde, a internet é hoje uma das principais fontes de informação (“Dr. Google”), mas também é crescente o número de comunidades virtuais de ajuda mútua.

 

Devido ao fato de uma grande quantidade de informação na internet ter qualidade duvidosa, é natural a preocupação de que a informação acessada poder trazer mais prejuízos do que lucro à saúde de um indivíduo. Isso realmente pode ocorrer, e nem precisa da informação ser incorreta, pois muitas vezes o indivíduo não sabe o que fazer com a informação certa, podendo deixar de buscar ajuda de um profissional da saúde quando na verdade está precisando. Mesmo com essas ressalvas, a internet trouxe infinitamente mais benefícios do que riscos à sociedade quando o assunto é informação em saúde.   

 

E as comunidades virtuais de ajuda mútua? Elas deveriam ser vistas com cautela? As pessoas se associam a essas comunidades porque estão sofrendo com uma doença ou estão preocupadas com a saúde de forma mais ampla e podem encontrar suporte emocional ao dividir com outros suas experiências e seus medos. Isso por si só já tem efeito terapêutico. Estudos têm demonstrado que as comunidades virtuais oferecem significativo suporte emocional aos seus participantes, e a auto-percepção desse suporte é diretamente proporcional ao tempo investido na leitura das contribuições. Além disso, o receio de que tais comunidades possam afastar as pessoas doentes dos profissionais de saúde parece não proceder. Pesquisas recentes com comunidades virtuais de transtornos de alimentação e de tendência ao suicídio revelam que a participação nessas comunidades aumentou a motivação para a busca de tratamento especializado em até 27% dos casos. Não é pouco, pois se apenas uma pequena parcela dessa porcentagem procurar tratamento especializado, o efeito já é formidável.

 

Alguns profissionais de saúde temem em indicar que seus pacientes participem de comunidades virtuais de ajuda mútua, e não há justificativa para isso. Ao contrário, hoje as comunidades devem ser vistas muito mais como uma valiosa ferramenta para o processo terapêutico do que uma atividade de risco. Tais comunidades podem passar a fazer parte no futuro da lista de recomendações que um terapeuta fará a um paciente, lado a lado com a prescrição médica, mudanças de hábitos de vida, etc. E é claro que os próprios profissionais de saúde podem se beneficiar sobremaneira de comunidades em que possam dividir as próprias dificuldades que enfrentam no dia-a-dia para o pleno exercício de suas profissões.

 

** Para uma idéia bastante interessante sobre a riqueza dessas comunidades, recomendo uma visita ao Blog Eu vou parar de fumar (www.euvouparardefumar.com).

 

 

 

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Se você ainda acredita que a prática regular de exercício físico foi feita só para manter o peso sob controle e reduzir o risco de infarto do coração, vale a pena rever esses conceitos. Claro que a atividade física realmente tem essas virtudes, mas o conhecimento científico atual nos permite dizer que suas vantagens vão muito além, incluindo a redução do risco de inúmeras outras doenças graves como o câncer e uma significativa melhora do nosso desempenho cerebral. Hoje em dia, é difícil discordar que nosso cérebro funciona bem melhor num corpo que se exercita.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

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Sabe aquelas pessoas que não conseguem ficar sem desafios? Existem pessoas que tem uma personalidade classificada pela ciência como Busca por Novidade e que sabidamente têm mais riscos de abuso de drogas e outros tipos de comportamento de risco. O que essas pessoas têm de diferente? Um parafuso a menos?

 

Uma pesquisa divulgada esta semana pelo Journal of Neuroscience demonstrou que indivíduos com personalidade Busca por Novidade apresentam uma menor concentração de um tipo de receptor da dopamina. A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa que é ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência já que é prazerosa. Existe um receptor chamado de Autoreceptor que é capaz de limitar o nível de liberação de dopamina no cérebro e o que a pesquisa mostrou foi que as pessoas com personalidade Busca por Novidade apresentam uma menor concentração desses Autoreceptores. Uma forma de entender esses resultados é que nesses indivíduos, toda vez que o sistema é ativado, mais dopamina seria liberada e a experiência com a novidade amplificada. Novos desafios “dariam mais barato” a essas pessoas pois elas estão transbordando de dopamina.

 

 

 

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Começamos o ano inspirados pelo primeiro volume de 2009 do New England Journal of Medicine que nos traz uma rediscussão preciosa sobre a responsabilidade do jornalismo em saúde com foco especial na seguinte questão: o jornalismo em saúde deve apenas contar a novidade ou deve também oferecer à sociedade a noção do todo, contando a novidade, mas contextualizando também o que ela acrescenta ou discorda do conjunto de evidências anteriores. Veja abaixo alguns exemplos de divulgação científica em saúde que poderia ter sido muito melhor.

 

Exemplo 1. No ano de 2006 foi publicada uma importante pesquisa que demonstrou que dieta com baixo teor de gordura não reduziu a incidência de câncer de mama entre mulheres (JAMA 2006). Na época da divulgação da pesquisa foram raríssimas as matérias que confrontaram os resultados com um importante estudo publicado no mesmo ano que evidenciou que a dieta com baixo teor de gordura reduz o risco de câncer de mama em mulheres que já apresentaram a doença (J Natl Cancer Inst 2006). O recado da vez para as mulheres passava então a ser: dieta com pouca gordura não reduz risco de câncer de mama. Esse é um fenômeno que contribui para certa desconfiança por parte da opinião pública quando se fala em ciência em saúde. Um comentário muito comum que ilustra essa questão é: “Ah Doutor! A gente fica sem saber no que acreditar. Num dia ouvimos que saiu uma pesquisa falando que café é ruim para o coração. Noutro dia ouvimos que faz bem. Fica difícil!”.

 

Exemplo 2. Recentemente foi demonstrado que após o insucesso inicial com o tratamento com um tipo de antidepressivo, uma nova tentativa com outro tipo de medicação e apoio psicoterápico fez com que metade dos pacientes passassem a responder bem ao tratamento (NEJM 2006). Do ponto de vista médico, os resultados da pesquisa foram positivos. A divulgação pelo Washington Post, por exemplo, foi a de que os resultados do estudo foram um fracasso: “Antidepressivos falharam em curar os sintomas de depressão maior em metade dos pacientes mesmo quando os pacientes receberam o melhor tratamento possível, de acordo com um definitivo estudo do governo divulgado ontem”. Essa forma de notícia provavelmente é mais lida do que se apenas fosse descrito que os resultados confirmam estudos anteriores de que uma parte dos pacientes melhorou e outra não.

 

Exemplo 3. Em 2008 uma pesquisa revelou que o uso da medicação sinvastatina foi tão eficiente para reduzir um marcador de aterosclerose nas artérias como a sua combinação com uma segunda droga mais moderna – o ezetimibe (NEJM 2008). Por outro lado, a associação com o ezetimibe promoveu redução significativa tanto dos níveis de colesterol como dos níveis de triglicerídeos assim como o de outro marcados de aterosclerose. E o que se viu na verdade foi uma série de matérias divulgando que o ezetimibe não é eficaz na prevenção de infarto do coração e derrame cerebral. O estudo simplesmente não teve como objetivo demonstrar esse tipo de efeito e nem mostrou qualquer resultado dessa natureza. O desserviço à população não foi pequeno, já que o que sai na mídia é lido e levado a sério também por médicos que podem passar a não acreditar mais em uma medicação por erro de divulgação científica.

 

Exemplo 4. Em novembro de 2008, a BBC Brasil divulgou uma matéria com o seguinte título: Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo. A idéia é que futuras drogas poderão ser desenvolvidas para atuarem nos receptores canabinóides e que podem ser uma grande arma contra o envelhecimento cerebral e redução do risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. A maconha exerce seu efeito no cérebro através desses receptores e a notícia não deveria ser que a maconha pode ser útil para o cérebro. Úteis sim podem vir a ser drogas sintéticas que não produzam os danos cerebrais causados pela maconha que já são bem descritos, inclusive pela própria BBC. Quem lê uma manchete dessa pode se confundir, especialmente quando está associada à foto de um homem fumando um “baseado”.

 

Podemos elencar alguns dos muitos gargalos para o pleno desenvolvimento do jornalismo em saúde que podemos assistir hoje:

 

1- O próprio ritmo de produção 24 horas/7 dias do atual jornalismo, que na maioria das vezes só recebe o press release da instituição ou do periódico em que a pesquisa está sendo publicada, e já o repassa sem mudar nem mesmo uma vírgula. Não há tempo para se trabalhar a matéria ou ir atrás de uma outra opinião.

 

2- Cada vez menos veículos de comunicação têm departamentos especializados, como, por exemplo, o de jornalismo científico ou jornalismo em saúde. Existem poucos jornalistas científicos especializados e a classe reconhece que é pouco treinada para divulgar dados científicos sem risco de perder a credibilidade da informação (ver também o post: Jornalismo e Alfabetização em Saúde).

 

Ao mesmo tempo, estudos mostram um crescente domínio de matérias oriundas de relações públicas nas agências de notícias, chegando a dominar mais de 2/3 do total de notícias. Cresce também o conflito de interesse por parte de jornalistas e dos meios de comunicação em massa que às vezes exercem o papel de relações públicas de alguns “clientes” e não o de jornalismo, o que alguns acadêmicos da comunicação chamam de relações públicas maquiadas de jornalismo ou “parajornalismo”.

 

3- A contextualização da pesquisa em questão com resultados já alcançados anteriormente pode ser evitada pelo jornalista para que a notícia não perca sua força de pesquisa inédita.

 

 

Apesar da maior parte do trabalho para a melhoria do jornalismo em saúde depender dos próprios jornalistas e do sistema em que o jornalismo atualmente opera, profissionais da saúde e pesquisadores podem ajudar muito também. Ao discutirem sobre uma nova pesquisa, especialistas e pesquisadores podem ajudar muito se facilitarem o entendimento, por parte dos jornalistas, do contexto mais amplo onde a pesquisa se situa – estudos anteriores que confirmam ou contradizem os resultados atuais e potenciais conflitos de interesse. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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É muito comum as pessoas terem na ponta da língua uma recomendação de saúde do tipo “não misture manga com leite, pois você pode entortar a boca”. Muitas dessas dicas da cultura popular são à vezes duvidosas e sem comprovação científica. Não ter o status de “cientificamente comprovadas” não significa que são simplesmente mitos. Uma coisa é uma crença que já passou por inúmeras provas científicas e aí então passou a ser considerada como um engano cientificamente comprovado (ex: Ginkgo biloba para turbinar o cérebro). Outra coisa são crenças que ainda não foram submetidas a estudos científicos e por isso devem ser vistos como algo que ainda não foi cientificamente comprovado. Uma das histórias mais emblemáticas que vivi nesse sentido foi a crença por parte de pacientes com epilepsia de que na época da lua cheia as crises epilépticas são mais freqüentes. Eu dava um sorriso silencioso toda vez que ouvia de um paciente essa história, com a sensação de que a cultura popular cria coisas fantasiosas. Em 2006 caí do cavalo com um estudo publicado na revista Neurology demonstrando que crises epilépticas eram realmente mais freqüentes na lua cheia.

 

Nesta semana, pesquisadores da Universidade de Indianápolis nos EUA desconstruíram mais seis mitos, alguns fortemente associados às nossas festas de fim de ano, e publicaram a revisão na última edição do British Medical Journal.  

 

 

* Suicídio é mais comum no feriado de fim de ano. É mito.

Justifica-se a idéia de que o suicídio pode ser mais comum nos feriados de fim de ano já que nessa data pessoas solitárias podem ter a solidão exacerbada, e no caso do hemisfério norte, também por coincidir com dias mais frios e noites mais longas do inverno. Entretanto, não há evidências científicas de que realmente exista um pico na incidência de suicídios nessa época do ano, mesmo em países do hemisfério norte. Os estudos existentes mostram que os suicídios na verdade ocorrem mais nos meses quentes do ano, e quanto à questão do “efeito solidão no natal”, as pesquisas mostram que as pessoas até mesmo procuram menos serviços psiquiátricos no natal, sugerindo que existe um maior componente de apoio emocional e social nessa época.   

 

* Açúcar provoca comportamento de hiperatividade em crianças. É mito.

São pelo menos 12 estudos de primeira grandeza mostrando que o consumo de açúcar não tem a ver com o comportamento hiperativo.

 

* A flor conhecida aqui no Brasil como Bico de Papagaio é um dos maiores símbolos de natal em vários países, sendo muito usada na decoração natalina e por isso é até chamada de Estrela do Natal ou Flor do Natal. Ainda existe na cultura popular certo receio de que a ingestão acidental da flor pode ser perigosa, e como não é tão raro as crianças comerem aquilo que não foi feito para comer… Intoxicação pelo Bico de Papagaio também é mito.

Registros de quase 23 mil casos de ingestão acidental da flor nos EUA não evidenciaram nenhum caso que precisasse de cuidados especiais. Uma pesquisa tentando definir a dose potencialmente tóxica da flor em ratinhos não conseguiu demonstrar efeito tóxico mesmo após a ingestão equivalente a 500-600 folhas da planta.

 

* A perda de calor é maior pela cabeça, correspondendo a 40-45% da perda, e por isso é fundamental o uso de chapéus nos dias frios. É mito.  

As pesquisas mostram que qualquer parte do corpo quando descoberta tem o potencial de perder calor proporcionalmente ao seu tamanho. A cabeça não tem nada de diferente das outras partes do corpo. O gorro do Papai Noel não é mais importante que o resto de sua roupa.  

 

* Comer à noite engorda mais que comer de dia. É mito.

Várias pesquisas revelam que não é o fato de comer à noite que engorda, mas sim o total de calorias ingeridas por dia. Também é verdade que quem faz várias refeições no dia tem menos chance de exagerar em uma única refeição noturna.

 

* Existe remédio para evitar ressaca.  É mito.

Não existe qualquer evidência que uma medicação ou suplemento alimentar possa ajudar a prevenir a ressaca. Pode-se dizer que o melhor remédio para evitar ressaca é beber pouco. Ao beber um pouco mais, evitar a desidratação com reposição de líquidos não alcoólicos pode fazer com que a ressaca seja menos penosa no outro dia.

 

 

CLIQUE AQUI e ouça um bae-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

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A obesidade há muito tempo não é mais vista como uma questão estética. É um dos grandes desafios de qualquer política de saúde pública já que está só um pouco atrás do tabagismo na lista das principais causas de morte precoce que podem ser prevenidas. Calcula-se que maus hábitos de vida como o tabagismo, sedentarismo e uma dieta prejudicial são responsáveis por cerca de 40% das mortes precoces em países como os Estados Unidos.

 

Um dos fatores que pode explicar a crescente prevalência da obesidade ao redor do mundo é um comportamento auto-destrutivo, privilegiando a gratificação imediata (prazer em comer) e pouco investimento naquilo que trará benefícios a longo prazo.  A mesma opção pela gratificação imediata que pode trazer prejuízos às pessoas (ex: gratificação imediata) poderia ser usada para ajudá-las.  Ou seja, o mesmo mecanismo cerebral que faz com que as pessoas sejam presas fáceis de uma gratificação imediata poderia ser usado também para o bem.

 

Uma pesquisa recentemente publicada pelo JAMA (Journal of the American Medical Association) ofereceu dois tipos diferentes de recompensa a um grupo de indivíduos obesos que só seriam recebidos se os participantes conseguissem perder o peso previamente estipulado. Aqueles que receberam a promessa de prêmio conseguiram perder mais peso no período de 4 meses do que o grupo controle que não recebeu o incentivo financeiro. Metade dos participantes que receberam a proposta de prêmio conseguiu alcançar a meta de peso definida, enquanto isso só aconteceu em 10% dos indivíduos do grupo controle.

 

Um próximo passo é avaliar se os resultados positivos são mantidos a longo prazo. Outra questão a ser investigada no futuro é o custo-benefício desse tipo de abordagem em comparação às atuais estratégias de combate à obesidade que não são nada baratos. Não é tão absurdo pensar que um dia chegaremos à conclusão de que oferecer prêmios à população para abandonar maus hábitos de saúde saia mais barato para um país do que arcar com suas conseqüências. Vale lembrar que hoje o programa Bolsa Família dá dinheiro a onze milhões de famílias que têm em contrapartida a responsabilidade de manter as crianças na escola, monitorização periódica de peso e altura, além de garantir a realização de pré-natal e vacinação.

 

 

 

 

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Já conhecemos uma série de atitudes no dia-a-dia que reconhecidamente podem turbinar nosso cérebro:  atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, alguns estudos com as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm demonstrado que elas podem melhorar o desempenho intelectual até mesmo de indivíduos sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. As medicações mais usadas para esse fim são as anfetaminas e o metilfenidato, indicadas no tratamento de indivíduos com o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm-se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica.

 

Pesquisadores americanos e ingleses de primeira grandeza reuniram-se recentemente na Universidade Rockfeller e publicaram o resultado desse encontro na revista Nature no último dia 7 de dezembro. O documento tem o objetivo de conclamar todas as partes envolvidas para que se aprofunde a discussão, a regulação e as pesquisas “Pelo uso responsável dessas drogas por pessoas saudáveis”.  Elenco aqui os principais pontos de discussão do documento.

 

 Existe atualmente um forte mercado negro dessas medicações voltado para indivíduos saudáveis, com transações de compra e venda que podem ser punidas até mesmo com prisão em países como os Estados Unidos.

 

 O uso de medicações dessa natureza para melhorar o desempenho cerebral poderia ser visto como “trapaça” ao pensarmos que outras pessoas podem não estar usufruindo dos mesmos benefícios. Os autores defendem a idéia de que trapaça é quando se rompe uma regra, como é o caso do doping no esporte. Não dispomos ainda de regras que regulem se as pessoas podem ou não fazer uso dessas medicações (ou boas doses de café) para a realização de um concurso público, por exemplo. Outra situação: uma pessoa tem o hábito de investir no seu equilíbrio psíquico, como por exemplo através da meditação e atividade física regular, e outra pessoa não o faz. Esse equilíbrio psíquico tem grandes chances de aumentar o desempenho cognitivo, mas culturamente isso não costuma ser visto como trapaça, já que a pessoa “investiu seus esforços” para alcançar sua vantagem. Por que a vantagem alcançada por pílulas deveria ser vista de outra forma? E será que essas drogas realmente oferecem vantagens no aprendizado ou só melhoram o desempenho a curto prazo em dias de maiores desafios? Será justo para aqueles que não usam as drogas concorrer com outros cérebros “turbinados”? Seria a mesma coisa se parte dos concorrentes num teste de matemática estivessem usando calculadora e outra parte não?

 

 O consumo dessas medicações poderia ser visto como uma forma de artificializar a vida. Os autores provocam uma reanálise daquilo que é genuinamente natural na vida do homem contemporâneo: meios de transporte, alimentação, cirurgia plástica, reprodução assistida, etc.

 

 Medicações dessa natureza poderiam provocar dependência e efeitos colaterais. Não se dispõe desse conhecimento quando se fala em consumo por indivíduos saudáveis. Por outro lado, até a cafeína é passível de desenvolver dependência e efeitos colaterais, apesar do seu risco de fazer mal à saúde ser infinitamente menor do que de outras drogas. Com base na atual experiência, talvez os riscos de dependência / efeitos colaterais das medicações estimulantes não sejam muito diferentes do que os da cafeína e por isso não há razões para tanto receio. É preciso avançar nas pesquisas sobre o assunto.

 

 Em crianças, as questões éticas são muito mais complexas. A primeira questão é em relação à segurança dessas medicações em indivíduos que ainda têm o cérebro em franco desenvolvimento. Além disso, a criança não tem o poder de fazer suas próprias escolhas. Entre os adultos, há de se considerar no futuro questões éticas ligadas à obrigatoriedade em se usar tais medicações em algumas situações ocupacionais. Nos EUA, o modafinil é hoie uma droga aprovada pelo FDA para trabalhadores em turno invertido. Será que o empregador poderá um dia obrigar o trabalhador a usar a medicação para evitar acidentes ou para melhorar o desempenho?

 

 Como qualquer tecnologia, drogas para turbinar o cérebro poderão um dia ser bem usadas ou mal usadas. Há muito trabalho pela frente para se avaliar seus custos e benefícios, para se educar a população sobre o assunto e para ajustar a legislação vigente caso se consiga demonstrar que elas são realmente seguras e eficazes para as pessoas que querem turbinar seus cérebros.   

 

 

** Em entrevista concedida à Scientific American e publicada na última edição da revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, o neurocientista mais renomado do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

 

Ler também: Pílulas para turbinar o cérebro. Onde estamos e onde podemos chegar?

 

CLIQUE AQUI e veja a entrevista com o Dr. Ricardo Teixeira sobre o assunto no Jornal Hoje- Rede Globo

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

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O estado de felicidade está associado a diversos aspectos do bem estar, incluindo a saúde orgânica e mental, a relação familiar, relações e o próprio desempenho no trabalho, rede social, e há de se considerar também a dimensão espiritual. Uma série de estudos tem demonstrado que o estado de felicidade do indivíduo guarda relação com uma série de indicadores fisiológicos e de saúde: a) menor mortalidade; b) menores índices de marcadores hormonais, inflamatórios e do ritmo cardíaco associados ao estresse; c) maior rede e suporte sociais.

 

Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal confirma que nosso estado de felicidade é mesmo um fenômeno de rede social, ou seja, depende do grau de felicidade das pessoas com as quais estamos conectados. A pesquisa foi desenvolvida com quase 5 mil pessoas do grupo Framingham e que foram acompanhadas por décadas. O grau de felicidade foi medido usando um componente do questionário CES-D já bem validado em estudos anteriores. Quatro perguntas eram aplicadas quanto à percepção de alguns sentimentos na última semana pelo indivíduo entrevistado: 1) Senti-me esperançoso quanto ao futuro; 2) Eu estava feliz; 3) Eu aproveitei a vida; 4) Eu senti que estava tão bem quanto as outras pessoas.

 

A análise da rede social dos indivíduos envolvidos no estudo revelou que há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho. A felicidade de uma pessoa esteve associada à felicidade dos outros em até três graus de sua rede social (ex: “amigo do amigo do amigo”). Esse contágio do comportamento em três graus parece ser uma regra genérica, já que os mesmos pesquisadores recentemente o demonstraram também em outros padrões de comportamento como o tabagismo e a obesidade.

 

E qual seria a explicação para isso? Pesquisas já haviam demonstrado que existe um certo contágio emocional entre as pessoas. Pessoas que mantém contato com um indivíduo deprimido têm maior tendência a ficarem deprimidas. Emoções positivas também se disseminam entre as pessoas próximas. Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nos outros, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.  

 

 

O estudo é relevante do ponto de vista de saúde pública já que sugere que intervenções com potencial de aumentar a felicidade das pessoas (ex: melhoria do estado de saúde) podem provocar resultados positivos em cadeia. A Organização Mundial da Saúde tem reconhecido cada vez com maior ênfase a felicidade como um dos componentes da saúde. Se a felicidade é mesmo contagiosa como a pesquisa sugere, ela pode contribuir também para a transmissão social da saúde.   

 

CLIQUE AQUI  e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

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A adolescência é uma fase da vida de profundas mudanças no comportamento e no corpo.  É uma época também de grande incidência de problemas psiquiátricos, tais como transtornos de ansiedade e de humor, transtornos de personalidade e alimentares, psicoses e abuso de substâncias psicoativas. Temos crescentes evidências de que alterações no amadurecimento cerebral nessa fase da vida podem ajudar a explicar o porquê da alta incidência de doenças psiquiátricas na adolescência. Uma hipótese bastante atrativa é a de que um perfil genético que determine que essas transformações da adolescência aconteçam em outro ritmo ou grau de intensidade possam aumentar os riscos de doenças psiquiátricas.    

 

Um recente e robusto estudo populacional nos Estados Unidos revelou que a idade em que o indivíduo tem mais chance de apresentar um transtorno psiquiátrico pela primeira vez é aos 14 anos. Além das mudanças cerebrais estruturais e funcionais já demonstradas, e por isso a adolescência é considerada um período de significativas mudanças neurobiológicas, não há como deixar de considerar também os fatores hormonais e psicossociais. Muitos avanços têm sido alcançados, mas temos muito chão pela frente para conseguirmos entender a parcela de contribuição de cada um dos fatores que determinam o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na adolescência de forma tão freqüente.

 

 

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido bastante explorado entre as crianças e só recentemente passou também a ser melhor entendido nos adultos. Estima-se que cerca de 60% das crianças com diagnóstico de TDAH continuam a apresentar os sintomas (desatenção, inquietude, impulsividade) durante a adolescência e idade adulta e pesquisas revelam que os adultos podem ter significativo prejuízo no seu desempenho no trabalho.

 

Um grande estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde em dez países revelou que 3.5% dos adultos entre 18 e 44 anos inseridos no mercado de trabalho podem ser classificados como portadores de TDAH. Esses indivíduos apresentavam mais absenteísmo e menos desempenho no trabalho quando comparados a indivíduos sem TDAH.  Apesar de apenas uma minoria ter história de receber tratamento específico, uma grande proporção era tratado por outros transtornos mentais, considerados como comorbidades: transtornos que são mais comuns entre os que têm diagnóstico de TDAH do entre aqueles sem TDAH. Os resultados dessa pesquisa foram recentemente publicados no periódico Occupational and Environmental Medicine.

 

A pesquisa chama à atenção que programas para identificação e tratamento de indivíduos com TDAH no ambiente de trabalho podem ter uma boa relação custo-benefício para o empregador, por conta de uma potencial melhora no desempenho no trabalho.  

 

 

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Quando alguém nos fala: tenho duas notícias pra contar, uma boa e outra ruim. Qual você quer ouvir primeiro? A grande maioria responde que quer ouvir a ruim antes. Reconhece-se que o ser humano tem uma tendência a dar mais atenção a informações negativas do que positivas. Já que ter consciência de informações negativas e presumivelmente ameaçadoras são mais relevantes à sobrevivência da espécie do que notícias boas, essa tendência a preferir as notícias ruins pode ser visto como um traço de adaptação da espécie.

 

E o que dizer do incerto? Numa situação em que alguém nos diz: Tenho uma coisa pra te contar. Você quer ouvir? Poucos devem duvidar que a maioria nessa situação diria: conta logo! 

 

A incerteza é vista pela psicologia como a antecipação de uma ameaça pouco definida. Se a exposição a um estímulo negativo representa uma ameaça, a exposição ao desconhecido pode ser ainda mais ameaçadora, já que não se sabe o tamanho do inimigo (ou do amigo). Alguns estudos nos mostram que o suspense da incerteza gera mais ansiedade e suas alterações fisiológicas associadas do que o confronto a estímulos negativos bem definidos. Uma pesquisa recente publicada na revista Psychological Science aponta ainda que entre indivíduos com traço de personalidade neurótico, a resposta de ansiedade ao incerto é ainda mais marcante. Os autores, psicólogos da Universidade de Toronto, concluem de forma provocativa: “As pessoas, especialmente as com altos níveis de neuroticismo, preferem um capeta conhecido a um capeta que ainda não conhecem”. 

 

 

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Comportamentos de risco são assumidos por pesquisas psicológicas e biomédicas como uma expressão anormal do comportamento, que pode ser justificado por sua associação com o abuso de substâncias psicoativas e com transtornos psiquiátricos como o transtorno bipolar. Por outro lado, um comportamento de risco, quando bem dosado, pode ter seu lado positivo. O que dizer dos indivíduos empreendedores, que correm o risco de abrir seus próprios negócios?

 

Pesquisadores ingleses partiram da hipótese que empreendedores seriam modelos de comportamento de risco muito bem adaptados do ponto de vista evolutivo, graças a algumas características como impulsividade e habilidade de tomar decisões em situações de estresse e em ambientes em rápida transformação. Dezesseis indivíduos que já haviam criado pelo menos duas empresas foram comparados a dezessete gerentes de empresas e sem experiência em ter criado sua própria empresa. O estudo foi publicado na última edição da revista Nature.

 

Uma série de testes foi aplicada a ambos os grupos para avaliação de habilidades de tomada de decisão. Os grupos apresentaram desempenho similar quando o teste envolvia decisões “frias”, que na vida real poderia ser ilustrada pela decisão de contratar um novo funcionário, decisões neutras do ponto de vista emocional. Quando o teste era associado a decisões “quentes”, os empreendedores se comportaram de forma mais arriscada. Decisões “quentes” podem ser exemplificadas como a decisão de se investir em uma entre duas opções arriscadas de negócio, com possível desfecho de recompensa ou punição, e com inequívoco envolvimento emocional.  Os empreendedores mostraram também uma maior flexibilidade cognitiva para resolução de problemas, e maiores scores em testes que medem impulsividade.   

 

O mesmo grupo de pesquisadores já havia demonstrado que o desempenho em testes de decisões “quentes” diminui com o envelhecimento. Os gerentes estudados nesse último estudo realmente apresentaram esse padrão, mas o desempenho dos empreendedores (média de idade de 51 anos) foi semelhante ao de indivíduos mais jovens. Os autores chamam também à atenção para outro estudo por eles conduzido apontando que o desempenho desse tipo de teste pode ser aumentado com o uso de medicação (metilfenidato), no caso de pacientes com o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Chegam até a interrogar se intervenções medicamentosas não poderiam desenvolver o perfil empreendedor das pessoas.

 

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Uma série de estudos já havia demonstrado associação entre traumas cranianos em fases precoces da vida e o desenvolvimento posterior de TDAH. A questão que ainda não havia sido resolvida era se o trauma em si poderia colaborar para o desenvolvimento de TDAH ou se o trauma na verdade já é o resultado de um comportamento mais impulsivo e de risco entre crianças com maior tendência a desenvolver o transtorno. Um estudo publicado hoje pelo British Medical Journal ajuda muito a repensar essa questão.

 

 

Os pesquisadores avaliaram 62 mil crianças divididas em três grupos: 1) crianças com história de trauma craniano antes dos 2 anos de idade; 2)  crianças com história de queimadura antes dos 2 anos de idade; 3) crianças com nenhuma das 2 condições anteriores. Os resultados mostraram que tanta as crianças com história de traumatismo craniano como as com história de queimadura tinham mais chance de apresentar o diagnóstico de TDAH antes dos 10 anos de idade. Esses resultados reforçam bastante a hipótese de que não é o trauma craniano que aumenta a chance de desenvolver TDAH, mas que crianças com história de trauma mais freqüentemente tem um comportamento associado a um maior risco de acidentes em geral, como é o exemplo das queimaduras.

 

 

 

 

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O sono é uma de nossas necessidades mais básicas e há um bom tempo que ele não deve ser visto como um estado de descanso do cérebro, já que durante o sono ele está “trabalhando” pra valer, especialmente para cristalizar o aprendizado do dia. Podemos até prescindir de algumas noites de sono sem grandes prejuízos à saúde. Já a privação crônica de sono pode trazer efeitos negativos não só sobre nossas capacidades cognitivas, mas também pode alterar funções metabólicas que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. E quantas horas de sono por dia é o mais recomendável? Essa é uma discussão bastante interessante.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto em inglês, National Sleep Foundation, How much sleep do we really need?

 

 

 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Já é bem reconhecido que crianças com o diagnostico de TDAH tem um maior risco de no futuro usarem drogas, incluindo abuso e dependência de álcool e drogas ilícitas, assim como tabagismo.  Além disso, há um forte corpo de evidências que aponta que esse risco é menor entre adolescentes que receberam tratamento com medicações estimulantes como o metilfenidato durante a infância. Estudos com modelos animais de TDAH revelam que o uso dessas medicações reduz o interesse por drogas como a cocaína. O fator psicossocial também pode ser relevante, e poderíamos hipotetizar que crianças tratadas na infância receberam mais atenção por parte dos pais.

 

Um novo estudo publicado na última edição da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine confirma o efeito protetor do tratamento medicamentoso em crianças sobre o risco das mesmas usarem drogas no futuro, efeito até então mais estudado entre os meninos. A pesquisa acrescenta um importante dado à literatura: o efeito protetor do tratamento é tão importante nas meninas como nos meninos.   

 

 

 

 

A psicoterapia é uma das mais importantes ferramentas que dispomos para ajudar as pessoas que passam por problemas emocionais e do comportamento. Mas qual é a linha de psicoterapia mais acertada para cada tipo de problema? Uma das discussões mais inflamadas sobre o tema é a disputa entre a eficácia de terapias de longo prazo como a psicanálise e de terapias breves como, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental.

 

A terapia psicodinâmica (ou psicanalítica) de longo prazo é freqüentemente questionada sobre sua real eficácia, especialmente por ter sido construída através da experiência clínica, apoiada por um corpo teórico invejável, mas não acompanhada desde sua origem pelo clássico método científico que define tantas intervenções terapêuticas como “cientificamente corretas”.   Um estudo publicado esta semana no JAMA (Journal of the American Medical Association) dá um passo muito importante na demonstração científica da eficácia da psicoterapia psicodinâmica de logo prazo.

 

Pesquisadores alemães conduziram uma metanálise dos estudos publicados desde a década de 60 até 2008 e selecionaram 23 estudos que testaram a eficácia da terapia psicodinâmica com duração de pelo menos um ano de seguimento e com o mínimo de 50 sessões. A análise dos estudos evidenciou que a terapia psicodinâmica a longo prazo foi mais eficaz  que métodos terapêuticos de curto prazo em diversas situações como transtornos de personalidade, múltiplos transtornos mentais  e transtornos mentais crônicos.

 

Em 1982, num artigo que passou a ser um clássico da psiquiatria, Parloff chamou a atenção para o potencial equívoco em se querer começar a definir se um método de psicoterapia tem credibilidade se esse faz parte de uma lista de terapias que foram aprovadas através de rigorosos ensaios científicos. Um dos maiores propulsores para o crescimento dessa Psicoterapia Baseada em Evidências, nos mesmos moldes da Medicina Baseada em Evidências, é a pressão por parte do sistema de saúde no sentido de apenas reembolsar procedimentos terapêuticos que passaram por comprovação científica – e terapias de longo prazo são mais caras. Parloff em seu artigo original comparou esse movimento à personagem Godzilla (demanda por demonstração científica) ameaçando todo o corpo teórico, experiência clínica e a arte envolvida nas psicoterapias ainda “cientificamente incorretas” (Bambi). A inspiração vem de Quando Bambi encontra Godzilla”, clássico do desenho animado do final da década de 60, reconhecido como um dos 50 desenhos animados mais importantes da história.  

 

Mais de duas décadas depois do artigo de Parloff, Bambi tem suas forças revitalizadas e Godzilla nem é tão ameaçador assim. Freud deve estar gostando disso.

 

Clique aqui e assista ao filme (1 minuto e meio de duração).

 

 

 

 

 

 

Muita gente tem enxaqueca, mas nem todo mundo precisa de tratamento. É importante conhecer quais são os critérios que fazem com que um tratamento profilático seja indicado. Além disso, é importante saber que além das medicações clássicas usadas no tratamento profilático, existe uma série de outras abordagens farmacológicas e não farmacológicas de comprovado sucesso no tratamento da enxaqueca. Estamos falando de terapias Mente-Corpo (Ioga, Meditação), fitoterápicos, etc.

 Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

  

 
 
 

 

 

 

 

 

Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.  Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.

 

A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI.  A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?

 

A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito NOCEBO, também do latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas,  o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena. Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções gastro-intestinais, entre outros sintomas.

 

O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.

 

É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte. 

 

Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes.  De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relaçao com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…

 

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COMO FUNCIONA O EFEITO PLACEBO?  

EFEITO PLACEBO NÃO É SÓ PÍLULA DE FARINHA

 

 

 

Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal revela que o consumo de drogas antipsicóticas aumenta o risco do indivíduo em apresentar um derrame cerebral, e esse risco é ainda duas vezes maior entre indivíduos com quadro de demência e maior no caso dos antipsicóticos modernos, chamados de atípicos. 

 

A associação entre derrame cerebral e antipsicóticos atípicos (ex: olanzapina, risperidona)  já havia sido demonstrada, mas desta vez mostrou-se que mesmo os antipsicóticos de primeira geração (ex: haloperidol) também aumentam o risco de derrame.

 

Com esses resultados devemos pensar no uso de antipsicóticos cada vez com mais  critério, e no caso de indivíduos com quadros demenciais, essas medicações deveriam ser evitadas sempre que possível. Os antipsicóticos são freqüentemente usados nesse grupo de pacientes para a modulação de transtornos do comportamento que são muito freqüentes nos quadros demenciais. Esses resultados devem servir de estímulo para a incorporação de outras ferramentas que possam modular o comportamento dos idosos com quadros demenciais, e aí não estamos falando só de medicações,  mas também de atividade física, lazer e convívio social. 

 

 

 

 

 

 

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