Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriram um grupo de células do hipotálamo, região do cérebro que faz a ponte com os sinais hormonais, que podem ser as responsáveis pelas desconfortáveis ondas de calor que grande parte das mulheres vivencia nos primeiros anos da menopausa.

 

Em um modelo de menopausa em camundongos, os pesquisadores mostraram que o efeito de dilatação dos vasos da pele era interrompido quando um grupo de células do hipotálamo, chamadas de KNDy, era inativado. Apesar de representarem uma pequena população de células do cérebro, elas têm grande importância no controle das fontes de energia do corpo, temperatura e reprodução. Com a baixa dos níveis do hormônio estradiol, essas células ficam hiperfuncionantes e disparam o comando de vasodilatação, com a intenção não muito apropriada de provocar a perda de calor do organismo.

 

A descoberta abre uma importante janela para o desenvolvimento de futuras terapias para o controle das ondas de calor da menopausa. O estudo foi publicado nesta última semana pelo prestigiado periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA – PNAS.

 

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Quatro dias de imersão na natureza e longe de bytes e pixels aumenta nossa capacidade criativa. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida por psicólogos da Universidade Kansas e de Utah nos EUA e publicada esta semana pelo periódico PLoS ONE.

 

Cinqüenta e seis voluntários com 28 anos de idade em média participaram de um experimento que incluía uma viagem de quatro a seis dias de caminhada na natureza, bem longe dos aparelhinhos do cotidiano urbano. Uma parte deles foi submetida a testes de criatividade e solução de problemas na manhã anterior ao início da viagem e outra parte na manhã do quarto dia de viagem. Aqueles que fizeram os testes no quarto dia obtiveram um desempenho 50% maior.  

 

Existem evidências de que a vida tecnológica e de multitarefa cansa o cérebro, mais especificamente as regiões pré-frontais responsáveis pelas nossas funções executivas.  Por outro lado, o contato com a natureza pode ser uma grande ferramenta para restaurar essas funções – voltar ao estado default, e é isso que os resultados da presente pesquisa sugerem. Não é possível dizer se a experiência da natureza foi mais ou menos importante que os dias desconectados da tecnologia, mas a princípio os dois podem ter efeitos sinérgicos.  

 

Estudos anteriores já haviam demonstrado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Porém, essa foi a primeira vez que benefícios sobre a capacidade criativa foram demonstrados. O ineditismo da pesquisa também tem a ver com o extenso tempo de exposição à natureza e com o fato dos testes terem sido feito “na trilha”, fora dos laboratórios.  

 

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Um estudo publicado esta semana pelo periódico especializado em neurologia e psiquiatria JNNP apontou que o sentimento de solidão nos idosos é um fator de risco para demência.  

 

Pesquisadores holandeses acompanharam por três anos mais de 2000 pessoas com mais de 65 anos e sem o diagnóstico de demência. No início do estudo, 46% dos voluntários moravam sem uma companhia e um pouco menos de 20% declararam que se sentiam sozinhos. Após os três anos de acompanhamento, o risco de apresentar um quadro de demência era maior entre aqueles que se sentiam sozinhos, mas o mesmo não acontecia pelo simples fato de viver sozinho. Os resultados mostraram também uma associação entre o sentimento de solidão e demência mesmo entre as pessoas que tinham companhia em casa, e isso foi independente da presença de depressão. 

 

A pesquisa sugere que a percepção subjetiva de solidão é que faz a diferença. Ela pode estar associada a uma menor estimulação cognitiva e também a uma menor reserva cerebral. Por outro lado, a sensação de solidão pode ser um sinal de que o cérebro já não está tão bem. Ovo ou galinha? Não importa. Idoso e isolamento social não combinam, especialmente quando o isolamento é iinvoluntário.

 

 

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Infância com muito estímulo e sem traumas psicológicos,

Adolescência longe do álcool e outras drogas,

Vida de adulto com relacionamentos de amizade positivos, família estável e trabalho recompensador,

Maturidade socialmente ativa, 

Esta é uma boa carteira de investimentos à saúde ao longo da vida.

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Álcool zero para as grávidas é a recomendação difundida na atualidade pelas autoridades sanitárias nos mais diferentes países. Entretanto, a segurança de um baixo consumo de álcool durante a gravidez ainda é uma questão controversa, já que as pesquisas apontam resultados variados e acredita-se que isso seja em parte devido à dificuldade em se estudar o tema controlando fatores sociais e de estilo de vida.

 

Uma alternativa para se evitar essas dificuldades metodológicas é um tipo de pesquisa recém-desenvolvida chamada de randomização mendeliana. E foi isso que pesquisadores das Universidades de Oxford e Bristol utilizaram para mostrar que álcool na gravidez, mesmo em baixas doses, tem influência negativa sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças.  Os resultados acabaram de ser publicados pelo periódico PLoS ONE.

 

O perfil genético do metabolismo de álcool foi estudado em mais de quatro mil crianças. A presença de quatro variantes de genes ligados a uma menor capacidade de metabolizar o álcool mostrou-se associada a menores escores de QI aos oito anos de idade, mas isso só existia entre as crianças cujas mães beberam de forma leve a moderada durante a gravidez (<1 a 6 doses/semana). Metabolismo mais lento teoricamente leva a um maior risco de toxicidade. Além disso, nas mães, uma variante de gene desse metabolismo também teve relação com a evolução cognitiva das crianças, mas também só entre aquelas que beberam na gravidez.  Mães com consumo de álcool exagerado não foram incluídas no estudo.

 

O estudo é complexo, mas o recado é simples: álcool durante a gravidez, mesmo em baixas doses, pode ser ruim para o desenvolvimento cerebral da criança.

 

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Qual é o estado presente e o futuro das novas tecnologias voltadas para o melhora do desempenho humano no trabalho? Essa foi a temática de um relatório que acaba de ser publicado pela Royal Society e Academia de Ciências Médicas e de Engenharia da Inglaterra e que é fruto de um workshop que envolveu especialistas das mais diversas áreas envolvidas.

 

Medicações que podem turbinar o cérebro, braços biônicos, implantes na retina, e tantos outros dispositivos que ainda parecem ficção científica deverão fazer parte da nossa vida num futuro não muito distante. Podemos dizer que as medicações já devem ser indicadas para quem quer melhorar o desempenho, apesar de não sofrer de nenhum transtorno neurológico?

 

Já conhecemos uma série de atitudes no dia a dia que reconhecidamente podem turbinar nosso cérebro:  atividade física, sono e alimentação regulares, estar sempre aprendendo, equilíbrio psíquico, etc. Além disso, alguns estudos com as famosas pílulas usadas para turbinar o cérebro têm demonstrado que elas podem melhorar o desempenho intelectual até mesmo de indivíduos sem qualquer tipo de problema neurológico ou psiquiátrico. As medicações mais usadas para esse fim são as anfetaminas e o metilfenidato, indicadas no tratamento de indivíduos com o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

 

O fato é que dispomos de pouquíssimas evidências científicas de que essas pílulas trazem reais benefícios cognitivos a indivíduos sem transtornos neurológicos ou psiquiátricos, e há até resultados mostrando que algumas pessoas podem piorar o desempenho. É como se nosso cérebro fosse uma orquestra bem afinada e introduzíssemos um violino a mais. Pode melhorar, pode não fazer diferença no resultado, ou pode até desafinar. E apesar desse conhecimento ainda estar engatinhando, essas medicações têm se tornado cada vez mais populares entre adultos e adolescentes, na maior parte das vezes sem qualquer orientação médica.

 

O presente relatório é mais uma iniciativa para que se aprofunde a discussão, a regulação e as pesquisas pelo uso responsável dessas drogas por pessoas saudáveis. Em entrevista concedida à Scientific American e publicada recentemente na revista Mente & Cérebro, o Prêmio Nobel Eric Kandel, o neurocientista mais renomado do planeta e certamente um dos pesquisadores que mais contribuíram para o nosso atual entendimento da memória, declara: “Ainda não temos evidências de segurança e nem mesmo de eficácia do uso de medicações para melhorar o cérebro de pessoas saudáveis. Eu não aconselharia meus netos, pelo menos por enquanto, a usar essas medicações”.

 

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Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv conduziram um experimento que aponta que nosso cérebro tem mecanismos que permitem escolher a melhor solução de um problema na velocidade de um raio, sem termos muita consciência disso. Os resultados acabam de ser publicados no prestigiado periódico PNAS.

 

Os voluntários que participaram da pesquisa analisavam a tela de um computador em que apareciam duas colunas, uma ao lado da outra. Cada coluna mostrava seqüências de pares de números que se sucediam de forma muito rápida e os participantes eram orientados a apontar qual das duas colunas tinha pares de números de maior valor quando somados.  

 

Dois a quatro pares de números eram apresentados a cada segundo e, nessa velocidade, não era possível realizar cálculos e muito menos registrar os números na memória. Quando olhavam seis pares de números concomitantemente, o acerto era em torno de 65%, mas, espantosamente, quando a tela mostrava 24 pares de uma vez, os acertos chegavam a quase 90%.  

 

Essa intuição aritmética aponta que o cérebro tem a capacidade de absorver sem muita consciência várias informações picadas que serão traduzidas em uma idéia maior. Pode-se chamar esse fenômeno de integração de valor, pré-cognição, e explica porque muitas vezes antecipamos algum acontecimento. É o tal pressentimento que parece não ter nada de místico ou paranormal.

 

 

 

 

 

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Um estudo publicado esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia revela que as crianças com diagnóstico de enxaqueca têm uma chance 30% maior de ter um rendimento escolar abaixo da média.

 

Foram estudados mais de cinco mil brasileirinhos de 18 diferentes estados com idades entre cinco e 12 anos. Os professores dessas crianças responderam a um questionário que contemplava o desempenho acadêmico dos alunos e a identificação de problemas emocionais e do comportamento. Os pais também respondiam questões relacionadas ao histórico de dores de cabeça e outros antecedentes patológicos dos filhos.    

 

Quase um quarto das crianças apresentava dores de cabeça com características de enxaqueca e a associação entre as dores de cabeça e pior desempenho escolar foi ainda mais forte entre as crianças com crises mais fortes e mais freqüentes, assim como naquelas que tinham mais problemas de comportamento. O pesquisador Marcelo Bigal, brasileiro radicado nos EUA e um dos autores do estudo, dá o recado que enxaqueca é coisa séria e freqüente entre as crianças e por isso merece toda a atenção por parte dos pais e professores.  

 

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Sardinha, atum e salmão. Comer um desses bichinhos pelo menos duas vezes por semana é uma forma eficaz de prevenir a doença isquêmica do coração. Esta semana, uma pesquisa publicada no British Medical Journal confirmou que o efeito se estende também à prevenção de derrame cerebral.

 

O estudo é uma análise de 38 diferentes pesquisas sobre o tema envolvendo cerca de 800 mil voluntários de 15 diferentes países.  Os resultados mostraram que o consumo regular de peixes ricos em  òmega 3 realmente reduzem o risco de derrame cerebral e quanto mais melhor.  Já o consumo de pílulas de ômega 3 não  proporcionou o mesmo efeito protetor. A interação do ômega 3 com vitaminas e aminoácidos essenciais encontrados no peixe in natura pode fazer a diferença.  Além disso, o hábito de comer peixe costuma estar associado a hábitos mais saudáveis como restrição de carne vermelha.

 

* Esta semana, pesquisadores da Universidade de Montreal demonstraram também que UMA ÚNICA refeição cheia de gorduras saturadas, as gorduras “do mal”, já é capaz de mexer com as nossas artérias. Logo após um sanduíche “daqueles”, já se pode perceber uma redução da função do endotélio. Endotélio é a camada mais interna das artérias e é bem reconhecido que qualquer fator que atrapalhe sua integridade funcional aumenta também o risco de eventos vasculares como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral.

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Um estudo publicado esta semana pelo periódico Stroke da Associação Americana do Coração revela que a falta de sono está associada ao espessamento das camadas celulares da artéria carótida, mas só entre os homens.  Essa espessura é medida por método de ultra-sonografia, e quando aumentada, é considerada uma manifestação precoce da doença aterosclerótica e um marcador do risco de eventos vasculares como o infarto do coração e acidade vascular cerebral.

 

A pesquisa envolveu 617 americanos com idades entre 37 e 52 anos que foram submetidos ao exame da carótida e também ao registro objetivo do número de horas de sono por um aparelho chamado actígrafo, por três dias consecutivos.  Os homens dormiram menos que as mulheres – 5.8 horas  X 6.3 horas, e, pelo menos entre eles, quanto mais curta a noite de sono, maior era o espessamento da artéria carótida. A melhor explicação para essa diferença entre gêneros é o fato da doença aterosclerótica se apresentar nos homens de forma mais precoce. Talvez a mesma associação pudesse ser encontrada entre as mulheres do estudo numa reavaliação alguns anos depois.

 

Estudos epidemiológicos apontam que as pessoas que dormem pouco têm maior risco de doenças cardiovasculares, mas os mecanismos para essa associação não são bem conhecidos. Evidências recentes têm apontado de que a privação de sono pode favorecer a presença de fatores de risco vascular como hipertensão arterial, dislipidemia e síndrome metabólica.

 

O início do processo de aterosclerose se dá por uma disfunção da camada mais interna do vaso (o endotélio), seguido por acúmulo de gordura, desencadeando um processo inflamatório crônico. Vale ressaltar que o vaso sanguíneo é um órgão tão complexo do ponto de vista funcional como qualquer outro órgão do organismo. Hábitos de vida e doenças que representem insultos à sua camada interna são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose. Estes são os principais vilões: TABAGISMO, NÍVEIS ALTOS DE GORDURA NO SANGUE, HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES, OBESIDADE, INATIVIDADE FÍSICA, ESTRESSE, BAIXO CONSUMO DE FRUTAS E VEGETAIS e ABUSO DE ÁLCOOL.

 

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Uma pesquisa publicada na última semana pelo periódico The Lancet aponta que 79% das pessoas com depressão já experimentaram alguma forma de discriminação.

  

O estudo foi liderado pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres e envolveu 35 diferentes países, incluindo o Brasil. Questionários detalhados foram aplicados a mais de mil voluntários que faziam tratamento para depressão.

 

Um terço dos voluntários declarou que foram rejeitados por outras pessoas por conta de seus problemas mentais, especialmente por membros da família. Um terço evitou um relacionamento pessoal por antecipar a idéia de poder sofrer rejeição, um quarto não se inscreveu para um novo trabalho por conta dessa expectativa e 71% responderam que preferem esconder o diagnóstico por receio de sofrerem discriminação. Além disso, quanto maior a experiência de discriminação vivida mais frequentes os episódios depressivos ao longo da vida e maior a chance de internação psiquiátrica.  

 

O estudo confirma numa amostragem bastante representativa que o estigma associado à depressão é uma forte barreira para uma vida social e profissional bem sucedida. Intervenções contra a discriminação podem mudar o atual panorama dessa grave doença e, no Brasil, já existe uma proposta de inclusão da psicofobia no novo Código Penal, tornado crime a discriminação de indivíduos com doenças mentais.

 

 

 

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Flavonóides, substâncias abundantes em alguns tipos de vegetais, têm sido apontados como bons combustíveis para o funcionamento cerebral, promovendo a melhora de funções cognitivas e até a redução do risco de demência entre os idosos. Esses efeitos parecem ser ainda mais pronunciados no caso de um subtipo de flavonóides chamado flavanol, muito presente no cacau, vinho tinto, chá verde e algumas frutas. É bem reconhecido que os flavanols têm o poder de melhorar a função dos vasos sanguíneos, e pode ser que essa seja apenas uma das formas de como essas substâncias ajudam o cérebro.

 

O prestigiado periódico New England Journal of Medicine publicou esta semana uma pesquisa bem provocativa que procurou demonstrar se o consumo de chocolate, um dos principais alimentos ricos em flavanol, pode trazer vantagens cognitivas quando se pensa em nível populacional. Para isso, foi analisada a possível associação entre o número de Prêmios Nobel per capita de um determinado país e o nível de consumo de chocolate. Os resultados mostraram uma forte associação entre esses dois indicadores em diversos países – quanto maior o consumo de chocolate de um país, maior o número de ganhadores do Prêmios Nobel.

 

E então? É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Um maior consumo de chocolate faz com que um determinado país tenha mais estrelas intelectuais? Ou será que um país com maior nível educacional e econômico consome mais chocolate por ter mais dinheiro para gastar ou até mesmo mais consciência dos seus benefícios à saúde? Os resultados da pesquisa são legítimos, mas provavelmente só refletem uma associação entre uma cultura de se comer mais chocolate onde também existe uma forte cultura científica, sem qualquer relação causa e efeito.

 

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Uma boa noite de sono é fundamental não só para o bom desempenho acadêmico das crianças, como também para um bom comportamento no dia a dia. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.

 

A pesquisa demonstrou que um adicional de meia hora de sono por noite a crianças com idades de 7 a 11 anos teve impacto positivo na regulação de suas emoções incluindo comportamento de hiperatividade e impulsividade na escola. O inverso também aconteceu – crianças que passaram a ter uma hora de sono a menos por noite passaram a ter piora no comportamento.

 

Estima-se que boa parte das crianças em idade escolar tem dormido menos que o recomendável para a faixa etária e isso deveria ser 10 a 11 horas entre os 5 e 10 anos e 8.5 a 10.5 horas entre os 10 e 17 anos.

 

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Na década de 1950,  dois pesquisadores americanos, Simons e Emmon, conduziram um experimento que deu um certo banho de água fria nas expectativas da capacidade do cérebro aprender dormindo.  Eles fizeram quase cem  perguntas a um grupo de voluntários e em seguida deram as respostas numa gravação enquanto dormiam. O resultado foi que ninguém aprendeu nenhuma das respostas e assim concluíram que o aprendizado durante o sono seria praticamente impossível.  Mas a ciência não parou por aí.

 

Nos últimos 20 anos, uma série de estudos tem contestado os resultados pioneiros de Simons e Emmon. Este ano, duas importantes pesquisas foram publicadas pelo prestigiado periódico Nature Neuroscience demonstrando que nosso cérebro, enquanto dorme, é capaz de aprender, reativar memórias e solidificar conteúdos recém-aprendidos. 

 

Na primeira pesquisa, voluntários, após aprenderem a tocar uma melodia num teclado eletrônico, tinham melhor desempenho na sua execução após dormirem ouvindo o que aprenderam.  

 

Em um segundo estudo, um grupo de pessoas era apresentado a certos padrões sonoros seguidos de odores enquanto dormia. No outro dia, elas não se lembravam nem dos sons nem dos cheiros, mas os mesmos estímulos sonoros eram capazes de provocar o reflexo de fungar, tanto no estado de sono como em vigília. Esse é um reflexo arcaico em que inspiramos profundamente quando sentimos um cheiro agradável.  

 

O aprendizado só era transferido do estado de sono para a vigília quando o estímulo acontecia no sono não-REM, fase do sono crucial para a consolidação da memória.  Já durante o sono REM, padrão de sono que é mais influenciado pelos estímulos do ambiente, quando o cérebro está dormindo “meio acordado”, a resposta era até mais pronunciada quando testada durante o sono, mas o aprendizado não era transferido para o estado de vigília. Isso pode acontecer devido a um estado de amnésia característico dessa fase do sono que faz com que os sonhos freqüentemente não sejam lembrados.

 

Já faz tempo sabemos que nosso cérebro não pára de trabalhar durante o sono, especialmente no processamento afetivo e na organização e consolidação daquilo que aprendemos quando acordados. Além disso, é no sono que o cérebro descarta memórias pouco relevantes para nossa vida e isso se dá não por falta de espaço no hardware. O cérebro precisa manter sua mesa de trabalho livre de penduricalhos supérfluos.  

 

Mesmo assim, com todo esse trabalho cerebral durante o sono, não há porque termos muita esperança em aprender  conteúdos novos e complexos durante o sono. Digo isso é porque ainda não estão  implantando chips no cérebro para uploads.

 

 

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Esta semana, um estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia – EUA foi divulgado pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia sugerindo que a cólica dos lactentes pode na verdade ser uma precursora da enxaqueca ao mostrar que o risco é mais de duas vezes maior nos bebês que têm mães que sofrem de enxaqueca.

 

Através de um questionário, foram estudadas 165 mães e o comportamento de seus bebês que tinham uma média de idade de oito semanas. 14% dos lactentes preenchiam os critérios para cólica e 18% das mães tinham enxaqueca, índices comparados à média da população geral. Enquanto 29% dos bebês de mães com enxaqueca apresentavam cólica, apenas 11% daqueles de mães sem enxaqueca tinham o problema. O estudo não é definitivo para conclusões inequívocas da relação entre cólica e enxaqueca, mas abre uma grande porta para pesquisas mais robustas. O ideal seria acompanhar as crianças com cólica até a idade adulta e observar a freqüência de enxaqueca nessa fase da vida.

 

Existem algumas condições clínicas que acontecem de forma recorrente na infância e que são entendidas como expressões precoces de genes que mais tarde serão expressos como enxaqueca. Entre essas condições podemos citar crises de torcicolo, vertigem, além das misteriosas cólicas dos bebês.

 

O choro normal da criança começa a se intensificar nas primeiras semanas de vida, alcança o seu topo entre a sexta e oitava semana, e aos três meses já começa a dar uma trégua. A tal cólica dos bebês é uma forma intensificada desse choro e é definida como crises de choro por pelo menos três horas e pelo menos três vezes por semana.  Também é chamada de choro inconsolável e está associada a uma maior incidência de casos da síndrome do bebê chacoalhado, condição em que um adulto sacode a criança para discipliná-la ou para tentar interromper o choro. Isso pode levar a lesões traumáticas de diferentes gravidades.

 

O termo cólica traz uma conotação de que o desconforto tem origem no aparelho digestivo, mas não existe qualquer evidência que aponte para essa localização. Estudos tentam ligar a cólica com gases intestinais, alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, mas todos têm apresentado resultados negativos.

 

Por que seria um bebê com bagagem genética de um “cérebro de enxaqueca” mais propenso a ter crise de choro? Uma das maiores características de um cérebro enxaquecoso é a hiperexcitabilidade, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais como ruídos e luz. A transição do útero para o mundo cheio de estímulos pode fazer mesmo diferença a partir de algumas semanas, a partir de um nível de desenvolvimento da acuidade visual e auditiva. Isso pode explicar o porquê da cólica ser mais freqüente entre a sexta e oitava semana de vida, e não no período neonatal. Uma pesquisa chegou a demonstrar que a restrição de estímulos sensoriais foi capaz de reduzir o problema.

 

Com esse corpo de conhecimento, já se discute a modificação do termo cólica por algo como “Agitação Paroxística do Lactente” já que a raiz do problema tem mais chance de vir do cérebro do que da barriga.

 

 

 

 

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Já é consenso que a terapia de reposição hormonal (TRH), apesar de poder reduzir os sintomas da menopausa e o risco de osteoporose e fraturas, não traz outras vantagens à saúde da mulher e não deve ser utilizada como forma de prevenção de doenças. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento pode até aumentar o risco de uma série de doenças como trombose nas veias e câncer de mama. Com relação ao cérebro, a situação não é muito diferente.

 

Há poucos meses, o último relatório da divisão de saúde preventiva dos EUA sobre essa questão  confirma essa posição concluindo que a TRH com a combinação dos hormônios estradiol e progesterona aumenta o risco de demência enquanto o uso do estradiol isoladamente aumenta o risco de derrame cerebral. As indicações da TRH estão cada vez mais restritas, e isso é um assunto cada vez MENOS polêmico.

 

RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

 

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Temos a tendência em beber cerveja mais rapidamente quando o copo tem as paredes curvas. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Bristol na Inglaterra e publicada recentemente pelo periódico PLoS ONE.

 

Os pesquisadores realizaram um experimento com 160 voluntários com idades entre 18 e 40 anos que tinham o hábito de beber socialmente. Quando bebiam cerveja no copo de paredes curvas, a velocidade de consumo foi quase duas vezes maior do que no copo reto. No caso de uma bebida não alcoólica, o formato do copo não fez diferença.

 

Outro experimento com os mesmos voluntários demonstrou maior dificuldade em localizar a “metade” no copo curvo, onde ficava o nível em que metade do líquido já foi consumida. Isso pode influenciar o consumo, fazendo com que a pessoa ache que nem chegou ainda na metade do copo, mas na verdade já bebeu um pouco mais que isso. E o experimento sugere mesmo esse comportamento, já que aqueles que erravam mais ao apontar o nível foram os que beberam mais rapidamente a cerveja.  

 

Mas por que esse fator não influencia também a velocidade de consumo de bebidas não alcoólicas? Uma hipótese é um possível comportamento mais vigilante quando consumimos bebidas alcoólicas. De forma inconsciente, prestamos mais atenção no quanto já bebemos no caso de bebidas alcoólicas, e se o copo nos indica que nem chegamos à metade… bebemos um pouco mais rápido. Outra possível explicação é o fato do copo curvo estar associado ao consumo de cerveja, e isso pode ser um fator estimulante para o consumo.    

 

A velocidade de consumo pode fazer diferença na quantidade de doses consumidas e no risco de intoxicação aguda, mas também no que diz respeito a todos os efeitos adversos do excesso de álcool no longo prazo.O uso de copos com as paredes retas pode ser mais uma das táticas para a contenção do abuso de álcool. Nesses copos retos, a metade da altura corresponde à metade do volume.  

 

 

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Pesquisa inédita publicada nesta última semana na prestigiada revista PLoS ONE aponta que pais que dormem junto aos filhos passam a ter menores concentrações do hormônio testosterona.

 

Foram avaliados 362 pais nas Filipinas com idades entre 21 e 22 anos em dois momentos distintos separados por cerca de quatro anos. Os voluntários foram divididos em três grupos: 1) os que dormiam em quarto diferente do filho; 2) os que dormiam no mesmo quarto do filho e em camas separadas; 3) os que dormiam na mesma cama do filho.  Aqueles que dormiam na mesma cama das crianças, hábito da grande maioria dos pais nas Filipinas, tinham menores concentrações de testosterona ao fim do dia, maior queda dos níveis do hormônio ao logo do dia e também ao longo dos quatro anos entre uma e outra medida. Não houve diferenças na qualidade do sono e no estado de estresse psíquico entre os diferentes grupos.

 

Os resultados reforçam pesquisas anteriores que sugerem que essa queda de testosterona é um mecanismo de adaptação para que o pai fique mais disponível para as demandas da paternidade. Os mesmos autores já haviam demonstrado que a paternidade por si só já traz consigo uma queda do hormônio testosterona e a queda é ainda maior entre os pais que passam mais tempo com os filhos, brincando, dando comida ou lendo para eles.

 

A testosterona é reconhecida em outras espécies como um hormônio que influencia a capacidade do macho em atrair a fêmea, e altos níveis do hormônio estão associados a comportamentos que não combinam muito com uma paternidade eficiente. Além de fazer com que o macho fique mais “disponível” a uma nova fêmea, o hormônio também está associado a uma maior tendência em tomar condutas de risco. Há ainda evidências de que o homem com menores taxas do hormônio tem uma resposta mais afetuosa quando ouve o choro do filho.

 

Essa pesquisa dá mais um passo para entendermos que a fisiologia do homem é influenciada pela paternidade, algo que por muito tempo era pensado apenas no caso das mães. O cuidado com os filhos também faz parte da masculinidade, e esse é um componente pra lá de antigo na história de nossa espécie.

 

 

 

!!  Dormir na mesma cama dos bebês pode aumentar o risco de asfixia e morte súbita infantil e essa é uma prática contra-indicada por boa parte das sociedades de medicina pediátrica.  Vale lembrar que o hábito pode também atrapalhar a  saúde do casamento.    

 

 

 

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O extrato de Ginkgo biloba é vendido no Brasil com uma enorme lista de indicações para melhora das funções do sistema nervoso central, sendo indicado para quem tem “perda de memória e redução das faculdades intelectuais” – isso é o que está na bula.

 

Alguns estudos têm demonstrado que a erva tem algum efeito positivo na capacidade de relaxamento dos vasos e viscosidade do sangue, efeitos antioxidantes, e em tubo de ensaio, conseguiu até reduzir a agregação de proteínas associadas à Doença de Alzheimer. Entretanto, as pesquisas clínicas não têm conseguido demonstrar efeitos positivos do Ginkgo biloba sobre o cérebro. Um grande estudo sobre o tema acaba de ser publicado pelo conceituado periódico Lancet, Neurology, mais uma vez com resultados negativos.

 

Pesquisadores de diversos centros de pesquisa franceses acompanharam quase três mil idosos sem demência, mas com queixas de memória. Após um seguimento de cinco anos em média, a metade dos voluntários que usou Gingko biloba teve o mesmo risco de receber o diagnóstico de Doença de Alzheimer que a outra metade que usou placebo. Esse foi o primeiro grande estudo conduzido fora dos EUA.  

 

São mais de duas décadas de estudos clínicos envolvendo milhares de pessoas com resultados que não justificam o que se lê na bula dos extratos de Ginkgo biloba. Não se justifica também pensar que se não faz bem, mal não faz. O Ginkgo biloba já foi associado a maior risco de derrame cerebral e até mesmo de demência em pacientes com doença cardiovascular. Canja de galinha não faz mal a ninguém, mas Ginkgo biloba  não é canja de galinha.

 

 

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